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História Estranha Perfeição - Isulio - Capítulo 4


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Notas do Autor


Vou postar dois capítulos por dia a partir de hoje :) Boa Leitura! <3

Capítulo 4 - Capítulo 3


ISABELA


Abri os olhos devagar e olhei fixamente para o teto. O quarto do hotel estava em silêncio e eu estava sozinha. Sozinha, mas aliviada. Não sabia como poderia encarar Júlio depois da noite anterior. Eu era muitas coisas, mas puta não era uma delas. Relembrando os acontecimentos, entretanto, eu me sentia assim. Não sei ao certo o que deu em mim. Eu poderia culpar a tequila pela minha ousadia, mas não tinha chegado a ficar bêbada. Eu sabia exatamente o que estava fazendo.

Júlio era gostoso, carismático e... eu já disse gostoso? E nem mesmo sabia seu sobrenome.

Cobri o rosto com as mãos e comecei a rir. Tive uma noite de sexo selvagem com um homem desconhecido. Não foi uma loucura?

Pelo menos ele usou camisinha em todas as vezes: na caminhonete, no chuveiro, em cima da mesa e, por fim, na cama. A última quase me fez desmaiar. Eu queria saber como era o sexo bom. Agora eu sabia como era o sexo fora de série. Missão cumprida. Uma coisa era certa: eu jamais me esqueceria de Júlio. Esta era uma viagem para experimentar a vida e, com Júlio, eu tinha experimentado uma das melhores coisas dela.

Depois de me espreguiçar, levantei da cama e procurei pelas minhas roupas. Ah, não... meu carro. Eu precisava dele. Minha mala estava no... Hã, minha mala estava no pé da cama. O quê? Eu a havia deixado no carro. Puxei o lençol da cama e me enrolei nele. Então fui até a janela e abri a cortina. Levei menos de um minuto para encontrar o carro vermelho de Júlia estacionado ali na frente. Júlio o buscou e trouxe a minha mala para o quarto.

Fiquei tocada pela gentileza dele. Se era para fazer sexo com um estranho qualquer, pelo menos eu havia escolhido um que não deixava uma garota completamente desamparada.


Hoje


Estava sentada na sala de Jeffery Odom, meu chefe, esperando por ele. Jeffery tinha me mandado uma mensagem naquela manhã, pedindo para eu chegar ao trabalho mais cedo e encontrá-lo. Não sabia o que havia de errado. Duas semanas antes, ele começou a dar em cima de mim e então virou algo mais. Fiquei preocupada que isso pudesse ser um problema. Eu trabalhava fazia pouco tempo como garçonete no bar dele.

Em minha viagem de redescoberta, precisava parar às vezes e conseguir empregos até ter dinheiro suficiente para mais algumas semanas na estrada. Gostei de Dallas. Era uma cidade divertida. Jeffery era sexy e mais velho. Fazia com que eu me sentisse especial. Pelo menos enquanto estivesse na cidade.

No começo, ele aparecia no bar apenas uma vez por semana, mas, depois de alguns momentos de paquera, começou a ir mais. Principalmente na hora de fechar. Ficava esperando no carro e me mandava uma mensagem para que me encontrasse com ele do lado de fora. Mas aquele romance secreto estava começando a ficar chato. Não que eu estivesse levando aquilo a sério. Só precisava de mais quinhentos dólares de gorjetas para voltar para a estrada. Próxima parada: Las Vegas.

A porta da sala dele finalmente se abriu e a expressão azeda em seu rosto me alertou de que aquela não seria uma conversa boa. Talvez eu fosse para Vegas antes do planejado.

– Desculpe chamar você aqui tão cedo, Isabela – disse ele, sentando do outro lado da mesa.

Ele soava formal e frio demais, considerando que, três noites atrás, estávamos tomando banho juntos.

Não disse nada. Não sabia o que dizer. Jeffery passou uma das mãos pelos cabelos.

– Acho que seria melhor que você pegasse a estrada logo. Essa história entre a gente ficou séria demais e nós dois sabemos que não vai durar.

Tudo bem. Então ele havia conseguido o que queria e agora não ia sequer me deixar ganhar os meus últimos quinhentos dólares antes de ir embora. Ele sabia que faltava pouco. Filho da puta.

– Tudo bem – respondi, levantando da cadeira.

Eu não precisava disso. Poderia parar um pouco antes de chegar a Las Vegas e conseguir outro emprego.

– Isabela – disse ele, enquanto também se levantava. – Eu sinto muito.

Apenas ri. Ele sentia muito. Não tanto quanto eu. Achei que havíamos nos tornado amigos. Segui na direção da porta e me dei conta de que aquela era apenas mais uma das experiências pelas quais eu estava na estrada. Eu fora usada. Estava vivendo a vida. Não seria um golpe tão grande no meu ego se eu pensasse assim.

Antes de chegar à porta, uma ruiva alta e elegante entrou com um olhar de desprezo... dirigido a mim.

– É esta aqui? Ela é a sua puta? Dá para ver, ela parece mesmo uma vagabunda. Você a encontrou em uma daquelas casas nojentas de striptease que frequenta? Ela é stripper? Meu Deus, Jeff, como você conseguiu descer tanto?

Ouvi as palavras, mas não sabia ao certo se havia entendido o que ela estava dizendo. Fiquei confusa. A única coisa de que tinha certeza era que aquela mulher me odiava. Era algo muito forte. Não sabia por quê, mas ela me odiava.

– Já chega, Frances. Eu a demiti como você pediu. Deixe que ela vá embora. Isso é entre mim e você – disse Jeffery à ruiva furiosa.

Olhou para mim e pude ver o pedido de desculpas nos seus olhos.

Eu me virei de novo para ela, que estava quase perdendo o controle, fitando-o com ódio.

– Você a demitiu e pronto, fica tudo bem? – Ela voltou o seu olhar cheio de ódio para mim. – Você ao menos se importa por ter trepado com o pai do meu filho que ainda não nasceu? Você não se incomoda nem um pouco que ele não apenas seja casado, como vá ser pai em breve?

Espere aí... o quê? Ela disse “casado”?

Eu a encarei e me dei conta de que não era apenas uma brincadeira de mau gosto. A verdade estava no rosto de Jeffery. Ele era casado. E eu agora era uma amante. Ah, merda...

– Você é casado? – Aquilo soou mais como um rugido do que como uma pergunta.

Ele assentiu e deixou os ombros caírem, como se tivesse sido derrotado. Dei um passo na direção dele e parei. Se chegasse mais perto, iria matá-lo.

– Seu filho da puta desgraçado! Por que você... Como você pôde...? Você tem uma mulher e ela está grávida ! Não acredito que fez isso. Eu sou tão burra . Tão incrivelmente burra! Todo aquele segredo não era porque você não queria que os outros funcionários soubessem. Era por causa dela. – Apontei para a ruiva. – Espero que você queime no inferno! – Xinguei, dei meia-volta e segui em direção à porta.

Antes de cair fora, parei. Havia outra pessoa para quem precisava dizer alguma coisa. Olhei para a ruiva. Sua raiva diminuíra. Ela estava com o rosto molhado de lágrimas.

– Eu sinto muito. Se soubesse que ele era casado, não teria chegado perto dele. Juro. – Então saí correndo pela porta e a bati atrás de mim.

Quando voltei para o bar, meu olhar cruzou com o de André. Ele balançou a cabeça e suspirou.

– Eu estava com receio que você tivesse se envolvido com ele, mas não tinha certeza. Não quis dizer nada para não ofendê-la caso eu estivesse errado. Imagino que não soubesse que ele era casado.

Estava me sentindo suja e errada. Eu me aproximei e sentei no banco alto na frente dele.

– Eu não fazia ideia. E agora estou me sentindo péssima. Queria fazer essa viagem, mas agora só quero voltar para casa.

André era o barman de quinta a sábado. Era alto e magro e usava os cabelos castanhos curtos. Tinha também uma aparência meio privilegiada. Era difícil de explicar, mas alguma coisa em André não combinava com o bar. Ele parecia tão deslocado quanto eu.

Passamos muitas noites conversando enquanto fechávamos o bar. Eu não sabia muito sobre André, mas ele havia se tornado meu amigo ali.

– Você disse que queria ver o mundo. Queria viver – disse ele, lembrando o que eu dissera. Dei de ombros.

– Não quero mais fazer isso tanto assim.

André  olhou de novo para a porta, então enfiou a mão no bolso e pegou o celular.

– Olha só, não vá para casa ainda. Dê a si mesma um tempo para se curar disso e depois pegue a estrada de novo. Passe um tempo em uma cidade pequena e vá com calma. 

A forma como ele falou fez a situação parecer legal, mas eu não sabia se estava a fim disso também. 

– Vou ligar para o meu primo. Ele tem alguma influência na cidade de praia onde eu cresci. É uma cidade pequena e muito legal. Não tem nada a ver com Dallas. Ele pode conseguir um emprego para você, e daí você decide quando estiver pronta para pegar a estrada de novo. Meu primo tem amigos influentes, sabe? – André deu uma piscadinha.

Antes que eu pudesse protestar ou inventar um motivo para André não fazer isso, ele estava digitando o número do primo.

– Oi, Alan... É, eu sei que faz um tempo. A vida está uma loucura... Não, você precisa vir para Dallas para se desligar da garota que a sua mãe disse que não está deixando você enxergar direito.

André riu e pude ver a felicidade nos seus olhos. Ele amava o primo com quem estava conversando e parecia que estava com saudade.

– Olha só, preciso de um favor. Tenho uma amiga que está com algumas dificuldades aqui e precisa de um lugar para se esconder... Não, eu sei que você já tem uma garota. Eu não estou pedindo para você ficar com ela, seu idiota. Ela pode ficar na minha casa. É bom que alguém faça uso do apartamento. Só fala com o Peña. Peça um emprego para ela. Ela só precisa de um tempo para pensar... É. Ela é, sim. Tenho certeza de que ele vai gostar... Ótimo. Valeu, cara. Ligo para você outro dia. Vou passar as informações e mandá-la para você.

André sorriu ao guardar o celular no bolso de novo.

– Está tudo acertado. Você vai ter um emprego com um bom salário e pode ficar no meu apartamento sem pagar nada. Faz tempo que penso em mandar alguém dar uma olhada naquilo lá. Você pode cuidar das coisas para mim. Vai ser uma boa ajuda. E vem com uma ótima vantagem: você vai morar perto de uma das praias mais bonitas do sul. Vá encontrar a si mesma e aproveite para se bronzear um pouco, Isa.




Notas Finais


Hm... Peña 👀 Me digam o que estão achando :) até amanhã! <3


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