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História Estereótipo - Capítulo 1


Escrita por: Grimm-

Notas do Autor


O capítulo não foi betado, desde já peço desculpas por qualquer erro ortográfico que vocês encontrarem na fic.

Boa leitura!

Capítulo 1 - Maldito Yaoi


Fanfic / Fanfiction Estereótipo - Capítulo 1 - Maldito Yaoi

A curiosidade matou o gato.

Aquela frase nunca fez tanto sentido para Tweek quanto estava fazendo agora. Ó bendita e estúpida ideia de, curiosamente, querer ler um dos muitos doujins feitos pelas asiáticas fujoshis, onde ele e Craig apareciam como os protagonistas da história. Até aí tudo bem, o loiro já não se importava com essas coisas de doujins e fanarts yaoi, uma vez que aquelas mesmas garotas haviam sido as responsáveis por ele conseguir um namorado, mesmo que inicialmente o relacionamento deles fosse de fachada. O problema mesmo começou quando Tweek folheou página por página, atento para a história e para o seu personagem, ficando chocado e indignado ao ver...

O seu personagem fodidamente afeminado.

Tweek soltou um alto grito de surpresa e confusão, que ressoou em todo seu quarto e provavelmente fora deste, enquanto lia aquele doujin com a porta trancada, não querendo ser pego de surpresa por sua mãe — pior ainda pelo seu pai, o maior fã de creek. 

Tweek até já sabia o que ele faria ao descobrir que existia aquele troço de doujins; colar todas as imagens daquele merda na cafeteria, desde o chão até o teto, em uma forma de atrair clientes e mostrar o quão atualizados eles eram ao aceitarem e estarem orgulhosos de um filho gay.

E sim, é claro que ele poderia evitar essa situação e ler na escola, o que significaria ser tachado pelos seus amigos — e até mesmo pelo seu namorado — de viadinho. Ele já tinha corrido um risco do caralho ao pegar aquele "mangá" das mão de uma asiática — pegar não, pagar, pois grande era a audácia daquela garota em lhe cobrar por algo que utilizava de sua própria imagem —, com chances de ser flagrado pelo cuzão do Eric Cartman, que sempre conseguia chegar na hora certa para flagrar um constrangimento ou uma conversa inapropriada, até mesmo informações confidenciais do governo! Aquele garoto era um imã de problemas, puta merda.

Após conseguir o que queria, escondeu em sua mochila e ficou com essa até o final da aula. Inventou uma desculpa de que precisava ajudar seu pai na cafeteria e despediu-se de Craig. 

Tweek odiava ter de mentir, principalmente se fosse para o seu namorado, pois sempre aprendeu (após tanto observar Stan e seus amigos) que a verdade sempre arrombava a porta de entrada do seu rabo. Entretanto, havia sido por uma causa pequena e boba — muito diferente da vez que falsamente acusou seus pais de abuso sexual —, curioso para saber o conteúdo daqueles quadrinhos tão bem desenhados. 

O arrependimento foi quase instantâneo. Ele não podia acreditar que estava sendo tão… tão… tão idiotamente descrito de uma maneira afeminada, totalmente diferente do seu "eu" natural que adorava piadinhas sobre peidos, xingava e ainda metia o cacete em geral com seu alter-ego "Wonder Tweek". 

A curiosidade matou o gato. Todavia, no caso do loiro, matou todo seu psicológico e orgulho como um homem. Só porque ele era gay não significava que era — ou tinha — de ser um garoto afeminado! 

Ser um gay passivo não significava ter uma personalidade fofa e tímida.

Além do mais, por que ele? Craig também não poderia ter sido descrito e desenhado dessa forma? 

O que muita gente não sabia era que Tweek não era o único uke da relação, não quando Craig Tucker também levava na bunda

Ambos possuíam uma relação de ativo e passivo na cama, mesmo que Craig ficasse na maioria das vezes (mas isso também não significava sempre) como dominante. Na verdade, de onde eles tiraram a ideia de que Tweek seria aquele a dar o rabo? Ninguém sabia o que acontecia a quatro paredes, a não ser que as fujoshis tivessem poderes. 

Será que era por ele ser menos violento e rude? Que idiotice! Talvez por ele ser mais baixo? Eram apenas 7 centímetros!

Mas além da altura, demonstrada no doujin e nas muitas fanarts yaoi com uma diferença absurda de vinte ou trinta centímetros, o loiro teria de utilizar até mesmo os dedos dos pés para contar todas as trilhões de diferenças que existiam de um estereotipado Tweak para com um verdadeiro Tweak.

Primeiro, ele não era um fracote que precisava da proteção do Craig. Poderia cuidar muito bem de si mesmo, só não era um encrenqueiro, igual seu namorado que mostrava o dedo do meio para Deus e o mundo. Tweek não gostava de confusões, odiava baderna e brigas, todavia, se um idiota mexesse com ele, é claro que ele iria revidar! Parecia até que todos já haviam se esquecido da bela surra que Tweek deu em Craig bons anos atrás. E ele ainda lutava boxe nos fins de semana para aliviar o estresse.

Como conquistar o crush? Dê uma boa surra nele.

Segundo, ele não era tímido. Seu gaguejo era apenas um incômodo tic, mesmo que parecesse como um sinal de timidez. Além disso, se ele não se envergonhou por ter visto o pau do Craig e mostrado o seu próprio na campanha do Butters anos atrás, isso já mostrava o quão ele não era uma pessoa tímida. Claro, também não era totalmente isento desse sentimento, já que Craig despertava um lado envergonhado de Tweek em certas ocasiões, principalmente quando sozinhos.

Terceiro, ele não era chorão. Era meio estranho retratarem ele como um garoto medroso e chorão. Só por causa dele estar em pânico — quase — o tempo todo, não significava que ele iria começar a chorar. Muito pelo contrário, ele começaria a gritar e correr como um louco pela sua casa, rua ou escola. Por sorte, Craig sempre estava lá para acalmá-lo, o que talvez tenha sido uma alavanca para aquele falso "eu" de Tweek que era chorão e precisava de proteção. 

Quatro, ele não era cheio de curativos. Provavelmente as asiáticas tiraram essa ideia da vez que Tweek teve um dia de puro azar, onde ele caiu e deu de cara no chão, o que resultou em um band-aid no nariz e no joelho, para logo após derrubar café quente em seus dedos, o que resultou numa mão cheia de curativos. Desde então, aquela virou uma enorme tendência nas fanarts, mas diferente das outras, ele até que não se importava muito.

Quinto, o último e mais importante, seu pau não era pequeno. Provavelmente aquilo foi o que mais lhe fez ficar indignado ao ler aquele doujin, onde numa cena de sexo seu pau media apenas uns sete ou dez centímetros. E só para esclarecer, seu pênis ficou sim em segundo lugar como o menor da classe (Eric ganhou o primeiro lugar), mas isso quando eles eram crianças! Tweek amadureceu, como qualquer outra pessoa, fisicamente com o passar dos anos. E para sanar a dúvida de vocês, seus pervertidos, ele podia até não ser um cavalo como o seu namorado, mas também não era a porra de uma criança.

Certo, ele não precisou usar os dedos dos pés, mas usou uma mão inteira para contar os "defeitos" de um Tweak fictício, e isso já era bastante.

— GAAH! — Tweek gritou enraivecidamente, com força brutal rasgou o doujin ao meio como forma de descontar sua frustração e se livrar daquele odioso objeto. 

Escondeu os dois pedaços rasgados de papel dentro de sua calça e dirigiu-se para o banheiro que ficava ali mesmo no segundo andar. Foi necessário umas quatro descargas para descer todo aquele papel, principalmente por Tweek ter rasgado ainda mais e jogado de pouco em pouco para não entupir a privada. O lixo também era uma opção, mas uma opção bem menos segura que o esgoto.

Terminou o que tinha começado, tampou a privada — não queria que sua mãe tivesse a mesma morte bizarra da mãe de Clyde — e saiu do banheiro, ao que tentou tirar todas aquelas imagens e falas estereotipadas — de si mesmo — dentro da cabeça. 

Puta merda, que imagem era aquela que os fãs de Creek possuíam dele? Quer dizer, ele não estava exatamente puto da vida, talvez mais chateado que irritado. Era horrível ter sua imagem modificada daquela forma, com uma personalidade fora de si. Claro que ele lidou com aquilo por anos, porém sempre esteve nas sombras para com aquele Tweek que os fãs inventaram. Sempre pensou que fosse apenas geral shippando ele com Craig.

Soltou um suspiro exasperado, e já dentro de seu quarto pegou um dos muitos quadrinhos de super herói espalhados pelo cômodo, estes a qual estava pendente de ler, sabendo que em seu conteúdo não teria nenhuma imagem pornografica dele com um pau ridiculamente pequeno.

[...]

O resto de seu dia e de sua noite foram tranquilas, ou quase tranquilas, já que às vezes os gnomos ainda invadiam seu quarto para roubar-lhe as cuecas. Esse fato continuava, mesmo após vários anos, tanto que metade de sua mesada ia para a compra de cuecas do quê para o lazer próprio, como compra de quadrinhos ou besteiras comestíveis. Uma droga.

Fez suas higienes matinais e com muito esforço abotoou uma boa parte dos botões de sua clássica camisa verde. Todavia, obviamente, mesmo com esforço havia deixado uns soltos, assim como havia colocado alguns botões no buraco errado. Consequentemente, deixando uma pequena parte da sua barriga à mostra pela parte de cima e de baixo. Porra, que perda de tempo, por que ele ainda tentava? Sua tremedeira também era algo extremamente chato e que continuava consigo.

Pegou a mochila e saiu correndo para fora de seu quarto, já atrasado para encontrar seu namorado no caminho da casa dele para a escola. 

A última coisa que Tweek fez antes de sair pela porta da frente foi pegar um copo plástico de café em cima da mesa, que sua mãe havia preparado com antecedência para ele, e despedir-se tanto dela quanto do seu pai.

Todo o caminho até a casa de Craig foi uma droga, com as mãos ocupadas no copo — o que atrapalhava parcialmente seu equilíbrio — para não deixar sair um único pingo de café no chão. Foi só quando ele avistou ao longe uma figura de gorro azul parada na calçada, que diminuiu sua velocidade para tomar um pouco mais de fôlego até parar de frente ao moreno.

— NGH, ah… desculpa ah... a demora. — Pediu entre leves arfadas enquanto recuperava o restante do ar em seus pulmões.  — T-tentei me ajeitar melhor hoje, mas… — Tweek direcionou seu olhar para a camisa mal abotoada.

— Logo hoje? Algum motivo em especial? — Craig questionou monótono.

— GAH, precisa ter motivo pra eu querer me ajeitar melhor e não ficar por aí andando com a barriga de fora? — O loiro rebateu, visivelmente mal-humorado.

— Jesus. Foi apenas uma pergunta. — Craig ergueu as mãos, levando-as à altura de seu peito em sinal de defesa.

— NGH, desculpa. — Tweek pediu ao perceber o quão ignorante havia sido — Hoje, ARGH, acordei meio estressado. — Justificou, bebendo o primeiro gole de café naquela manhã.

— A Coréia do Norte ameaçou o presidente ou foi o senhor Garrison quem ameaçou eles? 

Era ridículo, mas Garrison novamente havia saído de South Park após o total fim da pandemia e novamente se candidatado para a presidência e ganhado as eleições duas vezes seguidas. Parecia até que todo mundo já havia se esquecido das muitas cagadas dele, principalmente seus pais. Puta merda, eles eram uns idiotas do caralho — principalmente o pai de Stan.

— N-nenhum deles. Foi… bem… ARGH! Deixa quieto. 

— O quê? — Craig franziu a testa e ergueu uma de suas sobrancelhas, desconfiado. — Não, agora você vai contar o que aconteceu. 

— Gah! Não é nada demais, sério. A-apenas fique calmo. — Tweek locomoveu o corpo em direção ao caminho da escola, a fim de fazer com que aquela conversa fosse deixada de lado.

— Eu estou calmo, só quero saber o que fez você ficar assim… — Craig continuou no mesmo lugar que estava, sem pretensão alguma de acompanhar Tweek. — E o que fez você mentir ontem pra mim. — Seu tom de voz soou acusador.

O loiro mal havia dado três passos, quando subitamente parou de andar.

Ele sabia. Puta merda, ele sabia.

— GAH! V-você, do que está falando!? — Tweek fingiu desentendimento, na mesma sequência de fatos dando um giro para trás a fim de encarar Craig.

— Eu te procurei ontem na cafeteria Tweek, pois queria te fazer uma surpresa. — Puta merda, da próxima vez era melhor Tweek inventar uma mentira bem menos idiota que aquela. Isso se da próxima vez ainda namorasse com o Craig, pois do jeito que o moreno lhe olhava, parecia que iria romper com ele a qualquer momento. — Mas seu pai falou que você não estava trabalhando lá. Eu fiquei parecendo um idiota na frente dele. — Craig quebrou a distância entre ele e Tweek ao direcionar seus pés para perto do loiro, ficando novamente frente ao mesmo, onde a diferença da vez se baseava no olhar sério do moreno e nas orbes assustadas do Tweak. — Onde você estava?

— ARGH! OK, OK! Eu estava em casa! — Aquilo era muita pressão! Precisava contar a verdade, principalmente por Craig de repente ter dado uma de namorado ciumento. — E-Eu menti pra você, mas foi apenas por…URGH! — Tentou achar as palavras adequadas para falar aquela vergonhosa confissão, mas não havia maneira para aquilo. — Eu queria ler um maldito doujinshi Creek! É ISSO, NGH!!!

— É o quê? — Certo, ele esperava por tudo, até por uma suposta traição, menos por isso.

— URGH, eu apenas fiquei curioso! Mas no fim, me arrependi muito de ter comprado! — Sua tremedeira havia piorado muito desde que Craig decidiu interrogá-lo, de modo que Tweek estivesse a apertar e puxar sua camisa verde para os lados com a mão livre, numa inútil forma de descontar seu nervosismo na peça maltrapilha.

— Você comprou? — Indagou surpreso.

Tweek sempre reclamava que metade de sua mesada ia para as cuecas que os gnomos roubavam. E pensar que ele havia gastado uma parcela do dinheiro com um doujin, certamente era algo chocante para o Tucker — principalmente porque aquelas merdas custavam caro.

Cacete, Tweek poderia ter utilizado daquela grana para ir ao cinema assistir o novo filme de Terrance e Phillip com ele! O moreno iria convidar o loiro hoje, mas talvez agora ele já não tivesse nem mais um centavo. 

Craig segurou a vontade de apertar o nariz entre os dedos, em tamanha indignação por não poder passar um tempo com seu namorado quando o mesmo havia estragado o encontro de hoje, antes mesmo do moreno convidá-lo para sair.

— A garota se recusou a me dar de graça, mesmo sendo literalmente eu na capa! V-você queria que eu, NGH, batesse nela!? — Indagou retórico, ainda mais nervoso que antes, estando ao ponto de surtar.

— Você comprou? — Mesmo que sua face estivesse neutra, sua voz demonstrou a mais pura incredulidade, ao que uma vez mais perguntou o que já havia sido confirmado. 

— PORRA, CRAIG! Por que você me olha como se eu fosse u-um alienígena!? — Surtou, enfim. — Foi apenas por curiosidade, eu não tenho o menor interesse nessas merdas gay. Mas como eu disse, GAH! Me arrependo disso, pois seu conteúdo era horrível! — Finalizou, esperando concluir aquela discussão que não aparentava ter um maldito fundo.

— Então, se não fosse horrível, você teria gostado? — Seu tom de voz soou zombeteiro.

— CRAIG! — Tweek lançou ao moreno um olhar mortal, demonstrando não estar mais interessado em continuar com aquele assunto.

— Ok, ok. — Craig assustou-se com a mudança repentina de humor, novamente erguendo suas mãos à altura do peito, deixando essa conversa de lado. — Mesmo assim, você mentiu pra mim, Tweek. 

— NGH, eu realmente sinto muito! — Espontaneamente levou sua mão livre para um dos ombros de Craig, apertando tal área de maneira dolorosa (ainda que não fosse sua intenção) sem desviar seu olhar do dele. — Eu não imaginava que você iria me procurar no trabalho! ARGH! Eu me sinto tão mal! — Foi então que ele largou o moreno para agarrar o próprio cabelo, ao ponto de quase arrancar seus próprios fios. — Oh, Deus, Oh, Jesus! Eu me sinto super gay!

— Yep. Você é super gay por ler aquilo. — Afirmou, voltando à monotonia e indiferença de sempre, tanto em face quanto em voz. 

— GAH! Também não precisa jogar na cara! D-de qualquer forma, você ainda tá bravo!? — Indagou quando Craig, aparentemente mais relaxado, quebrou o espaço pessoal de Tweek para ficar ao lado deste. 

— Eu estou bem, babe. — Tranquilizou ao tornar seu timbre suave e alisar as costas de Tweek em sinal de conforto. — Mas então, apenas por curiosidade, o que tinha no doujin para lhe deixar tão nervoso?

— AAHHH!!!

[...]

Um pouco antes do começo das aulas, por um milagre Tweek conseguiu tirar aquela ideia idiota da cabeça de Craig em querer mais informações acerca da fanart, dizendo que ele poderia até ser gay por ter lido, mas o moreno também estava a ser gay por insistir nisso. 

Quando calou a boca dele por isso, tudo seguiu monótono até o intervalo, onde Kyle começou uma briga com Cartman quando ele insistiu sobre os judeus serem uma raça predominantemente corrupta e que tentaria trazer extinção para o povo do Broflovski ao tentar ser que nem o seu maior ídolo, Hitler. 

Nada fora do comum.

Em meio a essa briga, que Tweek já não se importava mais uma vez adolescente, Craig abordou-lhe para conversar a respeito do novo filme remasterizado de Terrance e Phillip, que apesar de já estarem mortos, ainda traziam grande dinheiro na indústria cinematográfica (o respeito para os mortos que se foda).

Entretanto, como o moreno bem imaginava, Tweek não tinha dinheiro e ele também não tinha dinheiro suficiente para comprar dois ingressos. O pensamento de Craig para um encontro romântico e às escuras dentro de um cinema se quebraram tão rapidamente quanto a formação dessa ilusão.

— NGH, não se preocupe. Se é para ir a um encontro, m-meu pai me dará a quantia que for. 

Além da mesada, eles ainda recebiam dinheiro extra dos pais por serem gays. Um pouco menos que antes, mas ainda era uma prática que seus pais idiotas possuíam.

— Oh, sério? — Os olhos de Craig se iluminaram com a boa notícia, de modo que Tweek abrisse um pequeno sorriso por vê-lo desta forma.

— S-sim. Depois disso, ARGH, você poderia passar a noite na minha casa. — Para o moreno, aquela foi uma maneira sutil de dizer: depois do filme vamos foder na minha casa. 

— Combinado, honey. — Craig depositou um selinho carinhoso nos lábios de Tweek, aproveitando a oportunidade quando todos estavam concentrados na discussão de Kyle.

Não que ele se importasse em beijar na frente dos outros, mas quando ele e Tweek faziam isso na presença dos seus amigos, Eric, Clyde ou Jimmy os chamavam de gay. Não de forma homofóbica, mas sim em forma de zombaria. Claro, ele poderia muito bem dar o dedo do meio como sempre fazia para seus amigos e até seus próprios pais, mas aquilo costumava incomodar o loiro. Ele odiava ser o centro das atenções — provável trauma de ter ido para a TV "defender" um matador de bebês — pois segundo o mesmo: pressão demais.

— Meu radar Creek está apitando! — Clyde pulou em alerta e atentou-se para o que ocorria na multidão. Seus olhos amêndoas brilharam em euforia para encontrar seu ship favorito.

— Radar Creek? — O rapaz negro indagou indiferente — Você não tem iss-... 

— GAAAYYY!!! — O acastanhado sobrepôs sua fala perante a de Token, mal deixando-o terminar sua frase ao gritar em direção ao casal de homossexuais.

E como uma ação de causa e efeito, seu grito consequentemente atraiu todas as pessoas do pátio que observavam Kyle para ele, seguindo olhares para onde Clyde direcionava extrema atenção. 

As garotas soltaram gritinhos de emoção por verem o ship mais fofo daquele colégio bem no momento que se beijavam, uma coisa rara para o casal que quase nunca se agarrava em público. Em relação aos meninos, a maioria se mostrou imparcial perante aquela cena — como foi o caso da gangue de Stan — enquanto outros soltaram interjeições de nojo ou mostraram a língua perante aquela cena. Nada realmente ofensivo, pois todos sabiam que aqueles cuzões virgens faziam aquilo até mesmo para um casal de héteros. 

Em contrapartida, Craig sentiu uma intensa aura assassina apossar-se do seu corpo, de forma que ele quisesse desmanchar a pose de mãos dadas com Tweek para ir até seu amigo lhe dar um soco. Todavia, como não queria começar uma briga e muito menos fazer o bebê chorão do Clyde começar a derramar lágrimas, com a mão livre levantou seu dedo do meio em direção ao público, mandando-os se foder sem dizer um único "a".

— NGH! PRESSÃO! 

— Vamos para outro lugar, babe. — Craig sugeriu ao circundar seu braço na cintura do loiro de maneira firme, caminhando ambos para fora dali.

— Caras, caras, procurem um motel- AI! — Cartman mal pôde terminar a frase zombateira, ao que levou um tapa atrás da cabeça, sendo este causado pelo judeu que estava ao seu lado e não gostou nada do comentário de Eric para com seus dois amigos, os defendendo. Ao mesmo tempo que servia de vingança pelo mesmo ter lhe enchido o saco. Dois coelhos em uma só cajadada – melhor dizendo, tapa. — Judeu estúpido! — Cartman acusou com a voz embargada e com os olhos heterocromáticos cheios de água (um castanho e o outro azul, sendo este último um transplante de olho de quando Kenny morreu pela décima vez), em um óbvio sinal de que começaria a chorar dali alguns instantes.

Mesmo para um adolescente gordo nazista, ele ainda era um bebê chorão bem pior que o Clyde.

— Você tem isso… — Token afirmou para si mesmo.

O Donovan realmente tinha um radar gay.

Com mais cinco minutos de intervalo, todos voltaram para a aula e logo após para suas casas com o término desta. 

Se despedindo de Tweek ainda na entrada da escola, Tucker seguiu caminho sozinho até sua casa para buscar seus pertences — incluindo o pequeno Stripe. Passou boa parte da sua manhã e tarde na casa dos Tweak's, jogando, conversando e comendo guloseimas até dar o horário que começaria o filme. Enfim, seguiu junto com o loiro para o cinema. E por sorte, a gangue de merda do Stan estava lá, o que deixava seu dia tããooo ótimo. 

O filme rendeu boas risadas para o casal, que ficaram de mãos dadas do começo até o seu final, onde se surpreenderam positivamente quando os dois amigos canadenses impediram uma bomba atômica com o poder caótico de seus rabos. 

Com a finalização do filme, ainda existiam as cenas pós-créditos depois que toda uma caralhada de nomes rodassem na tela. Todavia, todos na sala pareceram desinteressados e impacientes em terem de esperar, ao que foram embora, deixando apenas Tweek e Craig sozinhos. Os garotos não perderiam uma cena extra por nada nesse mundo, nem que tivessem de esperar várias horas dentro daquela sala fechada, escura, quente e sem ninguém.

Oh, Jesus.

Tweek sentiu o rosto esquentar com aqueles pensamentos inocentes, mas que gradativamente ganharam um rumo perverso pela sua própria mente deturpada.

Quer dizer, aquela era uma ótima oportunidade, não era!? Esquentar as coisas um pouco antes de irem para casa, por quê não? Tweek nunca se importou em tomar a iniciativa. Na verdade, o que poucos sabiam — ninguém sabia — era que ele muitas vezes costumava dar o primeiro passo para interações românticas quando sozinho com Craig, e quase nunca o beijava na frente de outros porque não gostava de fazer isso em público. Só um selinho bobo era motivo de escândalo, como hoje cedo. Muito diferente do que era demonstrado nas fanarts, fanfics e doujins, onde o falso Tweak tinha vergonha de literalmente tudo que fazia com o Tucker. Urgh, ele ainda se sentia puto da vida com aquilo.

Ele até poderia estar a todo momento à beira da loucura, mas não era nenhum santo. Ao que com isso, jogou sutilmente seu corpo para o lado de Craig e com sua mão livre agarrou o casaco azul marinho dele apenas para chamar a atenção do mesmo. Com tal feito, Tweek caprichosamente ergueu o queixo e fechou os olhos, em um óbvio sinal de alguém que esperava por um beijo. 

Surpreendendo-se de maneira positiva pela atitude do loiro, Craig não pensou duas vezes e avançou brutalmente sobre os lábios de Tweak, igual uma fera selvagem que atacava sua presa sem qualquer misericórdia, necessitado por um pedaço de carne. No caso do Tucker, necessitado pela boca quente e molhada do namorado, como se fizesse anos que não o beijava, quando na verdade se fazia apenas algumas horas desde o curto amasso atrás do colégio, que infelizmente fora interrompido pelos góticos.

O loiro aumentou o aperto de sua mão para a de Craig. No entanto, o moreno desfez o contato para agarrar a coxa de Tweek forrada pela calça jeans, ganhando desse um gemido de surpresa ainda entre o beijo, e gradativamente subindo até parar alguns centímetros perto da virilha do mesmo.

Não seria uma boa opção masturbá-lo no cinema, apesar da ideia lhe parecer muito tentadora, além de super excitante com as altas chances de serem pegos por uma pessoa. Até mesmo pôde sentir sua cueca se tornar mais apertada com tal pensamento, culpa daqueles malditos hormônios. Chegava a ser  incrível a veracidade da sua excitação apenas por um beijo.

O tempo dentro da sala correu rapidamente, com o ambiente sendo preenchido por barulhos molhados de beijos e do estalar que seus lábios faziam quando separados, necessitados por um pouco do ar antes de voltarem a se atacar com a boca. E apesar do pensamento de Craig sobre levar aquilo para um outro patamar, decidiu deixar isso de lado quando percebeu que Tweek continuava na mesma posição de antes, sem a intenção de fazer qualquer movimento — como Tucker fizera momentos atrás em sua coxa — senão continuar beijando o mesmo.

Não muito longe, o som de risadas adentrou os ouvidos de Tweek, de modo que ele arregalasse os olhos e entendesse que alguém estava os observando. Oh, Deus! Se desfazendo do moreno de maneira abrupta, tanto em lábios quanto em mãos, o empurrou para longe com a força dos dois braços, onde o único contato restante deles veio a ser um fio de baba, mas que logo fora quebrado pela distância dos dois corpos.

O loiro deu uma olhada ao redor, mas não havia ninguém. As risadas continuavam. Ele logo atentou-se para a imagem da tela, percebendo então que o motivo de seu susto havia sido por causa dos dois amigos canadenses que riam escandalosamente alto depois de mais uma travessura… Ufa! Sentiu seu coração desacelerar gradativamente ao perceber aquilo. Ah… mas... espera aí!

— AAHH. A GENTE PERDEU OS CRÉDITOS! GAH! — Tweek deu um pequeno pulo para a frente, mesmo que sentado na cadeira de veludo. Droga! Não esperava ficar tão distraído por causa de uns beijos. Se soubesse que isso iria acontecer, teria aquietado o fogo no rabo e aguardado silencioso pelo extra. — M-me desculpa, ARGH! isso foi minha culpa. Não devia ter te beijado! — Virou sua cabeça em direção ao Tucker antes mesmo de dizer aquelas palavras, despejando-as sobre o moreno como um balde de água gelado.

— Está tudo bem, Tweek. — Acalmou o moreno, não sentindo necessidade de surtar e muito menos de concordar com o que o loiro acabara de falar sobre o beijo. Aquela experiência dentro de um cinema havia sido ótima, e a verdade é que ele estava pouco se fodendo para os créditos se tivesse a oportunidade de repetir tal acontecimento. Porém, Craig preferiu guardar aquilo para si mesmo. — Geralmente no YouTube sempre tem algumas cenas de filmes cortadas, provavelmente vai ter do Terrance e Philip. É só depois a gente pesquisar. — Acalentou neutro, uma segunda vez mais naquele dia alisando as costas do loiro para acalmá-lo, mesmo que minimamente.

Craig Tucker sempre tinha uma explicação, fundamento ou resolução para tudo. Chegava a ser irritante, especialmente para o Tweak, que às vezes, tomava decisões, falas e atitudes de acordo com o seu emocional. Todavia, nesse caso, o loiro tratou de se acalmar, principalmente porque Craig tinha um puta argumento. 

— NGH, certo! Vamos pra casa. — Elevou a voz mais alto que o normal, mas não ao ponto de ser considerado um grito. 

Ambos deram as mãos e caminharam juntos para fora da sala, semicerrando os olhos e piscando algumas vezes pela mudança repentina de um ambiente escuro para um extremamente claro. 

Foram embora do cinema, e do lado de fora a cidade estava tomada por uma única cor; laranja. O pôr-do-sol era a causa. Seria ótimo observar a despedida dele em relação àquela cidade fodida, mas a casa de Tweek estava do lado contrário da bela paisagem.

A casa do loiro não era tão longe assim do centro comercial, pois a cafeteria também ficava no centro, mas quando chegaram já era noite e logo dali alguns minutos a lua pararia de se esconder entre as nuvens e apareceria em South Park. 

Craig cumprimentou seus sogros, recusando a oferta que eles lhe davam em relação ao café. Obviamente, o filho foi o único que não desperdiçou aquela oportunidade, obtendo e bebendo uma grande caneca, para logo após se dirigir junto com o moreno para o quarto. 

Fechou e trancou a porta, querendo privacidade. Hábito que ele sempre fazia para que seus pais bisbilhoteiros não abrissem e olhassem por uma fresta o que ele fazia ou deixava de fazer com o namorado. E agora que era um adolescente com hormônios à flor da pele, querendo privacidade para experiências adultas, seus pais pararam de dizer sobre deixar o cômodo aberto. 

Voltou-se para Craig, o mesmo que já estava sentado na cama bagunçada (Tweek nunca arrumava), acomodado ali como se aquele local fosse seu. De certa maneira, não deixava de ser. Após tanto convívio, ele já nem sabia quais blusas, calças e jogos eram dele ou do Tucker. 

— Você quer tomar banho primeiro ou… 

— Ou transar primeiro? 

— GAH! AH! J-JESUS! NÃO! — O loiro deu um pulo para trás, se chocando contra a porta, mas não ao ponto de se machucar no ato. Craig o havia surpreendido de jeito.

— Você não quer? — Com as sobrancelhas erguidas, perguntou em um tom de voz que demonstrava certa decepção. 

— NGH! Não é isso! — Fazer aquele tipo de coisa sempre foi ótimo. Porém, Craig estava a ser um vadio por já estar supondo uma transa quando mal botaram os pés dentro de casa. — O-o que você é, um ninfomaníaco!? 

— Não.

— Era uma pergunta sarcástica! — E ele devia perceber isso por ser o rei do sarcasmo. — E-Eu ia perguntar se você, GAH, quer tomar banho junto comigo. — Suas bochechas ganharam uma leve tonalidade de vermelho com a ideia de ter o Craig com ele debaixo de um chuveiro, igual uma cena romântica de filme melodramático com um enredo bem bosta.

— Oh. — Ele abriu a boca em surpresa.

— Q-quero dizer, não precisa se não quiser! GAH! — Tweek levou uma das mãos em direção à nuca e desviou seu olhar do rosto de Craig para o chão do quarto. — N-nós nunca mais tomamos banho juntos, então é apenas uma ideia e…

— Eu quero. — Afirmou com toda a certeza do mundo, fazendo o Tweak uma vez mais direcionar seu olhar para ele e observar em suas orbes cianitas – que para o loiro eram ainda mais lindas que o céu à noite – uma faísca de alegria misturada com anseio. 

— C-certo!

O único problema de tomar banho juntos era que Tweek não tinha um banheiro no quarto, então teria de optar por aquele que ficava no mesmo andar que seu cômodo. E o problema disso é que ele odiaria sair do banheiro junto com Craig e encontrar seu pai ou sua mãe no corredor, seria muito vergonhosa uma situação daquelas. Pior ainda, caso notassem que o banheiro estava ocupado e que nenhum dos garotos se encontravam em qualquer parte da casa. Argh! Em qualquer uma das alternativas, era um puto constrangimento. O que fazia Tweek imaginar que essa tenha sido uma má ideia.

Bom, agora já era tarde demais para voltar atrás. Completamente nus, os dois amantes se situavam debaixo de um chuveiro, Craig espumava seu corpo com o sabonete, enquanto Tweek passava shampoo nas madeixas loiras, mexendo as mão de maneira frenética em seu couro cabeludo, na intenção de deixá-lo bem cuidado e com um bom cheiro. Já que não se penteava, compensava o descuido com suas madeixas ao lavá-las arduamente. 

Porém, por estar de olhos fechados, alheio em seus pensamentos, não percebeu a brincadeira de mal gosto que veio por parte de Craig, este a qual ateou shampoo em seu cabelo assim que entrou debaixo do chuveiro para tirar a espuma. E sucessivamente, o inocente loiro continuou esfregando, esfregando e esfregando, sem sucesso em sua tentativa de se livrar da espuma.

— GAH! AHH! Mas que merda!? — Gritou enraivecido e ao mesmo tempo assustado, pois aquela já era a terceira vez que enfiava sua cabeça debaixo da água e nada daquele maldito branco sair. 

Estava começando a ficar verdadeiramente preocupado! E se aquela marca de shampoo fosse perigosa, quem sabe radioativa!? E Se ele nunca conseguisse tirar aquela espuma do cabelo!? E se ele começasse a perder cabelo por causa daquela merda!? Craig se interessava por garotos carecas!? Que a droga da resposta fosse um sim!

— Pff…

….

….

Ok, ele podia estar surtando, mas também não era idiota ou surdo ao ponto de não ter ouvido aquela curta risada abafada. E que, obviamente, vinha de ninguém menos que seu companheiro de banho. Não foi preciso mais do que dois segundos para Tweek encaixar um ponto no outro e sentir vontade de cometer um homicídio ali mesmo.

Estúpido Craig.

— Isso não tem graça! — Tweek tirou a espuma do rosto para poder abrir os olhos, em seguida apontando para o moreno como se o acusasse de um crime grave.

— Hahahaha. — Enfim, ele caiu na gargalhada, não aguentando mais segurar a risada que estava trancada em sua garganta, principalmente depois de já ter sido desmascarado.

— GAAAHH!! Eu vou chutar sua bunda! — A risada do moreno apenas serviu para alavancar a fúria do Tweak, que cerrou o punho esquerdo e o elevou acima de sua cabeça, prestes a dar um soco no Tucker.

— Nem você sendo dois conseguiria isso, babe. — Provocou, tirando vantagem do chão escorregadio com água e sabão para deslizar seus pés, assim evitando o ataque violento do loiro como se estivesse a patinar no gelo.

— ARGH! Seu bastardo! 

Igual um juiz que determinava o início de uma partida, o grito do loiro foi uma sentença para que Craig corresse por sua vida, dando início ao jogo de rato e gato. 

Tweek perseguiu o moreno pelo banheiro, tentando acertar nele um murro ou ao menos um beliscão. Todavia, inegavelmente, o loiro estava em séria desvantagem naquele ambiente. O banheiro até podia não ser muito grande, tinha um tamanho mediano, ocupado principalmente pela pia e privada. Porém, Tucker tinha a vantagem quando era um patinador bem melhor que o loiro, e deslizar pelo sabão era fácil, além de extremamente divertido para si. Já para o Tweak, ele era lento para andar ou até mesmo deslizar no chão, tanto por inexperiência quanto pelo medo de cair e sofrer um traumatismo craniano — sim, ele pensava seriamente que iria sofrer uma queda de tal escala. 

Porém, o medo cedeu lugar ao instinto competitivo de Tweek para querer vencer o namorado, antes que ficasse cansado ou desistisse daquela bobagem — ele até estava a rir junto com Craig, já se esquecendo completamente do sentimento de fúria que tomara sua mente dois minutos atrás. 

Foi com essa determinação que em um movimento arriscado impulsionou seu corpo para a frente, tendo em mira Craig. Porém, ele não mediu a força dos seus pés e como um raio de luz deslizou sem controle algum pelo piso, até se chocar agressivamente no moreno, que não teve uma reação rápida o suficiente para desviar do "ataque" ou amparar o loiro antes que ele caísse. No fim, o choque foi tão agressivo que o moreno deu um passo para trás, adicionando na conta todo aquele aguaceiro e sabão, ele perdeu o equilíbrio quando suas pernas foram jogadas para a frente. E o resultado não poderia ter sido mais desastroso; ambos caíram no chão como dois sacos de batatas.

Tweek olhou para Craig e Craig olhou para Tweek, logo após puseram-se a rir com toda a força de seus pulmões. O loiro havia sido sortudo pelo moreno ter amortecido sua queda, mesmo que aquela não tenha sido a intenção dele. Quando as risadas cessaram, Tucker declarou em um gemido:

— Ai, essa doeu. 

— V-você não está sangrando, né!? — O loiro preocupou-se, colocando as mãos nas madeixas curtas de Craig para ver se havia algum ferimento na região de onde ficava seu cérebro.

— Eu não caí de cabeça, tá tudo bem. — Tranquilizou, afagando o cabelo espumento de seu namorado em sinal de carinho.

— GAH! Não faça mais isso! 

— O quê? Mexer no seu cabelo? — Assustou-se com o grito do loiro perto do seu rosto, tirando a mão de suas madeixas.

— N-não! Isso pode! Estou falando sobre essa brincadeira idiota do shampoo!

— Certo, certo. Não o farei mais. Eu prometo. — Levantou as mãos acima da cabeça em sinal de rendição, além de mostrar que não estava cruzando os dedos

O loiro decidiu confiar em sua palavra.

— B-bem, então… — Tweek enfim se deu conta da posição que estava com Craig (pior ainda, nu) remetendo ao clássico sexo de "mamãe e papai". Todavia, no provável caso gay, de "papai e papai". E com isso em mente, sutilmente ergueu o corpo para sair de cima do moreno.

— Espera. — Craig segurou-lhe o braço, impedindo Tweek de levantar — Porque nós não… 

Nem foi preciso a finalização da frase para que Tweek entendesse as segundas intenções nas palavras do Tucker, sobrepondo sua voz antes que o moreno achasse as palavras certas para o quê iria propor.

— A-aqui!? — Perguntou surpreso, pois o banheiro não era lá um lugar tão mágico para se ter sexo.

— Não, isso não. Uma outra coisa. Mude de posição comigo. — Pediu, em dois tempos sendo obedecido pelo Tweak que se locomoveu para o seu lado e deitou no chão, ainda que este não tivesse plena certeza se aquilo era uma boa ideia, a julgar pelo ambiente (e principalmente seus pais). — Apenas relaxe, ok? — Sussurrou aquelas palavras no ouvido do loiro após ir para cima dele e colar seu peito no do mesmo.

— O-ok, NGH. — Assentiu, circundando seus braços nas costas do Tucker em um famigerado abraço.

Com a confirmação de Tweek, Craig investiu em sua primeira ação; lamber e mordiscar o lóbulo da orelha do loiro, apenas como uma pequena provocação antes do que pretendia fazer, de fato, com ele. Sua boca desceu até o pescoço fino e imaculado do seu amante, onde nele depositou alguns beijos e chupões significantemente carinhosos e cheios de ternura, sem conter qualquer sentimento de posse ou obsessão. Craig estava suficientemente feliz em ganhar gemidinhos do Tweak apenas com aqueles sigilosos atos. 

Porém, feliz era diferente de satisfeito. E com isso em mente, seus atos carinhosos tornaram-se mais radicais e selvagens do segundo para o outro. A comprovação disso veio quando o moreno desferiu uma mordida razoavelmente forte no ombro de Tweek, de modo que o loiro gritasse de dor, arranhando as costas do moreno e deixando nele uma marca, descontando a dor da mordida em seu próprio causador. Todavia, aquilo não pareceu abalar Craig, muito pelo contrário, lhe trouxe um sentimento de ansiedade, misturada com excitação, desejando ouvir mais gemidos de seu namorado, fossem de dor ou de prazer. Principalmente de prazer.

Atacou os lábios fartos e macios do loiro, pedindo imediata passagem com a língua. Com as duas mãos livres, usou uma para agarrar o cabelo espumento dele sem nenhuma casualidade. Mais do que era possível, aprofundando o beijo de maneira que seus narizes roçassem um no outro pela brusca aproximação. Distraindo-o, usou de sua segunda mão para ir em direção à barriga do loiro, descendo-a gradativamente até chegar no ponto íntimo — já meio duro de Tweek, onde o apertou com força na região da cabeça e também em grande parte de sua extensão, ganhando dele um gemido abafado por conta do beijo.

Craig continuou o movimento de língua, agora começando o movimento de sua mão para o pau de Tweek, masturbando-o vagarosamente ao descer sua mão para cima e para baixo. 

A mão grande e masculina de Craig — porém não áspera e muito menos calejada — fazia um bom trabalho ao brincar com a glande avermelhada e pulsante de Tweek toda vez que ele subia para a base. Seus dedos travessos circundaram ao redor da uretra de seu namorado, brincando com tal área sensível de maneira provocativa, a fim de obter mais suspiros e gemidos, mesmo que um tanto ocultados pela língua do moreno que não deixava a de Tweek em paz.

O sinal que indicava o fato do moreno estar fazendo um ótimo trabalho logo veio a partir do loiro, que soltou gemidos contidos, todavia altos o suficiente para ecoar no banheiro.

Ah, Craig também queria prazer, assim como também queria sincronizar sua melodia rouca e contida com a angelical e ao mesmo tempo estridente suspiros de prazer do loiro.

Com a necessidade de se obter ar, enfim separou sua boca com a de Tweek, dando uma sensual mordida no lábio inferior deste antes de separar seu rosto a bons centímetros do mesmo.

Sem aviso prévio, empurrou seu corpo para a frente, colando seu pênis duro e já totalmente ereto com o do namorado, segurando seu próprio gemido rouco para ouvir o do loiro e ser recompensado com um grito longo e bastante audível de prazer. A região de sua glande estava extremamente sensível e pulsante, porém Tweek não ficava atrás. E o mísero contato de ambas cabeças avermelhadas foi o suficiente para seus corpos transbordarem em pura excitação, desejando um ao outro mais do que nunca naquele momento.

Craig conduziu a mesma mão que estava no pau de Tweek para ambos os corpos íntimos inchados, masturbando-os em conjunto sem qualquer dificuldade para com aquilo graças à sua palma consideravelmente grande. 

Ambos os órgãos estavam molhados, além de ensaboados, o que facilitava para Craig o trabalho de deslizar para cima e para baixo de maneira rápida sem se sentir como se estivesse passando o pau num ralador de queijo devido ao atrito de pele contra pele, o que poderia causar uma sensação incômoda para ambos os namorados.

Apesar de seu pau ser consideravelmente maior do que um adolescente normal, superando o do loiro, aquilo não o deixava atrás, não quando Tweek também conseguia satisfazer o moreno quando juntos na cama, acertando pontos sensíveis de Craig que o mesmo nem fazia ideia existir. 

Era louco saber que apenas ele conseguia atiçar um lado safado e dominante de Tweek após algumas provocações aqui e ali. Excitante saber que apenas ele tinha direito àquelas expressões, sem ninguém mais ter a mínima ideia do que ocorria às quatros paredes.

Rodou a palma da sua mão na ponta de ambos os pênis, como se estivesse a abrir a maçaneta de uma porta, depois rodando no sentido contrário e alternando os movimentos rotativos de maneira voraz, arrancando ainda mais gritos de Tweek e desencadeando os seus próprios no fundo de sua garganta, fazendo com que o ambiente se tornasse antro daquela melodia viciante para dos dois amantes.

Desta vez, o ataque veio a ser por parte do loiro, que juntou sua boca ao do namorado, numa provável forma de fazer com que os gemidos se tornassem mais abafados, pois não queria chamar a atenção de seus pais sobre o que raios acontecia dentro daquele banheiro. E também para sentir uma vez mais o gosto de Craig, necessitado para tê-lo de mais de uma maneira. Tanto embaixo quanto em cima. 

Quando percebeu seus dedos melados do pré-gozo de Tweek, assim como sentiu seu pau vazar um pouco daquele líquido, desceu da base de ambos os pênis para se masturbar normalmente sem tocar na glande. Um certo tipo de estímulo diferente que viu afora na internet, para fazer o ápice ser mais intenso quando estivessem prestes a gozar. Sabia que não demoraria muito até lá, e quando sentiu Tweek se contorcer abaixo de si, deixou de utilizar sua mão para utilizar a própria cabeça do pau já bem dura e vermelha, estimulando tanto ele quanto o loiro ao mexer seus quadris para a frente e para trás de maneira frenética, roçando seu pênis no do mesmo.

Aquilo trouxe ao loiro uma sensação eletrizante, eufórica, ficando totalmente sem ar de um segundo ao outro. Entre o beijo, soltou um gemido mais alto do que qualquer outro que dera naquele ambiente, se desvanecendo num quente e poderoso jato de sêmen, sujando tanto a sua barriga quanto a do moreno. Este, que veio após Tweek, desfazendo o contato lascivo de suas línguas para gemer rouco e também ejacular, misturando seus fluidos com o do namorado. Agora, ambos corpos se encontravam sujos de esperma.

Se deixou cair para cima de Tweek, ajustando sua respiração enquanto inalava o cheiro da nuca perfumada do loiro, pela provável combinação de sabonete e shampoo. 

A sensação foi diferente de tudo que Tweak imaginara. Muito diferente de uma punheta normal, aquela havia sido uma punheta com o pau do seu próprio namorado! E Craig pareceu a porra de um profissional naquilo. 

Quando enfim decidiram se levantar, nada foi dito. Não precisariam de palavras para o que aconteceria a seguir. Tweek abriu novamente o chuveiro para se lavar junto a Craig, desta vez de uma forma bem rápida apenas para tirar o sêmen e o sabonete em seus corpos, se enxugaram e vestiram rapidamente uma nova peça de roupa, sem se darem ao trabalho de ver se estava ou não ao avesso. Não era necessário. Não quando ambos saíram do banheiro para irem rapidamente em direção ao quarto. 

O loiro mal havia terminado de trancar a porta quando Craig selvagemente o agarrou pela nuca, uma terceira, quarta, ou quinta vez naquele dia — ele já tinha perdido as contas — o beijando sem cerimônias. 

Não estavam mais a fim de preliminares, ao tirarem as roupas um do outro de maneira rápida, caindo na cama quando nus. 

[...]

No outro mês, a conta de água dos Tweak's veio um estouro devido a brincadeira de mau gosto do Craig. Por conta disso, Tweek foi vendido pelos seus pais como escravo para poderem pagar a conta...

Nah, mentira. Tweek apenas recebeu uma bronca dos pais, mas no final do sermão ganhando uma nota de cinquenta dólares por ser gay e por ter sido super gay no banheiro com Craig, o que havia deixado-os orgulhosos por seus garotos serem tão gays. Tipo de coisa que deixava bem claro sobre o senhor e a senhora Tweak terem escutado bastante coisa enquanto os dois namorados passavam um momento bastante íntimo no banheiro.

Seus pais eram uns idiotas do caralho.

Já na casa do Tucker, Craig revisou uma vez mais o conteúdo em suas mãos, vendo que no mês passado havia feito de acordo como mostrado na imagem. Fechando, o colocou dentro de uma caixa consideravelmente grande, com mais alguns doujins Creek que sempre comprava nas mãos das asiáticas. Abriu seu closet e o escondeu acima de uma prateleira, usando alguns lençóis e pilhas de quadrinhos como camuflagem para esconder seu sujo segredo.

Ainda que nem ele mesmo gostasse do Tweek estereotipado que as garotas usavam nas fanarts e fanfics — agora ele entendia bem o motivo de raiva do Tweek naquele dia —, não podia deixar de admitir que tudo aquilo lhe dava muitas ideias para encontros românticos ou fantasias sexuais. Afinal, em sua defesa, ele não era exatamente o tipo de cara cabeça aberta para qualquer uma dessas coisas. Porém, se fosse para a felicidade do namorado ou o que quer que fosse, ele estava disposto a sacrificar seu orgulho macho pelo loiro.

Ele era tão gay.


Notas Finais


Eu só tenho 4 coisas para declarar:

1 - Obrigado por ter chegado até aqui! Se você tem alguma crítica construtiva para declarar, não seja tímido. Ou se for apenas uma opinião acerca dos acontecimentos da fic, também tá sussa. Eu ficaria muito, MUITO feliz mesmo com o seu comentário.

2 - Nunca mais vou fazer Hot.

3 - Deixarei aqui o link da minha outra fanfic Creek, caso tenham curiosidade de ler.

https://www.spiritfanfiction.com/historia/caixa-do-buda-22105352

4 - Beijos de uma Mojyo!


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