História Eu, Aurora e Tyler - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Cara Delavigne, Drama, Romance, Tom Holland
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Palavras 1.764
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Menino mau.


 O sol da manhã iluminava todo o quarto de Nick, ele despertou do sono com leves batidas na porta. Antes que ele perguntasse de quem se tratava, a porta se abriu e Anna surgiu entre o vão, já vestida com o avental de cozinha.

  - Nick? Posso entrar?

  - Você já entrou, mãe. – ele se sentou na cama sonolento, o cabelo bagunçado e olheiras fundas devido a mais uma noite mal dormida. 

  Ela entrou no quarto e se sentou na beira da cama.

  - Como você está? Dormiu bem?

  - Mãe, vá direto ao ponto. Sei que você quer conversar sobre ontem.

  - Sabe, filho, eu só não quero que você leve a sério as coisas que seu pai diz. – ela respirou fundo – Você sabe que pra ele é difícil admitir tudo isso, mesmo depois de quase 2 anos.

  - É difícil pra ele admitir que tem um filho lunático, sei como deve ser isso.

  - Não é isso Nick, ele só não compreende seu mundo. Você ainda conversa com o seu amigo? O Tyler?

  - É claro que sim mãe. – Nick olhou para ela – Ele é meu melhor amigo, e você sabe.

  - E ele ainda manda você fazer as coisas?

  - Não mãe. – ele mentiu – Já disse que ele parou com essas atitudes a muito tempo, o Tyler estava rebelde naquela época, mas já passou.

  - Então você parou com o remédio por conta própria?

  - Talvez.

  - Nicholas me ouça agora. – ela pegou em sua mão – Nós pagamos a você uma das melhores psiquiatras de Nova York, terapia e tudo mais, fazemos isso para o seu bem-estar. Você não pode parar com nenhum dos remédios se não tudo isso terá sido em vão, todo o tratamento vai começar do zero, entendeu? Por favor filho, faça esse esforço, eu não quero ter que voltar com a medicação injetável, sei que elas doíam demais. Então se você não quer voltar a tomar aquelas injeções, por favor, tome seu remédio.

  - É, aquelas injeções doíam demais mesmo.

  - Doía ainda mais em mim vê-lo daquele jeito. – ela soltou sua mão e levantou da cama – Pense nisso, tudo bem?

  - Tudo bem, mãe.

  Ela deu as costas a ele foi me direção a porta, mas, antes de sair ela se virou para ele novamente.

  - Aliás, filho, hoje tem terapia em grupo, no intervalo da aula, então fique me esperando que eu vou te buscar, ok?

  - Ok, até depois mãe.

  Anna saiu e bateu a porta atrás de si, deixando Nick sozinho de novo. Ele ficou sentado imóvel na cama por um tempo antes de tomar coragem e ir para o banho. Se não se apressasse, chegaria atrasado na aula mais uma vez, mas isso não parecia uma má ideia.

***

  Ele observava seu reflexo distorcido no espelho quebrado da escola a quase 30 minutos, suas crises de inercia corporal só pioravam a cada dia, fazendo-o perder cada vez mais tempo da sua preciosa e medíocre vida. Algo dentro dele estava gritando e querendo se mexer a todo custo, mas Nick estava hipnotizado demais pelo corte em sua testa para responder o comando do seu cérebro.

  Nicholas apenas saiu do transe ao ouvir vozes no corredor que se aproximavam cada vez mais, ele pegou a mochila do chão e seguiu em direção a porta, mas a súbita presença 3 garotos impediu sua passagem, e ele os reconheceu rapidamente.

  - Ei Nick! – disse o garoto ruivo do meio em um tom sarcástico, ele e o resto da sua gangue vestiam a jaqueta azul do time de futebol da escola, todos iguais – Porque você não apareceu na primeira aula hoje? Fiquei preocupado.

  Eles empurraram Nick para o interior do banheiro, ele bateu as costas na parede fria e o hematoma no ombro doeu com o impacto.

  - Legal Jason, eu tive um imprevisto. Agora tenho que voltar pra aula. – ele fez menção de sair, mas foi impedido e jogado na parede de novo.

  - E você acha que eu te deixaria sair e perder a chance de ter minha diversão diária? Se bem que eu posso quebrar sua cara a qualquer hora do dia.

  Jason olhou para seus dois capachos atrás dele como se esperasse um apoio, e eles automaticamente concordaram com risos forcados.

  - Qual é. – Nicholas disse olhando para o chão – Me dá um desconto Jason, não fiz nada pra você.

  - O que? – eles riram alto novamente – Eu ouvi isso mesmo? Nicholas Weller, você é mesmo muito esquisito, e isso já é um motivo pra mim.

  Sem dizer mais nenhuma palavra, Jason socou o rosto de Nick, que foi ao chão rapidamente. Seu corpo já não aguentava mais tanta surra, ele já não tentava mais reagir. Antes que pudesse fazer algo, ele foi chutado várias vezes, dessa vez pelos 3 garotos. Uma dor alucinante percorria seu corpo a cada chute, e ele sentia como se fosse vomitar a qualquer momento; ficou curvado no chão em posição fetal, mochila nas costas, agonizando de dor.

 Os garotos riram do estado deprimente de Nick feito hienas, antes de o levantarem do chão e o arrastarem para uma das cabines do banheiro. Jason pegou Nicholas pelo cabelo e afundou sua cabeça na privada, sentiu seus olhos arderem ao entrarem em contato com a agua, ele segurou a respiração o máximo que pode, mas chegou o momento que não aguentou mais e sentiu seus pulmões se encherem de agua. Sentia como se mil facas perfurassem seu peito naquele momento, e antes que ele se afogasse realmente, o ar entrou em seus pulmões novamente, e ele caiu ofegante no chão ao lado da privada.

  - Isso é pra você aprender, Weller. – disse Jason – Você nunca deve abaixar a guarda.

  Nick continuava a ouvir as risadas de deboche, mas ele só conseguia sentir a dor em seu peito. Olhou para os 3 antes que saíssem da cabine, aquilo era humilhante, até mesmo para ele. Deitou a cabeça no chão frio ao ser deixado sozinho novamente, a voz de Jason se afastou aos poucos até sumir de vez.

  Ele fechou os olhos e respirou fundo, tudo doía. O canto de sua boca sangrava e o cabelo molhado grudado na testa o fazia parecer uma total aberração, se já não fosse. Mas do jeito que estava naquele momento, ele estava ainda mais abaixo disso.

***

  - O que foi isso no seu rosto? – perguntou o garoto sentado ao lado de Nick.

  Joseph era o nome dele, sempre usando o mesmo boné velho e sujo do time oficial de Manhattan. Nick se lembrava da história daquele boné, Joseph havia contado na terapia retrasada que o pai o dera minutos antes de morrer de câncer numa cama de hospital. Joseph sofria de ansiedade generalizada, um dos problemas menos graves comparados ao resto do grupo.

  - Eu caí do skate. – ele respondeu.

  - Você não anda de skate Nick, e eu sei reconhecer um cruzado de direita quando vejo um. Você apanhou de quantos? Três?

  Nick não respondeu, apenas desviou o olhar. Alguns minutos depois, a sala já estava cheia com os 9 pacientes e John, o psiquiatra coordenador do grupo, todos sentados um grande semicírculo. No último mês, ele sentia que aquela terapia estava ficando cheia demais, já não conseguia contar seus problemas como antigamente; todos aqueles olhos curiosos o deixavam nervoso, mas ele sabia que aquele esforço era necessário.

  - Tudo bem, pessoal. – disse John – Vamos começar, quem gostaria de dar início à nossa terapia?

  - Eu queria começar. – disse Elisa, a suicida do grupo – Ontem eu subi na janela do meu apartamento quando minha mãe não estava em casa, senti o vento batendo no meu rosto, foi bom.

  - E você quis pular? – perguntou outro paciente.

  - Por um momento eu quis, mas depois essa vontade passou.

  - E por que passou, Elisa? – perguntou o psiquiatra – Você sentiu algo?

  - Na verdade, pensei na minha mãe. Como ela reagiria ao chegar no prédio e ver sua filha espatifada na calçada? Acho que não seria muito legal... – ela pensou por um momento – Acho que é só isso John.

  - Ótimo, quem mais? Chris? Quer compartilhar algo?

  Nick só observava calado, quando se faz esse tipo de terapia, você se envolve demais nos problemas dos outros, e acaba pegando parte dele pra você.

  - Bem, sei que prometi pra vocês que não iria mais me cortar... – ela começou e todos automaticamente já sabiam o final disso – Mas eu juro que não queria! Sabe, não foi a Chris que se cortou, foi a Julia. Ela queria se cortar, eu só acordei no chão do meu quarto toda cortada, sei que vocês me entendem.

  - Nós entendemos. – continuou John – E o que você fez depois de acordar no chão?

  - Eu comecei a chorar, está cada dia mais difícil viver assim. - a garota cruzou as pernas sob a cadeira – Sabe, com esse transtorno dissociativo de identidade eu me sinto em mil pedaços, tudo que eu faço é como se estivesse sendo observada. Não me sinto mais em paz, parece que eu tenho milhões de amigos imaginários a minha volta... É só isso que eu quero falar, obrigada John.

  - Muito bem, Nick, agora que a Chris tocou no assunto dos amigos imaginários, quer nos contar como anda seu amigo Tyler?

  - Ele vai bem. – disse – O Tyler têm me ajudado bastante em alguns assuntos.

  - Ele continua pedindo para que você faça coisas?

  - Não. Quer dizer, eu disse pra minha psiquiatra que ele não faz por mal, sabe. – Nick gesticulava enquanto falava – Tyler é um bom garoto, só anda com umas atitudes rebeldes, mas é só uma fase. Ele é um adolescente como eu e a maioria de nós aqui, nós fazemos algumas besteiras de vez em quando.

  - Mas besteiras não machucam pessoas Nick. Ele ainda pede que você faça mal a alguém? Ou machuque algum animal?

  - Não. – mentiu mais uma vez – E ele se mostrou muito arrependido pelo que me fez fazer ao yorkshire da vizinha.

  - E você acredita nesse arrependimento?

  - Sim. Quero dizer, eu tenho que acreditar.

  - Como assim tem que acreditar? Você não é obrigado, e sabe disso.

  - Eu sei mas... – ele olhou para o chão buscando dentro de si uma resposta coerente e que o fizesse parecer menos louco, mas a verdade é que ela não existia – Ele é tudo que eu tenho John, sinto que devo minha vida a ele, e se não acreditar nele, em quem vou acreditar? As pessoas são perversas, e alguém como eu não viveria muito tempo lá fora.


Notas Finais


espero que gostem <3 Desculpem a demora


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