História Eu ainda encontrarei você - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Death Note
Personagens Halle Lidner, Matt, Mihael "Mello" Keehl, Nate "Near" River, Personagens Originais
Tags Death Note, Matt X Mello, Near, Yaoi
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Palavras 2.675
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Então, eu resolvi finalizar a história neste capítulo, mas ela terá mais dois capítulos complementares depois ou duas fics linkadas a esta.
O motivo é o seguinte: um deles contará o que aconteceu durante a prisão de Matt e terão cenas muito pesadas que não necessariamente influenciam na decorrência da história.
O outro se passará alguns meses depois do final deste, e terá um conteúdo +18.
Deixarei livre para a escolha de vocês lerem ou não, ok?
Obrigada pelos comentários, pelo carinho e espero que gostem. Comentem se possível o que acharam, para que eu tenha noção se foi tão bacana para vocês quanto para mim.
Dedico esta fic à Rayy, minha eterna Near, que insistiu para que eu visse Death Note e pudéssemos jogar <3

Capítulo 6 - Não me deixe esquecer você


O silêncio na sala era esmagador.

Trinta minutos antes:

Near entrara em contato com Mello no mesmo dia, horas depois que Halle ligara, ainda da estrada. Ele marcou uma reunião para a parte da tarde. Mello tentou exigir mais informações por parte de Near, mas não conseguiu nada. Eles chegaram um após o outro no apartamento que Matt e Mello dividiam pois além de ser uma conversa muito peculiar, o loiro ainda não estava em condições de sair. Era estranho para os dois estarem no mesmo ambiente, pois a rivalidade de mais jovens ainda existia e Mello só o tolerava pois tinha interesse no que ele iria falar.

Foi o mais novo quem mediou toda a conversa, primeiro forçando Mello a contar todo o acontecido até o momento que ele chegou em casa uma semana atrás, baleado e depois Halle a relatar todos os detalhes da noite anterior. Quando acabou, inclusive contando que Matt dera Mello como morto, o clima era o pior possível. Bem ou mal, o ruivo conseguia conviver bem com todos os ali presentes, mas sem sua presença o clima ficava extremamente mais pesado. Foi Mello quem interrompeu:

- Se esse cara demonstrou interesse nele, não terá pressa em matá-lo - Mello falou naturalmente, mas depois a última palavra deu a sensação quando se come algo, mas fica um gosto ruim na boca. Ele mordeu um bombom, como se para melhorar isso.

- Sim, concordo com Mello. Ele ficou realmente impressionado com as habilidades e execução dele. Creio que usará o Matt enquanto puder para benefício próprio, mas não sei o quanto ele será colaborativo. 

- Só precisamos localizá-lo logo e trazê-lo de volta e não teremos que nos preocupar com o tédio desse cara.

Todos concordaram.

- Então, o que sabemos sobre nosso vilão é o seguinte...

E Near começou a colocar em folhas sobre a mesa de centro todos os dados que reuniu até então, junto com as anotações que fizera do que os dois presentes contaram de sua experiência. Mello apertava forte o isqueiro em seu bolso que Halle lhe trouxera, uma recordação física do ruivo.

"Espere só mais um pouco, Matt", ele pensou. "Eu ainda encontrarei você".

 

 

O ruivo acordou desnorteado com a cabeça latejando mais do que poderia mensurar. Levou a mão à têmpora automaticamente, massageando de leve. Sentou-se sobre um colchão, olhando a sua volta. Era um ambiente que não reconhecia, sem janelas, mas ainda sim arrumado. Parecia uma pequena suíte com uma cama, mesinhas de cabeceira, uma mesa com duas cadeiras em um canto, uma porta apenas (o banheiro não possuía porta) tudo muito simples. A única coisa que divergia completamente do ambiente era uma estação de trabalho em um dos cantos. Matt se aproximou para verificar e era um equipamento realmente impressionante: máquina de primeira, três monitores, algo que ele com toda certeza gostaria de montar para si.

Ele resolveu olhar melhor a sua volta e reparou que em cada quina do quarto havia uma câmera no teto. Não precisava ser inteligente para perceber que ele estava em um cativeiro e, pela estrutura do mesmo, esse foi projetado para ele. “Há quanto tempo estou aqui?”. As luzes no teto vinham de sancas, indiretas, num tom branco e insípido.

Um barulho foi ouvido vindo da porta, e ele se voltou para a mesma, sentado novamente em sua cama. Primeiro entrou uma garota em trajes de empregada carregando uma bandeja, seguida logo depois pelo Anfitrião. Ela se encaminhou até a mesa pousando o que trazia, um generoso prato de refeição. Matt não sabia se era a fome, mas seu estômago afundou com o aroma. A garota olhou-o e cumprimentou com um leve aceno de cabeça, parando ao lado de Elliot.

- Vejo que acordou. Antes de tudo, isso é para você - entregou a bolsa de mão que carregava para a empregada e a mesma andou até o ruivo, estendendo.

Ele pegou a bolsa, abrindo e verificando seu interior: duas mudas de roupas simples, calças pretas e blusas de manga curta; itens de higiene, um pacote do maço do seu habitual cigarro e um bloco de anotações com caneta.

- Me corrija se eu estiver errado, Elliot. Sou seu prisioneiro?

- Sim - ele respondeu quase agradável, trivial.

- Mas eu fiquei por vontade própria. Não há necessidade disso.

- Não - ele o corrigiu - você ficou como moeda de troca. Eu não tenho garantias que você continuaria e por quanto tempo. Então, tomei as medidas necessárias. Mas creio que ficará bem acomodado, certo?

Matt queria socar aquele homem que anunciava um cativeiro como algo simples e banal. A simples idéia de estar preso o fez coçar o pescoço inconscientemente, mirando o homem a sua frente.

- Por quanto tempo ficarei aqui?

- Isso depende mais de você do que de mim. Eu tenho muitos projetos em mente e tenho certeza que podemos trabalhar bem juntos.

Matt o encarou. Não adiantaria confrontá-lo agora. Precisava entender onde estava, afinal era um lugar sem janelas. Poderia estar num subsolo, assim como poderia estar em um contêiner. Tudo era possível. A luz do quarto não era forte, mas isso não o impediu de procurar seus óculos, mas não os avistava. Se ele perguntasse, poderia chamar atenção para isso e não queria dar munição para ser usada contra ele. Ao menos, lhe deram cigarros.

- Então - por fim, falou - o que eu devo fazer primeiro?

- Almoce, tome um banho. Voltarei mais tarde com as primeiras instruções. Considere essa visita um “boas vindas”. Venha, Kara.

A empregada cumprimentou-o novamente e se dirigiu a porta, abrindo-a e segurando para o Anfitrião.

- Ah, só mais uma coisa, Mail Jeevas: qualquer infração e você será punido. Se tentar fugir. Se tentar contato com alguém de fora. Se sabotar algum projeto. Não brinque comigo, porque eu sou um péssimo perdedor. E eu acredito na dor como disciplina.

Matt apurou os ouvidos quando eles saíram, percebendo o barulho de algo ser digitado e de uma tranca manual. As palavras de Elliot soaram ameaçadoras, como nenhuma vez antes. 

Era só o começo.

 

Os primeiros dias transcorreram tranquilamente, dentro do que seria possível considerando a situação de cativeiro. Matt mantinha uma rotina de acordar das poucas horas de sono que tinha (a insônia pensando numa forma de fugir era frequente), tomar banho, colocar roupas limpas, tomar seu café da manhã e em geral passar o resto dos dias trabalhando no computador. Kara era a responsável por sempre trazer suas refeições, impecavelmente arrumada como uma boneca. Ela nunca entrava sozinha, sempre havia um segurança com ela. Eles ordenavam que ele se afastasse enquanto ela recolhia as roupas, pratos e talheres e limpava o local. Matt respondia de forma educada, mas não tentava nenhuma aproximação. Ele ali só tinha inimigos, não queria criar laços com quem quer que fosse. Laços eram perigosos, ainda mais quando ele pretendia fugir.

A máquina que cederam para ele era incrível, com um tempo de resposta excelente e uma conexão de dar inveja. Ele reparou rapidamente que quem preparou o sistema para seu uso tomou precauções para dificultar que ele escondesse pistas sobre fugas, com programas espiões que faziam um banco de dados automático de tudo que ele executava. De alguma forma ele também não conseguia descobrir sua localização sobre satélite e isso o estava irritando mais que qualquer coisa. Enquanto isso Elliot não aparecera novamente, mandando as instruções todas em anotações por Kara, sempre detalhadas: contas que deveriam ser clonadas, sites que deveriam ser hackeados, pessoas que deveriam ser vigiadas. Uma, inclusive, ele precisou observar e fazer relatórios precisos por quarenta e oito horas e quando finalmente pode descansar ficou praticamente doze horas dormindo.

Neste dia, em especial, ele sonhara com Mello. Nada demais, apenas os dois em um carro dirigindo por um grande litoral. O sonho fora tão vivido que ele se recordava do cheiro de maresia, do vento no rosto e da sensação de ter companhia ao seu lado. Ele se perguntava como estaria o loiro e como deveria estar procedendo à procura por ele. Sim, ele tinha certeza que Mello o estava procurando, tanto quanto tinha certeza que provavelmente teriam de se mudar quando ele retornasse, pois Mihael já teria enlouquecido os vizinhos.

O próprio Matt já sentia que estava enlouquecendo.

Ao fim de uma semana de confinamento ele começara a sentir o desgaste. Enquanto não estava trabalhando andava continuamente pelo quarto, focalizando as câmeras, maquinando uma saída. Abria e fechava os dedos com frequência, cerrando-os em punhos para controlar sua ansiedade. Ele ainda não tinha conseguido fazer contato com o mundo lá fora.

No início da segunda semana seus cigarros já estavam no fim e ele pediu por mais, além de uma barra de chocolates. Para sua surpresa Kara apareceu no dia seguinte com seus pedidos e pela primeira vez retribuiu com um sorriso para ela. Ele abriu a barra, sentindo o aroma demoradamente. Ele não gostava de chocolates e nem era a marca habitual de Mello, que sempre preferia comprar Lindt (uma grande conta do mês era unicamente chocolates). Porém ali, isolado do mundo sem ter praticamente com quem falar, o simples fato de sentir um cheiro que o lembrava casa e conforto o acalmou. Comeu um pequeno pedaço e sorriu malicioso para si mesmo ao pensar que esse deveria ser o gosto que sentiria quando beijasse o loiro. Sem que percebesse ele passou a pensar com frequência em Mello e no que ele estaria fazendo. Era uma forma de manter a sanidade.

Ao início da terceira semana o confinamento realmente o estava perturbando. Praticamente não comia e seu desempenho diminuiu, além das marcas de coceiras no pescoço estarem virando realmente feridas. As paredes pareciam sufocá-lo naquele quarto. Ele baixara alguns jogos de raciocínio e os jogava para manter-se entretido, mas nem isso parecia mante-lo focado. Precisava escapar, não poderia esperar mais pelo resgate de Mello. Cada dia que passava sem que o outro aparecesse começava a enfraquecer a fé do ruivo, que vivia apenas para aguardar este momento. Ele precisava sair.

Em uma noite (ou manhã, afinal o tempo perdera o sentido para ele) ele se preparou para fugir. Quando Kara entrou escoltada pelo segurança ele pulou sobre ela, imobilizando-a pelo pescoço, usando ela de escudo à sua frente. O segurança prontamente apontou sua arma para ele, ordenando que se afastasse, mas ele não estava disposto a continuar ali. Ele fez tudo que podia mas, no final, fora detido. E cumprindo o que prometera, Elliot o espancou pessoalmente pela infração batendo em Matt até que ele perdera a consciência. Quando Matt acordou estava amarrado à cama e foi obrigado a observar injetarem em seu braço uma droga. A princípio ela lhe causava um turbilhão de sensações, mas depois o dopava. Ele sabia o que era aquilo tanto quanto sabia que as coisas tinham piorado muito.

 

Foram necessários exatamente oito meses e quatorze dias até que o grupo encontrasse o esconderijo onde Elliot prendera Matt. Quando Mello abriu a porta do cativeiro estava tudo muito claro e ele localizou o ruivo, que mais parecia um animal, encolhido entre a cama e a parede, apoiado na mesma e cobrindo a cabeça com os braços. 

- Matt! - berrou, correndo até o amigo, se abaixando ao lado dele - Matt, sou eu, Mello. Fale comigo!

Ele não se moveu de pronto, mantendo-se ainda muito encolhido. O loiro pode reparar como ele estava magro e mal cuidado. Tinham bandagens pelos pulsos, no rosto e nas pernas, com manchas de sangue. Seus cabelos sempre vermelhos e bonitos estavam fracos, sem vida. Quis tocar nele, mas não sabia nem como. A simples visão dele assim o perturbou. Não sabia o que encontraria, mas certamente não podia prever esta cena.

- A luz... - a voz dele saiu rouca e baixa, mas Mello entendeu e prontamente arrancou o lençol que cobria a cama, protegendo o outro, lembrando de sua fotofobia que era motivo dos eternos óculos escuros que o ruivo usava.

- Maldição. Near! - ele gritou para seu comunicador, agitado - desligue as luzes. Não posso tirá-lo daqui dessa forma!

Um minuto depois e o quarto estava todo escuro, apenas a luz que vinha do corredor iluminava parcamente.

- Pronto. Pode se mover agora, Matt... - ele falou, tentando tranquilizar o outro, abaixando o lençol - Vamos, me deixe ver você. Está tudo bem agora. Nós acabamos com todos eles. 

Ouvir estas palavras foram suficientes para que ele se mexesse. Primeiro ele baixou os braços, depois sentou-se no chão. Havia uma corrente em seu pescoço ligada a parede, como um animal. Pela pouca iluminação que entrava ele focalizou a silhueta do loiro, não podendo acreditar. Quanto tempo se passara desde que o vira pela última vez? Sentiu uma onda de alivio o atingir e sem que pudesse controlar, chorou. Chorou por todo o tempo trancafiado, por toda a tortura passada, por todo o pesadelo que levaria muito tempo para esquecer, se conseguisse esquecer. Mas chorou mais ainda por poder encontrar novamente com Mello, mesmo quando já tinha abandonado a fé de que isso seria possível. O loiro levou uma mão a seu rosto, encaixando a palma em seu maxilar, afagando com o polegar, sentindo as lágrimas tocarem seus dedos. Ele estava despedaçado com o que via.

- Me perdoa, Matt.  Me perdoa ter sido um cabeça dura e ter tentado fazer sozinho. Me perdoa por ter te colocado nessa. Me perdoa por ter demorado tanto a te encontrar. Eu...eu... eu vou te compensar. Eu prometo. Nem que eu leve a vida toda para fazer isso. Tem minha palavra. 

Ele ficou de joelhos, envolvendo o corpo do ruivo em um abraço apertado, confortando-o, como se quisesse ter certeza que ele estava mesmo ali, em seus braços. Acariciou suas costas, percebendo como sua coluna estava evidente de tão magro, sem conseguir fazer mais nada. E eles ficaram assim durante um longo tempo, até que Matt colocasse tudo para fora e pudesse se mover.

 

Near providenciou que o rapaz fosse internado em uma clínica particular para que se recuperasse dos ferimentos e recuperasse peso. Foram constatadas diversas fraturas e fissuras, além de desnutrição, perna de peso e, para o espanto de Mello, marcas e seus pulsos que indicavam tentativa de suicídio. Além disso, Matt estava sobre o efeito de drogas que foram induzidas por seus captores e quase quatro dias depois de internado ele teve de ser isolado em um quarto, pois a abstinência começara a causar um comportamento violento nele com os enfermeiros, colocando a sí mesmo em risco e aos demais profissionais. As crises eram longas e irregulares, vindo e voltando dependendo do dia. Quando percebeu que o tratamento aparentemente não estava funcionando, Mello alugou uma casa bem isolada e com a ajuda de Halle e Near levou-o para lá. Os três se revezaram nos cuidados e por sugestão de Near, em vez de suspender totalmente a droga, eles diminuíram gradualmente sua ingestão, até finalmente erradicá-la. Foi um processo desgastante e exaustivo, cheios de pesadelos e alucinações que acordavam a todos pro causa dos gritos, mas Mello fez questão de estar presente em todo ele. Era o mínimo que poderia fazer para amainar seu pecado.

Em uma manhã fria de inverno, três meses depois de ser achado pelo grupo, Matt finalmente acordou sentindo-se bem. Seus ferimentos sararam e ele sentia-se mais forte. A primeira coisa que vira fora Mello deitado a seu lado na cama com a mão apoiada sobre a sua, zeloso. A fraca luz que vencia as cortinas escuras tornavam o ambiente acolhedor. Ele esticou uma das mãos até a face de Mello, num carinho. Não acreditava que aquilo estivesse acontecendo.

- Isso é de verdade...? - ele perguntou, retoricamente.

Mello abriu os olhos, mirando os olhos verdes à sua frente. Com um leve movimento ele se esticou, colando os lábios aos lábios de Matt, surpreendendo. O ruivo, porém, não se afastou, sentindo a maciez da boca do outro de encontro a sua e toda a ternura com a qual ele retribuía.

- Bem vindo de volta, Matt. 


 


Notas Finais


Fim!


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