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História Eu desafio você - Capítulo 4


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Notas do Autor


olá meus dengos, como vocês estão? Eu espero que bem, ainda mais com toda essa situação tão ruim que estamos vivendo... Não esqueçam de sempre lavarem as mãos e se hidratarem, ok?

pois bem! eu não demorei muito para atualizar dessa vez né? Me sinto até um pouco orgulhosa por ter conseguido finalizar o capítulo em menos de uma semana. Esse capítulo que foi MUITO complicado de se escrever por ter uma carga emocional gigantesca, tem pontos chaves que olha... vai mudar todo o rumo da nossa história, fazendo nós entrarmos na reta final de edv!

obrigada por betar o capítulo leo, não sei o que seria de mim sem você :( ❤️

sem enrolar muito, eu espero que tenham uma boa leitura! ❤️❤️❤️

Capítulo 4 - Eu desafio você a tomar o primeiro passo


Depois da prova de Chanyeol, os dois colegas não se viram naquela semana, tudo porque não haveria aula nestes dias. O castanho não enviou mais nenhuma mensagem para o maior desde o dia que eles se abraçaram em frente a escola e lhe acompanhou até o ponto de ônibus; com um simples sorriso de despedida nenhum dos dois mantiveram mais contato. Baekhyun tinha quase certeza que se o contatasse ainda naquela semana ele estaria forçando o mais novo a algo que talvez ele não quisesse, já Chanyeol, bem, ele estava com suas inseguranças e pensamentos nada bons presos em sua cabecinha fraca; todo esse temor cresceu de maneira imensa depois que o dia seguinte após sua prova chegou. O maior esperou por uma mensagem do baixinho, mas essa nunca vinha e isso desencadeou vários pensamentos no míope, que apenas se afundou mais nessa imaginação fértil que ele tanto tinha. 

Tudo parecia estar muito confuso, seus sentimentos estavam estranhos demais, doloridos de tal forma que fazia o seu peito doer. Pensar em Baekhyun, lembrar do beijo dado na segunda feira, lembrar do quanto aquele adolescente o ajudou, o quanto lhe apoiou… Aquilo trazia o desespero a Chanyeol. Ainda mais agora que ele não falava sobre seus sentimentos temendo receber respostas que ele nunca gostaria de ouvir. Por isso ele se mantinha naquela bolha onde ele pensava e pensava constantemente no que faria, e no que provavelmente ele era para Baekhyun e vice-versa. Embora estivesse dessa forma tão sumida naquela semana, o grandão não esperava que Jongin se mostraria um grande amigo – não que ele não fosse, mas ele estava em um nível superior –, por estar ligando para ele todos os dias sem falta, conversando consigo como se soubesse de cada coisinha que estava passando por sua cabeça. Não era algo estranho o moreno estar fazendo isso, muito pelo contrário, o mais novo sempre fora atencioso a esse ponto de ligar e se manter por várias horas em ligação. Todavia, algo parecia estranho. 

Naquela sexta-feira a noite o grandão recebeu a ligação do seu amigo, por mais que não estivesse muito no clima para conversar com o outro – tudo porque ele estava um pouco cabisbaixo pelo sumiço do baixinho de lindos fios marrons –, mas mesmo diante desses sentimentos ele atendeu e pode notar quão animado o seu amigo estava e o quanto ele se esforçava para levá-lo a esse mesmo patamar da alegria, porém, convenhamos, Chanyeol não estava nenhum pouco afim de afastar aqueles pensamentos, já que essa era a única maneira de ter o Byun por perto. Eu sei, eu sei, nosso amigo de estatura alta lida com a saudade de maneira estranha, mas não o julguem, certo crianças?

Soltando um suspiro comprido perante a mais uma risada vinda do seu amigão do peito, este rolou na cama e fechou os olhos enquanto escutava uma espécie de história maluca que o Kim tinha vivenciado no dia anterior com um balconista. O maior estava literalmente ligado no automático questionando-se sobre o que ele pode ter feito para afastar o Baekhyun dessa maneira. Naquela altura do campeonato ele já estava se amaldiçoando por ter pedido um beijinho do outro, afinal, tudo indicava que o erro estava ali. Até porque, onde ele estava com a cabeça de pedir isso para o seu colega? Era óbvio que o baixinho tinha o beijado por pena, uma caridade. Mesmo que fosse doloroso pensar dessa forma – por algum motivo desconhecido para o aluno de estatura alta –, lembrar da cena do mais velho próximo a si, sorrindo de maneira pequena enquanto o questionava sobre a permissão para tomar seus lábios; ah, beijá-lo trazia uns borbulhos tão estranhos em seu corpo. Chanyeol não sabia se o motivo do desencadeamento desses sentimentos tão bons vinham por ser o seu primeiro beijinho verdadeiro, mas todo aquele misto de sensações pareciam tão vivos dentro de sua pessoa, que nossa, Chanyeol se via como um pateta repleto de borboletas no estômago. Entretanto, isso era normal, afinal, era a primeira vez dele nesses tipos de coisas, correto?

 

Chanyeol? Terra chamando Chanyeol! — da outra linha o amigo de pele bronzeada o chamada diversas vezes, até ouvir um murmúrio vindo deste, evidenciando que tinha conseguido recuperar a sua atenção por fim — Qual é cara… Já estamos em plena sexta-feira, que tal você me falar o que tá rolando com você? 

— Eu não sei do que você está falando, não tá rolando nada, ué. — se fez de desentendido na maior cara de pau. Chanyeol sabia desde o princípio que o seu amigo conseguia pressentir o perigo de longe, ainda mais quando esse perigo se tratava dos sentimentos do grandão — Eu estava apenas assistindo televisão e me distrai.

Sei… Queria saber mais sobre essa magia maravilhosa de assistir televisão com esse silêncio todo, sabia? — por mais que não estivesse vendo a cara do seu brother, o míope tinha quase certeza que ele estava com um imenso sorriso debochado, já que o seu tom de voz indicava que ele não acreditava em nenhuma palavra sua — A Yoora me disse que você estava estranho, desde segunda. Tem certeza que não tem nada pra me falar?

 

O míope sempre soube que tinha um caroço naquele angu! Era óbvio que Jongin tinha duas bolas e nenhuma delas era de cristal, então ele não podia imaginar que Chanyeol estava estranho apenas pelas forças do além, bem, só se formos considerar a filha dos Park's dessa forma, já que seria bem válido. O mais velho nunca imaginou que seu melhor amigo e sua irmã estariam nessa falcatrua de troca de informações, porque no fim, ele sabia que a sua irmã queria mesmo era saber se tinha alguém envolvido nesses sentimentos estranhos. E por mais que Chanyeol quisesse negar, tinha sim alguém envolvido nisso, e nossa, tudo isso estava lhe deixando maluquinho da Silva.

Ouvindo um pequeno arranhar de garganta do outro lado da ligação, ele soltou um suspiro longo. No fim das contas Park não podia esconder por muito tempo tudo que estava passando em seu peito e o que aconteceu na noite de segunda. O moreno era o seu melhor amigo e o único que conseguia manter um diálogo íntimo ao ponto de mencionar os seus sentimentos mais obscuros. Baekhyun também tinha esse dom… Porém, digamos que falar sobre seus próprios sentimentos com o culpado de tudo não seria a melhor coisa a ser feita, não é mesmo? Por isso, o jovem de fios cacheados decidiu abrir o jogo com o Jongin.

 

— Eu não sei Nini… Está tudo tão estranho, eu não sei lidar com nada que estou sentindo. — resmungou virando-se na cama acabando por abraçar o próprio corpo, mantendo-se em posição fetal. Jongin sabia muito bem o que seu amigo estava fazendo, afinal, o barulho dos lençóis contra o telefone e o tom de voz do outro denunciavam tudo. O grandão sempre encolhia-se quando estava com seus sentimentos descontrolados.

Aconteceu alguma coisa para você estar dessa forma? Até onde estou lembrado você estava estudando com o Baekhyun a semana inteira. Assim vou pensar que aquele bobão fez alguma coisa com o meu bebezão. — soltou num tom brincalhão, porém, ao ver que não recebeu nenhum comentário envergonhado ou irritado, Kim pode achar o ponto chave do problema mediante àquela tensão que os cercou — Espera, aconteceu alguma coisa entre vocês dois? Pensei que a amizade de vocês estava de boa. Você só sabia me falar o quanto era divertido estudar com ele. — claramente o moreno estava alfinetando uma região muito sensível do amigo. Ele tinha certeza que o "culpado" pela confusão causada na mente do outro tinha o sobrenome de: Byun.

— Nossa amizade é boa… Ou era, vai saber… — continuou com os murmúrios ainda abraçando o seu próprio corpo com uma força tremenda, ele estava inseguro, com uma imensa dor no peito. Sempre que ele expunha um pouco do que estava sentindo, um gigantesco temor o invadia, o mais alto tinha medo incomodar seu amigo, ou até mesmo, passar uma imagem dramática para o outro.

Como assim: "era"? Vocês brigaram? Eu achei que isso era uma coisa impossível, já que... Bem, vocês sempre estavam em outro mundo. — soltou sem medo algum, acertando em cheio o coração de Chanyeol. Que droga, por que saber a opinião das pessoas de fora sempre o chocava? Baekhyun e ele nunca estavam dessa forma, o grandão tinha certeza disso, tudo só se passava de um surto do moreno.

— Eu acho que estraguei tudo, sabe?... Eu… — sua voz foi morrendo aos poucos e seus olhinhos encheram-se de lágrimas. Era simplesmente desesperador não saber colocar em palavras o que ele sentia, temer dar um nome para cada emoção que percorria a sua pele. Chanyeol nunca foi bom em lidar com seus sentimentos, ainda mais quando eles envolviam outras pessoas, ele se via preso em um cubo que o sufocava a cada segundo vivido ali dentro — Nós… Nos beijamos e foi por minha culpa, eu pedi por isso. 

 

Com toda certeza aquela frase acertou em cheio o garoto do outro lado da linha. Convenhamos, o grandão nunca demonstrou ter atitude em momento algum de sua vida, então quem iria imaginar que ele teria com alguém, ainda mais com o garoto que ele dizia ser o mais bonito e legal daquele colégio. Isso tudo só comprovava todos os pensamentos do mais novo, e de alguma maneira, ele estava um pouco tranquilo por ser Byun por estar recebendo o coração do seu melhor amigo; Kim conseguia ver nos olhos de Baekhyun algo que ele nunca tinha visto antes: um carinho tão puro. Soltando um suspiro, sinalizando que ele estava se recuperando daquele baque, ele pode ouvir alguns fungos do outro lado da linha, denunciando que Chanyeol estava chorando baixinho. Aquilo partiu tanto o coração do menor.

 

Chan, o que te faz pensar que estragou tudo só porque pediu por um beijo? Se o Baekhyun te beijou foi porque ele quis, não tem porquê se culpar por isso! — na tentativa falha de tentar consolar o seu amigo, ele pode ouvir o outro tentar falar alguma coisa, porém, acabava em mais choros e soluços. Aquilo tudo era tão doloroso — Yeol, eu preciso que você se acalme, agir desse jeito não vai te ajudar em nada, só vai te machucar, meu campeão.

 

Era tão difícil cessar os choros do seu melhor amigo, já que o mais alto estava sempre escondendo tantas dores, tantas angústias, essas que tinham proporções gigantescas que quando liberadas, não tinham um fim tão cedo. Tudo que restava era esperar Chanyeol recuperar o seu fôlego, mas Jongin sabia que não era o momento para isso, o seu amigo tinha que jogar para fora esses seus pensamentos; esse sentimento de culpa que estava o corroendo a semana inteirinha.

 

Eu tenho certeza que não tem nada de errado nisso tudo, sabe? — murmurou mediante a um período de tempo que eles ficaram em silêncio, apenas com o som de choro entre os dois jovens mostrando que a ligação não fora encerrada — Vocês se beijaram uma vez, tranquilo, foi por causa de um jogo e você sabe muito bem que Baekhyun não é muito fã dessas coisas. — Chanyeol não sabia ao certo onde o seu melhor amigo estava querendo chegar, mas se recordar de como tudo tinha começado, arrancou por completo o ar do seu pulmão, ah, lidar com aquele emaranhado de emoções sempre foi tão complicado — O cara além de ter te ajudado no dia daquela festa, ainda se ofereceu para te ajudar nos estudos. Você sempre me disse o quanto ele era sorridente e divertido… Além do mais… Ele parece ser muito carinhoso com você, Chanyeol. Eu tenho quase certeza que a amizade de vocês não acabou.

— É fácil pra você falar… — murmurou tentando conter os soluços e fungadas, mas isso se tornou algo totalmente inevitável no momento, já que tudo parecia desencadear mais e mais gotejos — Nini, eu sinto que tudo que ele fez por mim foi apenas movido por pena… Ninguém pode ser tão carinhoso e legal assim com alguém, Baekhyun não existe, não pode existir. Eu tenho certeza que estou vivendo em um outro universo onde coisas boas estão acontecendo, mas… Como sempre eu não sou m-merecedor disso e acabo estragando t-tudo… — sua voz chorosa vezes falhava enquanto ele continuava seu discurso tão doloroso, provocando uma expressão triste do ouvinte de todo aquele desabafo.

Você esta se ouvindo, Chanyeol? Por que raios Baekhyun teria pena de você? Tu não é um pobre coitado que tá necessitando de misericórdia de ninguém, ele te ajudou, ele te beijou duas vezes porque ele quis ninguém faz algo por pena, sabia que hoje em dia existe algo chamado: liberdade? Eu acho que não, porque você se priva tanto dela. — soltou um pequeno suspiro tentando controlar a sua própria vontade de chorar, ele era tão sentimental quanto Park, porém, se mantinha um tanto firme já que sempre segurava sua vontade de cair em choros naqueles momentos, pois, senão, aquela ligação seria virada num mar de lágrimas — Você se priva de falar o que sente para os outros, você se priva de ser “você” mesmo em casa, se priva até mesmo de viver novas experiências. Chanyeol, eu sei o quanto você tem medo de se machucar e entender tudo que você sente, mas você tem que entender que a vida é feita de dor e alegria. Para ter um momento alegre você deve ter esse momento triste.

 

O silêncio que se instalou entre os dois amigos era amedrontador, Jongin sabia que talvez tivesse dito coisas demais para uma cabecinha tão confusa igual a de Park, mas ele precisava ouvir aquilo, ele precisava lembrar que nem tudo que acontece de ruim nessa vida é por sua culpa; o estudante de fios castanhos era um anjo de pessoa, não merecia nem um terço dos sentimentos ruins que o cercavam, ele merecia a felicidade. Kim queria tanto tirar toda aquela dor do peito do seu melhor amigo, ou pelo menos, lhe ajudar a carregar um pouco daquele fardo tão pesado.

Por outro lado, o míope tinha o seu corpinho envolvido na coberta quentinha enquanto enterrava o seu rostinho naquele travesseiro fofo, mantendo os seus sons abafados além da conta. O grandão sabia muito bem que o moreno tinha razão no que estava falando, mas isso não tirava o fato de ele ter tanto medo de viver, colocar seus sentimentos tão frágeis assim exposto para o mundo. Pensar que mesmo ele vivendo naquele casulo super protetor já estava provento de sofrimento, imagine sem ele? Céus, seu coração iria pifar de vez. 

Com o passar dos minutos, a sua respiração foi se acalmando, junto com a velocidade que as lágrimas que escorriam por seu rostinho, até que restasse apenas o seu nariz fungando várias vezes. Por mais que tivesse demorado para ter recuperado o seu senso, ele sabia que o mais baixo ainda estava do outro lado da linha, já que a sua respiração abafada era audível para ele, e de certa forma, ouvir a respiração alheia o ajudava a buscar uma tranquilidade interior.

 

— Ele não me mandou nenhuma mensagem desde terça… — murmurou por fim quebrando aquela linha silenciosa entre eles. Jongin quase deu uma pequena risada ao receber aquilo como resposta depois do seu imenso discurso e vários minutos de choro.

E você mandou alguma mensagem para ele? — lhe questionou no mesmo segundo, recebendo uma resposta negativa. Por mais que o moreno soubesse o jeitinho do grandão, ele queria bater no seu melhor amigo. Como ele se permitiu chorar tanto se a solução da metade dos seus problemas era tão óbvia? — Eu posso saber porque o senhor não mandou uma mensagem para aquele garoto? 

— E-eu não queria incomodar… — respondeu num fio de voz enquanto encolhia mais o seu corpo naquela coberta, acabando por abraçar-se mais — Ele já me ajudou tanto, acho que ele merecia um descanso…

 

Definitivamente Jongin queria socar a cara do seu brother. Ele estava morrendo de saudades daquele Byun baixinho, mas estava ali mantendo tudo dentro de si com medo de incomodar? Aquela história o moreno não engolia mais, ele sabia que tudo se tratava da simples frase: “eu sou incômodo na vida dos outros”; Park conseguia se excluir facilmente das pessoas, mas a questão é que: o estudante alto estava fugindo do menor ao mesmo tempo que queria estar perto dele. Parecia ser a coisa mais ridícula do mundo, mas Kim tinha a plena certeza que era exatamente isso que estava acontecendo.

 

Chanyeol, não passou por essa sua cabecinha linda que talvez o Baekhyun esteja esperando você chamar ele? Pensa comigo, foi ele que conversou com você naquela festa, foi ele que te chamou para oferecer ajuda… Não acha que talvez ele esteja com esse mesmo medo que tu está sentindo? — como se jogasse um balde de água fria na cara de Chanyeol, o garoto arregalou seus olhinhos jogando os seus óculos para longe naquele colchão, sentando-se por fim na cama.

 

Aquilo não podia ser verdade, porque raios Byun baekhyun, o garoto que todos gostavam, estaria com receio de lhe mandar uma mísera mensagem? Não fazia sentido uma coisa dessas, mas por algum motivo, pensar naquela hipótese tão “tapa buraco” acendeu uma chama pequena de esperança dentro da sua pessoa, afinal, essa pequena ideia excluía por alguns segundos o pensamento de que o baixinho fofo estava irritado consigo pelo ocorrido de segunda a noite.

 

— Você acha que eu devo mandar alguma mensagem pra ele?... E se ele realmente não quiser mais ser meu amigo, Nini? — o questionou num tom choroso que causou um sorriso pequeno do mais novo, ah, Chanyeol não via mesmo as coisas ao seu redor, e de certa maneira o adolescente de pele bronzeada não o julgava, pois, sabia como o outro funcionava.

Eu acho que você não deve pensar nas coisas negativas, porque as positivas têm mais chance de acontecer do que as negativas, entende? — comentou tentando tranquilizar aqueles dois metros de insegurança, era uma tarefa meio complicada, mas o menor dentre eles se virava no máximo que dava — E se ele realmente não quiser ser mais seu amigo, isso só mostra que aquele boboca não merece ter você na vida dele.

 

Chanyeol podia muito bem negar cada ponto que seu amigo levantou, porém, ele não queria mais gerar aquela discussão tão cansativa, por isso, ele apenas aceitou quietinho mesmo que sua mente não estivesse nenhum pouco aliviada. Como sempre, falar sobre seus pensamentos o tranquilizava um pouco dos muitos sentimentos que o invadia, todavia, não os livrava deles, nunca. Cada sensação sua podia ser facilmente comparada com um buraco negro, tão imenso e vasto que pode engolir qualquer emoção boa que seu corpo expressasse. Sinceramente, sentir-se dessa forma era tão desgastante, sempre o colocava num looping de pensamentos e questionamentos tão deprimentes.

 

— Tudo bem, eu vou ver o que posso fazer… — suspirou de uma maneira cansada, deixando o seu corpo escorrer no colchão até que estivesse deitado novamente, encarando o teto do seu quarto.

Não se force a nada, tudo bem? Só saiba que se caso quiser chamar o Baekhyun, você pode, e ele não vai te xingar por isso, entende? — continuava mantendo aquele tópico vivo quase como se reforçasse mais a sua ideia e plantasse na mente alheia que: Chanyeol não era incomodo algum e nunca seria, ainda mais para Baekhyun. 

— Obrigado, Nini. — murmurou fechando os olhos ao ouvir o seu amigo de longa data falar que não era necessário lhe agradecer. Porém, o grandão sabia muito bem que precisava, já que aguentá-lo não era uma tarefa fácil, sabia muito bem quão complicado era, e bem, Jongin era um amigo perfeito que sempre lhe acolhia da maneira que ele conseguia — Jongin… Eu tenho que te falar uma coisa.

Não faz esse tom de voz, parece que eu fiz alguma merda. — tentou brincar para aliviar a tensão, mas na verdade, não adiantou muito já que ele estava apreensivo, eram raras as vezes que Park utilizava de um tom sério.

— Não é com você, é comigo. — o alertou tentando tirar parte da preocupação do outro, mas isso causou o efeito contrário, triplicando a preocupação do moreno — Eu estava pensando... E cheguei a conclusão que eu preciso de ajuda, Nini. Esses meus sentimentos, eles não são normais… Eles machucam demais. — ele murmurou num tom que ia morrendo à medida que ele terminava de pronunciar as suas palavras, até que, respirasse fundo e completasse sua ideia de início: — Semana que vem vou começar a ir no psicólogo.

 

Jongin já tinha passado por muitas coisas em sua vida, fazendo com que ele tivesse sentimentos inigualáveis, porém, nada se comparava ao sentimento de ouvir as palavras de Chanyeol. Ver o reconhecimento de Park sobre seus próprios sentimentos foi um misto de preocupação e alívio, porque agora ele começaria a procurar um especialista na área, que iria cuidar do seu coração e dos seus sentimentos tão ruins. Kim sempre teve medo de mencionar ao seu amigo o quanto suas emoções eram erradas, sentir medo, ansiedade e tristeza era algo normal, mas o que os tornavam anormal era a abundância destes. O míope estava em uma grande decadência graças a si mesmo, ele mesmo era sua própria destruição.

 

C-chan… — a sua voz falhou. Jongin sempre era muito forte, mas naquele momento ele quis mais do que tudo desabar em choros e alertar quão feliz estava com aquela decisão que partiu dele — Eu estou tão orgulhoso de você, saiba que eu te apoio mais do que tudo, se for necessário eu vou com você em todas as sessões, cuido de você, eu só quero te ver sorrir de uma maneira leve, sem nada nesse seu peito.

— Você é o melhor amigo que eu podia ter. — sorriu de maneira pequena com os seus olhinhos gotejando algumas lágrimas que nasceram ao ouvir o tom carregado de alegria e carinho vindo do outro lado da linha — Obrigado, Nini. Eu sei que vou precisar muito de algum apoio para não desistir…

Você pode contar sempre comigo, grandão. — sorriu mesmo sabendo que o outro sequer iria visualizar aquele gesto tão bobo — Você já falou com os seus pais?

 

Com toda certeza aquele era um assunto delicado, e Jongin sabia muito bem disso. Os pais de Chanyeol sempre cooperaram para o maior ter esses diversos problemas tanto de auto estima, quanto os picos de ansiedade que lhe atingiam, e no fim, sempre alegavam que esses sentimentos eram apenas ilusões, já que nunca o viram chorar feito um bebezão com medo de ser insuficiente em qualquer coisa que fizesse. Kim agradecia aos céus pelo amigo ter uma irmã igual a Yoora, por sempre lhe acudir e o ajudar de uma maneira singela e única. 

 

— Não, e nem vou. Você sabe como eles vão reagir se eu falar isso. — respirou fundo deixando que as lágrimas escorrem por seu rosto vermelhinho. Ele amava seus pais, mas a pressão que eles lhe davam era algo sufocante, era algo quase que desumano — Eu vou conversar hoje com a Yoora sobre isso…

Eu entendo, mas saiba que não pode esconder isso para sempre, né? Eles também tem que melhorar, te tratar com muito amor e carinho! — dizendo num tom um pouco grosso, Chanyeol conseguiu perceber o quanto o amigo estava se irritando com o fato dos seus pais estarem sendo mencionados na conversa. O jovem mais alto sabia muito bem que o moreno não compactuava com a maioria das coisas que eles pregavam no seu ser, mas não tinha muito o que ser feito, eram seus pais — Só… Saiba que se precisar de qualquer coisa, pode contar comigo, tudo bem? 

— Eu sei… Obrigado, Nini, eu te amo demais, tá? — segredou num fio de voz dando um sorriso pequeno em meio ao chorinho baixinho. Eram raras as vezes que eles partilhavam daquelas três palavras, entretanto, mesmo que não seja algo frequente, ambos sabiam o quanto aquela amizade era envolvida por amor e carinho.

Também te amo bobão. — devolveu aquelas palavras no mesmo tom, só que de maneira mais divertida provocando um sorrisinho suave nos lábios desse que carregava tantas coisas no peito — Eu preciso desligar agora, mas qualquer coisa me avisa tá? Depois quero saber como foi a conversa com a Yoora.

— Tudo bem, mas não se preocupe tanto, a Yoora é a última coisa que você deve se preocupar. Mas enfim… Nos falamos mais tarde, hum? — fechando os seus olhos tentando organizar os seus pensamentos embaralhados, ele pode ouvir o seu amigo mencionar um “eu sei”, antes de se despedir e desligar.

 

Envolvido por um silêncio doloroso, Chanyeol permaneceu naquela mesma posição tentando pensar no que falaria com a irmã. Naquela manhã ele tinha mandado mensagem para a mulher alegando que queria conversar com ela depois que esta chegasse do trabalho, entretanto, ele estava perdendo um pouco da sua coragem. Não era nem por temer a negação de apoio dela, pois, uma parte sua sabia que nunca iria ocorrer isso, mas sim no que seria dito para sua pessoa. Park temia mais do que tudo que ela o fizesse a falar com seus pais, que talvez, lhe convencesse de utilizar outro meio de escapatória. A mulher nunca foi uma boba igual aos seus progenitores, porém, naquela altura o míope estava com medo de apostar todas as suas fichas na outra e acabar triste como sempre.

O jovem adolescente não soube por quanto tempo ele ficou daquela forma imerso no mundinho dele naquele quarto escuro; entretanto, em dado momento ele teve seus pensamentos jogados pelos ares quando sentiu o colchão afundar ao seu lado e uma mão delicada deslizar calmamente por sua face. Ele não precisava de muito para saber que se tratava de sua irmã, ainda mais quando a garota tratou de lhe dar um cafuné, acariciando seus fios por alguns segundos antes de murmurar:

 

— O que aconteceu? Seu rosto está molhado… — Chanyeol percebeu pelo tom de voz da garota que ela estava preocupada. Não era pra menos, o seu bebezão tinha lhe mandado uma mensagem tão estranha e não deu mais resposta alguma, deixando a adulta com o coração na mão. Ele não tinha feito por mal, jurava que não.

— Yoora… — murmurou o nome desta afastando um pouco aquela mão carinhosa, para então sentar-se no colchão e pegar os óculos que estavam largados pela cama, e por fim os colocando no devido lugar. No momento seguinte ele acendeu o abajur ao seu lado, deixando o local claro o suficiente para se enxergarem. Chanyeol tinha seus olhinhos vermelhos e inchados, enquanto a bela garota tinha uma expressão pesada e preocupada em cada traço seu — Eu… Não sei como te falar isso…

 

Era tão difícil falar dos seus sentimentos, por mais que confiasse naquela garota, sempre era um trabalho imenso colocar em palavras o aperto que ele sentia, as tremedeiras que percorriam o seu corpo, a tristeza que ocupava cada pedacinho da sua mente. Sempre seria difícil mencionar nem que seja um pouquinho dos seus reais sentimentos, mas ele precisava naquele segundo, precisava de verdade.

 

— Chan, você está me assustando… — mordendo o lábio inferior, ela segurou as mãos do irmão, podendo sentir quão frias estas estavam, denunciando que a mulher estava numa pilha de nervos. Aquilo era a última coisa que ele queria causar na mulher a sua frente — Você não precisa falar nada que não quiser, eu só não quero te ver assim…

— Não, eu preciso falar. — disse fechando os olhos com força tentando buscar algum tipo de coragem, respirando e inspirando o ar, ele não podia simplesmente desistir de tudo naquela altura do campeonato — Yoo… Faz muito tempo que eu tenho medo de tudo, medo de me relacionar com as pessoas, medo de ter sensações diferentes, medo de ser eu mesmo. Parece que a cada barreira que aparece na minha frente, uma mão vem no meu peito e o aperta até que eu não tenha nenhum vestígio de oxigênio, eu me sinto sufocado, Yoora, parece que isso vai me matar a qualquer segundo e eu tenho medo. — o grandão falou num fio de voz dando a liberdade para suas lágrimas escorrerem por seu rostinho cheio, rasgando as suas bochechas assadas de tanto secar os gotejos que saiam de seus olhos. Por outro lado, Yoora ouvia tudo levando um soco certeiro no seu estômago. Ela sempre soube que o seu irmão tinha os sentimentos apurados e vividos além da conta, mas nunca pensou que fosse naquele nível — Eu sinto que estou sozinho, um vazio enorme está comigo todos os dias, e por mais que saiba que tenho você e o Nini… Esse sentimento não some, não some, ele só cresce e cresce. — a medida que ele ia falando a sua voz ia se alterando e suas mãos tremiam mediante a sua ansiedade, seu choro estava mais intensificado e os soluços vinham de modo estrondoso. Yoora vendo aquilo o puxou para um abraço.

 

Naquele mísero segundo, o que parecia estar frágil desabou igualzinho a uma imensa avalanche, Chanyeol chorava igual um bebê num tom alto que cortava completamente o coração de sua irmã. Park estava desesperado, não aguentava mais se sentir dessa maneira tão desprezível. Ele não queria ouvir aquelas típicas frases de: “você tem a sua família”, “não sinta isso, sua vida é perfeita demais para sentir esse tipo de coisa”, porque aquelas palavras não tapavam nem metade dos seus sentimentos que rasgavam a sua alma a cada dia que se passava. Mesmo que lhe digam que ele tinha tudo, o que Chanyeol sentia mesmo era que: não possuía nada. A versão feminina de Park apertava o corpo do irmão que tremia muito; num tom miúdo era possível ouvi-lo aclamar por um alívio, que tirasse essa dor do seu corpo. E céus, se a menina pudesse ela pegaria todas as sensações ruins para si mesma apenas para não ver o seu amado caçula daquela forma.

 

— Chanyeol, meu amor, calma, eu estou aqui, não precisa dizer mais nada, por favor, não se machuque dessa forma. — ela pedia com uma voz falha, iniciando o seu choro também. Ela estava acabada, sentia-se culpada por ter deixado o seu bebezão chegar num nível tão dolorido, ela nunca se perdoaria.

— Y-yoora… — tentava falar o nome da outra agarrando-se no moletom que a garota estava usando no momento, acabando por babar nesse por inteiro — E-eu quero ajuda… Eu quero procurar ajuda, eu não aguento mais, não quero mais fingir ser alguém feliz, não quero, não quero, eu não aguento mais viver dessa forma, não quero mais ter esses picos de emoções, quero ser alguém normal, quero ser um adolescente normal… — suas falas eram atropeladas e ditas num tom desesperado, mas a mulher conseguia compreender o que estava sendo dito e apertava mais os ombros daquele garoto, o trazendo para o seu colo. Por mais que o adolescente fosse mais alto que sua pessoa, ele aceitou aquilo de bom grado e escondeu o seu rostinho no pescoço da irmã, abraçando-a com mais força.

— Meu dengo… Você não é nenhum ser anormal, você é alguém maravilhoso, eu te amo demais, mais do que tudinho na minha vida. Saiba que mesmo não entendendo metade do que você sente, eu quero te ajudar, quero cuidar de você. — ela murmurou fechando os seus olhos tentando impedir que suas próprias lágrimas fugissem dos seus olhos, mas foi um ato inútil —  Vamos cuidar desse seu coração, vamos cuidar de todos esses seus sentimentos, eu prometo para você.

— E-eu… Quero me tratar com um profissional, quero melhorar de verdade… Por isso marquei uma hora no psicólogo semana que vem… — segredou num tom abafado, fechando com força os seus olhinhos temendo a reação da irmã que se manteve em silêncio por muitos minutos.

 

Aquilo tudo estava sendo algo muito difícil de se digerir. Saber quão sofrido é a vida do seu amado irmão lhe machucou demais, tirou o seu chão por completo, ainda mais por ela pensar que conseguia fazer de tudo para atrair os sorrisos daquele pirralho que tanto amava. Yoora sabia que alguém com problemas não precisava viver sempre na tempestade para pedir ajuda, que tinha momentos de felicidade, porém, era tão chocante para sua pessoa acreditar que seu irmão estava dessa forma e ela nunca imaginou quão profundo eram as suas dores.

 

— Chan, isso é ótimo! Por favor, me avise quando vai ser, que eu vou pedir uma dispensa no dia para te acompanhar e te dar apoio. — disse num tom mais suave embora estivesse com aquele fundo choroso que o garoto nunca pensou que ouviria um dia em sua vida — Só por favor… Não esconde mais uma coisa dessas de mim, eu não saberia o que seria de mim se algo de ruim acontecesse com você.

 

Afundando as suas mãos nos fios cacheadinhos do outro, a garota fechou os olhos com força e segurou a sua respiração tentando dizer a si mesma que o garoto iria melhorar, que o pior graças ao universo não ocorreu, e que se dependesse dela, nunca viria acontecer. Os dois choravam, choravam de tristeza, choravam por não saberem lidar com aquela situação tão ruim. Yoora estava arrasada, enquanto Chanyeol estava naquele emaranhado de sentimentos, tanto ruins quanto bons, mantendo-se naquele típico mar de confusões que ele não aguentava mais estar. Muitos minutos foram passados e os dois ficaram naquela posição, até que ambos se acalmassem e se afastassem brevemente.

A mulher segurou o rostinho do seu irmão e começou a limpar suas lágrimas dando um sorriso triste, Chanyeol via o quanto os olhos da mais velha estavam molhados e avermelhados, denunciando que ela chorou quase que na mesma intensidade que si. Ele não queria causar tanta dor e sofrimento para as pessoas ao seu redor.

 

— E… Como fica a situação com o papai ea mamãe? — a questionou temendo o que a garota diria, ele não queria enfrentar os pais, pois, sabia muito bem quão cruéis eles poderiam ser com aquele tipo de assunto, ainda mais por eles terem uma situação financeira tão boa, usando isso como desculpa para os filhos deles terem a melhor felicidade do mundo, sendo que não era exatamente isso que ocorria.

— Não se preocupe com eles, pode deixar que eu resolvo essa parte, eu acho que você foi responsável demais lidando com tudo sozinho, então deixe a sua irmãzona cuidar um pouco dessa coisas, sim? — deu um pequeno sorriso continuando a alisar o rosto do adolescente calmamente, vendo-o fechar os olhos, tanto de alívio quanto por estar aproveitando aquele carinho tão suave — Eu realmente quero ir com você lá, tá?

— Não precisa, você está sempre ocupada… O Jongin disse que vai comigo se for necessário, mas eu consigo me virar sozinho. — respondeu abrindo os seus olhos, encarando a expressão séria da mulher, ela realmente demonstrava estar preocupada consigo — Não me olhe assim, sinto que sou uma criança…

— Chanyeol, você é o meu irmão, eu faria o mundo parar de girar apenas para te ajudar, então não venha com desculpas! — pela primeira vez naquela noite, ela deu uma pequena bronca no mais novo, que ao invés de ficar irritado ou triste, apenas sorriu de modo pequeno, retornando a abraçar a mulher, arrancando um risinho desta — Agora sim você parece uma criança.

— Fica quietinha, não estraga o momento, sua velhota. — ao falar aquilo ele fechou os olhinhos sentindo a garota lhe abraçar enquanto resmungava em resposta do “velhota” mencionado.

 

Apesar de tantas coisas ruins cercando Chanyeol, algo no fundinho do seu coração lhe dava um pontinho de esperança, essa que permitiu que ele desse um sorrisinho miúdo com a irmã, esse que lhe fazia acreditar que Baekhyun realmente estava esperando um passo seu, aquele que acreditava que ele não causava tantos problemas para Jongin. Park queria mais do que tudo melhorar ao ponto de sentir-se bem consigo mesmo e viver ao lado daqueles que ele mais gostava de maneira feliz, sem ter pensamentos tão dolorosos o rodando.

Naquela noite os dois se mantiveram naquela posição por muitos minutos, aproveitando daquele momento único de irmã para irmão. Em momentos assim, ambos tinham a certeza de que aquela linha parentesca não era o que ligava eles, mas sim o que eles viviam e sentiam juntos. Eles sempre estariam ali um para o outro, e aquele primeiro passo seria algo que marcaria ambos corações, fortalecendo a ligação tão única que os dois tinham.

 

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Passaram-se basicamente dois dias depois do ocorrido com Chanyeol, a sua convivência com Yoora estava mais leve, ainda mais agora que a garota estava tratando de mimá-lo da melhor maneira possível, sempre preocupando-se em como o outro estaria se sentindo. Apesar do garoto não estar nenhum pouco acostumado com isso, ele tentava relevar o imenso excesso de carinho, afinal, o grandão era grato por isso, já que a garota estava conseguindo distrair um pouco a sua mente, lhe trazendo bons sentimentos. Ele estava um pouco nervoso sobre o fato de que ela ainda iria ter uma conversa com os seus pais, mas confiava na irmã, sabia que tudo iria ficar bem e que ela iria lhe proteger igual uma leoa que cuida dos seus filhotes, porque, querendo ou não, o caçula era quase como o seu bebezinho.

E como se todas essas preocupações não fossem o suficiente, naquela tarde de domingo, Chanyeol engoliu todas as suas inseguranças e mandou mensagem para aquele que fazia o seu coração dar pequenos pulinhos estranhos, convocando-o a passar a tarde consigo. Era um pouco estranho fazer um pedido desses depois de uma semana sem trocar uma mensagem sequer com o outro? Com toda certeza sim, mas o que importava era que Baekhyun tinha aceitado e disse que estava indo até sua casa. Nem mesmo parecia que eles tinham ficado tanto tempo sem se comunicar, para falar a verdade, por mais que parecesse coisa da sua cabeça, o baixinho pareceu demonstrar uma certa alegria nas massagens de texto.

Entretanto, como se os problemas não tivessem fim, além de se preocupar em como ele iria agir com aquele que levava o sobrenome de Byun, Chanyeol ainda tinha que arranjar uma maneira de expulsar a usa irmã de casa, afinal, ele tinha esquecido totalmente do fato que a mulher tinha cancelado sua reunião no trabalho apenas para não deixá-lo sozinho em casa. Não era um problema ter Yoora em casa, mas digamos que Park não tinha boas energias quando pensava na irmã próxima do baixinho bonito; ele conhecia aquela mulher a muitos anos, sabia o que podia acontecer, e de certo modo, queria evitar isso.

Fazia-se basicamente meia hora que Baekhyun tinha dito que estava a caminho de sua casa, e pelos seus cálculos não muito precisos, não demoraria muito para que o garoto chegasse em sua casa. Entretanto, como já era de se esperar, até dado momento ele não tinha achado uma maneira gentil de falar para sua irmã achar alguma coisa para fazer em outra casa que não fosse a deles. Eu sei, eu sei, parece até loucura querer expulsar a própria moradora de sua residência, mas digamos que o míope estava desesperado.

 

— Chanyeol, você está estranho… — comentou a garota que virava para sua pessoa, deixando uma bandeja de cookies de chocolate em cima da imensa bancada. O caçula estava a um bom tempo sentado naquele banquinho debruçado na parte de mármore, lhe encarando como se quisesse anular a sua existência apenas com a força da mente — Aconteceu alguma coisa? Você não quer os cookies? São os seus favoritos.

— Ah… Não é nada. — mentiu dando um sorriso amarelo para a mulher do outro lado da bancada, vendo-a por a mão na cintura estando totalmente desacreditada naquela mentira que estava sendo contada. Desviando o olhar, o adolescente desastrado tentou pegar um daqueles biscoitos, esquecendo completamente que eles estavam quentes além da conta — Puta merda, tá quente!

— Não me diga! — ironizando, ela deu um pequeno sorriso encostando seus dois cotovelos na parte do mármore, acabado por escorar seu queixo nas suas próprias palmas abertas, observando o irmão — Você anda muito desligado, parece até que está no mundo das nuvens. Tem certeza que me contou tudo? Não está me escondendo nada?

— Sinceramente, eu não sei do que você está falando, sua biruta. — desviou o olhar novamente, retirando o seu celular do bolso, verificando se não havia chegado nenhuma mensagem de vocês sabem muito bem quem.

 

Yoora poderia muito bem rebater aquela fala dita pelo garoto, entretanto, o som da campainha a impediu de fazer isso. Ela não estava esperando nenhuma visita, por isso estranhou o som que estava invadindo a residência, tanto que, no mesmo segundo ela murmurou um  “deixa que eu atendo”, mas para sua surpresa, Chanyeol praticamente berrou um “não” e saiu correndo em direção a entrada da casa. Por mais que a garota não fosse a pessoa mais proventa de inteligência, o fato do jovem ser um furão de carteirinha fez a cabeça da mais velha viajar. O tempo do caçula da família tinha se esgotado, Chanyeol sabia disso, e agora ele teria que aturar as consequências de suas ações e a falta delas. Oh céus, ele estava tão ferrado.

Com o seu coração disparado, ele tocou na maçaneta da porta da frente, fechando os olhos brevemente tentando organizar todos os seus sentimentos antes de abrir a porta por fim, recebendo a imagem do outro como um tapa na cara. A sua mente gritava o quanto Byun estava bonito naquele dia vestindo uma roupa tão simples como aquela, quem falasse que uma calça jeans chula e um suéter ficaria bem em qualquer ser humano que ousasse vestir aquilo estaria mentindo, mas no fim das contas, Baekhyun não era qualquer ser humano.

O castanho tinha um sorriso tão belo em seus lábios, esse chegava a ser cintilantes ao seu olhar, tornando-o tão lindo. Quem o visse dessa maneira bobinha nem podia imaginar a tristeza que ele passou aquela semana inteira. Sehun era um guerreiro por ir na casa do amigo todos os dias comer sorvete e assistir aqueles filmes que lhe davam mais diabetes que o próprio pote de sorvete que eles estavam ingerindo. Byun era um bobão que estava pensando mais no bem estar de Chanyeol no que o seu próprio, deixando completamente de lado a sua vontade de chamar o grandão e matar a saudade que estava estancada no seu coração. Tanto que quando ele recebeu a mensagem do seu crush, ele fez a maior festa em seu quarto, rindo alto diante da felicidade que o cercou, abraçando o próprio corpo de uma maneira tão calorosa. Ah, o estudante popular era mesmo perdidamente apaixonado por aquele aluno de quase dois metros de altura.

 

— Olá, Chan. — murmurou o cumprimento dando um sorrisinho pequeno, surpreendendo-se quando teve o seu corpinho pequeno puxado para um abraço tão carregado de carinho.

 

Com toda a certeza do mundo, o mais novo poderia ficar o dia inteiro encarando aquele rosto tão bonito que Byun tinha, porém, ao ouvir a voz alheia, algo nasceu dentro da sua pessoa, quase como se ele estivesse com medo que o baixinho à sua frente estivesse ali perante a sua pessoa para lhe dar apenas um olá e fugir para todo o sempre. Por isso ele o abraçou. Ele estava com saudades, não queria mais perder a companhia tão boa igual a de Baekhyun, aquele garoto tinha feito uma imensa magia dentro de si, trazendo-lhe uma sensação de paz tão gostosa.

 

— Oi, Baek. — devolveu o cumprimento num fio de voz, deixando o seu queixo encostar no topo da cabeça do baixinho que o correspondia naquele abraço tão bom, ambos conseguiam sentir o cheirinho marcante e característica que cada um tinha, e de certa forma, não desejavam fugir daquela sensação tão única e boa.

 

De fato eles poderiam ficar dessa forma por muito tempo, mas digamos que o universo demonstrou a realidade para Chanyeol, fazendo ele dar um pulo para trás ao ouvir a voz feminina atrás de sua pessoa, mostrando que ela havia lhe pego na cena do crime. Ah, ele estava tão ferrado.

 

— Você vai ficar por muito tempo aí com o seu convidado e não vai me apresentar essa coisinha fofa? — a mulher disse dando um sorriso pequeno acompanhado de um risinho ao ver o desespero nos olhos do irmão.

 

A garota nunca pensou que veria o seu irmão agir daquela forma, estando mais envergonhado que o normal, dava para perceber que aquele garoto de estatura baixa era alguém que tinha um grande peso no seu coração tão bobo. Yoora não sabia quem era aquele belo adolescente, mas já agradecia tanto por fazer o seu irmão sentir coisas tão boas que estavam sendo expressas apenas com o seu olhar.

Por outro lado que tínhamos um Chanyeol completamente nervoso e envergonhado, também recebemos um Byun com um sorriso sem graça, quer dizer, ele estava praticamente explodindo por dentro. O garoto mais velho que o grandão estava conhecendo uma mulher tão bonita que, se ir pela lógica, tinha grandes chances de ser a sua irmã; o menor estava tão chocado pela família Park ser dona de toda a beleza daquele país, não era possível uma coisa dessas.

 

— Boa tarde, hum, eu sou Baekhyun! — deu um pequeno sorrisinho que aqueceu o coração dos dois irmãos que presenciaram aquele gesto. O menor sabia que o amigo estava completamente travado, então tentou tomar a frente para conhecer a cunhada dos seus sonhos.

— Oh céus, você é tão adorável! — a garota disse se aproximando do adolescente mais baixo, segurando o seu rostinho, vendo o Byun ficar vermelhinho com aquele toque materno repentino — Eu queria saber porque não fui apresentada a você antes… — murmurou fazendo um pequeno biquinho desviando o olhar brevemente do convidado, para o seu irmão. Baekhyun não conseguiu evitar de sorrir diante aquilo, afinal, a garota era a versão feminina do seu crush — Aliás, me chamo Yoora, eu sou a irmã daquele bastardo. — dando um risinho, ela retornou a encarar o jovem de fios castanhos, apertando suas bochechas brevemente, ela queria tanto fazer perguntas para aquele jovem, mas as guardou por hora — Mas você pode me chamar de maninha!

 

Com toda certeza Baekhyun derreteu-se com aquilo. O garoto não era acostumado a receber tanto carinho assim, receber sorrisos tão calorosos, porque no fim, ele era filho único e seus pais não eram bons em expressar amor e carinho; por isso, ele ficou um pouco sem reação, ao mesmo tempo que tinha o seu coração tão quentinho.

E por mais que Chanyeol estivesse um pouquinho feliz vendo os olhinhos do seu amigo brilharem, assistir ele tão próximo assim da sua irmã lhe causou um amargo no seu paladar. Ele não sabia ao certo do que se tratava essa nova emoção que o invadiu, mas uma coisa ele tinha certeza: não estava gostando muito da ideia da sua irmã tocar o Byun da maneira que ela bem entendesse.

 

— Que bonito, estou atrapalhando o casal? — soltou aquela frase ignorando quaisquer fala que fora dita anteriormente para sua pessoa, segurando por fim o pulso de Baekhyun, afastando-o de sua irmã que apenas sorriu de maneira bobinha — Você não caia nos papinhos dela, aquela garota é o próprio diabo!

— Não fale assim de mim, seu pirralho! O que ele vai pensar?! Quem olha pensa que eu faço da sua vida um inferno! — a garota dizia de maneira indignada enquanto encarava os dois com um fundo curioso, Chanyeol parecia estar com uma pitadinha de ciúmes, e bem, o pobre Baekhyun que estava no meio daquilo apenas ria ou se via confuso nas ações do amigo. Quando o seu irmão a encarou como se falasse “e você faz”, ela gargalhou — Não venha com essa cara, eu faço de tudo para te mimar, ainda fiz cookies para você!

— Cookies?  — no meio daquela guerra de irmãos, Baekhyun perguntou de maneira inocente fazendo Yoora sorrir e Chanyeol se amaldiçoar por ter um amigo tão comilão como o Byun.

— Sim, Baek! Venha, vamos comer, eles devem ter esfriado. — sendo a vez da mulher segurar o pulso do baixinho, ela o guiou até a cozinha deixando o irmão com cara de tacho para trás. Oras, a garota tinha lhe chamado por um apelido.

 

Yoora estava mais do que se divertindo vendo as orelhinhas do seu irmão se avermelharem, ela sabia que o grandão não estava com ciúmes de si, mas sim daquele pitoco de gente que estava totalmente hipnotizado pela bandeja de biscoitos, ele nem parecia notar o campo minado que estava a caminhar. Chanyeol nunca se mostrou ser assim dessa forma, nem com Jongin que a garota considerava um segundo irmão, por isso a mulher tinha quase certeza que os sentimentos do grandão pelo menino Byun eram profundos.

Com Baekhyun sentando-se num dos banquinhos em frente a bancada, ele pode ver Yoora caminhar até a geladeira alegando que faria um achocolatada para ele ter como acompanhamento. E mesmo que o jovem de estatura baixa tivesse uma educação imensa, ele não negaria tamanhos mimos, ainda mais quando se tratavam de doces, ele era educado e não bobo. O estudante popular estava tão feliz que sequer notava o que estava acontecendo entre os irmãos, nem mesmo reparou na expressão emburrada de Chanyeol quando este sentou ao seu lado. Seus olhinhos atentos focaram apenas no copo de vidro sendo pousado na sua frente, cheinho de chocolate como ele gostava; e apesar do bico, Park também recebeu um.

Chanyeol queria fazer a maior birra do mundo e não tomar aquele leite com chocolate até que a irmã os deixassem sozinhos, mas essa sua ideia foi para os ares ao visualizar Baekhyun todo alegre comendo aqueles cookies, saboreando até mesmo o achocolatado, ficando com o lábio um tantinho manchado com o achocolatado. De fato ele estava totalmente hipnotizado, e isso não passou batido pela irmã que sorria largo, parecendo que ganhou na loteria.

 

— Baekhyun, você é tão lindo, queria saber como o Chan achou um anjinho como você. —  ela disse de uma maneira totalmente aleatória fazendo o menor engasgar com o achocolatado que estava tomando, provocando a risada da garota — Você não acha, Chan? Que o Baekhyun é muito bonito?

 

Chanyeol estava praticamente ligado no automático, mas mesmo assim não conseguiu evitar de ficar vermelho, já que em seus pensamentos esse tópico estava sendo praticamente berrado em sua mente, Baekhyun era lindo de uma maneira ridícula. Park não conseguia colocar em palavras o quanto ele achava cada pedacinho do seu colega bonitão, e nossa, ele tinha tanto medo de pensar dessa forma tão perigosa, afinal, o menor era o seu amigo… Mas era normal achar os seus amigos bonitos a esse ponto, né? 

 

— Ele é… — murmurou tomando aquele chocolate que antes ele estava negando tomar, porém, agora era um caso de vida ou morte. Se ele ficasse encarando o menor por muito tempo ele iria acabar explodindo de vergonha, acabando por falecer naquela cozinha.

 

Por outro lado, Baekhyun estava totalmente vermelho encarando o amigo. O maior lhe achava bonito? Oh céus, naquele momento os anjos podiam descer e pegar o seu corpo, já que ele estava totalmente realizado e feliz com que ouvira. Os dois adolescentes eram tão bobinhos, mais tão bobinhos que a única coisa melhor do que sentir esses seus sentimentos, era capturar cada expressão envergonhada e alegre que ambos faziam quando estavam envolvidos na mesma frase. Yoora estava simplesmente encantada com aquilo tudo.

 

— Vocês estão juntos a quanto tempo? — como se quisesse colocar lenha na fogueira, a mulher simplesmente perguntou aquilo vendo o rosto do seu irmão entrar em combustão enquanto o Byun arregalou seus olhinhos e ficava negando com as mãos de maneira estabanada.

— Nós somos apenas amigos. — respondeu baixinho, e no meio daquela resposta, a mais velha dentre eles tentou fingir que não ouviu uma pequena hesitação em mencionar a palavra “amigos”. 

 

Chanyeol não sabia onde enfiava a cara dele, pelos céus, a sua irmã era uma maluca, porém, ela nunca tinha agido dessa forma, era quase como se a mais velha quisesse testar todos os tons de vergonha que o Park conseguiria atingir em questão de trinta minutos. E de certa forma, mesmo querendo explodir, ele ainda conseguiu encarar a irmã com um olhar mortal que a mulher entendeu completamente, afinal, eram muitos anos de comunicações via telepatia. Talvez ela devesse deixar o seu amado bebezão em paz, não é mesmo?

 

— Amigos… Entendo. — ela deu de ombros dando um sorriso pequeno para os dois garotos que tinham seus rostos coloridos por um tom rosado. Fazendo a volta pela bancada, ela foi se dirigindo até a saída da cozinha por fim — Eu vou deixar os dois amigos sozinhos então.

 

Utilizando de uma risadinha completamente boba, ela deu uma corridinha para sair do cômodo, já que a mulher flagrou Chanyeol pegar um pano de prato – como essa fosse a arma mais letal de todo o mundo –, para arremessar em sua pessoa. Quando os dois jovens se viram sozinhos dentro daquele cômodo, eles ficaram totalmente sem jeito por alguns minutos, mas acabaram por rir de uma maneira idiota.

 

— Desculpa a cena que a minha irmã fez, sério, eu não sei o que deu nela. — depois que as risadas sem graças se cessaram o maior foi o primeiro a começar a falar, enquanto encarava o copo de vidro que tinha menos da metade do achocolatado — Na maioria das vezes ela é louca, mas não nesse nível, então me desculpa, sério.

— Nem esquenta, eu adorei ela. — deu um pequeno risinho. Não estava mentindo, ele adorou conhecer a irmã de Chanyeol, ver a energia dela, como ela encarava o maior, de fato era algo muito fofo de se observar, já que mesmo com as falas repletas de provocações, era possível ver o quanto o seu olhar carregava um enorme carinho pelo o outro — Acho que podemos convidar ela para jogar com a gente, aposto que seria divertido.

 

Baekhyun não estava falando totalmente sério quando sugeriu aquilo e o míope percebeu isso justamente pelo tom de voz utilizado, mas mesmo assim, ele não conseguiu evitar de fazer uma careta muito feia, arrancando uma gargalhada muito gostosa de Byun, essa que foi acompanhada pela sua em seguida. Yoora não iria roubar a atenção do se amigo nem por cima do seu cadáver. 

 

— Você não deve falar isso, nem morto eu aceito isso! Ela já vai pegar muito no meu pé, não quero que as provocações aumentem. — rolou os olhos ficando de pé por fim, roubando o cookie que estava nas mãos do menor, vendo-o fazer um biquinho adorável — E além do mais, ela é uma ótima jogadora, daria uma surra em nós dois facilmente.

— Ah não, já me basta perder para um Park, dois eu irei surtar. Acho que minha dignidade não aguentaria tamanha derrota. — dizendo isso com um tom completamente dramático, Chanyeol empurrou de leve o seu corpinho enquanto riam feito dois bobinhos que eram — Mas eu andei treinando, então não pense que vai ser fácil me derrotar, senhor pró play!

— É o que veremos, noob! — jogando aquele xingamento chulo, ele viu o baixinho mostrar a língua para sua pessoa e dar uma pequena corridinha para sala que ele tinha conseguido visualizar ao trilhar um caminho até a cozinha mais cedo.

 

Com o seu coração quentinho, Park seguiu o amigo calmamente, não sabendo descrever ao certo quão alegre ele estava se sentindo ao ver aquele pitoco de gente sentado no sofá com um sorriso enorme. Era possível perceber que o baixinho estava totalmente determinado a lhe derrotar em qualquer jogo que colocasse para jogarem, pelo menos era isso que seus olhinhos brilhantes falavam. Ah, o míope queria negar, mas estava cada vez mais apegado no jeitinho daquele garoto tão único; ele lhe fazia tão bem que chegava a ser sufocante a sensação boa que lhe invadia.

Baekhyun não estava muito diferente do maior, se formos comparar, ele estava com o seu peito a ponto de explodir em sensações, assemelhados à fogos de artifícios. Ele realmente achava que nunca mais poderia ter um momento como aquele com o grandão, que todas aquelas fases de repleta alegria tinham acabado, e de certo modo, ver que não tinham chegado ao fim, lhe trazia um alívio gigantesco para o seu pobre coração apaixonado. Por isso, foi praticamente impossível não sorrir quando viu o corpo maior abaixar-se em frente a estante escolhendo um joguinho qualquer para passarem aquela tarde. Por isso, uma vez que sua mente estava ocupada demais delirando em felicidade, ele deixou escapar a seguinte frase:

 

— Eu senti sua falta. — falando de uma maneira espontânea, o baixinho demorou alguns minutos para que notasse suas próprias palavras, porém, para o estudante de estatura alta, essa pequena frase fora bem analisada e lhe deixou com um friozinho em seu estômago.

 

Droga, aquilo não tinha sido uma mentira, ele estava com muita saudade do seu crush, mas ele não podia simplesmente ficar falando suas emoções dessa forma, afinal, poderia acabar assustando o seu amado e isso era a última coisa que ele desejava. Por isso ele acabou por se amaldiçoar mentalmente enquanto via Park praticamente petrificado de costas para sua pessoa. Naquele segundo ele pode jurar que tinha feito a maior merda do mundo, ai, ai, Byun Baekhyun e sua boquinha grande.

Todavia, ao contrário do que podia se imaginar, Chanyeol embora estivesse um tanto surpreso, o motivo maior do seu silêncio era porque ele estava tentando pensar como iria corresponder aquela fala, afinal, o grandão estava morrendo de saudades daquele garoto. Era praticamente bobo a forma que eles ficaram nem uma semana fechada sem se falar e a saudade já parecia sufocar o seu peito. Era normal sentir uma coisa dessas por seu amigo, certo? Por mais que Park esperasse que sim, ele não queria pensar muito numa resposta para todos aqueles sentimentos.

 

— Eu também senti a sua falta. — correspondeu por fim colocando o jogo no seu playstation 4, virando-se para o amigo segurando dois belos controles. Caminhando em direção para o baixinho que estava sorrindo de maneira pequena, o jovem de fios cacheados entregou um daqueles controles à ele — Mas não pense que esse apelo emocional vai me fazer deixar você ganhar!

 

Acabando por rir em conjunto com aquela frase boba, os dois trocaram algumas daquelas típicas provocações únicas deles, trazendo aquela sensação tão boa de nostalgia, de bem-estar e conforto. Mesmo que não tivessem conversado sobre, ambos decidiram em silêncio que não iriam pensar no que ocorreu no passado ou que viria acontecer no futuro. O importante no momento era o presente, e era assim que eles iriam levar as coisas: validando momento atual que estava sendo tão bom e aquecedor para ambos.

 

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Depois daquele domingo, os dias pareciam voar. A cada dia que era passado, a amizade daqueles dois garotos se tornava maior e mais íntima para a alegria de ambos adolescentes que prezavam muito aquilo que eles criaram juntinhos, sustentando momentos jogando joguinhos eletrônicos, assistindo algo que fosse do interesse dos dois e saindo para caminhar a luz das estrelas. Como um sopro, um mês e algumas semanas passaram sustentando ainda mais cada pontinho na vida de Baekhyun e Chanyeol.

 

Como Park havia prometido para a irmã e o melhor amigo, ele começou a suas idas ao psicólogo, dando o seu maior passo que era: cuidar da sua saúde mental. Ele nunca pensou que conseguiria sentir-se compreendido e aliviado por saber que não era nenhum ser anormal por se sentir dessa forma, ainda mais se tratando da primeira semana. O grandão não sabia dizer se isso aconteceu por aquela mulher ser tão gentil, ou se as suas palavras de fato mexeram consigo e lhe fizeram refletir sobre muitas das coisas que ele acreditava. Chanyeol naqueles encontros com a médica, conseguiu ocupar a sua mente para se questionar os vários pontos que eram levantados nas horas de conversa com a mulher, e o mais importante, ele conseguia obter algumas respostas que embora o assustem, ele sentia um alívio imenso por estar começando aceitar o seu auto reconhecimento.

Entretanto, mesmo no meio de tantas coisas boas com esse seu passo, o maior teve muitos altos e baixos, tudo porque agora ele tava usando de alguns medicamentos que serviriam para auxiliar ele no controle de todos esses seus sentimentos, e infelizmente, às vezes esses remédios lhe traziam sentimentos ruins, pelo menos até ele se acostumar com aquela tarja. Foi justamente nessa época que ele estava chorando feito um bebê sozinho em casa, que Byun descobriu quão corajoso o míope estava sendo, buscando por melhora. O baixinho tinha ficado tão preocupado ao ver que aqueles medicamentos traziam tantas dores para o seu amado, mas tentou compreender o que o amigo falava, acreditando firmemente que isso iria passar, dando-lhe um imenso apoio e muito carinho que ele estava necessitando naquele momento complicado.

Depois daquele dia, o castanho tratou sempre de ir na casa de Park para passar a tarde com ele até que a irmã do grandão chegasse para fazer companhia ao jovem de fios onduladinhos, às vezes, Chanyeol não queria nem mesmo que Baekhyun fosse embora, temendo que no fim das contas ele ficasse sozinho para todo o sempre. Byun perdeu as contas das vezes que ele teve o adolescente de estatura alta pegando no sono ao abraçar o seu corpo enquanto estavam deitadinhos na cama de casal que o outro tinha. Aquilo quebrou tanto o coração do menor, ele de fato não sabia lidar com os sintomas do seu amado amigo, mas mesmo assim se esforçava para ser o seu pilar, abraçando-o firmemente, lhe fazendo carinho, ficando ali consigo até que dormisse calmante.

Eventualmente, essa aproximação de Baekhyun fez com que ele não ficasse próximo apenas de Chanyeol, mas de sua irmã também. A garota estava sempre lhe perguntando como estava o seu irmãozinho, confiando tanto na sua pessoa para cuidar daquele garoto alto que tinha o coração tão sensível. O castanho chegava a ficar mexido quando a mulher mencionava o tanto que ela estava feliz por seu irmão lhe ter, já que conseguia sentir a pureza em todos os seus cuidados. Entretanto, mesmo diante dessas falas da garota mais velha, Byun continuava tendo a certeza de que na verdade, ele tinha sorte de ter o míope, afinal, isso aquecia tanto o seu coração.

Mas de uns tempos para cá, o nosso estudante popular se via completamente confuso. O seu coração estava mais entregue do que nunca aos encantos de Park, chegava a ser boba a maneira que ele correspondia a todas essas sensações únicas de um modo tão, mas tão ridículo que até mesmo Byun se xingava por achar que estava sendo um bocó de carteirinha. A verdade era que: a cada dia que se passava, ter Chanyeol apenas como um amigo lhe machucava, o seu coração estava mais iludido do que nunca, graças aos sorrisos do maior – que agora estavam mais frequentes –, a maneira carinhosa que o outro lhe tratava, e a quantidade de atenção que o míope andava dando para sua pessoa… Ah, isso tudo estava o deixando maluquinho.

Baekhyun sabia muito bem que o amigo não lhe via de maneira romântica, que ele era apenas um bom amigo e nada mais do que isso. O baixinho tinha prometido para si mesmo que viveria dessa forma tranquilamente, mas com o passar de quase dois meses, mostrou o quanto ele era humano e fraco. O castanho perdeu a conta das vezes que Sehun o xingou por estar triste pelo fato de não poder falar o quanto amava Park, ou até mesmo, por nunca mais poder beijar aquela boquinha linda, pois sim meus amigos, tanto Baekhyun quanto Chanyeol nunca mais se beijaram e pareceram enterrar esse fato a sete palmos do chão. Por mais que o menor não confessasse isso em voz alta, aquilo lhe entristeceu de tal maneira.

Por mais que não quisesse pensar dessa forma, ele tentava de toda maneira jogar os pensamentos de se confessar para Chanyeol pelos ares. Mesmo na tentativa de ignorar suas vontades o menor se via um tantinho cabisbaixo naquela semana, e muitos que o conheciam perceberam aquele pequeno fato, até mesmo o motivo de todo esse alvoroço nos seus sentimentos. Mas como sempre, o baixinho arranjava uma forma de esconder a verdade que passava em sua mente.

No dia atual o estudante não estava muito diferente, se fosse falar a realidade, o baixinho estava um pouquinho mais afetado; aquela quinta-feira estava um tantinho chata contribuindo para o aluno amigo-de-todos estar com a cabeça nas nuvens, tanto que no período do lanche, o pequeno estudante estava sentado no meio de alguns conhecidos e de Sehun, mas o seu corpo não parecia estar ali na terra e sim em outra galáxia. Na maioria das vezes Byun não andava com Chanyeol no colégio, embora que eles interagissem muito pelos corredores, levando a alguns alunos se questionarem qual era a real relação dos dois jovens, já que boatos de muito tempo atrás estavam frescos em suas mentes mesmo que tivessem se cessado nos primeiros dias.

Sehun não estava mais aguentando o seu melhor amigo daquela forma, mas ele tinha o ouvidinho socado na bunda, já que nunca ouvia os seus conselhos geniais que se resumiam em: tascar um beijão no Chanyeol e ver no que dá. Oh podia ser um amigo maravilhoso, mas quando se tratava do quesito conselhos, bem, ele se tornava um boboca que não sabe o que falar, ainda mais quando o assunto é paixão. Baekhyun não podia fazer isso com Park ainda mais tendo certeza que seria rejeitado, mas também não sabia o que poderia fazer naquela situação, lhe deixando piradinho e triste. Por isso o castanho passava muito tempo dos seus dias pensando no que podia fazer, e no fim, ele achava que nada teria uma solução já que contar sobre o que estava sentindo estava fora de cogitação, seria como se assinasse o atestado de fim de amizade; perder Chanyeol era a última coisa que ele desejava no momento.

Naquele período de descanso, a mesa que o baixinho estava tinha um grande barulho que não estava atrapalhando nenhum pouco seus pensamentos, e olha que o refeitório é um lugar barulhento, ainda mais quando se trata de grupinhos que tiram aquele momento mais para conversar do que comer. Muitos já pareciam estarem acostumados com esse novo jeito de Byun, como se ele fosse um tipo de filósofo que ficava o tempo todo se questionando sobre o objetivo da vida. Entretanto, nem todo mundo era tão bobo assim. 

Neste dia, a garota que Sehun não ia muito com a cara estava sentada com eles, provocando muitas alfinetadas e risos histéricos dos que presenciaram aquela briga de palavras que ocorria ali. Todavia, mesmo que os seus olhos matassem Sehun, o seu foco mesmo era naquele garoto miúdo que brincava com o seu danoninho de morango sem nem pretender comer ele, chegava a ser um pecado uma coisa desse tipo.

Fazia um bom tempo que a garota de fios escuros estava analisando toda aquela situação, para falar a verdade, sua mente nunca esqueceu da cena de Baekhyun beijando Chanyeol na festa dos terceirões; e de alguma forma, tudo pareceu ficar cada vez mais interessante ao ponto de Kang conseguir captar tudo. Não era necessário ser um grande gênio da aritmética para saber o que rolava com aqueles dois, era só ligar “a” com “b” que teremos a resposta de muitas coisas. E percebendo de alguma forma que o Byun vinha se mostrando estranho, a adolescente resolveu que: se Sehun não era um amigo bom para ajudar aquele doce garoto, ela seria.

Seulgi nunca foi próxima o suficiente do menor, isso é verdade, mas ela nunca desgostou dele e vice-versa. Muito pelo contrário, o castanho adorava a garota porque ela conseguia fazer o seu melhor amigo engolir aquela língua grande que possuía, oras, não eram todos que conseguiam esnobar de um ser repleto de autoestima como Oh Sehun, então esse era um ponto que os deixavam na linha de: não-amigos, porém, se dão bem. Graças a isso, a garota motivada a pagar de conselheira amorosa – já cansada de ver a cara de bunda de Sehun –, olhou para o baixinho dando um sorriso pequeno, segurando a sua mão roubando o potinho de iogurte na maior cara de pau, mas no fundo, ela sabia que o garoto não iria comer de qualquer forma.

 

— Baek, eu preciso da sua ajuda, pode me acompanhar? — ela perguntou num tom totalmente natural, tanto que ninguém ligou para aquilo que estava sendo dito, a não ser Oh, que a fuzilou com os olhos. Não era para menos, o que a sua arque-inimiga estava querendo com o seu melhor amigo, no fim das contas?

— Ahn? Ah, tá. — seus olhinhos confusos encararam os da Kang, vendo ela sorrir de maneira gentil, mas no fundo ele conseguia entender que na verdade eles o dizia: aceita logo. Por isso sua resposta fora rápida e logo se colocou de pé estando um pouco atordoado, sem nem perceber que Sehun estava um pouco puto com aquilo, pronto para quebrar a cara do baixinho.

 

Seulgi não estava com nenhum pouco com vontade de ouvir alguma palavrinha do moreno metido a galã, a jovem de fios escuros sabia que ele iria dar pitaco de onde ela iria com o seu melhor amigo, por isso, rapidamente segurou o braço do menino que era mais alto que sua pessoa e o puxou por fim. O castanho estava um pouco confuso, não sabia o que havia dado em Kang em querer sua ajuda repentinamente e por estar o arrastando pelos corredores como se fosse um boneco de pano; em outros momentos certamente ele estaria enchendo a garota de perguntas, mas o baixinho estava mais ocupado tentando organizar seus pensamentos, então apenas se deixou levar pela outra.

Em questão de minutos, chegou um momento que a adolescente adentrou o laboratório da escola e puxou o seu colega para dentro do cômodo, fechando a porta em seguida. Obviamente aquilo era de se estranhar, e convenhamos, naquela altura o Byun já estava pensando em várias formas de falar que ele gostava de piu-piu, – mais especificamente o de Chanyeol –, e que ele não queria ter algo com ela. Entretanto, essas suas respostas foram por água abaixo quando a garota começou a falar.

 

— Eu não aguento mais ver você assim. — fora a primeira coisa que ela disse enquanto se sentava na mesa do professor, ficando mais alta que o adolescente que ainda se mantinha perto da porta — E não venha se fazer de desentendido para perto de mim, porque eu não sou burra igual aos outros, Baekhyun. Pode ir me falando o que está rolando entre você e o Chanyeol. — a garota de fios escuros olhava o mais velho que parecia surpreso com suas palavras. Bem, Seulgi sempre foi muito sincera e direta em tudo, porém, o Byun não estava esperando por algo do tipo — Eu vi que tinha alguma coisa errada quando você beijou ele, e depois daquele dia as coisas ficaram mais interessantes, porque quando eu parei para analisar e consegui perceber que você planejou aquilo com Sehun, estou certa?

 

Naquele segundo o Baekhyun se via igualzinho a uma expressão boba que dizia: é de cair os butiás do bolso. O castanho se questionou se ele era tão tapado ao ponto de ter deixado tantas pontas soltas nos seus planos idiotas, ou se Kang estava trabalhando como uma agente do FBI, já que no quesito de: observar, coletar dados expor fatos, ela estava merecendo uma medalha de ouro. De fato não tinha mais o que se fazer, não dava para mentir para aqueles olhos assassinos, além do mais, contra fatos não se havia argumentos, então por isso o menor deu de ombros e murmurou um: “o que é um peidinho para quem já está borrado?”. 

 

—  Vamos por partes, sim? — soltou um suspiro acabando por ir sentar em uma das mesas extensas dos alunos, acabando por ficar de frente para garota — Eu, hun, gosto do Chanyeol a um tempinho… Eu sempre quis conversar com ele, mas não conseguia, entende? Aquela festa… Ah, eu sei que fui um pouco idiota pedindo para o Sehun me desafiar a beijar ele, mas… — sua voz foi morrendo aos poucos enquanto ele abaixava a cabeça pensando em tudo que aconteceu depois daquela ligação boba que eles tiveram. Depois daquela festa, a amizade dele com Park começou a nascer então de certa forma, ele não se arrependia do que fez — Nós somos apenas bons amigos, então diria que nada está rolando entre nós.

— Espera, você está me dizendo que mesmo depois de tudo, vocês não estão no maior chamego do mundo? Pelo amor de Deus Baekhyun, o que falta para vocês estarem logo namorando? — a garota perguntou desacreditada, respirando fundo para recuperar a sua postura plena. Ela sabia que o maior podia ser um idiota, mas não a esse ponto. 

— Como assim o que falta? Seulgi, eu sou o único apaixonado nessa relação, eu nunca iria forçar Chanyeol a algo, isso iria contra os meus princípios. — respondeu com uma expressão brevemente séria, ainda mantendo uma certa raiva na garota, oras, Baekhyun era nostradamus agora para saber quando era ou não correspondido por alguém?

— Uma pergunta: você por acaso já se confessou para ele ou perguntou para ele se gosta de você? — a menina perguntou como se fosse a coisa mais idiota do mundo, porém, como já era esperado ela recebeu uma resposta ainda mais idiota, que foi o: não — Então você não pode negar ou afirmar algo. Baekhyun, tudo bem, eu entendo que você não quer estragar a amizade de vocês, mas pelo que eu entendi, os seus sentimentos já existem antes dessa festa, né? Até quando você vai ficar segurando isso para si mesmo? Sei que é bom ter ele como amigo, mas você precisa falar sobre seus sentimentos para seguir em frente.

 

Como se fosse um soco bem dado na cara de Byun, ele ficou por vários segundo absorvendo tudo que a garota tinha dito. Por mais que ela estivesse certa, ele não podia simplesmente pensar nele mesmo e jogar os seus sentimentos em cima do garoto que amava, apenas porque ele estava sofrendo por culpa dele próprio, ninguém tinha culpa dele estar perdidamente apaixonado por Chanyeol. O maior já tinha os seus próprios problemas, não era certo ele jogar tudo para ele no fim das contas.

 

— Eu não quero seguir em frente sem a amizade dele, Seulgi, o que eu sinto pelo Chan é algo que vai além de algo carnal, de beijos, eu quero estar com ele, cuidar dele, dar carinho para ele. Eu não posso cobrar o mesmo sele, isso é errado demais… — ele murmurou enquanto suspirava, demonstrando por fim o quanto ele estava triste com toda aquela situação que estava lhe cercando aos poucos.

— Baekhyun, eu preciso que você me entenda, não estou dizendo para você exigir que o Chanyeol corresponda os seus sentimentos, mas sim para que você fale sobre eles. Acima de tudo vocês dois são amigos, têm que partilhar pensamentos e sentimentos para que no futuro ninguém saia machucado. — ela dizia calmamente enquanto gesticulava com as mãos a fim de tentar fazer o maior compreender onde ela queria chegar — E se no fim ele gostar também de você? Imagina o tanto de tempo que vocês estão atrasando isso por medo!

— É impossível ele gostar de mim... — comentou num fio de voz que quebrou o seu próprio coração. Baekhyun era sempre muito positivo, porém, quando se tratava do maior, ele tinha quase certeza de que ele nunca estaria no campo de visão deste que tanto gostava — E eu não posso falar isso do nada, o Chanyeol iria surtar, ele já tem os sentimentos dele confusos demais, não quero piorar tudo.

 

A garota respirou fundo tentando segurar-se para não dar uns tapas naquele garoto. Ela super entendia a preocupação dele com o Park, afinal, ele gostava do grandão, mas no meio desse ciclo de amor, ele acabava se deixando de lado sofrendo com um sentimento que pode ser correspondido ou simplesmente esquecido se caso houvesse rejeição. Ele não podia viver sufocado dessa forma.

 

— Baek, você não precisa necessariamente chegar nele e falar: eu gosto de você, há formas mais singelas de se declarar que não vão causar nada de ruim ao Chanyeol. — dizendo isso, ela se colocou de pé e caminhou até a mesa que o outro estava sentado. Ao chegar perto, ela pode ver que ficou mais baixa do que o normal próxima dele, mas não ligou muito para aquilo, e continuou com a sua ideia, acabando por apontar para o seu peito — O Park merece sim coisas bobas, um descanso, mas você também merece um alívio, segurar um sentimento como esse não te faz bem, nunca fará, por mais que as suas intenções sejam as melhores. — abaixando o seu indicador, ela cruzou os braços e encarou os seus olhos — E se o Chanyeol gostar de você também? Eu não acho isso algo impossível, já que ele fica muito sorridente quando você anda com ele pelos corredores. Você não acha que sua obsessão por achar que ele nunca te veria de outra forma, está te impedindo de enxergar algo bom? 

 

Pela segunda vez naquele dia, o garoto de fios castanhos recebeu um tapa na cara. Era realmente difícil dirigir hipóteses tão marcantes como aquela, na verdade, na sua mente, elas eram tão impossíveis, Park corresponder os seus sentimentos? Ele sorrir mais quando estava consigo? Isso era algo muito bobo e sem nexo algum, correto? O Byun pelo menos achava isso, já que o seu amigo nunca falou sobre sentimentos abertamente, apesar de alguns acontecimentos estranhos… Eles não diziam nada, ou diziam?

Movido por aqueles questionamentos, o adolescente acabou por ficar em silêncio, fazendo com que a menina cutucasse ainda mais os seus pensamentos:

 

— Vocês passam muito tempo juntos? Ele te procura com frequência? Ele demonstra muito afeto? Já rolou um clima legal e ele não mudou com você? Baekhyun, não fique cego por conta de um sentimento, porque você pode estar se impedindo de ser feliz.

 

Como se fosse a cereja do bolo, Baekhyun arregalou os seus olhos. Droga, por mais que não quisesse admitir, os dois andavam passando muito tempo juntos, depois da escola eles costumam revezar a casa que seria visitada no dia passavam a tarde jogando videogame, assistindo séries, jogando conversa fora. De um tempo para cá, o maior estava sempre lhe mandando mensagem de boa noite e bom dia, desejando para sua pessoa uma boa noite de sono com vários emojis de corações vermelhinhos; seu peito apaixonado se amolecia demais, mas sua mente lhe forçava a pensar que isso era coisa de amigos. Sem contar que Chanyeol ainda continuava o ritual de cozinhar para si alegando que ele sempre tinha que estar muito alimentado. Tinham tantas coisas a serem listadas, assim como: a maneira que eles estavam usando mais contato físico para carinhos, como cafunés, beijinhos na bochecha e testa. Talvez, a maior prova que pudesse deixar o Byun um pouco confuso sobre o que Chanyeol realmente pudesse sentir é o fato de que: muitas vezes ambos ficaram com uma tensão completamente romântica entre eles, e o maior parecia se entregar aquilo normalmente, como o acontecido da balinha e da noite anterior à prova do grandão. Catapimbas, tinha pequenas chances do seu cush corresponder seus sentimentos.

 

— Isso tudo… — seus olhinhos piscavam diversas vezes como se tentasse controlar os seu pensamentos e emoções que aflorarem como nunca em seu ser. A garota que via aquilo, sorriu de uma maneira pequena ao conseguir atingir o seu objetivo — O que eu faço? E-eu… Devo tentar me declarar?

— Deve, e eu tenho uma ideia ótima para você fazer isso. — com um sorriso pequeno, ela se aproximou ainda mais do baixinho para lhe cochichar a ideia na orelha, como se fosse um segredo do estado.

 

Baekhyun não pode evitar de sorrir de maneira pequena ao ouvir a ideia da garota. Com toda certeza aquilo era algo que fazia muito o seu tipo, e ele esperava do fundo do coração que tudo aquilo desse certo e que não afundasse a amizade tão linda que eles construíram. Byun iria se declarar para o seu amigo, vulgo paixão, e pedia ao universo que tornasse aquele momento mágico e único para os dois, sem nada de ruim acontecendo.


Notas Finais


wow, wow, esse capítulo foi de tirar o fôlego ou eu que sou sensível demais? Eu queria muito mostrar para vocês que não seria o amor do baek que iria trazer uma melhora para o nosso amado chanyeol e que ele sentir todo esse medo, toda essa insegurança não é normal! foi um imenso passo para ele, aceitar que ele precisava de ajuda, contar isso para os seus amigos a fim de receber apoio. Por favor meus anjos, se cuidem, não pensem que sentir-se inferior, se exigir demais, temer as coisas é normal, pois não é! saibam que sempre que quiserem conversar eu vou estar assim mesmo não sendo nenhuma profissional no assunto, como já dizia byun baekhyun.

pois bem! apesar disso tudo, nosso menino baek resolveu se declarar para o chanyeol! Devo lhes dizer que o próximo capítulo vai ter um misto de emoções pois sinto que vou chorar escrevendo diante de cada ceninha que eu preparei. Qual foi a ideia da nossa fadinha Seulgi? Qual vai ser a reação do nosso chanyeol ao receber a declaração do baek? Quero saber o que vocês tem em mente~

espero do fundo do meu coração que tenham gostado do capítulo, porque ele é muiito importante para o desenvolvimento de cada personagem, vejo vocês nos comentários, viu? <3

aliás! não se esqueçam de se cuidar, lavar bem as mãos, se alimentem e tomem muita água! não saiam de casa, hein?!

para futuros surtos ou spoilers, podem me seguir no twitter~

Twitter: https://twitter.com/bbhynie


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