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História Ethereal - Bellarke - Capítulo 13


Escrita por: elysianfl

Notas do Autor


o ínicio desse capítulo se passa ao mesmo tempo do capítulo que Clarke acorda no laboratório.

Capítulo 13 - Capítulo 12


9 dias antes


Ele sabia que aquelas crianças só sairiam dali com a ajuda dele. 

Como prisioneiro, tinha certos privilégios, se é que podia chamar assim, que os garotos jamais teriam.

Então não foi muito difícil decidir que faria aquilo por eles, gostaria que caso sua filha precisasse um dia, alguém fizesse algo assim por ela.

Uma atitude nobre, sem esperar nada em troca. 

Esse é o exemplo que ele queria ter deixado no seu legado de pai, mas acabou que seu fim seria numa cela acinzentada, com nada além de um giz para rabiscar e um bebedouro.

Nunca entendeu o motivo de não o transferirem para a prisão, ou de não o matarem, já que ele era um traidor aos olhos de todos ali. 

Talvez tivessem simplesmente o esquecido.

Até aquela manhã.

— Tem alguém aí?

Uma voz berrou do lado de fora da grande porta de ferro. Será que estava falando com ele? 

Uma batida forte se fez ouvida. É, estavam falando com ele sim.

— Quem é você? O que quer?

— Você é um dos descartados? Porque se for, estamos em retirada, conseguimos liberar a saída por 30 minutos mas tem que ser rápido.

— O quê? Será que dá pra abrir a porta por favor?

A porta é aberta por fora.

— Só estava esperando você pedir, camarada

Um garoto magricela e sarcástico fez sua aparição. 

— Meu nome é John Murphy. Você vai ficar parado aí me encarando como se eu fosse um alienígena ou vai começar a correr como todo mundo?

Um órfão, definitivamente.

Ele deixa a cela e a claridade do lado externo quase o cega, eram muitas lâmpadas fluorescentes iluminando o local.

O garoto ri, atrás dele.

— Tive a mesma reação na minha vez.

Ele franze o cenho.

— Na sua vez? Você é um dos prisioneiros? O que um garoto como você poderia fazer pra intimidar caras tão grandes como os Etéreos.

Murphy debocha grunhindo desviando da pergunta.

— Você fala como se não fosse um deles.

— Eu não sou. Não mais.

— Hey! As bonitinhas vão continuar flertando enquanto espera os caras atirarem ou querem sair daqui?

Outro garoto, mais velho, gritou do final do corredor.

A falta de respeito obviamente foi ignorada por ora, e eles acompanharam o rapaz. 

O homem percebeu que vários outros adolescentes corriam apressados para a mesma direção que eles. 

— Finn? Para onde está indo?

O tal Murphy perguntou para um garoto que corria na direção contrária.

— Lexa achou uma garota que precisa de ajuda pra andar, vou ajudá-las. 

Ele explicou e saiu sem esperar uma resposta.

Por ironia do destino, pai e filha jamais saberiam, mas estavam no mesmo lugar ao mesmo tempo sem sequer se encontrarem uma última vez.

O outro cara olhou pra eles.

— Certo, não temos tempo. Murphy, os outros estão no container de controle, leve seu novo amigo até lá e os ajude, eu vou ir atrás de todo o resto para ter certeza que não deixamos ninguém para trás. 

O rapaz ao seu lado assente e corre na direção contrária, não restando outra opção pra ele. 

— O que é isso?

Pensou enquanto chegavam em uma sala vazia com nada além de um container cinza retangular no centro, iluminado por duas grandes saídas de luz azul do teto. 

Ele verbaliza a pergunta para o garoto.

— É uma cela de experimentos. Você sabe para quê.

— E tem gente aí dentro?

O garoto olha pra ele. 

— Você já vai descobrir.

Ele avança para uma pequena tela quadrada fixada no vão do portão redondo da entrada do container refrigerado. 

Ele já tinha trabalhado dentro de um daqueles, bem menor, apenas para armazenar ampolas com material genético. Mas esse parecia ser duas vezes maior e ao invés de substâncias, este confinava pessoas.

John Murphy usa o dedo polegar para ativar um transmissor de voz dentro do equipamento. 

— Olá? Alguém pode me ouvir? 

Silêncio

— Olha só, estamos aqui para ajudar, se vocês não derem sinal de vida a gente vaza daqui porque nem eu nem meu camarada estamos a fim de morrer.

— Vai explodir…

Uma voz feminina juvenil é ouvida como se algo a impedisse de falar mais.

— O que vai explodir? 

Dessa vez ele pergunta preocupado.

Uma voz mais de perto da porta responde.

— Tem uma caixa aqui com um artefato no centro, acoplada às nossas cadeiras, se tentarmos sair, partículas de raio gama serão lançadas e todo mundo aí fora vai morrer.

Os dois ficam em alerta do lado de fora.

— Você não tinha me falado sobre isso.

Reclama com Murphy.

— Como eu ia saber? Eu era prisioneiro assim como você, não tinha permissão para saber o que faziam com as cobaias. 

— Não os chame assim!

O garoto levanta as mãos como se pedisse desculpas. 

— Qual é o seu nome? Você pode falar mais sobre o raio gama?

— Tem um relógio acoplado em cima de um artefato com césio isolado de urânio, marcando dois minutos, quando esse número zerar os dois elementos se juntam e a radiação eletromagnética será liberada daqui de dentro pra tudo lá fora. Não posso levantar e destruir sozinha, porque ou eu pego os outros ou quebro o cilindro e eles prenderam minhas mãos para inibir a telecinesia.

O homem olhou pro garoto se perguntando sobre o que a garota falava, mas o rapaz deu de ombros. 

Ele notou que ela ignorou a informação sobre seu nome.

— Certo, você me parece ser muito inteligente gatinha — lembrou do apelido que chamava a filha e tentou passar confiança para a garota — Mas para a gente ajudar vocês, preciso de mais informações do que eu posso fazer. 

— Você pode entrar. Eu consigo derreter o ferro que me prende e levitar as crianças pra fora, mas enquanto isso, você precisa pegar o cilindro e jogar com toda força no chão. Faltam 53 segundos!

Ele e Murphy se entreolham.

— Abra a porta. 

— Olha só, o senhor precisa saber as consequências de pegar aquele troço com as mãos. Se não fosse perigoso eles não prenderiam a várias crianças com habilidades inumanas...

Ele sabia que estava falando sério, porque o garoto lhe falou com respeito.

— Você acha que eu não sei? Abra a porta, porque o tempo está acabando.

Murphy parecia muito aflito, mas obedeceu, enquanto digitava uma senha no painel — coisa que não fazia muito sentido para o homem ele saber o código, visto que segundo o garoto era tão prisioneiro quanto ele, e ele pelo menos durante todo aquele tempo nunca tivera acesso a outro indivíduo. 

— 30 segundos!! 

A garota berrou com a voz angustiada. 

A porta abriu e imediatamente eles sentiram a pressão refrigerada em seus corpos. Murphy gritou e saiu da direção da abertura. 

O voluntário entrou no compartimento antes de prestar atenção no que seu corpo sentia — ou não sentia, devido a temperatura abaixo de 6 graus como mostrava uma tela bem acima da porta. 

Movimentou-se, correndo sem sair do lugar para que seu corpo, sem qualquer proteção para o frio, não congelasse antes de fazer o pretendido. 

No meio do container realmente tinha uma estrutura metálica com um cilindro mediano no centro. 

22 segundos. 

4 crianças estavam presas a 4 cadeiras metálicas, 3 estavam desacordadas e uma a mais velha, a voz que falou com eles soltava suas mãos e pés e se levantava para ajudar as demais crianças.

Ele tentou perguntar como ela faria isso, mas em seguida presenciou as outras crianças serem desamarradas das faixas de couro e levitarem por cima do equipamento. 

O que diabo eles fizeram com aquelas crianças?

Se questionou enquanto assistia aterrorizado até que o relógio começou a apitar.

Regressiva de 10 segundos.

— Saiam daqui!

Ele apressou a garota que não perdeu mais tempo. 

Seus dedos estavam começando a congelar quando, com as duas mãos, envolveu o cilindro. 

Uma vez ajudou a construir um arco elétrico para funcionar como gerador de energia, altamente letal, um mero toque causaria o equivalente a aproximadamente 920 volts de choque pelo corpo humano, o que derreteria todas as camadas da pele em menos de 13 segundos. 

Naquela experiência, ele e os colegas entraram em consenso que aquilo era o máximo de dor que uma pessoa era capaz de sentir prestes a morrer. 

Eles nunca testaram em alguém vivo, é claro.

O teste foi feito em um cadáver que tinha acabado de ir a óbito. Os órgãos ainda funcionavam e o coração ainda batia. 

Por isso, foi assustador assistir, por uma maca fechada em uma redoma de vidro, a derme e a epiderme sendo corroídas como areia se desintegrando. 

Ao tocar naquele dispositivo, aquela dor se fez viva na lembrança dele, enquanto grunhia e se forçava ao máximo para levantar o objeto e com todo autocontrole e força derrubá-lo no chão.

Mal sabia quantos segundos restara, mas antes de deixar o local, ele ouviu o dispositivo se espatifar no chão derramando o conteúdo. 

Não poderia ter certeza, visto que cada um dos seus sentidos estava comprometido, mas achou que ouviu Murphy avisar que tinha que fechar a porta para o material radioativo não vazar para fora do congelador. 

Assim que seu corpo lidou com o choque térmico do lado de fora ele entrou em colapso, vozes ao seu redor o chamavam mas ele não conseguia comandar nem o próprio cérebro. Viu em câmera lenta quando sua consciência escapou-lhe gradativamente até dar boas vindas ao silêncio e à escuridão. 

Ao abrir os olhos não estava somente metros afastado do container, estava do lado de fora em algum lugar que não pertencesse a Alie pela primeira vez em dois anos. 

Se podia apostar em algo, diria que a garota o tirara dali. 

Ele até tentou erguer a coluna para se sentar, mas a dor que sentia em cada pedaço de seu ser o fez desistir de qualquer coisa. 

— Shh, está tudo bem. Não se esforce.

A mesma voz jovem melodiosa mostrou-lhe que não estava só. Optou por somente abrir os olhos e absorver o máximo que sua visão era capaz de lhe dar. 

Não era um hospital, ou um posto médico, mas alguma coisa ali entre os dois. Valia a tentativa. 

Muito devagar ele girou a cabeça para observar de perto a garota que salvara. Não devia ter mais que 16 anos, mais nova que sua filha com certeza. Possuía cabelos negros escorridos de uma altura abaixo do que ele podia ver com ela sentada, seus olhos eram castanhos e suas feições o lembravam muito alguém que um dia ele ja conheceu. Só não lembrava quem. 

— Como se sente?

Pergunta educada.

— Como se estivesse morrendo.

Consegue pronunciar a fala embora embolando as palavras, sua língua pesava como anestesia de dentista.

A garota desviou o olhar como se não tivesse o que acrescentar. E quanto ao fato realmente não tinha. Ele estava morrendo. Era médico, sabia disso.

— Posso te pedir uma coisa? 

Se esforça elevando a voz em respirações entrecortadas.

A garota se aproxima e assente.

— Se um dia conhecer a minha filha, retribua o que fiz por vocês hoje em vida.

Sabia que era pedir demais, afinal não escolhera se arriscar por aquelas crianças para exigir algo em troca. Agiu por um instinto paternal. 

Mas sua filha poderia estar em algum lugar do país assustada, faminta, sozinha se a separaram da mãe...ele não sabia. Não recebia informações das duas há mais de 7 meses.

Ele segurou a mão da garota e continuou. 

— Diga que eu a amo e que me orgulho do seu coração rebelde. Não a deixe...não a deixe desistir sem antes lutar pelas coisas. — Seus olhos mal aguentavam permanecer abertos, ele sabia que sua hora já estava chegando. — Prometa-me por favor…

— Eu prometo. — A garota apertou a mão dele de volta — Obrigada por nos salvar, eu protegerei ela com toda minha gratidão por você, eu prometo. 

Ele sorri fracamente.

— Só mais uma coisa, como você se chama?

Ela pergunta baixinho enquanto escuta seu coração bater cada vez mais lento e sua respiração aos poucos ficar uniforme.

— Jacob...Jake Griffin.

Murmura pela última vez até o silêncio se juntar a linha horizontal da tela a sua direita. 

— Octavia? — Murphy surge por trás chamando a atenção da garota, e logo desvia o olhar para a cama em sua frente. — Ele está morto? 

Ela assente. 

— Han...devemos fazer uma cerimônia antes do enterro? 

Pergunta sem jeito e ela nega.

— Não temos tempo, infelizmente. Eu o honrarei de outra forma. Avisa aos meninos para virem buscá-lo. Nós ainda temos que dar o fora daqui. 

Diz levantando e dando as costas para o garoto. 

John Murphy se aproxima do corpo do homem que ele nem sequer chegou a saber o nome — embora conhecesse parte da sua outra vida — e toca brevemente em sua mão gelada estendida acima do tórax. Foi uma curta jornada, mas ele adoraria tê-lo conhecido mais.

— Adeus, camarada.



26 horas antes da colisão Ethereal


— Certo. Explique-me de novo como aqueles monstrinhos não vão escapar e matar todos nós de bônus se os deixarmos aqui? 

Roan Azgeda, Jacob Green e Thelonious Jaha conversavam entre si enquanto bebiam Whisky tarde da noite no escritório do ex-militar. 

Nessa manhã, funcionários da rede comunicativa interceptaram mensagens em código do continente asiático. A Alie em peso ficou atenta. 

Eles se reuniram mais cedo com o presidente Blake e mais membros de autoridade máxima para decidirem se a mídia seria uma aliada ou inimiga. Nesse caso, optaram por inimiga. Uma manchete errada antes que decifrasse a mensagem, poderia significar um míssil chegando mais cedo, e eles não estavam preparados. O primeiro treinamento com a Elite seria em três dias ainda. 

Jacob Green vinha insistindo na decidida solução da responsabilidade dos cobaias. Não confiava de jeito nenhum em dividir a nave com eles, por isso desde muito cedo não fazia questão de esconder sua preferência em deixá-los para trás. 

Já Roan Azgeda achava um absurdo, um desperdício bilionário à mercê da sorte de sobreviver em meio a radiação nuclear. 

Jaha não concordava nem discordava, somente temia uma revolta além do que eles pudessem controlar. Afinal eram monstros, porém monstros humanos. 

— O refrigerador. Vamos sedá-los, amarrá-los e por garantia ativar uma bomba.

Jacob sugere sorrindo como se já tivesse pensado em tudo.

— A garota menor pode desarmar uma bomba, o cérebro dela é um computador, esqueceu?

O outro desmancha o sorriso e Jaha revira os olhos com a falha óbvia. 

— 200mg de mercúrio mata uma pessoa minutos após a ingestão…

A voz de Roan os surpreende com o comentário. Os dois homens ficam calados, enquanto ele continua o pensamento.

— Se tivermos tempo, podemos injetar neles desde já. Não irão morrer, porque o organismo deles é mais resistente do que um organismo normal, mas eles teriam vômitos e lesões no intestino em menor intensidade. Tempo suficiente para trancafiá-los em um local e os transportar para dentro da nave, eles seriam levados antes de todos. 

— Isso é possível, Jacob? Essa injeção?

Jaha questiona e o outro assente.

— Mas não é tão simples como ele sugere, primeiro porque ainda teríamos que lidar com eles depois que despertassem, iriam achar estranho em algum momento, afinal nunca os deixamos sair. E fora que o mercúrio em excesso ao longo do tempo pode deixar um indivíduo agir como um louco, em jovens geneticamente modificados não fazemos ideia da reação que poderia ocorrer. 

Thelonious bufou, ideias sem soluções não mereciam nem serem compartilhadas. 

— Então o que você sugere? Porque eu sinceramente não sei o que fazer com eles. 

Antes que o asiático respondesse, o transmissor atrás da orelha de cada um presente, apitou uma mensagem para o general Jaha. 

Notícias atualizadas e suspeitas do Estado Islâmico, tinham acabado de chegar a base junto a dois sobreviventes da equipe militar norte americana. 

Mais problemas.

Os três deixaram o copo na mesa e seguiram de encontro aos inesperados visitantes. 

— Minha Nossa!

Roan deixou escapar quando viu o estado que se encontrava os dois homens à sua frente. Um deles tinha a orelha lacerada ao meio e sangue seco grudado ao pescoço, este estava sentado com uma tipóia na perna direita. O outro que estava em pé tinha sangue por cada centímetro de pele e ambos fediam a morte. 

— Senhores.

Ainda fizeram referência, como podiam, aos três pedindo permissão para a fala. Jaha concedeu. 

— Os senhores se lembram do nome Russel Lightbourne? 

Thelonious Jaha inquieto, na mesma hora se aproximou dos dois. 

— Sente-se. 

Ordenou e fez o mesmo, incitando os amigos a o acompanharem. Se aqueles dois conheciam seu velho amigo Russel, alguma coisa muito pior eles teriam de enfrentar e algo lhe dizia que não teria bem o auxílio do amigo.

— O que Russel tem a ver com alguma coisa? E o que explica o estado de vocês? Parece até que vieram direto pra cá.

— E viemos senhor. — o que ja estava sentado o responde — nós somos sobrevivente da operação que a Alie enviou há seis meses atrás para vigiar e coletar informações do tráfico de jovens da Europa para o Estado Islâmico. 

— O que aconteceu?

— Era uma armadilha. Isso que acabei de vos falar era o que Russel e sua equipe queriam que nós achássemos. Eles não estão traficando aquelas crianças, eles estão indo de vontade própria, filhos rebeldes de pais que não se importam, órfãos e outros em situação semelhante. 

— Pra quê Russel precisaria de adolescentes como voluntários?

— Eu fui capturado por uma de suas equipes, eles vivem em algo como um centro de treinamento, acho que o mais novo membro que vi ali não devia ter mais que 10 anos, as crianças trocam ronda e trabalhos sem remuneração como se quisessem estar ali e aquelas que se recusam a realizar algo, são levadas para um pátio onde eles nos tinham como prisioneiros. O David, irmão do Jeff aqui foi o último logo antes de mim que restara da nossa equipe, uma noite nós ouvimos esse choro de criança e de repente todos eles se reuniram em multidão ao nosso redor. Deram uma arma ao garotinho e o ordenaram a atirar na cabeça do David de frente pra ele… o garoto não teve coragem. Um rapaz mais velho tomou a arma de sua mão e atirou no meu amigo ao meu lado e logo em seguida na cabeça do garoto. Depois ele olhou bem pra mim e disse, a gente se vê se o próximo que não conseguir.

O soldado terminou o relato quase emocionado, o amigo, Jeff chorava a perda do irmão apertando o ombro dele. 

— Isso não pode ser obra de Russel, ele era um líder fantástico e um ótimo pesquisador, treinar crianças para torná-las assassinas não estaria no plano de aposentadoria dele.

— Não achamos que ele seja a cabeça daquele centro, senhor. — Jeff falou. — Eu resgatei o Paul de lá, pra isso eu tive que passar pela sala de comunicação deles. Aquilo ali era tão ou mais tecnológica que o melhor laboratório da ALIE, nem todo dinheiro desviado do mundo permitiria que ele sozinho construísse algo assim lá, principalmente porque como o senhor disse, era apenas um pesquisador. 

— Você está me dizendo…

— Tem alguém mais inteligente por trás. Russel pode está ganhando muito dinheiro para lidar com aqueles garotos, se me permite supor acho que estão formando um exército para algo muito maior.

Jaha se levanta não querendo ouvir mais nada. Russel não se voltaria contra eles, voltaria? Ele deixou a Alie com os próprios pés anos antes para se dedicar a estudos antropológicos, segundo ele, Thelonious nem insistiu, porque sabia quanto o amigo podia ser volátil, não duvida que meses depois ele voltaria a pedir o emprego. Mas ele nunca voltou. Pelo contrário, eles nunca mais ouviram falar no homem, foi como se ele desaparecesse do mapa. 

Ele despacha os militares para a enfermaria e dispensa Roan e Jacob, não restando a menor paciência para lidar com as cobaias agora. 

O mundo inteiro parecia estar armando para destruí-los, bastava ver quem chegaria primeiro.



4 horas antes da colisão


Costia tirou um tempo para si antes de se juntar aos outros, já fazia bons meses que não saiam em números para um embate, não é que ela estava temerosa mas sabia que a chance de perder mais do que conquistar o objetivo deles, era possível.

Ela foi votada como líder da Resistência há mais de quatro anos, aquele bunker começou bem vazio, só ela, Lexa, Lincoln, Anya e Indra, aos poucos foi crescendo com a fome e o frio assolando as ruas e as pessoas que não tinham pra onde ir precisando de um abrigo. 

Com o passar do tempo aquele aglomerado foi se tornando uma família e uma família deve crescer não só em quantidade como em prosperidade, eles não tinham capital, é verdade. Mas possuíam habilidades únicas e vontade de mudar. Talvez essas duas aliadas os empurraram até onde estavam hoje. 

Um grande grupo de resistência que causava medo até nos grandes nomes da política capitalista. Sim, era com esse sorriso que Costia dormia a noite. 

Bem, até Lexa ser tirada dela.

735 dias desde a última vez que a viu.
Mas não era por sequestro como outros casos dos capturados anteriormente. Lexa, na verdade, foi até eles em missão de resgate de pessoas aleatórias que estavam sendo traficados sigilosamente, longe dos olhos do governo, mas dado falta pelos seus entes queridos, e isso chegou aos ouvidos da Resistência. 

Lexa já teve a família destruída pela separação forçada dos membros, então quando era sobre essas situações ela fazia questão de lutar de perto, e até então sempre saíram vitoriosos. Só que dessa vez ela nunca voltou.

Costia desde a primeira escuta sobre a missão teve um pressentimento ruim e ela se manifestou contra a ideia várias vezes. Era uma missão impossível para ser realizada sozinha e ela não poderia acompanhá-la porque seu pessoal não resistiriam sem suas duas líderes. Ela nem sabia como eles se sentiam seguros somente com ela, não se sentia inteira há 2 anos e receava nunca parar de sentir esse vazio.

Há poucas horas da invasão à Alie, ela estava mais pavorosa que ansiosa. Diferente de seu povo, pouco se importava com uma vaga naquela nave, ela só queria encontrar Lexa com vida.

Mal sabia ela que estava atrasada mais de uma semana, pois a amada e dezenas de prisioneiros fugiram quando a sorte uma vez lhes foi concedida. Mas Costia não tinha como saber.

— Costia! — Indra aparece na porta — Todos já estão a postos só esperando sua autorização para sair. O que me diz? 

A garota que uma vez já foi, mas amadureceu cedo demais olhou pra mentora e assentiu.

— Vamos acabar logo com isso.

Por meses eles treinaram aquela invasão, na mente de todos eles era quase uma orquestra que ocorreria com começo, meio e fim, mas sabemos que a vida real não é um concerto musical, e imprevistos se sobressaem aos planejamentos. Então quando um dos dinamites falhou e Costia ouviu os gritos coletivos de pessoas sendo soterradas, ela soube que não deveriam ter se arriscado tanto. 

Depois de uma coisa dar errado, tudo começou a seguir o mesmo caminho. Kane a chamou no rádio e avisou que a linha de frente deles estava metade fuzilada, metade pisoteada pela multidão de seus próprios integrantes. 

É aquele lugar. 

O ódio controlado por anos no coração daquelas pessoas despertou em segundos ao liberarem a raiva de frente a frente aos etéreos. Mas violência, como todos sabem, só gera mais violência e morte. Eles não chegariam muito longe assim. 

Lexa não estava lá. A busca dela tinha sido em vão. Ela tentou confrontar vários deles mas aqueles imbecis nem sequer sabiam o nome de seus prisioneiros, um dos seguranças depois de uma chave de braço bem dada, contou que vários delinquentes fugiram do pavilhão subterrâneo dias atrás. 

Costia soltou ele e nem fez questão de segurar o choro. Ela havia chegado tarde demais.

"Costia!" Kane a chamou novamente no rádio. Ela precisava manter a postura por eles, pensou enquanto secava as lágrimas com as costas da mão. 

"Raven estava certa. Vá lá fora e olhe pra cima.

Ela seguiu o conselho do amigo.

Do lado de fora muitos de seus amigos mantinham-se no chão, alguns com fraturas expostas após serem pisoteados na multidão, outros com olhares desesperados à procura de outro alguém mas quando um zumbido agudo foi ouvido todos sincronizados levantaram a cabeça em direção a zoada. O céu.

Raven estava certa. 
Dias antes ela interrompeu uma mensagem em código morse num endereço digital que era uma espécie de "deep web" militar. Dois homens confirmavam uma colisão, cada um deles ouvia o áudio — Ininteligível para ouvidos não treinados — Mas Raven parecia ter certeza que era sobre um míssil destinado aos etéreos e não aos Estados Unidos. 

Não fazia o menor sentido pra eles que passaram meses ouvindo toda e qualquer conversa dirigida a Alie, mas enquanto olhava pro céu e via quase em câmera lenta o projétil ser lançado diretamente a espaçonave recém lançada, Costia teve certeza que havia muito mais perigos desconhecidos que ela achava que podiam lidar e que Raven era uma peça muito importante para a sobrevivência deles.

 A chave.


Notas Finais


Obs: Um minuto da atenção de vocês nessas notas finais pq sei que a maioria (exceto jana e brenda) estão perdidinhos com o plot. Essa é uma fic bellarke? Super! Essa é uma fic focada somente neles? NÃO! Tem um plot GIGANTE acontecendo durante e nos capítulos seguintes a esse, eu sei que pode sair do que vocês esperam e estão acostumados a ler mas eu ODEIO AU CLICHÊ, pra escrever no caso, odiava au num geral, graças as fics das minhas amigas aprendi a gostar. Então por favorzinho não esperem o gostinho de mel na chupeta que eu prometi nos primeiros capítulos. É INTENCIONAL O PLOT TWIST DESSA FIC, não é romance com safadeza, sinto lhes desapontar, é romance com safadeza apocalíptico com física quântica tiro porrada e bomba. Era isso mesmo amores, continuem a leitura de vocês e se eu os desapontar, sinto muito eu só escrevo por hobbie mas agradeço imensamente por cada crítica e interação na fic ♡


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