História Eu Amo Você em Silêncio (Romance Lésbico) - Capítulo 11


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, LGBT, Literatura Feminina, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Capítulo 09 - O Beijo...


O único barulho do local é dos pingos de chuva caindo no chão, e de vez enquanto o de alguns trovões que se eclodiam no céu. Liz no meio de tanto silencio encontrou as respostas para muitas perguntas que ela achou não ter fundamento quando seus pensamentos achavam que Hoffman gostava dela de outra forma. Mas agora ela sabe que não estava louca quando pensava assim, e o que lhe assusta é o alivio que isso causa em seu coração, porém em vez de seguir o que ele sente, escolhe um caminho totalmente diferente.

--Você é louca... – ela diz tirando as mãos da vampira de sua perna e levantando de onde está – Isso não existe... – anda até o lugar onde as luzes do quarto se acediam. Ela liga e ver a figura da vampira lhe olhar com os olhos marejados em lagrimas, seu coração aperta.

--Eu também achei que estava ficando louca quando cheguei à conclusão que estava apaixonada por você, mas... – para um pouco e respira - Não... Liz... É um sentimento verdadeiro, tão verdadeiro que eu não aguentei ficar em Londres... Eu voltei por você... – Liz está sem ação, ela só anda de um lado para outro. Seus pensamentos estão a mil... Ela se pergunta como isso não foi percebido com mais clareza por ela antes?!

--Julia eu não sei do que você está falando... Que tipo de sentimento é esse? Somos mulheres... – a loira para e olha para a vampira que encara o chão.

--Isso importa quando há amor? – o silencio volta para o quarto, Hoffman levanta do chão e senta em sua poltrona novamente com um dos dedos na boca, ela está nervosa, seus olhos olham Liz, a loira tem a vista perdida.

--Eu não amo você... – essas palavras foram mesmo que arrancar seu coração. Ela olha Liz em silencio, a loira ver a gravidade que suas palavras causaram na vampira e esfrega a mão na própria face por saber que está fazendo tudo errado – O que você bebeu, Hoffman?

--Eu quero que saia daqui, Liz... – a mulher mutante diz fria, a matriarca ver que ela está zangada.

--Julia... Eu me expressei mal... Desculpa... Apenas quis dizer que eu não a amo dessa maneira que você me ama – uma pontada se manifesta no pescoço da mulher. Isso é um sinal que ela está mentindo para ela mesma, será tão difícil assim reconhecer um sentimento que existe em ambas? – Ai...

--Acontece, Liz que você só me ver como uma alcoólatra louca, que não serve pra nada, apenas para beber e exercer a profissão que exerço... É tão difícil assim enxergar o tanto que eu já fiz por você? Quantas e quantas vezes eu tive que me segurar para não falar besteiras a respeito desse sentimento? Que antes era besteira e hoje é mais forte que muita coisa que eu conheço nesse mundo... Hum? Das vezes que eu te consolei quando seu marido fugiu de você... – ela chora lembrando do momento – Você dizia que ninguém ia mais te amar como ele te amou, e eu procurava as palavras certas pra não deixar explicito demais a minha fascinação por você... – ela soa o nariz com a palma da mão – Todo tempo eu só pensei em você, no quanto você ia ficar assustada se caso eu pensasse em confessar, eu guardei isso pra mim porque eu sabia que sua reação seria essa... Só que eu cheguei ao meu limite...

--Hoffman... – Liz tenta falar, mas Hoffman levanta a mão e ela engole as próprias palavras.

--Espere... Deixa eu terminar de falar, depois você pode dizer o que quiser, me esculachar, dizer que eu estou louca, que eu bebi... Eu mereço, sabe porque? – ela olha a loira que agora está sentada na cama lhe olhando também – Por que quando eu tive a oportunidade de fugir e esquecer tudo que vivi aqui, eu voltei... Voltei na esperança de poder... – soa o nariz com a palma novamente, seus olhos vermelhos ainda caem lagrimas – de poder ter um espaço em seu coração, de ser aceita por você além da amizade, de cuidar, proteger, Liz, eu só queria que fosse recíproco...

--Eu não posso fazer isso comigo, eu não posso me tornar essa aberração como você... – Liz fala fria, as palavras caem em peso na vampira que fecha os olhos e engole a própria saliva por tudo que ela falou ter sido em vão, o pensamento negativo de Liz não vai mudar somente com palavras – Estou feliz com minha vida de hoje e não vou tornar minhas concepções uma bagunça por causa de você... O amor não existe, Hoffman. E quanto existe é apenas para machucar as pessoas...

--Eu fui franca com você, só não me assusto mais porque já sabia dessa reação. Sei que daqui pra frente não vai ser mais a mesma coisa, e que apesar de ter confessado e ter acabado essa angustia em meu peito, eu continuarei sofrendo por saber que foi tudo em vão... Liz, eu só quero que saiba que não é por você ter dito tudo que disse, que eu vou simplesmente te desejar tudo de ruim... Não! Muito pelo contrario, sei muito bem que você pode ser feliz sem mim... Vejo isso em seu olhar ao está com ele... – a vampira se refere ao namorado da loira. Seus olhos não caem mais lagrimas – Espero que ele cuide da preciosidade que tem em mãos, que ele prove todos os dias que você é única e especial, porque se ele fizer o contrario eu novamente estarei aqui pra te proteger...

--Ele vai cuidar... – Liz diz fria, Hoffman nega com a própria cabeça. Como Liz consegue agir tão fria?

--Acho que você já pode ir... – a vampira diz sem olhar nos olhos da loira, ela só não quer mais demonstrar fraqueza.

--De qualquer forma... Obrigada novamente por ter me salvado... E espero que esse assunto não seja mais contestado entre nós... Você precisa de uma igreja, Hoffman... – a matriarca se move pra sair, mais antes que atravessasse a porta à voz de Julia lhe para.

--A única coisa que eu preciso aqui é de você, e eu não farei nada que você não queira... – Elizabeth olha a vampira se mover para a bancada de bebida. Ela irá refletir sobre essas palavras, sua noite de insônia está apenas começando.

*********

Os dias na casa pareciam não passar para as duas mulheres que agora estavam mais distantes na comunicação. Liz está com seus pensamentos mais confusos que o habitual, a loira não consegue mais tirar a vampira de sua mente, depois de tudo que ouviu seu coração parece corresponder ao amor que Hoffman está disposta a lhe dá. E isso lhe assusta a cada vez que se seus olhos se predem a olhar a vampira em momentos que ninguém está por perto, momentos esses que se tornaram distintos, mas que a matriarca faz questão que aconteça.

A doutora se dedicou por completa a seu escritório, com as palavras de Liz a vampira ficou conformada de que nada entre ambas ia acontecer. Não que ela tenha desistido, ela apenas que dar um tempo, no fundo ela sabe que Liz não quis dizer tudo que disse, ou quis? Ela se pergunta isso todos os dias, seus sorrisos e bom humor não são os mesmos por dentro. Por mais que ela se ocupe pra esquecer, ela não consegue. A loira parece está em toda parte. Está complicado demonstrar que está tudo bem, quando tudo em si está desmoronando.

O escritório da psiquiatra está pronto, os móveis, aparelhos e tudo que envolve sua área está no seu devido lugar em um dos lugares mais isolados da mansão. Julia tem passado a maioria do tempo lá, ela agora está se preocupando em resgatar suas pesquisas mais importantes, seu mundo agora é escrever... Escrever para ocupar a mente de quem ela nem imagina está sentindo os mesmos sentimentos que ela.

Liz pensou muito em tudo que Hoffman disse, lembrou-se de momentos bons que as duas passaram juntas, da embriagues da médica quando se conheceram, de seu cuidado para com ela, da preocupação em tudo que lhe causava estresse, foram tantos momentos simples, mas que agora significam tudo. A matriarca depois de muito pensar chegou à conclusão foi egoísta com a vampira. Suas intenções foram as melhores possíveis e ela simplesmente jogou em sua cara que sua felicidade está completa com Pedro. Se antes ela tinha certeza disso com essa declaração já não consegue pensar o mesmo.

Ambas se incomodam com o muro que existe entre elas, sabem que não é o certo a fazer, que a conversa certa ainda não foi concretizada, porém uma das duas tem que quebrar o gelo... Quem irá ceder?!

Testando um de seus aparelhos de consulta, Julia não ver que a luz do dia já queima lá fora. Parece que o inverno não se manifestará hoje, uma pena, ela terá que se cobrir toda. David entra no local depois de dá três batidas na porta.

--Tia Julia... – ela fala vendo a mulher tirar os óculos e encara-lo.

--Bom dia, meu amor... – sorri para o menino que agora está sem sua frente, separados apenas pela bancada onde Julia está.

--Lembra que você disse que me deixaria na escola hoje? – ele pergunta inocente, enquanto seus olhos curiosos analisavam alguns papeis encima da bancada onde Hoffman está do outro lado.

--É claro que sim, meu bem... Preciso ver algumas coisas na cidade, passar na floricultura para ver se meu pedido de um solo/estrume que só tem na Turquia está chegando... – David eleva uma sobrancelha.

--Porque você se interessaria por terra, se sua aérea é a cabeça humana? – Julia da uma gargalhada.

--Já ouviu falar em jardim de inverno?

--Sim, mas não que ele tem que ser feito de um solo da Turquia – o menino continua sem entender.

--É claro que não, querido... Mas o que eu quero plantar nele só funciona com o solo de lá...

--E o que a senhora quer plantar?

--Rosas, não a comum rosa vermelha... – ela puxa um dos livros presentes na bancada e começa a folear, em uma das paginas ela mostra para o menino a rosa que deseja plantar – Semana passada eu estive na biblioteca e esse livro me chamou a atenção, apesar de não ter nada haver com os meus estudos de medicina, nele tinha algo que eu tenho vontade de ter... Aprofundei meus estudos nelas e descobrir que elas só podem nascer com um solo da Turquia.

--Nossa! Elas são pretas? – ele diz impressionado.

--Não exatamente, estas rosas florescem em tom vermelho na primavera, vão escurecendo conforme passam os dias e, quando chega o verão, estão quase negras, ou, a cor ideal para chamar seria "carmesim" – a mulher explica para o menino que se impressiona ainda mais.

--Que legal, tia Julia... Sei que com o seu cuidado elas vão está lindas... – Hoffman sorri – Vamos?

--Oh, sim... Já tomou café? – pergunta saindo de onde está e pegando as coisas que lhe protegeriam do sol.

--Sim...

--Meu Deus! Que horas são?! Eu realmente hoje não vi a hora passar... – pega a mão do menino e juntos saem do quarto.

********

A doutora e o menino caminhavam pelas ruas da cidade de Collinsport, o menino segura firme a mão da médica que preferiu ir com o carro até determinado lugar e fazer o resto do percurso a pé. Hora e outra David parava a vampira para mostrar algumas coisas novas que a vampira perdeu nesses dois anos que passou fora.

--Tia Elizabeth prometeu me trazer aqui, mas ela nunca tem tempo, ou esqueceu... Eu não sei... Meus amigos dizem que os doces daqui são os melhores... – o menino fala parado em frente a uma cafeteria, onde na parede de vidro tem o destaque de doces e bolos de variados sabores.

--E o que você acha da gente comprar uns agora... Eu deixo você escolher o que quiser... – Julia diz levantando um pouco os óculos para olhar as guloseimas em sua frente.

--Eu adoraria, mas não trouxe dinheiro... – ele diz triste, Julia revira os olhos e puxa o menino pelo braço para dentro do estabelecimento, nessa ação ela aproveita para tirar o chapéu que usava.

--Mesmo que você... – Julia perde as palavras quando ver Elizabeth sentada numa mesa reservada, ela não está só. Um homem de cabelos grisalhos conversa com ela. David não entende o estado de choque da psiquiatra, ele sacode algumas vezes a mão da médica e só consegue ser ignorado.

Liz se afastou muito do namorado depois de tudo que aconteceu, ele sem saber o porquê foi atrás da matriarca essa manhã para tomar satisfações. Para evitar que discutissem no meio de todo mundo, ele a convidou para um café na cidade. A loira inventou uma boa desculpa para enganar o namorado de tudo que aconteceu, ela sabe que é errado fazer isso, já que eles tem um compromisso sério, mas será melhor assim, menos coisa pra pensar.

No meio da conversa Liz sente as pontadas no pescoço e seus olhos sem querer enquanto massageava o local se encontram com os castanhos bem vivos de Hoffman. A vampira que antes estava em choque engole a própria saliva na conexão entre as duas nesse instante. Não demora muito para Pedro virar para trás e ver quem a namorada olhava perdida, Julia ao perceber a ação desvia os olhos e segue caminho até a bancada do café. David ainda está sem entender tudo. Sentando no balcão a vampira tira o casaco grosso e dá olhares discretos na mesa onde seu amor está.

--Você não me falou que sua tia não estava em casa... – a mulher fala para o menino que já olhava os doces da bancada revestida em vidro.

--Ela saiu pra tomar café com o xerife, os dois estavam discutindo... Parece que a tia Elizabeth se afastou muito nos últimos dias... Porque você está falando isso? – ele pergunta desviando o olhar dos doces para a vampira que lhe dá um sinal apontando para a mesa onde a matriarca está – Entendi... Eu vou querer esse aqui... – sorri apontando para o doce.

--Ótima escolha... – Julia sorri para o menino e pede para uma das empregadas do local empacotar o doce. Não demora muito para o sorriso de Liz chegar a seus ouvidos, ela observa o toque de mãos do casal e se martiriza do dentro. A doutora agora tem certeza que toda sua declaração foi em vão... Se ela pudesse gritar, talvez amenizasse um pouco sua angústia que antes pensava ter passado, mas agora ela ver que a maldita estava apenas escondida.

--Vamos, tia? Temos apenas dez minutos, os portões do colégio vão fechar... – ele fala para vampira.

--Tem certeza de que não quer mais nada?

--Sim...

Julia desce da cadeira colocando o casaco, chapéu e óculos novamente. Desta vez ela evitou olhar a mesa onde Liz está, já a loira a seguiu com os olhos até os cabelos alaranjados sumirem de sua vista.

******

Hoffman deixou o menino David na escola, em seguida passa na biblioteca para ler mais um pouco de alguns livros fundamentais em seus estudos, por mais que ela tentasse se concentrar, a imagem da loira em sua mente sempre fala mais alto. Ela só não queria ter visto o que viu hoje, foi o ponto chave para sua angustia voltar á tona. Cansada de não absolver nada, a médica fecha o livro e o aluga para ler em casa, aproveita e pega outros também, ela tantra de novo, só que em casa.

Saindo do local e vampira segue logo para a floricultura, fica feliz com a resposta da comerciante. Sua encomenda chega em poucos dias. Antes de sair às flores Tulipas lhe chamaram a atenção, e ela acabou que trazendo um boque delas, apenas para quebrar um pouco do muito escuro de seu escritório.

Caminhando para perto do carro que estacionou perto da estrada, Julia é surpreendida com Navim perto do local.

--Eu realmente não acredito que você desistiu do melhor chocolate dessa cidade... – a médica o olha depois de colocar os livros e as flores dentro do carro.

--Bom dia, pra você também, Navim... – ela diz o nome dele com certa ironia.

--Qual é, Hoffman... Eu to quebrado até o pescoço, me ajuda ai... – ele insiste tirando do bolso um saquinho com pó branco, seu olhar é desconfiado, porém o lugar está deserto.

--É só porque você está quebrado... Não pense que eu quero voltar a cheirar isso de novo. Só Deus sabe o quanto foi difícil me desapegar disso... – ela tira alguns dólares da bolsa e entrega pra ele.

--Só? – o homem faz um bico, e Julia revira os olhos tirando mais dinheiro da bolsa.

--E isso vai de brinde... – a vampira puxa outro saco do bolso dele e entra no carro colocando o pó dentro da sacola dos livros.

--Espero te rever de novo... – ela pisca pra ele e dá partida no carro. O homem espera ela sumir de sua vista para sair feliz com a grana que praticamente obrigou a vampira lhe dá na troca de droga.

*********

Entrando na mansão Julia já escuta os falatórios vindos da sala onde provavelmente já está sendo servido o almoço. Ela não participará desse desta vez, o clima entre ela e Liz não vai lhe fazer bem.

No caminho para seu escritório ela para em frente a porta do quarto de Liz, suspira e se queixa pela atitude que irá fazer agora. Ela entra no local e deposita próximo ao travesseiro depois de beijar uma Tulipa do buquê que comprou. Feito isso ela sai rumo ao seu escritório. Por mais que seu coração esteja magoado o sentimento de amor ainda fala mais alto e ela acaba que fraqueja fazendo que fez.

Tirando os livros de dentro da bolsa, ela sabe que Liz não merece tudo que ela faz, e por isso se acha inútil por praticamente venera-la sem receber nada em troca... Se ela pelo menos conseguisse esquece-la por um segundo, por um mísero segundo que fosse, seria um ato de gloria. Porem é uma tarefa quase que impossível quando se tem amor.

Ela pega a garrafa de uísque e coloca alguns gelos no copo para então sentar na enorme poltrona onde suas pernas se prendem no braço do estofado. Ela está tão indignada que esquece o copo com gelo e vira a garrafa na boca de uma vez engolindo o que sua garganta suportar... Sua garganta rosna e seu rosto imediatamente faz uma expressão contraída pelo liquido que agora esquenta seu estomago. Se acomodando mais na poltrona de algodão ela vira a garrafa mais uma vez, seus olhos abrem e fecham varias vezes, é impressionante o efeito rápido que o álcool causa em si.

Sua cabeça se vira para a janela enorme, e ela ver que o tempo está fechando novamente. Quando ia virá a garrafa novamente batidas são ouvidas na porta. Seu corpo imediatamente se levanta.

--QUEM É?! – seu tom é um pouco agressivo.

--O Wille, senhora... – o homem responde simples.

--Ah, entre... – fala se ditando de novo.

--A dona Elizabeth mandou avisar que hoje é a inauguração da nova ala da fabrica, a presença de todos os membros da família é importante... Disse também que depois terá uma pequena comemoração no restaurante "Frios do Porto"... – ele diz e aguarda uma resposta. Hoffman vira a garrafa na boca antes de responder.

--Ela poderia ter vindo em seu lugar para avisar... – diz sem graça.

--Posso avisar ela que a senhorita deseja vê-la...

--Não... Ela precisa ter vontade própria... Não vou força-la a nada... – Wille não entende o que Julia está dizendo. A médica já está um pouco alterada no álcool – Que horas é esse evento? Amo dar sorrisos falsos para o povo dessa linda cidade... – seu tom embriagado e irônico faz Wille entender muita coisa.

--No finalzinho da tarde... – ele responde. A doutora dá outro gole na bebida.

--Hum... Ok... Você já pode ir... – ela senta no estofado. Apoia a cabeça com as mãos enquanto seus cotovelos pousam em sua coxa. Ela que olha o chão ver o copo que preferiu não utilizar. O pega arremessando na parede próxima a grande janela.

"É claro que ela faz questão que eu esteja lá, já que o namorado também estará a seu lado, os dois demostrando o maior amor e a abestada aqui sofrendo... Eu não vou fazer isso comigo, eu não vou fazer mais nada... Eu já me humilhei demais quando demonstrei meus sentimentos... Fiz uma declaração perfeita, e ela simplesmente me insultou, jogou a minha cara que está feliz com ele, QUE O MEU AMOR POR ELA ME FAZ SER UMA ABERRAÇÃO... Eu queria muito te odiar Liz... Como eu queria, mas parece que a cada dia que passa esse amor cresce, cresce tanto... Eu sou a trouxa mais idiota desse mundo... A flor... Ela deve ter jogado no primeiro lixo que viu... Quando eu penso que está tudo bem meu mundo desmorona desse jeito... O que eu ainda estou fazendo aqui? Seu eu pudesse esquecer..."

Os olhos de Julia batem nos saquinhos de droga em cima da bancada, a tentação está feita... Ela caminha desnorteada até eles e cheira o pó com suas melhores forças. Logo a sensação de leveza chega a seu corpo e ela cheira mais e mais, quando se dá conta seu corpo escorrega e deita no chão olhando o teto... ela sorri sem motivo, ela está drogada...

*******

A família Collins tirava as ultimas fotografias, Liz encerrou a entrevista e agora eles iriam para o restaurante. Seus olhos a todo o momento procuravam Hoffman, chegou o final do evento e a matriarca chegou à conclusão que a vampira se quer marcou presença... Será que ela está bem? Ou não veio por sua causa? De alguma forma seu coração avisa por algo negativo. Enquanto ela caminhava para fora da fabrica acompanhada por Pedro, algo fez ela mudar a ideia de ir ao restaurante.

--Barnabas... – o vampiro que conversava com a esposa dá atenção a loira.

--Sim, madame...

--Você seguirá a comemoração sem mim...

--O que houve, Elizabeth? – Pedro pergunta e Liz faz uma expressão negativa no rosto fingindo dor de cabeça.

--Sim, madame... O que houve? – o vampiro contesta também.

--Acho que todos esses flash's me deixaram indisposta, com um dor de cabeça tremenda... Pedro, meu bem... Incomoda-se de me deixar em casa?

--É claro que não, meu amor... Vamos passar na farmácia também para comprar um remédio... – ele di segurando a mão dela que sorri.

--Não há necessidade, eu tenho o que preciso em casa... Depois quero que volte e comemore com eles...

--E deixar você sozinha? Nem pensar...

--Não me trate como se eu fosse uma criança... Apenas me deixe em casa – ela fala séria e Pedro prefere não contestar.

Barnabas, Josette, David e Carolyn se despedem de Liz e desejam melhoras. O casal de namorados sai em direção ao carro e não demora muito para Elizabeth ser deixada em casa. A matriarca apesar de viver na mansão sente certo arrepio quando entra e ver o vazio do lugar. Ela sobe as escadas com certo receio, seus pensamentos estão em Hoffman, como esteve o dia todo.

Ela entra no quarto e ver a flor sobre a cama, um sorriso brota em seu rosto ao cheirar a planta. A loira sabe exatamente a pessoa que a deixou aqui e é com o pensamento nessa pessoa que ela se move para sala onde Hoffman está.

A vampira cheirou todo o liquido, está completamente dopada... Seu corpo estirado no chão, suas mãos indo e voltando sem direção no piso de madeira, seus olhos molhados e vermelhos do choro que caiu sem ela perceber... Liz entra no local e perde o riso quando não ver a médica lá, anda pelo local e quando seus olhos batem na vampira ela entra em desespero. Seus joelhos encostam-se ao chão e sua mão pega o pescoço na mulher para mais perto de si... Ela chama o nome de Julia enquanto dava leves tapas em seu rosto...

--Você, você é o amor da minha vida, Liz... – a vampira diz quando seus olhos encontram os de Liz.

--Por Deus, Hoffman... Você exagerou dessa vez...

--É exagero amar você?

--Não seja tola, eu estou falando da droga que você usou...

Hoffman leva a mão até o rosto da matriarca que fecha os olhos ao toque.

--Nem ela foi capaz de me fazer esquecer você...

--Você precisa parar com isso... – Liz pede, seu voz treme em nervosismo.

--Me deixe beijar você... – a loira fecha os olhos deixando as palavras ecoarem em seu ouvido – Me deixe te amar...

Como em câmera lenta os lábios de Liz foram a modo automático para os de Julia. O selinho tímido que se iniciou ganhou um movimento mais intenso quando Hoffman segurou a nuca da mulher arrastando até seus cabelos. A sensação nesse momento é sem palavras para ambas... Liz não resistiu, seu coração, tudo em si lhe moveu para o beijo que ela agora deseja não parar mais. Um misto de sentimentos se inicia, Hoffman tenta o máximo puxa-la para mais perto... Sugando o lábio da loira ela sente o céu só em saber que o que mais queria está acontecendo... Será uma miragem depois de tanta droga cheirada? Não... É a realidade, tão real que os gemidos de Liz no beijo se tornam mansos e excitantes. A loira pode sentir o gosto de todo o álcool presente na boca da vampira, mas isso não impede a mesma de achar o beijo quente e apaixonante. Seu corpo deita no chão sem desgrudar as bocas, o braço da vampira envolve a cintura da loira e seus lábios descem para o pescoço da mesma, cheirando ao máximo aquele perfume que ela tanto ama, beijando, tocando seu corpo com amor. Elizabeth não consegue lutar para que isso pare, porque ela está gostando. É uma sensação diferente, única, sensação que ela nunca imaginou sentir...

"Será que eu estou amando Julia Hoffman?"

E foi com esse pensamento que ela empurrou a vampira que já se movia para beija-la novamente. Seu corpo queima, seu coração bate em um ritmo mais acelerado, mas o medo do tal pensamento faz tudo isso passar e um raiva sem motivo subir em si... Não será fácil, não mesmo...



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