História Eternal Summer - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Personagens Originais
Tags Anakill, Baekyeol, Chanbaek, Comedia Romantica, Kaisoo, Praia, Surf
Visualizações 903
Palavras 15.146
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Esporte, Fluffy, Lemon, Poesias, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá pessoinhas, advinha quem tá brotando do nada com uma chanbaek surf au? Eu mesma! ksjahdfjks Se eu fiquei receosa de postar? Óbvio que eu fiquei, são uns 15k de pura comédia romântica e eu "Será que alguém vai ler?", mas tamo aí rsrs Vou deixar alguns avisos aqui pq as notas finais vão ser só os links pra melhorar a experiência de leitura de vocês <3
LEIAM AQUI, É IMPORTANTE!

Existe um Condado de Brevard na Flórida, mas o conteúdo detalhado na fic é ficcional e podem não bater com a realidade. Como por exemplo, a orla na praia e a casa do pai do Baekhyun, que são citados na história.
Obrigada Milka (@chanlie) amor da minha vida pela betagem e por me aguentar nessa agonia pra postar, e Rai (@RK), obrigada por essa capa maravilhosa <3 E não menos importante, obrigada Let por me fazer imaginar o Chanyeol em cima de uma prancha!!!

A música tema do casal é Dressed In Black da Sia, vou deixar o link nas notas finais, mas se vocês quiserem ouvir e ver a tradução antes de ler ou durante a leitura, vocês podem. Ela super combina com a história <3 Boa leitura, espero que vocês gostem, uhu!

Capítulo 1 - Somewhere Only We Know - Capítulo Único


Um romance de verão. Em meus 18 anos de vida, nunca pensei que viveria algo tão específico e que eu abominava completamente. Meus pais são a prova viva de que estes tipos de romance são uma furada!

Ambos se apaixonaram em um desses verões, quando minha mãe viajou nas férias para o Condado de Brevard, na Flórida, e ficou caidinha por um surfista descolado e estrangeiro chamado Noah, que no caso é o meu pai.

É uma história fascinante, podem acreditar, mas não estou a fim de descrever as aventuras amorosas de verão dos meus pais, até porque eu fui concebido lá mesmo, em uma praia. E bom, o final da história não é muito feliz, afinal, é a vida real e não um conto de fadas.

Minha mãe teve que voltar para a Coréia e meu pai tinha uma carreira promissora com o surf na Flórida, ou seja, se separaram por divergências no que almejavam e no meio disso, euzinho nasci. Foi um grande drama, cheio de brigas na justiça e todo esse lance de adultos que no fim não serviu pra nada, pois acabei vivendo sob a guarda compartilhada pelos dois.

Sendo mais específico, eu continuei morando na Coréia com minha mãe e passava as férias de verão e alguns natais com meu pai. Enfim, a questão é que apesar de tudo, as coisas foram se ajeitando, minha mãe se casou com outro cara e agora vive feliz, e meu pai, bom, ele continua a ser o surfista maneiro que ama praia, surf e garotas de biquíni. O que nos leva a situação em que me encontro agora.

Eu viajo para a Flórida desde os meus 10 anos de idade, mas esse negócio de praia e sol nunca foram o meu forte. Eu sempre preferi ficar trancado no meu quarto grande e aconchegante na casa de praia exuberante e charmosa do meu pai.

Ler livros e compor músicas com meu violão lilás sempre foram o meu "esporte" favorito, mas bem, meu pai sendo quem é, não entendia isso, então quando eu completei 16 anos, ele começou a me treinar para trabalhar em um dos seus inúmeros quiosques, preparando milk-shakes, e desde então, todo verão faço nisso.

Depois que meu pai se aposentou do surf, ele investiu em várias lojas de artefatos para surfistas e quiosques de sorvete e milk-shake. Vejam bem, ele não me forçava a nada, muito pelo contrário, ele me ofereceu um salário generoso e por isso eu aceitei, já que queria comprar um violão novo há muito tempo.

Meu pai sempre foi meio maluquinho e o intuito dele com isso não era me dar uma lição de moral sobre trabalhar pra entender como a vida funciona, e sim, me induzir a sair de casa para fazer amigos e aprender a curtir o ambiente praiano.

De fato, eu me acostumei com o sol e com a areia, mas o calor e aqueles surfistas oxigenados nunca me desceram pela garganta, e agora, com 18 anos, continuo trabalhando durante o verão em um quiosque de Cocoa Beach no condado de Brevard, ainda não comprei um violão novo e costumo gastar todo o dinheiro que ganho com livros e camisetas customizadas.

– Você tem quantas blusas desse tipo, Baekhyun? – Meu pai perguntou assim que sentei na mesa junto consigo. Meu genitor era a cara do Owen Wilson.

– Bom dia, pai. – Revirei os olhos. – Umas vinte, não sei. – Dei de ombros enquanto pegava uma torrada e passava geleia de uva.

– As pessoas daqui vão achar estranho te ver andando pela praia vestindo essas blusas pretas com frases Shakespearianas – comentou risonho.

Pois a calúnia vive por transmissão, alojada para sempre onde encontra terreno. – recitei uma frase da obra "A comédia dos erros" e Noah começou a rir escandalosamente, como sempre.

– Eu juro que não te entendo, meu filho – comentou limpando as lágrimas que se formaram, enquanto ria, do canto dos olhos.

Meu pai era um tanto animado pela manhã, nem queiram saber como ele é o resto do dia.

Há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar – continuei a frase de Shakespeare que estava escrita em minha blusa e meu pai riu balançando a cabeça.

– Você com certeza puxou pra sua mãe.

– Isso foi um elogio? – Arqueei a sobrancelha para ele e em seguida tomei um gole do meu café.

– Sua mãe é encantadora e sempre será em minha memória. – Sorriu fraco e voltou a ler seu jornal matinal.

Eu sabia que se meu pai pudesse voltar ao passado, teria feito tudo diferente e hoje ele convive com o peso de suas escolhas. Eu não o julgava por isso e muito menos tomava as dores de minha mãe, ambos viveram uma história no passado e nada eu podia fazer para mudá-la. Por amá-los igualmente, sigo em frente, como ambos fazem há anos.

Mas numa coisa tenho que concordar, eu realmente havia puxado muito a minha mãe, tanto na aparência como no gosto pela leitura. Meus traços nada têm dos ocidentais ou até mesmo do meu pai. Meus olhos são puxados, cabelo liso e loiro, minha pele é alva, como a da minha mãe, diferente da pele bronzeada do meu pai, no entanto, o meu sorriso retangular é idêntico ao dele.

– Hoje o movimento vai ser grande no quiosque de Cocoa Beach, então, esteja preparado. –Noah avisou.

– Vai ter algum evento na praia? – Cerrei os olhos em direção ao mais velho.

– Campeonato de surf –respondeu e sorriu ao me ver revirando os olhos. – Ah, Baek, uma hora você vai ter que parar de cismar com os surfistas! Eu fui um, então, trate de abrir essa cabecinha para novas experiências.

– Sem ofensas pai, mas não rola.

– Rola sim, você gosta de mim, então pode gostar deles também.

– Vai sonhando, coroa – zombei e acabei levando um peteleco atrás da orelha. No fim, acabamos rindo, como sempre.

 

                                                                                                           (...)

 

A praia realmente estava lotada de pessoas e surfistas e se havia uma coisa que eu odiava mais do que o calor, eram pessoas aglomeradas no calor. Porque não eram qualquer tipo de pessoa aglomeradas, eram pessoas bonitas, bronzeadas e com roupas de banho aglomeradas, e eu era um pontinho preto no meio delas.

Quando eu cheguei no quiosque, mal tive tempo de respirar, já fui encarregado de preparar os milk-shakes, isso mesmo, nada de regalias ao filho do chefe.

Ao que parece, minhas inovações da culinária coreana que eu vinha trazendo pra preparação dos pratos estavam fazendo sucesso e o movimento do quiosque passou a aumentar. Obviamente que aquele bando de pessoas não estavam ali por minha causa, e sim, pelo campeonato idiota de surf que eu não fazia questão de assistir, mesmo tendo vista privilegiada do quiosque.

– Você não parece estar muito animado hoje – Kyungsoo comentou ao me ver praguejar sobre o calor enquanto preparava mais um milk-shake.

– E quando é que eu estou, Soo? – O encarei com tédio.

Do Kyungsoo também era coreano e havia se mudado para Flórida junto com sua mãe quando era muito novo. Eu o conheci na primeira vez que vim passar férias com meu pai e desde então temos uma amizade um tanto engraçada, pra não dizer peculiar.

– Mas hoje a praia está cheia de surfistas gostosos!

– Você sabe que esses surfistas musculosos e sem cérebro não me interessam. – Dei de ombros.

– Você está generalizando, Baek! – Kyungsoo se exasperou. – Jongin é surfista e não é sem cérebro, muito pelo contrário, ele é genial!

– Você só fala isso porque gosta dele! – acusei.

– Gosto mesmo! E você nem sabe da maior, ele me pediu em namoro ontem, eu quase tive um treco! – falou dando alguns pulinhos e ignorando a fila que se formava no quiosque.

– Você deveria atender os clientes ao invés de ficar sonhando acordado. – Estalei a língua.

– E você deveria parar de agir feito um velho chato e aproveitar mais o condado de Brevard.

– Prefiro meus livros.

– Os livros te dão histórias, mas você não as vive. Qual é Baek? ‘Tá na hora de você viver sua própria história de amor.

– Não existe romance sem tragédia, Kyungsoo.

– Pare de se basear em Shakespeare, o cara era um velho amargurado!

– Meus pais estão de prova que amor e tragédia não estão somente na teoria – respondi irritado com o rumo da conversa.

– Por que você sempre generaliza as coisas? – Kyungsoo revirou os olhos.

– Eu não faço isso!

– Hey, vocês dois? – Emma, uma garota americana que trabalha também no quiosque, chamou nossa atenção. – Vão ficar aí de conversinha ou vão me ajudar com essa multidão de clientes aqui?

Eu sabia que Kyungsoo estava certo de alguma maneira, sabia que eu vivia na defensiva em relação ao amor simplesmente baseado na história dos meus pais e sabia que eu generalizava as coisas, mas era uma tentativa de me proteger.

Por isso preferia meus bons e velhos livros onde eu podia viver romances sem me machucar e meu violão lilás, onde eu podia compor músicas baseadas em teorias de romances, já que na prática eu sou um fracasso. Eu me privei de viver para não me decepcionar e no fundo eu sabia que estava sendo um belo de um covarde.

 

                                                                                                                     (...)                                     

 

O dia no quiosque foi movimentado, mas nada comparado ao número de clientes que surgiram após o término do campeonato de surf. Eu não fiz questão de saber sobre o vencedor, até porque o Kyungsoo passou horas tagarelando sobre como estava nervoso por Jongin estar competindo.

– Vocês nem sabem! – Emma exclamou animada.

– O quê? – Kyungsoo perguntou curioso e eu apenas dei de ombros.

– Os surfistas que ganharam vão vir comemorar aqui no quiosque! – A garota americana contou eufórica.

– Ninguém merece. – Bufei.

– Como assim ninguém merece? São os caras mais gatos de Cocoa Beach! – A garota se exasperou. – Atendam o pessoal aí, que eu vou no banheiro retocar minha maquiagem.

– Eu também vou! – Kyung gritou já seguindo a Emma. – Preciso estar bonito pra receber o Jongin!

– Isso, me deixem sozinho aqui! – reclamei, mas nenhum dos dois me ouviu. Revirei os olhos e tentei me virar sozinho.

Tive que atender vários clientes e como sou um desastrado por natureza, acabei me enrolando um pouquinho. Estava tão ocupado que nem notei os surfistas chegarem e entrarem na fila. Também não notei quando a vez deles chegou, até alguém segurar o meu pulso pra chamar minha atenção.

– Então, você é o famoso coreano que anda fazendo sucesso com as garotas de Cocoa Beach?

– Você ‘tá falando comigo? – Olhei para a pessoa indignado com o comentário e apontei para mim.

O garoto estava sem camisa, exibindo seus músculos e trajava apenas uma bermuda florida, ele fazia o tipo surfista que você respeita. Puxei meu braço de volta, notando a pequena tatuagem de sol no pulso alheio.

– Sim, você mesmo. – Sorriu. – As garotas andam comentando, então eu vim checar. Até porque eu sou o coreano mais gato daqui, vim checar quem é meu adversário.

– Azar o delas então, garotas não fazem o meu tipo. E você não deveria se preocupar, eu não faço questão de tanta futilidade. Qual é o seu pedido, senhor? – perguntei e o sorriso do garoto aumentou.

Um perfeito estranho! Eu fui super frio e ele continuava com um sorriso enorme e assustador no rosto.

– E o que faz o seu tipo?

– Tudo, menos surfistas oxigenados e sem cérebro – respondi de forma rude.

– Você tem uma visão muito errada sobre nós. – O garoto fingiu estar ofendido.

– Oh, então, você é um surfista? Nem percebi, afinal você não é oxigenado – zombei. – Ao invés disso, tem a pele bronzeada, um piercing nos lábios, e uma tatuagem de sol no pulso. Surpreendente! – completei de forma irônica.

– Você não deveria estereotipar as pessoas assim, às vezes somos muito mais do que aparentamos ser ou você não acredita na frase que carrega na camisa que está usando, pequeno Shakespeare? – perguntou com as sobrancelhas arqueadas.

Ok, ele me pegou de surpresa, tanto que fiquei o encarando com a boca aberta. A fila atrás deste só aumentava, mas o surfista não parecia se importar com isso.

– Você conhece Shakespeare?!

– Eu posso mudar esse seu tom de surpresa em relação a mim. –Sorriu galanteador. – A nós surfistas – completou.

– Qual é o seu pedido, senhor? – Ignorei-o, porque se tem uma coisa que eu não sabia, era lidar com flertes.

– Um milk-shake sabor Romeu e Julieta, por favor. – Pediu e piscou com um sorriso ladino nos lábios.

Completamente desnorteado com rumo daquela conversa, preparei o shake e anotei meu número no copo. Eu não sabia bem o que me levou a fazer isso, talvez a sede de me aventurar em um terreno hostil ou até mesmo curiosidade, mas quando vi, já estava com a caneta piloto em mãos anotando meu número no copo de plástico. Ao lado anotei uma citação de Shakespeare; “há mais perigo em teus olhos do que em vinte espadas!”, e acrescentei “mas surpreendentemente, não estou com medo.”

Entreguei o shake ao coreano surfista e ele sorriu. O mesmo sorriso de antes, mas que agora me parecia bonito e encantador.

Ah, eu não sabia onde estava me metendo, mas sabia que era um caminho sem volta.

 

                                                                                                                (...)

 

– Quer dizer que um dos caras mais disputados de Cocoa Beach flertou com você e você deu seu número pra ele? – Kyungsoo perguntou incrédulo. – Eu não consigo acreditar! Um cavalo mordeu sua cabeça?

– Eu não dei o meu número à ele só porque ele é gato, Soo! Ele disse que iria mudar a visão que eu tenho sobre surfistas, o que eu acho bem difícil, por isso eu fiquei intrigado.

– “Um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade!” – Ele recitou engrossando a voz.

– Deixa de ser ridículo e me ajuda a fechar o quiosque – pedi após rir da atitude baixinho.

– E cadê a Emma? – perguntou.

– Ela se arranjou com um surfista e saiu mais cedo.

– Essa é a minha garota! –Kyungsoo riu. – Falando nisso, tenho um encontro com o Jongin hoje, então, vamos fazer isso rápido.

Arrumamos o quiosque rapidamente e o fechamos. Já era seis da tarde e eu estava incrivelmente cansado quando entrei em meu Troller vermelho e dirigi até a casa do meu pai.

Ao chegar em casa, tomei um banho demorado, jantei com o Noah e subi para finalmente poder dormir. Eu já estava quase pegando no sono quando meu celular vibrou e me despertou.

 

[20:35] Desconhecido: ”É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada.” Ah, e a propósito, eu sou o surfista da praia, meu nome é Park Chanyeol, mas pode me chamar de Channie, se quiser.

 

[20:37] Eu: Andou pesquisando frases do Shakespeare no Google, Channie? Talvez ache por lá meu nome também.

 

[20:38] Surfista: Ainda dúvidas de mim, pequeno Shakespeare? Ou posso te chamar de Byun Baekhyun?

 

[20:40] Eu: Até que proves o contrário. E como você sabe o meu nome?

 

[20:43] Surfista: Eu sempre soube quem era você, afinal, seu pai é meu treinador, mas você nunca me notou, o que é bem triste se parar pra pensar.

 

[20:46] Eu: Triste para quem, Shakespeare impostor?

 

[20:48] Surfista: Amanhã, às seis da manhã, esteja na praia, próximo ao quiosque.

 

[20:49] Eu: E por que eu faria isso?

 

[20:50] Surfista: Só você pode responder. Até amanhã Baekhyun.

 

                                                                                                                  (...)

 

– Apesar de ter uma certa esperança, eu jurava que você não viria, pequeno Shakespeare – Chanyeol falou ao me ver chegar.

Eu estava com a maior cara de sono da história, vestido com minhas habituais roupas pretas e me perguntando porque diabos estava ali. Já o surfista, estava com aquelas roupas de malha para surfar, encostado em uma das colunas que sustentavam o quiosque juntamente com uma prancha de surf amarela.

– Você deveria parar de estereotipar as pessoas, surfista. – Alfinetei.

– Eu estou curioso, Baekhyun. O que te fez vim até aqui? –  Encarou-me com um sorrisinho divertido.

– Boa pergunta. Estou me perguntando isso agora e acho que a resposta certa é tentação.

– “E quem tem mais culpa, o tentado? Ou o tentador?” – recitou uma frase de Shakespeare.

“Tem mais do que mostras, fala menos do que sabes.” – Rebati com outra citação do poeta.

– Nós poderíamos ficar dias nisso, mas já está quase na hora, temos que ir. – Chanyeol pegou sua prancha e me encarou.

– Ir pra onde? – Franzi o cenho. – Eu não tenho uma prancha!

– Nós só vamos precisar de uma. – Piscou para mim e agarrou minha mão, me puxando em direção ao litoral.

O mar estava calmo e o céu começava a ficar claro. Não entendi quais eram as intenções daquele surfista maluco, mas me deixei ser levado por ele.

– Você tem que tirar os tênis se não quiser molhá-los – avisou quando chegamos na beira do mar e em seguida enterrou a prancha na areia.

– Você quer que eu entre na água? – Arregalei os olhos. - ‘Tá maluco?

– Você não vai morrer se fizer isso, vai? Quero te mostrar o que você perde odiando certas práticas – Ele disse com sarcasmo e sorriu convencido em seguida.

Revirei os olhos mas comecei a tirar meu all star azul bebê. Eu estava vestido com uma calça preta justa ao corpo e uma das minhas famosas blusas pretas com citações literárias, daquela vez era algo de um autor que eu vinha desvendando, Jack Kerouac; “apaixona-te pela tua existência.”

E talvez, só talvez, era isso que estava faltando em minha vida. Paixão. Não aquela paixão passageira no quesito amoroso, e sim, a paixão em todo seu sentido e sinônimos. 

– E então, qual é o seu plano? – perguntei.

– Eu prefiro te mostrar. – Prendeu o leash* na perna, colocou prancha embaixo do braço e estendeu a mão para mim. – Você vem?

Encarei o garoto coreano que me olhou com um sorriso animado nos lábios, a ponto dos olhos quase se fecharem por inteiro. Ele sorria com o rosto, com a alma, eu podia sentir. Talvez fosse algo de outras vidas, quem sabe.

Era como se eu tivesse uma folha em branco nas minhas mãos e uma caneta para poder escrever minha própria história. Ou talvez reescrever. Quem sabe?

Segurei em suas mãos e ele me guiou mar adentro. Pequenas ondas se formaram e o céu estava em um tom azul claro, quase como o das águas que nos cercava. Quando já estávamos com a metade do corpo submerso, Chanyeol subiu na prancha e me puxou para sentar junto com ele. Park começou a remar com as mãos para a frente, em sentido ao mar aberto e eu o ajudei.

Sentia a prancha entre minhas pernas, sentia o vento levemente salgado batendo em meu rosto e sentia o peitoral do surfista coberto pela malha em minhas costas.

Quando Chanyeol parou de remar com as mãos, ficamos boiando em meio aquele azul calmo e sem ondas. Eu olhei pra praia que estava um tanto distante e sorri com a sensação de aventura que começou a me consumir.

– O que exatamente viemos fazer aqui? – perguntei.

Senti o surfista rir atrás de mim e ele levou o relógio à prova d’água até o meu rosto.

– Faltam alguns minutos, apenas olhe para frente e aprecie.

Alguns minutos se passaram e o sol começou a surgir no horizonte, como se estivesse saindo de dentro do oceano após um mergulho. Fiquei tão encantado com a paisagem que nem notei que haviam vários outros surfistas ao nosso lado.

– O surf é um estilo de vida, Baekhyun. Nem todos são homens e mulheres burros que só surfam para pegar geral. A maioria de nós está aqui apenas por uma conexão, mesmo que breve, capaz de nos levar a explorar e estender nossos próprios limites, nos projetar ao desconhecido com vontade de viver uma experiência que pode durar míseros segundos, mas que perduram por muito tempo em nossa memória e movimentam o sal em nossas veias.

– Isso parece ser algo tirado da internet. – eu disse e Chanyeol riu, em seguida sussurrando um “E é” – Mas talvez, só talvez, eu tenha gostado do que ouvi e presenciei – comentei e ouvi novamente Chanyeol rir.

– Já é um bom começo, pequeno Shakespeare.

Após assistir o sol nascer, nós voltamos para terra firme e eu ofereci uma carona para surfista até em casa, já que ele havia vindo de carona com um amigo. A casa dele ficava um tanto longe da praia e eu me perguntei mentalmente como ele vinha todo dia, mas obviamente deixei minha curiosidade pra lá. Eu não me importava, certo?

Colocamos a prancha atrelada ao carro e eu segui dirigindo.

Foi estranho perceber que eu já não me sentia um intruso no ambiente praiano e que não me sentia nem um pouco estranho com a presença de Chanyeol ao meu lado. No rádio tocava Sweet Child O' Mine e o vento juntamente com os raios solares secaram minhas vestes. O surfista acompanhou a música de um modo engraçado, fingindo tocar a música com uma guitarra invisível e eu me permiti sorrir verdadeiramente.

– Amanhã você estará na praia? – Chanyeol perguntou assim que estacionei em frente à sua casa.

– Obviamente, já que eu trabalho no quiosque.

– Que horas é o seu intervalo? – perguntou enquanto tirava a prancha do carro.

– Onze horas, por quê?

– Ótimo. – Sorriu. – Reserve esse horário pra mim.

– E por que eu faria isso? – perguntei.

– Só você sabe a resposta. – Park lançou uma piscadela e seguiu caminho em direção a sua casa.

 

                                                                                                             (...)

 

– Onde você estava, mocinho? – Meu pai perguntou.

– Por que não me contou que treinava o Chanyeol? – perguntei diretamente, ignorando a pergunta, já que Noah estava brincando, como sempre.

– Porque você nunca se interessou pelo meu trabalho.

– Eu estou tentando melhorar isso.

– E o que te fez mudar de ideia? – Arqueou a sobrancelha.

– Nada, ué. – Pigarreei. - Pessoas mudam, pai.

– Bom, fico feliz que você esteja saindo e fazendo amigos. Chanyeol é um bom garoto. – Sorriu e me lançou um olhar que dizia ”eu sei de tudo”. – O almoço está pronto e não pense que só porque você repentinamente se interessou pela “Flórida” – Sim, ele fez as aspas com os dedos. – Você vai deixar de trabalhar no quiosque. Esteja de pé amanhã cedo, ok, mocinho?

– Sim, senhor! – Levei a mão até a testa e bati continência, fazendo meu pai rir feito um bobo.

 

                                                                                                                  (...)

 

Na manhã seguinte eu acordei disposto e ansioso. Eu sabia muito bem o porquê de estar assim, mas fingia que não.

Roí quase todas as minhas unhas até chegar o horário do meu intervalo e para a minha infelicidade, Kyungsoo percebeu minha inquietação.

– O que você tem hoje, hein, Baek? – O mais baixo perguntou.

– Nada. – Menti.

– Até porque é super normal ficar olhando toda hora pro relógio.

– Eu não estou fazendo isso. – Contestei e olhei para o relógio novamente, fazendo o mais baixo rir soprado. – Hora do meu intervalo! – falei animado e quase morri de vergonha quando notei que Chanyeol me observava do outro lado do balcão.

– Entendi. – Kyungsoo disse com um sorrisinho malicioso nos lábios. Eu apenas o ignorei, tirei o avental e segui até onde o surfista estava.

– Você estava ansioso pra me ver? – Chanyeol se apoiou no balcão e perguntou ao pé do meu ouvido, quase em um sussurro.

– Vai sonhando, surfista. – Revirei os olhos, mas deixei escapar um sorrisinho. - E, então?

– Aulas de surf.

– Você quer me ensinar a surfar?! – Arregalei os olhos e ele riu.

– Não exatamente. Eu dou aula de surf pra alguns alunos, então...

– Não é como se eu quisesse aprender a surfar. – O interrompi.

– Você ainda vai me implorar pra te dar aulas, pequeno Shakespeare.

– Sua profecia não se concretizará, surfista.

– Ai meu Deus, vocês estão claramente flertando! – Kyungsoo gritou. Droga, eu tinha me esquecido que meu amigo era um completo sem noção e intrometido. – Não querendo me meter, mas já me metendo, eu posso ir com vocês? Vai que eu encontro o Jongin por lá...

– Fazer o que, né? – Suspirei. - Vamos baixinho. – Puxei Kyungsoo pelo braço e começamos a acompanhar o Chanyeol.

Caminhamos até o fim da praia, onde segundo Chanyeol, as ondas são bacanas para quem está começando e para a minha surpresa, a turma de alunos dele era toda formada por crianças.

– Então, você dá aula de surf para crianças? – perguntei.

– Desapontado, pequeno Shakespeare?

– Impressionado, surfista.

– Bom gente, meu bofe não ‘tá por aqui, então, eu vou voltar! – Kyungsoo comentou quebrando o clima. – E cara, se peguem logo, dá pra sentir a tensão sexual daqui – disse e saiu saltitando como se não tivesse jogado uma bomba entre eu e Chanyeol.

– Hum, não liga pra ele, é maluquinho! – Aposto que minhas bochechas estava pegando fogo.

– “Tem mais do que mostras, fala menos do que sabes” – proferiu o que eu lhe disse uma vez e eu apenas revirei os olhos.

Sentado na areia, assisti Chanyeol dar aula àquelas crianças. Ele tinha um brilho lindo nos olhos grandinhos e elas um sorriso fascinado nos lábios. O surfista parecia amar o que fazia e respirava surf. Seu estilo vida era passado alegremente para aquelas crianças afoitas por conhecimento. De repente, me vi encantado.

– É lindo, não é? – Um garoto perguntou ao se sentar ao meu lado. Eu não o conhecia, mas já tinha o visto na praia algumas vezes.

– O quê? – perguntei.

– A paixão que Chanyeol sente pelo surf.

– E quem é você?

– Ethan, ex namorado do Chanyeol.

– Porque ex? – perguntei, voltando meu olhar para o horizonte onde o surfista estava com seus alunos.

– Porque eu o fiz escolher entre mim e o surf. A resposta está aí na sua frente.

– Então, minha teoria sobre o amor ser uma tragédia ainda vive.

– O amor é a força mais poderosa de todo o universo e não se limita às tragédias.

– Então, não era amor?

– Não. Nunca foi. Eu só precisava de alguém que precisasse de mim.

– Todos nós precisamos de alguém que precise de nós.

– Sim, a alma do negócio é reciprocidade.

– E por que você está me falando essas coisas, Ethan? – perguntei finalmente encarando novamente o garoto americano sentado ao meu lado.

– Eu vi a maneira que você estava olhando pra ele.

– Que maneira?

– De uma maneira que eu nunca olhei. – Ele me encarou por alguns segundos e se levantou para ir embora.

Em seguida, Chanyeol deixou as crianças nas mãos de outro surfista e veio até onde eu estava.

– O que o Ethan queria com  você? – perguntou com o cenho franzido.

– Contar alguns podres seus. – Brinquei.

– E tu acreditas naquele que me difama?

– Acredito naquilo que me convém.

– E o que te convém, belo jovem?

– Belo jovem? – Ri cortando a brincadeira.

– Sim, és tão belo quanto o sol que nos ilumina agora, pequeno Shakespeare. Se ainda não sabes disso, creio que olhastes no espelho da maneira errada.

– Isso não é de nenhum autor que eu conheça.

– Você não é o único bom com poesias aqui.

– E qual é sua inspiração, poeta surfista?

– No momento? O teu sorriso, belo jovem.

– Ok, já deu minha hora, tenho que voltar ao trabalho – disse ao me levantar​ rapidamente. Meu coração havia disparado como nunca antes e isso foi um tipo de alerta vermelho.

– Quando poderei te ver de novo? – perguntou.

– Você tem meu número, surfista. – Sorri. – Ah, e o Ethan não me disse nada demais, ele apenas quer o seu bem.

– Eu sei.

 

                                                                                                                (...)

 

– Ah, qual é, Baek? Você tem que ir comigo! – Kyungsoo implorou.

Nós estávamos nos meu carro, ele me obrigou a lhe dar uma carona.

– É com pesar que eu tenho que recusar o convite, meu caro amigo. – respondi com ironia. – Tenho coisa mais importante pra fazer do que ir à um luau com você e seu namorado.

– Tipo o quê? Ficar trancado no quarto?

– Sim! Com meu violão e o ar condicionado ligado, não tem coisa melhor!

– O que você tem contra luaus? – perguntou irritado.

– Sempre tem alguém com um violão que não sabe tocar direito e muito menos cantar, mas insiste em fazê-los – expliquei.

– E se no caso, você for esse cara? – perguntou com um sorrisinho nos lábios.

– Como assim? – perguntei indignado, pois eu tocava violão muito bem e minha voz podia não ser uma das melhores, mas dava pro gasto.

– Eu estou querendo dizer que você pode ser o cara com o violão, tenho certeza que todos iriam gostar. Você é talentoso e sonha se tornar um músico, é uma boa oportunidade. – Kyungsoo sempre foi bom em me convencer.

– Olhando por esse lado...

– Então, você vai? – perguntou animado, dando vários pulinhos no banco do carro.

– Talvez.

– Esteja pronto às oito e use branco. É sério! – ditou antes de descer do meu carro e correu em direção a sua casa.

                         

                                

                                                                                                                      (...)

 

Eu nunca fui uma pessoa pontual, até quando o assunto era de meu interesse, por isso quando ouvi as várias buzinadas de carro em frente a casa e olhei pela janela avistando Kyungsoo e aquele surfista alto, loiro e bronzeado, mais conhecido como Jongin, dentro do carro, eu ainda estava saindo do banho. Acabei pegando a primeira roupa que vi pela frente e o mais importante, meu violão lilás. O resultado foi um Baekhyun usando pela primeira vez uma bermuda de tecido, um moletom branco e chinelos.

– Uau, nunca pensei que te veria usando bermuda! – Kyungsoo comentou assim que sentei no banco traseiro do carro. – E caramba, suas coxas são mais grossas do que eu imaginava sem as calças pretas!

– Você não repara tanto em mim assim! – Jongin reclamou como uma criança mimada.

– Porque você sabe o quanto eu te acho maravilhoso, não preciso ficar repetindo – o mais baixo respondeu e o surfista sorriu, acarretando em um beijo ardente entre os dois.

– Cara, deixem isso pra outra hora – reclamei. – Não saí de casa pra assistir vocês dois se pegando.

– Não fale assim, seu mal amado! – Kyungsoo me repreendeu como se fosse meu pai. – Você e Jongin nem se conhecem direito ainda.

– Nós teremos tempo pra isso quando chegarmos a praia, amor – Jongin disse ao namorado. – Além do mais, gosto de pessoas sinceras.

– Você gosta de todo mundo, Jongin – Kyungsoo comentou contrariado.

O caminho até a praia foi barulhento e divertido, Kyungsoo e Jongin eram completamente animados e tagarelas. Com a música alta, fomos cantando até chegar ao local do luau e eu fiquei surpreso, não com a fogueira habitual ou as pessoas sentadas e bebendo ao redor dela, e sim, com o fato de não haver um cara com um violão, mas uma caixa de som tocando músicas aleatórias no último volume.

– Deixa eu adivinhar, aqui não há um cara que toca violão? – perguntei ao Kyungsoo.

– Bingo! – O mais baixo sorriu arteiro.

– Você me paga, seu anão!

– Apenas se divirta, ok? – Ele piscou pra mim. – Olha quem está vindo ali – avisou e eu olhei, avistando Chanyeol caminhando em minha direção. Kyungsoo deu um tapa na minha bunda e se afastou, indo ao encontro de Jongin.

– Eu estou surpreso em te ver por aqui, Baekhyun. – Chanyeol proferiu e o habitual sorriso alegre se formou nos lábios cheinhos.

– Já eu, nem tanto. – Dei de ombros. – Surfistas não sentem frio? – perguntei em tom de deboche após conferir que Chanyeol usava apenas uma bermuda branca e uma blusa de botões aberta, revelando seu abdômen definido e bronzeado.

– Não tem essa informação em algum livro do Shakespeare? – Devolveu com o mesmo tom de deboche.

– Oh, claro, como pude esquecer? Tem em Romeu e Julieta. – Ironizei. – Se o Romeu pegasse umas ondas, ele não precisaria de poesia pra conquistar a Julieta.

– Se cada vez que você generalizar algo sobre surfistas eu ganhar um dólar, ficarei rico daqui até o fim do verão – comentou risonho e eu revirei os olhos. – E então, o que te convenceu a vir se misturar com meros mortais feito nós? – perguntou sarcástico.

– Tem nome, sobrenome e um namorado de dois metros de altura.

– Quase. – Chanyeol riu fraco. – Jongin tem um e oitenta e dois, mas creio que o motivo de você estar aqui não seja os pedidos exagerados do seu amigo baixinho.

– Ah, então você agora está me chamando de mentiroso? – Arqueei a sobrancelha.

– Só acho que deve ter sido um outro motivo, já que em anos aqui na Flórida, você nunca sequer cogitou sair da casa do seu pai pra fazer algo além do que te convém.

– Você pensa que me conhece, mas não faz ideia – respondi rude e me virei para ir embora, mas ele me segurou pelo pulso e me puxou de frente para si.

– E não é isso que você faz, Baekhyun? Acha que sabe tudo sobre surfistas, sobre a Flórida e sobre o mundo, mas deixa eu te contar uma coisa que não tem nos livros que você lê, a prática. Então, a pergunta que não quer calar é: vai ficar só na teoria? – Sorriu convencido e esticou a mão em minha direção.

Eu sabia que ao pegar a mão dele naquela noite, minha vida mudaria para sempre, mas como dizia Shakespeare: “os amantes não veem as mais belas loucuras que cometem”.

Sentamos em uma das cadeiras de praia ao redor da fogueira e conversamos sobre tudo e sobre nada. Ele gostava de cerveja, eu de suju. Ele gostava de praia, eu do aconchego do meu quarto. Ele gostava das manhãs ensolaradas, eu gostava das noites chuvosas. Éramos completamente diferentes, mas ali, ao redor daquele fogueira, bebendo nossas respectivas bebidas preferidas, nós parecíamos estar no lugar onde deveríamos estar. Permiti ceder e prestar mais a atenção naquele surfista ao meu lado.

Gostei da maneira que os olhos grandinhos dele se fecharam ao sorrir. Gostei das orelhas de abano que lhe davam um aspecto fofo. Gostei das covinhas que surgiam em sua bochecha quando ele sorria. Gostei de como aquele piercing de metal em seus lábios fazia um contraste diferente com seu rosto. Gostei de como seus olhos brilharam ao falar do surf, e principalmente, quando Chanyeol pediu para desligarem a música um instante, para que eu pudesse tocar e cantar assim que comentei sobre ter trazido o violão.

Ele me observou e sorriu durante todas as músicas que cantei, algumas de minha autoria e outras a pedido do pessoal, que me aplaudiu ao fim de cada uma.

– Você conhece a música Dressed in black? Da Sia? – Chanyeol perguntou.

– ‘Tá brincando? É uma das minhas preferidas!

– Engraçado. É uma das minhas também.

E foi assim que eu acabei tocando e cantando Dressed In Black, a última música da noite.

 

                                                                                                                (...)

 

Fomos quase os últimos a ir embora do luau. Jongin não havia bebido, então, aceitamos a carona assim que ofereceu.

– Você canta muito bem, Baekhyun. – O Park elogiou enquanto estávamos sentados no banco traseiro do carro.

– Eu sei – respondi convencido. Eu estava um pouco alterado pela bebida, então relevem.

– Hum, o pessoal gostou bastante de você. O que você achou do luau?

– É, até que foi legal. – Dei de ombros. – Sabe, até que você é uma boa companhia.

– Oh, será que você pode repetir isso? Vou pegar meu celular pra gravar e escutar toda vez que você for rude comigo – zombou.

– Eu não sou tão rude assim, certo? – perguntei me sentindo um pouco arrependido por tratar o surfista mal na maioria das vezes.

– Quer que eu seja sincero, Baekhyun?

– Quero! – respondi afoito por estar curioso.

– Por trás de toda essa máscara de indiferença, você é um garoto doce e divertido – Chanyeol disse me encarando e eu senti minhas bochechas esquentarem. Isso mesmo, eu fiquei envergonhado. Nunca ninguém havia me dito coisas do tipo e isso me surpreendeu de certo modo. – Você se esconde do mundo, doce. Do que você tem medo? – Ele perguntou e segurou o meu queixo quando eu desviei o olhar, me impedindo de virar o rosto.

Pensei ter ouvido errado. Nem dá para acreditar que aquele bocó me chamou de doce.

– Eu tenho medo de no fim ficar sozinho. – Tirei suas mãos do meu queixo e virei o rosto em direção a janela do carro de onde provinha um vento gelado e litorâneo. – Eu tenho medo de me tornar o único pássaro a cantar no escuro.

Chanyeol cobriu minha mão com a sua e eu mantive o olhar na paisagem que passava pela janela. Senti a respiração do surfista próximo ao meu ouvido, me arrancando um arrepio e um suspiro contido.

– Você não está sozinho – sussurrou.

Então, eu virei o meu rosto e o encarei. Nossos narizes roçaram e nossos olhares se cruzaram, foi como se o tempo tivesse parado, por mais clichê que pareça.

Por um momento senti cada músculo do meu corpo tencionar. Ele iria me beijar? Talvez sim, talvez não. O carro parou e antes que eu pudesse descobrir tive de descer do veículo, pois já tinha chegado em casa.

– E ai, Chanyeol? Não vai deixar a donzela na porta de casa? – Kyungsoo perguntou em um tom brincalhão.

– Vai se foder, Kyungsoo, antes que eu me esqueça. – Bati a porta do carro com certa força e mostrei o dedo médio para o baixinho que estava rindo. Rapidamente Chanyeol abriu a porta e desceu.

– Espera! – O surfista acelerou o passo até me alcançar e continuou a caminhar ao meu lado.

– Você vai mesmo me deixar na porta de casa? – perguntei.

– Vou. – Sorriu.

– Você é cavalheiro demais ou só está a fim de me beijar? – perguntei assim que paramos em frente à porta de entrada da casa e eu deixei meu violão no chão.

– Os dois. – Sorriu e se aproximou de mim, mantendo o contato visual que eu não fiz questão de quebrar.

Ficamos um tempo somente olhando um para o outro, até que o clima foi quebrado por um assobio e um Kyungsoo gritando “beija logo ele!”

Revirei os olhos e ri da atitude idiota daquele coreano baixinho. Se fosse em outro momento, eu me irritaria e iria embora, mas eu estava realmente tentado a beijar aquele garoto bonito na minha frente, então, apenas me mantive ali, parado.

Chanyeol riu por um momento, levando as mãos até a barriga, em seguida se aproximou novamente e sussurrou em meu ouvido; – Eu quero muito te beijar agora.

– Apenas faça – sussurrei de volta, sem movimentar o corpo.

Chanyeol deixou um selar em minha bochecha e arrastou os lábios fazendo o caminho até a minha. Senti o piercing gelado arrastar por minha pele e o contato molhado dos lábios cheinhos e um tanto ressecados por causa do sal e sol. Foi um selar breve que durou até eu finalmente me mover e enroscar meus braços em seu ombro, trazendo pra mais perto de mim. Eu era bem mais baixo, então ele preciso se curvar um pouco.

Park segurou em minha cintura com uma delicadeza que não coincidia com a língua afoita pedindo passagem que eu logo cedi, enroscando a minha língua na dele.

Começamos um beijo desejoso e cheio de vontade. Nossos lábios se encaixaram perfeitamente e faziam estalos engraçados. O ósculo foi encerrado com um selar molhadinho dado por Chanyeol e nos separamos ofegantes, já que durou mais do que deveria.

– Ufa, pensei que vocês não iam se beijar nunca. – Meu pai disse após abrir a porta, fazendo eu recolher meus braços e o Chanyeol se afastar rapidamente.

O surfista pigarreou e sorriu envergonhado para Noah. Park estava tão vermelho que não aguentei e comecei a rir.

– Boa noite, treinador. – Chanyeol o cumprimentou enquanto eu ainda ria.

Vi o garoto enxugar as mãos, que provavelmente estavam suadas pelo nervosismo, em sua camiseta agora fechada e estender a direita em direção do meu pai.

– Oh, que isso Channie, sem formalidades. Acabei de ver você enfiando a língua na boca do meu filho – Meu pai respondeu e puxou o garoto pelo pulso até si, o abraçando e deixando tapinhas nas costas do mais novo.

Chanyeol quase se engasgou de constrangimento e eu parei de rir na hora, ficando envergonhado e tão vermelho quanto ele. O que o meu pai tinha de legal, ele tinha de inconveniente. Fazia o par perfeito junto com Kyungsoo quando a questão era envergonhar Baekhyun.

– Já chega, né, pai? – Lancei um olhar mortal para o Noah que apenas riu e se retirou.

Chanyeol colocou as mãos no bolso e tombou a cabeça para o lado, me lançando um sorriso divertido de bochechas coradas.

– Me lembre de não te beijar com o seu pai por perto nas próximas vezes – comentou.

– Nas próximas vezes? – Arqueei a sobrancelha, retribuindo o sorriso divertido.

– Sim, pequeno Shakespeare, nas próximas vezes. – Riu soprado e se aproximou, deixando um selar singelo em meus lábios. – Até logo. – Sorriu e se afastou, voltando a caminhar em direção ao carro.

O surfista foi recebido por assobios de Jongin e gritinhos de finalmente junto com as palmas de Kyungsoo.

 

                                                                                                                (...)

 

– Andar de bicicleta? De onde você tirou essa ideia? – perguntei ao Kyungsoo enquanto preparávamos pedidos de milk-shake.

– Querido, aqui tem uma orla bonita pra isso e bicicletas pra alugar – Ele respondeu como se fosse óbvio e entregou os milk-shakes ao cliente. – Já falei com o Jongin e o Chanyeol, só falta você aceitar.

– O que aconteceu com os programas comuns, como ir ao cinema ou à um parque de diversões? – Apoiei no balcão e o encarei.

– Nós não somos comuns, esqueceu? – Kyungsoo sorriu e eu o acompanhei.

– ‘Tá, mas e o quiosque? Temos que trabalhar, lembra?

– Eu já falei com seu pai, a Emma e o Jackson vão assumir aqui. Estamos liberados depois das onze da manhã.

– Você é uma peste, sabia, Soo?

– Uma peste que você ama, admita, Baekhyun!

– ‘Tá ok, eu vou com vocês, mas com uma condição. – Levantei o dedo indicador e toquei levemente a ponta do seu nariz.

– Qual?

– Nada de falar sobre o beijo que rolou semana passada depois do luau.

– Mas você e o Chanyeol andam se vendo direto!

– Como amigos.

– Que enrolação! Jongin me pediu em namoro duas semanas depois de começarmos a ficar.

– É complicado, Soo. – Suspirei.

– Não é nada complicado, Baek, você que é cabeça dura! Não quer admitir, mas já está envolvido com o Chanyeol até o talo.

– Apenas não fale sobre isso, ‘tá bem? Eu sei o que eu estou fazendo.

– Ah, eu ‘to vendo. – Kyungsoo bufou e se virou para atender um cliente.

Após acabarmos o expediente, fomos almoçar e marcamos de nos encontrar às duas da tarde na orla.

Eu não sabia o que vestir, então, coloquei minha famigerada calça preta rasgada, vesti uma camiseta branca sem estampa e calcei um tênis confortável.

– Eu já estava acostumado com você usando de bermuda – Kyungsoo comentou.

– Está mal acostumado. Aproveitei que hoje tá ventilado, então, não vou morrer de calor. – Dei de ombros.

Os surfistas chegaram minutos depois, ambos vestidos semelhantes a Kyungsoo. Bermuda e regata.

Eu no meio deles parecia um passarinho fora do ninho, mas eles não deixaram que eu me sentisse de tal forma.

Pedalamos juntos pela orla, cada um em uma bicicleta. Kyungsoo e Jongin iam na frente, deixando eu e Chanyeol lado a lado, logo atrás. Nós trocamos sorrisos e alguns olhares significativos.

O vento bagunçou nossos cabelos e nos impediu de suar quando inventamos de competir ou pedalar mais rápido.

Quando o tempo acabou, eram quatro da tarde. Kyungsoo não estava a fim de ir embora, então caminhamos até a praia e nos juntamos à alguns garotos que estavam jogando vôlei na praia.

Eu e Chanyeol ficamos em times adversários, o que tornou a brincadeira mais divertida. Nós ficamos todos sujos de areia e só paramos quando levei uma bolada na cabeça.

Depois disso passamos no quiosque e pegamos alguns sorvetes por minha conta, já que sou filho do dono e de Deus, era mais do que merecido um sorvetinho de vez em quando, certo?

– Você gosta mesmo de queijo com goiabada, não é? – perguntei ao ver que o sorvete de Chanyeol era do sabor Romeu e Julieta.

– Sim, aparentemente podem ser sabores que não combinam juntos, mas quem os juntou sabe que os gostos se completam – o surfista respondeu de maneira séria.

– Desculpa interromper a conversinha do casal, mas eu e Jongin já vamos – Kyungsoo avisou. – Temos coisas pra fazer. –Sorriu malicioso e Jongin o acompanhou no sorriso, se despedindo logo em seguida da gente.

– Esses dois... – proferi risonho ao ver o casal se afastar de mãos dadas. 

– E então, ‘tá a fim de ir lá em casa? – Chanyeol perguntou repentinamente. Olhei pra ele com os olhos cerrados.

– Fazer o quê? – perguntei curioso, já que eu nunca havia ido na casa do surfista.

– Assistir um filme?

– Só assistir um filme, certo?

 

                                                                                                                 (...)

 

Quando um cara te convida pra ir à casa dele assistir um filme, ou ele quer transar ou ele gosta realmente de assistir filmes. Bom, a segunda opção é minoria, já que eu me encontrava aos beijos com Chanyeol em sua cama pequena de solteiro. Calma, vou explicar desde o início.

Não havia ninguém na casa do surfista e quando eu cheguei em seu quarto me deparei com pôsteres do Star Wars e uma estante cheia de livros e filmes. Isso mesmo, nada de apanhador de sonhos ou enfeites com conchas e pranchas. Havia apenas uma prateleira com troféus das competições de surf que ele ganhou e ao lado um gancho com medalhas penduradas.

– Surpreso? – Ele perguntou quando que me viu de boca aberta, observando os detalhes de seu quarto.

– Eu pensei que você dormia em cima de uma prancha. – respondi divertido.

– Oh, era pra ser engraçado?

– Tudo bem, eu sei que te julguei pelas aparências, não vou fazer mais, prometo – falei rapidamente.

– Isso não importa, eu não preciso provar nada pra ninguém. O que importa realmente é se você mudou seu pensamento sobre surfistas.

– Sim, eu realmente fui chato e generalizei bastante esse negócio de cidade praiana e surfistas, culpe os filmes! Eu só criei uma espécie de proteção, não queria me apegar a esse lugar.

– E por que não?

– Porque no fim eu sempre volto pra Coréia, como a minha mãe voltou.

– Você pode escolher ficar.

– Não é simples assim. – Suspirei e sorri forçado. – Vamos logo assistir um filme.

– Qual você quer assistir? Tem vários, é só escolher. Eu vou pegar algo pra gente comer, volto logo.

Tinham muitos filmes de ação e conceituais, mas eu acabei escolhendo Donnie Darko. Eu já tinha o assistido, mas era um dos meus preferidos.

Chanyeol voltou com coca-cola e salgadinhos de queijo. Ele deitou na cama e eu me sentei em um pufe ao lado. Na metade do filme a comida acabou e eu levantei pra ir ao banheiro que ficava no quarto do surfista mesmo. Quando eu abri a porta para voltar ao pufe, dei de cara com o Chanyeol que não perdeu tempo e tascou um beijo em mim.

No início eu não retribuí pois foi muito repentino, o que fez o surfista se afastar envergonhado, mas eu não dei tempo para que ele falasse algo e tomei a iniciativa de beijá-lo novamente.

Foi assim que acabamos na cama, com as pernas enroscadas e aos beijos enquanto a trilha sonora de uma cena do filme nos embalava. Os beijos eram lentos e demorados, mas não havia conotação sexual e muito menos mão boba. Estávamos nos provando, nos conhecendo, nos envolvendo.

Eu deitei no peito do surfista após vários beijos e voltamos a prestar atenção no filme.

– Eu gosto desse final. É genial. – comentei sem desviar os olhos da televisão de plasma grudada na parede.

– Passei minha vida inteira procurando alguém que achasse o final desse filme genial – Chanyeol respondeu. – Acho que temos que casar, Baekhyun.

– Não está muito cedo pra falar de casamento, Romeu? – perguntei, levantando o rosto para encará-lo. – Já parou pra pensar que você parece um duende? Não aqueles duendes feios do Harry Potter, mas aqueles fofinhos.

– Você sempre estraga o clima, Baek. – Fingiu estar chateado. – Você me acha fofinho?

– Chega a ser engraçado, você é tão fofo quanto sexy.

– E isso é bom?

– Eu gosto.

– E você parece um bolinho de arroz.

– Sério, Chanyeol? Eu digo que você é fofo e sexy, e você vem me comparar com um bolinho de arroz?

– Eu acho bolinho de arroz gostoso!

 

                                                                                                               (...)

 

Os dias ao lado do surfista bronzeado, com piercing nos lábios e cabelo ressecado eram divertidos, por incrível que pareça. Nós não tínhamos muita coisa em comum, mas ele me mostrava um pouco do seu mundo e eu mostrava a ele um pouco do meu.

 

Seus olhos brilham quando você fala de música – disse Chanyeol.

Nós estávamos sentados no deque dos fundos da casa do meu pai, conversando e observando o sol se pôr no horizonte.

Talvez eu entenda o seu amor pelo surf.

 

Passei a sair mais e aproveitar a Flórida, me permiti conhecer e aprender sobre o lugar e no fim das contas, toda aquela hipocrisia e prepotência que eu arrumei pra me proteger de tudo e de todos já não existia mais. Percebi o quão idiota era da minha parte julgar as coisas sem realmente conhecê-las ou vivê-las.

Eu me permiti viver, sem medo e de coração aberto. Fosse o que fosse acontecer, eu iria enfrentar, pois tinha algo que antes eu nem sonhava em ter. Tinha esperança.

 

Pai, o Chanyeol vem jantar aqui em casa hoje, então, vamos pedir comida de um restaurante, por favor. – avisei assim que cheguei em casa após o expediente no quiosque.

Vocês estão namorando? – Noah perguntou com um sorrisinho arteiro nos lábios.

Não! Quer dizer, ele só vem jantar aqui. – Sorri nervoso. 

Ele ainda não te pediu em namoro? 

Eu não quero ser pedido em namoro, pai. Você sabe o porquê.

Tudo bem, meu filho. Eu não vou me meter nisso, só espero que nenhum dos dois saía ferido disso tudo. 

Ah, você espera? – Franzi o cenho. Eu deveria vir passar as férias aqui e ficar trancado no meu quarto, mas não, o senhor Noah acha que eu devo sair pra conhecer a Flórida e talvez me apaixonar, pra depois ir embora e nunca mais voltar! – disse aumentando o tom de voz e lançando um olhar triste ao meu pai.

Desculpa, filho. Eu não vou mais me meter, você sabe o que faz e não deve se basear no que aconteceu comigo e sua mãe.

Talvez seja uma sina de família, pai. – Sorri fraco e subi para me arrumar.

 

Uma semana passou rapidamente com Chanyeol. Ele sempre arranjando tempo entre seus treinos para a próxima competição de surf e eu entre o trabalho no quiosque e minhas composições. Vez ou outra nos juntávamos com Kyungsoo e Jongin para passearmos pela cidade ou irmos à alguns luaus noturnos.

Em anos eu finalmente estava aproveitando meu verão na Flórida e me sentia bem feliz com isso.

E sim, vez ou outra eu e Chanyeol dávamos alguns amassos, mas nunca falávamos sobre relacionamento. O surfista por talvez achar muito cedo para tal, já eu, por saber que não poderia me envolver em um.

 

                                                                                                                (...)

 

– Hoje é a competição final de surf daqui, o quiosque vai abrir? – perguntei ao meu pai.

– Vai, mas você não precisa trabalhar hoje. Nem o Kyungsoo. – Sorriu. – Apenas vão lá e deem apoio ao Channie e ao Jongin.

– Você está mesmo feliz por eu estar curtindo essa vibe de praia e surf, não é?

– Fiquei chateado que não ter sido eu o cara que abriu os seus olhos, mas o Chanyeol fez um bom trabalho. – Noah bagunçou meu cabelo e voltou a bebericar o café.

Eu tomei meu café da manhã de maneira apressada e mandei uma mensagem para o Kyungsoo, avisando que estávamos liberados pra assistir a competição e que eu iria passar em sua casa para pegá-lo.

Vesti uma bermuda de tecido leve, pois a manhã estava ensolarada. Escolhi uma de minhas blusas pretas com frases de poetas,porque não sou de ferro, e calcei a única sandália que eu tinha. A frase em minha camisa combinava muito com o que eu estava vivendo no momento.

“Toda vida é um país estrangeiro.”

 

                                                                                                                  (...)

 

– Tem muitas pessoas aqui! – reclamei assim que Kyungsoo e eu arranjamos um lugar para sentar na areia e assistir a competição.

– Você está incomodado porque é um chato ou porque esse tanto de "pessoas" – Fez as aspas com os dedos – vieram assistir o seu homem?

– Não seja idiota, eu só estou me sentindo agoniado com essa multidão. – Dei de ombros.

– Corrigindo, com essa multidão de meninas de biquíni querendo agarrar nossos homens.

– Chanyeol não é meu homem – falei na defensiva.

– Mas eu nem citei o nome do Chanyeol! – Kyungsoo sorriu de lado. – Você mesmo se entrega, Baek.

– Ah, cala a boca e assiste a competição que seu namorado é o próximo.

Havia passado um tempo desde que Jongin e Chanyeol fizeram a primeira bateria. Ambos ficaram entre os primeiros e iriam competir para definir o pódio. Eram cinco surfistas para três colocações, enquanto Kyungsoo tinha um troço ao meu lado e eu roía todas as minhas unhas. Só consegui achar engraçada e fofa a forma que o Chanyeol ficava em pé em cima da prancha com aquelas pernas compridas e tortas.

Eu estava tão focado, assistindo a competição, que nem notei alguém se sentar ao meu lado.

– Então, você é o novo namoradinho do Chanyeol? – O garoto era ocidental, loiro e de olhos azuis.

– Eu não sou namoradinho de ninguém. – Desviei o meu olhar para a frente novamente, vendo Jongin cair da prancha no final de sua bateria e Kyungsoo levantar e correr pra mais perto da água para receber o namorado. Jongin provavelmente perderia pontos e talvez a oportunidade de vencer a prova. – E você, quem é? – perguntei.

– Sou o melhor surfista daqui, não preciso dessas competições pra ser classificado. – Sorriu presunçoso. Eu não fazia ideia do que ele estava falando e nem queria saber, ele fedia a prepotência e era convencido. – Vai me ignorar mesmo, japinha?

– Eu não sou japinha, sou coreano. E eu não sou obrigado a conversar com você, então sim, vou te ignorar.

– Uh, então a vadiazinha asiática é arisca?

– Você me chamou do quê? – Levantei incrédulo para encarar o idiota, chamando atenção de algumas pessoas ao nosso redor.

– Disseram que é ótimo comer um asiático, vamos lá, eu sou melhor do que o Chanyeol. – O garoto se levantou e tentou se aproximar de mim com um sorriso malicioso nos lábios.

– Ótimo vai ser meu punho na sua cara – vociferei e em seguida acertei um soco certeiro no nariz do garoto que colocou as mãos no rosto fazendo um careta de dor.

Ele teria vindo pra cima de mim se o Chanyeol não tivesse aparecido rodeado de pessoas, gritando o meu nome e me abraçando em seguida. Ele havia ganhado a competição em primeiro lugar e me beijou na frente de todo mundo enquanto me rodava no ar.

 

                                                                                                                   (...)

 

Descobri horas depois que o garoto que eu soquei se chamava Tony e o idiota era o maior rival de Chanyeol e Jongin em relação ao surf. O cara era um babaca e os três não se davam bem dentro e fora da água.

– Eu não acredito que você socou o Tony! – Kyungsoo exclamou afoito, rindo da situação.

– Ele me chamou de vadiazinha, não ia deixar isso barato.

– Se eu tivesse lá, ia quebrar a cara daquele babaca. – Chanyeol disse com os punhos cerrados.

– Não ia nada! – contestei e cruzei os braços. – Eu sei me defender e você não deve ficar se metendo em brigas logo agora que está ganhando todas as competições.

– É, agora sabemos muito bem que você sabe se defender. – Kyungsoo disse entre risinhos. – Você quase quebrou o nariz do Tony!

– Era pra ter quebrado – Chanyeol resmungou formando um bico contrariado nos lábios.

– Eu não sou uma donzela em perigo, Romeu – sussurrei no ouvido de Chanyeol e deixei um selar em seus lábios cheinhos. O surfista se sobressaltou com minha demonstração de afeto repentina e eu sorri. – Parabéns por ter ganhado a competição – justifiquei. – Aliás, é realmente uma pena que você tenha caído, Jongin. ‘Tá tudo bem?

– Chanyeol ia ganhar em primeiro do mesmo jeito. – Jongin sorriu e deu tapinhas nas costas do amigo. – Além disso, tem outras competições mais para frente. Obrigado por se preocupar, Baek.

Achei estranho Chanyeol ter pigarreado e mudado de assunto, mas resolvi deixar pra lá. Ficamos um tempo juntos na praia e depois cada um foi para a sua casa, os meninos tinham que descansar, pois a noite iríamos comemorar.

 

 

                                                                                                                     (...)

 

– Filho, o Channie ‘tá te esperando – Noah gritou do andar de baixo e eu me apressei para descer as escadas. – Quem é você e o que fez com o meu filho?

– Deixa de graça, pai, eu só não estou usando minhas roupas pretas porque estão todas sujas. – Revirei os olhos.

Eu não menti, minhas roupas pretas realmente estavam quase todas para lavar, mas em parte, eu quis mudar um pouco o visual. A noite seria especial e senti vontade de agradar um certo surfista orelhudo. Vesti uma camiseta rosa bebê e por cima uma jaqueta jeans com uma calça de lavagem escura com rasgos nos joelhos e um tênis vans preto.

– Antes de você ir, toma. – Meu pai sorriu e me estendeu um envelope branco. – Chegou hoje de manhã.

– É o que eu ‘tô pensando? – perguntei, sendo inundado por um misto de felicidade e receio.

– É. Você vai abrir antes de sair?

– Vou, afinal, isso mudaria as coisas drasticamente, certo? – Sorri fraco e meu pai suspirou.          

 

                                                                                                            (...)

 

– Uau, você tem uma moto, surfista? – perguntei assim que saí de casa e me deparei com Chanyeol encostado em uma moto.

– Decepcionado por que eu não vim à cavalo? – Chanyeol perguntou divertido. – Sou um Romeu moderno, meu caro.

– E idiota também. – Ri e acertei um tapinha em um de seus braços.

Chanyeol estava vestido de uma maneira simples, mas diferente do que costumava vestir. Uma camiseta preta, calça jeans escura e caída na cintura, revelando sua cueca branca e uma bota militar de cano longo na cor preta.

– Você está lindo, pequeno Shakespeare. – Segurou em minha cintura com um sorriso ladino nos lábios e me puxou pra perto de si, juntando nossos peitos. Retribui o sorriso e enrosquei meus braços ao redor do seu pescoço. – Devo presumir que isso tudo é pra mim? – perguntou divertido.

– Você está se achando muito, uh? Devo presumir por causa do surf e da moto que você gosta de montar nas coisas? – perguntei recebendo um revirar de olhos em troca.

Nossos rostos estavam tão próximos que os lábios roçavam enquanto falávamos.

– Você sempre estraga todo o momento romântico, Baek, nem parece que é fã de Shakespeare!

– Quanta calúnia! Você que começou – retruquei com um bico nos lábios que logo foi desfeito por um selar leve dado por Chanyeol.

– Se eu assumir a culpa, o que eu ganho em troca? – perguntou.

– Ora ora se não temos um Romeu picareta querendo barganhar – falei fingindo um tom de ultraje. – A propósito, quero te dar o devido parabéns pela vitória hoje, Channie. – Sorri e em seguida o beijei.

Nossos beijos costumavam ser lentos e desejosos. Eu amava sentir os lábios macios do surfista contra os meus e amava mais ainda aquela pequena peça de metal presa à boca do maior que vez ou outra roçava em minha língua. Encerrei o ósculo com um selar demorado e me afastei, deixando somente nossas mãos entrelaçadas.

– E você também está lindo vestido desta maneira, está querendo agradar um certo alguém, surfista? – Sorri de lado e pisquei para ele.

- Só cala essa boquinha linda e vamos, temos a noite toda pela frente.

Chanyeol colocou o capacete em minha cabeça e após fechá-lo de maneira atenciosa, deixou um selinho em meus lábios. Ele subiu na moto e eu sentei logo atrás, era como se estivéssemos sob uma prancha novamente. Coloquei meus braços em volta de sua cintura e ele deu a partida.

Andar pelo condado de Brevard, sentado na garupa da moto do surfista que andava povoando a minha mente era uma das melhores sensações que vivi. Eu senti a adrenalina correr por minhas veias e uma sensação de felicidade preencher meu coração, Chanyeol tinha o dom de me fazer ter essas sensações. Sentiria falta daquilo.

O surfista circulou pela área da praia que só não estava deserta, pois era final de semana. O passeio de moto foi agradável e apreciar a vista da lua sob o mar que a refletia enquanto o vento tocava nossos rostos e o motor da moto cortava o barulho das ondas quebrando na areia foi algo especial.

 

– Onde vamos agora? – perguntei assim que subimos na moto novamente.

Chanyeol tinha parado em um parque de diversões apenas para tirarmos fotos naquelas cabines que imprimem foto na hora, e acabamos parando para comer algumas maçãs do amor que estavam muito gostosas.

Melhor ainda foi o beijo doce que trocamos após comê-las. Senti como se estivesse em um filme de romance e até as sensações como coração disparado, borboletas no estômago e nervosismo se abateram sobre mim.

– Vamos até a minha casa, vou preparar um jantar pra gente comemorar.

– E eu pensando que o Romeu me levaria pra jantar em um restaurante – zombei e sorri em seguida. – Gosto da ideia de ter você cozinhando pra mim.

– Você é um folgado, isso sim, Baekhyun.

                                                                                                               (...)

Não sei o que mais me deixou impressionado, o buquê de flores ou a cesta de piquenique, ambos em cima da mesa de jantar.

– São gardênias! – exclamei assim que Chanyeol me entregou o buquê. – Como você sabe que é a minha flor favorita? – perguntei curioso, mas meus olhos estavam voltados para as flores.

Aquela flor, além de linda, tem o aroma maravilhoso. Me lembrava os perfumes delicados que minha mãe costumava usar.

– Ah, o Kyungsoo me contou...

– Eu sabia que tinha dedo nele nisso! – Estreitei os olhos.

– Ele apenas me ajudou com algumas informações – o surfista frisou. – Eu fiz todo o resto.

– Você é mesmo um Romeu romântico, uh? – indaguei retórico e Chanyeol sorriu.

– E você é um bobo.

– Um bobo que está caidinho por você. – Deixei escapar e Chanyeol se aproximou para me abraçar, deixando um beijo carinhoso em minha testa.

– É curioso você fazer essas coisas por mim quando, na verdade, eu deveria fazer, certo? Afinal, você ganhou a competição hoje.

– Tem coisa melhor do que poder comemorar ao seu lado? – perguntou e eu corei. – Sua presença é o melhor presente Baek, só estou retribuindo.

“O que vistes em mim, Romeu?” – perguntei, apertando os braços em volta da cintura do surfista e deitando minha cabeça em seu peito.

– O que vistes em mim, doce? – Chanyeol retribuiu a pergunta e me abraçou mais forte.

“Quando a boca não consegue dizer o que o coração sente, o melhor é deixar a boca sentir o que o coração diz.” – recitei antes de levantar o rosto na direção do dele e iniciar um beijo carinhoso, repleto de significado.

Não era apenas um contato físico. Eram nossos sentimentos ali, puros. Meu coração estava disparado e eu podia sentir o dele na mesma frequência. Minhas pernas estavam bambas e meu corpo se arrepiou ao mínimo toque.

Eu pude sentir tudo e me assustei ao perceber que já era amor.

– Quando nos tornamos tão melosos assim, hein? – perguntei assim que nos afastamos e Chanyeol revirou os olhos.

– Sempre estragando o clima, tsc. – Ele me olhou nos olhos e sorriu.

Seus olhinhos formaram dois risquinhos e seus lábios inchados e molhados por causa do beijo sobrepuseram seus dentinhos. A fofura fazia contraste com o piercing e os seus músculos, isso me deixava como um bobo suspirando pela beleza eminente daquele surfista romântico.

– Vamos?

– Para onde? Nós não vamos jantar aqui? – perguntei confuso.

– Vamos fazer um piquenique na praia, a luz luar.

– Praia? Tem alguma praia por aqui?

– Você faz perguntas demais, doce. – Sorriu e pegou a cesta de piquenique. – Vamos? – repetiu e eu revirei os olhos risonho.

Chanyeol entrelaçou sua mão na minha e me guiou até os fundos da casa. Adentramos por uma trilha de areia branca que cortava uma pequena floresta que havia ali e andamos por alguns minutos até chegar em uma pequena praia deserta, iluminada pela luz do luar.

– Que lugar é esse? – perguntei surpreso. – Uma praia particular?

– Mais ou menos. – Chanyeol coçou a nuca. – Ninguém além de mim ou seu pai conhece esse lugar.

– Ai meu Deus! – Arregalei os olhos. – Por acaso essa é a praia que meus pais usavam pra se pegar?

– Eu não sei... – Ele sorriu constrangido. – Seu pai me disse que era um lugar reservado e eu passei a vir aqui pra relaxar, então, achei que seria boa ideia te trazer aqui...

– Nossa, com certeza eu fui concebido aqui!

– Hum… Se você não quiser jantar aqui, tudo bem. A gente pode voltar e jantar em casa...

– Não, não tem problema. Vamos jantar à luz do luar, uh? – Sorri enviesado e Chanyeol retribuiu.

Eu não estava a fim de estragar a noite e se realmente fosse a praia qual meus pais frequentaram, outra história de amor terminaria ali, infelizmente.

Pensar nisso me deixou desanimado, mas eu havia aceitado correr risco, sabia que desde o início isso poderia acontecer. Só não esperei que o tempo fosse passar tão rápido ao lado daquele surfista de sorriso fácil e coração enorme.

Caminhamos pela areia fofa e branca de mãos dadas. Antes Chanyeol me fez tirar os sapatos igual a si para sentir a areia nos pés.

Ele estendeu uma manta rosa bebê de algodão na areia e colocou a cesta de piquenique ao lado, junto com nossos sapatos.

– Rosa bebê é uma das minhas cores preferidas – comentei assim que sentei sob a manta.

– Eu sei, Kyungsoo me contou também – Ele respondeu antes de sentar ao meu lado.

– Eu gostaria que você perguntasse as coisas à mim ao invés de perguntar ao meu amigo. – Cruzei os braços.

– Eu queria te agradar, então,  acabei perguntando algumas coisas à ele – explicou ligeiramente envergonhado.

– Não precisa justificar, acho fofo o fato de você querer saber mais sobre mim.

– Teremos a noite toda pra colocar as cartas na mesa, uh? – Chanyeol brincou e eu engoli em seco, depois sorri forçado.

É, até o fim da noite eu teria que contar a verdade.

– E então, o que temos pra comer? – perguntei na tentativa de mudar o assunto.

– Tacos de peixe, torta de maçã e vinho. – O surfista apresentou assim que tirava os alimentos da cesta. – Ah, e uma lanterna. – Ligou o objeto e colocou sobre a manta, deixando o lugar ligeiramente iluminado.

– É um Louis Latour Chablis! – Eu exclamei surpreso assim que Chanyeol começou a servir a bebida em copos de Milk-shake da lanchonete do meu pai.

– Você entende de vinho?

– Mais ou menos, minha mãe é uma apreciadora de vinho, então, eu sei algumas coisas, inclusive que esse é um Chardonnay caro. Você não precisava ter gastado tanto, Chanyeol.

– Isso não importa, Baek. – Ele riu e me entregou um copo quase cheio. – Vamos apenas apreciar uma boa bebida a luz do luar.

– Você é um bobo, surfista. – Sorri. – Inclusive, amei os copos. – Levantei o objeto e ele fez o mesmo, logo batendo o plástico no meu.

– Oh! – exclamei surpreso ao ver minha caligrafia no copo que ele segurava. – Esse é o...

– Sim, é o copo que você anotou seu número aquele dia. – Chanyeol sorriu.

Sob a luz do luar, eu e Park jantamos. A brisa que vinha do mar calmo não nos deixava sentir calor, o som das ondas quebrando era a trilha sonora juntamente com as nossas confissões trocadas aos sussurros.

– Sob a luz do luar, hoje seremos só nós. Nós e uma noite inteira pela frente – Chanyeol sussurrou em meu ouvido, fazendo cada pelo do meu corpo se eriçar.

Secamos a garrafa de vinho e junto com líquido se foi a nossa inibição. Trocamos confidências, segredos e beijos ardentes. Colocamos o papo da semana em dia, falamos de amor, sonhos e coisas banais.

– Eu gosto do seu cheiro – comentou enquanto passava o nariz rente ao meu pescoço. Eu estava deitado de costas na manta e Chanyeol estava sobre mim, entre as minhas pernas. – É doce como você.

– Eu gosto mais ainda do seu – rebati. – Lembra o mar e mar me lembra você.

Chanyeol sorriu e passou a trilhar um caminho de beijinhos leves por meu pescoço, arrancando suspiros de mim.

– Eu preciso te contar uma coisa, Baek. – O surfista se suspendeu sobre os braços apoiados ao lado da minha cabeça e me encarou. Ele estava sério e isso me fez meu estômago revirar.

– Eu também tenho algo pra te contar, Channie. – Sorri fraco o olhando nos olhos. – Eu começo, ‘tá bem? – perguntei sentindo o nervosismo e a tensão tomarem conta de mim.

Chanyeol assentiu, saindo de cima de mim e sentando ao meu lado. Ele tinha o cenho franzido e mordia os lábios em ansiedade. Meu coração disparou e eu sabia que nada do que eu dissesse ali era o que ele esperava.

– Eu vou ser direto. – Sentei e encarei o surfista. Ele estava belo sob a luz branca do luar. – Eu passei em uma faculdade de música na Coréia, recebi a carta de admissão hoje. Era difícil conseguir entrar nela, então, eu não estava muito confiante por isso não contei a ninguém além dos meus pais.

– Que bom, Baek! Fico feliz por você. – Chanyeol disse animado, mas seu sorriso morreu ao ver lágrimas se formando em meus olhos.

– Eu não vou voltar pra Flórida por cinco anos, então esse provavelmente é nosso único verão juntos – contei com a voz embargada por estar prendendo o choro e o surfista incrivelmente não explodiu de raiva como eu imaginei, ele apenas suspirou e me abraçou forte.

– Então, isso iria acontecer de uma maneira ou de outra...

– Isso o quê? – perguntei ao me afastar.

Chanyeol deixou escapar uma lágrima que eu me prestei a limpar com os dedos. Fiz um carinho singelo em sua bochecha e me afastei novamente.

– Com a minha vitória nessa competição, passei para as próximas fases que serão no Havaí, na Austrália e no Brasil. É uma grande oportunidade...

– Eu fico muito feliz por você, apesar de tudo. – Sorri fraco. – Eu não vou te pedir pra ficar da mesma maneira que eu sei que você não vai me pedir, seria egoísmo e nós não somos assim.

– Nós poderíamos ter transformado essa conversa em um drama, você sabe disso, certo?

– Eu sei, como eu sei. – Suspirei. – Mas eu não sinto como se fosse uma despedida.

– Nem eu – Chanyeol sussurrou com a voz embargada e selou seus lábios nos meus.

Enrosquei meus braços no pescoço alheio e iniciei um beijo afoito e necessitado. Queria que não parecesse uma despedida, mas ficou claro assim que ele retribuiu de maneira igual.

– Você tem certeza que quer continuar? – perguntou ofegante.

– Nunca tive tanta certeza em toda minha vida.

Apesar do beijo afoito, os toques do surfista sob minha pele eram delicados, quase como se ele tivesse medo de me quebrar. Eu sentei em seu colo e passei rebolar, roçando nossos membros já despertos enquanto Chanyeol apertava minha cintura com ambas as mãos, me impulsionando contra si. Park deixava escapar suspiros de satisfação enquanto eu gemia fraco e baixinho. Ele retirou a minha jaqueta e camisa rapidamente, logo se voltando ao pescoço, deixando beijos e mordidas no local que me arrancaram gemidos arrastados.

– Parece um gatinho manhoso – Chanyeol sussurrou com a voz rouca em meu ouvido e deixou uma mordida no lóbulo.

Senti uma onda de prazer percorrer por todo o meu corpo e rebolei mais forte buscando mais contato.

– Sua voz cantando é perfeita, mas gemendo... – Suspirou. – É maravilhosa – murmurou e desceu as mãos da minha cintura até as nádegas e as espalmou ali, voltando a me impulsionar contra si.

Ele soltou alguns gemidos roucos e baixos, eu já estava completamente excitado e molhado.

Retirei a camiseta do surfista e lambi meus lábios diante do tronco magro e malhado do mesmo. Eu não havia me acostumado com a beleza da sua pele levemente bronzeada, dos músculos dos braços, que agora estavam rígidos, e dos gominhos na barriga sarada. Apesar de isso, não me importar muito, senti a minha boca salivar com tal visão.

Levei as mãos até os braços fortes de Chanyeol e acariciei os músculos com os dedos, desenhando cada contorno da pele exposta com devoção. Depois me voltei ao seu abdômen, também contornando os músculos dali, até chegar ao baixo ventre do surfista e o arranhar com minhas unhas curtas.

Vi o Park revirar os olhos e em um movimento rápido me virar para baixo de si. Colocando-se novamente entre minhas pernas.

– Você é tão lindo – disse, enquanto seus olhos varriam cada canto do meu rosto. – Suas bochechas cheinhas são fofas, como você. – Riu e em seguida mordeu levemente ambas as minhas maçãs.

– Yah, eu não sou fofo! – protestei.

– Você é doce, fofo e delicado – retrucou e deixou um beijinho em meus lábios quando tentei contestar. – Mas é rude quando se sente ameaçado, sabe se defender quando precisa e tem o pavio curto.

– É agora o momento que você percebe a furada em que está se metendo ao se envolver comigo? – Arqueei a sobrancelha.

– Ui, rude! Não disse? – Sorriu. – Eu estou me declarando aqui, então, fique quietinho e me escute quando eu tiver algo a dizer – falou num tom rouco e eu assenti com a cabeça. – Onde estávamos?

– Você estava dizendo o quanto eu sou maravilhoso... – respondi e Chanyeol riu.

Nós voltamos a trocar carícias e beijos e por pouco nos despindo, até estarmos completamente nus.

O surfista deixou um rastro de beijos e chupões desde o meu pescoço até o fim do meu abdômen liso. Em um momento ele se concentrou em acariciar meus mamilos com a língua enquanto roçava nossas ereções livres de qualquer tecido. Eu estava enlouquecendo de tesão quando ele finalmente ultrapassou o meu baixo ventre e passou a dedicar beijos e mordidas em minhas coxas.

– Suas coxas são tão gostosas, eu posso passar dias beijando e acariciando elas.

– Hum... Você pode beijar outro local também... O que tem no meio delas, por exemplo. – comentei com a voz fraca, falhando, na tentativa de não parecer tão necessitado.

– Você não existe. – Chanyeol me encarou com um sorriso ladino por um momento, seus olhos brilharam em um misto de desejo e admiração. – E eu posso realmente beijar o que há no meio destas coxas perfeitas, só não disse o que. – Ele contou e antes que eu pudesse falar algo, o surfista levantou levemente o meu quadril e eu senti o músculo molhado em minha entrada.

Deixei um gemido surpreso escapar e isso pareceu incentivá-lo, pois ele começou a me penetrar com a língua. Foram minutos de um prazer intenso, onde Chanyeol se dedicou com sede, deixando as mãos acariciarem, arranharem e apertarem minhas coxas.

Fui preparado por seus dedos ágeis enquanto sua boca se ocupou com meu membro. Eu estava tão envolto em prazer e sentimentos que quase não senti dor alguma.

– Você tem camisinha? – perguntei ofegante, assim que Chanyeol voltou a ficar por cima de mim e me beijou.

O surfista arregalou os olhos e se afastou rapidamente pra procurar algo entre suas roupas. Vi Park pegar a carteira e suspirar aliviado ao puxar uma camisinha de dentro do objeto.

– É sabor menta – comentou após colocar o preservativo e voltar para entre as minhas pernas.

– Refrescante – comentei divertido.

Chanyeol olhou fixamente em meus olhos, aquele olhar era significativo e eu sabia disso, pois retribuía igualmente. Voltamos a nos beijar lentamente, enroscando as línguas em uma dança sensual. Senti o surfista ajeitar o membro em minha entrada, arrastando-o pra cima e pra baixo. A sensação gelada no local sensível por causa do lubrificante da camisinha me excitava ainda mais.

Ele me penetrou lentamente, deixando um gemido rouco e arrastado escapar. A penetração doeu de certa forma, mesmo tendo sido preparado perfeitamente.

Chanyeol deixou vários beijinhos delicados em meu rosto, como se pedisse desculpa por algo inevitável e ficou um tempo parado, esperando eu me acostumar com a invasão. Seus olhos estavam cerrados e seus lábios franzidos, era óbvio o esforço que ele fazia para não se mover e acabar me machucando.

– Já po-pode se mexer. – Gemi manhoso e necessitado.

Park entrelaçou uma das mãos a minha e a outra puxou uma de minhas coxas para envolver na cintura, começando a se mexer.

Foram estocadas lentas acompanhadas de gemidos arrastados, tanto meus quanto dele. Cada movimento, cada beijo, cada toque eram preciosos e indispensáveis. Os movimentos rápidos e lentos, as posições confortáveis e até algumas não usais, as mordidas e até mesmos os arranhões; cada gemido, suspiro e arrepio perpetuado em mim e em Chanyeol.

Tudo como uma linda melodia composta por nós dois, ali, naquela praia deserta com os corpos unidos como um só.

Eu cheguei ao ápice primeiro, chamando pelo nome do surfista que em seguida ele se derramou dentro do preservativo, soltando um gemido rouco beirando um grunhido.

Chanyeol deitou de costas na manta, retirou a camisinha e me puxou para cima de si, me envolvendo em um abraço aconchegante. Podia sentir seu peito subir e descer, o coração acelerado e os músculos palpitando, eu estava igualmente afetado.

“Tua beleza é igual a luz do luar, só que permanece quando a noite se vai” – recitei encarando o rosto do surfista e em seguida deixei um beijo rápido em seu peito, onde descansei minha cabeça e retribuí o abraço.

Não sei quanto tempo ficamos ali abraçados, apenas aproveitando nossos corpos nus colados enquanto a lua e o mar nos faziam companhia. Fomos embora um pouco antes de amanhecer e Chanyeol me deixou em casa.

– Me ensine a surfar – pedi assim que desci da moto, quando paramos em frente à minha casa.

Chanyeol abriu um sorriso enorme, eu não consegui me segurar e sorri junto.

– Com todo prazer, doce. – respondeu com uma animação palpável e me abraçou. Nada de ironia ou eu te disse, apenas um sentimento puro de felicidade e satisfação.

 

                                                                                                                 (...)

 

– Então, você não vai voltar pra Flórida por cinco anos? – Kyungsoo perguntou com um bico nos lábios.

Eu havia contado à ele, depois de tanto ser pressionado pelo menor sobre minha noite anterior com Chanyeol e sobre a faculdade.

– Eu não vou mais ter os verões livres e preciso me focar se quero me tornar um músico profissional.

– Eu sei, eu sei. – Suspirou. – Eu vou sentir falta da sua chatice durante os verões.

– Você não muda, uh? – Revirei os olhos. – Também vou sentir sua falta, baixinho.

– Yah! Você não é muito diferente de mim!

– Ah, tá. – Baguncei os cabelos do mais baixo e recebi um empurrãozinho nos ombros em troca.

– Enfim, significa que precisamos aproveitar esse verão até o último dia. E com isso eu quero dizer que você e o Chanyeol tem que dar no couro todos os dias.

– Meu Deus, quem fala dar no couro hoje em dia? – perguntei em um murmúrio exasperado. – Eu não sou ninfomaníaco que nem você, seu anão pervertido!

– Ah, Baekhyun, dar é bom e todo mundo gosta! – O mais baixo deu de ombros enquanto olhava algo no celular e sorriu malicioso. – Vamos sair hoje à noite. Pode se vestir de qualquer jeito, não vamos precisar de roupa mesmo.

– O que você está aprontando, Do Kyungsoo? – indaguei vendo ele ir em direção ao banheiro do quiosque.

– Apenas esteja pronto às nove, Baek – respondeu antes de sumir pelo corredor.

 

                                                                                                         (...)

 

Eu sabia que se não estivesse pronto no horário, Kyungsoo iria invadir a minha casa e me arrancar de onde eu estivesse a tapas, por isso quando cheguei em casa aproveitei para descansar.

Acordei um pouco antes do horário marcado, tive tempo de tomar banho e colocar a tão conhecida calça preta, juntamente com uma camiseta branca, sem frase, e o all star azul bebê surrado.

Ouvi as buzinadas do carro de Jongin no horário marcado. Estava sentado em frente à fachada de casa, por isso só fiz entrar no carro onde estava o baixinho, seu namorado e o Chanyeol que me cumprimentou com um selinho.

– Eles não são fofos juntos, amor? – Kyungsoo perguntou com uma voz falsamente infantil.

– Amor, deixe eles em paz – Jongin pediu rindo, enquanto dava a partida no carro.

Revirei os olhos e ignorei o comentário de Kyungsoo.

– Pra onde nós vamos? 

– Você verá – Meu amigo respondeu em um sussurro, como se estivesse falando de algo muito secreto.

Fomos o caminho inteiro conversando sobre besteiras e ouvindo as músicas preferidas de Jongin que eram basicamente reggaes de raíz.

– Chegamos! – Kyungsoo anunciou.

– Você fez tanto mistério pra nos trazer na praia? – perguntei.

– A praia pode ser a mesma, mas o que vamos fazer que é diferente – O baixinho disse e pegou uma garrafa de tequila que estava guardada no porta luvas.

Descemos do carro e caminhamos até a beira da praia. Jongin nos acompanhou com o carro e estacionou próximo à beira do mar, deixando as luzes do farol acesas.

– Vai lá amor, diz as regras. – Jongin se apoiou nos ombros do namorado e sorriu.

– O negócio é o seguinte, vamos brincar de eu nunca. O casal que beber mais tem que ficar pelado e entrar no mar.

– O quê? – Arregalei os olhos. – Vocês dois concordaram com isso? – perguntei ao apontar para Chanyeol e Jongin. Os dois assentiram com a cabeça e eu suspirei.

– O que foi, Baek? Tá com medo de perder ou de mostrar essa bunda branquela? – Kyungsoo provocou.

– Pra que inimigo, quando se tem Do Kyungsoo como amigo? – perguntei de maneira sarcástica e todos riram.

A brincadeira consistia em contar coisas que nós nunca fizemos, quem tivesse feito, bebia uma dose de tequila.

– Eu nunca transei na praia – Kyungsoo disse e eu e Chanyeol bebemos.

– Assim não vale! – protestei. - E como assim, Do Kyungsoo, nunca transou na praia?

– Boquete não conta como transa! – O mais baixo rebateu.

– Conta sim! Conta, né Channie? – perguntei ao surfista.

– Conta sim, doce. Bebam vocês dois. – Chanyeol confirmou e Kyungsoo e Jongin também beberam.

No fim, nós acabamos com a garrafa e ficamos bêbados demais pra lembrar que casal perdeu no jogo, então, decidimos que os quatro iriam entrar pelados no mar.

Kyungsoo e Jongin tiraram a roupa primeiro e entraram na água. Chanyeol começou a tirar a roupa e eu o imitei, corando fortemente por estar pelado em plena praia pública, correndo o risco de ser visto por alguém, mesmo que a praia estivesse deserta por estar de madrugada.

O surfista segurou a minha mão e sorriu. Ele começou a correr em direção a água e me puxou junto consigo.

Nós começamos a rir ao tropeçarmos nas ondas fracas que batiam levemente em nossas pernas. Novamente aquela sensação de adrenalina e felicidade plena que só acontecia quando eu estava com Chanyeol, me envolveu por completo.

Se anos atrás alguém me dissesse que eu iria me apaixonar por um surfista e que faria loucuras do tipo, eu não acreditaria. Afinal, quem seria capaz de mudar o meu ponto de vista fechado sobre a vida? Ninguém.

E na verdade, a resposta ainda continua sendo a mesma, pois eu mudei por mim, eu me permiti mudar, Chanyeol foi apenas parte desse aprendizado, uma grande parte e eu sou muito grato por isso.

A água estava gelada e o vento um tanto frio. Eu e Chanyeol acabamos nos abraçando em busca de calor humano e iniciamos alguns beijos afoitos, no entanto, antes que fizéssemos alguma coisa mais quente, ouvimos um gemido manhoso de Kyungsoo que estava a alguns centímetros de distância de nós dois.

– Eu não acredito que vocês estão transando! – exclamei um pouco embolado por causa do álcool e só recebi mais um gemido de Jongin em resposta.

Eu e Chanyeol saímos da água e nos vestimos. Decidimos ficar no carro e deitar até um de nós ficar sóbrio pra poder dirigir de volta.

 

                                                                                                           (...)

 

Os dias pareciam passar rapidamente e eu aproveitei o máximo que pude ao lado do surfista. Todos os dias acordava cedo pra aprender a surfar e o resto do dia acabávamos saindo com Kyungsoo e Jongin ou fazendo amor loucamente em qualquer lugar. E com qualquer lugar eu quero dizer na praia particular, no banheiro do quiosque, em casa, na casa dele, no meu carro...

Eu não queria que o verão terminasse, era como se eu estivesse vivendo um sonho e no fim acordaria.

– Eu preciso te ouvir cantar uma última vez – Chanyeol sussurrou em meu ouvido enquanto estávamos deitados de conchinha em sua cama.

Era o meu último dia na Flórida, pois na manhã seguinte eu iria viajar de volta para a Coréia.

– E você vai, mas não agora. – respondi e o surfista fez um bico em descontentamento. – Não seja dramático, Channie. Eu vou cantar hoje à noite no luau.

– Pra todos? Mas eu queria que você cantasse só pra mim – disse com manha.

– Eu vou cantar na frente de todos, mas a música é só pra você.

 

                                                                                                             (...)

 

– Vai cantar no luau hoje? – Kyungsoo perguntou ao entrar em meu carro e ver o violão.

– Vou – respondi simplesmente.

– Hum. – Cerrou os olhos em minha direção e depois sorriu. – Passa na casa do Chanyeol, o Jongin tá lá também.

– Como assim?

– Todos iremos de carona com você porque ninguém quer ficar sóbrio só para dirigir. – Kyungsoo piscou pra mim.

– Vocês são péssimos!

Sem pressa, dirigi até a casa do Jongin. Meu coração não conseguia se conter só de ter os olhos de Chanyeol nos meus. Assim que os lábios cheinhos selaram minhas mãos, suspirei alto sem poder conter, ganhando risinhos irônicos de Kyungsoo no banco de trás.

A praia não estava cheia, o tempo estava adequado e a quebra da maré salgada era tão aconchegante quanto os braços do Park.

– Gente! – Kyungsoo gritou e todos que estavam no luau voltaram a atenção para o baixinho. – O Baekhyun vai fazer um showzinho pra gente – contou animado e todos ali gritaram em comemoração.

Cantar nos luaus havia se tornado algo comum e eu conquistei vários admiradores e até fãs. Estava feliz e realizado.

Sentei em uma das cadeiras de praia e peguei meu violão e o surfista se sentou ao meu lado. Toquei várias músicas a pedidos do pessoal e no final toquei uma dedicada ao Chanyeol.

Eu cantarei pela última vez pra você, então nós realmente teremos que ir 

Você foi a única coisa certa em tudo que eu fiz e eu quase não posso olhar pra você agora 

Mas toda hora que eu faço, eu sei que vamos conseguir em algum lugar

 

Comecei a cantar e minha voz logo começou a embargar, eu realmente não conseguia olhar nos olhos de Chanyeol, pois se o fizesse, choraria.

 

Ao pensar que eu talvez eu não veja mais aqueles olhos, se torna tão difícil não chorar 

E enquanto nós dizemos esse longo adeus, eu quase choro.

 

Quando eu finalmente resolvi encarar o surfista, ele me observava com os olhos marejados, quase transbordando de tristeza.

 

Anime-se, anime-se como se você tivesse uma escolha

Mesmo que você não possa ouvir minha voz, eu estarei do seu lado, querido e nós correremos por nossas vidas

Eu quase não consigo falar, eu entendo porquê você não consegue levantar sua voz e dizer...

 

Não vá.

 

 

 

 

                                                                                                 5 anos depois

 

Quando fui embora da Flórida e deixei tudo pra trás, senti como se uma parte de mim tivesse ficado ali e esse sentimento de estar incompleto cresceu em mim durante todos os cinco anos que fiquei longe.

Eu fui idiota e egoísta ao cortar totalmente a relação que tinha com Chanyeol, eu o libertei do nosso relacionamento fadado ao fracasso mesmo que o surfista estivesse lutando com unhas e dentes por esse amor a distância.

Desde então, eu tive notícias sobre Chanyeol pelo meu pai e Kyungsoo quando ambos me ligavam ou mandavam mensagem, foi assim por dois anos, até o surfista sumisse e ninguém soubesse o seu paradeiro.

Foram cinco anos onde me foquei em meus estudos e consegui me formar e consolidar uma carreira como cantor solo na Coréia. Eu me sentia realizado e feliz, mas ainda faltava algo e sabia o que era.

– Alô, Baekhyun? – Noah perguntou surpreso assim que atendeu o telefone.

Após o sumiço de Chanyeol e a explosão da minha carreira, passei a telefonar cada vez menos para o meu pai. A culpa me tomava, mas só… Estava fugindo como um covarde.

– Sou eu pai, sou eu…

– Você está bem, meu filho? Aconteceu alguma coisa? Eu estou com tanta saudade!

– Eu estou bem, pai. Você poderia vim me buscar aqui no aeroporto? 

– O quê? Você está aqui na Flórida?

 

                                                                                                           (...)

 

– Será que você pode agilizar o meu pedido? Eu estou com fome!

– Já está quase pronto, senhor. – respondi ao terminar mais um milkshake. – Aqui, um shake de abacaxi com hortelã.

– Obrigado – O homem respondeu e assim que eu o encarei arregalei os olhos.

– Kyungsoo? Do Kyungsoo?

– Eu mesmo, querido. Pensei que você não ia me reconhecer!

O baixinho agora estava com o cabelo curto e seu rosto delicado mais maduro, mas não havia mudado muito, continuava com os característicos lábios em formato de coração.

– Como você ousa voltar para a Flórida e não me avisa, Baekhyun? Não mantive contato com você a distância pra isso? Afinal, o que você está fazendo aqui, trabalhando no quiosque do seu pai? Você é famoso agora, não precisa disso.

– Você não mudou nada! – Sorri. – Eu senti falta disso aqui, não que a minha vida na Coréia esteja ruim, só senti falta de...Tudo. – Suspirei. – E eu não sou tão famoso por aqui, poucas pessoas me reconheceram.

– Mas você é super famoso na Coréia, meu primo me contou que foi a um show seu.

– O Jongdae?

– Sim, esse pirralho está caidinho por você! Tsc, vive me pedindo pra te conhecer.

– Oh, nem precisa! Eu o conheci em um dos meus shows, até batemos uma foto juntos.

– Falando em foto, vamos bater uma selfie, vou aproveitar sua fama pra ganhar uns seguidores no Instagram. – Kyungsoo sorriu e puxou o celular. Pousamos juntos para uma foto e eu não deixei de notar o anel dourado em seu dedo anelar.

– Kyungsoo! Você por acaso se casou e não me convidou?!

– Eu tentei te avisar, seu idiota! Até mandei o convite do casamento pra você, mas parece que você recebe muitas correspondências e ele se perdeu no meio delas.

– Eu não acredito que eu perdi seu casamento!

– Perdeu! Até o Chanyeol foi! – Ele respondeu e em seguida arregalou os olhos.

– Você pode falar dele, não tem problema. – Suspirei. – Então você casou com o Jongin ou...?

– Sim, nós estamos morando juntos e agora queremos adotar um filho.

– Meu Deus, que maravilha! Eu vou ser tio.

– Você vai ficar por aqui agora?

– Eu posso vim visitar vocês no verão, mas não tenho nada que me prenda aqui.

– Tem certeza? – Kyungsoo perguntou e eu o encarei com o cenho franzido.

Foi quando eu notei a figura caminhando em minha direção com aquele sorriso que eu amei e ainda amo nos lábios. Ele já não tinha mais o cabelo preto e ressecado, que agora estava vermelho e brilhante, e nem mais o piercing na beira do lábio, mas ainda estava incrivelmente lindo.

– Então, você é o famoso coreano que anda fazendo sucesso com as garotas de Cocoa Beach? – Chanyeol perguntou a mesma coisa de cinco anos atrás quando nos vimos a primeira vez.

Ele segurou meu pulso igualmente e sorriu largamente ao ver uma lua tatuada ali. Eu a fiz no mesmo dia que cheguei na Coréia.

– Você está falando comigo? – Apontei para mim e Chanyeol riu. – Qual o seu pedido, senhor?

– Você quer casar comigo, pequeno Shakespeare?


Notas Finais


Isso mesmo, eu imaginei o Chanyeol em cima de uma prancha e saiu uma one de 15k gdfsugfdshghas Vou deixar os links aqui <3

Música tema do casal: Dressed In Black - https://www.youtube.com/watch?v=1L_6hLmRSQE
Tradução: https://www.letras.mus.br/sia/dressed-in-black/traducao.html

Casa do pai do Baekhyun: http://www.desideratto.com/wp-content/uploads/urban-spa-house-1.jpg

Aparência do Noah: Owen Wilson - https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/98/53/47/9853478ee1fb584b6eb235f21d3e8bbc--owen-wilson-scorpio.jpg

Carro do Baek: http://www.4x4mud.com.br/images/carros/Troller/Troller%20T4%20ID129%20P1.jpg

Música que o Baek canta pro Chanyeol: https://www.youtube.com/watch?v=XUjX8zvILH8

Música título do capítulo: https://youtu.be/FpoIMXrVbd4

Leash* - O leash, conhecido também como "cordinha" ou "estrepe", é o principal aliado do surfista. Ao manter a prancha sempre por perto, presa ao tornozelo, o leash aumenta em muito a segurança e também a comodidade de não precisar buscar a prancha na praia a cada tentativa de manobra frustrada.

Bom gente, é isso sadjhdghsajh ~rindo de nervosa, ah! Espero que não tenha ficado cansativo, eu realmente senti que não deveria dividir a história em dois capítulos. Até logo <3

Meu twitter: @pawrkchanbye


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