História Estudo do Apocalipse - Capítulo 10


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Categorias Originais
Tags Bíblia, Cristo, Estudo, Jesus, Revelaçoes
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Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Leiam esse capítulo com atenção! É muito importante!

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Capítulo 10 - Carta À Igreja em Laodiceia


Fanfic / Fanfiction Estudo do Apocalipse - Capítulo 10 - Carta À Igreja em Laodiceia

Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Apocalipse 3.14-22)

Historicamente, a cidade de Laodiceia se localizava a Sudeste de Filadélfia, nas proximidades de Colossos. Era uma velha cidade da Frígia, que originalmente se chamava Dióspolis e depois Rheos. Só mais tarde recebeu o nome de Laodiceia, em honra a Laodice, a maquiavélica mulher do rei sírio Antíoco II. Era uma cidade extremamente rica e famosa, por ser um centro comercial e bancário. Possuía uma fabulosa reserva financeira, além de uma notável indústria de ricas vestes e tapetes de lã, e uma escola de Medicina, onde era produzido um remédio para o tratamento de doenças oculares.

Podemos observar nestas características de Laodiceia que há uma independência em se tratando da sua fé cristã. A sua riqueza era tão expressiva, que a fé em Deus ficava em segundo plano. Era como algo ligado apenas a uma tradição. Daí a razão pela qual confessa a sua riqueza e independência, dizendo: “...Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma...” (Apocalipse 3.17).

No ano 62 da Era Cristã, a cidade de Laodiceia, juntamente com Hierápolis e Colossos, foi destruída por um grande terremoto. Devido à sua grande riqueza, no entanto, pôde ser reconstruída. A sua reconstrução foi tão rápida e completa, que ao tempo em que o apóstolo João recebeu a revelação do Apocalipse na Ilha de Patmos, aproximadamente no ano 85 d.C., essa terrível catástrofe já havia sido esquecida.

No ano de 1402, novamente Laodiceia foi destruída, mas dessa vez pelos exércitos de Timur-Lenk, conquistador mongol. Hoje, encontram-se no seu lugar somente ruínas, chamadas de Eski-Hisar, que significa “castelo antigo”. Essas ruínas são nada mais que testemunhas melancólicas da glória terrena passada.

Espiritualmente, a cidade de Laodiceia nos faz lembrar das metrópoles dos países do chamado Primeiro Mundo, onde a riqueza das indústrias, do comércio e do setor de prestação de serviços se concentra nos grandes bancos. Isso lhes tem feito opulentas e orgulhosas, em contraste com as demais cidades do chamado Terceiro Mundo, onde a miséria e a fome fazem exalar o cheiro da corrupção e das injustiças sociais.

As facilidades, os encantos e o conforto do Primeiro Mundo têm impelido suas sociedades para o comodismo espiritual. O farto entretenimento tem embriagado a alma dos seus povos a tal ponto, que a Palavra de Deus passa desapercebida de quase todos. A liberdade tem se confundido com a promiscuidade, somando-se a esta degradação moral as centenas de milhares de crianças que já nascem órfãs e crescem sem a ternura e o carinho dos pais. A maioria delas, quando não são adotadas pelo narcotráfico, são pela prostituição. Penso que os habitantes de Sodoma e Gomorra ficariam corados de vergonha, se vivessem nos dias de hoje nessas grandes cidades.

Pois bem, a igreja em Laodiceia se encontrava no meio dessa cidade abastada, com tudo o que o mundo podia lhe oferecer, porém nada daquilo que o Senhor Jesus queria lhe dar. A verdade é que como o ser humano foi criado à imagem de Deus, ele também é constituído de uma trindade: corpo, alma e espírito. E assim como o corpo físico se alimenta de alimentos naturais, e a alma de amor, também o espírito só se alimenta e se desenvolve através da meditação na Palavra de Deus.

O espírito humano é a base do corpo e da alma, da mesma forma como os alicerces são a base de uma casa. Se ele está bem fundamentado na Palavra de Deus, então a alma e o corpo terão apoio para se desenvolver plenamente, cada um com o seu alimento próprio. E é a partir daí que a criatura humana volta a ser perfeitamente segundo a imagem de Deus. Se, porém, essa ordem natural não se estabelecer, toda a estrutura da vida humana estará em risco de sobrevivência. E é exatamente nesse aspecto que o diabo tem obtido vantagens sobre a humanidade, pois, sabendo que o espírito humano alicerçado fortemente na Palavra de Deus consequentemente dará condições para a alma e o corpo, ele procura distrair a alma com entretenimentos e satisfazer aos caprichos da carne com pecados. Tudo isso para tentar impedir que o espírito venha a ter alguma pretensão na meditação da Bíblia. Esta é uma das razões pelas quais o quadro espiritual das igrejas das cidades mais abastadas economicamente é também o mais fracassado.

Cremos que Laodiceia simboliza a Igreja dos últimos tempos; portanto, a Igreja atual. O Senhor Jesus, dirigindo a Sua carta ao responsável por essa igreja, aponta somente características negativas:

1) Obras mornas.

2) Tão rica e abastada materialmente falando, que acha que não precisa de coisa alguma espiritual.

3) Desconhece a sua infelicidade, a sua miséria, a sua pobreza, a sua cegueira e a sua nudez.

A Igreja do Senhor nestes últimos dias, de um modo geral, é a Igreja de ostentação material, mas de desgraça espiritual. Ela é poderosa política e economicamente, porém pobre, miserável, cega e nua espiritualmente. A nuvem de doutrinas satânicas que ela tem abraçado e anunciado mostra claramente a sua condição de calamidade. Essas doutrinas têm sido um engodo do diabo para a semente pentecostal.

Da mesma forma o ecumenismo, que procura amarrar, através de uma aliança, todas as religiões. Montado no cavalo branco, o anticristo tem saído pelo mundo, apregoando a união entre todas as religiões. Só que esta união nada mais é que uma armação satânica para isolar e rotular de rebeldes e hereges os que perseveram em guardar a Palavra do Senhor Jesus, como se fosse uma nova Inquisição.

Infelizmente, muitos evangélicos, que já perderam totalmente a visão da vontade de Deus, têm caído nessa arapuca, unindo-se aos inimigos da cruz, em um plano ardilosamente arquitetado pelo diabo, numa tentativa de destruir totalmente a Igreja do nosso Senhor Jesus Cristo. Assim tem sido a Igreja nestes últimos dias, compromissada com as trevas, em nome de uma suposta paz universal!

A revelação de forma tríplice que o Senhor Jesus Cristo faz de Si mesmo à igreja em Laodiceia é a seguinte: “...Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Apocalipse 3.14). Vejamos:

Primeira: “...Estas coisas diz o Amém...” – durante o Seu ministério terreno, o Senhor Jesus nunca fez tal afirmação. Mas agora, depois de ter sido ressuscitado e exaltado pelo próprio Pai, Ele tem a autoridade de Se revelar como o “Amém” personificado. O Espírito Santo já havia revelado esta condição do Filho para o apóstolo Paulo, ao dizer: “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio” (2 Coríntios 1.20).

O Senhor Jesus é o Amém! Entre Ele e a Sua Palavra não há abismo, não há fronteiras nem barreiras:

...Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?” (Números 23.19).

Portanto, o Senhor Jesus é o “Assim Seja” em Pessoa! Qualquer um que duvide da Palavra de Deus duvida da Pessoa do Senhor Jesus. E qualquer outro que acrescenta, ou subtrai, uma palavra da Bíblia fere a Pessoa do Senhor Jesus. Além disso, a palavra “amém” significa não apenas “assim seja”, mas também um juramento.

Segunda: “...a testemunha fiel e verdadeira...” – o Senhor Jesus é a Testemunha fiel e verdadeira porque veio a ser, na cruz do Calvário, o cumprimento do juramento de Deus por Si mesmo, como está escrito:

...visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo” (Hebreus 6.13).

Daí ter Ele o direito de ser a Testemunha fiel e verdadeira, tendo em vista ter sido Ele mesmo o Cordeiro sacrificial. O Amém, que personifica o juramento que Ele mesmo cumpriu no Calvário, deve despertar a igreja em Laodiceia, que é morna.

Terceira: “...o princípio da criação de Deus” – o apóstolo Paulo, na sua carta aos cristãos da cidade de Colossos, chama o Senhor de “...o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas...” (Colossenses 1.15,16).

Isto se refere à primeira existência de toda a Criação de Deus. E na verdade Ele é a origem e o princípio de todas as criações de Deus, como foi revelado ao apóstolo João: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (João 1.3).

Isto diz respeito também à Sua ressurreição. Ele é o Primogênito da nova criação, da nova vida. Que enorme contraste há entre Ele e a igreja em Laodiceia! O apóstolo Paulo travou uma luta especial pelos crentes de Laodiceia, como afirma aos de Colossos:

Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face; para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.” (Colossenses 2.1-3)

Paulo devia ter conhecimento de que os membros da igreja em Laodiceia tinham se afastado do primeiro amor. O coração deles estava doente. Paulo devia estar sentindo as dores daquela situação.

Sim, pois como Colossos e Laodiceia eram cidades vizinhas, ele queria que os “crentes” de Laodiceia também tomassem conhecimento da sua carta aos colossenses, pois fala: “E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodiceia, lede-a igualmente perante vós” (Colossenses 4.16).

A Igreja do Senhor Jesus se encontra hoje em uma situação decisiva, pois vivemos tempos finais, de independência espiritual, de justiça própria e de materialismo. O espírito que paira sobre a Igreja hoje é o mesmo que em Laodiceia: o de orgulho. Daí ser a igreja em Laodiceia a única que tem a petulância de dizer:

...Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma...” (Apocalipse 3.17).

Ela dá testemunho de si mesma e se exalta. É assim a Igreja dos últimos tempos, contaminada pelo espírito da Babilônia. Nabucodonosor, imperador da Babilônia, fez exatamente o mesmo quando, com orgulho, disse: “...Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade?” (Daniel 4.30).

Acreditamos que a grande Babilônia será restabelecida nos tempos finais, sob a forma de império mundial romano. Na sua liderança estará o anticristo, que vai exaltar a si mesmo e se apresentar como deus. Daí a razão do ecumenismo! Mas o apóstolo Paulo já havia alertado:

Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.” (2 Tessalonicenses 2.3,4)

O louvor próprio e o engano são as características da Babilônia. Vejamos ainda que ao mesmo tempo em que o Senhor acusa Laodiceia, também lamenta, dizendo: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!” (Apocalipse 3.15).

Em outras palavras, “Quem dera fosses totalmente incrédulo ou ardentemente cristão!”. Ou uma coisa ou outra! Quem dera que a fronteira estivesse claramente estabelecida! Eis a razão pela qual muitos cristãos estão vivendo de desgraça em desgraça: porque não assumiram ainda uma posição definida da sua fé! Estão “meio cá e meio lá”, “meio barro, meio tijolo”. Tentam ser “mais ou menos cristãos”; mais ou menos praticam a Palavra de Deus e mais ou menos servem a Ele. E o pior é que desconhecem o fato de que o Senhor Jesus Se encontra totalmente do lado de fora dos seus corações, como afirma: “Eis que estou à porta e bato...” (Apocalipse 3.20).

Ora, quem está à porta batendo é porque está do lado de fora. É isto o que acontece com a maioria dos que se dizem crentes, e também aconteceu com Sansão, pois a seu respeito está escrito: “...porque ele não sabia ainda que já o Senhor se tinha retirado dele” (Juízes 16.20). No caso de muitas pessoas que se dizem crentes, entretanto, a verdade é que o Senhor nunca esteve realmente com elas.

Quantas igrejas hoje em dia, supostamente cristãs, têm expulsado o Senhor Jesus dos seus cultos, para darem lugar ao formalismo e à pompa religiosa? Elas têm a Bíblia, o batismo, a Santa Ceia, o culto, menos a presença do Senhor da Igreja! E isto também tem ocorrido com muitos que se dizem cristãos. Aceitaram o Senhor Jesus como Salvador, leem a Bíblia, fazem orações e jejuns, frequentam a igreja e são até dizimistas, mas fazem tudo isto apenas com a sua capacidade intelectual, pois sabem que a desobediência à Palavra de Deus produz morte eterna. E como não querem ir para o inferno, praticam algumas partes da Bíblia apenas como desencargo de consciência. Não é difícil pagar o dízimo. Ganhar cem e pagar dez não é grande coisa! Seria difícil, sim, ganhar dez e pagar cem! Também não é “coisa do outro mundo” ir à igreja, passar pelo batismo nas águas, ler a Bíblia, orar e praticar a religião evangélica. Tudo isso é muito simples de se cumprir. Porém, orar pelos inimigos, perdoar os ofensores e ter consideração para com eles, isto sim, é difícil! É aí que está a diferença entre o trigo e a palha!

Não resta a menor dúvida de que há muitos crentes que têm confessado o que está escrito na Bíblia, mas, na prática, a Pessoa do Senhor Jesus nunca fez parte da vida deles! O cristianismo para estes tem sido apenas teórico, e, como consequência, também são teóricas as promessas de Deus nas suas vidas!

Enquanto à igreja em Esmirna é prometida a coroa da vida, a igreja em Tiatira é exortada a conservar o que tem, até que o Senhor venha. Enquanto os cristãos em Sardes são advertidos a vigiarem, se não quiserem ser surpreendidos pela vinda repentina do Senhor, a igreja em Filadélfia recebe a promessa de que será guardada da Grande Tribulação.

A igreja em Laodiceia, entretanto, é ameaçada de ser vomitada pela boca do Senhor. É verdade que esta igreja não apresenta pecados graves como algumas outras, porém o fato de ser morna causa um mal-estar tão grande ao Senhor glorificado, que Ele fica a ponto de vomitá-la. Se ela fosse fria, então estaria morta, mas poderia apresentar uma chance de ressurreição, e o Senhor poderia ser invocado por ela. Se fosse quente, estaria em perfeita comunhão com Ele, mas como é morna, o que poderia o Senhor fazer por ela?

Nada, absolutamente! O Senhor Jesus só pode salvar aquele que reconhece o seu estado de perdição. Caso contrário, nada pode ser feito. Um exemplo disso é que durante o Seu ministério terreno, o Senhor Jesus passava entre aqueles mais necessitados, mas só quando O invocavam é que eles eram atendidos. O Senhor diz à igreja em Laodiceia:

Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.” (Apocalipse 3.16,17)

Esta confissão de riqueza e abastança aponta o coração orgulhoso e avarento daqueles que viviam em uma cidade de grandes negócios, e que ganhavam muito dinheiro. Devido à riqueza dos seus membros, a igreja em Laodiceia poderia se dar ao luxo de nem precisar pedir ofertas, porque estas eram abundantes, e isto a tornava rica e abastada. Porém quanto mais dinheiro a igreja ajuntava, mais avarenta também se tornava. A sua riqueza era, assim, um laço para o seu coração. A multiplicação das riquezas pode ser encarada como uma armadilha, se não houver o cuidado de mantê-las fora do coração. Por isso, o rei Davi disse: “...se as vossas riquezas prosperam, não ponhais nelas o coração” (Salmos 62.10). Não é que as riquezas sejam más, mas sim que não se pode colocar nelas o coração, para não se perder a vida eterna. Só se coloca o coração na fé no Senhor Jesus Cristo.

Quando uma determinada igreja é pobre economicamente, preocupa-se com os pobres, mas quando é rica, como a de Laodiceia, deixa a sua humildade para se estabelecer ao nível dos ricos e considerados grandes em sabedoria neste mundo. Paradoxalmente, em Esmirna a igreja pobre e humilde se torna rica diante de Deus, e a rica e orgulhosa igreja em Laodiceia se torna pobre e miserável.

O tipo de trabalho executado pelo responsável pela igreja em Laodiceia é o mesmo de muitas igrejas de hoje, tão preocupadas “com a pesca do salmão”, que lhes dará condições econômicas e prestígio, que se esquecem das “sardinhas”! E isso tem desagradado profundamente ao Senhor, que veio para salvar a todos. A partir daí, a Igreja desses últimos dias tem perdido totalmente a visão da vontade de Deus. Ela é rebelde, contraditória e não teme ao Senhor. Por isso mesmo está tomada pela cegueira da situação em que se encontra, a qual o Senhor revela, dizendo: “...e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Apocalipse 3.17).

O ditado popular “o pior cego é aquele que não quer ver” foi tão real para a igreja em Laodiceia quanto para a Igreja dos dias atuais! Aqueles que se “convenceram” ao cristianismo têm acreditado que os seus conhecimentos bíblicos são capazes de justificá-los, e até admiti-los na presença de Deus. Além disso, a sensação do bem￾estar material faz com que eles pensem que o Senhor tem aprovado a condição espiritual em que vivem.

O desconhecimento da própria situação já é um sintoma de cegueira espiritual proveniente da indiferença à prática da Palavra de Deus, e a consequência disto é a apatia, o conformismo e a mornidão espiritual. Por isso o salmista orou: “Tomara sejam firmes os meus passos, para que eu observe os teus preceitos” (Salmos 119.5). Em outras palavras, é preciso haver firmeza de propósito e determinação nas coisas referentes ao Reino de Deus, para que então se possa praticar a Sua Palavra.

Quando, porém, o coração está firme na busca das riquezas deste mundo, o Reino de Deus fica em segundo plano, e, consequentemente, a prática da Sua Palavra também. E por aí vem a desgraça espiritual. A igreja em Laodiceia começou quente, como muitas igrejas hoje em dia; com o decorrer do tempo, entretanto, foi desviando a sua visão do objetivo principal e eterno, em virtude do vislumbre de outro alvo passageiro e curto, que é o econômico.

A conclusão é que trocou a visão da vontade de Deus pela sua visão empresarial do mundo, ou seja, tinha conhecimento da Palavra de Deus, mas, pelo seu livre-arbítrio, preferiu praticar a sua própria vontade. Daí a razão de ser morna. O Espírito Santo, por intermédio do apóstolo Paulo, adverte a todos os cristãos:

Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, também não te poupará. Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte, também tu serás cortado. Eles também, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; pois Deus é poderoso para os enxertar de novo.” (Romanos 11.21-23)

Esses “ramos naturais” representam Israel. Deus não poupou o povo rebelde de Israel: expulsou-o da Terra Prometida e o espalhou por todo o mundo. A História registra a sua peregrinação pelo mundo e conta acerca do seu sofrimento e da sua dor entre estranhos. Mesmo depois de tanto tempo, ao voltar à sua terra, vemos o povo de Israel humilhado no seu próprio chão, por não ter o direito de construir a sua maior glória: o templo de adoração ao seu Deus. No seu lugar está uma mesquita. E se o Deus Vivo não poupou o Seu povo escolhido, também não poupará os cristãos mornos.

Sabemos que aquilo que se vomita não se toma novamente. Por isso, a misericórdia divina é tão infinita que dá tempo para o arrependimento. Sim, pois o Senhor afirma: “...estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (Apocalipse 3.16).

Significa que Ele ainda não vomitou. Aqueles que se encontram acomodados na fé devem colocá-la em prática imediatamente, ou então serão vomitados! O Senhor diz ainda: “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.” (Apocalipse 3.18)

Há dois tipos de riquezas: a espiritual, constituída de ouro refinado pelo fogo divino, e a material, constituída do ouro deste mundo. A igreja em Laodiceia estava acostumada a comercializar o ouro que enriquece materialmente, e a desprezar a riqueza espiritual. Por isso ela era rica diante do mundo, mas pobre diante de Deus.

Sob este mesmo aspecto temos as figuras de Abraão e Ló. Dizem as Sagradas Escrituras que: “...a terra não podia sustentá-los, para que habitassem juntos, porque eram muitos os seus bens; de sorte que não podiam habitar um na companhia do outro”(Gênesis 13.6). Então, disse Abraão a Ló:

“Acaso, não está diante de ti toda a terra? Peço-te que te apartes de mim; se fores para a esquerda, irei para a direita; se fores para a direita, irei para a esquerda. Levantou Ló os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, como quem vai para Zoar. Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu para o Oriente; separaram-se um do outro.” (Gênesis 13.9-11)

Quando se tem posse da riqueza espiritual, não se faz absolutamente questão de disputar a riqueza material com quem quer que seja, pois a riqueza espiritual dá acesso a toda a riqueza material, independentemente das circunstâncias. O lugar onde vive; a cultura; a raça; o sexo; a idade; nada, enfim, pode impedir a pessoa na conquista da riqueza material, quando ela está de posse do ouro refinado pelo fogo, que é a glória de Deus, oferecida pelo Senhor Jesus.

Abraão tinha a posse da riqueza espiritual, e isto era suficiente para ele! Por isso podia se dar ao luxo de deixar Ló escolher a parte que aos olhos humanos era a melhor. Ele até tinha o direito de escolher primeiro, mas preferiu ser o último. E Ló, sem a glória de Deus, levantando os seus olhos carnais, optou pela parte que, aparentemente, era a melhor. Mais tarde, teve de sofrer as consequências, por ter julgado e optado pela vontade da carne. Quem quiser tomar posse desse ouro refinado pelo fogo, enriquecer-se da glória do Senhor Jesus e tomar posse de tudo o que Lhe pertence, basta se render a Ele de corpo, alma e espírito. É só seguir o Seu conselho: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (Lucas 14.33). É tudo ou nada!

Ou a pessoa se entrega a Ele cem por cento, amando-O acima dos pais, dos filhos, do marido ou da mulher, acima da sua própria vida, e passa a ter esse ouro refinado pelo fogo, ou então vai morrer nos seus pecados e sofrer o castigo eterno. O Senhor Jesus mesmo disse: “O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas; e, tendo achado uma pérola de grande valor, vende tudo o que possui e a compra” (Mateus 13.45,46).

Voltemos ao conselho do Senhor Jesus para a entrega total pelo ouro refinado no fogo do Calvário:

Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.” (Apocalipse 3.18)

Provavelmente as três maiores fontes de riqueza da cidade de Laodiceia eram os seus bancos, a produção de lã e a produção do remédio para os olhos. Daí a razão pela qual o Senhor Jesus aconselha a igreja naquela cidade a comprar dEle, isto é, a “comercializar” com Ele o ouro, as vestiduras brancas e o colírio para os olhos.

Observemos que o nosso Senhor não impõe nada, apenas sugere, permitindo à igreja, ou à pessoa, tomar a decisão de acordo com a sua própria vontade. Uma coisa, entretanto, fica clara: só com Ele é possível adquirir a verdadeira riqueza, isto é, as vestiduras brancas, que impedem a manifestação da nossa vergonha, e o colírio, capaz de nos fazer enxergar perfeitamente. Quanto àqueles que têm o direito de usar vestiduras brancas, temos as seguintes informações:

Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo.” (Apocalipse 7.13-15)

A vestidura branca é um símbolo de pureza. As noivas, no mundo ocidental, quando vão se encontrar com os noivos no altar, para selarem a sua aliança com eles, através do casamento, costumam usar vestidos completamente brancos. Isso significa a virgindade delas, ou seja, que nunca foram tocadas por ninguém. Pelo menos teoricamente! Mas as vestiduras brancas lavadas no sangue do Cordeiro de Deus significam realmente, na prática, a pureza e a virgindade da noiva, que é a Igreja. Quem não possuir essas vestes brancas não poderá estar diante do trono de Deus, e muito menos servi-Lo de dia e de noite no Seu santuário. Por isso, o nosso Senhor aconselha aos mornos na fé a comprarem dEle essas vestiduras brancas.

A Bíblia diz que o Senhor Jesus Cristo Se tornou semelhante aos seres humanos, para que estes se tornassem semelhantes a Ele: “Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo” (Hebreus 2.17).

Poderíamos descrever essa semelhança da seguinte maneira: ser igual a Ele no comportamento, nas obras, no caráter e nas palavras. É isso que dá o direito e o privilégio de vestir vestiduras brancas, para o encontro com o nosso Senhor e Deus!

Finalmente o Senhor aconselha que a igreja, ou o cristão morno, compre dEle colírio para a unção dos olhos, a fim de que venha a enxergar. Aqueles que não têm a visão da vontade de Deus são como cegos. O cego pode até estar no meio da luz e, ainda assim, não poderá enxergar. Esta é a situação de muitos que se dizem cristãos! Estão dentro das igrejas, têm conhecimento da Luz e conhecem a Palavra de Deus, porém não têm visão alguma da vontade divina para as suas vidas! Por isso, são mornos na fé, como a igreja em Laodiceia!

O único caminho que conduz o morno à condição de quente é o arrependimento. Mas para que isso aconteça, antes é preciso haver zelo, conforme as palavras do Senhor Jesus: “Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te” (Apocalipse 3.19).

Em nenhuma outra carta o Senhor instrui a igreja ao zelo. É que o arrependimento da igreja de Laodiceia dependia de um zelo com respeito à Palavra de Deus. Esta igreja estava tão envolvida com os lucros materiais, que tinha as Sagradas Escrituras como um livro de histórias. Deveria voltar à meditação na Palavra de Deus para, então, achar arrependimento, pois é impossível resguardar o coração do pecado sem que haja observância contínua da Palavra de Deus.

É ela que instrui, exorta, revela o que está escondido, aponta o que é certo e o que é errado. E somente através dela o pecador acha arrependimento para receber perdão. Essa exortação do Senhor mostra a Sua infinita misericórdia e paciência para com cristãos do tipo Laodiceia, e também o Seu desejo em recuperá-los. Mas o querer dEle nem sempre é o mesmo daqueles que estão caídos e mornos.

É preciso que haja determinação de querer voltar para Deus, para que então a Sua vontade seja realizada. Porque a vontade de Deus só é feita na vida do homem quando ele se submete a Deus. O Senhor Jesus quer recuperar os perdidos, mas eles precisam querer ser recuperados. Caso contrário, Deus não poderá fazer nada! O Senhor diz ainda:

Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Apocalipse 3.20-22)

No desfecho desta carta, o Senhor Jesus Se apresenta para a igreja corrupta como quem está do lado de fora. Como pode o Senhor da Igreja estar do lado de fora? Isto é possível?

Não só foi possível como também tem sido real nos dias de hoje. É claro que nenhuma igreja vai se admitir nesta situação. Entretanto, tem acontecido em muitas delas! Desgraçadamente este é o quadro da Igreja do nosso Senhor hoje! Por isso, a igreja em Laodiceia profeticamente é a Igreja dos últimos dias.

Muitos estão dentro das igrejas como frequentadores, membros ou obreiros; outros fazem parte do coral ou têm alguma função dentro da igreja, mas ainda assim o Senhor Jesus permanece do lado de fora de suas vidas. Trabalham com o desejo profundo de serem úteis ao Senhor, mas há muito O expulsaram dos seus corações. O seu comportamento mostra quão nocivos têm sido à causa do Senhor, pois o seu mau testemunho tem bloqueado a entrada de outras pessoas no Reino de Deus.

O final de cada carta às sete igrejas registra uma promessa ao vencedor. É vencedor aquele que humildemente ouve e pratica a Palavra de Deus, custe o que custar, e não aquele que só faz parte ativa de uma igreja.

Os demônios têm feito muitas pessoas se iludirem com esse tipo de cristianismo, pois elas pensam que a salvação lhes está garantida pelo fato de fazerem algum trabalho na igreja. Ora, os pastores, nem os obreiros, nem os membros! A salvação precisa ser conquistada a cada momento da vida! Como? Observando e praticando a Palavra de Deus! Portanto, o vencedor é aquele que se mantém praticante da Palavra de Deus até o fim!


Notas Finais


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