História Eu Cansei de Ser Cupido! - Fillie - Capítulo 18


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Categorias It: A Coisa, Stranger Things
Personagens Beverly "Bev" Marsh, Dustin Henderson, Edward "Eddie" Kaspbrak, Eleven (Onze), Lucas Sinclair, Maxine "Max" Mayfield / "Madmax", Mike Wheeler, Personagens Originais, Stanley "Stan" Uris, Will Byers
Tags Caleb Mclaughlin, Fillie, Finn Wolfhard, Gaten Matarazzo, Jack Dylan Grazer, Jacob Sartorius, Millie Bobby Brown, Noah Schnapp, Sadie Sink, Soah
Visualizações 152
Palavras 3.692
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Ficção Adolescente, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


oi

pessoal, precisamos conversar.

vocês sabem que amo escrever. qualquer assunto abordado, tenho que falar sobre, criar histórias. mas ultimamente me sinto meio perdida, não com as histórias, só que com a repercussão que está tendo.
como sabem, há três dias postei um capítulo de in my head. era um dos mais aguardados, o reencontro fillie, e achei que teria uma chuva de comentários surtando junto comigo, mas nada veio.
houve pouquíssimos comentários, e isso me chateou.
sei que nem todo mundo tem tempo de comentar, falar sobre a fic, mas um simples continua ganharia meu dia, já que ando um pouco sem auto estima ultimamente. acho que a culpa é minha.

uma pergunta: a história está maçante?
quero muito saber e talvez faça algumas alterações.

é decepcionante. estava tão animada por esse capítulo, achei que também ficariam, todavia nada veio.
passei três dias escrevendo ele.

desculpa, não quero que sintam forçados a comentarem, só desejava desabafar.

estava até pensando em apagar minha conta e imigrar para o wattpad. seria mais fácil.

o que acham?

Capítulo 18 - Os cinco problemas


Assim que deixamos o restaurante, vi Millie cruzar os braços sobre o corpo miúdo, aparentemente com frio, olhar para cima, piscar várias vezes como se estivesse expulsando algumas lágrimas. Mas tão rapidamente que sentiu-se fraca, ajeitou os ombros e o garoto do estacionamento voltou correndo a nossa disposição, onde lhe entreguei a chave do carro, me aproximando, em seguida, cautelosamente dela.

Ficamos uns minutos em silêncio apenas observando o movimento da rua, casais entrando e saindo do estabelecimento e pessoas passeando bem arrumadas e pomposas. Não queria falar nada que a deixasse ainda mais irritada. Ou chateada. Ela se preparou tanto para aquele encontro para no final Dick estragar com tudo.

Continuei a massagear os nós dos dedos, achando aquele silêncio pertubador. Até que algo me veio a mente: ela odiava ser salva. E bater no ex dela por ter feito um comentário machista era como bater a 300 quilômetros por hora contra essa sua regra.

– Mills, me desculpa. Eu sei que não deveria ter feito isso, ainda menos porque você odeia que se metam nos seus problemas, mas foi…

Fui subitamente interrompido quando ela se inclinou e beijou minha bochecha devagar. Quando se afastou, sorria.

– Obrigada por me defender.

Meus lábios também se formaram num sorriso bobo.

– De nada. Não está irritada?

– Claro que não! Quando se trata de você, faz bem ter um Robin Hood.

– Quer ir no drive-thru do McDonald’s pegar um McLanche Feliz? – perguntei fazendo uma referência a nossa conversa de horas antes.

Ela deu risada, entendendo, então me encarou, sorrindo e balançando a cabeça, ajeitando o cabelo com a mão esquerda. 

– Eu adoraria.

O garoto voltou e ela se ofereceu para lhe dar uma gorjeta, agradecendo-o baixinho. Puxei-a para um abraço desajeitado, mostrando que estava tudo bem. O que era mentira porque a única coisa que queria era afundar a cabeça daquele idiota em uma panela de sopa fervente.

Durante todo caminho até a lanchonete ficou em silêncio, a cabeça encostada na janela do carro, olhando para algum lugar afora, distraída, distante. Vez ou outra suspirava e retorcia as mãos sobre o colo, todo tempo séria. E isso me fez pensar se as palavras de Richard não tinham sido tão irrelevantes como pensei. Será que ele conseguiu atingi-la?

Só o simples ato de imaginá-la triste por coisas tão idiotas terem saída da boca de um ser humano repulsivo como ele me dava vontade de voltar lá e bater nele até deixá-lo desacordado. E a situação se tornava cada vez pior porque nunca fui de violência, sempre tendo certeza que uma boa conversa resolvia tudo. Mas os pensamentos homicidas que tinha com o filho da puta eram tão assustadores que tive que pensar em rosas, unicórnios e seres místicos para não voltar lá e terminar o que deveria ter começado. 

Sério mesmo, eu deveria ter dado uns bons socos na fuça dele até o sangue fazer desenhos naquele seu paletó ridículo. Só um não me pareceu suficiente.

Mas já que não podíamos mudar as coisas, imaginar era mais seguro.

– Então – comecei, vendo ela recostar-se no banco. – Sobre o jantar…

 – Você não acha isso interessante? – me interrompeu, pensativa. – Como sabe, Richard é um advogado famosíssimo, e umas semanas antes numa entrevista para o jornal de Los Angeles falou que não tinha namorada.

– Talvez ele seja apenas protetor da imagem pública, Mills.

Ela balançou a cabeça, ainda matutando.

– Não, Finn, vai por mim. Vi cada rede social dele desde o dia que me ligou e nenhuma sequer tinha alguma informação que havia ido a França alguma vez. Muito menos que tinha namorada. Ou até noiva.

Fiquei confuso, olhando para frente. Então Richard tinha mentido? Era isso?

– Ou apenas ele não quisesse que isso vazasse – argumentei, dando de ombros.

– Finn, Rick coloca em um post do Twitter até quantas vezes foi ao banheiro no dia. Se estivesse mesmo num patamar tão alto como noivado, meio mundo saberia.

Não fazia nenhum sentido, mas não falaria isso a ela para não deixá-la irritada. Ela tinha o defeito de ser esquentadinha demais para o meu gosto. 

– É…

Ela fechou a cara para mim.

– Você não acredita, não?

– Não que não acredito, é só… impossível. Por que ele contraria uma garota apenas para se fingir de noiva dele?

– Estamos tecnicamente fazendo isso também, Finn.

– Só que por uma causa maior.  

Millie balançou a cabeça pela minha descrença, e peguei as sacolas que o atendente do drive-thru estendeu, dando a minha única nota de cinquenta dólares, me sentindo importante – e até fiz uma cena de causar inveja fingindo procurar o dinheiro como se estivesse bem escondido no meio de tantos outros.

– Tenham um McDia feliz – falou ele, sorrindo falsamente enquanto devolvia o troco.

– Daqui não pode passar, moço – resmungou Millie e saí dali antes que ele quisesse fazer questionamentos. 

Não íamos comer no carro porque senão Noah me mataria e comeria meus órgãos com pimenta e sal. Dividíamos esse carro a tanto tempo que até o demos um nome, Kriket, em homenagem ao primeiro veículo motorizado que ele teve, um triciclo com um raio maneiro na borda. 

A história com esse carro era engraçada. Já estávamos pensando em comprarmos um, para podermos mesclar os turnos, mas nenhum preço era, digamos, acessível. Até que uma amiga de Sadie, puta da vida, deu o Kriket a ela sem cobrar nada, só o queria longe de si porque ele a tinha feito passar a maior vergonha de todas morrendo bem no meio de uma rodovia movimentada. Sadie, como não precisava de um carro tão cedo, decidiu doá-lo para nós como se fosse uma “oferta entre amigos” – o que na língua dela significava: me dêem 180 pratas por essa belezinha e deixo passar.

Então com um conserto aqui e outro ali, tínhamos nosso primeiro meio de transporte compartilhado que não tinha nada a ver com metrô ou ônibus. E até que estava funcionando por enquanto. 

Dirigi por alguns minutos até chegar ao Central Park, trazendo do banco de trás a manta que Noah usou para os calafrios do resfriado. Millie pegou nossos lanches e andamos até a extremidade mais distante da grama, perto de uma árvore que ela falou que era bem legal, e percebi um tempinho depois quando já estávamos acomodados que a vista para as estrelas era melhor. 

Ela tinha feito aquilo para mim.

Um sorriso bobo cruzou meus lábios enquanto me sentava ao seu lado, deixando meus sapatos ao lado dos seus, pegando minha sacolinha com o desenho do sorrisinho e tirava meu pedido de lá.

Comemos em silêncio durante um bom tempo, observando o movimento quase nulo pelas ruas, um ou dois carros passando vez ou outra. Pra início de conversa nem deveríamos estar ali pela hora que era, passando das dez, mas não queríamos voltar para casa e descrever a noite como desastrosa. E também Millie estava taciturna demais e estava me assustando. Talvez ter dito todas aquelas coisas ao Dick não tenha subido seu ego, pelo menos não daquela vez. Era para eu ter impedido-na  – mesmo que a parte do cuspe tivesse sido o máximo. Isso nos polparia um bom esforço para quando voltassémos.

Só para vê-la mais relaxada, peguei meu mp3 e conectei os fones, colocando numa playlist mais animada e oferecendo-a um. Ela aceitou e agradeceu, respirando fundo.

– Pode me dizer o que te deixou assim?

Ela bebericou seu refrigerante, brincando com o gelo dentro do copo. Tinha me dito que era contra o uso de canudos porque matava os seres marinhos, e fazia bastante sentido por isso que pedi nossos pedidos em sacolas de papel.

– Só não esperava por isso – sussurrou, e encarou além da noite estrelada.

– Ninguém esperava – fui sincero. – Mas adorei o chute na bunda que deu no babaca. A parte da cuspida foi a melhor. 

Ela deu risada quando levantei minha mão para bater, o que o fez, balançando a cabeça. 

– Estou falando sério. Se não tivesse feito aquilo, provavelmente eu faria.

– Ah, tá. Você ia amarelar. Na parte da cuspida, quero dizer.

– O quê? – Fingi ultraje. – Agora estou ofendido. Acha que não poderia dar uma de Jack de Titanic? Quando eu era pequeno era o campeão do Campeonato de Cuspe à Distância.  

Ela fez uma careta.

– Eca, Finn!

Ri alto pelo seu exagero.

– Estou falando sério. 

– Você não ia conseguir.

– Ah, é? Ele conheceu Darth – mostrei o punho esquerdo – e Vader – e logo o direito –, aí se ferrou. Imagina se acabasse dando de cara com o Sonic.

Millie caiu na gargalhada, o que me fez sorrir. Era bom vê-la rindo. Um milhão de vezes melhor que aquela sua cara de velório. 

– Darth e Vader não são páreo para Katniss – ergueu a perna direita – e Everdeen. – Então a esquerda. – Poderosíssimas, benzinho. E por que deu o nome de Sonic a sua boca?

Ri junto com ela, jogando-a uma batata-frita.

– Porque eu posso. E ninguém é mais poderoso que o Darth. Bom, ninguém de Star Wars

– Anh… Tem, sim, senhor – contrariou me olhando como se eu fosse o ser mais estúpido de todos. – Yoda. 

– Mestre Yoda? Pelo amor de Deus, Millie, assista tudo de novo, por favor. 

– Yoda quase derrotou o Darth Sidious. Você viu que serzinho mais filho da puta? 

Pensei um pouco. Era verdade. Tinha me esquecido totalmente dessa luta épica deles, quando, para salvar o Obi Wan, Yoda o deixa fugir.

– Ah, é mesmo.

– Rá!  

A olhei com desdém. 

– Não precisa se gabar. Foi só um acerto.

– Um de vários – apontou. – Sou formada em Star Wars. I’ll look after you – cantarolou.

Voltei a menear a cabeça como se desacreditasse só para irritá-la, o que não funcionou muito porque, ao contrário, ela caiu na gargalhada. 

De repente, algo me veio a mente. Tecnicamente uma coisa que Dick disse no encontro.

– Por que não me disse que cursava inglês?

Ela parou de comer para me encarar confusa. 

– Achava que estava óbvio pelo tanto de livros que tenho no quarto e pensei que era redundante. 

– Não era muito revelador. Podia pensar que você era, sei lá, uma estudante de medicina que gostava de ler.

– Isso seria mais fácil de perceber porque a maioria dos estudantes de medicina tem livros que fazem jus ao que estudam, não é? 

Dei de ombros:

– É, pode ser. 

Millie respirou fundo e os ombros caíram tristemente, voltando a mesma reação de minutos antes. Depois encarou o hambúrguer dentro da caixa, e logo a mim, um meio sorriso nos lábios. 

– Obrigada por me acompanhar hoje. E por falar todas aquelas coisas maneiras.

– De nada. – Ela se aproximou, ficando de frente para mim, nossos joelhos se tocando. – Se precisar de um namorado falso outra vez, é só mandar um sinal de fumaça. Estarei sempre a disposição. Isso se não começar a namorar o Romeo antes.

Seu corpo enrijeceu com a menção ao garoto que gostava e automaticamente me praguejei. Não caiu nada bem tocar no nome do seu possível futuro amor quando estava terminando um encontro com outro. 

– Você é ótimo em quebrar climas – disse ela, largando o seu hambúrguer e se deitando, as mãos sobre a barriga.

– Desculpa, só…

– Não precisa se desculpar. Na verdade, vou puxar seu saco depois disso por um mês inteiro. Pode falar a merda que quiser.

Fiz o mesmo que ela, me acomodando ao seu lado, nossos pés se tocando, os delas sem nada, os meus com as meias que ganhei de Sadie no meu décimo oitavo aniversário com o desenho do PernaLonga. 

Millie entrou em um silêncio absoluto, a respiração lenta, como se aproveitasse cada segundo que tínhamos ali. Seus cabelos esparramados tinham um cheiro bom, doce, nada de baunilha dessa vez mas coco, e seu perfume era uma mistura de rosas e lírios. Os lábios perfeitos pareciam sorrir, porém sabia que não. As maçãs do rosto ligeiramente arredondadas e vermelhas brilhavam, o nariz arrebitado lhe dava a impressão de uma garotinha.

Sim, eu estava encarando-a como um idiota e não ligava nem um pouco pra isso.

– Escolha de meias interessante – disse Millie, virando a cabeça para me encarar e sorrindo.

Olhei para os pares cinzas e laranjas, arqueando as sobrancelhas.

– Não diria interessante, mas são minhas meias da sorte.

 – Sorte? – Ela franziu a testa, o canto esquerdo do lábio repuxado em desdém. – Essa noite foi uma merda. 

– Você acha?

– Tenho certeza. Faltou isso aqui para eu não ser presa por assassinato – disse ela, forçando um espacinho mínimo entre os dedos.   

Dei risada.

– Mas você está melhor agora, né?

Seu suspiro lento e prazeroso foi minha resposta. 

Porém ainda precisava de palavras.

– Claro. Você me faz sentir melhor.

– É bom saber disso.

E, de um segundo para o outro, ela se aconchegava em mim, passando um braço por cima do meu peito e entrelaçando sua perna a minha. Me assustei, meu corpo ficando tensionado, mas forcei meus membros a fazerem alguma coisa e logo me vi puxando-a para mim também. 

Um abraço não mataria ninguém, né?

– Você é especial, Mills – sussurrei.

– Como?

– Não sei.

Ela subiu o olhar ao meu, nossos rostos próximos. Por Deus, não. 

– Como não pode saber? 

– Por que faz tantas perguntas?

– Porque gosto de bastante respostas – replicou e me lançou um olhar de reprimenda. – E não tente mudar de assunto. 

– Eu apenas não sei, Mills. É difícil explicar. 

– Tente – disse ela num suspiro.

Encarei seus olhos castanhos, ponderando a ideia de fingir demência e bater a cabeça na árvore para desmaiar. 

– Você deixa as pessoas relaxadas. Posso ser eu mesmo quando estou com você. 

Os lábios vermelhos se curvaram num sorriso e acariciou meu rosto, tocando da minha testa até a curvatura da boca, o indicador lento mas decidido enquanto passeava por cada parte de mim.

– É bom saber disso. Também me sinto bem quando estou com você. 

Ela se aproximou e sua respiração bateu diretamente na minha boca e quase ia me entregando. Quase mesmo. Faltou bem pouco, porém a imagem de Lilia sorrindo surgiu na minha mente como se fosse um pequeno flashback e me afastei tão depressa de Millie que parecia que ela pegava fogo ou estava coberta de ácido. 

Me sentei, passando as mãos no rosto e suspirei, cansado. Por que tudo tinha que ser tão confuso? Será que eu não podia simplesmente fazer as coisas sem preocupações como um jovem comum?

Millie se apoiou nos cotovelos franzindo a testa.

– Por que foge? 

– Do que está falando? – perguntei.

– Por que foge de algo que quer?

A olhei de soslaio. 

– Você não sabe o que quero, Millie Brown.

– Oh, agora está falando como o Richard. E, sim, sei o que quer. Você me quer.

Dei uma risada incrédula querendo esconder que ela estava certa mesmo. Eu a queria. 

Mas, como se a situação toda fosse um filme clichê dirigido por algum diretor pouco conhecido, não podia tê-la.

– Não acha que é muita presunção falar uma coisa dessas e esperar uma confirmação? 

– Não. Eu levaria como uma verdade. 

– Mas eu não – rebati, me virando para encará-la. – Não tente bancar a desentendida, não lhe convém. 

– Você não sabe o que me convém. 

– Tenho um pouco de ideia.

– Então diga.

 – Sempre achar que tem certeza de algo, fazer o que te der na telha e sofrer as consequências depois.

Ela estreitou os olhos para mim com desconfiança. 

– Isso não tem nada a ver comigo, né?

Não.

– Sim, tudo a ver.

– Sei que está mentindo.

– Ah, sério? Está lendo minha mente também, Jean Grey? 

Ela sorriu de uma maneira diferente jogando a cabeça para trás e o sorriso, segundos depois, virou uma gargalhada. Seus ombros começaram a tremer descontroladamente e os cantos dos olhos ficaram tão estreitos que tive de forçar a visão para enxergá-los.

– Do que está rindo? – perguntei irritado.

– De você! Dãã. Você não foge do que quer; tem medo de gostar demais e ficar gamado. 

A encarei como se estivesse diante de uma louca. 

– Agora isso que eu chamo de presunção. 

– Admite.

– Você que deveria ter medo, Mills.

Seus olhos encontraram os meus e neles vi um brilho ofuscante de malícia e desafio.

– Do quê? 

– De gostar tanto e não poder viver sem.

Ela balançou a cabeça e voltou a se deitar, mais relaxada que o normal. Passou pelo menos três minutos sorrindo e começava a achar que tinha paralisado ou que tinha dormido – fala sério que eu teria que carregá-la até o carro – quando sussurrou a seguinte palavra que foi minha perdição:

– Prove.

Merda, ela devia saber que eu tinha um fraco por desafios.

Fechei os olhos e ponderei por tempo demais o que faria. 

É o certo? Devo me arriscar? O que aconteceria? As consequências seriam tão ruins assim? 

Uma tentativa não faria mal a ninguém. 

Se não tentasse, nunca teria essa resposta. E além do mais Millie também estava disposta a se colocar em risco em busca de provas. Era um trabalho mútuo, o que significava que se algo desse errado, a culpa não seria só minha.

Um problema a menos.

Vamos ver os próximos.

Então engatinhei até parar sobre ela, prendendo suas pernas entre as minhas e me apoiando nas mãos em cada lado da sua cabeça, fazendo um sorriso vitorioso brilhar em seu rosto. Ela apertou meus braços, subindo até os meus ombros e entreabrindo os lábios devagar.

Problema número 2.

Sentindo-me, no minímo, o ser humano mais corajoso do mundo, me abaixei e toquei sua boca com a minha numa baixa pressão, apenas um arrastar. Fechei os olhos com força e suspirei pesadamente, me sentindo amolecer. Mas mantive-me firme. E, aos poucos, aprofundei mais o beijo.

Quando seus lábios se abriram de novo e me convidaram, senti que estava perdido. Sua língua tocou a minha devagar, depois ferozmente, e suspirei. Acariciei seus cabelos, me deliciando com seus suspiros e a forma que me apertava. Ela sorriu e pegou meu lábio inferior, puxando meu rosto para si e enfiando os dedos em meus cabelos, as pernas ganhando vida própria e se entrelaçando ao redor dos meus quadris, puxando-me mais para perto. 

Jesus. Problema número 3.

Me afastei apenas para observar seu rosto, os lábios rosados e as bochechas coradas e, com uma liberdade nunca presenciada, minha mão foi parar na sua coxa esquerda, prendendo-na mais em mim, e ela gemeu enquanto voltava a me beijar, o calor dos nossos corpos expulsando o frio nova-iorquino.

Como uma criança sapeca, ela pegou os fones esquecidos e sem separar nossos lábios conectou no seu ouvido um lado, e no meu, outro. A melodia de The Reason preencheu o silêncio da noite e nos fez esquecer que estávamos em um local público e que corríamos o risco de sermos roubados ou alguém passar e ter a linda visão de dois jovens se agarrando como se estivessem sozinhos no mundo.

And the reason is you – cantarolou ela, sorrindo. 

Problema 4.

E então me beijou de novo, um milhão de fogos explodindo ao nosso redor. Seus lábios eram doces e macios como sempre imaginei, e ela era lenta e decidida, e até melhor do que minha imaginação. 

Estávamos indo bem. Nenhuma linha sendo cruzada, a cautela nos cercava, mãos nos lugares certos, lábios também. Até que as coisas esquentaram não sabia dizer como e logo me vi sendo mais rápido, nossas bocas se preenchendo com mais urgência, suas unhas arranhando minha nuca e sua perna esquerda subindo para a minha… Santo Deus. 

Millie parecia desesperada por mais. E eu também, admito, mas tinha que parar bem ali senão estávamos ferrados.

Quando ela ia fazendo o movimento de desabotoar minhas calças, segurei suas mãos e me afastei relutante. Encarei seu rosto, respirando fundo e pedindo controle aos céus, e ela abriu os olhos pesados, como se estivesse com sono.

– O que foi? – Sua voz estava rouca e baixa.

– Paramos por aqui. – A minha estava dez vezes pior e dava a impressão que eu era um monstro. 

– O quê? Por quê? 

Balancei a cabeça e consegui soltá-la de mim, voltando a me sentar e repassando os últimos minutos mentalmente.

– Porque mesmo.

– Ai, meu Deus – murmurou ela cobrindo a boca inchada com a mão. 

É. Ai. Meu. Deus.

Lembrei de como voltar a respirar e tentei controlar os ânimos… afoitos do meu corpo.

– Já teve sua prova? – perguntei. 

– Ô se tive.

– Que bom. – Me levantei e comecei a recolher nossa sujeira. – Acho melhor irmos para casa, está tarde.

– Você está bem?

Sua voz a centímetros de mim me fez virar automaticamente e então encarei seus olhos castanhos lindamente brilhantes. Ela assim, tão perto, só me dava mais vontade de mandar o foda-se e continuar o que tínhamos parado.

E isso não ajudou nada com as reações do meu corpo. 

– Melhor impossível. 

Ela sorriu e se aproximou, o que me fez recuar um passo. Meu Deus, o que estou fazendo?

– Está com medo de mim?

Na verdade, não. Só não queria que visse meu estado. Seria vergonhoso. Por isso estava tão escondido no escuro.

– Por que estaria?

Ela estreitou os olhos, curvou a cabeça, olhou-me de cima a baixo, parando bem na minha expressão culpada, ficou em silêncio e então algo lhe surgiu. Seu rosto foi tomado pela malícia e não pôde segurar a risadinha que escapou.

Descoberto. Não faça a expressão de pervertido senão vai ser pior a humilhação

Então para minha surpresa ao invés de me zoar, apenas deu uma piscadela cínica e tocou meu peito. Minha respiração ficou uma merda e meus olhos se arregalaram pelo pânico. Se ela me beijasse de novo, eu iria me odiar para sempre porque não ia parar por nada. 

Se apenas com um beijo podia ter problemas sérios, imagina o aconteceria se suas mãos entrassem em jogo também… Eu ia me ferrar bonito.

Mas ao contrário do que achei que faria, apenas se inclinou e sussurrou no meu ouvido:

– Você não é o único.

Me deu um rápido beijo, puxando meus lábios para os seus por uns três segundos e depois roçando-os de leve. Ia lhe puxando para mim de novo, só que ela se distanciou, sorriu ao ver minha expressão incrédula, deu um tapinh no meu rosto e saiu na frente me deixando sozinho.

E completamente mortificado.

O que eu tinha feito? Onde estava com a cabeça? 

A observei se afastar saltitante e conectar os meus fones no ouvido, ajeitando a bolsa ao ombro. E enquanto via isso, notei que queria mais mesmo. 

Não ela.

Eu.

O MAIOR problema de TODOS. 


Notas Finais


TEVE BEIJO FILLIE CJUPA ESSA BANANA

NAHAHANANANANANAJJAJAJAJAJA

até semana que vem e vem vem


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