História Estatísticas - Capítulo 1


Escrita por: e HehSales

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Namjoon (RM), Personagens Originais
Tags Bxttomnochu, Hehsales, Jk&nj, Jkobottomdebusan, Mpreg, Namkook, Papai Power, Romance
Visualizações 427
Palavras 4.977
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


HehSales: Oioi amore, tudo bem com vocês?

Eu finalmente consegui escrever algo para o projeto nem estou acreditando, sério!
Avisinho: coloquei o aviso de sexo, por que tem cena implícita, mas, por via das dúvidas, está lá, espero que gostem!


Bora ler?
(*3*)/

Capítulo 1 - Capítulo Único


Estatisticamente, é bom ser pai.

 

Você já teve um filho? Digo, de verdade. Já passou por todos os perrengues de se ter um filho, uma criança? Apenas um brotinho que sai de você para ter uma vida, assim como você sempre teve. É apavorante. Se imagine, não é difícil, o difícil mesmo é imaginar a realidade então eu vou contar a minha para que, talvez, vocês possam ter uma ideia mais real do que é ter um filho; de verdade.

Primeiro de tudo, vamos às estatísticas, pouco mais da metade das gravidezes são indesejadas e contra fatos não há argumentos. É uma realidade que sequer precisa ser pesquisada para falar a verdade, só basta você parar alguém e perguntar: você quer ter filhos? Se sim, quando? Você poderá ter respostas diferentes, vindas de pessoas de diferentes classes e pensamentos, diferentes motivos e ideais. Mas, no fim, as estatísticas continuam certas.

Antigamente era normal se ver alguém falando que seu sonho era casar e ter filhos, hoje em dia, as pessoas têm prioridades maiores. Como ter uma vida financeira estável antes de pensar em ter um filho, ou namorar por longos períodos antes de se casar precipitadamente e ter um divórcio precoce. Mais uma vez, as estatísticas não estão mentindo.

Apenas observe, eu faço isso o tempo todo. A maioria das pessoas que engravidam não esperam por isso; na verdade, acontece uma ironia maldosa onde quem está lutando para ter um filho não consegue, quando alguém que quer fugir disso por diversos motivos — que só cabem a ele — acaba por engravidar.

 

Isso aconteceu comigo.

 

Eu devia ter meus vinte e dois anos quando corri para o banheiro com o temor de todas as pessoas — com útero e com uma vida sexual ativa — em mãos: o teste de gravidez. É como o bicho papão para adultos com úteros. Chega a ser cômico como é apavorante para aqueles que querem engravidar e estão com medo do resultado ser negativo; e para aqueles que não querem e estão torcendo, roendo as unhas, para que o resultado seja o contrário.

 

Os dois lados da moeda, meu caro.

 

No fim, as reações já são costumeiras e clichês, ou você pula de felicidade, ou ri para não chorar por que, meu caro, você vai estar ferrado. Isso aconteceu comigo, como já disse antes, e bem, eu estava entre os mais de cinquenta e cinco por cento que não planejava uma gravidez.

 

Veja bem, eu tinha vinte e dois anos, mas já sabem disso, o que não sabem é que eu estava no quarto ano da faculdade, cursando engenharia química e, eu não sou do tipo gênio, tive que me esforçar muito para chegar até onde estou hoje. Meu primeiro sintoma seguiu as instruções e influências das estatísticas.

 

Eu me desesperei.

 

Sorri, querendo chorar, gargalhei por achar aquilo o cúmulo, é claro que não acreditei e comprei outro teste por que aquele claramente estava com defeito. Eu, grávido? Em hipótese alguma. Contudo, vejam só como a vida me ama; o segundo também deu positivo, fiz no banheiro da farmácia mesmo e era por volta de três da manhã por que foi o horário que eu parei de chorar e decidi que tinha que fazer mais um teste para ter certeza.

Dois risquinhos nunca foram tão odiados por mim.

Eu devo ter tacado com muita força o teste na parede, tamanha era minha raiva, para a mulher que trabalhava como atendente naquela madrugada, vir conferir se estava tudo bem. Existem muitos malandros que só sabem destruir as coisas, ela foi mesmo pronta pra me expulsar de lá. Mas não fez isso. Encontrou-me chorando, no meu pior estado e com a mão apoiada na perna, enquanto me residia sentado sobre o vaso sanitário tampado.

— Está tudo bem moço?

Olhei para o teste no chão e para ela, não precisei dizer nada, sua feição frisou e pareceu confusa, até o momento que ela resolveu agir e pegar o teste que estava no chão, um pouco estragado pela batida forte teve contra a parede gelada do banheiro. Escutei o barulho da torneira por que ela provavelmente se lembrou de que eu tinha urinado ali só depois de pegar o objeto do chão e correu para lavar as mãos, resmungando algo que não entendi.

— Deu positivo — ela disse o óbvio, mas ouvir isso de outra pessoa só me deixou ainda mais desesperado.

 

Positivo.

 

Não era uma imagem maldosa de minha própria mente querendo me ferrar.

— Talvez esteja errado — ela disse simples encostando-se à parede, logo se afastando por sentir o gelado do azulejo. —, quem sabe se tentar de novo…

— Esse é o segundo.

— Dizem que três é o número da sorte.

Uma luz de esperança acendeu na minha mente naquela madrugada e a fiz correr até o meio da farmácia atrás de outro teste, tendo que explicar o motivo aos seus três companheiros de trabalho que estavam junto dela naquele turno.

A fiz virar de costas enquanto a urina, que não sabia de onde vinha — talvez fosse minha forte de vontade em não estar grávido —, molhava o teste. Quando terminei, lavei as mãos e esperei pelo resultado, a essa altura ela também já estava ao meu lado, agora, já eram quase cinco da manhã. Fiquei naquele banheiro quase duas horas me desesperando.

Um risco.

Sorri e ela fez o mesmo, nós nem nos conhecíamos.

Dois riscos.

A esperança é a última a morrer, mas ela fode muito as pessoas às vezes. Por fim, eu apenas voltei a abaixar a tampa do vaso e me perguntei o que diabos eu estava fazendo da minha vida para estar em uma farmácia, quase cinco da manhã, trancado com uma desconhecida no banheiro enquanto me lamentava sobre estar grávido.

— Bom… — ela estava com receio, na verdade, não sabia nem o porquê de ela ter continuado ali comigo. — Então, devemos ficar felizes com isso?

— Eu não sei quem é o outro pai.

— Oh…

— Pois é.

— Meu nome é Lee Ji Eum, o pessoal da farmácia me chama de IU, e você é?

A olhei me perguntando se ela tinha mesmo socado uma apresentação, no meio dos meus lamentos sobre eu ser um pai solteiro, que não fazia a mínima ideia de quem era o pai do meu filho. Foi tão do nada…

— Jungkook.

— Quem?

— Eu.

— Não entendo — céus, como pode?

— Meu nome é Jeon Jungkook.

— Ah sim.

Neguei e voltei ao meu momento de choro e revoltas, nem isso eu poderia fazer mais. Lamentável Jungkook, lamentável! E ela, bem, a tal Ji Eum continuou parada ali em silêncio e me perguntei se o patrão dela não se importava com o fato de que ela estava sem fazer nada por horas. E quanto aos outros? Eu já tinha vindo tirar satisfação.

— Não tem que trabalhar? — perguntei sem mais aguentar.

Ela apenas deu de ombros.

— A farmácia é do meu pai, estou aqui apenas cumprindo com meu castigo por chegar tarde em casa na sexta e perder a aula de manhã — se explicou pulando de costas e sentando na pia como se não tivesse uma coisa mijado ali.

— Quantos anos têm? — perguntei, pois ela disse estar de castigo e aquilo me soou estranho ao mesmo tempo em que ela não parecia ser tão nova assim.

— Vinte e oito.

Engasguei.

— E seu pai ainda a deixa de castigo?

— Eu moro com ele, sabe como funciona — ela puxou muito ar, o que me assustou, e continuou com uma voz bem grossa: — Enquanto viver sob meu teto e com meu dinheiro, vai viver sobre as minhas regras e tem que justificar onde está indo e voltar na hora certa, sim!

Presumo que ela estivesse imitando seu pai e dou risada, incrédulo, mal percebendo que não estou mais tão frustrado pela minha gravidez indesejada.

— Como pode morar com seus pais em plenos vinte e oito anos?

— Você está grávido, solteiro e não faz a mínima ideia de quem é o pai — ela retrucou rápido —, então não me julgue por que não o julguei.

Justo.

Depois disso, não demorou em o pai dela chegar e me expulsar dali pensando que eu estava transando com a filha dele. O velho gritou e quase me jogou literalmente na rua, com ela dizendo para ele ter cuidado para não eu perder o bebê — que eu nem queria.

Cômico. Triste.

Jurei nunca mais voltar aquele lugar, o velho me deixou com medo. Mas não durou muito, não sei como, mas me encontrei com ela no mês seguinte quando fui a minha primeira consulta. Aparentemente a mãe dela era médica; a minha médica. Ainda suspeitei sobre Ji Eum estar apenas me seguindo, mas deixei pra lá depois do primeiro bolinho que ela me deu na consulta. Foram muitos.

A primeira consulta. Se você já teve um filho, sabe do que estou falando. É uma bagunça. Você não sabe o que dizer, tem vergonha das perguntas e quer mais do que tudo que termine rápido. No entanto, a primeira consulta parece durar dois dias e meio, eu contei, por mais paranoia que pareça.

Eu nem queria ter o bebê, e então já estava lá com uma médica me tocando e perguntando coisas que considerei inoportunas, mas que ao pesquisar na Internet descobri serem padrões.

Eu odiava padrões, eles seguem as estatísticas.

Mudando o assunto foco, vamos à parte mais importante e inesquecível da minha vida, a primeira gravidez, todo o meu percurso depois de descobrir que estava grávido. Todos os perrengues que cheguei a passar e aqueles que só aconteceram na minha cabeça maldosa.

Após minha primeira consulta, vieram os exames e mais e mais consultas. Com o tempo fui me soltando e passando a perguntar quanto a respostas que não achava na Internet, ou que achava, mas me pareciam suspeitas. Descobri tudo o que podia e tive muito medo de tantas e tantas coisas que não couberam em mim.

Meu primeiro desafio foi aceitar que tinha algo dentro de mim, fiquei confuso e desesperado, mas com um tempo até dei um nome: Fetinho. IU achou horrível e maldoso, mas depois ela também começou a chamar ele assim, até a mãe dela que por vezes disse ser um absurdo chamar o bebê assim.

Talvez fosse um absurdo o nome de o meu bebê ser Fetinho, mas era um absurdo eu estar grávido, então estávamos quites.

A gravidez, dizem que é uma experiência maravilhosa, talvez seja, mas a minha foi um caos. Eu preciso desse desabafo. Quando se está grávido você não para de ir ao banheiro e isso só piora com tempo, sua bexiga é pressionada cada vez mais até que chega o momento em que você pensa em ficar no banheiro para o resto da vida.

E dói.

Precisa entender que seus órgãos são todos realocados durante a gravidez, então fica tudo junto e pressionado. É horrível. Sem contar no peso que tem de carregar e faz suas costas doerem o tempo todo.

Você incha; tudo em você incha. Parece uma boneca inflável, com os órgãos espremidos, a bexiga esmagada e as costas doendo. Vê, é horrível. Tudo em prol do conforto do Fetinho que fica dentro de você sem pagar aluguel algum.

Acho isso um absurdo total até hoje.

O Fetinho sempre foi saudável, embora tenha dado belos sustos em todos. Inclusive meu namorado, por que eu comecei a namorar um cara, sim… Esse homem simplesmente caiu no meu colo e não saiu mais da minha vida. De nossas vidas.

Kim Namjoon.

Ele se dizia apaixonado por mim, mas relutei dar a cara à tapa por muito tempo por que eu estava com um baita barrigão, não havia motivos para atração e, se por acaso ele sentisse tesão em mim desse jeito, podia não passar de um tarado por gestantes.

Mas Nam se mostrou um homem maravilhoso, e em pouco tempo nosso relacionamento desenvolveu como se fossem anos, meus pais chegaram a dizer de pé firme que ele era o outro pai do Fetinho e nós só estávamos enganando eles todo esse tempo.

 

Meus pais são paranoicos, eu também sou.

 

E falando em minhas paranoias, elas pioraram quando o tempo do bebê nascer chegou. Eram tantos medos e dúvidas que não cabiam em mim, o desespero me tomou de uma forma que não soube explicar, mas tirava meu sono todas as noites. Já foi pessimista alguma vez, se acha uma pessoa pessimista? Meu amigo, se você nunca teve um filho, ou presenciou a crise de alguém que iria ter; você não sabe o verdadeiro significado de ser pessimista.

Foram tantas teorias que criei que, por um momento, pensei em escrever um livro cheio de histórias onde algo de ruim acontecia no final. Primeiro começou com as doenças hipotéticas que meu filho poderia ter, e foram muitas; pensei até que o Fetinho poderia nascer sem os braços, pernas e com cinco pulmões. Eu realmente cogitei isso.

Quando você pensa que está tudo bem, por que todos os exames já foram feitos e seu filho parece estar saudável, vem à parte mais difícil, o parto. Jurei de pé junto que eu iria morrer no parto, ou o Fetinho, ou nós dois. Cheguei a acreditar fielmente que um avião poderia cair em cima do hospital durante o parto.

Eu surtei no dia do parto, fiz Namjoon fazer de tudo para me provar que não teria nenhum avião passando por cima do lugar onde o ele iria nascer. No fim, tudo deu certo e eu pude finalmente ter meu filho que estava hospedado em meu corpo, e dar um nome de verdade para ele.

Jeon Da Eun, um bebê completamente saudável e forte, pronto para viver uma vida maravilhosa ao meu lado e de Namjoon. Foi o que pensei, tranquilidade e paz, um filho e uma vida perfeita, apesar de tudo.

Ora, eu realmente não sabia o que era ser pai, ao menos não naquela época.

 

(...)

 

— Jeon Da Eun, desce daí agora mesmo!

Como eu já disse, não sirvo para ser pai, mas pelo menos tento.

— Mas pai, eu só estou brincando! — falou com uma perfeita carinha fofa e suplicante; meu filho, como qualquer outra criança, tem várias táticas de me fazer murchar por ele, mas eu já sou vacinado contra as artimanhas dessa criatura.

— Você já tem quinze anos, vê se é idade para ficar pendurado em escadas — reclamei apoiando a palma em minha barriga como se aquilo fosse aliviar as dores nas costas.

Estar grávido é um saco, e eu já estava na minha quarta gestação. Tudo por que não queria ter filhos, às vezes me pergunto se caso eu fosse louco para engravidar, teria conseguido tão facilmente. Mas no fim, prefiro nem pensar nisso mais, por mais que eu tenha negado muito todas as primeiras três gravidezes, eu nunca deixei de amar meus Fetinhos, que se tornaram pessoas com nomes.

— Papai, eu também quero ir lá! — Go Na choramingou correndo até a escada, parando no quarto degrau por medo de subir mais sozinha.

— Capaz que vou deixar uma criança de quatro anos se pendurar numa escada!

— Mas por que ele pode? Tem que ser igual para todo mundo — Go cruzou os braços e a cena teria sido fofa se não fosse tão absurda.

Ultimamente minha pequena havia começado a assistir um desenho que falava sobre igualdade e tudo mais sobre o assunto, de forma que crianças possam entender com mais facilidade. Todavia, Go decidiu que tudo deve ser igual, inclusive seu direito de bagunça com os irmãos.

— Eu não posso com isso!

— Papai, olha o que eu fiz? — me virei sorrindo para Jung Suk, meu pequeno de apenas três aninhos e, quando o fiz, minha expressão foi de indignada para assustada.

— Mas o quê?

— Olha papai, Sukie fez arte — Go Na declarou sorrindo sapeca enquanto corria até meu lado,  ficando exatamente onde eu estava como se fosse a autoridade ali. — Sukie, por que fez isso, menino arteiro!

Confuso, olhei para minha filha e depois para o seu pequeno Suk, não sabia se ficava indignado com a repreensão dela, ou com a cara de meu garotinho toda preta com algum tipo de tinta que com toda certeza não parecia removível com água.

— O que aconteceu com seu rosto?

— Não ria papai! — Suk resmungou cruzando os braços, emburrado.

— Mas eu não estou rindo filho — neguei com um balançar de cabeça indo até meu pequeno, apoiando a ponta da barriga com a mão e passando dedo pelo rosto de minha criança. Esse foi um costume que peguei sem nem me dar conta, quase como um instinto. Se eu levantasse minha mão estava no mesmo lugar, indo tomar banho, deitar, andar e abaixar. Era como se eu o protegesse de alguma forma assim.

— Aí! — Suk exclamou fazendo drama.

— Quieto filho, assim não consigo! — tirei a mão da minha barriga, que nessa gravidez estava bem maior do que nas outras, e continuei com as duas mãos passando os dedos pela substância preta no rosto da minha cria bagunceira, o que só parecia o sujar mais em vez de sair.

Go estava bem ao meu lado, mas quando viu que tirei a mão da barriga, correu colocar as suas duas mãozinhas pequenas no lugar, me trazendo uma sensação de paz e calor fraterno. Se eu estava fazendo aquilo era por que era importante — na cabecinha dela —, então ela iria ajudar de alguma forma. Enquanto isso, apenas deixei que minha filha brincasse com a barriga, por que ela sempre fazia isso, e olhei bem fundo dos olhos brilhosos de Suk que já estava começando a chorar.

— O que é isso pai? — Da Eun perguntou depois de ceder à curiosidade e sair de seu passatempo nas escadas, indo até onde eu, e seus irmãos, estávamos.

— Eu não sei, não quer sair! — exclamei indignado e perdido.

— Tem cheiro bom! — Dae, como alguns da família chamavam, comentou aproximando de Suk e fungando.

— Cheiro do negócio preto que a titia Ji sooie usa! — Ji sooie, nada mais era do que minha irmã mais velha, Jeon Ji soo, mas como minha filha a apelidou por vontade própria assim, todos se acostumaram.

— O que a titia Ji usa, filha? — perguntei esperançoso.

Ji soo passava muito tempo com meus filhos por ser babá deles, já que eu — assim como meu marido — trabalhava fora de segunda à sexta. Apenas estava em casa por ter entrado em licença graças à gravidez e a periculosidade do local onde trabalho. Era engenheiro químico em uma fábrica de alta produção alimentícia que tinha na divisa da cidade.

— Aquele lá — Go Na disse simples, como se eu pudesse ler mentes.

Esse é outro dom que os pais desenvolvem com o tempo, por que meus caros, já viu uma criança pequena quando está aprendendo a falar? É mais difícil de entender do que quando não falava nada.

— Como esse negócio é, filha? — perguntei esperançoso.

— Faz assim — a indicou pegando a pontinha do dedo e passando na dobra da pálpebra e ainda fiquei por um tempo pensando sem entender. — Papai, você não entende?

Sim, até minha filha sabia que era lerdo demais para ser pai.

— Não Go, explica de novo pro papai, hm?

— Aí — ela suspirou e negou como se não estivesse acreditando estar lidando com alguém tão lerdo como eu. Sim, minha filha de quatro anos me dava para burro. —, já disse! — ela estendeu os braços balançando para cima e baixo, indignada — É assim!

E então ela repetiu o gesto e fiquei pensativo, mas logo meu filho mais velho me deu um cutucão sussurrando em meu ouvido:

— Acho que é aquela maquiagem preta que a tia Ji soo passa nos olhos, uma bem fina.

— Não creio!

Olhei para Suk apenas mais uma vez para ter certeza, encontrando um rostinho culpado e abaixado. Respirei fundo. Isso pode ser uma piada com a minha cara, não é possível! Céus, eu criei essas crianças com muito amor — um pouco de negação no começo, mas muito amor —, chorei e sorri com essas crias desde a primeira vez que os peguei no colo, para ter que lidar com meu filho com a cara toda lambuzada de delineador.

Pais sofrem.

— Isso é sério Suk? — sentei no sofá, completamente desacreditado e frustrado.

Como vamos tirar isso agora? Eu não tenho nem removedor de maquiagem aqui, meu Deus, que raiva! Minha própria maquiagem anda escassa por que prefiro não usar durante a gravidez, elas me dão muita irritação, então dei tudo para minha irmã usar, já que compraria novas depois do bebê nascer.

Droga.

— Suk, papai já não falou sobre não mexer nas coisas que não são suas? — meu pequeno concordou com o rostinho choroso coberto pela tinta preta que não saía de seu rosto e, agora, pela bronca.

— Nem se for para brincar? — GO Na curvou o corpo na mesinha de centro, apoiando o rosto nas mãos.

— Não filha, nem se for usar só para brincar.

— Isso aí sai com água? — Da Eun perguntou molhando a ponta cá camisa na boca e passando no rosto do irmão que fez carinha de nojo na mesma hora.

— Papai olha o que o Dae fez, isso é “credo“!

— Filho! — repreendi o mais velho, bufando alto.

— Papai, não vai sair? — Suk perguntou com o rosto já todo molhado correndo até mim.

Eu não aguentava ver meus filhos chorando, mas esse não foi o único motivo para eu desatar a chorar junto com meu pequeno. A gravidez tinha sua parcela de culpa por me deixar tão sensível. O dia foi uma grande bosta, acordei com dores nas costas, mal consegui sair do banheiro e nem comi direito por que nada me agradava. Estava com saudades do trabalho e passei quase uma hora conversando com minha colega de trabalho pelo telefone sobre como tudo lá estava na mais perfeita ordem e tinham muito que fazer. Eu quis ir trabalhar, mas não posso. Droga.

Para ajudar, hoje as crianças não tiveram aula por que causa de uma chuva forte no dia anterior, que derrubou algumas árvores no colégio, que despencaram sobre os telhados das salas de aula. Sabe o que é passar o dia todo com um moleque de quinze anos trepando em tudo, animado por que vai fazer aulas num circo da cidade — presente de aniversário dos avós — e por que a Internet está ruim demais pra carregar os joguinhos dele?

É um desastre.

Só hoje consegui jogar os cacos de vidro de três copos, dois foram Da Eun que quebrou, sendo o outro — quebrado por Go Na — com mais uma jarra que ganhei mês passado da mamãe. Minha única filha decidiu que hoje era o dia perfeito para me ajudar a arrumar a casa que está uma bagunça, já que eu decidi dispensar a empregada por querer um dia só pra mim hoje. Ah se eu soubesse… É por isso que a pagamos tão bem, comparado ao salário normal que ganharia em outro lugar.

Achei que agora, quase na hora de Nam chegar, eu poderia arrumar eles por que iríamos comer fora, e descansar até a hora de dormir. Todavia, a vida ria de mim com um balde de pipocas na mão enquanto eu traçava meus planos.

— Mas o que está acontecendo aqui? — despertei com a voz e Namjoon que devia ter acabado de chegar e só chorei ainda mais, até mesmo Suk havia parado com o berreiro deixando só eu bancando o bebê chorão da casa.

Não demorou muito tempo e já tinha meu marido ajoelhado a minha frente com a face preocupada, que eu só via toda embaçada pelas lágrimas teimosas. Solucei e funguei ainda muito choroso quando ele me abraçou beijando meus cabelos e acariciando minhas costas.

— Nam! — choraminguei afundando o rosto em seu pescoço, abafando minha voz falha em sua camisa.

— O papai está machucado? — Suk perguntou e pude ver, atrapalhado, sua mão cutucando Namjoon.

— Nam, desculpa…

Qualquer um poderia dizer que não havia de fato um motivo para eu pedir desculpas, mas sou uma pessoa muito complicada com pensamentos mais complicados ainda que só Kim Namjoon poderia entender. Ele simplesmente sabia do que se tratava apenas de nos afastarmos e poder olhar em meus olhos banhados em lágrimas, nem uma palavra precisava ser dita. Namjoon já sabia o que estava acontecendo ali.

— Da Eun, filho — vi Nam olhar para meu filho mais velho dizendo algo apenas com o olhar, e pareceu ser o suficiente.

— Já entendi meu velho — costume que Dae tinha de chamar meu marido daquela forma, eu não gostava, mas como  quem deu a ideia foi o próprio Namjoon, nunca me opus. — É isso aí! — gritou chamando a atenção das crianças. — Vamos dar uma volta no quintal cambada!

— Mas eu não quero, vou ficar com papai Jungkook e papai Nammie! — Go cruzou os braços e eu achei uma graça. Não podia evitar.

— Ah, mas você vai sim!

Da Eun pegou os dois erguendo eles e deixando-os pendurados nos dois braços enquanto saía do cômodo em direção à cozinha, que tinha acesso a área dos fundos da casa. Quis dizer para ele que não carregasse as crianças assim porque poderia derrubá-los, mas estava ainda muito mal.

 

— Ei — Namjoon virou meu rosto e o fitei em silêncio —, o que houve?

E só aquela pergunta me fez lembrar de tudo e de como aquele dia estava uma perfeita merda. Meus olhos voltaram a se encherem de água e desatei a chorar mais uma vez, enquanto tentava explicar tudo o que aconteceu, mas no fim tudo se resumiu a uma única coisa:

— Eu não sou um bom pai.

— É claro que é Jungkook — Namjoon negou minha afirmação balançando a cabeça e me abraçou com força, mas tendo cuidado com a barriga. —, você só tem seu jeito de amar e cuidar de cada um deles, mas isso não faz de você um pai ruim!

— Eu nunca brinco com eles por muito tempo, perco a paciência rápido demais e não sei como lidar com as situações em que eles me colocam!

Despejei.

Quis chorar de novo, mas isso não adiantaria de nada.

— Eles sabem.

Namjoon já estava no sofá, em algum momento fui parar em seu colo com a cabeça deitada numa almofada no braço do móvel, e o olhar dele vindo de cima para mim. Ele apenas negou mais uma vez, ação bem comum durante nossas conversas e eu já sabia que ele diria algo para me consolar, embora não fosse não efetivo assim.

— Eles sabem que você os ama do seu jeito, que não sabe lidar muito bem, mas que isso não faz de você um mau pai, Jungkook!

— Eu sou um pai problemático.

— Você é uma pessoa, as pessoas são confusas e erram; assim como também se estressam e choram.

— Eu não os quis e nunca escondi isso, me odeiam em segredo por isso — resmunguei contra sua roupa, sentindo sua mão traçar minhas costas.

— Você realmente não os planejou, principalmente Dae, mas os amou.

— Daen sabe quem é o outro pai! — aquele assunto era complicado e delicado, quase nunca citado por aquela família — Você diz que não sou um pai ruim, mas, me diga, que pai não sabe quem o ajudou a gerar seu filho?

— Não diga isso! — Namjoon se exaltou e isso me deixou surpreso, eram raras a vezes que o via levantando a voz naquela casa, e normalmente era para me zoar ou chamar as crianças para comer, ou tomar banho. — Eu sou o pai de Dae, pai é quem cria, Jungkook, e não um doador de esperma que sequer se importa com o filho.

— Ele não sabe Namjoon.

— Ele sabe, nós dois sabemos que sabe, não fique mentindo para si mesmo como se realmente não soubesse que seu vizinho é pai do Dae, por que, por mais que palavras jamais tenham sido ditas, o silêncio dele deixou claro sua posição.

— Pode não ser ele, eu saía com qualquer um na época — resmunguei, por que em minha mente, eu queria que o pai do meu filho fosse alguém melhor do que o meu antigo vizinho, que nem da mãe cuidava direito.

Mas no fim, eu sabia que meu filho já tinha um pai excelente, um pai como Namjoon.

— Eu o amo como meu filho Jungkook — Namjoon declarou me fazendo parar com toda aquela choradeira e me endireitar em seu colo.

— Eu sei — dei indícios de que estava arrumando sua blusa quando na verdade, apenas desabotoei os botõezinhos que restaram fechados. —, ele também sabe e te ama de volta.

— Eu sei.

— Acha mesmo que posso ser um bom pai algum dia? — perguntei afagando seus ombros.

— Você já é — ele apoiou o indicador em meu queixo o erguendo para que o fitasse nos olhos e sorriu — o melhor.

Sorri.

Meu sorriso se expandiu para todo o meu corpo que devolveu aquela sensação para Namjoon, na forma de um beijo doce e lento, onde pude saborear de seus gostos. Cheirei seu pescoço sentindo ali minhas fragrâncias favoritas, beijei sua pele e provei dela, escutando ele perguntar onde eu pretendia chegar com aquilo, como se já não soubesse.

Namjoon avisou as crianças que se comportassem porque seus pais iriam deitar um pouco, e foi o que fizemos. Deitamos em nossa cama, e meu marido me tomou para si. Repetindo o quão bom eu era e em como me amava. O fez quando sua boca tocou minha intimidade; quando meus olhos fecharam, abriram e reviraram de prazer. Quando suas mãos se aventuraram pelo meu corpo, o marcando, se deliciando com minha carne.

Ele me amou como sempre o fez, como foi o único a fazê-lo de verdade, e, naquela mesma noite foi comprar algo pra limpar o rosto de Suk. Rimos enquanto meu filho dizia que não faria aquilo de novo por que sabíamos que era mentira. E naquela mesma madrugada, minhas contrações ficaram fortes; Jin Ah nasceu com três quilos e cem gramas, linda, pequena e saudável, às seis e cinquenta da manhã do dia um de setembro, meu aniversário.

 

Segundo algumas estáticas, isso é um bom sinal.


Notas Finais


BxttomNochu: Espero que tenham gostado do capítulo!

Perfil: https://www.spiritfanfiction.com/perfil/bxttomnochu


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