1. Spirit Fanfics >
  2. Eu ainda não aprendi o que é amor >
  3. Capítulo Único

História Eu ainda não aprendi o que é amor - Capítulo 1


Escrita por: e distritouchiha


Notas do Autor


Obrigada a @HinaPotts pelo designer e a @Sunnysnow por betar ❤️💗

Capítulo 1 - Capítulo Único



 O cigarro na minha mão, é o quinto só essa noite. Nem mesmo o tempo frio de outono e, nem a garoa gelada que respigava — às vezes— em meu braço, me faz querer voltar para dentro. Hiashi, meu pai, havia vindo trazer minha irmãzinha Hanabi, depois de passar o final de semana com ele. Só que como nada é só isso, ele e minha mãe começaram a discutir. 

 Faz em torno de uma hora que saí de casa, deixando a mais nova na casa da Anko para brincar com Konohamaru. E eu subi na laje, o mais distante possível para ver as luzes da cidade. E que bosta de luzes. 

 E pela décima vez, o nome Itachi aparece na tela. Ele não cansa de me ligar, não? 

 Trago pela última vez, antes de apagar e jogar murinho abaixo. Não tenho dúvida que se vier mais uma chuva forte, esse já era. O desmoronamento tá cada vez mais perto das casas. E essa é uma delas. Tem uma galera que usa aqui para fumar, mas no meu caso, não é droga. Só os idiotas fumam algo que vai destruir ainda mais suas vidas inúteis. Ao menos se fizessem algo que preste para o mundo, já valeria a pena. 

— Fala. — falo, desinteressada.

 — Hinata, qual é? Por que demorou tanto? — pergunta, parecendo estar bravo. Bom, problema seu. 

 — Não é da sua conta. — respondo, observando ao redor. Hoje ninguém vai subir a favela, mesmo. O frio está cada vez mais intenso. Por sorte o pequeno telhado me protege um pouco, e o casaco já está fechado. Só queria ter calçado o tênis ao invés da meia e do chinelo. Meus pés estão congelando. 

 — Por que está sendo grossa comigo? — sério que ele ainda pergunta? 

— Eu não quis — o interrompo. 

— Ser babaca? — completo, rindo. — Me poupe, Itachi. Conversamos depois. 

 E antes do mesmo responder, desligo. 

 Não gosto de ser idiota assim com ele, não mesmo. Eu gosto do Itachi, demais. Só que eu ainda não aprendi o que é o amor. 

 Desde os meus seis anos, vejo o quanto Hana, minha mãe, chorou por culpa do meu pai. As brigas constantes antes mesmo de eu começar a lembrar, já existiam. Meu avô quem diga, ele quem insistiu em colocar juízo na cabeça da minha mãe, assim que minha irmã mais nova havia nascido. Meu pai cada vez mais violento. O que mais marcou o fim do relacionamento deles, foi mamãe dizendo “Você só vai parar quando eu estiver morta, mas eu tenho duas filhas para criar. Entre você e elas, eu escolho elas. Não quero ser mais um noticiário de homicídio causado pelo companheiro. Não quero ser mais uma mulher nessa lista.” 

 E assim, ela com trinta, eu com doze anos e Hanabi, com apenas alguns meses de vida, nos mudamos para a casa do vovô. 

 Quando se viam, era normal bater de frente. Mas ele jamais levantou novamente suas mãos para bater na mamãe. Só que, crescendo em um ambiente assim, desconfio muito de qualquer sentimento que chamam de amor. 

 Por mais que ganhe carinho da mamãe e do papai, até mesmo da baixinha, meu coração tem receio de aproximação. 

 Encolho-me ainda mais do frio, abraçando meu próprio corpo. Apoio a cabeça no joelho e respiro fundo. Meu celular vibra e vejo uma mensagem do Uchiha. Desbloqueio, abrindo-a. “Está frio. Quer Nescau quente?” Dou um sorriso, pulando do muro. 

 Dali até a casa do Uchiha, é apenas uma escada. Com o capuz me cobrindo da chuvinha, sigo com passos calmos até a terceira casa da rua de baixo. 

 Não preciso nem bater, automaticamente sou recebida com a porta aberta e o moreno com uma xícara grande em mãos. 

 — Essa é a sua. — me entrega assim que entro, tirando os chinelos e deixando-os na porta. Assim que pego, ele segue para a cozinha, voltando com a xícara dele. — Olha só para você, toda molhada. — diz e, com sua mão vaga, abaixa o capuz e bagunça meus cabelos. Tanto trabalho para colocar e ele tira fácil desse jeito, ainda por cima espalhando a escova que passei e que demorei alguns — cinco — minutos. 

 Faço bico, indo sentar-me no sofá. Cubro meus pés com a meia um pouquinho molhada, na manta, e fecho os olhos, encostando a cabeça no encosto. Sofá duro que só, mas muito mais confortável que o muro. E aqui é mais aconchegante que minha casa. 

 — Seus pais? — pergunta, apontando para a janela, alguns metros longe dali. Não tinha como ver ao certo o que ocorria lá dentro, mas a luz estava acesa. 

 — É. —respondo apenas isso, colocando a mão que estava no bolso, para esquentar em volta da xícara. — Por que eles ainda discutem? — por que ele insiste em manter esse assunto?

 Itachi senta no outro sofá, abaixando o volume da TV, que passava um filme aleatório do gato da antena de algum morador ao redor. 

 — Ele quer a guarda definitiva da Hanabi. — digo, talvez passando alguns minutos. Apenas estou concentrada demais em encarar a fumaça do Nescau. — Mas eu e meu avô, além da mamãe, estamos contra. O vovô está velho então ele argumenta que não vale e, para tentar me descartar, diz que sou nova demais para entender disso. — dou um sorriso de canto, irônico. — Ele é um pai de merda. Não vou deixar a guarda da minha irmã ir com ele. 

 — Se precisar eu posso testemunhar a favor de vocês. — fala. 

 — Ele alega que tem condições melhores de cuidar dela do que nós. — conto, dando uma risada. — Eu trabalho naquela merda de restaurante por treze horas, ganhando um salário cheio, para ele alegar isso? O juiz está ao nosso favor, levando em conta o antigo boletim de ocorrência que a mamãe fez contra ele. 

 — Tenho certeza que tudo vai ficar bem. — ele diz, agora sentando-se ao meu lado. 

 — Vai sim. — concordo, balançando a cabeça. 

 Ficamos alguns minutos em silêncio e, eu, perdida nas lembranças. 

 — Vem cá. — diz, tirando a xícara vazia de minhas mãos e colocando-a no chão, ao lado do sofá. Eu deito na almofada em cima de suas pernas. Fecho os olhos, enquanto o mesmo faz carinho em meus cabelos. 

 — Itachi?  

 — Oi? 

 — O que é o amor? — pergunto, abrindo meus olhos. 

 — O amor é... cuidado. — ele responde. Viro meu corpo, ficando de frente para seu rosto e ele, inclina a cabeça para me olhar.

 — Como assim? — digo, ainda sem entender. Ele começa a acariciar meu rosto com o polegar e admito, adoro quando ele faz isso.

 — Amar é cuidar, porque cuidado envolve tudo. Companheirismo, respeito, carinho, amizade. Quando cuidamos de uma flor, é para ela florescer. O amor é como uma flor. Quando cuidamos, temos a certeza que irá florir. Se deixa ela jogada ao tempo, ao acaso, ela poderá morrer por excesso de calor ou chuva. — ele pausa, dando um sorriso. — Entendeu?

 Aceno com a cabeça um sim. Amar é cuidar. Uma boa definição. 

 — Eu quero aprender a amar. — sussurro, fechando novamente os olhos. 

 — Se quiser eu posso te ajudar. —diz, fazendo o contorno do meu rosto com seus dedos. 

 Sinto meu coração acelerar, como acontece algumas vezes em sua presença. Ele quer ensinar-me a amar? 

 — Irá ter que ter muita paciência. — zombo, tentando ignorar o meu rosto esquentar. 

 —Amar também é ser paciente. —e dessa vez, não discordo dele.

Amar é paciência, também. Então não me importaria de esperar mais um pouco, para me arriscar nisso que sinto em relação a ele. 

 — Quem sabe. — digo, fazendo o mesmo parar com as carícias. É a primeira vez que falamos tão abertamente sobre sentimento. 

 — O que disse? — pergunta, em um sussurro de voz. 

 — Eu quero mais carinho, Ita. — resmungo, ajeitando-me melhor e cobrindo-me completamente com a manta. 

 Ouço o barulho de uma risada nasalada e dou um sorriso também, enquanto recebo o carinho de quem tanto fazia-me bem.   



Notas Finais


Obrigada a todos que leram ❤️


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...