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História Eu Amo Você, ao Infinito e Além - Capítulo 1


Escrita por: Sarasoo

Notas do Autor


Olá! Eis que volto após anos de sumiço, haha! (😰)
Boa leitura, nos vemos nas notas finais. ☕️

Sejam gentis com os erros.

Capítulo 1 - Obrigado por Tudo


      O tecido escuro da gravata apertava meu pescoço. Toda aquela roupa social me irritava, mas ocasiões especiais como o dia de te ver pediam um cuidado nos mínimos detalhes. A aliança também incomodava, só que por motivos diferentes. Apenas olhá-la já fazia meus olhos lacrimejarem e minha garganta arder. Mexi cuidadosamente aquele pequeno circulo prateado e cheio de significados no meu anelar esquerdo.
      Ainda lembro perfeitamente os dois dias mais corajosos da minha vida: quando te pedi em namoro e mais tarde quando pedi em casamento. Nenhum dos dois foi planejado com antecedência, não houve uma grande declaração, foi por impulso, e, diga-se de passagem, o melhor impulso que já dei. Tudo que mais queria era poder gritar ao mundo que estávamos oficialmente juntos. Eu e você. Você e eu. Um casal.

[Flash back]

     "Estávamos deitados na parte mais aberta do nosso quintal. O gramado gelado devido ao sereno não nos incomodava, a necessidade de sentir o frio dele durante a estação mais quente era maior que a preocupação com um resfriado de verão.
     Acima de nós, um mar de estrelas brilhavam, mas nem elas, nem a lua cheia, eram tão ofuscantes quanto você. Seu rosto já era lindo naturalmente, contando com todas as pequenas imperfeições, mas sob a luz do luar... Não havia comparação. 'Maravilhado'. Essa é a palavra que me definia enquanto te observava. Seu sorriso era pequeno e os olhos, apesar do sono, estavam levemente arregalados, procurando fixamente até o mínimo vestígio de uma chuva de meteoros. Caso nos vissem aqui, usaríamos como desculpa, para não parecermos tão bobos, a temperatura agradável do quintal, mas o real motivo de estarmos ali era a tal chuva de meteoros que, segundo o noticiário que acompanhamos momentos antes, era visível à olho nu nessa região.
     Acho que fomos enganados de novo...  Comenta triste.
     Só você foi enganada... – Viro a cabeça em sua direção brincando com uma mecha do seu cabelo. – ...eu sabia que não veríamos.
     Uhum, sei...  Pigarreia se ajeitando ao meu lado, deita a cabeça em meu ombro e sorri.  Sabe, não fui eu quem desligou a televisão depois da reportagem e me puxou pra deitar aqui.
     Era verdade, fui eu quem fez isso, quero dizer, eu quem sempre fez isso. Sabia que ela gostava de admirar o céu à noite e desejava presenciar algo, então sempre que um fenômeno astronômico era noticiado, fazia questão de arrastá-la comigo para fora. Sabia que as chances de realmente ver algo eram mínimas, mas observar a empolgação dela toda vez que olhava para a imensidão, não tinha preço.
     Amor, você acredita em alienígenas? – Perguntei. – Se existe algum por aí, nos observando, deve estar pensando que temos algum problema para estarmos deitados aqui há tanto tempo...
     Mas, 'mor, você é um alienígena! É a única pessoa que conheço que come xis com garfo e faca... quem faz isso? – Vejo-a erguer uma sobrancelha e faço careta fingindo indignação.
    — Minha querida, meus gostos são diferentes, tenho que ser fiel ao meu estilo!  Sorrio convencido.
     Eu mereço...  Pega seu celular esquecido ao lado e confere algo na tela.  Concordo com a última parte, devemos ter algum problema para ficarmos três horas nessa grama. Estou virando comida de formiguinha!  Ri sem graça.
     Mas você é uma formiguinha...  Deixo um beijo estalado em sua testa logo recebendo um tapa pela comparação.  Ai! Você pode fazer comparações e eu não? – Rio sozinho. – Isso parece injusto!
     Claro que só eu posso, sou o amor da tua vida!  Faz careta jogando o cabelo para o lado, como se fosse metida. Ah, como eu amo essa metida!
     Permanecemos ali mais tempo que o normal, apenas curtindo um a companhia do outro. Não ouvíamos mais os cães da vizinhança nem os carros passando por perto. O silêncio só era quebrado pelo som característico dos grilhos, e vez ou outra por um comentário casual. Ela já havia desistido, se aconchegou melhor em mim e fechou os olhos formando um bico nos lábios. Desvio finalmente minha atenção para observar uma última vez o céu antes de me levantar para levá-la para dentro.
     Por um acaso, ou conspiração do universo, uma estrela cadente passa ali, diante dos meus olhos, plantando uma ideia em minha cabeça. Pensei em fazer um pedido, mas, de acordo com a cultura popular, se fizesse em voz alta ele não se realizaria. Bem, dessa vez iria testar a tradição, precisando juntar toda minha coragem e com certo receio, mas ainda assim, iria testar.
     Vida... – Cutuquei sua bochecha com o indicador esquerdo, recebendo um murmúrio em resposta.  Você quer...  Pensei melhor, com alguma calma, buscando as palavras certas pois sabia que nos lembraríamos disso.  A dona formiguinha daria ao alienígena a honra de se casar com ela?  Respirei fundo. Contei mentalmente até dez. Pensei que ela já estivesse dormindo, mas para o bem da expectativa e o mal da ansiedade, me enganei.
     Pude ver seus olhos se abrindo rápido, a boca se entreabrindo e sentir um suspiro esquentar meu ombro.
     Amor...  Fechei os olhos esperando pela resposta. Talvez não tivesse sido uma boa ideia quebrar a tradição.  Já te falei que você é aleatório demais?  Abro os olhos novamente, tendo uma moça bastante séria me olhando de forma intensa, como se pudesse ver minha alma.  Amor...  Suspira.  A dona formiguinha adoraria se casar com o alienígena bobão!  Sobe em cima de mim com um sorriso tão grande quanto o meu.
     Eu não sou bobo! – Reclamo fazendo-a rir. – Eu pensei que você fosse...
     Recusar?  Me interrompeu puxando meus ombros para que me sentasse e então roubou um beijo.  Estou há três horas deitada na grama contigo, passando frio e sendo picada pelos insetos... Por que não me casaria com você?  Sorri sem graça e me ajeitei melhor para beijar decentemente minha amada.  Sua família alienígena deve estar gostando de ver isso...  Cochicha com um sorriso sapeca.
     E as formiguinhas devem estar com ciúme por eu beijar a rainha delas, estão até me picando.
     Vai continuar me comparando com uma formiguinha?  Balancei a cabeça concordando.  Ai, eu mereço... – Concordei de novo.  Amor!"

[Flashback off]

        Nessa época ainda tínhamos tempo para viver nossas aventuras, sem nos preocuparmos com horas ou dinheiro. Mas nem tudo é doce e cor de rosa. Queria dizer que só me lembro dos momentos mais felizes, onde não nos preocupávamos com o quão doidos ou clichê éramos. Não fazíamos o tipo de casal que tinha brigas feias ou que se resolvia rápido, então, apesar das discussões serem pequenas e bobas, cada vez que aconteciam era como um tsunami: levava tudo, afastava, quebrava e demorava para voltar ao normal. Precisamos de vários desentendimentos para percebermos como o outro reagia e como deveríamos nos corrigir. No começo pensei que ignorando as discussões cortaria elas pela raiz, mas era como jogar combustível no fogo. Idiota, eu sei. Hoje percebo o quanto cada um daqueles momentos foi importante para nos desenvolver como parceiros de vida.
        Só queria te ter comigo agora, ajudando a vencer os sentimentos, como sempre fez. Mas estou aqui, agora, diante de seu túmulo, falando em pensamento como se pudesse me ouvir de alguma forma em algum lugar. Sabia que as lembranças daquele maldito dia ainda me atormentam? Chorei quando fui ao hospital, desacreditado das palavras que ouvira do outro lado da linha. Chorei ao chegar em casa, com a notícia confirmada a contra gosto, quando me deparei com tudo que conquistamos juntos ao meu redor, quando deitei inutilmente para dormir e os travesseiros sussurravam seu nome. Chorei ao ponto em que pareciam não haver mais lágrimas em mim, de uma forma que nunca senti na vida.
        Aquela noite foi a pior de todas, lembro-me de ter aberto o roupeiro e juntado a maior quantia de peças que pude, logo jogando-as sobre a cama e organizando em um monte retangular. Me deitei ao lado, passei um dos braços por cima e me aconcheguei. Passei a madrugada abraçado a um monte de roupa com o seu cheiro, pedindo para acordar logo desse pesadelo horrível. E mesmo acordando sentindo você e seu cheiro ao meu lado, mas abrindo os olhos e constatando serem apenas moletons, continuei com esse hábito doloroso até seu perfume natural sair de seus pertences e se tornarem apenas lembranças em minha memória.
        Os primeiros meses sem sua presença foram um completo breu. Diversas vezes cozinhei e arrumei a mesa para dois, cheguei depois do trabalho exclamando que havia me atrasado por conta do trânsito… e, admito que mesmo depois de anos, ainda faço algumas dessas coisas, seja por costume ou por saudade.
        Deveria ver nossa casa agora, reformei algumas partes mas mantive intactas as partes que lembro que gostava. Suas roupas e livros ainda estão lá, nossas fotos estão nos mesmos lugares, e, adotei uma cachorrinha para me fazer companhia, nossa filha. Batizei ela com o nome que você havia escolhido anos antes. Vira e mexe conto sobre a mulher incrível que a mãe dela foi. De alguma forma sei que não é isso que queria para mim, iria preferir que conhecesse outra pessoa e fosse feliz com mais do que lembranças de alguém que não está mais aqui. Mas é aí que se engana: você mora em mim, e sim, eu sou extremamente feliz com todas as lembranças de nós, por que tenho plena consciência de que vivi o maior amor da minha vida, e, espero por tudo que seja mais sagrado, que algum dia possa te ver de novo.
        Não é todo dia que encontramos a pessoa certa, por isso sempre estará comigo, na memória e no coração. Não tenho palavras pra expressar tudo que sinto, tudo que você significou e ainda significa para mim. Apenas… obrigado. Mal posso esperar para talvez nos encontrarmos de novo. Eu amo você… ao infinito e além.

Notas Finais


E então, gostaram? Confesso que chorei, tanto escrevendo quanto corrigindo.
Como sempre, inspirações no dia a dia me trouxeram essa história, simples e curta.

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