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História Eternity - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Seul


Fanfic / Fanfiction Eternity - Capítulo 7 - Seul

SEUL, ANO 2020

Tudo começou em 1998 na cidade de Gyeongju, uma província de Gyeongsang do Norte, era véspera de natal e duas mães, uma divorciada e outra viúva, davam entrada na maternidade da cidade. Foram horas intensas de trabalho de parto e no dia 24 de dezembro às 23:59 nascia D.O Kyungsoo, enquanto dois minutos depois, mas já no dia 25 do mesmo mês, às 00:01, Park Chayeol dava o seu primeiro sopro de vida, seguido de um choro incessante, bem, pelo menos até sentir o colo da mãe. 

Talvez aquelas mulheres não tivessem nada em comum, exceto o fato de serem mães solteiras e morarem no mesmo bairro, apesar de nunca terem se visto, mas tudo começou a mudar daquele dia em diante, talvez o que alguns poderiam chamar de um milagre de natal. Acabaram se esbarrando na maternidade e depois de alguns minutos de conversa, perceberam muitas semelhanças e o espírito materno recém adquirido fez surgir uma grande amizade, amizade essa que perdurou por anos e também se transmitiu para os seus filhos.

Kyungsoo e Chanyeol cresceram e tornaram-se melhores amigos inseparáveis desde a infância, os dois não tinham absolutamente nada em comum, mas isso não importava, pois eles conseguiam se conectar de uma forma única. Park era mais alto, mais hiperativo, gostava de rock e queria ser um neurocirurgião, enquanto D.O além de ser menor, também era mais tranquilo, era fã de música indie, pois sentia que condizia com seu temperamento, seu maior sonho era o de se tornar um veterinário, talvez aquilo fosse o mais próximo que tinham de ter algo em comum, salvar vidas. Apesar de tudo, as diferenças nunca os impediram de serem grandes amigos, de seguirem um ao lado do outro por mais de vinte anos, até mesmo quando decidiram sair de sua cidade natal e seguir para Seul com o intuito de entrar na universidade, mas antes disso, algumas coisas aconteceram. 

Em 2015, quando tinham 17 anos e estavam próximos de terminar o ensino médio, os dois garotos, assim como a maioria dos habitantes da província de Gyeongju, decidiram ir até o circo que tinha chegado à cidade. Chanyeol sempre foi cético, mas quando viu a tenda de uma cartomante, correu apressadamente, pois era algo que sempre quis experimentar, só não sabia se por diversão ou se de fato acreditava no poder das cartas.

— Vamos comigo Kyungsoo, por favor — O maior implorava, arrastando o amigo com o uso de toda a sua força.

— Eu não vou Chanyeol, o máximo que você vai conseguir de mim é que eu fique esperando do lado de fora da tenda.

— Você não quer saber se vai conseguir ser um veterinário de sucesso? — Park tentava outro método de persuasão, mesmo sabendo que aquilo não funcionaria com o amigo.

— Se eu for um veterinário que salva vidas ao invés de tirar elas, já me considerarei um sucesso.

— Eu não sei porque ainda insisto em tentar te convencer — O garoto resmungava, desistindo de tentar convencer D.O e entrando na tenda da cartomante.

Por dentro o local transmitia todo o ar necessário de alguém que dizia saber do futuro, não era a decoração, ou a mesa no centro que passava a sensação de mistério, mas sim a atmosfera em si. Chanyeol sentou-se na cadeira em frente a mesa redonda, a mulher esperava pacientemente, parecia inerte, mas foi só o garoto sentar-se que a mesma se moveu e despojou o baralho em sua frente.

— Boa noite querido, percebo que você tem muitas dúvidas, mas não serei capaz de responder todas elas — A mulher falava enquanto embaralhava as cartas agora em suas mãos, seu olhar concentrado no de Park.

— O que a senhora pode me dizer? — O garoto engoliu em seco, nem mesmo sabia porque estava ali, poderia apenas ser uma charlatã querendo o seu dinheiro.

— Eu? Nada, mas as cartas irão nos falar tudo que elas acham que você precisa saber — A cartomante voltou a colocar o baralho na frente de Chanyeol — Retire quatro cartas, por favor, de qualquer lugar.

Receoso, o garoto o fez, não fazia a menor ideia do que aqueles desenhos das cartas que estava retirando significava, então apenas terminou de escolher as quatro e deixou que a mulher explicasse o que sabia.

— O que foi? Há algo de errado? — Park começava a se afligir, pois a mulher repentinamente ficou muda, mas a verdade era que a cartomante estava surpresa com o que via.

— Há alguém lhe esperando.

— Sim, meu amigo está lá fora, mas acho que a senhora não precisava de uma carta para saber disso. 

— Não, há realmente alguém lhe esperando, o que vocês costumam chamar de alma gêmea, seu grande amor despertou, mas parece que você ainda não está pronto.

— O quê? Como assim? Onde ela está? O que eu preciso fazer?

— Você não conseguirá ter sucesso na vida a menos que encontre o seu amor e desperte o que está adormecido em seu peito.

— Eu não estou entendendo nada, a senhora poderia me ajudar? Poderia me dizer como eu encontro o meu amor? — O desespero já tomava conta de Chanyeol e ele começava a pensar que ter ido naquela tenda tinha sido uma má ideia. 

— Volte para o início, para onde tudo começou. Isso é o que as cartas têm a dizer para você.

— Pelo preço que a senhora cobrou, elas não falaram muita coisa — Chanyeol levantou-se da cadeira logo após entregar a nota de dez mil won para a cartomante. 

— Nos encontraremos no futuro e então, você não precisará pagar nada.

— Que ótimo, atendimento parcelado — O garoto saiu irritado da tenda, passando direto pelo melhor amigo, o que deixou Kyungsoo preocupado e curioso para saber o que se tinha passado dentro da tenda, perguntando-se o que poderia ter deixado o maior bufando.

Os dois estavam sentados em banquinhos em frente a um trailer que servia como uma espécie de restaurante, esperavam o bibimbap ser servido e enquanto isso não acontecia, Park contava para o amigo tudo que tinha acontecido dentro da tenda da cartomante. Enquanto o maior estava irritado, D.O parecia curioso e intrigado com o que o amigo relatava, era algo fascinante.

— O que você vai fazer? Você realmente acreditou nela? 

— Eu não sei. Soo me ajuda, você acha que tudo isso realmente é real? Você sempre foi o mais equilibrado racionalmente entre nós — Chanyeol tentava fingir que não, mas estava desesperado.

— Eu não sei se o que tenho para dizer vai ajudar, mas eu realmente acredito nessas coisas — De fato, o maior não parecia mais feliz ao ouvir aquela resposta, pelo contrário.

— Se você acredita em cartomante, vidente, essas coisas, por que você não foi se consultar? 

— Justamente para não estar sofrendo assim como você, além disso, eu não quero saber meu futuro, e se ela me dissesse que eu iria morrer daqui há cinco anos, por exemplo? — Por sorte, o bibimbap dos dois foi servido e o menor conseguiu se livrar das perguntas do amigo. 

É certo que Kyungsoo não mentiu ao responder a pergunta de Chanyeol, contudo, não tinha contado toda a verdade para o amigo. O que afligia o menor era o medo de acabar ouvindo que sua paixão secreta por Park acabaria destruindo a amizade dos dois, então preferia nutrir o sentimento em segredo e torcer para que aquilo fosse coisa de momento e que em um futuro, próximo ou longínquo, acabasse encontrando alguém que lhe fizesse dar um fim àqueles sentimentos. 

— Vamos terminar de comer, quero ir embora logo daqui — Chanyeol resmungava logo depois de encher a boca de arroz.

— Ainda temos que tirar nossa foto ou nossas mães vão nos matar.

As mães dos dois tinham iniciado uma tradição desde o dia em que se tornaram amigas na maternidade, toda vez que levavam os garotos para um passeio, tiravam uma foto e cada uma ficava com uma cópia para colocar em seu álbum. Claro que depois que os garotos começaram a criar um pouco de independência foram obrigados a seguir a tradição, agora com o próprio álbum deles, então, sempre que saíam juntos para algum passeio, tinham que registrar em foto e fazer a revelação, pois além de tudo, as matriarcas não aceitavam que a foto ficasse no celular.

Naquela noite tiraram a foto em frente à lona da mulher barbada, Park insistiu para que Kyungsoo subisse em suas costas e esse assim o fez, sendo ele o responsável por segurar o celular e tirar a selfie. Eram dois adolescentes que amavam fazer idiotices e um contagiava o outro, então era rara as vezes em que Chanyeol recusava um pedido do menor e vice e versa. 

[...]

O problema é que mesmo com o passar dos dias, Chanyeol não conseguiu tirar as palavras da cartomante da cabeça, sendo assim, deu início a um plano maluco que nem mesmo seu melhor amigo acreditou quando ouviu. 

— Você vai mesmo fazer isso? — Kyungsoo estava incrédulo com tudo que tinha acabado de ouvir.

— Eu preciso, a mulher foi clara, enquanto eu não encontrar minha alma gêmea, não terei sucesso na vida, e se eu não conseguir entrar na universidade? Se eu não me tornar um neurocirurgião? 

— Chanyeol para de ser idiota, você é inteligente, suas notas são as melhores da escola, como você não entraria na universidade? 

— Eu prefiro não arriscar —E foi dessa forma que o maior iniciou a busca por sua alma gêmea.

[...]

Nome: Suli

Idade: 17 Anos

Conheceu na: Escola

Park começou sua busca pela própria província, mais cômodo que isso foi o fato de ele ter escolhido alguém da própria escola. Suli não era simplesmente a menina mais bonita da escola, contudo, isso não anulava o fato dela continuar sendo bela e também ser inteligente, que era algo que o garoto valorizava. Depois de pesquisar um pouco, descobriu que a garota também gostava de rock e participava do time de vôlei da província, o que era um de seus esportes favoritos. 

Animado com a ideia de ter encontrado com tantas similaridades quanto si próprio, Chanyeol convidou a garota para sair, a qual, apesar de estranhar a aproximação repentina do garoto, aceitou. Os dois acabaram indo para o cinema, mas tudo começou a dar errado na escolha do filme, quando nenhum dos dois concordava com a decisão do outro, cansado daquele impasse, Park deixou que a garota escolhesse, o que foi talvez um dos seus maiores arrependimentos, pois sentiu que desperdiçou duas horas da sua vida com aquele filme. Sentia que não tinha absorvido nada, era como se o diretor simplesmente tivesse pegado vários cenas aleatórias e feito uma compilação. 

Não deixando aquele filme estragar por completo o seu humor, Chanyeol decidiu acompanhar Suli até em casa, aproveitaram o fato de a garota morar perto do cinema e decidiram ir andando, assim teriam mais tempo para conversarem e quem sabe acontecer algo mais. Contudo, a única coisa que aconteceu foi os dois darem início a uma discussão desnecessária sobre qual era a melhor banda de rock da atualidade, como se fossem duas crianças brigando para saber qual era o melhor power ranger. Park até conseguiu acompanhar a garota até em casa, mas nem se deu ao trabalho de se despedir, também não era como se Suli ainda quisesse olhar na cara do garoto depois daquele dia catastrófico. 

Chanyeol chegou em casa com a certeza de que aquela não seria uma missão fácil, mas que também não desistiria, pois segundo ele, seu futuro dependia daquilo. Estava irritado e frustrado, sabendo que só tinha uma coisa que poderia salvar o resto do seu dia, pegou seu box favorito de filmes e seguiu para a casa em frente da sua.

— Não, não Chanyeol, eu não vou passar a noite maratonando Jogos mortais com você — Kyungsoo já começou a resmungar assim que viu o maior entrar em seu quarto com os dvds em mãos, nem precisou olhar a capa para saber de qual filme se tratava.

— Soo, por favor, eu preciso disso, você não pode recusar — Park choramingava igual uma criança e como se não tivesse ouvido o protesto do menor, seguiu até o aparelho de dvd para preparar o filme.

— Eu vou fazer a pipoca — D.O saiu do quarto resmungando, sabendo que não conseguiria vencer aquela batalha.

Alguns minutos depois Chanyeol se juntou ao dono da casa na cozinha, Kyungsoo esperava sentado os milhos terminarem de pipocar e parecia estar absorto enquanto mexia no seu telefone, mas o deixou de lado assim que notou a presença do seu melhor amigo.

— Eu falei que era uma má ideia, por que você não me ouviu? — O menor antecipou o assunto, pois sabia que o amigo estava ali para se lamentar por seu encontro ter sido um desastre.

— Como eu poderia imaginar que daria tudo errado?

— É simples, vocês nunca nem se falaram direito, como você chega em uma pessoa que só conhece de vista e acha que ela vai ser sua alma gêmea? Amor é mais do que isso Chanyeol.

— Você fala como se já tivesse experimentado a sensação.

— Talvez, mas tudo que precisamos saber agora é que a pipoca está pronta — O menor aproveitou para se livrar daquela situação, ou acabaria encurralado e não queria aquilo.

Os dois garotos voltaram para o quarto e começaram a maratona daquela saga que já tinham visto exatamente sete vezes, toda vez que Chanyeol estava frustrado, ele obrigava Kyungsoo a maratonar a saga com ele. Na metade do quarto filme já estava perto de amanhecer, o menor tinha adormecido, assistir filme na cama não era algo recomendável. Park cobriu seu melhor amigo, tirando o óculos do seu rosto e o repousando sobre a mesa de cabeceira, desligou o aparelho de dvd e a televisão, pois uma das promessas que tinham era de que sempre começassem um filme juntos, deveriam terminar de assistir juntos.

— Obrigado Soo — Depositou um beijo na testa do menor, agradecendo-o por tantas coisas que seria incapaz de enumerar. Logo em seguida deitou-se ao lado de D.O para dormir, agradecendo daquela vez à mãe do garoto por ter comprado uma cama de casal, tudo isso pelo fato de ter semanas que o próprio Park dormia mais lá do que na própria casa. 

[...]

Em 2017 os dois estavam em seu primeiro ano de universidade, mudaram-se para Seul e agora dividiam um apartamento, Chanyeol tinha conseguido diminuir um pouco da paranoia das palavras da cartomante, contudo, continuava obstinado a encontrar a sua alma gêmea, achou que finalmente tivesse conseguido quando começou a sentir interesse por uma garota do curso de Publicidade.

Nome: Pearl

Idade: 20 Anos

Conheceu na: Faculdade

Pearl estava em seu segundo ano de universidade e tinha recém terminado um namoro, mas disse que se encantou por Park assim que o viu no campus pela primeira vez e desde então decidiu que descobriria tudo sobre o garoto para poder flertar com ele. Chanyeol não recusou o convite que a garota fez o chamando para um jantar, se sentiu estranho? Sim, pois lembrava como tinha sido sua última experiência amorosa com Suli, ou melhor, sua não experiência. Tudo bem que ele e Pearl ficaram se conhecendo por pelo menos dois meses e caminhavam para ter um ótimo relacionamento, mas tudo ruiu quando o agora estudante de medicina tirou sua primeira nota ruim, dois pontos abaixo da média.

— Pearl, eu acho que vamos precisar nos encontrar menos a partir de agora, eu tive nota ruim e não quero prejudicar meu desempenho.

— Você está falando que eu prejudico seu rendimento na faculdade? — A garota parecia ofendida com as palavras, o que pegou Park de surpresa. 

— Não, estou falando que saímos muito e devido a isso eu acabei ficando com pouco tempo para estudar.

— Minhas notas foram ótimas, eu não entendo essa sua desculpa — Naquele instante Chanyeol perdeu toda a paciência que tinha e paciência era algo que o garoto tinha de sobra.

— Você é estúpida ou algo do tipo? Qual o seu problema? Agora eu entendo e não me admira que seu último namorado tenha te largado, você é mimada, egocêntrica e insuportável. Estou surpreso comigo mesmo por ter demorado tanto tempo para perceber isso.

— O que você disse? Estúpida? Ninguém nunca falou comigo desse jeito.

— Você não sabe o tamanho da minha satisfação por saber que sou o primeiro, alguém precisava te falar a verdade e a verdade é que o mundo não gira ao seu redor.

Chanyeol saiu furioso da casa da garota, pouco se importando se os próprios pais dela tinham ouvido a discussão, estava consumido pelo ódio e ninguém seria capaz de pará-lo naquele momento. O garoto só respirou profundamente quando chegou no próprio apartamento, infelizmente, para a sua infelicidade, Kyungsoo ainda não tinha chegado, mas decidiu esperar o melhor amigo no quarto dele, foi direto para o cômodo, sabendo que D.O não se importaria e deitou-se em sua cama, as roupas de cama tinham o cheiro de lavanda que Soo  tanto amava.

— Sinto que vou ser obrigado a maratonar Jogos mortais hoje — O dono do quarto já imaginava o motivo para o maior estar ali em seu quarto.

— Eu não quero ver filme, estou com raiva, raiva de mim mesmo por ser tão estúpido, podemos apenas conversar? — Sim, Park Chanyeol tinha 19 anos mas ainda agia como uma criança chorona em alguns momentos, seu olhar era de dar pena. 

— Acabou o namoro? — Kyungsoo sentou-se ao lado do amigo na cama, passando os dedos de forma carinhosa por seus fios negros.

— Aquilo era tudo menos um namoro, bem, pelo menos foi o que percebi hoje — Suas palavras eram quase sussurros, seus dedos estavam fazendo movimentos repetidos na borda da camisa de Soo, o maior estava inquieto.

— Eu posso ficar a noite toda aqui com você, mas também preciso estudar para uma prova que terei depois de amanhã.

— Tudo bem Soo, se você não se importar eu posso ficar aqui quieto te olhando estudar — O olhar dos dois se encontrou e o menor sabia que era impossível negar alguma coisa para Chanyeol naquele momento.

— Tudo bem, se precisar de mim eu estarei ali no computador, bem ao lado da cama, então é só você sussurrar que eu ouvirei.

Kyungsoo estava focado em seus estudos, tanto nos livros quanto no computador, mas também estava concentrado no melhor amigo, naquele momento não estava preocupado se poderia tirar uma nota ruim se não estudasse corretamente, sua maior preocupação era se Park estava bem ou não.

— Para onde você está indo? — Preocupou-se assim que viu o garoto se levantando da cama.

— Você deve estar com fome, então vou fazer algo para que possa jantar, assim você não precisa parar de estudar.

— Obrigado Chanyeol — O menor direcionou um sorriso para o amigo, o qual usou todas as suas forças para tentar retribuir, não era um dos melhores sorrisos, mas ele se esforçou.

Kyungsoo tinha uma visão bem específica e detalhada sobre o melhor amigo, visão essa que nunca compartilhou com ninguém, até porque, tinham uma relação que era como se vivessem em uma bolha só deles, em quase vinte anos vivendo juntos ninguém nunca conseguiu ficar entre eles ou adentrar o espaço que compartilhavam. Se o perguntassem como Park era, levaria horas pensando na melhor forma de elencar tudo que achava sobre o garoto. Chanyeol era um garoto muito inteligente e também esforçado, além de ser a pessoa mais extrovertida que D.O conhecia, muitos podiam pensar que ele era apenas um bobo da corte, mas a verdade era que ele apenas gostava de contagiar o ambiente e as pessoas ao seu redor, nas poucas vezes que estava triste, era ao melhor amigo que recorria, pois entendia que somente Soo era capaz de compreender e ajudá-lo naqueles momentos. Um dos poucos defeitos do maior era que quando ele se concentrava em algo, enxergava apenas o que estava na sua frente e podia acabar deixando passar despercebido coisas realmente importantes. 

[...]

Já em 2019 Chanyeol tinha concluído metade do seu curso, suas notas iam bem, tinha lançado alguns artigos científicos com professores que admirava, tudo parecia estar dando tão certo que até tinha se esquecido das palavras da cartomante de quatro anos atrás, porém, apesar de tudo parecer estar na mais perfeita ordem, Park sentia que faltava algo dentro de si, a sensação de vazio era inevitável e era naqueles momentos que sentia que a mulher do circo estava certa. 

— Soo, estou sentindo algo estranho.

— Você está doente? 

— Não, é mais algo emocional, não sei explicar direito — Os dois estavam vendo filme na sala do apartamento, mas o maior não conseguia se concentrar.

— Ah não, você vai voltar com aquela ideia maluca de sair procurando sua alma gêmea? No final sempre sobra para mim ficar te consolando.

— Você é o meu melhor amigo, a pessoa mais importante da minha vida depois da minha mãe, é para essas coisas que os amigos servem, além do mais, foi você quem falou que acreditava nas palavras da cartomante — D.O pausou o filme, pois sabia que aquela conversa seria longa e desgastante.

— Sim Chanyeol, eu acredito, mas não quer dizer que você precisa sair por aí com um questionário em mãos procurando afinidades com as pessoas achando que alguma delas pode ser o grande amor da sua vida.

— E se fosse você no meu lugar o que faria? Se fosse a sua alma gêmea? Você já se apaixonou alguma vez? Nunca te vi ou ouvi falar que gostava de alguém — Aquele era um assunto delicado, isso porque o menor só se apaixonou uma vez na vida e foi justamente por Chanyeol, mas agora, tantos anos depois, entendia que aquilo nunca daria certo e tinha deixado o sentimento adormecer dentro de si, sentia como se tivesse superado.

— Eu me apaixonei uma vez — As palavras saíram como um sussurro, o menor não conseguia encarar Park nos olhos naquele momento.

— Por que você nunca me falou? 

— Porque era uma paixão platônica e estúpida, nunca iria dar certo.

— Então você não chegou a se confessar? 

— Não, acho que foi melhor assim, hoje eu já superei o que sentia — Bem, era o que ele pensava, mas no fundo sabia que aquilo não era verdade. 

— Alguém quer um abraço? 

— Chanyeol eu não sou mais uma criança — Apesar das palavras, o maior não deu ouvidos a elas, puxou Kyungsoo para junto de si e como era maior que ele, fez o rosto do garoto afundar em seu peito.

D.O entendia toda a complexidade de ser apaixonado por seu melhor amigo, mas não era como se fosse possível controlar seus sentimentos. Estava feliz com a situação atual dos dois e jamais desejaria que aquilo tivesse um fim por conta de uma paixão que, mesmo que fosse correspondida, poderia acabar mal. 

[...]

Os dias atuais tinham chegado e em 2020 foi o ano em que tudo mudou na vida de Park Chanyeol e D.O Kyungsoo. O maior decidiu ouvir os conselhos do melhor amigo e não sair procurando desesperadamente por sua alma gêmea, mas o destino parecia ter resolvido agir. Cinco anos depois da “profecia” da cartomante tudo na sua vida continuava dando certo, faltava pouco para se formar, se sentia realizado com suas conquistas, sentia que estava tendo sucesso, até tirou um tempo nas férias para fazer coisas novas, ou não tão novas assim, voltou para a vida de jogos onlines e foi lá que conheceu uma nova pessoa, e essa pessoa estava destinada a causar um giro de 180º em sua vida. 

As férias já tinham acabado e depois de passar a maior parte delas em Gyeongju, os dois tinham voltado para Seul, tinham apenas um final de semana de descanso antes de voltarem para a vida de universitários, quando tudo tornava a ser uma loucura, estudar nunca foi tão exaustivo quanto nos últimos períodos. Estavam no apartamento, felizes por já terem jantado e não precisarem fazer comida, então Kyungsoo foi para a sala enquanto Chanyeol terminava de desarrumar a sua mala.

— Soo, eu andei pensando, existe alguma possibilidade de minha alma gêmea ser um garoto? — Aquela pergunta definitivamente tinha pego o menor de surpresa, sentiu o corpo congelar no mesmo instante em que as palavras se encerraram e era como se algo dentro de si lutasse para ser desenterrado. Não, não podia ser possível que depois de tantos anos lutando contra os sentimentos enterrados, aquilo estava acontecendo, pensou Kyungsoo.

— Acredito que nunca é tarde para alguém se descobrir bissexual, ou pan — D.O fingia estar concentrado na televisão, mas sua mente zumbia e tudo parecia girar ao seu redor. Por que ele estava perguntando aquilo? Será que…

— Então, existe um garoto que eu conheci nessas férias, quer dizer, nos conhecemos no LOL e estranhamente eu me sinto confortável com ele e às vezes acho que ele dá em cima de mim e eu não sei, talvez eu esteja gostando disso? — Cada palavra proferida foi como uma facada no peito de Soo, o garoto se sentia atordoado, principalmente ao reparar no sorriso que Park carregava falando de outro garoto.

— Amar alguém é mais do que se sentir confortável Chanyeol, mas eu tenho certeza que você sabe disso. 

— Eu sei, mas é que…

— Desculpa, eu preciso descansar, não estou me sentindo bem — Kyungsoo levantou-se, andando rapidamente, pois sentia que se demorasse poderia acabar desabando no chão da sala.

— Soo, o que houve? Talvez eu possa ajudar — O maior levantou-se abruptamente, indo atrás do amigo e segurando em seu braço, quando olhou no seu rosto, se perguntou se estava imaginando coisas, pois pensou ter visto uma lágrima nos olhos do menor.

— Está tudo bem, eu só preciso dormir Chanyeol — Talvez aquelas tenham sido as palavras mais difíceis para D.O pronunciar, pois o garoto travava uma batalha interna para não chorar na frente de Park, aguentou por mais alguns segundos até estar na segurança do seu quarto. 

Por um segundo Kyungsoo se perguntou se tinha esquecido de como se respirava, seu peito doía enquanto as lágrimas rolavam incessantemente. A verdade? O garoto nunca tinha deixado de amor Chanyeol, apenas passou anos se enganando desintencionalmente, fingindo acreditar que tinha superado aquela paixão e que tudo tinha ficado no passado. Um dos motivos para nunca ter revelado seus sentimentos pelo melhor amigo era o fato de que o maior sempre tinha deixado clara a própria sexualidade, mas depois de tantos anos ouvir aquelas palavras, ouvir Park falando sobre outro garoto com intenções amorosas, foi algo que D.O nunca tinha imaginado, ou melhor, até tinha, mas imaginava o amigo falando de si, do próprio Kyungsoo e isso só aconteceu me seus maiores devaneios. 

Passou a noite em sua cama, acordado, agarrado aos lençóis, chorando em meio aos soluços ininterruptos, os quais foram forçados a parar quando ouviu Chanyeol bater na porta do seu quarto, perguntando se estava tudo bem. Não respondeu ao maior, esperou que não fosse mais possível ver a sombra sobre a fresta da porta e se permitiu chorar sem medo mais uma vez. Soo chegou a conclusão que aquela dor era maior que aquela a qual sentiu quando finalmente se deu conta de que seu amor por Park nunca seria correspondido, levou meses para aceitar aquela ideia e agora, depois de anos achando que estava conformado com a ideia, levou um baque proporcionado por uma rasteira da vida. 

[...]

No dia seguinte o menor acordou cedo e foi direto para o banheiro, antes de entrar embaixo do chuveiro se olhou no espelho, seus olhos ainda estavam inchados, evidenciando que a noite não tinha sido fácil. Pensou que um banho ajudaria e entrou embaixo da água quente, torcendo para que a mesma não só lavasse o seu corpo, como também a dor que carregava no peito naquele momento, mas era impossível daquilo acontecer, então se contentou apenas em ver o inchaço dos seus olhos diminuir gradativamente. Estava na cozinha preparando o seu café da manhã quando ouviu a voz de Chanyeol.

— Você está melhor? Eu estava preocupado — O maior aproximou-se, levando a mão até sua testa, depois até o seu pescoço, os toques de Park agora eram coisas que lhe machucavam, nunca pensou que isso fosse acontecer.

— Estou bem, acho que foi só um mal estar.

Com certeza ele não estava bem, mas acreditava que ficaria, assim como na primeira vez em que passou por aquilo. Voltou sua atenção para a comida e tentava esquecer tudo que tinha ouvido na noite anterior, mas a cada vez que seu olhar repousava sobre o rosto de Chanyeol era como se as palavras latejassem em sua cabeça. Kyungsoo dizia para si mesmo que tudo ficaria bem, que era tudo uma questão de tempo e automaticamente seu subconsciente agia, perguntando-o, quanto tempo? 

[...]

Uma semana depois as aulas já tinham voltado e tudo em que D.O estava concentrado era nos seus estudos, era para tudo estar bem e parecia caminhar para ficar bem, mas nem sempre o destino era benevolente. Soo estava em seu quarto quando reparou no maior entrando abruptamente, estava afobado e tentava de toda forma abotoar um botão da manga de sua camisa.

— Soo eu preciso da sua ajuda, estou atrasado, você poderia me dar uma carona? 

— Para onde você está indo tão apressado? 

— Lembra do garoto que te falei? Ele está aqui em Seul hoje e acabamos marcando de nos encontrar.

— Desculpa, eu não posso te levar — O menor voltou sua atenção para o que fazia, estava estudando antes de ser interrompido. 

— Kyungsoo eu preciso da sua ajuda, sério que você não pode ajudar o seu melhor amigo nesse momento importante? — O maior estava surpreso com a resposta do amigo, até achou que ele estivesse brincando, mas logo percebeu que ele falava sério.

— Eu não posso Chanyeol, você não pode respeitar a minha decisão? 

— Posso, mas você pode me falar o por quê? — Era justo, mas tudo que o menor não estava preocupado em ser naquele momento era justo, tanto que decidiu deixar o livro de lado e saiu do quarto — Kyungsoo você está sendo infantil — Park foi atrás do amigo, parando quando o mesmo o fez, já na sala.

— Eu não vou fazer esse papel ridículo Chanyeol, essa é a verdade. Eu não vou ser a pessoa que leva o cara que gosta para um encontro com outro, eu posso fazer tudo por você, mas nunca mais me peça algo do tipo, pois eu ainda tenho um pouco de orgulho. Caso ainda não tenha ficado claro, sim seu idiota, eu sou apaixonado por você faz anos e você nem ao menos para desconfiar disso antes de vir aqui me pedir um absurdo desses? 

— Soo… — As palavras ficaram presas na garganta do maior, principalmente quando percebeu que D.O derrubava várias lágrimas.

— É melhor você ir, você vai se atrasar — O menor voltou para o seu quarto, trancando a porta e se sentando no chão em frente a ela, parecia apenas uma repetição da semana passada, mas dessa vez era diferente, tudo que mais temeu tinha se tornado real. 

[...]

Nome: Baekhyun

Idade: 22 Anos

Conheceu na: Internet

Se perguntassem para Chanyeol como ele descreveria aquele encontro, o mesmo não saberia fazer, isso porque não durou muito tempo, assim que chegou ao local de encontro, arrependeu-se, sentia que não devia estar ali e quando estava pronto para enviar uma mensagem para o outro garoto, o mesmo apareceu em sua frente, um sorriso no rosto.

— Desculpa, eu tenho algo mais importante para fazer, depois eu explico por mensagem.

Park correu desesperadamente, sem medo que seus pulmões estourassem, pois sentia que sua vida dependia daquilo. Se sentiu um idiota por ter saído de casa e ter deixado Kyungsoo naquele estado deplorável, se amaldiçoou por isso e só desejou que suas pernas fossem mais rápidas para que pudesse voar até o apartamento. Quando chegou em casa, o menor não estava lá, o local estava vazio, ficou preocupado e ligou para D.O no mesmo instante, na primeira vez o telefone chamou mas não foi atendido, na terceira tentativa a ligação já ia diretamente para a caixa postal. Chaneyol nunca se sentiu tão impotente em sua vida, sentia um aperto em seu peito, pensava em como Soo devia estar se sentindo naquele momento e que era tudo culpa sua, pensava que deveria ter percebido tudo mais cedo, mas a pergunta que não deixava sua mente era: O que teria feito? 

Esperou a noite toda, mas Kyungsoo não apareceu e quando acordou e percebeu que já tinha amanhecido, a aflição em seu peito apenas aumentou e estava pronto para começar a entrar em pânico quando ouviu o barulho da fechadura da porta, a qual logo se abriu e revelou a imagem de um D.O cansado, seu olhar parecia sem vida, mas aparentemente estava bem, pelo menos fisicamente.

— Onde você dormiu? 

— Na casa de um amigo — As palavras saíam frias dos lábios do menor, era difícil para ele encarar Chanyeol nos olhos naquele momento.

— Será que poderíamos conversar agora? — Park foi em direção ao amigo assim que viu o mesmo caminhando em direção ao quarto, colocando-se na sua frente.

— O que você quer conversar? Sobre o seu encontro? Sobre eu ser um estúpido por ter me apaixonado por você? — A voz embargada não permitiu que o menor continuasse, tudo que ele queria era chorar novamente.

— Soo...Por que você está fazendo isso? — O coração do maior pesava de dor ao ver seu melhor amigo naquele estado. O puxou para junto de si, prendendo D.O em seus braços e o garoto não conseguiu mais resistir e desabou em lágrimas mais uma vez, não se importando de encharcar a camisa do amigo.

— Eu não queria que fosse assim, eu juro que não queria Chanyeol. Eu tentei de todo jeito esquecer esses sentimentos, superá-los e achei que tinha conseguido, mas ontem percebi que só estava me enganando esse tempo todo — As palavras saíam abafadas em meio a lágrimas e soluços e o maior sentia que seu coração poderia despedaçar a qualquer momento com o sofrimento de Kyungsoo.

— Não é culpa sua, não escolhemos por quem nos apaixonamos, mas você não acha que deveria ter me contado? 

— E o que você teria feito Chanyeol? — D.O desenterrou o rosto do peito do amigo e o encarou nos olhos — O que você teria feito? Você passou os últimos cinco anos da sua vida em uma obsessão de encontrar o amor da sua vida, alguém que goste das mesmas coisas que você, que se encaixe no questionário maluco que você criou e eu estava aqui assistindo tudo, dizendo para mim mesmo que se você estivesse feliz, eu também estaria, mas eu não estava, pode me chamar de egoísta, mas eu não consigo ver a pessoa que eu amo correndo atrás de outra.

— Soo…

— Vinte anos, são mais de vinte anos juntos Chanyeol e você nunca se perguntou o motivo de eu nunca ter me apaixonado por alguém? De eu nunca falar de algum garoto para você? Mas no final, a culpa não é sua, fui eu quem cometeu o erro de se apaixonar, então eu mesmo vou lidar com isso, você não precisa fazer nada — O menor se afastou, tinha tomado a sua decisão e nada o faria voltar atrás. 

Chanyeol sentiu que desabaria a qualquer momento, era como se estivesse perdido as forças das pernas, mas ao mesmo tempo sentiu seu corpo petrificado. Tudo que Kyungsoo tinha dito era verdade, mas percebeu que estava muito focado em sua vida e se esqueceu do melhor amigo, percebeu que, inconscientemente, deixou de reparar no menor e no que acontecia em sua vida. Há quanto tempo não tinha uma conversa que não envolvesse a faculdade com D.O? Qual foi a última vez que perguntou se ele estava bem sem precisar reparar em um semblante triste? Não era como se precisasse estar atento o tempo todo, mas era fazer o mínimo como um melhor amigo de mais de vinte anos.

[...]

Nada mais era “normal” desde aquele dia e aquela fatídica conversa, nada mais era como antes. Chanyeol chegava em casa e não encontrava mais Soo, a porta do quarto do garoto estava sempre fechada, bateu algumas vezes, mas não obteve respostas. Teve dias que o menor dormiu fora de casa, Park sabia daquilo porque ficou esperando algum sinal de vida vindo de dentro do quarto, mas não ouviu nada por horas. Não sabia o que fazer, estava perdido, queria seu melhor amigo de volta, queria que tudo voltasse a ser como era antes, mas sabia que isso seria impossível, bem, pelo menos nos próximos dias, mas se perguntava quantos dias seriam necessários. 

Era um dia frio em Seul, mas Chanyeol não se importou de ficar no playground do residencial onde morava, estava sentado em um dos balanços, já não tinha mais idade ou tamanho para aqueles brinquedos, mas estar ali lhe trazia boas memórias, memórias que construiu com uma pessoa muito especial. Talvez o seu desejo de encontrar Kyungsoo estivesse o fazendo ver miragem, pois enxergou o menor andando em sua direção. Ficou espantado até ver o garoto se sentar no balanço ao seu lado, o silêncio imperou no ambiente por alguns segundos, até que D.O resolveu rompê-lo.

— Eu não perguntei, como foi seu encontro o outro dia? Você finalmente encontrou a sua alma gêmea?

— Eu desisti assim que cheguei lá, não deveria ter ido, percebi que meu melhor amigo era mais importante que o grande amor da minha vida — Park virou de lado, observando o menor e percebendo um sorriso no canto dos seus lábios, mas sabia que não havia felicidade ali.

— Que bom que ainda sou seu melhor amigo, sempre fiquei com medo que você me odiasse quando descobrisse tudo. Por muito tempo não fui sincero comigo mesmo porque tinha medo de que o que existia entre nós, acabasse.

— Soo, nada vai mudar entre nós, eu prometo.

— Já mudou Chanyeol — O olhar de D.O finalmente se encontrou com o do maior, havia dor neles e Park sentia que era culpa sua — Eu vim aqui para falar com você, eu tomei uma decisão e queria que você fosse a primeira pessoa a saber.

— O que houve? — Chanyeol sentiu que se arrependeria daquela pergunta, seu peito já doía como se estivesse sendo esmagado de forma bruta.

— Eu me inscrevi para cumprir meu serviço militar obrigatório, irei começar na próxima semana — Aquelas palavras tiraram o chão de Park, o garoto não sabia o que fazer, o que falar, ainda estava se processando, se perguntando se tinha ouvido direito.

— Soo… Por quê? E a faculdade? 

— Precisamos desse tempo longe um do outro, eu preciso. Estamos muito acostumados a estar sempre perto um do outro e acho que no final isso tornou tudo mais difícil. Além disso, vou trancar a faculdade. 

— Kyungsoo, por favor, não — Os olhos de Chanyeol estavam carregados de tristeza, ele sentia que as lágrimas saíriam a qualquer momento, estava perdendo o controle de si. 

— Já está decidido Chanyeol, mas eu quero que você me prometa que não vai se sentir culpado, pois eu não te culpo — O menor se levantou, colocando-se na frente do amigo e levando a mão ao seu rosto — Eu vou sentir sua falta — Um pequeno sorriso se forçou no rosto de D.O, pois sua verdadeira intenção era de chorar.

— Então por que você não desiste dessa ideia maluca? Nós prometemos que faríamos isso juntos. É isso que eu mereço por ser um idiota, certo? — Kyungsoo percebeu o olhar de dor do melhor amigo, mas não havia mais nada que pudesse fazer, principalmente porque o maior já tinha se levantado do balanço e agora caminhava de volta para o apartamento. 

[...]

Uma semana passou e aquele tempo não tornou mais fácil para Chanyeol aceitar a ideia de ver o amigo partindo por praticamente dois anos, principalmente que aquele era o dia em que D.O iria embora para dar início a uma nova fase de sua vida. Para Park restou apenas a opção de estar ali para se despedir ou fugir para tentar evitar a dor que já tinha emergido em seu peito e insistia em lá ficar.

— Eu vou continuar pagando o aluguel, então você não precisa se preocupar.

— Não é com isso que estou preocupado — O maior nem mesmo olhava diretamente nos olhos do amigo, pois pensava que quanto menos memórias tivesse daquele momento, menos sofreria.

— Será que você poderia me dar um abraço? Eu quero que nossa última memória juntos em meses seja de um momento alegre.

— Você está falando como se não fosse ter folgas ou feriados no qual você pode voltar para casa — Park abriu os braços, recebendo aquele abraço que já estava acostumado há anos, o qual retribuiu, sentindo todo o calor que Kyungsoo sempre lhe transmitia. Apesar de tudo, aquele parecia um pouco diferente, era como se fosse uma despedida.

— Eu sempre serei o seu melhor amigo, certo? Nunca tire esse posto de mim — D.O parecia que estava pronto para chorar, mas conseguiu se segurar e logo se retirou do pequeno apartamento, antes que se arrependesse das decisões que tinha tomado.

Ver Soo partir não foi algo fácil para Chanyeol, muito pelo contrário, teve vontade de correr atrás do menor e o impedir de fazer aquilo, mas sabia que não podia fazer aquilo, já tinha causado muito dor ao garoto e não queria ser responsável por mais sofrimento, afinal de contas, o que podia fazer pelo garoto? A única certeza que o futuro neurocirurgião tinha era que, independente de sucesso na vida ou não, nunca mais iria seguir a ideia maluca de procurar sua alma gêmea, pois naquele momento sentia que tinha perdido algo muito mais importante. 

[...]

Chanyeol achou que tudo ficaria bem, que seria mais fácil aceitar a ideia de ter o melhor amigo longe com o passar dos dias, mas depois de dois meses sem notícias de Kyungsoo o maior percebeu que tudo seria pior. Achou estranho o sumiço e aquilo começava a lhe afligir, pois não era normal nem mesmo para quem estava cumprindo serviço militar ficar todo o tempo de cumprimento recluso. De repente, um pensamento indesejável passou na mente de Park e foi então que ele se deu conta de que aquela realmente tinha sido uma despedida, o dia em que D.O foi embora, ele não pretendia voltar para o apartamento, pelo menos não enquanto cumprisse o seu alistamento. O garoto correu até o quarto do menor, tinha esperança de que aquilo tudo fosse um mal entendido, mas o que estaria procurando ali? Não tinha nada que pudesse lhe responder, a única pessoa que que poderia lhe dar a resposta estava muito longe e não queria falar consigo naquele momento. 

Chanyeol não sabia quantas horas tinham se passado, mas continuava no quarto de Soo, estava em sua cama, o cheiro de lavanda ainda estava lá e aquilo lhe trazia muitas recordações. Ao lado da cama tinha uma pequena cômoda, ao abrir, Park encontrou um álbum, não precisou pensar muito para saber do que se tratava, até porque já na capa tinha uma foto dos dois, uma foto de vinte anos atrás quando ainda eram bebês. O maior abriu o álbum de fotos e instantaneamente fez uma viagem no tempo, tinha foto dos dois de todos os anos que viveram juntos, o primeiro aniversário que as mães dos dois fizeram juntos, assim como o segundo, o terceiro e todos os outros em diante. Tinha uma foto do primeiro passeio que fizeram com a turma da escola para um templo da cidade, o primeiro show que foram juntos, o primeiro jogo de vôlei, o qual Chanyeol teve que insistir muito para que Kyungsoo fosse consigo, ele riu se lembrando daquilo e ao mesmo tempo seu peito doeu, uma dor causada pelo medo, medo de não poder ter aquilo novamente. 

[...]

Nove meses tinham se passado e o final de ano se aproximava, Park já estava de férias e também já tinha comprado a sua passagem de volta para casa, pois sentia saudades de sua mãe e era sempre aquilo que fazia nas férias. Por um momento se perguntou se Kyungsoo apareceria em casa dessa vez, mas logo afastou o pensamento, pois não queria se machucar mais. Toda aquela experiência dolorosa só o fez imaginar que foi por aquilo que o menor passou por anos, sofrendo calado, sozinho, sem conseguir dizer o que sentia e tudo que desejava era uma nova chance de reencontrar D.O e lhe pedir desculpas novamente, pedir desculpas e prometer que faria de tudo para aquilo nunca mais acontecer, que não queria ser o responsável pelo sofrimento do outro.

Antes de viajar Chanyeol precisou resolver um último assunto com seu orientador na faculdade, a qual estava praticamente deserta, provavelmente todos já tinham viajado para aproveitar as festas de final de ano com suas famílias. Contudo, no meio do campus tinha uma mulher que olhava vidradamente em direção a Park, o garoto ficou confuso, ela estava sentada atrás de uma mesa que estava coberta por uma toalha roxa e foi só quando se aproximou que se deu conta de que já conhecia a mulher, mesmo depois de quase seis anos ela não tinha mudado absolutamente nada. 

— Nos reencontramos novamente, como vai a sua vida? — A voz dela era serena, tranquila, parecia uma pacifista falando. 

— Ótima, estou quase me formando, meu trabalho de conclusão de curso vai muito bem, já tenho algumas propostas para residência, tudo prosperando e cheio de sucesso, acho que suas cartas devem ter mentido. 

— As cartas nunca mentem, nem seu coração.

— Ótimo, além de cartomante a senhora também é cardiologista?

— Sarcasmo ou ironia não irão diminuir a dor que você continua sentindo, poderia se sentar, por favor? — Park estava irritado, principalmente por a mulher ter razão em suas palavras, mas a obedeceu e se sentou na cadeira em sua frente. 

— A senhora não vai me dar as cartas para eu escolher dessa vez? — O garoto estava intrigado, pois ainda não tinha avistado o baralho. 

— Não é necessário, as cartas já me falaram tudo que era preciso. 

— E o que elas falaram dessa vez? — Chanyeol não queria entregar toda a sua esperança em cartas de baralho de uma cartomante, mas seu coração palpitava de curiosidade.

— De fato sua vida vai muito bem, além disso, você será um grande neurocirurgião, vai construir um legado impressionante, sua vida profissional será um sucesso — O garoto se animou com aquelas palavras, mesmo que fosse mentira, se agarraria a elas — Você vai olhar para trás e vai sentir orgulho do que construiu, mas e quando olhar para o lado o que você acha que sentirá? 

— Como assim? — De repente, toda alegria parecia ter se esvaído do peito do maior, o garoto agora não entendia o que a mulher falava.

— Querido, não se engane, desde a primeira previsão, nunca foi sobre sucesso profissional, sempre foi sobre a sua felicidade, você será um ótimo médico, mas quem estará ao seu lado para compartilhar esses momentos? Você perdeu o que lhe era mais importante e mesmo quando ele voltar, nada mais será como antes, pois a história de vocês agora têm uma mancha que sempre vai rondar suas vidas. Nenhuma casa de milhões, viagens luxuosas, nada disso vai preencher esse vazio que está em seu peito agora, nem mesmo depois de cinquenta anos. 

— Mas... Eu… Eu fiz o que as cartas mandaram, eu procurei minha alma gêmea, mas não a encontrei e no final de tudo ainda perdi o meu melhor amigo — Park estava cabisbaixo, ainda sentia a dor da perda e pensava que a sentiria para sempre, independente de quanto tempo passasse. 

— As cartas nunca mandaram você procurar, mas sim encontrar. Você não precisava passar anos da sua vida desesperado se envolvendo com pessoas que claramente não eram o grande amor da sua vida. Além disso, você lembra das minhas primeiras palavras? 

— “Há alguém lhe esperando” — De repente uma brisa soprou o rosto de Chanyeol e era como se ele tivesse sido esbofeteado e acordado de um sono profundo, tudo parecia mais claro em sua mente, se sentiu idiota por não ter entendido a primeira vez, mas pelo menos se sentiu feliz por ter compreendido tudo naquele momento — Mas eu não estava pronto, certo? — Um sorriso tomava conta do rosto do garoto naquele momento, a excitação habitava o seu corpo. 

— Você se sente pronto agora? — Um sorriso de satisfação resplandecia no semblante da cartomante, pois ela claramente tinha a sua resposta.

— Eu preciso ir, muito obrigado — Park correu, correu como se não houvesse amanhã, forçou suas pernas e pulmões a darem tudo de si, pois sentia que sua vida e não o sucesso dela dependia daquilo.

“Volte para o começo” Chanyeol finalmente entendeu aquelas palavras. 

[...]

— Senhor, eu queria pedir para mudar a escala do natal, me colocaram de folga, mas eu gostaria de ficar de plantão.

— Não — A resposta do superior foi direta, ele nem mesmo parou para observar o garoto. 

— Mas senhor…

— D.O você está aqui há nove meses e até agora não quis tirar uma folga, pegue suas coisas e vá passar o natal com sua família. Você é um soldado treinado do exército sul coreano, do que você tem medo lá fora? 

— Nada senhor — As palavras saíram em um tom baixo, infelizmente para Kyungsoo, o que lhe assombrava não podia ser combatido nem com todo treinamento militar do mundo. 

— Eu falei que ele não ia mudar decisão — O menor tinha feito alguns amigos em seu batalhão e um deles agora estava ao seu lado.

— Jongin, eu posso ficar na sua casa?

— Eu até permitiria, mas concordo com o comandante. Do que você tem medo Soo? Por que seu passado parece te assombrar tanto? 

— Você quer mesmo saber? Então vamos procurar um lugar para conversar.

Não foi uma conversa rápida e nem tão fácil quando Kyungsoo imaginou, mas ele felizmente conseguiu contar toda a sua história com Chanyeol para o amigo, Jongin ouviu tudo atentamente, sem deixar transparecer nada em nenhum momento.

— E você acha que ficando longe por dois anos vai resolver tudo? 

— O que mais eu poderia fazer? 

— Enfrentar a situação? O mais difícil você já fez que foi admitir para si e para ele, mas fugir não vai adiantar de nada Kyungsoo.

— Mas eu precisava de um tempo para mim — O menor estava triste, pois naquele momento precisava de alguém para apoiá-lo e não para dizer o que era certo, mesmo que estivesse precisando.

— Sim, é normal se afastar um pouco, mas dois anos? Você não acha que isso é meio exagerado? Além do mais, ele é seu melhor amigo, você não acha que ele está sofrendo? Te conhecendo bem nesses nove meses eu tenho certeza que você não gostaria de fazer a pessoa que mais ama, sofrer. 

— A pessoa que eu mais amo é a minha mãe.

— Você entendeu seu idiota — Jongin riu, agitando os dedos no cabelo do amigo e o provocando — Agora é melhor você comprar uma passagem de trem para a sua cidade natal e nada de pedir abrigo na casa do Junmyeon para fugir dos seus problemas, eu vou falar para ele não te deixar ficar na casa dele. 

— Você é meu amigo ou amigo do Chanyeol? 

— No futuro você vai me agradecer.

[...]

Era sempre uma sensação nostálgica voltar para Gyeongju, não importava quantas vezes no ano Chanyeol fosse até a sua cidade natal. Tinha chegado onde morava e era estranho olhar para a casa da frente e não ver Kyungsoo entrando lá. Depois de desarrumar toda a sua mala e passar um tempo com sua mãe, decidiu dar uma volta pela cidade, tinha chegado um dia antes da véspera de natal, então a província estava toda decorada para o clima da festa, aquilo também lhe fazia lembrar outra coisa, no dia seguinte era aniversário de Soo e Park não tinha a certeza se encontraria o garoto para lhe desejar feliz aniversário. 

— O Kyungsoo vai vir para a ceia? — A pergunta parecia despretensiosa, mas Chanyeol torcia para que sua mãe soubesse lhe responder.

— Eu não tenho certeza, mas é provável que venha, afinal, ele nunca perdeu um aniversário seu, certo? Nem mesmo nove anos atrás quando ele ficou doente e não aceitou ir para o hospital até que desse 00:01 e ele pudesse ser o primeiro a te desejar parabéns, você lembra?

— Claro que eu lembro, ele quase matou todo mundo de preocupação — Relembrar aquela memória fez Park rir, o garoto tinha saudades daquele tempo no qual sua maior preocupação era saber quais aventuras viveria com D.O no dia seguinte. 

Aquela lembrança também fez Chanyeol lembrar que não tinha comprado nenhum presente, acordaria cedo no dia seguinte para providenciar isso, mesmo que corresse o risco de Kyungsoo só recebê-lo outro dia, pois por mais que acreditasse que o amigo viria, não o culparia se o mesmo não viesse. 

[...]

O maior pensou muito no que deveria comprar, queria alguma coisa diferente de tudo que já tinha dado para Soo, mas não sabia exatamente o quê, gastou algumas horas até se deparar com a loja que julgou ser perfeita. Entrou entusiasmado no local, pois sentiu que o menor acharia aquele presente perfeito, pois o próprio Park tinha achado e apesar de não compartilharem os mesmos gostos, aquele assunto era algo que os dois amavam. 

Quanto mais as horas passavam, mais aflito Chanyeol ficava, pois não havia nenhum sinal de Kyungsoo, o menor não tinha dado nenhuma noticia se viria ou não, nem mesmo para a própria mãe. 

— Onde vai ser a ceia? 

— Na sua outra mãe — E com aquela frase, estava claro que seria na casa de D.O, pois depois de muito tempo convivendo juntos, os dois garotos criaram o hábito de chamar a mãe um do outro também de mãe. 

O dia passou voando e já tinha anoitecido, estava todo mundo reunido para a ceia, eram apenas os três e mais uma pessoa, aparentemente a mãe de Kyungsoo tinha encontrado um namorado, era um homem que trabalhava consigo e tinha a mesma idade que ela, eles pareciam combinar, pelo menos em um primeiro olhar, o que já era algo bom.

— Por que ninguém me contou essa novidade? 

— Ela queria contar pessoalmente para vocês — E por vocês a mulher queria dizer ele e D.O. 

Mãe e filho observavam enquanto Henry ajudava a dona da casa a colocar a mesa, o jeito que os dois se olhavam, pareciam dois adolescentes na fase inicial de um namoro, era algo fofo e engraçado, não enjoativo como adolescentes costumavam ser. A mesa estava servida e todos se reuniram na sala para beberem e conversarem um pouco, parecia que todos esperavam a chegada de mais alguém, mas ninguém exteriorizava isso pois pareciam saber se tratar de um assunto delicado, bem, pelo menos para uma pessoa em particular. 

[...]

Já estava perto da meia noite e todos estavam na mesa esperando para dar início a ceia, àquela altura Chanyeol já tinha perdido todas as suas esperanças de que Kyungsoo fosse aparecer para a comemoração e também para o próprio aniversário.

— Como está a faculdade meu querido? — A dona da casa perguntou, tentando quebrar um pouco do clima estranho que estava presente.

— Está indo bem, ano que vem eu me formo, nem acredito nisso. 

— Você vai ser um ótimo médico.

— Eu digo isso sempre para ele. 

— Vocês são minhas mães, isso não conta.

— Minha opinião conta? — Uma voz masculina surgiu na conversa, mas não era a de Henry, todos olharam para a entrada e se depararam com um D.O com farda do exército — Desculpem a demora, o trem acabou tendo problemas mecânicos — Estavam todos realmente surpresos, mas só uma pessoa não conseguiu se levantar e nem falar nada. 

— Que saudades do meu filho, você está tão diferente.

— Mãe eu só cortei o cabelo — As duas mães levantaram para abraçar o garoto, enquanto Henry conhecia o filho de sua namorada pela primeira vez, mas Park continuava sentado, não sabendo se deveria ir até lá — Eu preciso tomar um banho e me arrumar para a ceia, Chanyeol você pode me ajudar? — Todos os olhares viraram para o maior agora, o qual foi pego de surpresa.

— A tomar banho? Claro — Todos riram, era inevitável, pelo menos serviu para tirar um pouco do clima pesado que estava na casa.

Era uma sensação estranha, por muito tempo Park tinha desejado que aquele dia chegasse e agora que finalmente tinha o que tanto desejou, se sentia diferente, um frio percorria o seu estômago, isso era porque não tinha noção de como estava a sua situação com D.O e queria resolver aquilo o mais rápido possível.

— Eu não quis perguntar na sala porque quis sair de lá logo, mas quem é aquele homem? — O menor colocou sua mochila de lado, sentando em sua cama e convidando Chanyeol a fazer ao mesmo.

— Podemos dizer que é seu novo pai ou o namorado da sua mãe, você escolhe.

— Vamos deixar ele apenas com o status de namorado por enquanto. Mais alguma novidade? 

— Eu reencontrei a cartomante do circo que fomos quase seis anos atrás — O menor pareceu ser pego de surpresa com aquela revelação, seu coração palpitou, se perguntando se queria saber o que a mulher tinha falado. 

— O que ela disse? — Sua curiosidade foi maior que o seu medo e Kyungsoo não conseguiu resistir. 

— Feliz aniversário.

— Ela disse feliz aniversário? — Os dois riram e só depois Park entendeu que não estava falando nada com nada.

— Não, idiota. Eu estou te desejando feliz aniversário, pois acabou de dar 23:59.

— Como você sabe disso? Nem está olhando para o seu relógio — As palavras saíram como um suspiro, os dois estavam tão próximos e se encaravam diretamente, parecia que não havia mais nenhum ressentimento entre os dois. 

— Porque eu estou contando cada segundo desde que você apareceu aqui, eu senti muito a sua falta Soo — Chanyeol segurou a mão do amigo, fazia tanto tempo que não sentia aquela sensação. 

— Eu também senti muito a sua falta, me desculpa ter demorado para aparecer.

— Não tem problema, eu entendo os seus motivos, mas seria egoísmo meu pedir para você não fazer isso de novo? — Havia tanta súplica no olhar do maior que mesmo que D.O sentisse raiva dele, não conseguiria recusar aquele pedido. 

— Feliz aniversário Chanyeol — Agora foi a vez de Kyungsoo de mudar de assunto, um sorriso estampava o seu rosto e ele logo abraçou o seu melhor amigo. Tinha sentido tanta falta daquilo que apenas se sentiu mais idiota por ter ficado tanto tempo longe de Chanyeol.

— Agora você vai tomar seu banho que eu vou ficar aqui te esperando.

— Mas você ainda não me falou o que a cartomante disse. 

— Depois eu falo, assim consigo te manter comigo por mais algum tempo — O maior levou sua mão até o rosto do amigo, o acariciando rapidamente e logo em seguida o empurrando até o banheiro. 

[...]

Finalmente estavam todos reunidos para a ceia, agora tinham cinco pessoas reunidas na mesa e todos estavam animados. O clima estranho tinha ido embora e agora cada um falava as novidades que tinham vivenciado desde a última vez em que se encontraram. Kyungsoo observava o quanto sua mãe estava feliz e atribuía aquilo ao seu novo namorado, Henry parecia ser uma boa pessoa. Contudo, não era só em sua mãe que o garoto estava atento, a todo momento seu olhar se encontrava com o de Chanyeol e os dois sorriam um para o outro, tudo parecia ter voltado ao normal, até mesmo a amizade dos dois, o menor se perguntava se daquela vez realmente conseguiria passar por cima de tudo que sentia para manter a sua amizade com o garoto.

— Crianças, vocês ficaram responsáveis por guardar tudo que sobrou, então, espero acordar amanhã com tudo organizado — Foi a mãe de D.O que deu a trágica notícia, já se retirando da mesa.

— Sejam filhos obedientes e escutem a mãe de vocês. Filho você está com a chave de casa? 

— Estou, mas não precisa se preocupar, eu vou dormir aqui essa noite — Chanyeol falou rapidamente e ninguém pareceu protestar, até porque era só mais um dia normal na vida daqueles dois garotos, bem, pelo menos era o que todos achavam. 

— Muito bem, tenham juízo e não vão dormir tarde.

Os dois acabaram sozinho e logo começaram a fazer o que foi pedido, guardaram tudo que sobrou da ceia na geladeira e depois foram lavar a louça, pois não aguentaram ver tanto prato sujo, mas aquilo foi influência de Kyungsoo, o qual já tinha mania de limpeza e sua ida para o exército apenas tinha aflorado aquilo.

— Então, acho que temos bastante tempo para conversar agora, certo? — Os dois tinham chegado ao quarto do menor, sentaram-se na cama, um de frente para o outro, se encaravam e parecia haver muita coisa para ser dita.

— Soo, você conseguiu deixar de me amar? Digo, como mais do que um amigo — Chanyeol foi direto, pois sentia que já tinha perdido muito tempo e não aceitaria perder mais um dia longe do garoto. 

— Sinceramente? Não, nem sei se um dia vou conseguir — D.O virou seu olhar de lado, se sentia envergonhado, mas tinha decidido que nunca mais esconderia algo do melhor amigo — Por mais que eu tente, algo dentro de mim diz que é inútil, que não vou conseguir, mas eu também não vou mais fugir, pois isso também estava me machucando, então se você quiser eu vou viver ao seu lado até que você encontre a sua alma gêmea, o grande amor da sua vida.

— Eu já o encontrei.

— Já? — Aquelas palavras pegaram Kyungsoo de surpresa, o garoto sentia que estava perdendo o oxigênio ao seu redor, sabia que nunca estaria pronto para ouvir aquela resposta, mas aquilo foi algo muito rápido, não sabia como reagir.

— Soo, eu nunca deveria ter procurado minha alma gêmea, ela sempre esteve comigo, mas como a cartomante disse, eu não estava pronto ainda, mas sinto que agora estou — Chanyeol segurou as duas mãos do amigo, sentou-se mais perto dele e sentiu que já estava próximo o suficiente — Desculpa te fazer esperar tanto tempo — O menor estava pronto para falar alguma coisa, mas teve seu corpo forçado e logo deitou-se na cama.

A aproximação repentina de Chanyeol tinha deixado Soo surpreso e sem saber como reagir, tinha imaginado aquele momento tantas vezes, mas jamais imaginou que ele realmente aconteceria. Os grandes olhos de Park estavam fixos nos seus e o corpo dos dois já estava praticamente grudado, a respiração pesada também já se fazia presente, principalmente quando o maior fez uma pausa dramática. D.O já podia sentir seu perfume, assim como a respiração contra a sua pele, será que ele tinha se arrependido? Kyungsoo apenas levou as mãos até a cintura do garoto e prendeu seus dedos contra a camisa dele, mas foi assim que fechou os olhos que sentiu seus lábios sendo pressionados. Demorou para acreditar que aquilo realmente estava acontecendo, o maior o beijou uma, duas, três vezes até que conseguisse abrir a boca para sentir o que realmente lhe aguardava. A língua de Chanyeol estava agora fazendo contato com a sua, o beijo era… Quente, intenso e seu corpo já não era mais controlado por si próprio, as mãos de Soo agora percorriam o corpo do maior, chegando até a sua nuca e se prendendo em seus fios, enquanto o próprio Park tencionava seu quadril e pressionava contra o de D.O. 

— Chanyeol… — O nome do garoto saiu em forma de gemido em meio aos suspiros pesados, pois estavam ambos ofegantes.

— Você não precisa mais enterrar seus sentimentos, pois agora eu vou cuidar deles, para sempre.

— Você tem certeza disso? Você não está apenas se forçando para me fazer feliz? — A resposta para aquela pergunta veio quando Park pegou a mão do menor e levou até o seu peito, fazendo-o sentir como seu coração estava acelerado.

— É assim que você se sentiu todos esse anos? — A pergunta foi respondida com outro beijo, dessa vez iniciado por Kyungsoo, o qual sentia que finalmente estava completo, sentia que não precisava de mais nada na vida, pois tudo que tinha buscado em anos estava ali consigo naquele momento. Queria chorar de alegria, mas focou todas as suas forças em beijar o grande amor da sua vida e aproveitar aquele momento o qual idealizou por tantos anos. 

Cada toque que trocavam já não tinham mais o mesmo significado, agora não eram apenas melhores amigos, também eram cúmplices, namorados e até mesmo almas gêmeas. O motivo pelo qual Kyungsoo nunca conseguiu se apaixonar por mais ninguém é porque mais ninguém era Park Chanyeol e era aquele garoto que estava destinado a lhe fazer feliz vida após vida, algumas vezes por um dia, outras vezes por anos e até mesmo décadas.

[...]

— Por que você me tirou tão cedo da cama? — D.O resmungava, ainda estava com sono e os dois saíram cedo correndo pela cidade.

— Eu não sei quantos dias ficaremos juntos até você voltar para o exército, então quero te proporcionar tudo que deveria sete anos atrás.

— Chanyeol você não me deve nada.

— Vamos começar com o clichê de um romance adolescente, o baile de formatura — Levou alguns segundos para o menor perceber que estavam na frente de sua antiga escola — Bem, não tem roupa formal, nem banda, nem iluminação, mas temos eu e você, meu spotify e a quadra de educação física — Park carregava um sorriso no rosto, pelo visto tinha passado muito tempo planejando aquilo.

— Como vamos entrar? Está fechado, é natal. 

— Papai noel me deu a chave — O garoto tirou um molho de chaves da mochila que carregava — Isso me faz lembrar que ainda não entreguei o seu presente — Ele entregou a sacola para D.O, o qual a pegou e seu olhar já estava repleto de curiosidade.

— Eu não acredito nisso, desde quando você se tornou tão clichê, Park? — Soo segurava uma câmera polaroid nas mãos e aproveitou para apontar diretamente para o seu amado, tirando uma foto dele a qual saiu instantaneamente da câmera — Essa vai para a minha carteira — O garoto balançava a foto orgulhosamente, como uma criança que tinha acabado de ganhar um prêmio no tiro ao alvo. 

— Não foi você quem acabou de reclamar de clichê?

— Não? Eu sempre fui clichê, já você, nem tanto. Agora vamos, você está me devendo uma dança. 

Ironicamente ou não, o presente de Chanyeol combinou com o de Kyungsoo, o qual comprou um álbum de fotos para o maior, tudo bem que não era um álbum específico para o tamanho das polaroids, mas eles não se importaram com aquilo e apenas deram um jeito. Começaram a construir novas memórias juntos, sendo sinceros com os próprios sentimentos e entendendo um ao outro. Park finalmente entendeu que amor nunca foi sobre gostos em comum e era muito mais do que se sentir confortável com outra pessoa, era algo enorme e que não tinha explicação, só o coração poderia responder o que era o amor, não fazia parte da razão e sim da emoção, era por isso que não tinha uma explicação lógica, amor não é uma fórmula ou algo que possa ser definido com exatidão, amor é simplesmente amor e quando se trata da sua alma gêmea, do grande amor da sua vida, amor é… 



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