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História Estamos Todos Quebrados. - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Olá a todos. Essa é minha primeira fic por aqui.
Eu tentei desenvolver um enredo complexo, que envolve algumas tramas relacionadas a episódios em que vivo, ou que vivi e convivi na minha vida real.

Segue um pequeno tutorial de como identificar algumas ações que eu poderei estar usando nos próximos capítulos:
-> Flash Backs ou Lembranças - Sempre iniciados e terminados com sinal gramatical til entre as falas:
Exemplo: ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
-> Falas -> Serão sempre precedidas com travessão;
Exemplo: "—";
-> Pensamentos -> Sempre em itálico, porém, iniciados e terminados hífen.
Exemplo: " - "
-> Mensagem de Texto -> Sempre em itálico e porém, iniciados e terminados com aspas.
Exemplo: " "

Capítulo 3 - O poder de uma amizade.


Meu celular toca. Acordo sem saber muito bem o que está acontecendo ao meu redor, mas vejo de relance seu nome na tela. Fernanda, como de costume, realizando sua tradição de me ligar cedo neste dia. Hoje é meu aniversário, e como em todos os outros ela me liga às cinco da manhã para ser a primeira a me dar os parabéns cantando “happy birthday to you” com seu inglês meia boca. Ela e o Gabriel tinham essa rixa entre eles de quem seria o primeiro, a brincadeira foi legal no começo, até que começou a ir longe demais e as ligações começaram a ser cada vez mais cedo. Dessa vez, a ligação não foi as cinco. Já são mais de oito, o que é compreensível; já que ela sabe que será a única a ligar. 

Desligo o celular. Não estou no clima para isso, pelo menos não agora. Na verdade, a situação em si me atinge mais do que deveria, se posso dizer. Me viro na cama algumas vezes, me ajeitando e tentando processar o ocorrido. Enquanto encaro o teto do meu quarto, me recordo dos meus antigos aniversários e em como as coisas eram mais simples. A vida era mais tranquila e eu, inocente, sempre desejei crescer. O pensamento infeliz. 

— Alex eu sei que você está acordado. - diz uma voz delicada, porém irritada, enquanto espanca minha porta. - Eu consigo te escutar resmungando na cama. 

Eu deveria ser mais cuidadoso, mas nunca imaginei que ela estaria aqui a essa hora. Se tem alguém que odeia acordar cedo mais do que eu, essa é a Fernanda. Ela esmurra novamente a porta me forçando a levantar. Enquanto caminho, sinto um forte enjoo, o que me faz ir de encontro a escrivaninha que estava ao meu lado. Me debruço sobre a mesma e espero alguns segundos até recobrar os sentidos.  

— Só um segundo. Estou colocando uma camiseta. 

— Até parece que eu nunca te vi sem camisa, Alex. Abre essa porta logo. 

— Já estou indo. 

Destranco a porta lentamente, mas logo sinto a pressão da porta sendo empurrada contra meu peito. Fernanda é uma garota explosiva, porém, atenciosa. Sua presença chama atenção de todos em qualquer lugar em que a garota entre. Ela é forte, segura de si, independente e muito bonita, diga-se de passagem. Enquanto passa rapidamente por mim, seus longos e desajeitados fios ruivos batem em meu rosto, me fazendo dar alguns passos para trás. Ela então para na minha frente, se vira e me fixa o olhar com seu rosto sério e fechado. Durante alguns segundos ela ficou ali a me encarar atentamente, até que abriu um grande sorriso e me puxou pra um abraço apertado. 

— Feliz aniversário, amigo! - Ela dizia me apertando um pouco mais que o necessário.

Informações extras para você: A Fernanda é a minha melhor amiga. Com certeza a melhor coisa que me aconteceu em muito tempo. Somos amigos a mais de dez anos, e em todas as minhas crises existenciais ela estava lá por mim, seja para me alegrar ou apenas para chorar junto. Sempre que precisei de um ombro para me lamentar por causa dos estudos ou do futuro incerto, era ela o meu Porto Seguro. Eu sou eternamente grato a essa garota por tudo, mas, infelizmente minhas mudanças de humor acabaram nos afastando um pouco, mesmo ela sempre tentando ao máximo me manter por perto. 

— Obrigado, Fer. - Digo tentando me soltar do abraço mais demorado que o normal. - O que você está fazendo aqui a essa hora? 

—  Eu vim te ver, oras. Você não respondeu minhas mensagens ontem, eu fiquei preocupada. Você anda sumindo demais ultimamente. 

— Sobre isso, me desculpa. Eu acabei me perdendo no tempo com o meu pai ontem, quando vi sua mensagem já era tarde, aí achei melhor não te incomodar.
— Agora não tem problema, mas você poderia pelo menos ter mandado um “estou bem”. 

—  Sim, eu sei. Me desculpe. Prometo responder na próxima.
— Mas e aí? - Ela diz enquanto joga o cobertor no chão, abrindo espaço para nos sentarmos. - Quais são nossos planos para hoje? 

— Bom, eu pretendo te expulsar daqui o mais rápido possível e voltar a dormir. 

—  Engraçado, porém não vai acontecer. Vem cá! - A garota bate no colchão, dando a entender que deveria me juntar a ela. - Eu estou com o dia todo livre para você. O que você quer fazer? 

—  Nossa, que notícia empolgante. - Respondo rapidamente em tom de deboche, claramente a irritando já que a mesma revira os olhos. - Fer, é sério, eu só quero dormir. Estou cansado. 

— Tudo bem então. Eu vou te deixar dormir mais um pouco, mas assim que acordar você vai sair comigo. Eu não me produzi toda pra ficar dentro desse quarto fedendo a meia velha.

— Nossa, e mesmo produzida continua assim?

— Alex! - Ela retruca, me dando um tapa no peito enquanto rimos.

A Fernanda garante seus argumentos. Não tem como discutir com ela, principalmente a essa hora. Enquanto ficamos ali, deitados, pude notar que ela também estava cansada. Rapidamente joguei um travesseiro para ela, que foi aceito com um lindo sorriso. Ela sabe que eu odeio isso. Dividir a cama, eu nunca gostei. Odeio as pessoas invadindo meu espaço, mas com ela as coisas são um pouco diferentes. Me sinto seguro com ela ali, tão seguro que rapidamente me permiti cair no sono. 

Acordo algum tempo depois com duas vozes ecoando ao fundo. Marcos e Fernanda estão do lado de fora do quarto, conversando sobre mim, claramente. Enquanto finjo sono profundo, escuto as preocupações de Marcos em forma de perguntas discretas para a garota, que sem jeito tenta se desviar de algumas. Aparentemente, Marcos a convidou para vir até aqui. Eu deveria ter suspeitado disso, mas não me importo tanto ao ponto de ficar irritado com a situação. Inclusive, no fundo eu gostei da presença dela. Eu entendo que não está sendo fácil para ele, queria eu poder facilitar nossa relação, mas, infelizmente não sei como. 

Enquanto os observo, meu celular toca novamente. Agora uma notificação do Instagram, provavelmente algum conhecido postando alguma foto nossa de tempos que já não me recordo mais. O barulho da notificação chama a atenção dos dois, que rapidamente abrem a porta e entram quarto adentro me dando parabéns novamente. Marcos, apesar de preocupado, aparenta estar feliz. Ele se debruça sobre a cama e me abraça forte por longos segundos. Fernanda continua ali, parada feito uma estátua de cera. Dois abraços no mesmo dia não é algo típico dela, então apenas abro uma careta e mostro a língua para ela, que retribui com um sorriso bobo. 
 

Permanecemos ali, os três, sentados na cama por algum tempo, apenas conversando sobre o que eu queria do meu dia e planos para o meu futuro. Conversa difícil. Eu sempre vivi minha vida despreocupado em relação a isso, pensei que as coisas seriam as mesmas independentemente da situação, então nunca precisei me preocupar com nada. Passei a vida rodeado de pessoas me dizendo isso também, que eu não precisaria me preocupar, o que foi bom por um tempo, e consequentemente, eu sempre tive tudo o que eu queria. Mas é complicado, pois também passei a vida toda sentindo que faltava algo. Um pedaço de mim que eu sempre busquei encontrar, mas nunca o achei, e acabei desistindo de fugir desse vazio que sentia. 

Esse vazio, eu cheguei a comentar sobre ele com a Sofia. Ele é mais do que apenas uma noite solitário, andar sozinho pelas ruas ou ficar trancado no quarto. O vazio que eu quero expressar e não consigo é mais algo como sentir um constante aperto no peito, como se houvesse ali um buraco que nada consegue o fechar, mas, mesmo assim, não consigo chorar. É como estar morto por dentro, mas não ter ninguém para te ajudar, ou te velar. Eu não sei em quem confiar em relação a isso, me pergunto se alguém vai estar ali para me segurar se eu cair. 

Desculpe. Honestamente é embaraçoso falar sobre isso. Minha vida é ótima, eu sei, e não estou sendo esnobe ou exibido quando digo isso. Mas mesmo assim ainda sinto essas coisas e mais um pouco. Talvez algum dia eu encontre essa parte que “me falta” e consiga finalmente fechar este buraco. Até lá, mantenho a esperança. 

É divertido passar o dia assim, em família. Mesmo sendo mais velho, Marcos é aquele famoso “tiozão” que alegra as festas. Ele se dá muito bem com a Fernanda também, o que me completa de felicidade já que eles são as duas pessoas mais importantes na minha vida atualmente. A Fernanda, por outro lado, apesar de ser toda “esquentadinha” também consegue ser muito divertida. Ela ficou por longos minutos nos contando a respeito do seu último date da noite passada. Um completo fracasso, se posso dizer. Ao término, Marcos e eu nos olhamos, sérios, mas não por muito tempo. A risada tomou conta, deixando a garota levemente corada com a situação.  

— Como você conseguiu ficar lá por tanto tempo? - Digo puxando a atenção da garota.

— Eu não tinha como ir embora, ele estava babado, eu ia ter que leva ele pra casa ainda e você não me atendia, isso é mais culpa sua do que minha. 

—  Eu? Você que sai atrás de homem e eu que sou o culpado? 

— Você entendeu o que eu quis dizer. Ele era muito simpático nas conversas, mas ele esqueceu de comentar o pequeno problema com bebidas, e eu cheguei logo pedindo a minha. 

— Meu Deus Fernanda, que perigo. - Marcos fala incrédulo. - Garota você tem que tomar mais cuidado com isso, você mal o conhece!

— Pode ficar tranquilo, tio. Eu deixei umas amigas avisadas e meus pais também. 

— Uma garota precavida, pai. Eu ensinei certinho ela. 

A conversa se estendeu por mais algum tempo, basicamente a Fernanda nos deu mais alguns detalhes sobre o encontro e Marcos continuou a não acreditar nas aventuras da menina. Coisa de gente velha e careta, Fer e eu rebatemos. Em algum momento, ele se cansou do assunto e saiu do quarto, nos deixando a sós deitados na cama. Conversamos por horas. Essa é a beleza de ter a presença da Fernanda. Você não vê a hora passar, a conversa flui naturalmente ao ponto de você se perder no tempo e esquecer tudo ao seu redor. 

— Amigo, eu sei que você não quer falar sobre isso, mas eu preciso perguntar. - Ela diz colocando a mão sobre meu peito. 

— O que foi? 
 —  Como você está? 

—  Bem, ué. 

— Não é isso que eu estou perguntando. 

— Eu estou bem, Fer. - Digo ríspido. Permaneço em silêncio por alguns segundos até notar tristeza no rosto da garota. - Desculpa. Eu não quis ser grosso com você.

—  Está tudo bem.

— Não, não está tudo bem. Digo, eu estou bem. Pode ficar tranquila em relação a isso.

—  Você disse isso mais vezes do que eu consigo me lembrar nesses últimos meses, Alex. Você está sempre bem. É isso que me preocupa.

—  Não tenho muito o que falar sobre isso, esse é o problema. Eu estou bem, pelo menos aos poucos estou melhorando. A vida segue, Fernanda, eu não posso continuar chorando para sempre. 

— Eu sei, mas você pode contar comigo. Eu também faço parte disso, mesmo não sendo tanto quanto você. Eu vou estar sempre aqui, do seu lado, mesmo você me ignorando e não respondendo minhas mensagens.

— A então a sua preocupação ainda está nas mensagens? - Digo na esperança de fazê-la sorrir. 

— Besta. Você sabe bem que não tem nada a ver com isso. Eu estou preocupada com você e é isso.

— Eu sei. Mais uma vez, me desculpa. 

Ficamos quietos por algum tempo, mas não foi aquele tipo de silêncio ensurdecedor e constrangedor que ocorre nessas situações. Estávamos apenas tentando absorver tudo o que foi dito, sem invadir a privacidade um do outro. Algum tempo depois, ela se levantou e me puxou pelos braços em direção a cozinha, onde passamos o resto do dia cozinhando alguns doces e vendo filme. Um ótimo programa para finalizar este dia. 

Ao término da noite, antes de partir, Fernanda me puxa novamente para um abraço apertado. Ela me entrega uma caixinha de presente, onde há metade de um pingente em forma de pedra, de uma cor meio arroxeada, minha preferida. Rapidamente entendi o significado. Aqueles famosos pingentes da amizade. Ela então busca em baixo de sua blusa uma outra metade, essa de cor similar a minha, porém, mais puxada para um tom de azul, e rapidamente agarra a que estava em minhas mãos para então completar as metades. Muito brega, confesso. Inclusive disse isso a ela. Mas um lindo gesto. Rimos por alguns segundos, e então a garota passou pelo elevador, sumindo alguns segundos depois escondida pelas portas de aço. Enquanto a observava desaparecer, aperto com força a minha metade, e penso no quanto sou sortudo por tudo o que tenho.


Notas Finais


Agradeço a todos, mais uma vez, que tiraram um tempinho para ler até aqui. Como eu disse anteriormente, eu tento escrever capítulos bem profundo que expressam muito o pensamento do Alex e como ele se sente em relação a vida e a tudo o que está acontecendo com ele, e mais uma fez o mesmo aconteceu. Espero que tenha ficado um pouco claro o objetivo disto.

Espero mesmo que gostem e que possam deixar um comentário aqui em baixo com dicas e sugestões. Obrigado por tudo até agora,


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