1. Spirit Fanfics >
  2. Estrada da vida >
  3. Capítulo dois

História Estrada da vida - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Olá meus amorecos, então, eu devo uma explicação a vocês, porque afinal já se passou praticamente um ano. Como eu tinha dito antes ano passado eu estava no terceiro ano do ensino médio, e foi um ano muito cabuloso, o estresse dos vestibulares tomou conta de tudo, até mesmo da minha saúde. Por muitos problemas acabei por sentir que nem escrever estava me fazendo bem, eu me abalava de mais com a receptividade que minha história poderia ter e acabei decidindo abandonar tudo e focar em mim mesma, pra vocês terem ideia eu não usava o spirit a um ano, no máximo ajudava minha amiga Solar1994 com a história dela, e nem pretendia voltar, porém hoje estava lendo minhas antigas histórias e encontrei a Estrada da vida, e vocês não tem noção da saudade que me deu de escreve-la, isso me fez entrar no spirit e ver as pessoas que a seguiam, meus poucos comentários ( só três) e meus maravilhosos cinco favoritos. Isso me fez muito feliz, coisa que a um ano não aconteceria, e me fez decidir continuar a história, por respeito a quem se dispôs a lê-la.
Muito obrigada a todos(as) vocês, e espero que fiquemos juntas até o fim.

Obs: Sou uma universitária de psicologia agora ; )

Capítulo 3 - Capítulo dois


 

Perder

 

O homem quando perde algo tende a valorizar a coisa perdida, esquecendo-se do que está diante de seus olhos, era nisso que Sakura acreditava, era isso que Sakura fazia, porquê no ato de desespero ao se perceber que algo sumiu, mesmo que seja a coisa mais pífia do mundo, Sakura deixa tudo de lado e caça por seu “tesouro" desaparecido.

Que grande erro a humanidade e Sakura cometiam, sempre valorizando o passado, sem nunca viverem o presente. Por isso, Haruno Sakura encontrava-se deitada naquela dura cama de hotel, encarando o teto, enquanto na sua mente rebobinava toda sua trajetória de vida, recusando-se a encarar o que temia, sua realidade.

Não querendo mais olhar para o teto remexeu-se até ter no seu campo de visão a silhueta de Hinata na cama ao lado, suspirando remexeu-se novamente, só que desta vez voltando o seu corpo para a janela daquele quarto de hotel.

Sentia-se em uma penumbra horrível, da qual se escondia, suas memórias se perdiam nas manhãs claras, nas tardes escaldantes ou nas noites amenas.

O passado era melhor do que essa névoa densa que era seu presente, e Sakura não se importava de errar mais uma vez, sabia que melhores tesouros nunca estariam nessa realidade.

E assim como a humanidade, Haruno Sakura fazia questão de se embrenhar em seu labirinto de lembranças.

 

 

 

♠♠♠♠

 

 

 

Queria muito reclamar com ele, dizer que não se sentia bem naquele lugar, que estava morrendo de frio e sono e principalmente que aquela grama pinicava todo seu corpo, queria muito dizer isso, mas pressentia que não era a hora de se falar algo, que o silêncio poderia até não fazer bem para ela, porém, parecia o melhor para Neji.

Por isso, tudo que Sakura fez foi continuar deitada naquela grama, contemplando o céu que começava a clarear.

Sorriu!

Percebeu que era a primeira vez desde muito tempo que voltava a prestar atenção no céu, a vida de adulta havia lhe tirada os olhares compenetrados de criança, havia perdido a essência do que seria viver.

— Tenho algo pra dizer !

A voz de Neji lhe tirou do transe, fazendo com que a mesma desviasse o olhar do dia a clarear e voltando-os para o amigo como se concedesse a permissão de fala. E ainda sem a olhar, o homem deitado ao seu lado continuou:

— Nós terminarmos!

Sakura quase riu de seu amigo, acostumada em ver as idas e voltas daqueles dois nem se sentia triste em escutar a palavra termino da boca deles.

— Sério Neji?! Não sei como acredita se isso é possível, nem eu acredito, vocês sempre voltam

— Não haverá um sempre dessa vez.

Enquanto o homem falava seus olhos se encontraram por míseros segundos, fazendo com que acinzentados e esverdeados se perdessem, Sakura constatou, não haveria um sempre novamente.

Terminados os olhares, o sol nascendo pôde ser contemplado novamente, e o silêncio que habitava entre os amigos fazia bem para os dois.

 

 

 

♠♠♠♠

 

 

 

Sua garganta estava seca, cambaleou para o mini frigobar do quarto, abrindo-o e encarando o seu conteúdo, agora que via sua desejada água percebia que a mesma não era tão desejada assim, uma bebida cairia muito bem nessas horas.

— Não consegue dormir!?

A voz de Hinata a tirou qualquer vontade de beber de vez, fechou a porta do frigobar deixando que a fina escuridão da noite lhes envolvesse novamente.

— Sou uma criatura noturna. – Retornava para cama enquanto escutava o remexer da menina na cama.

— Oh... Acho que... Acho que todos nós ultimamente somos seres noturnos.

Sakura apenas deu de ombros, prestes a ignorar sua colega de quarto e fingir que iria dormir.

— Sabe, eu sei que Neji e Sasuke se conheceram no trabalho, e que Naruto o conheceu na cadeia, mas você nunca falou como se tornaram amigos! – a voz doce lhe instigava a falar, e a falar e falar um pouquinho mais. – Você poderia falar?

Olhando para aquele teto sem graça Sakura ponderou, e percebeu que não teria nada a perder.

— Bem, quando eu o conheci...

 

 

 

♠♠♠♠

 

 

 

Garçonete, isso Haruno Sakura havia se tornado uma garçonete, a garota prodígio que sonhava em se tornar médica entendeu um pouco tarde que nada era tão fácil assim, restando apenas perder parte da sua adolescência naquele trabalho que ela levemente desgostava.

— Sakura!? – A voz raivosa do seu chefe lhe chamou de maneira estridente.

—Que foi chefe?

— Sineta, porta, cliente, atender! – Ao terminar de falar esticava as duas mãos para os lados, dando ênfase no que lhe desagradava.

Suspirou forte, e com passos apressados pegou o cardápio e se dirigiu na mesa do novo cliente, entortando o rosto ao vê-lo.

Essa não, era só isso que faltava para aquele dia se tornar mais uns dos seus infinitos “ pior dia da minha vida".

O senhor Stalker!

— Você de novo? – A descrença em sua voz era tão perceptível quanto sua irritação.

— O quê?

Sakura quase aplaudiu a encenação do cara, achava que era digna de um Oscar.

— Sério!? Vai fingir!? – Suas mãos se firmaram na cintura. – Por onde eu passo você está também, olha aqui se continuar a me perseguir eu vou mandar te prender, está ouvindo Cinderela?

— O que? Eu não tô fazendo nada!

— É claro que o bonito não estaria! - Declarou cínica. - Te vejo aqui todos os dias, fica pedindo um cafezinho de nada e espera por horas, sempre olhando o balcão

— Eu, eu só estava querendo...

— Querendo? – Incentivou.

— Sua amiga...

— Mas é agora que eu ligo para polícia, seu esquisito.

Já ameaçava correr na direção do gerente, doída pra avisar que um serial killer perseguia a pobre da sua amiga.

— Não, por favor espera. Você entendeu errado.

— Pois eu acho que entendi muito bem viu! – Retrucou mirando com ferocidade aquele ser.

— Olha, eu não quero parecer um perseguidor não!

— Sinto te dizer, mas não tá conseguindo.

— Eu só queria falar com a sua amiga, chamar ela pra sair sabe?!

— Sei, então senhor timidez, fica aqui que eu faço isso por você.

Rapidamente entregou o cardápio ao moreno sem lhe dar uma chance de responder, já saindo em retirada e indo em direção ao telefone do bar.

 

 

 

♠♠♠♠

 

 

 

As risadas ganharam espaço no mísero quarto, e mesmo naquela penumbra as garotas sabiam que estavam felizes, envoltas de um fantasma chamado passado que afagava suas cabeças e lhes transpareciam a paz que tanto desejavam.

— Você chamou a polícia! – reafirmou Hinata, ainda incrédula com a história de como seu primo e Sakura se conheceram.

— Claro, eu tinha um esquisitão falando que estava interessado na minha amiga, eu que não ia chamar ela pra ele tê-la de mão beijada. – Disse Sakura rindo novamente – Como você acha que Neji e Naruto se conheceram? Naruto foi o policial do caso, mas era um novato e estava mais perdido do que tudo.

— Então quer dizer que vocês três viraram amigos a partir daí!

— Pode se dizer que sim!

Após isso a o silêncio penetrou o quarto, quebrando o clima alegre que perdurava, Sakura novamente sentia sua garganta seca como nunca é obrigou-se a novamente levantar e abrir o frigobar, obrigando-se a beber a água, obrigando-se a deitar, obrigando-se a fechar os olhos, obrigando-se a não chorar.

— E-eu, eu fiquei sem chão quando Neji me disse que não tinha volta, que não tinha como ele ser curado. – lá estava sua garganta seca como o deserto. – Nos primeiros meses dele internado eu levava tudo que remetesse ao o passado, então em um dia ele falou que se eu continuasse com isso não era pra mim voltar. – essa garganta seca começava a irritar. – Disse que não queria que eu esfregasse na cara dele tudo o que ele iria perder, que isso doía demais. E agora, agora eu entendo ele é o nosso passado e nós o perdemos, e isso dói, dói como nunca.

Silêncio, somente o silêncio reinava...

 

 

 

♠♠♠♠

 

 

 

Os únicos sons a serem escutados estava fora daquele quarto, e era eles, além do quarto branco, dos lençóis brancos e roupas brancas, que lembravam a Sakura onde ela se encontrava, sentada em sua poltrona desconfortável Sakura zelava pelo sono de Neji, aquela implicante Cinderela, como ela costumava chamar quando queria deixá-lo chateado, agora parecia um anjo definhando lentamente.

Sakura riu de desgosto com seu pensamento, tão romanticamente melancólico que chega poderia ser usado em Romeu e Julieta.

— Posso saber do que a rosada tá rindo? – a voz fraca tomou a sua vez naquele local, enquanto os seus olhos quase sem brilho fixavam na amiga.

Sakura deu de ombros, como se nada importasse, enquanto remexia-se a procura de uma posição mais confortável.

— Estava pensando em como você parece um anjo!

— Um anjo?! – Os lábios de Neji levantavam-se brincalhões. – Sakura, Sakura, Sakura, já te disse, meu coração é só de uma.

— Como eu dizia, você parece um anjo que caiu nessa merda de mundo e que logo depois foi atropelado pelo carro escandaloso do Naruto.

A risada impregnou o local, abafando os sons dos bip's e de enfermeiras passando.

— Que anjo sem sorte que sou!

— É, muita falta de sorte conhecer o Naruto. – Sakura respondeu com uma risadinha travessa e sendo acompanhada por Neji.

Os dois sorriam um para o outro e nada mais falaram, eram normalmente isso o que acontecia, Sakura chegava quando ele estava dormindo, sentava naquela poltrona horrorosa, naquele quarto horroroso e pensava como ele parecia um anjo definhando lentamente e antes que pudesse começar a chorar ele acordava puxava assunto e ela o deixava acabar, então reinava-se o silêncio.

Silêncio este em que ela aproveitava para olhar o amigo e relembrar seus dias de glória, dias em que ela gostaria muito de falar em voz alta, compartilhar momentos que os dois tiveram, mas que ela sabia que o machucaria profundamente.

Então, por saber que isso só traria dor para aquele anjo, Haruno Sakura se obrigava a manter-se no presente, enquanto perdia o passado.

E o silêncio....

 

 

 

♠♠♠♠

 

 

 

O silêncio já não reinava, o choro imperava, Haruno Sakura tinha se perdido demais ao passado, agora em posição fetal deixava que Hinata acolhe-la, assim como ela mesma havia feito pela morena.

— Eu não aguento Hinata, essa dor não vai, essa dor não vai!

Hinata nada falou, apenas afagou os cabelos rosados sem contar os minutos ou seu cansaço, enquanto isso a rosada sentia-se como uma criança novamente, quando se sentia solitária e sua mãe acariciava os seus cabelos com zelo.

Deprimente, pensou Sakura, isso é deprimente, a situação era deprimente, ela era deprimente, as cinzas de Neji eram deprimentes, todos eram.

— Já estou melhor Hinata, é melhor você ir descansar.

Hinata apenas confirmou e deitou-se em sua cama, horas depois, ainda olhando para aquela escuridão Sakura constatou que tinha perdido a sede.

Sua garganta já não estava mais seca como o deserto.

 


Notas Finais


E aí? Gostaram?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...