História Estrelas de novembro - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Amor Doce
Personagens Alexy, Armin, Castiel, Leigh, Lysandre, Nathaniel, Personagens Originais, Senhora Shermansky, Viktor Chavalier
Visualizações 17
Palavras 6.088
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá <3

Eu não resisti e postei esse história que está há uns dois anos aqui no pc, eu nunca coloquei muita fé nela e até agora estou pensativa se vale a pena mesmo postar, caso gostem, peço que digam nos comentários rsrs
Editei algumas partes, mas sempre tem erros, por isso imploro calma haha, eu sempre deixo passar alguma coisa.
É uma historia sobrenatural, de lobos especificamente. Porque sou apaixonada por esse universo e sempre quis escrever algo relacionado, mas enfim, não sou criativa o suficiente :/

Espero que gostem <3

Capítulo 1 - Adeus, velhos tempos


Eu quero deixar as minhas pegadas nas areias do tempo. Saber que havia algo ali e algo que eu deixei para trás. Quando eu deixar este mundo, não deixarei arrependimentos. Deixarei algo para lembrar, para que eles não se esqueçam que eu estive aqui, eu vive, eu amei. Eu estive aqui!

— Beyoncé - I Was Here

 

 

Adeus, velhos tempos.

 

 

 

O quarto dia do mês de fevereiro havia amanhecido com uma cara feliz, assim como minha vó costuma se referir quando o sol já está brilhando as seis horas da manhã. Era o que todos mais queriam após uma longa temporada de chuvas incessantes, se despedir dos cachecóis de lã, botas e gorros com os magníficos pompons coloridos — não posso julgar, tenho adoração pelos pompons —, e o mais importante, os casados pesados, que durante esses meses de frio era essencial para evitar resfriados e sopas estranhas. O frio havia indo embora, e mesmo reclamando inúmeras vezes, eu estava bastante frustrada por ele ir, porque com sua partida, a rotina voltaria e com ela, todos os meus glamorosos problemas.

Não tinha ideia de quanto tempo fiquei em pé a frente de um enorme espelho, no meu quarto, encarando cautelosamente meu reflexo, estudando cada mínimo detalhe que encontro em mim. Meus lábios secos, minhas assustadoras e profundas olheiras, meu cabelo que está com uma aparência decadente pelos maus tratos e, também que, com facilidade posso enxergar com a regata que uso, uma cicatriz não tão grande no meu ombro direito. Não me sentiria ofendida se alguém me confundisse com um zumbi, afinal, pareço espetacularmente um. Minha expressão séria, desaparece quando deixo um sorriso escapar, e uma piadinha vem à mente, Jasmine-zumbi. Um rosto tão sem vida, que deixava até o ambiente com um mal estar, por isso, reafirmo minha decisão. Pegando sem nenhuma pressa uma tesoura afiada, que estava no criado-mudo e lentamente a trago para próximo do meu rosto, trazendo em si, vários pensamentos, que a custo espantei rapidamente. E com confiança nos movimentos, fitando a Jasmine-zumbi no espelho, faço algo que estou planejando a muito tempo. Corto a primeira madeixa castanha.

Já estava na hora da Jasmine-zumbi ir embora.

Em passo a passo, desço os degraus da escadas, respirando com tranquilidade, como se hoje fosse como um dia qualquer — e era. Quando estou próxima do fim da escada, escuto o som de uma gargalhada estrondosa e não preciso ver quem é, para saber que é Marcy e que David está fazendo mais uma de suas gracinhas, apenas para ouvir sua risada. E vejo que estou certa, quando ele está com um sorriso apaixonado e muito orgulhoso por estar a fazendo rir. Percorro mais um pouco meus olhos, vendo que vovó está descansando em sua poltrona de couro marrom, costurando com seus dedos enrugados, mas ágeis, mais uma blusa de tricô, dessa vez de cor verde e isso me arranca um sorrisinho, porque sei que é para Matthew. Fico encantada com a imagem da velhinha de cabelos brancos, com um penteado lindo e apenas desvio meus olhos dela, quando a falação na cozinha me chama a atenção.

Matthew está sentado na bancada, me deixando impressionada com sua capacidade de fazer duas coisas ao mesmo tempo. Enquanto mexe em seu celular com uma mão, a outra se ocupa em mergulhar uma colher na tigela de leite com cereal e levar até sua boca. Observo essa cena com uma careta, pensando que a última vez que tentei fazer duas coisas ao mesmo tempo, acabou não indo muito bem. Ele abre um sorriso, colocando a colher na boca e agora usando as duas mãos para digitar alguma coisa.

— David, você é tão atrevido! Me impressiona sua mãe achar que é comportado e como ela diz “uma benção de Deus” — tia Marcy falou com humor e com uma pitada de indignação. Ela está lavando louça e só pelo fato de estar com um sorriso orelha a orelha, com uma áurea radiante, mostra o quanto Marcy ama seu namorado. Ela sempre diz que poderia cortar a grama com uma tesoura, lavar o chão com um pincel, e muitos outros exemplos exagerados, porque minha tia adora dramatizar todas as situações da vida, ao invés de levar louça. Ela não sabe explicar o motivo dela odiar tanto isso e nem eu, afinal, sempre gostei de lavar a louça. David se inclina um pouco mais para perto de tia Marcy, sussurrando alguma coisa em seu ouvido, o que faz ela rir mais ainda. — Pare com isso, seu bobo! — riu, entregando a ele uma xícara que tinha lavado, ele a pegou e começou a seca-la — Matt, você pode, por favor, ir acordar sua irmã? Já são quase sete horas.

Eram seis e quarenta e dois.

Matthew resmunga alguma coisa incompreensível, retirando a colher de sua boca e afundando mais uma vez no leite. Nenhum momento seus olhos se afastaram do celular para fazer isso. Em alguma momento, sei que Marcy vai surtar com seu recém-vicio, já que desde que ela veio morar conosco, tenta nos deixar unidos como uma bela família. Suas palavras. Não posso dizer que concordo com essa aproximação que ela insiste, afinal, me sinto um pouco vazia quando tentamos ser uma família feliz. É uma mentira.

Passo minha língua pelos meus lábios, sentindo um leve gosto do batom que estou usando. Droga, eu não estava bem acostumada com batom.

— Estou aqui. — me manifesto, sem nenhuma cordialidade ou animação como vejo nos mínimos gestos de tia Marcy. Minha voz soou monótona como sempre e por isso ninguém esboçou reação com a minha chegada e isso me deixou um pouco ansiosa. Caminho com o mesmo ritmo despreocupado, me sentando na bancada, de frente para Matt, que em nenhuma vez se interessou por mim. Deixo o meu celular na bancada, em um lugar onde ele não me atrapalharia e, minha mochila perto dos meus pés. Assim, me dou a liberdade de percorrer meus olhos por toda a bancada.

A caixa de cereal estava a minha frente, o leite fresco, uma fruteira com uma boa variedade e sanduíches com o formato triangular. Não estava sentido fome, no entanto, me conhecia o suficiente para saber que quando estiver em aula, meu estomago vai se contorcer até eu não aguentar mais, então o mais sensato é eu comer algo agora. Entro em uma pequena indecisão do que comer, fitando cuidadosamente tudo.

E depois de pensar, escolho comer um sanduíche e beber leite. Quando estava pronta para começar a comer, meu celular brilha chamando a minha atenção, e vejo que chegou uma mensagem de Rosalya, me inclino um pouco mais na direção do aparelho e leio pela barra de notificação.

Amada, Alex e eu estamos indo para sua casa, então esteja pronta porque chegaremos logo. Beijos!

Opto por não responder e dar atenção exclusiva para o sanduíche e seu sabor bastante exótico, o que na verdade, não eram tão estranho. Já que Marcy adora inventar algumas receitas, algumas dão certo como esse sanduíche, mas outras são genuínos venenos. Por sorte, ela erra bem poucas vezes. E seu fã número um, é nada menos, que David. Ele nunca reclama de sua comida, nem mesmo quando ela colocou pimenta demais e era impossível de comer.  

— Bom-dia, minha querida — a voz de Marcy é gentil e alegre. Vejo que ela tinha acabado de colocar uma colher por debaixo da água da torneira, balançou e depois deu para David. Seu longo cabelo ruivo balançava a medida de seus movimentos, era tão bonito que chegava a me dar inveja, uma inveja boa. — Matt já está comendo, então sente-se e se sirva, porque senão vão se atrasar. Tem sanduíche e cereal, mas se quiser posso preparar panqueca.

— Obrigada, mas vou comer sanduíche — respondi, mordendo mais um pedaço dele.

Não tinha sido uma boa ideia eu ter passado o batom antes de comer, sendo que nunca tive bons modos na hora de comer. Mas está tudo bem, tinha colocado o batom na minha mochila caso algo parecido tivesse acontecido. Bebi o leite, sujando o canto da boca, limpo com a mão mesmo e nesse momento Matthew levanta seus olhos, me encarando distraidamente.

Foi uma questão de segundos, para que sua expressão indiferente fosse mudando até ele estar com os olhos arregalados, a testa muito franzida e os lábios separados em espanto. O leite em sua colher foi lentamente caindo para dentro da tigela, até a própria colher cair e sumir por debaixo do leite com cereal, apenas seu celular ficou em mãos e parecia que a qualquer minuto ele seria o próximo a cair.

Seu olhar me deixou completamente sem graça.

Coloco uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, focalizando meu olhar no semblante confuso do meu irmão, sorrio para o mesmo, esperando que ele dissesse qualquer coisa. Ele abre uma, duas, quatro, sete vezes a boca, só que se perde, fica mais confuso ainda e depois desiste. O meu celular vibra novamente, Alex e Rosa se atrasariam alguns minutos, porque pararam em uma cafeteria. Quando volto a olhar Matt, ele ainda está perplexo.

 — Ok, coma o que quiser — Marcy falou, entregando um copo para David, que secou com rapidez. Ela se moveu até a geladeira e demorou alguns segundo até pegar algo, andou até os armários e pegou outra coisa. — Vou prepara um lanche para a metade da manhã, se quiserem, faço para vocês também. David me passa o queijo?

David se vira, e seus olhos se encontram rapidamente com os meus. E como Matthew, de um segundo para o outro, ele está me olhando como se eu fosse a coisa mais estranha do mundo. Ele ergue um dedo, apontando para o meu cabelo, pisca várias vezes e eu dou um sorriso pequeno e torto.

Tia Marcy está cantarolando uma música, se mexendo com um ritmo animado e fazendo seu lanche. Ela ameaça a se virar algumas vezes, e até rodou seus olhos pela cozinha, indo em direção de outros armários, nenhuma vez ela realmente me encarou de verdade e isso estava me deixando agonizada. Quando volta para o lugar onde está preparando sua comida, ela franzi a testa.

— David, você encontrou o queijo? — ela perguntou educadamente, se concentrando em seu lanchinho. Como não houve resposta, ela olha de relance para ele, e foca no que está fazendo — Amor, pega para mim o queijo. — pediu de novo e mais uma vez não obteve nenhuma resposta — Por que você não está me...

Ela inicia dizendo com uma certa impaciência, erguendo seus olhos para David. Que já fechou a boca e desviou os olhos, com um olhar longe. Isso me incomoda, porque sei o que ele está pensando. Quando os olhos castanhos-esverdeados de Marcy finalmente me encaram, foi cômico. Ela ficou pálida e totalmente perdida, só que ao invés de ficar confusa, seu rosto de contraiu e ela deu um passo à frente.

— Que porra é essa? — ela falou alto, arregalando seus olhos para mim. Foram milésimos até ela estar ao meu lado, me estudando como se eu fosse a coisa mais estranha do universo. Ela pegou no meu cabelo, olhando ele com uma cara nada boa — O que é isso, Jasmine? — vi, que estou próxima de um sermão.

Matthew continua a me olhar, mas sua cara de confusão já tinha começado a mudar, sobrando o mesmo olhar de pena. David tinha ido até a geladeira, fingindo que não está interessado no que vai acontecer, pegou o queijo e andou até onde minha tia preparava seu lanche, escolhendo terminar por ela. Ele sabe o que está prestes a vir.

— Estou estranha? — toco nas pontas dos meus cabelos, que antigamente passavam da minha bunda, e agora estava três dedos abaixo do meu ombro. Sorrio torto para Marcy, vendo-a tocar no meu cabelo, surpreendida. Seu rosto tornou a ficar preocupado, temeroso, aterrorizado. Não era como se eu não tivesse imaginado que ela reagiria de outra forma, mas pensava que poderia deixa-la menos emotiva. E agora, vejo que mal sei formular alguma explicação.  — Tia Marcy, eu só decidi mudar um pouco, afinal, já estava bem enjoada daquele cabelo. Ele combinou comigo, eu acho. É mais atual e me deixa com um ar mais leve.  — falei.

— Esse visual fez bem para você. Parece uma verdadeira colegial agora — David sorriu educadamente para mim e eu retribui. Ele sempre implicava comigo, afirmando que minha aparência era de um mendigo, era apenas brincadeira, mas as vezes sentia que suas palavras eram bem mais que isso. Minha reclusão de um ano, me deixou bem desacostumada, no entanto, esse ano voltarei a ser Jasmine Lightwood. Me preocupando com os velhos problemas, como trabalhos de escola, vida amorosa e...

Marcy permaneceu com seu rosto inexpressivo, absorta em pensamentos. Seus olhos desceram lentamente, do meu cabelo até os meus sapatos, me analisando como se eu fosse algo estranho a sua visão. Quando ela subiu o olhar, encarando meus olhos, pude enxergar o medo e a aflição. Desviei meus olhos para o chão, não aguentando a pressão de seu olhar pesado.

— Jasmine — ela falou séria.

— Tia Marcy — respondi, me forçando a olhar para seu rosto.

— Eu não entendo... por que fez isso com seu cabelo? E essas roupas são tão diferentes do seu estilo, saia? Imaginei que não tivesse a saia do colégio, porque não gostava. — ela começou a apontar tudo, exatamente tudo em mim, e era obvio que ela não tinha gostado nem um pouquinho do que fiz. Abaixei meus olhos, sentindo algo ferver dentro de mim — Essa maquiagem não está muito chamativa? Está tudo bem com você, Jas? Por que não tiver eu posso...

— Marcy, por favor — lhe cortei, levantando minha mão como sinal de “pare” — Eu sempre usei a saia do colégio, e costumava a me maquiar para eventos e dias importantes, como o primeiro dia de escola. Não venha dizer o que não é do meu feitio, porque não me conhece realmente. Você chegou em uma época que eu não era eu — ainda, eu não era eu. Não desde o acidente. Tudo dentro de mim havia mudado, eu me sentia uma completa estranha. — Essa mudança é importante para mim, porque vou voltar a ser Jasmine Lightwood.

Marcy abriu sua boca, com um olhar bastante magoado e isso fez me arrepender das minhas palavras. Eu sei que ela está se esforçando para ocupar todos os papeis dessa casa, que quer que eu e Matt tenhamos um vida normal e feliz, só que isso é tarde demais. E toda sua superproteção está me sufocando.

— Jasmine, eu não sei se é uma boa ideia você ir para escola hoje — na verdade, ela havia afirmado isso. Cerrei minhas mãos, implorando um pouco de calma para esse momento, ela só quer o meu bem — Isso é muito radical para mim, eu não sei engolir sem me preocupar, por isso peço que entenda o meu lado.

— Amor, ela só quis se arrumar um pouco mais para o primeiro dia de aula, não há nada de errado nisso — David andou até o lado de minha tia, passando seu braço pela cintura dela. Marcy olhou para ele, franziu sua testa e suspirou, como se dissesse silenciosamente que ninguém a entendia. Está errada. Porque sei que ela acha que estou tendo algum surto. — Talvez a saia seja um pouco curta demais — brincou.

Só que ninguém sorriu. Até quis agradecer por David estar no meu lado nisso, mas estou preocupada que Marcy tenha um piripaque.

— Você não entende, David! — ela se separou dele, irritada. Tive medo que ela começasse a chorar, porque se isso acontece-se, cada um diria o que está pensando durante todos esses meses e hoje definitivamente não era um bom dia para relembrar o passado. — Ela é minha sobrinha, eu cuido dela! Acha que isso não me assusta? Ontem ela estava normal, totalmente o oposto de hoje e você quer que esteja tranquila? Jasmine você devia ter pelo menos conversado comigo sobre essa mudança.

— Marcy, calma — David falou.

— Minha carona chegou, família linda — Matt se levantou, colocando seu celular no bolso da calça e sua mochila nas costas. Marcy se virou rapidamente para ele, arregalando seus olhos — Antes que pergunte, vou com o irmão do Erick e vou voltar depois das quatro. Falou! Amo vocês.

Matthew saiu correndo e Marcy gritou para que ele esperasse porque tínhamos que conversar. Mas já era tarde, ele havia batido a porta e pela janela vi que entrou em no carro, indo para escola. Soltei um riso, porque minha tia parece estar prestes enfartar. David olha com pena, acariciando seu ombro, com um sorriso de consolo.

— Jas, eu levo você para escola, é para o caminho do meu trabalho mesmo — ela me deu um sorriso nervoso. Não, o trabalho dela é na direção oposta. — Podemos aproveitar e conversar sobre essa sua mudança repentina, não é? — ela fui até a bancada, pegando a chave do carro que estava ao lado de um vaso de flores. — Mas, se achar melhor, também pode ficar em casa. Eu sei que é estressante o primeiro dia de aula.

Minha tia não parava de falar, andando pela cozinha e colocando tudo no seu lugar. Eu observei em silencio, sentindo um sentimento bom por ela se preocupar tanto comigo, mas havia um limite. Marcy só tinha vinte e cinco anos. Lhe dei um sorriso, no mesmo momento que me celular vibra. Me levanto de onde estou e tiro rapidamente meu celular, vendo pela barra de notificação que Alex e Rosalya estavam em frente da minha casa. Amém, conseguirei fugir.

— Obrigada, mas dispenso a carona. — tentei mostrar que estou perfeitamente bem e que era tolice se preocupar tanto comigo. Eu sei que fui radical demais com a mudança, e que ela estar nervosa não é por mal. Dou uma olhada pela janela e vejo o mustang vermelho com duas pessoas dentro. — Vou ir com Alex e Rosa e também vou voltar a tarde. Beijos!

Uso o mesmo plano que Matthew, saio correndo o mais rápido possível pela porta, escutando a voz furiosa de Marcy me seguir. Por sorte, cheguei no carro e no percurso do meu jardim até o veículo, vi que era um modelo antigo sem capota. Alex era quem tinha insistido para buscar nos três, que seriam, eu, Rosa e Lysandre. Ele está completamente apaixonado pelo carro novo.

Jogo minha mochila dentro do carro e pulo junto, recebendo o olhar desesperado de Alex pelo meu jeito descuidado. Marcy abriu a porta e David vinha atrás dela, pedindo para que se acalmasse, ela gritou o meu nome. Ela me deu um olhar curto, falando telepaticamente que eu não me atrevesse a sair daqui. 

— Vai logo, Alex! — disse, ele me olhou inteiramente pela primeira vez, apontando para o meu cabelo confuso e depois desceu os olhos para minha roupa — Não é hora disso! VAI!

Rosalya, que está no banco do passageiro, tomou rédeas da situação e deu partida no carro. E em seguida, Alex voltou ao comando, dirigindo na velocidade máxima, quase batemos num senhor que colocava o lixo fora, ele gritou que nos denunciaria e eu só consegui rir de tudo isso. Lysandre mora perto da minha casa, o que quer dizer que levou segundos para estarmos na frente da sua casa, dando uma bela de uma freada. Bati minhas mãos e os braços no banco de Rosalya, quase bati minha testa também.

Quando virei a cabeça para o lado, vi que Lysandre estava parado com uma expressão confusa, nos olhando como se fossemos loucos. Ele está vestido com o uniforme e uma alça da mochila no ombro direito, bem arrumado como sempre. Não sei por qual motivo estou me sentindo bem, talvez porque fugir de Marcy e sair com um carro desgovernado pelas ruas foi divertido.

— O que aconteceu? — Alex indaga, meio que se referindo a tudo, minha aparência, minha fuga de tia Marcy, e eu estar rindo igual uma idiota. Rosalya se vira para mim, com as sobrancelhas arqueadas, mas logo fica perplexa quando me vê. — Meu Deus, eu quase atropelei uma pessoa e você está rindo, Jasmine? E qual é disso tudo? Meu Deus — ele me olhou perdido. — Imagina que desastre, eu bater o meu carro na primeira vez que saio com ele.

— É algo que acontece em grande escala, levando em conta, que as pessoas ainda estão em processo de adaptação. — Lysandre falou no sem tom terno, abrindo a porta e se sentando ao meu lado com sua impecável postura. Sorri por vê-lo, fazia alguns meses que não nos falávamos. — Acho bem irresponsável você estar dirigindo dessa forma pelas ruas, Alex.

— O QUE? — Alex falou indignado — A maluca da Jasmine saiu correndo da casa, com a tia dela a perseguindo e começou a dizer para eu ir logo, e ai a Rosalya, outra doida, pulou em mim e deu partida no carro. Fiquei sob pressão, eu sou a vítima, Lysandre! — ele se defendeu, com o rosto vermelho, quase tendo um treco.

Os olhos bicolores de Lys caíram sobre mim, me avaliando cautelosamente como ele sempre faz, desceram pelo meu corpo e subiu para o meu cabelo, pegou uma mecha e estudou. Fiquei mais nervosa com toda essa analise dele, parecia que ele não tinha gostado.

— Vamos logo — pediu, com a voz baixa, optando em olhar para frente. Meus olhos foram para Rosalya, que estava deslocada, mexendo no seu cabelo platinado com aflição. Desde que ela e Lysandre se desentenderam, não trocaram nenhuma palavra. Eu queria ajuda-los, entretanto, mal conseguia me entender, como entenderia outras pessoas? — Não quero me atrasar.

O clima ficou pesado e mesmo que estivesse estampado na cara de Alex e Rosa que eles queriam saber detalhadamente o que estava acontecendo, voltaram para seus mundos. O carro, agora numa velocidade adequada, de moveu pelas ruas calmas, mantendo um silencio reinante.

Não era surpresa para ninguém Lysandre ser apaixonado por Rosalya, isso era um fato desde que estávamos na oitava série. Só que ela sempre se distanciou do assunto, ria, mudava de assunto, e quando a perguntavam se ela sentia algo mínimo por ele, ela não soube responder, todos achavam que era timidez da parte dela e incentivamos Lysandre tomar a inciativa. Eles eram próximos demais, ou seja, melhores amigos, onde eu e Alex não cabíamos. Por esse caso, virei a melhor amiga de Alex e ele o meu.

Mas, um dia, simplesmente um escândalo aconteceu. Foi um caos total. Lysandre tinha entrado no quarto de seu irmão Leigh, em uma madrugada, porque quando estava indo ao banheiro, acabou escutando uma voz que reconheceria até o fim de sua vida. Leigh e Rosalya estavam em uma cena bastante comprometedora, e algo que nunca pensei que aconteceria houve. Lysandre, o menino de ouro, que jamais partiu para má ética, surtou e bateu no irmão. Foi uma briga feia, que gerou um olho roxo para Leigh e hematomas em Lys.

Leigh era, como Rosalya, uma das pessoas mais próximas de Lys, ou seja, ele sabia que seu irmão era completamente apaixonado por Rosa. Foi assim, que entendi, que o silencio de Rosa era porque ela estava em uma relação escondida com o irmão mais velho de Lysandre. Não sabia o que pensar na época, não entendia o motivo dela não contar nada para nós. E só pelo fato dela ter dado esperanças para ele, como aceitar os encontros, flertar, e até permitir um beijo, me entristeceu.

Quando conversamos, ela explicou que estava dividida entre os dois. Mas, no final percebeu que sente apenas amizade por Lysandre, que era estranho ter algo a mais que isso. Já Leight a fazia flutuar, sentir as melhores sensações do mundo.

Isso gerou uma separação no nosso quarteto. Eu virei um ombro amigo para o coração partido de Lys, que muitas vezes tentava esconder o que sentia. Alex ficou com Rosa, mesmo que estivesse na mesma situação que eu, bravo por ela ter alimentado algo que não existia, mesmo assim não a julgou verbalmente, a defendeu. Isso aconteceu durante nossas férias. Desde então, ele acabou se isolando da família e dos amigos, apenas confiou em uma pessoa para se compartilhar, Castiel.

E para ele estar aqui, Alex teve que implorar.

Estacionamos em uma vaga distante para caramba, pois as outras da escola, já estavam ocupadas. Havia gritos por todo o ambiente, casais se beijando por várias partes, atletas mostrando orgulhosamente seus uniformes e líderes de torcidas exibindo seus belos rostos, brigas, bullying e tantas coisas que as escolas podem oferecer de melhor.

Lysandre foi o primeiro a sair, indo na direção de seu amigo ruivo, que fumava perto de uma árvore. Rosa o seguiu com o olhar, torcendo seus lábios com pesar, ela sentia muita falta dele. Alex parou ao meu lado, admirando seu carro novo, eu fiz o mesmo, optando em deixar minha mente fugir um pouco da escola.

— Carro novo, Williams? — questionou alguém.

Me virei e vi que Ambre e suas duas amigas olhavam astutamente para o veículo vermelho, trocando olhares maldosos. Se a escola é uma hierarquia, a minha frente está a rainha dela. Confiante, cruel e com uma beleza invejável, Ambre Jones é a abelha rainha de tudo isso aqui e eu, seria como uma plebeia.

Alex piscou algumas vezes, desviando o olhar. Ele não gostava nem um pouco de Ambre, por ser uma garota tão nojenta e todos os seus feitios pelos longos anos nessa escola. Rosalya andou para perto de nós, pronta para nos defender caso a loira cacheada atacasse, não que não soubéssemos fazer isso, mas as duas tinham uma rivalidade desde sempre. Penso que é porque Rosalya é dona de uma beleza impressionante, gentil e adorada por muitos.

— É.

— É charmoso e bastante original, pelo menos nesse estacionamento — ela soltou um riso, que apenas suas sombras acompanharam — Está trabalhando de cozinheiro naquela lanchonete perto do shopping, certo? Vi você quando fui comprar batatas.

Alex deu um sorriso.

Pela expressão de Ambre, ela havia perdido todo o interesse nele e agora procurava algo mais divertido. Ela abriu espaço, olhando para mim e a platinada, descendo seus olhos críticos. Fiz o mesmo, vendo que vestia a mesma saia que nós, a mesma camisa branca, e seu cabelo todo trabalhado em cachos.

— Jas! Que bom te ver, fiquei com saudades de você — ela andou até mim, com um sorriso simpático, me abraçando com carinho. Dei um meio sorriso, me sentindo desconfortável com os olhares denunciantes na minha direção — Como foi suas férias? Devíamos ter marcado algum rolê, né? Mas pode ir na minha casa quando quiser, é só chamar, gata — ela deu um sorriso e as duas sombras assentiram, afirmando o mesmo que a líder. Ambre arregalou os olhos — Ah! Antes que eu me esqueça...

Ela abriu sua bolsa, procurando alguma coisa dentro e após um breve tempo, ela pegou uma pasta cor-de-rosa, que contém suas iniciais. A pasta tinha algumas figurinhas de unicórnios e pandas, devem ser da época que Ambre era do fundamental. Ela abriu-a e guardada nela tinham envelopes vermelhos. Não tive que pensar muito para saber do que se tratava, afinal, aqueles envelopes eram muitos famosos no início, meio e fim de ano. Quem os recebe-se automaticamente subiria na hierarquia, o que fazia muitos desejarem arduamente eles. Os recebi duas vezes no ano passado. Alex quatro e Rosalya... bem Ambre detesta Rosalya.

Ela sorriu quando viu um em especial, o pegou e me olhou com um semblante orgulhoso. Com a mesma cara, olhei para ela. Esticou sua mão, me entregando o envelope, o peguei, lendo o meu nome escrito a mão e com um coração no final.

— Eu espero que você vá esse ano. Sua presença é muito importante para mim — ela tocou no meu ombro, com intimidade e seu sorriso encantador. Ela abaixou seus olhos e pegou mais dois envelopes — Esses são para você, Alex. Um festa sem você não é festa! — falou, fingindo entusiasmo.

— Com certeza! — Alex sorriu, olhando para o envelope.

— E esse é para você, Rosa — ela deu para a platinada, que franziu a testa e pegou com uma certa curiosidade — Amigos da Jasmine, são meus amigos. Quero ver todos vocês sábado à noite. — para não ser mal educada, assenti, dando um joinha. Ela me olhou cuidadosamente mais uma vez e disse, com a voz baixa e terna: — Que bom que está voltando a ser a Jasmine de sempre. Está linda e Hector não conseguiu tirar os olhos de você desde que saiu do carro. — ela beijou meu rosto — Até loguinho, amada.

Ambre não deixou que eu dissesse nada, saindo com suas amigas. Engoli em seco, não pensando que em algum lugar Hector estava me olhando, porque se meu olhar encontrasse ao dele, meu dia acabaria. Balancei a cabeça, e olhei para os meus amigos que discutiam sobre o que acabou de acontecer. Quais eram as intenções de Ambre, e os possíveis planos maléficos que ela estava colocando em ação, eu escutei cada um deles, esperando que logo diriam o que realmente eram, mas não houve. Acabei deixando meu olhar cair, em um carro com muitas pessoas em voltas, devem ser os atletas, eles sempre tem muita companhia.

No meio daquelas pessoas, vejo um cabelo extremamente escuro e isso faz o meu coração acelera, crescendo uma sensação que há um ano não sinto. Minha pele queima e minha respiração se torna pesada. O dono do cabelo negro-curto, vira algumas vezes para o lado, me possibilitando ver apenas a metade de seu rosto, e não cooperam nada ter muitas pessoas em sua volta. Até que ele para de sorrir. Olho para os lados como se procurasse alguém e não sei por qual motivo, mas sei que logo, alguma hora, seus olhos vão se encontrar aos meus. Eu sei que isso vai acontecer.

‘Jasmine!’

Uma voz me chama. Olho para Alex e Rosa, esperando que seja eles que me chamaram, mas eles continuavam a falar sobre Ambre e seus envelopes. Meus olhos percorrem ao redor, mas ninguém me olha, será que imaginei essa voz? Volto meus olhos o mais rápido possível para o dono dos cabelos negros e então, ele para de procurar, e vira-se diretamente para mim.

Nesse instante, Rosalya me cutuca, chamando-me, me impedindo de olhar para esse garoto do carro. Toda a atmosfera pesada vai embora, meus pulmões voltam a funcionar e minha pele não queima mais, a sensação de ter alguém me chamando vai embora também. Sinto um alivio correr por mim. No entanto, não deixo de pensar que todas essas sensações são as mesma do ano passado, as mesma que senti depois do acidente.

— O que? — balanço minha cabeça — O que eu acho sobre os envelopes? — penso na pergunta, focando minha atenção neles — Acho que não há planos dessa vez. Ambre só acha que está fazendo uma boa ação me chamando de amiga e me convidando para sua festa. Ela quer que eu vá, para todos acharem que ela é acolhedora com vítimas como eu.

— Ela me odeia e me chamou! — retruca Rosa.

— Como disse, ela quer que eu me sinto bem em sua presença, chamando meus amigos, vai fazer ela ganhar uns pontos comigo, acho — dou de ombros. Ambre havia me convidado ano passado pela primeira vez, depois da morte dos meus pais. Nunca havíamos conversado, mas a partir disso, ela sempre tanta me incluir em tudo. — Eu não vou de qualquer forma. Tenho que me empenhar em outras coisas e me envolver com Ambre não é exatamente um bom jeito de tomar rumo. 

Vou andando em direção da escola, assim como outros alunos estavam fazendo.

— Eu não gosto dela, mas é uma boa ir em uma festa assim. Principalmente as da Ambre, é como se portas se abrissem para você. — Alex argumentou, andando comigo e Rosa vinha ao seu lado. Entramos na escola e logo alguns olhares caíram sobre mim, especialmente na minha perna esquerda. Ignorei os olhares. — Vamos lá, Jas. Vamos usar ela. Podemos ser muito populares aqui.

— Vocês já são. Pelo menos não estão na base — disse. Os corredores estão cheios, e vozes por toda parte, tanto que preciso estar bem próxima dos dois para eles ouvirem. Com certeza não sentia falta dessa parte — Rosalya é linda, e tem quase quatro mil seguidores no instagram, seguindo uns trezentos. É destaque no clube de debate, os professores a amam. Alex, você é do teatro e desde a apresentação do primeiro ano do “Lago vermelho e sol azul” você fez muito sucesso pela escola. Tanto que foi ai, que Ambre começou a convida-lo para as festas. Não reclamem que não são populares, porque se alguém aqui pode fazer isso, sou eu.

— Claro que não! As pessoas gostam de você — Rosalya afirmou depois de um tempo de silencio entre nós.

Cheguei em frente ao meu armário, o abrindo. A foto de nosso quarteto estava na porta metálica, me arrancando um sorriso. Parecia que essa foto tinha sido tirada a muito tempo, todos estávamos felizes por ter entrado no ensino médio. Bons tempos. Coloco um caderno meu dentro do armário, guardo meu carregador do celular e por fim, lá no fundo, coloco o envelope vermelho. Ambre e eu éramos coisas opostas, por isso não consigo imaginar nós duas amigas. Era falsidade demais para mim.

— Elas não gostam de mim. Sentem pena pelos meus pais terem morrido de um jeito brutal, e a outra metade, me conhece por ser a antiga namorada de Hector, a estrelinha do time. — digo — Quero voltar a ser apenas eu, não a Jasmine do Hector, a Jasmine que perdeu os pais, ou a Jasmine-zumbi. Só eu. Por isso decidi que esse ano, vou esquecer de tudo e criar boas memorias do ensino médio. Comecei pelo meu visu — gesticulei com a mão, referindo o meu corpo — Depois vou melhorar minha habilidades de artistas, minhas notas que caíram no fundo do poço ano passado, vou socializar com pessoas decentes. E talvez encontrar um namorado, mas isso está no fim da lista.

— Olhe para o lado bom — Alex começou — Você escolheu bem, iniciando pela sua aparência. Não aguentava mais andar com uma mendiga — revirei meus olhos para ele, mostrando o dedo do meio. Antes de fechar meu armário, olhei para o espelho dele, vendo meu reflexo totalmente mudado do que estava de manhã. As olheiras bem escondidas, um batom forte nos lábios, que precisam se retocados, o cabelo ajeitado. Estou uma Jasmine-bonita e esse me agrada. Tinha relaxado no último ano, e isso acarretou muitas coisas ruins. — Estou brincando. Vi que tinham bastante pessoas te encarando, isso causou impacto. Graças a Deus, tomo juízo, e está essa gata irresistível.

Sorrio.

O sinal toca e com isso, está indicando que todos se desloquem para ouvir o belíssimo discursos da nossa amada diretora. Não sinto nenhuma vontade em ir para lá, mas não tenho escolha. Com isso, logo nós três estamos caminhando junto a centenas de alunos pelos corredores. Chegando, no lugar onde a escola dispõem para as apresentações de teatro. Alex está na frente e escolhe os lugares no meio. A diretora caminha passo a passo com confiança, com seu coque bem arrumado, as roupas sociais bem postas. Se coloca atrás de um microfone e cala todas as vozes do salão.

— Sejam todos bem-vindos para mais um ano espetacular! — a senhora fala e Alex diz juntamente com ela essas palavras. Rosalya solta uma gargalhada, recebendo vários shiu em resposta, eu sorrio, sempre é o mesmo discurso. Por isso não dou tanta atenção para a falatório da diretora. Brinco com o meu cabelo, com minhas unhas sem esmaltes e mexo rapidamente no meu celular, tudo para passar o tempo mais rápido. E quando acho que faz uma eternidade, os agradecimentos de professores vem, depois alguns antigos alunos que estão na universidade discursam sobre a força de vontade e dedicação aos estudos. Depois de muito tempo, a senhora dá uma pausa, sorri e diz: — Com muito prazer, Rivendells volta as aulas.


Notas Finais


Estou morrendo de medo de suas reações, ai, ai.

Beijos e se der certo a ideia, até loguinho <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...