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História Estranho Jeito de Amar - Capítulo 5


Escrita por: e SraPeroka


Notas do Autor


Demorou mas voltou!
Nós duas estamos passando por uma fase complicada nas nossas vidas,por isso que anda tão escasso tudo por aqui x.x

Espero que gostem

~ SraPeroka

Capítulo 5 - Meu sistema imunológico


Fanfic / Fanfiction Estranho Jeito de Amar - Capítulo 5 - Meu sistema imunológico

[EDWARD]

- Finalmente! - Pego meu casaco, em direção a saída da empresa, me despeço dos demais, e então posso ir atrás de respostas.

“Pelo menos eu espero”. – Penso.

Sentido centro de Dover, o GPS me mostra o escritório particular do tal Dr. Mustang

Estou nervoso.

Algo dentro de mim me avisa que algo ruim está por vir, e que irei descobrir o que tanto não quero saber.

Olhe bem, não encaro como negatividade, eu estou apenas me preparando de todas maneiras possíveis para conseguir encarar um notícia avassaladora.

Peço um Taxi, torcendo para que ele ainda esteja pelo local indicado. A ansiedade me nocauteia internamente, até por que nunca soube lidar com ela.

Chego ao local, peço ao motorista que espere alguns minutos.

Toco o interfone, do local que aparentemente é um escritório.

- Olá, e-eh... bem, eu liguei a pouco tempo, procurando saber pelo Dr. Mustang, eu queria saber se ele ainda está pelo local.

-Ele já se retirou. O expediente dele acabou.

EDWARD VOCÊ TEM 30 SEGUNDOS PARA PENSAR EM UM JEITO QUE SEJA PARA CONSEGUIR O ENDEREÇO PESSOAL DESSE CARA ... AGORA! – grito internamente!

- Sou o esposo da Winry, paciente do Dr. Mustang, então

-Meu deus! – ela me interrompe- , entre por favor. – Ela diz antes mesmo de me permitir terminar a frase.

Por um momento, ser esposo dela virou senha para abrir portões agora? O que me faz pensar que o caso dela é tão sério que apenas a menção de seu nome faz com que algo de urgência se assemelhe.

Faço um sinal para o táxi ir embora e subo as escadas do local.

A cada degrau eu planejo alguma desculpa. Me surpreendo com o fato da porta se abrir antes mesmo de eu pensar em por a mão na maçaneta.

- Aconteceu algo com ela? – a moça diz, seu olhar parece verdadeiro.

“Quantas vezes a Winry já veio aqui?” pergunto para mim mesmo.

- Não, ela está bem. Na verdade acho que ela esqueceu de avisar que eu viria aqui, porque o Dr Mustang esteve em casa esses dias. – deixo o assunto no ar, na esperança dela continua-lo.

- Sim, ele comentou mesmo algo sobre. – ela para em seus pensamentos.

“Merda! O que eu digo agora?” - Você sabe sobre um ... um exame que ele esqueceu de entregar a ela? – pergunto.

-Exame? Não, não tem nenhuma exame pronto.

Puta que me pariu, essa mulher não me dá uma brecha!

- Você não está confundido com um encaminhamento para outra ressonância magnética que ele iria pedir a ela?

- ISSO! – deixo a emoção falar mais alto e ela se assusta. - É o encaminhamento para que ela possa marcar. Me desculpe, acabo de sair do trabalho, cabeça cansada, sabe como é. – dou um sorriso nervoso e trêmulo.

- Ele provavelmente o levou junto. Mas se você quiser, posso te passar o endereço dele, não é longe daqui. – a recepcionista anota o endereço num pedaço de pedaço de papel. -Aqui está.

-Obrigada. Me desculpe, não perguntei seu nome.

-Maria. Meu nome é Maria.

-Ah Obrigada então, Maria.

Me despeço com aperto de mãos e em seguida já lanço o endereço no GPS do celular. Como ela havia dito, 18 minutos daqui. Chamo outro táxi que rapidamente chega a porta do consultório.

Entrando no taxi, passo o endereço ao motorista. Ao olhar por relance a janela, vejo o carro de Kemily passar pelo o que eu estava. E então penso, indo ao mesmo lugar que eu? Que seja, talvez nem deva ser o carro dela.

Ignoro.

Sigo a caminho.

“O que a Winry tanto esconde?” - Tento me convencer, de que não seja nada grave.

- Chegamos ao seu destino! – a voz robótica do GPS anuncia, enquanto o próprio motorista avisa:

- Aparentemente, chegamos.

Agradeço o mesmo e efetuo o pagamento da viajem. Não o peço para aguardar.

Pensei pela última vez em me convencer que não seria algo grave toda essa situação, até perceber que realmente era o carro da Kemily parado em frente a casa daquele Doutor.

Tento não me intimidar com mais um problema.

Me aproximo da casa.

Toco a campainha.

-Pode deixar Riza, que eu atendo. – É a voz dela! - EDWARD? O que faz aqui?

-Não sabia que morava aqui.

-Estava me seguindo depois do serviço? Se eu soubesse eu teria ido por outro caminho...

-Sério que tá cogitando isso? – Sinto repúdio a ela.

- O que mais seria?

- Quem é Kemily? – Uma mulher loira aparece logo atrás dela. Intrigada com o olhar que havia me lançado, era como se estivesse surpresa ao me ver. Mas eu não a conheço.

- Olá. Eu gostaria de falar com o Dr Mustang.

- Ah veio saber dela né? – a infeliz diz.

- Então, ele está no banho, mas se quiser entrar e esperar, não há problemas Sr. Elric.

Elric? Então me conhece.

Penso em dizer a ela que se ele demorar muito, eu iria entrar em pânico a tantas dúvidas, mas, definitivamente, melhor não.

-Eu espero aqui fora. Não se preocupe. – digo.

-Eu faço companhia para ele aqui. – O que eu fiz pra merecer tamanho encosto? – Se você tivesse somente me seguido talvez sairia mais feliz daqui.

- O que você quer dizer com isso? – pergunto nitidamente irritado.

- É tão simples, você veio até aqui saber dela não é? – odeio a forma como ela fala.

- O que você sabe que EU não sei? E o que VOCÊ tá fazendo aqui?

- Eu sei de muitas coisas. – ela diz enquanto olha para as compridas unhas, debochando. - Foi você quem ficou longe, eu não. E a propósito, o estranho aqui é você. Eu sou muito bem-vinda se quer saber.

- É? Por quem?

- Riza Hawkeye.

“HAWKEYE?”

-Parente sua então?

-Minha prima. Fica em paz, que já que ela não tem coragem de te contar...

- Acho que a visita é para mim não é mesmo?? – Olhando para aquele homem nunca senti tanto medo em trocar uma palavra com alguém como naquele momento. Mas não é como se o olhar que agora ele lançasse para Kemily me intimidasse da mesma forma que a fez calar. É que eu sabia que o que ia sair da boca daquele cara, ia me destruir. De alguma maneira. Mas iria.

-Sabe Roy, olha que coincidência... por acaso trabalhamos juntos.

-Eu sei bem quem ele é. Se puder nos dar licença.

Penso em agradece-lo, gostei dele a princípio.

- Entre Sr. Elric.

Mas acho que tenho que pensar em quais palavras usar deste minuto em diante.

[WINRY]

Algumas coisas na vida são certezas. Um exemplo é 1 1=2 , ou 2 2=4. Algumas coisas na vida não tem como dar “um jeitinho" e vai ficar tudo bem depois. As vezes ela é 8 ou 80. E na minha vida, o que não foi diferente, o extremismo sempre prevaleceu.

(8 anos mais cedo) [Flashback]

Alguns papéis na minha mão e eu tentando digerir tudo o que eu havia acabado de descobrir. Eu estava doente, e o último ataque foi pior, e o próximo eu não quero pensar em como vai ser.

- O que você tem, Srta. Winry, se chama Esclerose Múltipla. EM é uma doença neurodegenerativa complexa que atinge o Sistema Nervoso Central, falando de forma mais leiga, seu cérebro, sua medula espinhal, e seus nervos ópticos. – A voz do Dr Mustang nunca fora tão preocupante para uma conversa comigo, e aquilo não me deixava mais calma se era a intenção.

-Vou tentar explicar da forma mais simples para que você entenda.

Seus neurônios não estão se comunicando de forma correta.

Por esse motivo algumas funções do seu corpo tem falhado. O que foi preocupante é que essa semana eles não falharam, mais sim ficaram inabilitados. – De tanta informação a única coisa que eu queria saber é se esse problema todo tinha alguma solução. Mas a cada momento em que ele abria a boca, era como se fosse me dado um chute me empurrando direto para o mais profundo abismo.

- Realizamos uma ressonância magnética na parte superior do seu corpo e o problema se apresentava na cabeça, quando eu fui olhar mais atentamente e depois de estudar seu caso eu cheguei a conclusão que o seu grande inimigo se chama “mielina". É a camada gordurosa que funciona como se fosse um isolamento em torno de um fio elétrico real, no caso envolto dos seus neurônios. É essa camada que ajuda a um neurônio enviar o sinal elétrico para outro neurônio e assim atingir o que seu corpo precisa e isso leva em torno de 100 m/s.

- Eu acho que estou entendendo, mas isso tem cura ? Eu não posso ficar no estado em que fiquei essa semana doutor, pelo menos não mais.

- Sabe Winry ... – Há coisas piores que ele quer me dizer. – Eu não sei te dizer como... – Mas ele vai dizer – Mas, temos duas opções. Ou agrava, ou estabiliza. A minha meta é te ajudar a estabilizar.

- E porque não diminuir?

- Porque não tem cura, Winry.

O silêncio se fez presente naquela sala. Ele não precisava terminar de explicar porque eu já havia entendido. Tudo ia parar aos poucos. Começou a um ano e meio, primeiro minha visão, depois as quedas inexplicáveis por falta de força nos músculos, alguns esquecimentos, e por último essa semana a paralisia total, deitada em uma cama, esperando a boa vontade do meu cérebro conversar com minhas pernas e braços.

- As camadas de mielina estão danificadas pela inflamação, o sinal também é recebido danificado ao longo do nervo, por isso está resultando em alguns problemas. Quem tem EM, apresentas recaídas de sintomas, seguida por períodos sem sintomas.

- Que é o meu caso agora?

- Exato. O problema é que não posso prever qual é o próximo sintoma que você pode apresentar, seja ele mais grave ou não, e quanto tempo ele vai durar. Ocorre que essa inflamação toda está sendo consequente do sistema imunológico atacando anormalmente o isolamento. Eventualmente ao invés de uma fraqueza muscular, fadiga ou falha da visão pode ser levado a uma ...

- Vou ficar invalida? – e sem me confirmar, ele diz que sim ...

- Apesar de não ter cura, ela pode ser controlada por meio de tratamentos medicamentosos que vai reduzir a atividade inflamatória e os surtos.

“Eu não tenho ninguém, e isso é um problema só meu! Se inevitavelmente eu vou ficar inválida porque eu vou continuar nesse mundo?”

Se todos os meus outros problemas não fossem o suficientes, acho que com esse até que eu poderia conviver feliz com ele. Mas eu não tenho motivos para continuar... sofrendo. E consequentemente causando mais problemas para outras pessoas.

-Winry, eu vou te ajudar. É um pouco complicado, mas –

-Um pouco ?

- Winry, mas juntos você vai conseguir conviver com isso.

- Você vai. É a sua profissão. Eu não dediquei a minha vida a isso. Não tem sentido. – Me levanto.

- Calma, você não está sozinha! Você sabe que não está!

– Eu podia até pensar nisso se durante a semana que fiquei paralisada em cima de uma maca, alguém ao menos viesse me ver.

Eu bati a porta. Não que fosse culpa dele. Não que fosse culpa de alguém. Mas achei justo naquele momento alguém conseguir enxergar o como eu estava me sentindo através dos meus atos.

Chegando em casa, minha avó estava tão aflita sem saber o que tinha acontecido, que eu tive somente de me desculpar e deixar explicações para um outro dia em uma outra hora. A cada degrau subindo daquela casa em direção ao meu quarto eu ficava pensando em mais quantos desastres a minha vida ia se resumir até ela acabar.

Jogo minha bolsa na cama.

Sento do lado da janela.

Porque alguns momentos não voltam.

“A vida podia ser um capítulo. Aquele preferido que você poderia ler a hora que quisesse, quando quisesse e quantas vezes quisesse e nunca se cansaria dele.” – meu pensamento se cessa após ver um caderno que a Riza tinha me dado.

“- eternize os pensamentos mais podres sobre essa cidade e então deixe registrado. E um dia quando alguém ler, quem sabe não concorde conosco?”

E se eu falasse sobre a vida podre que eu tenho tido desde que você se foi? Talvez, quem sabe um dia quando eu não estiver aqui, caso você sinta minha falta... eu poderia te contar como foi os meus longos e infelizes dias.

Essa situação só se torna mais infeliz ainda, por culpa sua. Por você não estar aqui... Meus dias só estão se destruindo porque você entrou naquele maldito carro e nem se quer olhou para trás.

Mas antes que eu perca a memória...

“Olá!

Provavelmente se você está com esse diário, eu deva ter te contado aonde achar, já que não estou mais aqui para entrega-lo em suas mãos...”

E como desabafo, eu despejei todos os meus sentimentos em palavras naquele caderno. Mas a verdade era mais uma confissão que eu queria te fazer já que não está aqui para escutar...

[Flashback off]

Em breve ele vai chegar e vai estranhar aquela visita, então preciso de uma vez me preparar e contar que estou doente. Talvez eu seja um fardo muito grande, então ele precisa saber que se achar o momento é esse agora de partir, então devo aceitar.

Ouço batidas na porta. Minha vó que mais uma vez veio me ver...

-Winry, querida você está bem?

Eu queria dizer que sim, ainda mais por tudo de bom que tem ocorrido. Talvez eu fosse egoísta em deixar uma notícia não tão boa estragar todo o resto. Mas o problema maior é como eu vou me explicar. - Ele não chegou ainda né?

Minha vó se aproxima, senta ao meu lado e com sua mão sobre a minha passando a mais pura confiança me diz: - Talvez você não acredite, mas ele não vai mais ir embora querida.

Eu sei que ela não estava mentindo, nem tão pouco errada...

Meu celular vibra e prontamente vejo que é uma mensagem da Riza ...

“Winry, vou te preparar e lhe contar porque é bom você saber.

Edward está aqui em casa, neste instante conversando com o Roy.

NÃO SE PREOCUPE NEM SE DESESPERE! O Edward dessa vez é quem vai precisar de ajuda para se estabilizar!”

Por incrível que pareça, não fico nervosa ao ler. Mas de extrema preocupação a como ele vai reagir a tudo aquilo.

Conto a minha avó o ocorrido.

-Vovó, vamos preparar a mesa do jantar! O Ed deve estar cheio de fome. - Estou decidida. Vou encarar isso com naturalidade.


Notas Finais


Até o próximo!


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