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História Eterno - Capítulo 1


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Notas do Autor


eu sou boiola demais por essas duas mds

Capítulo 1 - Único


Se fechasse os olhos, Mitsuba poderia visualizar com clareza o momento em que a conheceu. Era mais um dos dias em que se esgueirava pelo ginásio enquanto o clube feminino de handebol fazia seu treino diário. Ela tentava novamente fugir das constantes investidas de Satoshi Yamanaka, que se recusava a aceitar a rejeição. Porém, dessa vez o infeliz a havia encontrado, chegando com abraços inconvenientes e pedidos para que ela lhe desse uma segunda, uma terceira e uma quarta chance.


"Ela não parece muito confortável."  uma terceira voz se fez presente sobre os apelos dele e as negativas dela.


Shinoa Hiragi era a capitã do clube de handebol, e carregava nas costas tanto títulos, quanto advertências por seu comportamento. 


"Não se mete onde não foi chamada, baixinha." ele estendeu o dedo médio na direção da garota de cabelos lilases.


Esta, por sua vez, agarrou o pulso do garoto, torcendo com força e o encarando com olhos castanhos que seriam capazes de cortar alguém.


"Eu vou dizer apenas uma vez: saia do meu ginásio, e deixe ela em paz. Não irei repetir." ela disse em tom de ameaça enquanto soltava o pulso dele lentamente. 


Satoshi saiu dali com o rabo entre as pernas, e nunca mais chegou perto de Mitsuba.


A capitã tinha uma presença absurdamente forte para uma pessoa tão franzina, sua personalidade era terrível, e era tão linda que chegava a doer. Mitsuba nunca havia acreditado em um deus, mas gostava de pensar que se existisse algum ser superior ou divindade, se pareceria com Shinoa Hiragi.


Quase inconscientemente passou a faltar nas atividades do clube de literatura para assistir aos treinos. 


Pouco a pouco, a garota de cabelos lilases lhe introduziu em seu mundo, lhe apresentou seus amigos, como Yuichiro, o líbero do time de vôlei que namorava com o loirinho quieto que era colega dela no clube de literatura, Mikaela; ou Kimizuki, do clube de basquete, e Yoichi, do soft tennis. Lhe apresentou à família - como uma amiga da escola, claro - , eram pessoas demais numa mesma casa, e a grande maioria extremamente ruim de lidar. Várias vezes a ouviu dizer o quanto queria fugir dali.


No jardim do antro dos hipócritas - como a Hiragi caçula carinhosamente apelidou a residência da família -  Shinoa beijou seus lábios, escondidas de tudo e de todos. E ali, Mitsuba soube que era correspondida em um sentimento que ainda nem havia decifrado. 


E Shinoa acarinhou seus cabelos, disse o quanto ela era bonita e lhe dedicou cada ponto que marcou no campeonato, com direito a corridas até a arquibancada para roubar um beijo de comemoração. E ela lhe contou histórias, como a de quando flagrou Mika e Yuu transando no almoxarifado, ou sobre como Yoichi era ingênuo demais para perceber os descarados flertes de Kimizuki, ou sobre o fato de que seu irmão adotivo entrara na família para ser uma companhia para Mahiru, mas acabou roubando o namorado da mesma. Às vezes ficavam acordadas até tarde da noite, trocando sussurros, beijos, carícias inocentes e outras nem tão inocentes assim.


Em sua mente estava marcado a ferro o dia em que ela a levou para o vestiário vazio e tocou seu corpo de uma maneira que homem algum jamais poderia. E quando Mitsuba viu estrelas, soube que estava certa em vê-la como uma deusa, pois não havia mais sublime sensação que a do corpo dela junto ao seu.


Para Shinoa ela escreveu poemas, traduzindo em palavras cada nuance do amor que guardava a sete chaves em seu peito, e a garota leu com um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos. Foi a primeira vez que a viu chorar.


Se graduaram juntas e estudaram o máximo possível para que entrassem na mesma universidade, em outra cidade, onde passaram a viver juntas como "melhores amigas". Raras vezes voltavam para visitar suas respectivas famílias. Em uma dessas conseguiram juntar o irmão mais velho de Shinoa com a irmã de Mitsuba. No casamento dos dois, encheram a cara e gritaram para o mundo inteiro o quanto elas se amavam.


E nunca mais voltaram.


Mitsuba gostava de contemplar o sono de sua namorada todas as manhãs, mesmo que quase sempre isso as atrasasse e as fizesse correr para a estação de trem. Quanto mais anos se passavam, mais feliz ela se sentia por ter Shinoa Hiragi em sua vida.


Nunca fizeram juras de amor eterno, pois o eterno era algo utópico demais para se prometer. Mas decidiram que enquanto aquilo durasse, seria eterno em seus corações. 




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