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História Estarei aqui quando acordar - Capítulo 36


Escrita por: Mandy162

Notas do Autor


Olá ♥️
Já começo pendido desculpa pelo capítulo enorme, mas eu tinha que passar todas as emoções (que espero que você sintam lendo) 🤣
Espero que gostem ♥️

Capítulo 36 - Califórnia, doce Califórnia


Fanfic / Fanfiction Estarei aqui quando acordar - Capítulo 36 - Califórnia, doce Califórnia

*MANDY*

Já estou curada da gripe, mas meu corpo inteiro parece não estar bem. O Chris seguiu em frente bem rápido pra alguém que dizia estar apaixonado e me amar. Lendo aquele tabloide senti uma mistura de raiva e tristeza, mas agora não sei bem definir... culpa?! Com certeza a Callie viu isso, mas agradeço por ela não ter falado nada ainda. 

Minhas coisas já estavam arrumadas e meu voo sai em pouco mais de uma hora. Bem quando estou na porta do hotel procurando por um táxi, Adam aparece me dando bom dia.

- Espero que esteja melhor – ele disse com seu sorriso charmoso – São todas as bagagens que vai levar? – apontou para minhas duas malas e com seus braços largos as pegou.

- É... – falei tentando entender – O que está fazendo? 

- Levando suas malas para o carro – Adam me respondeu como se fosse óbvio – Temos que chegar no aeroporto para o check in em quarenta minutos.

- Temos? Tipo, “nós” ?! 

- Arthur não te falou? – agora quem parecia confuso era ele – Eu tenho que acompanhar você na visita a UCLA, como seu chefe de departamento. Segundo Arthur, a política da Mayo hospital diz que um staff ou um residente de último ano que já pode executar cirurgias que tenha menos de um ano de contrato não pode operar em outra instituição sem um responsável técnico que responda em nome da Mayo em caso de emergência. 

- E você? O chefe da ala cardio-torácica virou responsável técnico?! – fiz questão de deixar claro minha incredulidade dando ênfase às últimas palavras.

- Mandy... eu sei que você deve estar chateada com tudo isso. Eu também me opus, sei que você é excelente e não precisa de nada disso, mas.. era eu ou algum outro que não é tão legal quanto eu. Nem vai saber que estou lá.

Bufei com as palavras dele, mas ele tinha razão. Era bem melhor que fosse o Adam. Então só pra provocá-lo falei – Você não é “tão legal” – dei uma risada entrando no carro.

Já no avião meu acompanhante começou a ler o prontuário do caso. A minha amiga Callie sabe que sou a louca da cirurgia e vou dever a ela um favor eterno graças a essa aqui. É surreal. Ectopia cordis, o coração do bebê está crescendo fora do corpo dentro do útero da mãe.

- A Callie te ama mesmo e confia em você pra valer – Adam exclamou enquanto lia as páginas – Um caso desses está além de raro.

- Menos de 300 casos já foram reportados e pouquíssimos sobreviveram.

- Eu já trabalhei num desses casos. O bebê esmagou o próprio coração com as mãozinhas no útero e morreu um dia antes de eu operar. Você tem muito trabalho a fazer nesse rapazinho. Está disposta? 

- Sempre – afirmei com convicção – A Callie desenvolveu a cartilagem e a pele que vai cobrir o tórax do bebê quando o coração estiver no lugar.

- Uau – ele fez uma pausa – Você são muito amigas não é?! Fala dela com orgulho.

- Minha melhor amiga – dei um sorriso lembrando dela e de nossa conexão. 

- Nem imagino o quanto deve estar feliz por estar voltando para Los Angeles, pelo menos por uns dias – Adam disse com inocência, sem saber, mas lá se foi meu sorriso e automaticamente minha mão foi ao bracelete no meu pulso. Adam notou na hora e depois de um tempo disse – Você ainda o ama? – apontou para o presente – O cara que te deu isso. 

- Eu... – minhas palavras saíram como um suspiro – Acho que nunca senti nada por alguém como senti por ele – sinto.

- Porque não estão mais juntos? – ele queria mesmo entender mas seu tom era cauteloso. 

- Em resumo... ele é O Chris Evans e eu sou só a garota com problemas de confiança que em algum momento ferrou tudo – dei uma risada sem graça e desviei o olhar.

- Eu sabia que você era namorada dele, mas... – Adam estava com cara de hétero com o ego machucado – Então foi ele quem te deu? – apontou para o meu pulso mudando o que ia falar antes. 

- Presente de aniversário... mas já não estávamos mais juntos – esclareci – Enfim.. é passado. Ele já superou e seguiu em frente, está com outra pessoa e eu fico feliz por ele. Dizem que é maturidade não é? – menti e dei um sorriso sem graça só para afastar as lágrimas que se formavam no canto dos meus olhos.

- Posso te fazer mais uma pergunta? – perguntou me encarando e eu apenas balancei a cabeça que sim – Por que ainda vive em um quarto de hotel? 

Joguei minha cabeça contra o encosto da poltrona do avião e inspirei fundo – Porque... – pensei em mentir, mas não fiz, só disse toda a verdade, mais para mim mesma do que para Adam – Por que eu fugi... eu estou sozinha e as coisas na minha vida estão sempre uma bagunça. Eu... – parei um pouco refletindo nisso – Eu não sei, só sei que quando admito isso, tipo agora, vejo o quão real é o fato de eu estar sozinha... e se eu comprar uma casa aqui, eu vou chegar nela e não vai ter ninguém, por que não tem ninguém pra mim. E isso dói.. Então talvez, só.. seja melhor não ter uma casa. 

- Ou talvez, seja melhor ter alguém... Mesmo que doa, mesmo que a situação seja dolorosa... A mais dolorosa da sua vida. Eu acho bem melhor ter alguém.

- Eu deveria seguir em frente também...

- Ele deveria ter lutado mais por vocês.. por você. Eu lutaria. Ele é um babaca – Adam falou como se estivesse tomando minhas dores e eu senti isso, dei um leve sorriso e encostei minha cabeça em seu ombro que me acolheu instantaneamente.

*CHRIS*

Dizem que os primeiros dias são sempre os mais difíceis, se eu pudesse reformular essa frase diria que os primeiros meses é que são por que a dor de não tê-la comigo agora é a mesma de quando a deixei partir há quase três meses atrás. Apesar disso nunca mais a procurei, nem mesmo em seu aniversário, não sei se a Callie entregou o meu presente, mas imagino que não, afinal elas são amigas e eu e Mandy não estávamos mais juntos. 

Faz um mês que voltei para minha casa em Los Angeles, pra piorar, quando cheguei encontrei algumas coisas que a Mandy deixou antes de ir embora, ela não voltou nem mesmo para buscá-las. Pelo visto queria tanto se livrar de mim que não fez questão das próprias coisas. Juntei tudo em algumas malas e mandei entregarem em seu antigo apartamento e depois desse dia decidi que não me martirizaria por absolutamente nada. É melhor assim.

As gravações dos Vingadores já acabaram e em alguns meses começam os eventos de pré-estreia, o que vai ser ótimo para manter minha mente ocupada. Mas por enquanto tenho folga, o que não ajuda muito. 

Por isso resolvi chamar minha amiga Ana de Armas  para jantar, ela também tinha terminado recentemente seu namoro com o Ben Affleck. Eu deveria ter imaginado que duas pessoas emocionalmente frágeis e tentando superar seus ex resultaria em um beijo inesperado. Eu não tentei me afastar ou me deter de beijá-la, apenas deixei rolar. Não é como se eu estivesse fazendo a Ana de “tapa buraco” ou a usando para esquecer minha ex, eu só... estava tentando seguir em frente e parar de pensar na Mandy a cada segundo do meu dia porque isso parecia machucar cada vez mais. 

Faz uma ou duas semanas que estamos saindo, não passou de alguns beijos e também não nos vimos muitas vezes. Não nomeamos o que temos porque, honestamente, não há nada a ser nomeado, não há sentimento. Talvez eu esteja sendo um escroto, a Ana é linda, gostosa, engraçada e inteligente, mas... ela não é a minha garota.

O Scott sempre foi o fã número um meu e da Mandy como casal, apesar dele adorar a Ana, não demonstrou tanto apoio sobre eu estar ficando com ela, mas também não é como se ele me repreendesseo tempo todo, ele só não diz absolutamente nada, não se intromete, nem palpita, o que é estranho por se tratar do Scott. Mas esse fim de semana ele está ainda mais esquisito, chamei ele para tomarmos uma cerveja aqui em casa e jogar videogame como sempre fazemos, mas ele disse que já tem programação e está ocupado o fim de semana inteiro e não deu detalhes. Mas me chamou pra ir à praia hoje com ele, Steve e alguns amigos que, segundo ele, eu não conheço, mas são tranquilos. Aceitei por que não ia ficar sozinho de jeito nenhum e ele sabia disso. O dia amanheceu lindo e o sol estava ótimo para um mergulho. Eu estava arrumando uma bolsa com uma toalha, protetor e uma roupa extra, já estava com minha melhor sunga por baixo do calção de banho. Já fazia um tempo que não ia à praia então estava empolgado com a ideia. Vai ser legal. Joguei a camisa por cima de um dos ombros e fui pegar a coleira do Dodger quando minha campainha tocou e fui atender.

- Ana?!... tínhamos combinado alguma coisa hoje? – fiquei sem graça de perguntar, mas realmente não estava me lembrando. 

Ela estava com os olhos sobre meu abdômen (confesso que estou em minha melhor forma graças ao último filme), e começou a piscar meio que despertando – Ah.. não, não combinamos. Mas eu estava por perto e pensei de almoçarmos juntos

- Às nove e meia da manhã? – dei uma risada, mas percebi que ela ficou meio sem jeito – Eu combinei de ir à praia com o meu irmão, devemos almoçar por lá. Pode se juntar a nós se quiser. 

- Eu adoraria! – respondeu sorrindo – Se importa de passarmos na minha casa pra eu pegar uma roupa de banho? 

- Claro que não. Vamos?! O Scott já está me esperando. 

Passamos na casa da Ana e eu fiquei esperando no carro enquanto ela entrava e pegava o que tinha de pegar. Não avisei nada ao Scott que levaria alguém, mas tenho certeza de que ele não vai se importar. Eu já estava há alguns minutos aguardando quando recebo uma ligação do Sebastian.

*Está por onde, Cevans?* 

- Indo a praia, e você? – respondi e pude sentir sua descrença na risadinha que ele deu.

*Está mesmo precisando de um bronze* - Sebastian riu - *Estou com o Anthony e o Hiddleston, estamos pensando em ir na Exchange a noite, talvez o Pratt se junte a nós. O que acha? Uma noitada como nos velhos tempos!?*

- Não tão velhos assim – respondi rindo. Pensei um pouco, talvez uma noite numa boate só com os caras vai ser uma ótima distração. Mais um tempo pra me divertir, ocupar a cabeça e, principalmente, não pensar em ex – Estou dentro. A gente se encontra que horas? 

*Umas 23:00, pode ser?* 

Concordei e desligamos. Ana já estava de volta e nos dirigimos à praia. Quando chegamos, logo avistei meu irmão e meu cunhado, fomos até eles e nos cumprimentamos, essa foi a primeira vez que Scott viu Ana depois que começamos a sair juntos e percebi que quando ele correu os olhos sobre ela sua expressão mudou para uma que não consegui identificar... preocupado?! Meu irmão me puxou para um canto mais afastado enquanto eu largava minha camisa e soltava a coleira do Dodger pra ele poder brincar na areia.

- O que ela tá fazendo aqui? – seu tom estava diferente e deu ênfase no “ela”.

- A Ana estava na minha casa e eu...

- Vocês dormiram juntos? – seus olhos arregalaram e sua voz subiu quase como um grito agudo. Por que essa reação toda? 

- Não!- respondi constrangido – Ela apareceu lá e eu fiquei sem graça de mandá-la embora. Somos amigos, antes mesmo de rolar alguma coisa. Então a chamei. Mas que porra Scott.. qual o seu problema hoje? – perguntei confuso soltando uma risadinha de lado. 

Ah não... – resmungou quase inaudível.

Dodger começou a latir sem parar e chorar atrás de mim, não para mim como se quisesse chamar minha atenção, mas como se estivesse reconhecendo alguém, quando me virei para entender o que estava acontecendo pude jurar que tudo ficou em câmera lenta como se meus olhos estivessem diante de uma visão, ou miragem, eu a vi. Em um biquíni verde com uma saia curta combinando que fizeram essa ser minha nova cor favorita. Seus cabelos estavam mais compridos, quase até a cintura,  balançando ao vento e se misturando com um sorriso genuíno em seus lábios carnudos, graças a esses últimos meses eu daria qualquer coisa para ser o motivo desse sorriso ou ser o receptor dele, mas hoje eu não era. A Callie estava ao seu lado, sorrindo igualmente, como se tivessem contado uma piada interna uma para a outra. Meu coração palpitava agora e tive que fazer um leve esforço para fechar a boca e tirar o semblante idiota da cara. O Dodger saiu correndo atrás dela tão rápido que ninguém conseguiria detê-lo. Mandy se assustou quando ele começou a pular nela, mas logo reconheceu o meu garoto. Ela automaticamente abaixou até ele e começou a abraçá-lo e falar com aquela voz infantil que eu tanto zombava. De repente ela se afastou um pouco do meu cachorro e começou a olhar em volta, como se procurasse algo ou alguém. Eu? Torci para ser. Seus olhos encontraram os meus e senti uma faísca de paixão e desejo, como não sentia há meses. Minha garota abriu um pouco a boca, como se tentasse puxar um pouco o ar, parece que os dois congelamos naquele instante, mas ela começou a se mover, estava vindo em minha direção e pude jurar que senti minhas mãos soarem, mesmo com minhas pernas se negando a me obedecer forcei um movimento, ela continuava vindo em minha direção e eu queria tanto encontrá-la era como se não existisse mais ninguém ali. Dei mais um passo em sua direção mas fui interrompido.

- Me ajuda a passar o protetor? – Ana disse colocando as mãos sobre meu tórax.

Pisquei algumas vezes tentando focar na garota que estava na minha frente – Claro...

Ela me respondeu com um rápido selinho, me pegando de surpresa. Rapidamente olhei em volta procurando pela Mandy, mas já era tarde ela agora estava caminhando na direção oposta, de costas pra mim. Callie e Scott se olhavam. Terminei de passar o protetor nas costas da Ana, pedi licença e fui correndo até o meu irmão.

- Você chamou a Mandy? – estava me segurando pra não gritar – Por que não me contou que ela estava na cidade? E que ela viria para a praia?

- Por que um dia desses você me disse bêbado ao telefone que ela tinha ficado no passado e não queria mais saber – respondeu com ironia 

- Caralho Scott! Onde ela está? 

- Você veio com Ana de Armas! – meu irmão fez questão de me lembrar.

- Responde Scott! – aumentei o tom ignorando completamente sua observação.

Ele apontou com a cabeça e tive que me segurar para não ir correndo. Mandy e Callie estavam mais afastadas, sentadas em um dos quiosques. Callie olhou para a amiga como pedindo um sinal se deveria me deixar falar com ela.

- Oi.. – falei tentando juntar as palavras.. caramba como ela está linda e, absurdamente, gostosa nesse biquíni.

- Olá.. – Mandy me respondeu um pouco indiferente.

- Oi Evans.. – Callie respondeu com um leve sorriso – Eu vou pegar uma cerveja pra a gente amiga.. – Mandy concordou com a cabeça e Callie saiu 

Meus olhos logo correram para o brilho em seu pulso, estava usando o presente que mandei fazer pra ela – Você recebeu.. – disse apontando como o dedo e com um leve sorriso orgulhoso.

- Ah.. sim, a Callie entregou.. Eu ia ligar para agradecer, acabei esquecendo com a correria, mas.. obrigada.

- Você gostou? – perguntei um pouco inseguro.

Ela puxou um pouco o ar – Aham. 

- Como está a vida em Rochester? O hospital novo é tudo que pensava? – me sentei ao seu lado em uma das espreguiçadeiras. 

Mandy soltou um sorrisinho que saiu com um suspiro, passou a língua sobre o lábio inferior e deu uma leve mordida, cara… como eu queria estar fazendo isso por ela.. – É ótimo.. a vida em Rochester é... incrível – ela respondeu pouco convincente – Como foram as gravações? – estranhamente ela tentou puxar papo.

- Ãah... bem, foram boas, muito boas... Logo será a estreia.

- Legal... 

- Mandy... 

- Chris.. – disse ao mesmo tempo em que chamei seu nome – Me desculpa. Eu realmente não sabia que estaria aqui... a Callie e o Scott disseram que seríamos só nós. Eu não fazia ideia que você e sua namorada viriam.

- A Ana não é minha namorada. Nós só...

- Ah não.. por favor, não precisa me explicar nada sobre vocês – ela se apressou em me interromper – Eu fico feliz que você tenha seguido em frente. É bom ver que pelo menos um de nós não saiu totalmente destruído. 

Soltei uma risada irônica que saiu como um sopro de ar abafado – Eu não consigo me lembrar de nada que tenha me destruído mais do que perder você –confessei com o olhar baixo.

Então me surpreendendo ela me abraçou, forte. A segurei em meus braços e inalei seu perfume doce e suave como se fosse a melhor e mais viciante droga, e talvez, para mim, seja mesmo. 

- Sinto sua.. – ela começou mas se interrompeu saindo dos meus braços – Desculpa – se levantou da cadeira rapidamente olhando para trás de mim. Ana vinha em nossa direção e Callie estava logo atrás tentando acompanhar seus passos.

- Chris? – minha amiga chegou.

- O Scott está nos chamando, Mandy, vamos? – Callie disse.

- Mandy?! – Ana repetiu ficando de frente para mim notando de quem se tratava.

Minha garota se afastou indo em direção a Callie e pude ouvi-la baixinho – Quero ir embora – ela disse para a Callie que concordou e a levou para longe de mim.

Ana colocou a mão em meu bíceps e nesse momento Mandy tinha virado para olhar pra mim e vendo a cena desviou o olhar – É a sua ex namorada? – ela perguntou um pouco sem graça. 

- É... 

- Vocês... – começou mas logo a interrompi 

- Se importa de irmos embora? Podemos almoçar em outro lugar.

- Claro que não.. Vamos?! – Ana está além de compreensiva e discreta, e agradeci internamente por isso. 

Peguei o Dodger e corri os olhos sobre a praia, mas Mandy não estava mais lá. Fomos embora uma hora depois de chegarmos. Levei Ana para almoçar em um restaurante tranquilo próximo à casa dela, ela não fez perguntas e nem demonstrou estar chateada por ter a deixado para ir conversar com minha ex. Quando paramos na porta de sua casa ela me chamou para entrar e parte de mim queria muito entrar, seria mais fácil com a Ana, ela não complica, nem foge de mim, muito menos é assustada e nem tem um passado ferrado. Mas minha pele não arde de desejo quando está com ela, meus olhos não brilham quando ouço seu nome e as coisas dentro de mim não se reviram de ansiedade só de lembrar de nós juntos. Droga. Nos despedimos com um beijo e voltei para minha casa.

Passei o resto da tarde pensando na Mandy e naquele abraço, seus lábios.. e eu achando que teria mais um dia de distração para não pensar nela. Que piada. Fui até a academia pra passar o tempo, nadei na piscina da minha casa e não recebi ninguém até a noite quando os caras apareceram para irmos à boate. Acompanhei Sebastian vestindo uma jaqueta de couro preta, vesti por dentro uma blusa branca em gola v discreta e jeans pretos, até pensei em colocar um boné, mas meu cabelo está bem assim ornando com a barba alinhada.

Chegamos no clube e fomos direto para a entrada privativa para não causar alvoroço. Tom já tinha reservado um dos camarotes e uma garçonete chegou com as bebidas 

- Vamos brindar – Mackie disse rindo já erguendo seu copo, todos optamos por whisky.

- Um brinde a um bando de caras com a vida amorosa fracassada – Sebastian falou por cima da música alta. 

- Pelo menos temos sucesso na vida profissional – Tom zombou.

- Serve de consolo – Sebastian riu. 

Fui o primeiro a esvaziar o copo e encher novamente. Não sou de ficar bebendo, então por que não aproveitar só por hoje? Depois de muita risada e alguns passos de dança desengonçados chamei o Sebastian para darmos uma volta pelo clube. Esbarramos em algumas pessoas dançando e passamos pelo bar, peguei mais uma bebida.

Eu podia jurar que meu corpo reconheceu a presença da Mandy, mas seria loucura. Foi então que ouvi o clássico brinde dela e da amiga “pra dar sortee” me virei procurando, quando meus olhos a viram. Ela estava perfeita, ah Deus, ela tem um macacão que me deixa mais louco que o outro, ainda lembro do efeito do último que ela vestiu para mim. Ela estava toda de preto, esse macacão tinha um decote generoso que fez uma pressão na minha virilha surgir e um ciúme idiota vir com tudo, quis correr até ela e tirar minha jaqueta para cobri-la  pra nenhum imbecil babar exatamente como eu e o Sebastian estamos fazendo agora.  Dei um tapa no ombro dele.

- Cacete.. – ele disse tentando disfarçar, mas já era tarde. 

Quando cheguei mais perto notei duas coisas, a primeira era que ela estava usando botas pretas de salto fino o que a deixava ainda mais sexy, e a segunda é que tinha um filho da puta com uma mão em sua cintura e falando alguma coisa em seu ouvido próximo demais. Me aproximei num impulso enquanto meu amigo veio atrás de mim. Mandy estava rindo de alguma coisa que o cara disse, ela levantou uma das mãos para jogar o cabelo pro lado deixando o pescoço a mostra e notei que meu bracelete continuava lá. Isso é bom! Não é?! Eu queria me aproximar sem parecer um completo idiota atrás dela, e Sebastian sabia, por isso passou na minha frente me ajudando  

- Há, se não é a deusa da cárdio – disse ele a abraçando, Mandy quase derreteu ouvindo essas palavras, seu sorriso se alargou iluminado e ela jogou os braços ao redor do pescoço do meu amigo quase me fazendo querer matá-lo. Desde quando fiquei tão ciumento?

“Ela não é mais sua, ela não é mais sua”, repeti pra mim mesmo tentando me conter, mas quando seus olhos me encontraram... esqueci. Ela soltou Sebastian e me aproximei não desviando dos seus olhos

- Oi... você está linda – está ainda mais perfeita de perto.

Ela abriu os lábios vermelhos para me responder, mas vi o babaca que estava com a mão na sua cintura antes se aproximar e repetir o movimento. Levantei uma sobrancelha. 

- Está tudo bem? – ele perguntou a olhando e ela balançou a cabeça que sim. Ele virou em minha direção, não a soltando – Sou o Adam – disse como se isso esclarecesse alguma merda. 

Franzi um pouco as sobrancelhas e soltei um sorriso forçado – Chris.

- Quer outra bebida, linda? – o tal Adam falou com Mandy de modo que eu escutasse e eu cerrei a mandíbula apertando os dentes. 

Ela sorriu e concordou com ele, deu um beijo na bochecha dela a deixando corada e saiu.

- Quem é esse cara? – perguntei a encarando e ela levantou as sobrancelhas como se não estivesse entendendo a pergunta.

- Um amigo.

- Ah claro, como aquele outro? 

- E se for como a sua amizade com a Ama de Armas?! Te preocuparia? – ela disse me encarando, fiquei mudo e sem reação – Foi o que eu pensei... – completou virando as costas.

- Cara, vamos voltar lá pra cima – Sebastian disse por cima da música alta. 

- Tá.. tanto faz – resmunguei – Só vou pegar mais uma bebida. 

Fui de novo até o bar e Adam também estava aguardando as bebidas ficarem prontas. Pedi meu bourbon e notei o babaca me encarando, olhei para suas mãos com as bebidas.

- Tequila com licor de cereja – ele levantou um pouco mostrando – O favorito dela – ele riu. 

- Eu sei – respondi com a cara fechada.

- Tenho que me certificar de que ela pegue leve dessa vez... da última quase não deu pra chegar no quarto – deu uma risadinha e meu rosto caiu. 

Cerrei meus punhos ao lado do corpo e comecei a me aproximar quando senti uma mão me segurando.

- Vamos, Cevans – Sebastian... 

Que merda aquele cara disse? A Amanda está dormindo com ele? Tentei afastar da mente imagens dela nua o abraçando e revirando seus olhos pra ele como fazia comigo. E fiz isso bebendo mais whisky de volta ao camarote.

- Vai com calma, amigo – Anthony demonstrou preocupação.

Me afastei um pouco e fui para o parapeito do camarote olhar para a pista. Mandy sempre soube dançar muito bem e nesse minuto está exercendo essa habilidade ao som de Maluma - Hola Señorita. Músicas latinas em si já são quentes e ela dançando uma nessa roupa me deixa ainda mais louco. Estou juntando todo meu autocontrole para não ir até lá. Nunca fui um cara brigão ou badboy, mas talvez a bebida esteja fazendo seu efeito. Voltei para mais perto dos caras para me distrair da visão da minha perdição. Quando de repente o infeliz DJ decide fazer uma sessão anos 2000 e coloca um remix de algumas músicas, e não me ajudando, ele para em Buttons, The Pussycat Dolls. E minha mente mergulha a mil por hora em uma lembrança deliciosa da Mandy me seduzindo e fazendo sexo comigo em uma cadeira ao som dessa música. Seu corpo suado e desenhado batendo no meu, seus cabelos caindo em ondas e eu os puxando forte. Ah esse dia.. Me levantei em um impulso atrás dela e seus olhos brilhavam em direção a mim, ela também se lembrou. Ela mordeu seu lábio inferior e eu sabia que seus pensamentos estavam tão pervertidos quanto os meus. Mas alguém a virou, Adam! A vi recuando um pouco timidamente, antes de ceder e começar a dançar pra ele. Com ele. Me corrigi. Mandy ficou de costas para mim e o filho da puta deu um sorrisinho beijando seu pescoço. Saí em direção àquele escroto, Sebastian veio apressado atrás. Agarrei o braço da Mandy afastando os dois

- O que você tá fazendo? – ela me perguntou olhando para minha mão 

- Relaxa aí, cara – Adam veio a soltando 

- O que você tá fazendo?! – perguntei a encarando 

- Vai embora Christopher, você está bêbado – Mandy me repreendeu

- Vem comigo – falei 

- Eu não vou com você!

- Então aquilo na praia foi o que? O que ia dizer? 

- Ah, está perguntando quando sua namorada chegou?  - ela confrontou e fiquei mudo. Mandy virou se afastando, seu semblante estava chateado e Adam veio, notei que ele ficou irritado quando a viu assim 

- Você perdeu a mulher mais linda e inteligente do mundo, otário. Cai fora 

- E quem é você pra falar isso, seu imbecil? – rosnei com raiva 

- Eu? – ele deu uma risadinha soberba – Eu sou o cara que daqui há algumas horas vai estar ajudando a Mandy a se livrar daquele macacão. Você até tentou, mas... no final dessa noite ela vai estar gemendo meu nome como uma prece, não o seu 

Que se foda o autocontrole

Antes que Sebastian ou qualquer um pudesse impedir, voei em cima do desgraçado o segurando pela camisa, empurrei ele contra uma pilastra e soquei sua mandíbula como numa explosão. Adam tentou me empurrar segurando minha jaqueta, mas eu estava em um pico de adrenalina alto demais e o acertei de novo o fazendo sangrar. Ainda bem que meu pai é dentista, por que estou disposto a quebrar alguns dentes desse cara hoje. Eu estava cego de ódio, não pode ser verdade, ela não vai chamar seu nome. Acertei outro golpe que fez alguma coisa estalar, não sei se foi na minha mão ou na face dele. 

- Faz alguma coisa, Sebastian! – ouvi Mandy gritar 

Meu amigo veio tentando me afastar sem sucesso, mas me fez errar o próximo soco então Adam acertou com o joelho meu estômago tentando revidar e golpeou meu maxilar com a mão livre conseguindo se soltar. Fui pra cima dele com tudo mais uma vez, os nós dos meus punhos estavam sujos com seu sangue, o derrubei no chão 

- Chris! – Mandy me gritou mais uma vez, mas nem olhei em sua direção 

Quando eu estava prestes a subir em cima do babaca e terminar o serviço sinto um braço tentando me impedir, em minha fúria apenas empurrei Sebastian com força. Mas não era ele 

- Ai! – ouvi um grito de dor que me despertou, era a voz da Mandy 

- Evans! Olha o que você fez, cara! – Sebastian saiu correndo em direção a ela 

O braço que senti tentando me deter era da Mandy e eu a empurrei com tanta força que ela caiu com cima de uma das mesas do clube quebrando alguns copos. Um vidro grande, provavelmente, de uma garrafa, entrou em seu antebraço e estava lá fazendo seu sangue quase jorrar. Corri em sua direção, Callie e Sebastian estavam abaixados com ela. 

- Mandy, Mandy, me desculpa, eu achei que era o Sebastian

- Sai, Evans! – Callie disse furiosa, Sebastian pegou um lenço de dentro do bolso do casaco e deu pra Callie que amarrou em volta do braço dela – Não vou tirar o vidro pode ter acertado uma artéria tem muito sangue aqui

- Eu estou bem! – Mandy resmungou tentando tirar o vidro mas soltou um gritinho de dor 

- Vamos pra UCLA, vamos ter que dar alguns pontos – Callie terminou de amarrar o lenço 

- Eu levo ela – falei às pressas 

- Cevans, agora não – Sebastian me interrompeu e eu olhei pra ele confuso, ele tinha que me ajudar caramba – Eu levo ela. Callie, você leva o Adam – Sebastian ajudou Mandy a se levantar e ela procurou o babaca que estava em pé do lado oposto com uma garota o ajudando com o sangue dele 

Saímos da boate, Anthony e Tom vieram me encontrar e pegaram minhas chaves. Mas fiz Mackie me levar até o hospital para onde Sebastian estava levando minha garota. 

Depois do que causei hoje vou precisar parar de me referir a ela assim de uma vez por todas


Notas Finais


Por essa vocês não esperavam 🤣


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