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História Etéreo - Capítulo 11


Escrita por: e Nieminie


Notas do Autor


Leiam as notas finais!

Capítulo 11 - De volta pra você


Fanfic / Fanfiction Etéreo - Capítulo 11 - De volta pra você

Havia diversos motivos para eu estar puto naquele sábado de manhã, mas o mais importante era que todo mundo naquela casa estava me tratando como um estranho, e pra piorar tudo, Mark apenas pareceu esquecer de minha existência. Eu entendia que ele estava atolado de coisas pra resolver, mas fala sério, eu só precisava de uns segundos dos dias dele. Quando Jaebum voltou sozinho da viagem que fez com o senhor e a senhora Tuan alegando que Max havia mandado ele antes pra "tomar conta de tudo" todos pareceram conseguir respirar novamente, afinal JB sempre concerta as coisa melhor do que qualquer um, e tinha tantas coisas pra serem concertadas.

Pra começar haviam descobrido que eu era um híbrido, depois havia todo o problema com a Heaven e o Minhyunk, e também, havia os meus pais que tentaram entrar em contato pelo celular, aparelho que Jaebum tratou de arremessar na parede assim que tocou. Eu estava uma bagunça e sentia que estava muito longe de ser arrumada. Era a saudade de casa, da faculdade, de Youngjae, de toda minha vida antes desse desastre acontecer, e era impossível não pensar que seria mil vezes melhor ter morrido naquele acidente do que ter que viver daquele jeito. 

— Jinyoung, você precisa se concentrar. — JB disse pela quinta vez naquele dia. — Sério, parece que você está simplesmente fingindo não me ouvir. 

— Notou agora? — Perguntei sarcástico, e como resposta ganhei um olhar confuso. — Fala sério. — Resmunguei, Jaebum se levantou da cadeira que estava sentado, caminhou até mim e parou o saco de pancadas que eu estava socando. 

— O que é? — Perguntou.— Você anda todo estressadinho. 

— Eu? — Sorri. — Eu não 'tô estressado, e mesmo que estivesse haveria mil motivos pra isso, afinal estão tentando me matar. 

— E nós estamos tentando resolver isso.

— Resolver isso? Fala sério... — Bufei, o tom de voz já começava a se alterar por conta do nervosismo. — Se estivessem tentando resolver isso não teriam me ignorado a porra da semana toda, se eu tivesse simplesmente saído dessa casa ninguém teria percebido. 

— A gente não pode ficar vinte e quatro horas encima do bebezinho Park só porque você sente falta de atenção, Jinyoung, afinal o mundo não gira em torno de você e você não sabe nem metade do que 'tá acontecendo aqui. — Jaebum respondeu, sua mão já não estava mais no saco de pancada e ele havia dado dois passos pra frente pra ficar cara a cara comigo. 

— É claro que eu não sei, porque vocês todos são um bando de filhos da puta, eu nem queria estar aqui e por causa de vocês eu nem posso sair de casa sem ser perseguido por pessoas que jogam facas em mim. — Expliquei. — PORQUE EU SOU A PORRA DE UMA ABERRAÇÃO IGUAL TODOS AQUI.

— Bem, você pode simplesmente ir embora se não está satisfeito, não sei porque não fez isso, afinal você não tem medo de absolutamente nada, então tudo bem se for embora. — Jaebum sugeriu, mesmo que ele aparentasse estar calmo eu sabia que por dentro ele queria esfregar minha cara no chão até que eu implorasse pra ele parar. 

— Eu tentei ir embora, mas você e o idiota do seu amigo foram atrás de mim. — Lembrei me referindo à noite que Mark foi mordido. 

— Deveríamos ter deixado, evitaria muita coisa, tipo o Mark quase ter morrido, você ter virado uma aberração ao quadrado e que a Heaven abrisse a porra da boca pra um cara que claramente não gosta da gente. — Jaebum afirmou, suas mãos estavam fechadas eu eu jurava que se eu falasse mais alguma coisa iria ganhar um belo de um soco. Felizmente alguém falou algo antes que eu pudesse o fazer. 

— O que está acontecendo aqui? — Lilli perguntou enquanto caminhava até a gente. 

— Jinyoung vai embora. — Jaebum sentenciou. 

— O que, você não pode ir embora. —Lilli explicou, seu rosto era tomado por uma expressão confusa. — Jinyoung, nós estamos tentando proteger você, se sair daqui vão te achar e... 

— Eu não tô nem aí pra proteção de vocês, quero que todos vocês morram juntos e felizes como a família de comercial de margarina que vocês são. — Proferi, e antes que qualquer um pudesse dizer algo eu sai correndo em direção ao lado de fora da casa. 

Sem olhar pra trás, sem parar. 

Corri por tanto tempo que nem percebi quando cheguei na rua de minha antiga casa. Era tudo como antes, exceto pela casa que vivia que agora estava pintada em um tom amarelo pastel, e também haviam muitas flores no jardim, e eu tive certeza de que meus pais já não estavam mais ali... Minha mãe odiava tulipas. Desviei o olhar de minha casa e olhei para a outra do outro lado da rua, mesmo que se passasse mil anos reconheceria a silhueta na terceira janela do segundo andar: Choi Youngjae. 

Tentei inventar qualquer desculpa, mas não havia nada que justificasse o meu paredeiro de meses, aquela altura todos já haviam parado de me procurar, até mesmo deveriam pensar que estava morto, o que não estaria tão errado assim. Ensaiei pra tocar a campainha e quando o fiz rezei para que apenas Youngjae estivesse em casa, caso contrário seria muitas explicações que teria que dar. Felizmente a porta foi aberta pelo meu melhor amigo. Ele paralisou assim que colocou os olhos em meu rosto, e antes que ele pudesse falar algo eu fui idiota o bastante pra abrir minha boca. 

— Oi. — Disse sorrindo. Eu não sei se eu esperava um "oi" e um sorriso naquele momento, ou até mesmo um abraço, mas o que eu recebi foi totalmente o oposto. Seu punho acertou meu rosto em cheio e eu cambaleei pra trás. 

— Oi? OI? VOCÊ SOME A PORRA DE TRÊS MESES E ME VEM AGORA COM "OI"? — Sua voz estava totalmente embargada, e antes que eu pudesse responder ele me puxou pela camisa e me jogou pra dentro da casa, a porta bateu atrás de si e eu consegui recuperar meus sentidos. — VOCÊ SIMPLESMENTE DESAPARECEU, EU CHEGUEI A PENSAR QUE SUA EXISTÊNCIA FOI UM DELÍRIO.

— Jae... — Tentei me explicar, mas não era como se tivesse o que falar. 

— CALA A BOCA! — Ele mandou enquanto andava de um lado pro outro. — Eu juro que se não tivesse tão aliviado por você estar vivo eu te mataria. — Deixou os braços relaxarem ao lado do corpo enquanto as lágrimas tomaram conta do seu rosto. 

Eu não sabia pelo que Youngjae havia passado por todo aquele tempo em que eu não estava, mas por algum motivo, mesmo que eu soubesse que a culpa não era minha, ela me consumiu por inteiro e eu precisava falar a verdade, eu devia isso pra ele. Então, naquele momento, enquanto Youngjae desabava encima do sofá eu contei tudo pra ele, sem omitir um detalhe sequer, e pra minha surpresa ele ouviu tudo sem questionar, nem o som da respiração saia de sua boca era audível. E quando eu terminei ele parecia pensativo demais pra falar qualquer coisa, eu esperei qualquer pergunta, uma risada debochada e até ser xingado de mentiroso, mas não esperei o que veio em seguida. 

— Jinyoung, você precisa voltar pra lá! — Ele se levantou e veio na minha direção, fazendo com que eu levantasse rapidamente. 

— O que? — Perguntei confuso. 

— Não se brinca com esse tipo de gente, Jinyoung, são pessoas que não se importam com a vida dos outros e querem eliminar tudo o que é mais forte que elas. Você precisa ficar longe de perigo. 

— Youngjae, você ficou louco? 

— Você ficou louco! Sai por aí feito um irresponsável enquanto tem uma porrada de vampiro te caçando, e se eles te acharem? O que vai fazer? — Eu tive um choque de realidade, ele não ficou surpreso, parecia que ele já sabia sobre tudo o que existia além da gente. 

— Jae, o que você sabe? 

— Jinyoung... — Antes que Youngjae terminasse de falar o som da porta abrindo se fez presente, no mesmo momento eu puxei o mais novo pra trás de mim enquanto três homens entravam na casa. 

— Você deveria escutar seu amigo, não é seguro aqui fora. — Um deles disse, eu analisei o rosto dos três e constatei que nunca havia os visto na minha vida. — Sabe, geralmente é bem difícil pegar alguém que está sobre a proteção dos Tuan, mas você, Jinyoung, não deu a mínima pra sua vida. 

— O que você quer? — Fui direto, odiava toda aquela conversa fiada sendo que sabíamos como aquilo ia terminar. 

— Eu, particularmente não quero nada. — Respondeu simplista. — Mas meu chefe quer você, de preferência morto. 

— Acho que a gente vai ter um problema, porque eu não pretendo ir com você. — Respondi. 

— Não tem problema, a gente pode dar um jeito nisso. 

Eu nem tive tempo pra me preparar quando os outros dois chegaram perto de mim, o primeiro soco acertou em cheio meu estômago fazendo eu cambalear pra trás e cair encima da mesa de madeira que ficava no centro da sala, eu nunca havia estado em uma briga antes, uma de vampiro então era coisa de outro mundo. Eu consegui me recuperar antes que o próximo ataque viesse, mas não fui eu quem salvou minha pele dessa vez, antes mesmo de eu poder fazer algo o pé da mesa que quebrei quando cai havia atravessado o peito do vampiro na minha frente enquanto Youngjae ofegava do meu lado.

— Como você...? 

— Ainda tem dois. — Ele me interrompeu.

Voltei minha atenção pros que estavam na minha frente e deixei que o segundo viesse, ele chegou perto, sua mão foi enterrada no meu coração ao mesmo tempo que a minha foi no dele, de repente tudo parecia ter parado, eu podia ouvir a respiração de todos naquela sala, a dor invadiu meu peito e eu forcei minha mão a se fechar antes de eu ter meu próprio coração arrancado, e eu só parei quando o corpo na minha frente perdeu toda a força e caiu no chão. Eu havia acabado de matar alguém. 

Não havia pesado tanto naquele momento, mas se tornaria tão pesado quando o peso dos céus que Atlas* carregava.

— Pelo jeito te treinaram bem. — O que parecia ser o mais velho dos três disse, ou melhor, o que sobrou dos três. — Ou foi só sorte? — Ele se aproximou e eu puxei Youngjae pra trás de mim. 

— Jinyoung costuma ter bastante sorte. — A voz soou famíliar no meu ouvido, nem ao menos tive tempo de ver quem era, o sangue espirrou por todos os lados, e isso incluía o meu rosto, a cabeça rolou pelo tapete branco e o resto do corpo caiu em cima do sofá. BamBam olhou pra mim indignado e por um momento eu jurei que ele faria o mesmo comigo. — Que merda você pensa que 'tá fazendo? 

— Você me seguiu? — perguntei de volta. 

— Claro, ou você acha que eu sou inocente a ponto de achar que o Tuan ia deixar você sair d' baixo da asinha dele por livre e espontânea vontade?

— Tecnicamente ele não tentou me impedir. — Sussurrei. 

— Eu vou te levar de volta antes que você acabe morrendo, ou pior, que eles acabem te prendendo. — BamBam anunciou, seu olhar foi pra Youngjae do meu lado e o mesmo recuou um passo. — Você vem com a gente também. 

— Eu não posso.

— É isso ou você morre, eu sei que você sabe de muito mais do que o Jinyoung te contou e até que eu descubra o quê você sabe não tem como eu deixar você passeando por aí.

Me pus frente a Youngjae como sinal de que não seria tão fácil levá-lo, mas Bambam não pareceu me ver como uma ameaça. 

— Você não vai querer brigar comigo, Jinyoung. — Ele passou as costas das mãos nos cabelos, afastando-os do rosto para não os sujar de sangue. — O inimigo não sou eu, sabe disso. 

Suspirei frustrado antes de me virar pra Youngjae. Bambam tinha razão, havia mais coisas para se preocupar agora e confesso que estou particularmente curioso sobre até que ponto o conhecimento de Youngjae vai. Além do mais, ele estaria sobre minha visão e eu não deixaria ninguém o machucar. Então seguimos de volta para a mansão depois de Bambam me garantir que, seus amigos vampiros dariam um jeito na casa e nos corpos na sala de estar. 

O fato de voltar para a mansão martelava na minha cabeça com força, seria estranho depois daquele xilique que eu dei em frente a Jaebum. Tentei apenas deixar esse pensamento longe e focar no envolvimento de Youngjae nesta história toda. O plano era: descobrir o que ele sabia, mas evitar que algum vampiro o devorasse. Eu sei sobre a lei deles de não matarem humanos, mas não confio muito em Kunpimook, embora ele tenha salvado a minha vida mais cedo, vale lembrar que ele também causou a minha morte. 

Quando chegamos na mansão o lugar estava quieto, havia somente os guardas do lado de fora, não havia muitos por algum motivo mas ignorei isso, tentando levar Youngjae pra dentro sem que houvesse muitas perguntas, o que deu certo quando Bambam começou a falar sem parar com eles. Puxei o meu melhor amigo para o quarto que eu chamava de meu na mansão, esperei Bambam entrar também então pude fechar a porta. 

— Onde estão todos? — Perguntei para Bambam, afinal toda aquela conversa deveria ter dado em algo. 

— Estão resolvendo negócios de política pelo que eu entendi. Aparentemente uma família rica  e importante de vampiros chegou a cidade e eles foram recebê-los. — Kunpimook dizia enquanto retirava a própria jaqueta, jogando-a em seguida sobre a minha cama. — Mas vamos esquecer um pouco disso e focar no nosso amiguinho aqui. — ele olhou para Youngjae. 

Seus olhos ficaram vermelhos cor de sangue, o que fez Youngjae dar um passo pra traz, eu podia ouvir seu coração bater mais rápido. 

— Opa, o que está fazendo? — Entrei no meio do campo de visão de Kunpimook —Nem pense em encostar nele. — meu tom de voz se alterou um pouco. 

— Pensei em começar o interrogatório, afinal, não temos todo tempo do mundo. — Bambam disse, seus olhos voltando ao castanho escuro de costume. 

— Você pode perguntar sem machucá-lo. — Eu disse.

 — Jinyoung, me deixe explicar como fazemos as coisas por aqui — Kunpimook começou a dizer.

 — Então explica, pois pelo o que entendi você iria machucar um humano indefeso. — Naquele momento meus punhos se fecharam por vontade própria. 

— Indefeso? Ah por favor, Jinyoung. Eu vi esse garoto enfiar uma madeira no coração de um daqueles vampiros. — Bambam alterou seu tom de voz. — De indefeso esse aí não tem nada. — Ele voltou sua atenção para Youngjae, quase cuspindo as palavras nele. 

Eu ia rebater o argumento dele até ouvir a voz que julguei ser de Jaebum no andar debaixo. Dei uma última olhada em Youngjae, gesticulando para ele ficar ali, quieto. Desci as escadas rapidamente, acompanhando de Bambam. Pude jurar que Jaebum sorriu quando me viu. Ele usava jeans preto e uma camisa preta também, Jaebum é bem básico, é até bonito.

— Olha quem voltou!– Ele praticamente cantarolou — O que deu errado na volta a sua antiga vida? 

— Ele foi atacado por vampiros do meu clã. — Bambam começou a explicar. Eu continuei logo depois, explicando o que havia acontecido, deixando apenas Youngjae fora da história, é claro. 

Jaebum ficou em silêncio por alguns instantes, até sentou no grande sofá da sala, pensativo. 

— Alguém que você conhecia? — Ele finalmente perguntou. 

— Não. Devem ser os caras do So Hyun. — Respondi. 

— Acho que não, eram do meu clã. A situação está cada vez mais tensa. Temo que não seja apenas So Hyun que queira sua cabeça, híbrido.— Bambam falou a última palavra num tom diferente quando se voltou para mim. 

— Está se referindo a sua irmã, certo? — Perguntei já imaginando a resposta. 

— Kylie? — Jaebum questionou, aquilo não parecia fazer sentido para ele ao notar seu semblante. 

— Espera, Kylie? — A voz de Collin ecoou pela sala, ele vestia um smoking e seus cabelos negros estavam bem penteados. — Ela não está tipo, morta? 

— Não, meu caro. Minha irmã está bem viva, ela está por aí, mais perto do que eu imagino. – Respondeu Bambam. 

— Você tem entrado em contato com ela? — Collin questionou, sentando ao lado de Jaebum. 

— Não é bem assim, ela entra em contato comigo. Só falo com ela quando ela quer que eu fale. — Disse Bambam. — Eu poderia muito bem pedir para uma bruxa procurar sua localização mas isso nunca foi de meu interesse, até agora. 

— Então faça o que tem que ser feito. Vamos descobrir o porquê de toda a sua desconfiança a respeito dela. — Im disse, decidido — E eu irei continuar minha busca por So Hyun. — Ele disse por fim saindo do cômodo. 

Bambam soltou um risinho para Collin e eu antes de se retirar. 

— Então, onde estão os outros? — Perguntei a ele. 

— Você quer dizer "onde está o Mark?" — Ele deu um sorriso brincalhão vendo minhas bochechas ficarem vermelhas — Ficaram para trás com a família Lee, são bem ricos e tem um bom status social. — Ele jogou seu corpo para trás, se aconhegando ainda mais no grande sofá. 

— Entendi. Mas o que você faz aqui? Não deveria estar com eles? — Perguntei. 

— Eu tive que voltar pois terei de encontrar alguém em alguns minutos. — Ele respondeu — Tenho assuntos a tratar com Jackson, e você vem comigo. 


Notas Finais


Atlas* um titã condenado por Zeus a carregar o peso dos céus pra sempre

Demorou mas saiu, eu acho q nunca enchi tanta linguiça em um capítulo, mas ele vai ser bem importante pro resto da história! Obg por lerem até aqui, bjão e até o próximo! 💚

Ps: vai ter série de Percy Jackson Porraaaa!

🌸

Edit: eu tento deixar os espaçamentos tudo arrumadinho, mas o spirit não colabora, desisto!


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