História Estrela da Manhã - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Super Junior
Personagens Cho Kyuhyun, Choi Siwon, Heechul, Henry Lau, Kim Heechul, Kim Jongwoon, Lee Donghae, Lee Hyukjae "Eunhyuk", Park Jungsu, Personagens Originais, Shin Donghee, Yesung
Tags Anjos, Anjos Caídos, Donghae, Donghae Policial, Eunhae, Eunhyuk, Hyukjae, Pdi, Reencarnação, Romance, Slash, Super Junior, Yaoi
Visualizações 78
Palavras 4.230
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Luta, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olha só quem voltou após um longo tempo sem atualizar essa fanfic... Perdoem-me pela demora (longa história se eu for explicar os motivos), isso não voltará a se repetir. Desculpem os possíveis erros no texto.

Boa leitura.

Capítulo 3 - À Procura do Culpado


— Como será que conseguiram fazer isso?!

Perguntou Yi San a ninguém em particular. Os outros policias não pareciam ser capazes de ter uma resposta, ou simplesmente apenas gostavam de lhe ignorar. Era algo comum de acontecer com os novatos que vinham de alguma cidade do interior para a capital, eles sempre se surpreendiam com a violência das cidades grandes, porém era fato que até mesmo os veteranos aparentavam nervosismo perante aquele atual cenário.

Alguns policiais se ocupavam de manter as pessoas fora da cena do crime, conforme os demais analisavam o corpo caído na calçada mantendo alguma distância. Eles estavam aguardando a perícia chegar. Não era novidade encontrar alguém morto, esse tipo de ocorrência sucedia com alguma frequência, mas era fato que sempre havia alguma testemunha, ou então, alguma pista deixada para trás, todavia isso não aconteceu nesse caso.

Aparentemente ninguém havia visto o responsável por tal homicídio, tampouco parecia ser uma ocorrência de latrocínio, visto que a vítima havia sido deixada com os seus pertences de valor. O policial Yi San observou a aglomeração se intensificar e resolveu ir ajudar os companheiros de trabalho, quando por entre elas, notou alguém se destacar. Ele as empurrava já meio impaciente para que saíssem de sua frente, e mesmo que estivesse com óculos escuros, Yi San notou uma expressão monótona no semblante do homem estranho.

Ele usava uma jaqueta de couro preta e acabou por pegando algo em um dos bolsos. Assim que conseguiu chegar em um dos oficiais — que tentava conter aquele caos — mostrou-lhe alguma coisa que dali o policial novato não conseguiu distinguir o que era. E dessa maneira, deixaram com que ele passasse.

O homem era um pouco mais baixou que ele, notou Yi San assim que se aproximou e parou ao seu lado. O desconhecido balançou a cabeça em desaprovação parecendo decepcionado, todavia esse sentimento não vinha pela vítima diante seus olhos, mas sim com a desordem que o rodeava.

— É só ficar fora por um tempo que essa algazarra se instaura... Não foi para ver esse tipo de coisa que me levantei da cama hoje.

Desabafou tirando os óculos escuros, revelando estar com olheiras sob seus olhos astutos, então ele olhou para o outro que mantinha uma expressão curiosa.

— Cadê os peritos? Ainda não chegaram?

— Não...

— Que absurdo. Eles não são pagos para ficarem sentados vendo dorama. Onde está o delegado?

Yi San não sabia quem o outro era, mas ele emanava uma forte autoridade e também havia cumprimentado alguns policiais ao passar por eles. Desse modo o novato não viu problemas em apontar na direção do chefe de polícia.

O homem estava em um lugar mais afastado, falando ao telefone, parecia estar dando uma bronca em alguém e por essa razão não notou a presença alheia, porém assim que encerrou a ligação percebeu.

— O que você está fazendo aqui?!

Indagou alegremente, abrindo os braços enquanto se encaminhava para lhe dar um abraço. Fazia meses desde a última vez que aqueles dois haviam se visto. E infelizmente, a causa tinha sido sob circunstâncias desagradáveis.

— Resolvi dar um basta em minha folga!

— Está falando sério? Tem a certeza que já quer voltar? Se quiser pode tirar mais alguns dias de licença...

Não passou por despercebido aos olhos do delegado Shin Donghee a aparência de cansaço do investigador Donghae. Entretanto, como era de se esperar, recusaram à sua proposta.

— É melhor voltar e ocupar a mente trabalhando, do que ficar agoniado em casa, com os meus pensamentos a me torturar.

— Compreendo. Sendo assim, bem-vindo de volta!

— Queria dizer que é um prazer retornar, mas eu estaria mentindo.

Os dois homens se puseram a rir no mesmo tempo em que um dos policiais veio correndo, lhes avisar que a perícia finalmente já havia chegado. Eles voltaram para o local do corpo à medida que observavam os que estavam atrasados começarem a trabalhar.

— Você já montou uma equipe para este caso? — indagou Donghae, falando baixo para que apenas Shin Donghee o escutasse, ao notar o olhar que lhe lançaram, continuou: — Mesmo em casa andei estudando sobre esses assassinatos. Nesse mês esse já é o vigésimo nono corpo encontrado, não estou certo?

— E eu achando que você estava descansando... Ainda não, estou tomando cuidado para não alarmar as pessoas.

— Este já é o quinto assassinato sob as mesmas circunstâncias, só nessa semana. Realmente acha que vai conseguir enganar a imprensa? Não são idiotas, tenho certeza que já notaram alguma coisa, quase consigo sentir os seus dedos ansiosos para digitarem alguma matéria sensacionalista sobre “o novo serial killer de Seul”.

— Não faça piada com isso! Estamos à beira de entrar em estado de emergência! Pelo que estou vendo, você já deve ter montado o perfil psicológico dessa pessoa.

— Tenho uma boa e má noticia. Qual quer escutar primeiro?

Comentou Donghae fingindo não perceber que alguns policiais estavam cochichando conforme o encarava sem parar, ele tinha se esquecido que, pelos próximos dias, seria o assunto principal de fofoca no ambiente de trabalho.

— Não acredito que está fazendo isso... Está bem! Quero a boa.

— A boa é que você está certo, estudei.

— E quanto a má?

— Não é um serial killer, não é uma pessoa, mas o termo correto seria dizer pessoas.

— Como eu temia, estão agindo em grupo.

De fato, não era como se esperasse que fossem se impressionar com aquela informação, até porque ela era óbvia, todavia se Shin Donghee entendesse o quanto aquela situação chegava a ser perturbadora, não agiria com tanta tranquilidade.

— Mas isso nem é o mais interessante nesses assassinatos.

— E o que mais chamou a sua atenção então?

Donghae se virou e encarou o outro, ele precisou pensar por alguns instantes em como colocaria em palavras a peculiaridade daqueles incidentes.

— É o que “deixam” nas cenas dos crimes: nada.

— Isso significa que...

— Os crimes são perfeitos.

Shin Donghee esperou, buscando algo para ser dito, mas perante aquela situação, não encontrou. Como não houve uma resposta, Donghae resolveu continuar.

— Como você deve supor vou querer ficar com esse caso.

— Acha mesmo que já está pronto para voltar?

Donghae respirou fundo, tentando manter a calma, ele não queria brigar com seu superior e amigo. Estava sendo muito difícil para ele desde o ocorrido, mas não poderia passar o resto de sua vida em casa, fingindo ignorar o que lhe ocorrera naquele dia. Suavizando a expressão, que ficara repentinamente severa, deu um sorrisinho de lábios fechados e disse com entonação carregada de sarcasmo ao inclinar a cabeça em direção dos demais policiais do outro lado:

— Acha que eles estão prontos para lidar com o meu retorno?

— Terão que estar.... Okay, o caso é todo seu.

 

 

 

Algumas horas depois, na delegacia do bairro Jongno...

 

 

Donghae olhou para os seus colegas, alguns estavam de braços cruzados e o olhavam com expressão de censura, ele podia imaginar os tipos de pensamentos que estavam tendo ao seu respeito e do chefe de polícia por colocá-lo ali, especialmente Woo Ruk. Ele parecia estar imaginando formas diferentes de arrancar seus órgãos internos, provavelmente, faria uma sopa com eles depois.

Todos se encontravam no fundo da delegacia, cada um havia carregado a sua própria cadeira, colocando-as de frente para uma parede branca, Donghae que estava em pé, entre eles e a quadrela, resolveu ignorar o desconforto momentâneo e foi em direção do projetor.

— Quando as filmagens das câmeras de segurança chegaram, gastei algumas horas as analisando, até que achei uma que me foi bastante útil.

Ao dizer isso deu play no aparelho, a imagem estava escura, algo normal já que era noite, e também chovia o que prejudicava ainda mais na visualização do vídeo. Nele era possível ver um homem andando, enquanto segurava um jornal sobre a cabeça, repentinamente uma pessoa apareceu, estava com roupas escuras, ele fez algo, foi possível ver dois feixes de luz vertical e horizontal e então o estranho se afastou antes mesmo que a vítima caísse no chão já sem vida.

— De onde ele veio? — perguntou um dos policias após uns instantes de silêncio perplexo.

— Não conseguiram ver? Colocarei novamente. Confesso que só consegui ver após a sétima vez assistindo.

Porém, mais uma vez ninguém conseguiu notar. Os policias só conseguiram perceber quando ele reduziu a velocidade, chegando ao ponto de pausar a imagem no momento exato.

“Isso não é possível...”

 “Deve ter alguma corda auxiliando, não conseguimos ver porque está escuro.”

Donghae escutou a manifestação de cada um, à medida que observava os seus sentimentos; incredulidade, medo, surpresa, dúvida... Mas nenhum chegava a ser o que ele mesmo sentira ao ver aquelas imagens, ele sentiu uma estranha e inesperada empolgação.

Por anos estudara no exterior, por muito tempo trabalhara ao lado de pessoas invejavelmente competentes e hábeis, entretanto nunca havia visto um caso como aquele, ao menos não sem ser na ficção.

— Notaram que em nenhum momento ele olha para cima? É como se soubesse exatamente onde cada câmera de segurança está. Além disso, nos assassinatos não há nenhuma marca e quando eu digo isso não me refiro a digitais, fios de cabelo... Quando falo “marca” me refiro a identidade, explicando melhor: a personalidade do assassino. Mas tanto nesse caso, como em outros que tenho acompanhado, não há orgulho, ódio, amor... É apenas uma execução, não existe sentimentos nos ferimentos ou na posição que os corpos são deixados, e tudo indica que ele tem a ajuda de mais pessoas que são como ele.

— Baseado em quê chegou à essa conclusão? — indagou Woo Ruk, sem tentar disfarçar a incredulidade no que outrem dissera.

— Pelo número de assassinatos que ocorreram apenas nesse mês, é muito alto para ser uma única pessoa fazendo isso. Mandarei um arquivo com todas as informações das vítimas para os seus e-mails.

— Vou dizer o que todos estão pensando, mas não têm coragem de falar: não acho que está apto para comandar esse caso. Aliás, acredito que não está apto para voltar a trabalhar.

Perante aquela declaração, uma quietude desconcertante tomou o recinto. Os demais policiais não pareciam sequer respirar, alguns baixaram a cabeça em constrangimento, outros fulminavam aquele que falara.

Donghae se manteve calmo, olhando em volta fez uma expressão debochada, e colocou a mão em um dos bolsos da calça jeans. Assim que tirou uma caixa que parecia ser de algum medicamento, a balançou, conforme retrucou irônico, com uma entonação de alegria exagerada:

— Fico emocionado pelas suas palavras de preocupação com o meu bem-estar, Woo Ruk! Porém não precisa, estou tomando meus remedinhos e estou me saindo muito bem. Há apenas um efeito colateral desse medicamento, que é uma inusitada vontade de meter bala no traseiro de colegas que acham que nossa profissão tem espaço para existir alguma competição idiota de ego e de competência. Todos estão aqui porque são bons e capacitados para o serviço que prestam, quanto a mim eu tenho a minha área de especialização. Não é como se tivesse pedido por esse dom, mas é o que eu tenho. Não farei questão que faça parte de minha equipe. Aqueles que concordam com a sua forma de pensar, têm total liberdade para se retirarem com você. Não se preocupem, não levarei para o lado pessoal.

O investigador Donghae constou o rosto de Woo Ruk corar, não de vergonha, mas do mais puro ódio. O fato é que aquele homem sempre pareceu se incomodar com a existência alheia, e o que acontecera algum tempo atrás, só serviu para ele ter uma desculpa para cuspir o seu veneno.

Levantando-se Woo Ruk olhou para os seus colegas e se retirou, alguns ficaram se entreolhando e pouco a pouco foram saindo, até que no ambiente só permaneceu quatro policiais: Go Dong Yun, Kang Min Suk, Mung Chi e o novato Yi San.

De toda forma sobraram mais do que Donghae imaginou que ficariam.

Como se nada tivesse acontecido ele deu seguimento à reunião:

— Vocês três irão ver se essa última pessoa assassinada tinha conexão com alguma das vinte e nove vítimas. Quanto a você — Donghae apontou em direção de Yi San — virá comigo. Nós retornaremos para a cena do crime. — Foi a última coisa que disse, indo desligar o projetor enquanto os outros foram se preparar para fazer aquilo que lhes fora ordenado.

 

...

 

— Quantos metros você acha que uma pessoa consegue pular? — indagou Yi San, no tempo em que Donghae avaliava os prédios próximos do local da ocorrência.

— O primeiro prédio tem trinta metros, o segundo possui dezessete e o último, e mais próximo de onde o vimos pular tem nove.

— Como alguém pode pular de um lugar tão alto com aquela...

— Acho que a palavra que procura é maestria. — disse Donghae, virando-se para poder olhar o outro — Penso que não é o tipo de pessoa que estamos acostumados a lidar.

O investigador começou a imaginar o ambiente algumas horas atrás, antes do horário atual, no momento que os céus estavam escuros a chuva despencava incessante e fria... Naquela hora ainda haviam pessoas voltando de seus trabalhos para irem para as suas casas, mas por causa da chuva, elas não estavam prestando muita atenção à sua volta, e isso incluía a futura vítima.

Provavelmente ele a estudou com calma, analisando os seus movimentos, protelando qual seria o momento ideal de lhe golpear, ele aguardou que fosse para o lugar mais escuro daquela rua... e ele esperou, seu coração nem ao menos deve ter se acelerado em expectativa. Eis que ele pulou, fazendo dois únicos, mas fatais movimentos com alguma lâmina afiada. Ele sabe de suas capacidades, tanto que nem precisa olhar para trás para saber que seu golpe foi fatal.

É alguém seguro, não tem pressa ao ir embora, não olha para os lados para confirmar que ninguém o viu... e muito provavelmente saberia que algumas horas mais tarde, policiais estariam lhe vendo através das câmeras de segurança, entretanto ele sabe que não deixou nenhuma pista, ele sabe que conseguiu cometer tal ato com excelência.

Como alguém com tais capacidades não é vaidoso? Por que não deixou um quebra-cabeça para os investigadores resolver? Esse seria o comportamento padrão de alguém com tais características. Que tipo de seita recrutaria membros para que matassem pessoas sem qualquer conexão, tanto pessoal quanto financeira? O natural seria deixar algum recado ou pista nas suas vítimas, o motivo por seus assassinatos, assim como Charles Manson e seus seguidores fizeram há alguns anos.

Esse tipo de atitude não era por modéstia e nem soberba, era apenas por indiferença.

E era por essa estranha e incomum diferença naquele tipo de delito que despertara maior interesse em Donghae, ele queria pegar o culpado por tais crimes, ele ansiava por ficar cara a cara com o líder e responsável por todas aquelas mortes e ele não falharia em sua missão.

— Vamos voltar para a delegacia para saber se já descobriram se essa vítima tem alguma ligação com as outras. — instruiu a Yi San, que se matinha paralisado na calçada olhando para os prédios com semblante perturbado.

 

...

 

Já era noite quando a professora Yeo Min Gyeong saiu da faculdade, ela recebeu um telefonema do seu esposo. Por causa do emprego, ele não poderia lhe buscar no trabalho. Ela olhou em volta, alguns alunos desciam a rua com expressão de cansaço e sono.

O céu estava escuro, mas não parecia que começaria a chover, e mesmo que o vento soprasse forte e afastasse seus longos cabelos escuros das costas, ainda assim estava fazendo calor. A jovem estava com medo de ir até à estação sozinha, ela não conseguia esquecer o que escutara na sala dos professores mais cedo.

Uma pessoa havia sido encontrada morta e não havia indícios do responsável pelo crime, ele ainda estava à solta, procurando outra vítima para a sua sede de sangue. A medida que pensava, seu desespero aumentava, tanto que a mulher começou a sentir frio.

Foi nesse momento que para a sua felicidade, ela avistou um colega. Na verdade, ele estava substituindo o professor Han-Chul, que se ausentaria por um tempo, por causa de um processo cirúrgico que fizera nas cordas vocais. Ela nunca havia conversado de fato com o substituto, ele era um homem jovem e reservado, mas aparentava ser gentil, então ela se aproximou dele antes que esse fosse embora.

— Boa noite professor Lee Hyukjae.

— Boa noite professora Yeo Min.

— Eu gostaria de lhe pedir um favor... Se não for um incômodo.

Hyukjae que estava prestes a se despedir para ir embora, se aproximou curioso para saber o que aquela mulher poderia querer.

— Meu marido costuma vir me buscar, mas essa noite ele ficou preso no trabalho... Poderia me acompanhar até a estação? Sei que parece um pedido bobo, mas como estão ocorrendo esses assassinatos, isso vai nos deixando inquietos, não acha?

Hyukjae não a respondeu a princípio, puxando a manga do terno olhou as horas no relógio de pulso enquanto parecia pensar. Yeo Min Gyeong começava a se arrepender de ter feito tal pedido, para alguém que mal conhecia, quando finalmente obteve uma resposta.

— Eu compreendo... Será um prazer acompanhá-la.

Ao terminar sua frase, ele deu um sorriso longo e educado, enquanto ocultava seus reais pensamentos. Ele adoraria explicar para aquela mulher que ela não estaria correndo risco algum.

— Obrigada!

Os dois se puseram a andar pela calçada estreita em silêncio. Ela estava grata e gostaria de saber o que poderia ser dito para começar uma conversa, mas manteve-se calada enquanto o espreitava de vez em quando. Ele sem dúvida era um homem respeitador, mantinha uma distância educada dela e não a encarava.

— Você é daqui mesmo de Seul?

Ela não conseguira se conter, talvez graças a essa ocasião inesperada, conseguiria conhecer mais do misterioso professor substituto.

— Não pareço ser daqui? — retrucou pondo as mãos para trás, dobrando o livro fino que segurava, de modo que ficara enrolado lembrando a forma de um cone.

— Honestamente eu não sei... Há algo de diferente em seu jeito, acho. — Mesmo que a voz dele não tivesse soado rude, ela teve uma leve sensação que aquela pergunta lhe incomodara.

— Pois sou daqui sim. Talvez a responsabilidade desse meu modo diferente seja por causa do ambiente em que cresci.

— Pais severos?

Hyukjae não a respondeu, apenas a olhou pelo canto do olhou e voltou a sorrir, seus dentes eram bem alinhados e claros, porém algo naquela expressão incomodou a professora Yeo Min. Ele mantinha as costas eretas e seus ombros pareciam ser largos sob o terno escuro, e seu semblante era sereno de maneira tão plena que parecia contrastar com a idade que ele aparentava ter.

Aquela postura parecia pertencer a alguém mais velho, alguém cujo já vivera o bastante para adquirir muita experiência de vida. A segurança que Lee Hyukjae aparentava ter chegava a ser palpável e de certo modo aquilo a tranquilizou.

Yeo Min começou a pensar melhor em sua conduta quando se encontrava com as outras professoras nos corredores, ele as cumprimentava educadamente, mas se parasse para analisar bem a maneira que ele olhava e falava com elas, dizia claramente sua postura responsável. Ele deixava bem claro, mesmo que mantivesse um sorriso educado e uma entonação branda, que elas não conseguiriam nada com ele que fosse além de assunto profissional.

A professora não tinha esse tipo postura para com ele, até porque ela realmente gostava e respeitava o seu marido, porém conhecia colegas solteiras que claramente o olhavam com interesse, entretanto elas só estavam gastando o seu tempo.

Conforme se aproximavam do quarteirão em que ficava à estação, Hyukjae voltou a checar as horas, felizmente ainda daria tempo para a sua outra obrigação. Ele estava conseguindo ocultar da colega a sua ansiedade para que chegassem logo para que ele pudesse ir embora.

— Desculpe se lhe atrapalhei em algo... — disse a mulher, pegando-o desprevenido.

Voltando a abaixar a manga do terno, ele lhe confortou simpaticamente:

— De maneira alguma. Foi um prazer fazer com que se sentisse mais segura com a minha companhia.

Aquele modo antiquado do professor Lee Hyukjae chegava a ser tão inesperado, era como se ela estivesse dentro de uma história de ficção, onde há um personagem viajante do tempo, vindo exclusivamente do passado.

Por fim eles haviam chegado ao destino.

— Aqui está sã e salva.

Foi a última coisa que a professora Yeo Min escutou como forma de despedida.

 

...

 

Finalmente Donghae estava indo para casa, não que isso fosse libertá-lo do trabalho já que ele estava levando-o junto consigo, mas ainda assim essa ideia lhe era reconfortante. Infelizmente, como suspeitara, a sua equipe não conseguiu achar ligação da última vítima com a outras, porém isso não era motivo suficiente para desanimá-lo.

Deveria haver algo, alguma pista, mesmo que ele mesmo tivesse usado a palavra “perfeição” para designar tais crimes, sabia que tal coisa não existia, não teria como. A única coisa que teria que fazer seria encontrar a linha de pensamento do criminoso e colocar a sua própria para trabalhar igual, como várias vezes fizera, e como incontáveis vezes, obtivera sucesso.

Ao chegar em casa viu, através de uma das janelas, que as luzes estavam ligadas. Ao estacionar o carro na garagem, antes de sair do automóvel, pegou o notebook e assim encaminhou-se para dentro.

Passou direto pela sala e foi para a cozinha, abrindo a geladeira pegou uma garrafa de cerveja que o irmão trouxera outro dia. Como escutou o barulho de chuveiro ligado, sentando-se à mesa e ligou o eletrônico, à medida que aguardava que terminassem o banho.

Donghae estava entretido, olhando os arquivos do seu novo caso quando sentiu uma aproximação e um beijo no topo da cabeça. A água dos cabelos dela caía em seus ombros quando ergueu a cabeça para beijar-lhe os lábios.

— Como foi a volta ao trabalho?

Quis saber sua esposa, Yeo Min Gyeong. Ela ainda estava enrolada na toalha. Afastando-se começou a enxugar o cabelo com uma toalha menor, no tempo em que observava Donghae pegar a cerveja para dar um gole generoso.

— Fui muito bem recepcionado por Woo Ruk...

— Sua inteligência o intimida, já expliquei para você.

— Nunca vi alguém gostar tanto de pegar no pé de alguém como ele gosta de pegar no meu. Mas vamos falar de algo mais interessante. Conte-me, como foi o seu dia?

— Foi normal. Apenas fiquei chateada que meu marido não pôde ir me buscar e eu tive que pedir para um colega me levar até à estação, mas tirando isso...

Yeo Min sabia que Donghae não sentiria ciúmes ao ter conhecimento disso, essa característica não fazia parte de sua personalidade.

— Desculpe, querida. Mas esse caso... parece que ele vai pegar bastante tempo do seu maridão.

— Então você ficou mesmo responsável pelo caso que já estava analisando há algum tempo?

— Para o bem de todos, sim.

— Sempre tão modesto!

Retrucou Yeo Min, jogando a toalha que outrora enxugava os cabelos no rosto dele. Donghae levantou-se fingindo estar bravo, mas sua atuação não durou por muito tempo já que sua barriga roncou alto, entregando a fome que estava sentindo.

Dizendo que não tivera tempo de preparar algo, a sua esposa foi em direção do telefone para pedir comida enquanto ele retornara para o seu notebook. Observando as costas de Yeo Min, à medida que ela escolhia os pedidos, Donghae sentiu uma inquietação.

Ele tinha um trabalho no qual era bom, e há um ano se casara com uma mulher inteligente, divertida e sobretudo amiga. Contudo, algo não estava lhe agradando, por vezes ele se via pensando se era isso mesmo que ele queria, às vezes ele se encontrava pensando o que ele estava fazendo com a sua vida.

Era aquele caminho mesmo que ele tinha a trilhar?

Se sim, por qual motivo não conseguia se sentir realmente feliz com isso?

 

 

Enquanto isso em outra parte da cidade...

 

 

Hyukjae observava a movimentação da cidade abaixo, estava trajando roupas diferentes das de algumas horas atrás. Daquela altura, Seul de fato chegava a ser bonita. Havia um brilho peculiar em seus prédios e outdoors chamativos, existia algo de especial naquelas ruas e bairros, tanto de ambientes nobres quanto nos mais humildes.

E ele gostava de sentir o vento frio chicoteando o seu rosto no momento em que corria, como agora, jamais temia a altura que se encontrava, podia se dizer que ele não temia nada, inclusive a morte.

Estudando a distância do prédio que estava, pulou, jogando-se com os braços abertos em direção a outro edifício, o tecido de sua japona se estendia quase como se fosse asas, era como se ele pudesse voar. Pousando com aptidão na cobertura, as fivelas de sua bota tilintaram e logo ele retornou a correr, como se fosse dono da noite e das sombras, dos segredos e mistérios noturnos.

Para ele não existia limites, nem mesmo o céu lhe significava isso

Após mais alguns saltos, ele avistou o que buscava e seu rosto se adornou com um sorriso ameaçador. Tateando os bolsos de sua roupa, alcançou uma espada de pequeno porte e eis que rumou para uma das ruas estreitas.

Lugar no qual se encontrava a sua próxima vítima.


Notas Finais


NB: Charles Milles Manson, é o fundador e líder de um grupo que cometeu vários assassinatos nos Estados Unidos no fim dos anos 1960, entre eles o da atriz Sharon Tate (na época, grávida de oito meses), esposa do diretor de cinema Roman Polanski. Condenado à morte em 1971, com a pena posteriormente transformada em prisão perpétua, cumpre pena até hoje na Penitenciária Estadual de Corcoran, na Califórnia. (Fonte: Wikipedia)

Espero que tenham gostado desse capítulo tanto quanto eu gostei de escrevê-lo. E então, o que estão achando dos personagens? Em breve trarei o outro capítulo para vocês ;)


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