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História Ethereal - Bellarke - Capítulo 2


Escrita por: elysianfl

Capítulo 2 - Capítulo 2


Ele estava de saco cheio.

A manhã inteira sentado na cadeira central da mesa de sua sala de reuniões. Dessa vez Thelonious não estava ao seu lado pra falar por ele, claro que não, quando as coisas ficavam difíceis e a agência corria risco ele quase nunca era o porta voz na defensiva.

Pra isso Bellamy tinha que ser o adulto, o herdeiro a quem todos deviam recorrer, o salvador da A.L.I.E. No restante dos dias ele voltava a categoria de garoto irresponsável com bilhões na conta pra o tutor administrar.

Dessa vez nem o garoto despreocupado, nem o homem em formação que o compõem, sabiam como contornar a situação.

Ele sempre se sentia de mãos atadas quando ocorria um ataque dos indignos; que eles se auto intitulavam: Resistência. Sim, voltaram ao assunto do homem-bomba na visita de simulação e todos os efeitos negativos que aquilo lhes trouxe, pela imagem da empresa e pela segurança.

— Tenho um receio, sr. Blake..se me permite explanar...

— Diga Cole.

Cole McAdams era o melhor agente da A.L.I.E desde a época dos seus pais. Nunca aceitou a aposentadoria, e a verdade é que Bellamy gostava assim, o tinha em melhor confiança que seu tutor. Ele era muito mais receptivo para com Bellamy, do que Thelonious jamais fora. Era seu padrinho. E muito de seus conselhos, o jovem levava a sério.

Estou preocupado que possa haver outra retaliação por parte deles...

— Outra? Mas não fizemos nada depois do ultimo ataque, eles receberam a atenção mundial que queriam mas não revidamos não é mesmo? Por que eles iriam querer nos atacar logo em seguida?

— Por que não era a atenção da mídia que eles estavam atrás filho, você sabe disso. — o homem enrugou  a testa parecendo cansado, como se já tivesse pensado nessa preocupação mais de uma vez. E realmente.

Você está sugerindo o que eu acho que quer dizer?

— Sim, Bellamy — Cole, era o único da equipe de alta elite que tinha intimidade de chamar o herdeiro pelo primeiro nome. — Eles querem desmascarar a agência. Querem que todos saibam a mesma verdade que o ex-engenheiro Jake Griffin descobriu e queria alertar aos nossos filiais, dois anos antes. Eles querem....

— Não precisa continuar, eu já entendi.

Bellamy massageia as têmporas com os cotovelos apoiados na mesa.

As vezes achava que era muito novo pra lidar com esse tipo de decisão. Decisões muitas vezes que nem ele mesmo concordava embora não tivesse muita voz sobre isso, afinal a ultima palavra era sempre de seu tutor até que ele fizesse 25 anos, e ele ainda tinha 23.

Sobre o ex-engenheiro, ele lembrava bem dos gritos de sua esposa quando ele foi preso acusado de traição embora não tivesse cometido nada – ainda. Era por medo das suas intenções que o garoto Blake foi coagido a ordenar o isolamento dele da família, do cargo e de todos. O mundo já não é um lugar confiável com certos assuntos escondidos, seria menos ainda se o pânico atravessasse o dia a dia da população.

Bellamy não lembra se a filha dele assistiu a prisão do pai. Achava que não, nem ele se dignou a assistir. Mas soube que toda família Griffin foi rebaixada e perdera seus benefícios de Elite. Não eram mais dignos de serem Ethereos. A médica Abigail Griffin perdeu o cargo no hospital e a filha, a vaga na faculdade de Medicina. Jaha garantiu que nenhuma das duas conseguisse uma nova vaga na mesma área nos Estados Unidos. E fez questão de enviar atualizações de quão mal sua família estava para Jake Griffin. Era dessa forma que ele pagaria por um dia ter pensado em traí-los. Com a culpa.

Então ele não imaginava como as duas conseguiram sobreviver no mundo em que se encontravam com uma promessa de guerra iminente de todos os lados. A ameaça maior da China, que segundo pesquisas confiáveis de seus laboratórios viriam em menos de ano, e o ataque dos indignos. Sendo inferiores ou não, elas já tinha sido da Elite. Com certeza, os pobres não as aceitariam como um deles. Elas deveriam definhar até viver nas ruas, não saberiam viver na miséria, como poderiam? A elas nunca lhe faltaram nada. Os Griffins faziam parte do Conselho Ethereal e eram muito respeitados antes de tudo. No fim só restara os olhares de pena e desprezo.

Mas de alguma forma elas sobreviveram. Souberam lidar com essa mudança drástica. E não só continuaram nos Estados Unidos como a Abigail teve a audácia de voltar até ali depois de dois anos – ainda que a culpada nunca fora ela ou a filha.

Bellamy esperava um pedido de misericórdia, dinheiro ou qualquer tipo de acordo. Mas definitivamente não o que ela sugeriu.

Como ela sabia que ele precisava de uma esposa? Ela se infurnou esse tempo inteiro ali e ninguém nunca percebeu? Ou a acorbertaram?

Mal teve tempo de expressar confusão, porque a proposta que lhe fez foi bem mais válida e a verdade é que o poupava um trabalho enorme.

Casamento nunca esteve em seus planos.

Até Thelonious vir com a sugestão embanhada de ordem, dele arrumar uma esposa.

Por quê? Bem, quando a espaçonave decolasse e a nova casa deles por anos fosse ser o atual projeto Etherea, seria vital ele passar a todos uma imagem de responsabilidade e nada melhor que isso do que formar uma família primeiro.
Um homem com uma esposa na Elite, já ganhava muitos pontos na escala de maturidade.

Não é como se ele pudesse discutir sobre isso, então sim é claro que por mais desejável fosse manter a expressão de desgosto na cara da ex-médica, ele aceitou o acordo cedo demais.

Fazia sentido. Os três Griffins tinham perdido seus lugares na nave, mas com a filha deles sendo uma Blake, sua vida estaria garantida – em todas as áreas.

Um alto custo, Bellamy pondera, vender sua filha pra alguém que não se importa pela mera possibilidade de sobrevivência...ele não sabe se faria o mesmo. Ou ela amava demais a filha por achar que sobreviver era melhor do que o inferno que ela passaria como indesejada re-inserida no meio deles, ou ela enloquecera depois de anos na pobreza e esperava ganhar algo com o acordo.

Mas ele deixou claro que somente a garota seria beneficiada, se é que ele podia dizer assim. Não se via como um futuro bom marido, muito menos pra alguém baixo do seu nível. Fator esse que o quase fez negar a proposta, mas realmente estava sem tempo pra sair a procura de uma noiva. Jaha teria que aceitar ela.

Sr. Blake? Posso falar com o senhor?

Sua secretaria Savina o despertou de seus pensamentos, lembrando-o que ainda estava em reunião. Ele fez um sinal pra os demais e todos acenaram levantando, dando fim ao encontro. McAdams foi o mais relutante, seu semblante ainda estava preocupado, mas ele se juntou aos demais porta a fora, não antes de da um aperto amigável no ombro do jovem.

Ele se vira pra funcionária.

O que quer Savina?

— Fiz tudo conforme o pedido senhor. A garota chegou aqui pouco antes de começarem a reunião, e a dei os papeis pra assinar, ela não questionou uma única vez e fez tudo conforme o esperado. Aqui está, ela está no seu escritório privado, com licença.

Informou com uma pressa desajeitada e deixou a sala. Ele nunca entendeu porque ela agia assim na presença dele, era uma jovem bonita, de classe normal, já estava como secretaria dele há alguns meses. Em outra vida ele até olharia duas vezes para ela, mas nessa, ele não poderia correr o risco da garota se apaixonar por ele. Nunca daria certo.

Eles não são iguais e ele não é do tipo que se apaixona.

Bellamy conferiu a papelada que lhe foi entregue e observou que a letra dela era bonita.
Se realmente tinha agido como a srta.Jones falou, então a mãe a deixara ciente do que faria ali a partir de agora. Ele esperava que no mínimo ela já soubesse que nunca mais a veria de novo, não estava com cabeça pra o drama de mulher caso ela começasse a chorar ali.

Ele seguiu pra seu escritório mas deu de cara com a sala do jeito que sempre foi, sem nenhuma viva alma. Ele ouviu errado? Seguiu pela sua ala privada duvidando que ela estivesse ali, afinal ninguém era autorizado a passar por ali além dele – e as vezes um Thelonious agitado.

Como se adivinhasse a contra gosto, encontrou uma garota mexendo na sua prateleira de livros e perdida em pensamentos.

O que você pensa que está fazendo? Esse espaço é somente meu, ninguém está autorizado, está escrito bem na entrada, você é analfabeta?

Ela enrijece, pôe o livro no lugar e vira pra ele lentamente.

Uau. Ele deixa escapar um suspiro surpreso admirando a garota em questão.

Minha mãe me mandou. Acredite, eu não queria estar aqui..

Ela responde com um olhar contendo desprezo. Ele assente ignorando e varre o corpo dela com um olhar lascivo  parando bem na direção do busto, onde o volume era mais avantajado e ela percebe a atitude livre e descarada dele pigarreando chamando atenção dele pra seus olhos e não seu corpo.

Ele sorri acidamente.

Ora, ora Clarke Griffin...você cresceu. — como que para provocar ele a olha da cabeça aos pés de novo lentamente e lambe os lábios, enquanto houve ela bufar.Ou melhor, devo dizer Clarke Blake.

Ele para de sorri e a encara, sente como se ela tivesse prendido a respiração e enrijecido todo o corpo.

Sabe o que veio fazer aqui, não sabe? Tem ideia do que acabou de assinar e de que nunca mais voltará a ver sua mamãezinha? Estás ciente, não está?

Ela range os dentes antes de afirmar.

Ótimo! Não espere carinho, atenção, condescendência e muito menos amor. Seja bem vinda a minha vida, sra. Blake. Amanhã a noite teremos uma festa de gala pra sua apresentação.

Ele volta a olhar seu corpo curvilíneo.

Pode deixar que eu escolho o vestido.

E deixa a sala.

Clarke chuta uma poltrona em sua frente.

Sua mãe não explicara muito, mas a fizera prometer que pelo bem de sua segurança ela devia obedecer a tudo que fosse imposta por ele. E a contra gosto aceitara, também não achava que sobreviveria muito mais nas condições em que viviam.

Mas pensava que ele só era mais um garoto mimado da Elite, se passando como cara importante.

Só que ele soava como poderoso, ele sabia o que fazia e não tinha receio em ser ameaçador embora não explicitasse suas intenções. ´

Pela primeira vez no dia Clarke temeu pela sua futura vida.

Ele era lindo. Muito.

Mas por dentro era odioso.



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