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História Eternamente seu, Namjoonie. - Capítulo 18


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Notas do Autor


A gente diz muito mais do que gostaria de dizer, por isso que quando termina de escrever, odeia a gramática, e a capacidade de se entregar por meio dela.

Capítulo 18 - Perdido entre os seus, meus, mas ainda não nossos.


14 de Novembro de 2012

Perdido entre os seus, meus, mas ainda não nossos.

Seu cheiro exala ao meu lado e eu enrugo meus dedos, envergando minhas costas, contendo-me para não tocar-te. O corpo inteiro protesta contra minha mania de afastamento tão vil, todos sabemos o quanto dói, refrear esses instintos primitivos de cheirar-te próximo aos cabelos da nuca, acariciar sua pele com a ponta de meu nariz. 

Não por reconhecimento de área, mas porque o cheiro do seu perfume acalma-me.

Flutuando num imaginário poético criativo entre nós dois, invento desculpas mentais para não olhar-te nos olhos, tenho medo do que eles te dirão no silêncio das minhas palavras. Na mudez que se instala nos lábios ressecados, clamando para sentir o gosto dos seus, tão iguais aos meus.

Tuas mãos tocam meu pulso e eu me desespero, aparento ter tanto medo quanto a um predador, mas teu toque cuidadoso em minha pele quente faz cair por terra toda a mentira do afastamento. Toda a dificuldade de me manter tão dolorosamente inativo, quanto o grito aos quatro cantos da vontade de me aquecer no seu abraço quente.

Durou tão pouco da última vez, como se tivéssemos medo de algo. Talvez eu tivesse medo de jamais te soltar, ou do que poderia vir em seguida. Se eu afastasse meu corpo do seu e te olhasse por alguns minutos, o que viria a seguir?

Conseguiria me conter em segurar seu rosto, no ápice da minha timidez, e perfilar o vermelho vivo dos seus lábios com a minha língua quente? Sem nenhuma certeza de que poderia, mas repetindo que te pertencia há muito tempo.

Seus dedos retiram os cabelos de sua testa, suas mãos acariciam os fios escuros, meus olhos capturam os momentos oportunos e eu imagino como nossos dedos devem se encaixar, ou em devaneios clamo que esse seja o dever de ambas.

Tão próximas, e ao mesmo tempo tão distantes. Por que sempre parece haver uma barreira entre nós? Nesse desespero de não dizer coisas, atropelamo-nos nas demonstrações que nos escapam. 

Eu queria silenciar o mundo e reproduzir o som da sua voz, naquela calmaria gostosa de quando escuto o que você tem a dizer sobre um quadro, atentamente. Seus braços cruzados sobre a sua camisa favorita, o sorriso e as curvas no canto encostam na pintinha que pertence ao seu rosto como se em destaque, como todas as constelações que me levam a desejar percorrer-te com a ponta dos meus dedos.

Seu pé direito se estica sobre o esquerdo enquanto você escreve, e os cabelos caem sobre sua testa, não consigo ver seu rosto, mas sei onde cada coisa se encontra, como se o tivesse usado como musa em uma outra vida. 

Meu quarto cercado dos surrealismos desses sonhos, onde eu tenho a certeza de que te encontro e te juro amor eterno, como se não fosse verdade que te amei e te amo com a intensidade de um vulcão entrando em erupção. Como se o som da sua risada não me fizesse flutuar, e eu criasse uma vivência ao redor de você. De nós.

Quando me sinto solitário e até quando não, minha mente volta a pensar em como me senti quando estávamos juntos e meu peito aperta, como quem bate de frente com o concreto. Como quem colide com os empecilhos de uma necessidade pungente.

Sinto falta da realidade alternativa que sua presença me causava, e como eu tinha certeza de que não havia nada além de nós dois, ou de meus olhos intensamente observando cada passo seu. Em silêncio, porque estou sempre sorrateiramente contemplando a existência, dizia que te amava, com todas essas coisas imperceptíveis que minha alma deslocada deixa escapar quando não sabe o que fazer.

A escuridão recai sobre nós e não nos esconde, você brilha por sob a luz do luar e eu te imortalizo em um verso do Álvares de Azevedo. Dedico-te todas as flores que me ergueu, te sinto em cada arbusto que cruza meu caminho, e meu pescoço vira uma vez ou duas enquanto caminho. Tenho a certeza de que senti o seu perfume, mas não é nada demais.

Entre nós nunca é nada verdadeiramente, é sempre um quase. Um quase fomos, um quase fui, um quase dei, umas meias verdades perdendo-se dentro dessa incerteza inexorável do amor que te tenho há tanto tempo, e que me sufoca, apertando-me pelo pescoço.

Tão solitário que se eu gritar, você não ouve. Como quando o sol se punha e você não ouviu meu peito implorando para que me abrigasse em ti. Quando eu sorri e meus olhos, entregues, brilharam sobre os seus.

Olhando-te de baixo, nessa pequena diferença que nos comprime, não me conforta, em todos os ângulos de visão és a criatura mais bonita que já vi. E todas as estrofes das poesias que se encaixam no seu nome têm uma vivência diferente, pois sinto o amor e o ódio me invadir enquanto juro que nós não estamos morremos.

Não há nada o que morrer enquanto eu regar, antes de dormir, o desejo de comprimir meu rosto contra teu peito e de sentir suas mãos ao redor de minha cintura.  Eu odeio todas essas coisas, mas se for você, é uma exceção saudável. 

Sentir-me dentro é uma exceção saudável porque estou penetrando o nosso microcosmos, tão brilhante e agitado que me chacoalha de um lado para o outro. 

Se você não consegue aceitar, por que eu teimo em o fazer tão bem?

Quando seu nome é mencionado meu estômago se enche das mais diversas borboletas, elas adoram meu nome porque são semelhantes, mas me assustam com sua aparência delicada e angelical. Nessa vivência visceral nos empurrando na parede, empacando meu corpo no que não nos define e eu exijo um porquê.

Gosto tanto da imaginação, mas gostaria que pudéssemos sair de lá. Gostaria de poder correr em sua direção e dizer que senti sua falta, e que a saudade só é aliada dos que sabem que podem, em algum momento, sanar a ela. Entre mim e as dores que me assombram não há nenhuma certeza, além da que eu sofro com meus pensamentos e você está longe de saber sobre eles.

Estico-me para te alcançar, mas sei que nós somos mais do que eu posso aguentar. Não sei até que ponto gostaria de te abandonar dessa maneira, mas sei que o abismo é apenas outro nome para um baú de memórias.

Se te roubo pequenos gestos, posso roubar também, numa sutil lábia, o que de verdade pulsa em negrito? E se você for sempre em itálico? 

Tenho medo de estar constantemente esperando demais e não ver o seu esforço, é culpa minha, ou suas palavras que faltam confundem-me?

Queria correr para onde seus braços pudessem me pegar, mas tenho medo se me pegariam. Queria admitir que te sinto em cada toque, e que agora que não os posso sentir sinto-te com ainda mais profundidade, verdade e melancolia. 

Se é na ausência que descobrimos mais, terei eu, em algum momento, a certeza de que me pertence tanto quanto eu a ti?

Não te posso pedir tanto, não te posso pedir que pare de ter beijáveis dedos e contornáveis narizes, cheirosos fios da marca a qual eu já sei. 

Não te posso pedir para que seja menos agradável, engraçado, discutível e apaixonável, porque seria pedir para que eu percebesse que estava apaixonado por você desde o começo, e todos os dias acordo querendo fingir que não.

Por favor, diz para mim que não.

Eternamente seu, Namjoonie. (O começo)


Notas Finais


Que todos os dias eu me possa mentir, e que algum dia eu, enfim, chegue a acreditar.


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