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História Estranhas Conhecidas -- Camren - Capítulo 4


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Capítulo 4 - 4 - capítulo


Eu sempre gostei de samba, mas naquele dia ele não estava me agradando. Meus amigos se esbaldavam no meio do salão em casalzinhos dançando o velho e conhecido samba-rock. Olhei para minha amiga Malu que estava aos beijos com o namorado que ela dizia amar, apesar de terem se conhecido há apenas uma semana. Do jeito que eles estavam subindo pelas paredes dali a pouco estariam no meu colo tamanho o fogo e a empolgação com que se enroscavam do meu lado. Queria ir embora. Estava morrendo de saudades da Amanda. Só poderia vê-la no outro final de semana e aquela distância era angustiante. Já tinha se passado uma semana desde que estive na casa dela e pra completar a merda, meu computador deu pau.Tenho certeza que foi minha mãe que fez o favor de queimar a placa dele em retaliação ao final de semana passado. Não sei como ela fez, se foi por reza brava ou mau olhado, mas tenho certeza que foi ela. Uma semana sem falar pela Cam com minha moreninha... Também não sei por que inferno eu fui logo arrumar uma mulher que mora a “horas” de viagem da minha casa. Ela não podia ser minha vizinha? Morar no bairro ao lado do meu? Peguei o celular para ligar e matar um pouco daquela angustia, mas me atentei ao horário: não iria acordá-la as duas da manhã. Sai para a rua fumar um cigarro e minutos depois apareceu Malu ao meu lado.

- Mila! Por que não está curtindo a noite?

- Não tá tão bom quanto imaginei que estaria... – respondi sem olhá-la jogando a fumaça para o ar olhando para a rua apinhada de pessoas

- Como não tá bom? Tá ótimo! – me respondeu fazendo gestos exagerados – O que você precisa é de uma mulher agora. Vem tem uma amiga do Gustavo lá dentro que sabe que você é sapa. Ela gostou de você.

- Vocês já foram falar né? – perguntei um pouco irritada – Não sou assumida e não quero me assumam.

- Relaxa! Ela também é... Loirinha, olhos castanhos claros...

- Tá pagando um pau pra menina?

- Sai fora! Meu negocio é tora!

- Que nojo! Socorro!

- Vem conhecer ela... – chamou pegando a minha mão.

- Claro que não! Tenho uma namorada se lembra? E sou apaixonada por ela.

- Ela tá onde o Judas perdeu as botas... Ninguém vai contar... Uns beijinhos não tira pedaço!

- Tira caráter. Não vou fazer isso. Você me conhece Malu. Eu não traio.

- Você é uma tonta... Vamos beber!

- José Cuervo? – Perguntei me animando um pouco.

- José Cuervo! – me respondeu dando um pulo batendo palma. A tequila é realmente perigosa: Antes de beber já fazemos coisas estúpidas...

- Me manda aquela historia que você disse que sua prima tem... – falei mudando de assunto entrando no bar novamente.

- Eu mandei no seu e-mail.

- Meu computador tá quebrado se lembra? Desde segunda passada. Não vejo mais nada na net.

- É mesmo. E não vai arrumar não?

- Vou buscar amanhã à tarde. Duas tequilas – pedi para a mulher no balcão – Cadê o Gustavo?

- Sei lá. Disse que ia no banheiro.

- Com quem? – perguntei sarcástica.

- Sozinho sua tonta. Larga de ser trouxa. Ele não tá nem doido de aprontar comigo...

- Bebe sua cachaça vai... Duvido que você agüenta duas – desafiei colocando o sal e o limão na boca para depois virar a dose – Esse é o homem da minha vida! Jose Cuervo!

- Manda outra! – pediu Malu fazendo careta colocando o copo vazio no balcão – Adoro seu macho!

Nessa brincadeira virei mais duas doses de tequila. Encostei na parede sentindo o álcool se misturar ao sangue tomando o lugar do desanimo que estava me dopando. Puxei Malu pela mão e cai na farra o resto da noite. Duas coisas que não lembro: O resto da noite e como cheguei em casa.

O barulho do celular tocando na minha orelha pareça agulhas sendo enfiadas na minha cabeça. Será que as pessoas não sabem que é pecado acordar quem está de ressaca? Que merda! Peguei o aparelho e levantei lentamente em direção aos olhos. Era Amanda.

- Boa tarde meu amor! – ouvi sua voz doce do outro lado.

- Bom dia linda... – respondi sentindo a garganta seca.

- Boa tarde... Você ainda estava dormindo?

- Não to me sentindo bem...

- O que você tem?

- Ressaca.

- Quer dizer que a festinha de ontem tava boa então?

- Não. Bebi porque tava um porre mesmo. Tava bem parado... Sem você não tem graça...

- Que fofa... Rasgadeira... – falou rindo – Você não disse que não aguenta beber muito? Porque fez isso?

- Por que eu queria que você realmente estivesse ao meu lado. To morrendo de saudades...

- Eu também anjo... Mas você sabe que não é tão simples...

- Sei que não...

- Já pegou o computador?

- Não. Que horas que é?

- Duas e quinze.

- Eu vou pegar agora – falei me levantando, pois já tinha passado da hora prevista que fora a uma da tarde – To moída... – finalizei sentindo todos os músculos do meu corpo doerem com o movimento.

- Linda se cuida... Toma um banho e relaxa que já vai se sentir melhor...

- Agora não. Vou buscar o computador depois faço isso. O que você está fazendo de bom hoje?

- Nada demais. Minha tia veio passar o sábado com a gente e tá lá na cozinha enchendo o saco da minha mãe. Vou ficar de boa hoje... Tava lendo alguns contos na Internet. Quem é amor possível?

- Amor possível? – Perguntei sem entender muita coisa.

- É. Amor possível. Ela te mandou um recado bem ousado no conto da Carol e da Jana.

- Ahhh... É uma menina carente que respondi por pura educação. Ela mandou outro?

- Mandou e não gostei do que li. Dá um corte nela, por favor?

- Claro meu anjo. Assim que eu instalar o pc novamente já respondo ela.

- Tá bom linda... Te adoro viu??? Tenho que cuidar de você...

- Eu sempre vou ser sua e ninguém vai interferir, tá bom?

- Tá. To morrendo de saudades... É tão ruim ficar sem te ver...

- Vamos nos ver no próximo final de semana... Também não vejo a hora de te encontrar... Eu tenho que ir agora... Te ligo a noite tá bom?

- Tá vou esperar... Beijos linda...

- Beijo coração...

Joguei o aparelho encima da cama terminando de vestir a camiseta que ficara presa na cabeça. Coloquei um tênis e sai para a cozinha dando de cara com minha mãe na porta. Ela me olhou com cara de poucos amigos e eu fiz o mesmo. Não queria discutir com ela com dor de cabeça. Busquei o computador na assistência dando graças a Deus por meu tempo de abstinência ter chegado ao fim e terminei de montá-lo. Entrei na paginas de recados procurando o Amor possível e lá estava ela:


De: Seu amor possível


Para: Amor impossível


Mensagem: Certamente, o meu dia já ficou melhor, e sabe por quê? Pelo simples fato de ter recebido a sua resposta. O amor nos contagia sim, com o olhar, os gestos e com as palavras. Pude ler nas entrelinhas das tuas, mas não consigo aceitar que um ser tão sensível quanto você (pode não acreditar, mas minha alma reconheceu a sua) desperdiçará a oportunidade de conhecer uma pessoa que fica extremamente emocionada só por ler as tuas palavras, como se existisse um imã me aproximando de ti. Ainda aguardo o seu e-mail. Bjus do seu amor ainda possível e persistente.

Que ousada! Possível e persistente! Eu mereço... Maldita hora que inventei de respondê-la, mas já que eu tinha feito a merda eu tinha que consertar.


De: Amor impossível


Para: Amor possível.


 Querida amor possível. Fico realmente feliz que seja tão sensível ao amor que nos contagia a todo o momento. Tenho certeza que esse imã de nos aproxima, te aproximará de uma mulher maravilhosa que a fará completamente feliz assim como sou com minha amada. Não vou te mandar um e-mail, pois acho impessoal demais, mas me add no MSN para podermos esclarecer esse dialogo com tantas coisas ditas, mas sem nenhuma palavra exposta.


Bjos.


[email protected]


Cliquei em enviar e respirei aliviada. Se ela ainda me adicionasse depois de saber que eu tenho uma namorada vou ser direta e sem nenhum preâmbulo para belas palavras. Não iria me estressar com Amanda por causa de uma completa desconhecida que não fazia a menor diferença na minha vida. Li as atualizações postadas e sai do pc assim que ouvi a buzina do carro do Leandro, amigo de infância na frente da minha casa.

- Vai fazer o que hoje doida? – Me perguntou dando um beijo em meu rosto.

- Não pega nada dia de domingo. Vou ficar em casa dormindo...

- Vai nada. Vamos lá num buteco da Figueiras. Tá afim?

Pensei naquele convite tentador durante cinco segundos.

- Me dá dez minutos para eu trocar de roupa – falei já entrando no portão de casa. Corri para meu quarto e abri o guarda roupas procurando uma calça jeans e uma blusinha. Abaixei procurando o tênis que eu havia jogado embaixo da cama e senti a cabeça rodar. A ultima coisa que vi e ouvi antes de apagar foram os pés e os gritos da minha mãe. 



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