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História Ethereal - Capítulo 4


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Notas do Autor


Um capítulo um pouco mais longo para compensar o último que foi curtinho.
Boa Leitura ;D

Capítulo 4 - Precisamos conversar


Fanfic / Fanfiction Ethereal - Capítulo 4 - Precisamos conversar

Estou evitando Natsume desde o incidente em seu quarto, e por incidente eu falo de mim, que sai correndo sem pensar duas vezes, meu material escolar apareceu na frente de meu dormitório, sem nenhum bilhete como “me desculpa pela forma que eu agi” , acho que estou sonhando demais não é ? 

Revistei minha bolsa e materiais para ter certeza de que nada tinha ficada na posse de Natsume. Ufa! Tudo estava aqui, incluindo o trabalho de “etnia” que ele disse que iria me ajudar, peguei a folha em minhas mãos e analisei o conteúdo “Sereias são feias por dentro e matam uma às outras por inveja”. 

Por que Natsume escreveria isso no meu trabalho ? Se fosse para fazer isso eu mesma fazia, apesar de que essas frases me lembraram a lenda da sala de música contada por Nagi. Será que foi uma brincadeira ? Hm...ele não sabia que alguém já tinha me contado sobre. Não posso deixar de achar estranho.

Na manhã seguinte, Erica e Shiba estavam comentando sobre a aula de “Conhecimentos humanos”, na qual aprendemos sobre a humanidade. 

- Não sabia que você tinha interesse em humanos, Corinne. - Disse Shiba se apoiando na carteira ao meu lado enquanto Erica sentava em minha frente.

- Eu acho a criatividade dos humanos engraçada, você já leu os livros deles sobre nós ? 

- Livros sobre nós ? - Disse Erica pensativa e logo mudou sua expressão para um sorriso - Tipo sobre nosso estilo de vida ? 

- Isso, é o que eles chamam de literatura “gótica” por envolver romances com coisas obscuras, ou seja, NÓS.

- Bizarro - Shiba riu alto - Não sabia disso.

- Eu não acho bizarro, o tempo de vida deles são bem mais curto que o nosso, acho que gostam de criar coisas diferentes para serem lembrados, mesmo depois de suas mortes as obras continuam vivas e repassadas.

- Bem “gótico”. 

Eu e Shiba olhamos para Erica e rimos com sua fala, realmente ser efêmero e continuar vivendo na lembranças deixadas é algo bem gótico. 

- Corinne, você sabia que tem uma loja de “produtos” humano na cidade mais próxima de Alderic. - Disse Shiba sorridente - Se você quiser podemos ir lá um dia! 

Eu assenti, realmente, eu adorava a literatura humana, mamãe sabia onde ficava a passagem para o reino dos humanos, e sempre me trazia presentes quando voltava, livros, cds, e outras tranqueiras. 

- Não acredito que acabou de chamar a Corinne para um encontro - Disse Erica em um tom de deboche.

- NÃO É ISSO - Shiba estava corando, enquanto riamos de sua reação ouvi um “Corinne”, vinha da direção da porta antes fechada, era Natsume, poxa pensei que iria conseguir fugir dele hoje, ele não tem a aula opcional de “conhecimentos humanos”.

- Poderia vir aqui ? 

Erica e Shiba pararam de rir, o clima na sala ficou pesado, andei até a porta e fechei ao passar por ela, estávamos no corredor.

- Você ia sair com o Shiba ? - Ele me segurou meus ombros com força - Você não pode ficar saindo assim com os outros, você é muit-

- Me solta agora! 

Gritei e puxei meu corpo para trás agressivamente, eventualmente ele me soltou aos poucos para que não caísse no chão.

- Não! Você….eu...não… - Parece que a minha reação tinha quebrado-o , talvez tinha sido muito rude, tentei me aproximar para pedir perdão mas ao tentar colocar a mão em seu ombro, ele deu um tapa  - Fica longe de mim! 

Natsume saiu andando rapidamente, fiquei observando ele se afastar, tinha uma expressão de dor em seu rosto. Me sinto culpada pelo comportamento repentino, deveria ter sido mais gentil e menos agressiva, por essa razão resolvi passar no ambulatório.

- Tem certeza que ele está doente ? - Disse o Doutor Robin com uma expressão séria - As vezes seu colega faz isso para chamar atenção, ou fugir das aulas. Você sabe o que ele tinha ?

- Conflito de personalidade talvez ? 

O doutor riu, não foi bem uma piada, mas serviu para o momento. 

- Então fale para deixar de ser preguiçoso e que venha ele mesmo aqui, não consigo diagnosticar sem o enfermo estar presente, Natsume sempre foi uma múmia muito estranha.

O Dr. Robin também pertencia a raça múmia, queria perguntar sobre esse comentário mas acho que ele leu meus pensamentos. 

- Você deve estar se perguntando o motivo de eu estar pontuando isso não é ? - Assenti para que ele continuasse falando - Natsume é muito vaidoso para ser uma múmia, nós, as múmias apodrecemos, assim como os zombies, mas diferente deles que odeiam decair, sentimos orgulho, até competimos para saber qual irá se mumificar por completo.

Algumas coisas se encaixaram em minha cabeça e eu sai correndo do ambulatório em direção ao dormitório de Natsume, precisamos conversar. Bati levemente na porta uma vez, sem resposta bati na porta novamente mais forte, me afastei ao ouvir o som da tranca de abrindo. 

- Corinne… Que surpresa, não quer entrar ou prefere conversar aqui mesmo ?

- Ah, obrigada.

Entrei naquele quarto novamente, mas dessa vez não estava assustada, tinha o foco de saber a verdade, quem realmente era Natsume ? 

- Corinne, olha, eu quero pedir para você esquecer o que aconteceu hoje mais cedo - Ele se sentou na beirada da cama - Eu não estava me sentindo bem…

- Eu notei, por isso fui ao ambulatório pedir um remédio para o Dr.Robin mas ele disse que não poderia diagnosticar sem você estar lá pessoalmente. 

- Então você veio para me levar ao- 

- Não, eu vim para saber a verdade - Eu empurrei ele na cama e subi para desamarrar as faixas de seu rosto, esperava ver uma pele decaindo mas encontrei apenas um rosto em perfeitas condições, ele não lutou contra minhas ações, apenas permaneceu deitado me encarando antes com um sorriso que agora já esvaiu.

- Sai de cima, você é pequena mas é pesada. 

Eu movi para me sentar na cama ao lado dele, Natsume pegou de volta as faixas que cobriam a lateral de seu rosto de minhas mãos e colocou de volta onde elas pertenciam.

- Natsume, qual sua raça ? 

- Você não quer chutar ? 

Balancei minha cabeça em negativo, ele riu, se divertia com minha reação, eu sabia que fingia ser um outro alguém, mas nunca parei para pensar sobre sua verdadeira identidade.

- Eu sou um tritão Corinne, você ainda odeia todas as sereias que já conheceu ?

Permaneci em silêncio, enquanto meu cérebro assimilava a situação eu me lembrei sobre a lenda que eu tinha ouvido na outra escola.

“O nascimento de tritões são raros, eles normalmente nascem feios e deformados morrendo pouco tempo depois de nascer, há quem diga que sua feiura matava” 

- Eu não entendo, e disseram que não havia tritões que conseguiam chegar a idade adulta por nascerem deformados.

- Isso é uma mentira - Seu olhar era frio e distante - Tritões nascem como qualquer outro bebê, porém por serem tão bonitos quanto as próprias sereias, elas os matam, esse boato foi espalhado para protegerem sua reputação de criatura perfeita, e como quase tudo aqui tem sereias no poder sócio-político, eu tenho que me esconder. O diretor dessa escola e alguns professores sabem minha identidade, e agora você Corinne. 

- Eu acredito em você mas… - Ainda em choque pela quantidade de informações, eu me questiono - Como você ainda está vivo ? 

- Minha mãe, por fraqueza tentou me matar depois de eu ter atingido uma certa idade, com as mãos dela em meu pescoço, puxei o estilete que sempre carregava comigo e a esfaquiei , várias vezes. Por isso ainda estou vivo, e se você contar sobre mim, irei morrer, ou te mato antes, entende isso Corinne ? 

- Sim… - Minha voz estava fraca, claramente em estado de choque - Poderia me dar um tempo para assimilar tudo isso ? 

Ele assentiu e me levou para o meu quarto no dormitório ao lado, caminhamos ambos em silêncio. Naquela noite só conseguia pensar no rosto bonito porém triste de Natsume, na canção triste que cantou para mim um dia e nas palavras que tinha escrito em meu trabalho “Sereias são feias por dentro e matam uma às outras por inveja”.

Eu ainda odeio todas as sereias que já conheci ? 


Notas Finais


Cap. baseado nos eps. 7 e 8 da rota do Natsume, do jogo Ephemeral.
Obrigada por ler ;)


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