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História Estranha Perdição - Capítulo 21


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Notas do Autor


Olá, Olá sugadoras de contos, tudo bem com vocês?

Depois de 6 meses estou de volta com essa história. Eu mesmo não percebi que passou tanto tempo assim. Peço desculpas a todos os leitores que acompanham.

O que aconteceu foi que quando comecei com Estranha perdição eu não estava sozinha, havia outra pessoa escrevendo comigo, assim como também ajudava a administrar o Instagram de contos. De certa forma, nossos caminhos eram diferentes, e acabou que eu quis continuar, mesmo sozinha. Do capítulo 13 até o 19 foi uma luta constante, até o momento que foi preciso parar por um instante, para que eu pudesse encontrar minha essência no que estou escrevendo. Se eu continuasse como estava naquele momento, estaria acabando não só com uma história, mas um sonho. Você sabem, né? Comecei Estranha perdição com o intuito de virar um livro físico mais tarde, e provavelmente não só um livro, mas uma saga dos outros personagens.

Estou tentando voltar agora, espero ter a ajuda de vocês.

Anyway, bora ler? Boa leitura!!!

Capítulo 21 - Capítulo 20


NAOMI

Capítulo 20

   

Às vezes penso que estou sonhando acordada quando Jimin me prende em seus braços. Ele faz com que meus receios virem poeira no ar e tudo pareça melhor, sabe como me fazer sentir bem e segura.  Posso sorrir mesmo quando não encontro motivo algum.  

Ao mesmo tempo que eu sinto medo da felicidade, quero simplesmente agarrar tudo, ainda que no fundo exista o receio de sempre estar tentando me manter em alerta. Eu não sei o que isso pode significar, apenas sei que não quero Jimin longe de mim.  

Se não fosse por ele, Hea é quem estaria ocupando minha mente mais do que deveria. Eu não tenho um segundo de paz desde que ouvi o que ela tinha a dizer. Minha avó seria a chave para tudo, mas não tive coragem de ligar. Mesmo que no fundo eu tenha uma pequena fagulha de incerteza, a verdade é que começo a não duvidar mais tanto assim.  

Parece loucura ter a vida tão conturbada desse jeito. As vezes penso que não foi apenas as memórias de dois anos atrás que perdi, mas de uma vida inteira. E quando acho que estou perto de compreender, mais peças surgem embaralhando as certezas que eu tinha.  

Eu sinto meu corpo ser comprimido por Jimin, como se soubesse sobre o que estou pensando agora. Ele beija minha testa e a ponta do meu nariz. Mesmo que eu já tenha dito para me soltar, parece que não é o mesmo desejo dos meus braços.

– Eu não tenho vontade nenhuma de te deixar ir – Uma outra vez ele beija abaixo da minha orelha enquanto sussurra a confissão.  

Me sinto fraca, tanto que preciso segurar em seus braços. A voz rouca e baixa dele tem um tipo de poder magnético que facilmente pode me render as suas vontades. E é exatamente contra isso que preciso lutar, ou nós dois teremos problemas.

Primeiro coloco minhas mãos sobre seu peito para afastá-lo e forçar uma pequena abertura entre seu corpo e a árvore, onde me prendeu antes. Suas feições se parecem mais com as de uma criança emburrada, quando finalmente estou distante o suficiente.

— Precisamos ser mais cuidadosos. 

— Eu não me importo. Não tenho vontade nenhuma de voltar para o escritório - Ele segura minhas mãos e beija uma por vez.

Seu toque é gentil e suave, eu amo isso nele. O que torna ainda mais difícil querer voltar ao trabalho. Mas sinto que há algo de diferente hoje, Jimin parece excessivamente carinhoso. E também o fato de não querer me deixar ir facilmente. 

— Por que, Jimin? O que tem lá que está te incomodando tanto? - Pergunto de uma vez. 

Ele demonstra surpresa com a minha percepção, sua expressão é muito clara. Eu levo uma das minhas mãos para o seu rosto, tocando sua bochecha com o polegar. 

Jimin segura minha mão com a sua sobre o rosto, beijando a palma, antes de deixar escapar um suspiro cansado.

— Minha mãe esteve aqui mais cedo, para falar sobre os mesmos assuntos de sempre - Sua resposta um pouco vaga me faz acreditar que não foi uma conversa banal, se não ele não ficaria assim.

Agora estou preocupada.

—  O que ela disse pra você? - Quis saber o que o deixou tão abalado.

— Disse coisas que me fazem querer te proteger ainda mais. Se eu pudesse a levaria para longe, Naomi. Muito longe desse mundo. 

Eu nunca vi Jimin tão melancólico, por isso não impedi quando quis me abraçar apertado outra vez. Sem ter a menor ideia do que ouviu para que ficasse assim, minha mente voou a mil possibilidades cada vez mais horríveis. Por puro instinto, acolhi seu corpo em meus braços, com a vontade recíproca de protegê-lo de todo mal. 

Desde que nos aproximamos é ele quem vem sendo meu suporte, minha âncora, tudo o que preciso para me manter em pé diante das descobertas sobre a minha vida. Agora, eu quero ser o mesmo para ele. Quero ser aquela em quem possa confiar e não se arrepender jamais.

— Eu aceitaria ir a qualquer lugar com você, se isso for para que se sinta melhor - Confesso para ele.

Jimin parece gostar muito de ouvir isso, sua expressão muda quase que imediatamente. O brilho em seus olhos volta a transbordar a felicidade, e seus lábios o mais lindo sorriso.

— Jura? Sem hesitar? 

— Juro. É só segurar minha mão - Digo a ele. 

Evito fazer mais perguntas, por enquanto. Não sei o que era tão ruim, mas se for para manter seu sorriso, eu prefiro esconder minha ansiedade. Não preciso saber agora.

— Vou me lembrar disso. Mais tarde podemos conversar. É melhor eu te deixar ir, antes que alguém venha buscá-la - Ele diz e afasta nossos corpos.

Penso que, talvez, esse era o real motivo para não me soltar. Ele guarda mais coisas do que imagino, consigo entender isso agora. Jimin não fala muito sobre a família, pouco ouvi sobre seus pais. A única coisa que sei é sobre sua admiração pelo avô. 

Eu estive tão confortável com o carinho que sempre me ofereceu por todo este tempo, que acabei deixando passar detalhes que importam. 

Acho que está na hora de criar coragem e perguntar.

— Até mais tarde, então -  Beijo seus lábios uma última vez.

— Naomi, Taehyung está procurando por você - Ele diz, de repente. Sua mão segura a ponta dos meus dedos, e seus olhos encaram os meus - Não precisa fazer isso agora se não quiser. Eu posso preparar uma reunião para conversarmos todos juntos. 

Balanço a cabeça em sinal positivo.

— Sim, também acho melhor. Por mim tudo bem.

Eu sei que não vai ser fácil, até prefiro que Jimin esteja lá. Verdade ou não, Taehyung precisa saber, e é disso que sinto medo. 

OoO

Assim que retorno para a cozinha, antes de entrar percebo que há algo diferente, ninguém está trabalhando. Os funcionários cochichavam uns com os outros, sem que eu pudesse entender do que se tratava. Procuro Nari em meio a garçons e cozinheiros, não levo muito tempo para encontrar o único rabo de cavalo loiro platinado na multidão. 

— Nari!

— Ai está você! Achei que não voltaria mais, poxa - Disse Nari -  Por acaso você estava se divertindo por aí com o chefe Park? - Faço um sinal em frente a boca para que fique em silêncio, não quero que ninguém saiba e comece a julgar minha capacidade por isso - Não acredito, você estava, sim!

— Por que todos estão reunidos aqui? - Mudo de assunto, ou melhor, volto a focar no real assunto.

— Alguém vai nos comunicar sobre o campeonato de golfe. Você sabe, todos os detalhes pra gente se comportar como cães adestrados. O de sempre.

— Ah…

Um arrepio percorre minha espinha só de ouvir a palavra campeonato. Eu sabia que logo chegaria o dia, mas não que estivesse tão perto. Um nó se forma no meu estômago. Eu sei o que é isso, medo, por tantos motivos que não posso escolher só um.

A porta dupla da cozinha se abre de repente, passando por ela não só o gerente Kim, mas Jennie também, perfeitamente alinhada com sua postura e roupas impecáveis, nem mesmo se quisesse poderia esconder a que mundo pertence. Seus sapatos ecoam refletindo o silêncio ensurdecedor . Os funcionários pararam de falar no mesmo instante que o viram. 

Me pergunto se isso é por respeito ao gerente Kim, ou realmente Jennie tem tanta imponência que causa medo aos outros? É difícil saber.

— Boa tarde. Eu pretendo ser breve, por isso, não se preocupem - Começa o gerente, todos estão atentos - Como devem saber, o campeonato está próximo de dar início. Precisaremos que muitos de vocês trabalhem em dobro para que tudo ocorra como planejamos. Alguns já estão familiarizados com o evento, mas outros não, sendo assim, todos terão que trabalhar juntos. Desde que a data é de suma importância para o clube Persona, seremos mais exigentes durante este período. 

Jennie ofereceu um sorriso curto e breve ao gerente, antes de dar um passo à frente. Em um segundo seu olhar mudou, como se jamais pudesse ser intimidada, mesmo que houvesse tantas pessoas prestando atenção. Eu estava longe e escondida, ainda sim, pude absorver a superioridade e menosprezo que ela nos oferece. Sinto que sou uma formiga minúscula, vulnerável e pequena, antes mesmo de ouvir sua voz firme nos delegar ordens. 

— No primeiro momento do dia a prioridade será com o público no campo, estejam atentos sempre. Há muitos patrocinadores envolvidos, qualquer margem para erros pesará sobre o clube. - Sua voz ecoa na cozinha, absolutamente ninguém ousa responder, nem mesmo o chefe.

Jennie termina com seu discurso, mas seus olhos ainda buscam alguma coisa. Fico surpresa quando descubro que sou eu seu alvo. Por um momento, eu vejo o abismo que há entre nós, diferenças que sequer podem ser comparadas. Eu nunca poderia ser uma mulher imponente como ela. Jamais conseguiria falar assim com uma multidão. Seria mais sensato me calar, fugir e se esconder. 

Aí está a diferença… Jennie parece ser a mulher perfeita.

— Eu não gosto dessa vaca desfilando ao lado do meu Namjoon. Olha só pra ela? Parece uma pata esnobe balançando seu rabo cheio de penas. E que voz tediosa! Arrg!!

Nari revira os olhos, capaz da órbita ter tocado a nuca. Só consigo rir, baixinho. 

— Saibam que a todo instante estarão sendo observados - Jennie reforça, desta vez, com seu olhar fixo em mim - Podem voltar ao trabalho. 

Eu não só sinto como também tenho certeza de que há um problema, e para ela esse problema sou eu. Se o desconforto e as desavenças que só aconteciam com a troca de um olhar já eram incômodas antes, agora não tem como esconder. Jennie me odeia, isso está claro desde o momento que pisei meus pés no clube. A grande questão é por quê.

A longo prazo sei que um dos motivos foi minha proximidade com Jimin. Consigo compreender que ambos tinham algo próximo de um relacionamento, que não durou. Mas e antes disso? Ainda me lembro da sua expressão no dia em que vim para a entrevista, como se eu fosse um fantasma. 

Às vezes tenho a impressão de que há algo que todos sabem, menos eu. No começo pareceu bobagem, mas a cada dia estou acreditando mais ainda nisso. 

Deixo o mal estar e a ansiedade para trás, amarro meu cabelo e lavo minhas mãos. É hora de trabalhar. Essas questões devo pensar em um outro momento.

— Você demorou para voltar do almoço, aconteceu alguma coisa?

Pego meu avental, um novo e limpo e coloco em torno da cintura. 

— Desculpa, Nari. O Gerente Kim me pediu pra entregar a Jimin a lista de tudo o que o restaurante vai precisar durante o evento.   

– Hmm entendi. Você e o senhor Park estavam aproveitando cada segundo juntinhos. Ah, essa fase de amassos é a melhor  - Nari veio até mim e envolveu meus ombros com seus braços - Ficou bem óbvio quando almoçaram aqui, que Jimin estava louco pra te ver. 

— Ah é? - Eu não contenho meu sorriso. Sinto meu coração palpitar e minhas bochechas esquentarem. 

A felicidade de saber que Jimin estava ansioso para me ver, é de enlouquecer. Sinto vontade de voltar correndo para teus braços, me agarrar a ele e não soltar nunca mais. O momento que passamos juntos a poucos minutos parece não ter sido suficiente. Toda vez que ouço qualquer coisa sobre Jimin, até seu nome, eu quero saber, quero vê-lo, quero absorver tudo sobre ele. 

— Olha só pra esse sorriso bobo - Nari cutuca minha bochecha com o indicador.

Bato na sua mão, mas não deixo de sorrir.

— Para com isso, vai logo almoçar.

— Eu vou, eu vou! Mas antes preciso falar uma coisa, não era só Jimin quem procurava por você, Taehyung também. Aliás, ele não está nada feliz. O homem é gostoso até quando é arrogante - Ela moveu sua mão em frente ao rosto, abanando - O que você fez pra ele ficar assim? Você está fugindo o dia todo dele, como um gato foge de água fria. É melhor você começar a abrir o bico, se não, não tem como te ajudar, gata.

Nari me olha com curiosidade, sem a menor noção do segredo que guardo. Não é como se eu pudesse contar ao mundo o que me perturba, porque nem mesmo consegui digerir ainda. Eu não sei como lidar com essa situação. Respiro fundo e solto o ar devagar. Eu preciso dizer algo agora, ao menos para não deixar Nari preocupada, ou ela vai levar isso pelo resto do dia. 

— Não é nada demais, eu só estou no campeonato como parceira do chefe, é por isso que está me procurando, para ir ao treino - Conto a ela como se fosse algo banal.

Estou prestes a voltar para servir às mesas, o tempo está passando e se formos pegas conversando vamos ter que ficar mais algumas horas após o expediente. Basta dar um passo adiante, que Nari me segura pelo braço.

— Era isso? É sobre o torneio de golfe? - Questiona

— Sim. Eu disse, não é nada de mais.

Ela estuda meu rosto por mais um instante, tento disfarçar fingindo estar despreocupada. Não sei se é suficiente, mas ao menos faz Nari me soltar.

— Naomi, você sabe, não precisa fazer isso, não tenha medo de dizer não. Se não quer, não fique se escondendo dele, seja honesta.

— Eu quero participar, mas o problema não é esse.

O problema é milhares de vezes maior do que isso.  E eu pensando que poderia ter mais tempo, mas parece que ele adivinha que estou em agonia. Seria ironia? Ou um empurrão do universo para que eu não tenha como fugir. Sendo um ou outro não importa, até chegar a hora, tenho certeza que não vou conseguir pensar em outra coisa. 

— Então…?

Nari aguardava minha resposta. Dei uma olhada por cima do ombro, os outros funcionários ainda estavam se preparando para começar a servir, acho que temos uns dois minutos. Logo peguei a mão da minha amiga e a levei para o banheiro, onde eu teria certeza que ninguém poderia nos ouvir.

— Naomi? O que é? Está me deixando preocupada, mulher! - Disse impaciente.

— Se lembra de quando fomos ao bar da Moma, você me contou sobre o passado dela. Naquela mesma noite eu fui para casa do Jimin, e na manhã seguinte nós conversamos sobre muitas coisas em comum. Então, acabei descobrindo algo sobre minha mãe - Dou uma pausa para respirar, logo após de ter disparado como uma metralhadora.

— Espera aí! Moma? Sua mãe? Jimin? Do que você tá falando? - Nari segura os meus ombros. Não sei como pareço agora, mas sua expressão me deixa em alerta -  Naomi olha pra mim, você não tá falando coisa com coisa. Respira fundo, tá?

— Minha mãe foi babá do Jimin e Taehyung há muitos anos. - Eu não consigo fazer o que pede, só continuo falando - Eu descobri também que por motivos do passado, Hea, minha mãe, se esconde com um nome falso. Nari, você já sabia que a Moma é minha mãe?

Ela arregalou os olhos na mesma hora, não sei se foi de surpresa ou susto. Fico ansiosa e apavorada ao mesmo tempo, antes que finalmente responda. 

— Moma? Você tá brincando comigo? É lógico que eu não sabia. Naomi, eu juro. Eu não tinha a menor ideia sobre nada disso. Tenha certeza absoluta que eu não esconderia nada disso de você. Tô chocada!

— Eu também estou.

Mas não pelo mesmo motivo, pois eu tinha quase certeza que soubesse muito mais do que eu sei agora.

— Pela sua cara é só a ponta do iceberg, não é? - Balanço a cabeça em sinal positivo - E se está  fugindo de Taehyung quer dizer que tem algo a ver com ele também.. Você chegou a voltar no bar para conversar com a Moma, descobriu coisas que não tinha a menor ideia. Isso com certeza abalou não só o que acreditava, mas o que é verdade ou não na sua vida. Não é?

Vi um toque de compaixão transparecer em seus olhos. Ela afirmou todos os pontos facilmente sem eu ter dito muita coisa. E quem acabou ficando surpresa fui eu. 

— É… ontem, Jimin foi comigo. Quando pedi para falar com Hea, sua irmã estava lá e não pareceu tão impressionada com a situação. 

— Por isso achou que eu também soubesse? - Balanço a cabeça outra vez. Penso se Allyssa não já contou tudo a ela, ou estou sendo transparente demais  -  Eu juro pra você que não sabia, mas posso prometer uma coisa, vou fazer Ally me contar tudo o que sabe. Vou te ajudar no que for preciso.

Nari envolveu seus braços ao redor dos meus ombros e me abraçou apertado, como se pudesse levar parte do que estou sentindo com ela. Me senti acolhida e um pouco mais tranquila, era tudo o que precisava naquele momento. 

— Obrigada. Eu peço desculpas, não é sobre sua irmã, Hea é quem me escondeu tantas coisas que não sei mais no que acreditar. Eu estou completamente perdida sem saber o que fazer com tudo isso.

Eu disse o que estava pensando, o que me deixa em agonia desde ontem. Não era sobre tudo, mas só de não guardar mais isso pra mim, já me causava alívio.

— Tá tudo bem, eu entendi. - Sua compreensão foi o bastante pra mim - Naomi, você já lida com tantas coisas nessa cabecinha. Eu não pude te ajudar com o acidente na piscina, mas quero fazer algo agora. Não se preocupe, você pode contar comigo para qualquer coisa, tá?

Ela nos afastou apenas para ter certeza que teria a confirmação olhando em meus olhos. Era nítida sua preocupação comigo. Não que eu fosse carente, mas era bom ter um pouco disso. É bom ter um amigo.

— Tudo bem. Obrigada Nari. 

— Sobre Taehyung, seja lá o que estiver rolando, não se preocupe tanto, tá? 

Afirmo com a cabeça. De alguma maneira Nari sabia que eu ainda não podia falar sobre esse assunto, não tenho ideia se desconfia de algo, talvez não, até pra mim essa história parece irreal. Logo eu tive que retornar para o salão. Nari não queria me soltar, foi preciso que eu a empurrasse para fora da cozinha, depois de jurar que estava tudo bem. 

Eu não sei se realmente estava, mas sei que vou lutar por isso.

OoO

Eu reuni toda coragem que não tinha antes de ir para o campo. Depois de passar pelo escritório de Taehyung e não ver ninguém, no caminho eu soube que era aqui que ele estava me esperando, no buraco 8. Andar novamente com o carrinho, fez com que me lembrasse o quão simples era minha vida durante o período que trabalhei como auxiliar do treinador Jinwoo.As vezes até mesmo sinto saudade daqueles dias. O treinador não era tão ruim, algumas de suas atitudes sim, mas era suportável.

Já no restaurante cada detalhe é um passo direto para o erro. Não é como se fosse tão ruim, mas estava longe de ser tranquilo.Uniformes tinham que estar perfeitamente alinhados, postura adequada, dicção perfeita, tudo tão exigente e complicado. Não é difícil querer desistir, é muito pelo contrário. 

Há poucas pessoas nesse horário, alguns grupos se divertindo, bebendo e jogando, como se mais nada na vida tivesse importância. Esse tipo de luxo é o que, provavelmente, não terei  tão cedo. A paz parece cada dia mais impossível de ser absoluta na minha vida, principalmente na minha mente.

Continuo seguindo até ver de longe quem procuro. Taehyung estava sem o paletó e a camisa com as mangas dobradas até os cotovelos, vestia calça social e sapatos caros perfeitamente lustrados. Não era a roupa adequada para treinar, e mesmo assim seus movimentos eram impecáveis. Tinha como alcançar as habilidades desse homem? Eu duvido muito.

— Você é realmente muito bom nisso - Comento, só para chamar sua atenção.

Taehyung se prepara para a próxima tacada, sequer parece surpreso com a minha chegada repentina, como se tivesse certeza que eu viria. Ele relaxa os ombros e movimento apenas a parte superior do seu corpo, assim como me ensinou, jogando sutilmente o braço para trás e em direção a bola. Assim que sua jogada perfeita termina, ele finalmente se vira para onde estou.

— Está atrasada - Acusa, quase perfurando minha alma com seu olhar fulminante.

— Nós não marcamos um horário. E eu estou aqui, é o que importa, não é?

— Onde está seu taco? 

Ah não, eu esqueci completamente. Bato a mão contra a minha testa. Se me lembro bem, a última vez que o vi foi quando… quando eu fui ao escritório do Jimin no sábado. Não acredito nisso! 

Vergonha é o que me define agora. Começo a me lembrar de como tudo aconteceu para ter esquecido, e não me reconheço. 

— E-eu esqueci, acho que deixei em casa. - Minto. 

Taehyung tomba a cabeça para o lado direito e me observa com tanta raiva, que eu posso até imaginar o que se passa na sua mente.

— Você quer mesmo fazer isso, Naomi? Por que não é o que parece - Ele duvida apenas por que esqueci a porcaria de um taco uma única vez. Sequer esconde que adoraria chacoalhar minha cabeça até que eu compreenda como funciona seu mundo - Se caso for desistir, faça isso agora.

— É claro que eu quero competir, eu só esqueci. Não é como se eu estivesse preparada para treinar depois de trabalhar o dia todo em pé servindo mesas, enquanto você, provavelmente, só ficou sentado movendo sua caneta - Despejo minha raiva também, gesticulando e falando sem parar.

Taehyung me irrita tanto, que parece que foi treinado pra isso.

O vejo cruzar os braços diante do peito, sua postura imponente se constrói com facilidade, tanto quanto um pavão abre as penas para impor sua posição. Com isso, consigo perceber que ele não aprova minha atitude, e está odiando ser confrontado dessa maneira ridícula. Afinal, acabei de dizer na cara do meu chefe que ele é um vagabundo. 

Se os buracos no campo de golfe fossem maiores, eu já teria enfiado minha cabeça em um deles. Mas agora é tarde, não consegui segurar a língua.

— Talvez seja melhor deixar para outro dia - Ele diz, quando finalmente termino meu show.

— De jeito nenhum! Foi você que exigiu que eu estivesse aqui, agora eu vou treinar.

— Fiz isso porque estava fugindo. Quer me contar qual é o problema? - Questiona.

Não é como se eu pudesse simplesmente dizer, não funciona assim. Na verdade, é assustador não saber como lidar. Eu não sei como vai reagir, ou o que vai fazer, talvez sirva como gatilho para alimentar mais ódio de Hea e seu pai. De jeito nenhum quero tomar esse caminho. 

Mas há outro?

Me pergunto se Taehyung pode enxergar agora o que somos.

Procuro nele algo que nos assemelha, que seja óbvio o parentesco que Hea afirmou que temos, qualquer pequeno detalhe físico ou na sua personalidade, uma pintinha que seja. 

Não vejo nada. Então, me pergunto se não for verdade? 

— Não tenho problema nenhum! - Respondo, depois pego o taco de suas mãos, o mesmo que usou minutos antes.

Posiciono a bolinha, sigo cada instrução que me ensinou para relaxar meus ombros e fazer a jogada da maneira certa. Ainda que minha mente não esteja focada aqui, eu pelo menos preciso fingir que está. Fecho os olhos e respiro fundo bem devagar, depois solto o ar da mesma maneira. 

— Não é o que parece, Naomi. Se eu fiz ou disse algo, é melhor que conte, assim resolvemos e acabamos com isso de maneira indolor - Levei um susto quando ouvi sua voz próxima de mim. Mal abri os olhos e suas mãos estavam sobre os meus ombros - Abaixe um pouco mais, você não precisa encarar como um evento que colocará sua cabeça a prêmio. É só entretenimento. - Disse ele.

Viro parcialmente a cabeça para olhar para trás, seus olhos castanhos estão me encarando como se pudessem ler o que se passa na minha cabeça. Sinto um arrepio só de pensar nessa possibilidade. Eu não continuo encarando de volta, abaixo os olhos e foco no treino de golfe.

— Entendi.

— Não vai mesmo me dizer? - Sua voz faz cócegas na minha orelha enquanto suas mãos apertam meus ombros, ele está perto, muito perto - Naomi eu qu-

Balanço meus ombros afastando imediatamente suas mãos, empurro e fico distante, o bastante para ver por um único instante sua decepção. Ele se recompõe rapidamente, como se o que eu tivesse visto fosse só uma ilusão. Mas eu tenho certeza que não foi. 

Taehyung estava prestes a beijar meu pescoço e dizer alguma coisa. 

Muda. Eu simplesmente emudeci, sem ter a menor ideia do que dizer. Minha cabeça está rodando e meu estômago embrulhado. Eu não sei o que fazer.

— Continue treinando, vou assistir dali - Aponta para uma mesa sob o guarda sol a poucos metros, antes de se afastar. 



Notas Finais


Teorias? Opiniões? Deixo com vocês.

Até breve!


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