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História Eu e o seu fantasma - Capítulo 13


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Notas do Autor


Olaar!

Primeiramente, fui abduzida pelos pequenos trâmites da vida adulta na sexta e não pude postar. Sim, estou numa inconsistência tem umas semanas, eu sei. O processo que tô passando é corrido e massivo. Nada de ruim, pelo contrário, mas é muito pouco tempo para muita coisa!

Enfim, ngm perguntou e eu tô aqui falando horrores kkkcry. Aqui está um POV de Catra fofinho e o início de um desencadeamento desse mistério. (E ainda tem caps quarta e sexta, tá? tá).

Boa leitura <3

Capítulo 13 - Antes não sabia nada, mas, hoje em dia... Sei muito menos


Desde que voltaram de viagem, a relação entre elas foi normalizada. Não houve um dia em que Adora tenha ficado realmente mal, como Catra conseguia ver em seus olhos naquele fim de semana passado. Aliás, Adora ficou muito mais cativante e sua presença, ainda mais necessária.

Tá, talvez essa percepção tenha uma certa influência do que já sabia que sentia por ela. Mas, foda-se.

Qualquer coisinha mínima que acontecia na vida da jovem viva que sua amiga fantasma não tinha presenciado, ela ia lá para contar. Nunca sentira tamanha vontade de ser um livro aberto assim com ninguém além de sua irmã postiça. Adora, mais uma vez, se mostrava uma pessoa fora dos parâmetros de todas que já conhecera na vida.

Se estava disposta a contar literalmente tudo, Catra não incluía nesse ‘tudo’ o beijo entre ela e Mara. Mesmo depois de dias, o acontecimento vivia rondando sua mente, junto com um sentimento pesado de culpa. Culpa por não ter coragem de contar para a fantasma, culpa por ter deixado Mara chegar aonde chegou, para início de conversa. E mesmo cultivando essa má sensação, ainda achava melhor não contar. Era não só pelo bem da amizade delas, como também pelo da própria Adora.

Ela não precisava de mais esse baque estando na situação que está. Catra não queria ser causadora de nenhuma das tristezas de quem tanto importava para ela. Para quem já teve a felicidade algumas vezes sabotada, a mulher sabe o quanto isso pode acabar com as poucas ou únicas esperanças que se têm. Não iria mesmo fazer isso com Adora.

Numa quinta-feira agradável e menos caótica que o comum, Catra, Micah e Glimmer resolveram se encontrar para jantar depois de suas respectivas tarefas. Claro, Catra trocou o turno para que isso fosse viável, e faltou a faculdade também. Essa parte ninguém precisava saber. Quer dizer, Adora sabia, mas estava compactuada com ela para dizer que, de fato, não tinha aulas hoje e, por isso, foi capaz de adiantar o trabalho. A morena não sabia ainda se era pelo bem da amizade ou por pura empatia, mas, a loira era sua parceira de crimes sem nem questionar.

E ainda bem que saíram todos para jantar juntos. Primeiro, porque quase não estavam tendo tempo em comum para apreciar a presença um do outro. Segundo, pôde desfrutar de bebidas alcoólicas totalmente bancadas pelo pai, o que significava melhores drinks em maiores quantidades. E terceiro, uma Catra levemente alterada também era uma Catra levemente mais corajosa. Não tão corajosa assim, a ponto de deixar escapar uma declaração meio precipitada para a fantasma por quem estava se apaixonando. Uma coragem no sentido de propor o que já vinha passando pela sua cabeça desde que ela, Adora, conseguiu aparecer para Mara.

Assim que todos entraram em casa, a mais baixa apoiou as costas na porta e limpou a garganta, chamando atenção do pai, da irmã e da fantasma que só ela via. Glimmer e Micah se entreolharam sabendo que pelas bochechas um pouco mais coradas debaixo das sardas, vinha aí uma ideia alcoolizada. Catra já entendia os olhares deles. Não entendia, porém, o de Adora, que, ao invés de parecer curioso, estava mais para um profundo, de quem estava hipnotizada.

Enfim...

Era hora de usar a coragem para fazer uma proposta:

– Gente, eu acabei de ter uma ideia genial. Que tal a Adora tentar aparecer para vocês como ela fez com a irmã dela?

– Ué, mas isso é possível? – Glimmer cruzou os braços duvidando.

– Seria ótimo, mas como? – Micah coçou a testa.

– Que porra é essa, Catra? – Adora bateu o pé, transformando completamente a fisionomia de quem a olhava abobada para uma mistura de insegurança e desespero. – Eu não sei fazer isso! Quer dizer... Eu nem sei exatamente o que eu fiz para aparecer para Mara! E se eu não conseguir?

– Bom... Nós sabemos que dependeu também da vontade dela, não é? – Catra fixava o olhar no da loira, mais do que necessário, e sorria de canto. – Tem que rolar um esforço também de quem quer te ver.

– E como isso muda o fato de que ainda não sei se consigo? – A fantasma desviava o olhar ainda levemente aflita pela ideia repentina.

Catra vira abrupta para encarar os familiares e depois volta para Adora, demostrando toda a sua compreensão através do sorriso aberto.

– Eu confio em você, Adora, e te acho totalmente capaz de fazer isso. – Novamente, volta a olhar para os outros dois vivos. – Tanto que minha preocupação é saber se esses dois aí vão fazer a parte deles de realmente acreditar e te ajudar no processo.

– Será? – Adora também olhou para Glimmer e Micah, que não faziam ideia de onde ela estava.

– Você eu sei que vai fazer a sua – mais uma vez, a morena encarava a fantasma loira com todo o carinho do mundo. Já fazia involuntariamente. – Porque você é incrível.

Sua última frase causou uma instantânea felicidade nos olhos cianos da mais alta. Ela, inclusive, abriu um sorriso quase tão radiante quanto a luz daquele dia do aparecimento para Mara e acenou determinada que iria tentar.

– Adora topou. – Foi caminhando até o pai e a irmã, apoiando as mãos em um ombro de cada um. – E vocês? Topam? Vamo tentar, vamo?

A euforia de um filhote de labrador nem combinava tanto assim com Catra, mas, lá estava ela, totalmente ansiosa e animada com a tentativa. E sua família jamais diria não para uma empolgação dessa. Muito menos Adora.

Realmente era sortuda de ter esses três em sua vida.

No início, ninguém sabia muito bem como começar porque tudo com Mara fora tão espontâneo que nem souberam quando tudo se iniciou. Contudo, Adora começou a guiar o tal ritual, passando instruções para Catra, que passava para os outros dois.  A loira pediu, primeiro, para que ambos fechassem os olhos e se concentrassem em acreditar nela, ou pelo menos querer acreditar. Quando ela anunciou que sentia a energia dos dois, ela mesma foi quem fechou os olhos em concentração e aí tudo se repetiu.

O grande esforço vindo da fantasma, a luz branca que quase cegou todo mundo ali presente e as caras surpresas de Micah e Glimmer olhando diretamente para Adora, provando que agora eram capazes de enxergá-la. Aos poucos a luz foi apagando, transformou-se em uma espécie de contorno em volta da mais alta e, por fim, sumiu.

Dessa vez, ela parecia ter certeza de que estava visível. Adora sorriu para os dois mágicos e acenou.

– E ai? Conseguem me ver, não é? – Ela disse sorridente e Catra podia jurar que ainda via um brilho descomunal emanar daquela mulher.

Adora conseguiu aparecer para sua família. Ela fez isso com toda a graça de uma alma penada super atraente e linda e poderosa e... Muitas coisas! Porque ela era muita coisa, ela era tudo. E talvez a bebida estivesse ativa no seu sangue, a ponto de fazer com que Catra sentisse tudo em dobro.

De novo, se sentia tão orgulhosa, tão feliz em poder provar que Adora estava ali.

– Isso com certeza tem magia no meio – Micah se aproximava da fantasma, ainda surpreso. – Então você é a Adora?

– Uhum!

– Deuses... – Glimmer se aproximou da irmã e cochichou não tão baixo assim. – Acho que estou apaixonada pela sua fantasma, traste...

– Não vem com essa, brilhante! – Ao murmurar, a morena revirou os olhos de um jeito que quase a cegou.

Evidentemente, Micah e Adora ouviram e viram, divertindo-se com a interação.

– Nossa, sério, você é tão linda, Adora! – A de cabelos lilás entrou na frente da irmã para se aproximar da loira e continuar o assunto.

Enquanto elas conversavam animadas sobre alguma trivialidade. Micah apoiou a mão em seu ombro e, sem nem perceber, a distraiu do estranho ciúme que crescia pelas suas entranhas ao assistir Glimmer e Adora se dando tão bem. Porque isso, de fato, era ótimo. Mas, e se virasse real um triângulo amoroso em que só ela seria a rejeitada, no final, já que Glimmer tinha muito mais coisas em comum com Adora do que ela?

Não vinha ao caso esse medo tão infantil, principalmente agora que estava mais interessada em ouvir o que Micah tinha para dizer. E pela fisionomia de concentração e reflexão dele, era algo relevante.

Eles dois foram para a outra parte da sala, deixando as outras duas mulheres lá envolvidas com os seus próprios assuntos.

– No fim de semana passado, lá na casa da irmã da Adora, vocês descobriram algo? – O homem cruzava os braços em contínua reflexão. – Porque isso que ela acabou de fazer, esse brilho... Isso não é de quem é um simples ser humano...

– Não descobrimos nada – os ombros de Catra caíram levemente em frustração. – Não tinha muito sobre a família paterna, que é justamente a que desconfiamos ter algo de magia. Mas, se você tem tanta certeza que é mágica, por que precisa saber de quem ela herdou isso?

– Cada família tem uma categoria de magia, e os feitiços geralmente são baseados nisso, porque alguns podem fazer efeito para certas linhas enquanto outros não. Descobrindo a ancestralidade da Adora, podemos canalizar melhor as soluções para desprender vocês duas.

– Entendi... Posso tentar ver se Mara tem outros meios de chegar nessa árvore genealógica então.

– Isso.

– Pai... – Catra hesitou por um momento, pensando se deveria revelar isso ou não, porém, foi pela coragem que naquele noite a rondava. – Sobre essa procura... Eu vi muitas fotos da Adora pequena e senti uma... Uma nostalgia, sabe? Era algo muito forte, como se eu tivesse a conhecido justamente quando ela era daquele tamanho. Era como se meu cérebro quisesse acessar uma memória que eu não acesso há tempos...

– É... Isso só fortalece aquela teoria do pacto que eu tinha comentado...

– Ou seja, você acha que nos conhecemos no passado?

– Se realmente for um caso de pacto, sim, vocês se conheceram.

– Então será que o sonho...? – Catra pensou em voz alta enquanto desviava o olhar para o chão.

– Que sonho? – Micah procurou os olhos dela novamente.

A mulher tinha até esquecido que não havia contado sobre o misterioso sonho para seu pai. Resolveu então contá-lo, com todos os detalhes do que via, ouvia e sentia. Mais uma vez, o homem tendeu a acreditar nessa ligação entre Catra e Adora ainda na infância. A mesma infância que nenhuma das duas se lembrava. A diferença é que a mais baixa sabia exatamente o motivo pelo qual ela não recordava. Tudo era relacionado aos seus traumas com a família que a adotara antes de Micah.

Mas, e Adora? Por que Adora não se lembrava? Não se lembra de ter tido essa conversa com ela.

Por isso, ainda naquela noite, resolveu matar a curiosidade de vez. Quando todos foram dormir e as duas estavam a sós em seu quarto, depois de tomar um banho que recuperou um pouco mais sua sobriedade, Catra sentou na cama ficando de frente para Adora para iniciar o diálogo.

– Eu queria saber uma coisa sobre você, mas... Não sei se é muito invasivo perguntar. – Iniciou em voz baixa.

– Ué, se não perguntar, não tem como saber. – A loira respondeu calma e compreensiva. – Pode perguntar. Se for algo que eu não me sinto à vontade, aí eu te aviso.

– E se você ficar chateada comigo? Não quero isso.

– Não vou ficar chateada contigo, Catra. – A fantasma se aproximou e agachou na sua altura abrindo um sorriso automático. – É uma coisa que eu não conseguiria nem mesmo se eu quisesse.

– É? Por que?

A confiança que havia feito a loira se aproximar sumiu completamente. Ela voltou a ficar de pé em uma distância maior e começou a gaguejar. Parecia até que a aproximação de antes tivera sido um ato involuntário e agora ela tinha acordado do transe, justamente com a pergunta direta demais de Catra.

– Eu... Então... – A mais alta gesticulava entre risadas breves e nervosas. – E a pergunta? Qual é a pergunta que tinha mesmo?

Adora era uma idiota mesmo... Ela preferia a pergunta mais séria a ter que responder um simples “por que?”. Às vezes não entendia essas reações atrapalhadas, apesar de achá-las extremamente engraçadas. Fofas, até.

– Tá... É sobre seu passado. – Coçou a garganta para ganhar tempo, voz e coragem. – Por que você não se lembra da sua infância? Por que sua avó não queria que visse as coisas de caixa e tudo mais?

– Essa é a tal pergunta que tanto temia me fazer?

– Uhum

Meu Deus, Catra! – A loira parecia rir aliviada, mais disposta mesmo a responder esta do que a anterior. – Bom... Eu sofri um acidente de carro com meus pais quando era bem pequena. Vovó Razz não me deu muitos detalhes do que aconteceu exatamente, só que eu fiquei internada em estado grave e os médicos diziam que eu tinha chegado com um certo estágio de alucinação no hospital. Eu dizia que estava sendo perseguida por uma sombra de uma mulher e que ela tinha causado o acidente porque queria me matar.

– Uma sombra de uma mulher... Isso é familiar para mim.

– Sério?

– Era como meu cérebro criava as memórias da minha mãe adotiva, era como eu, por muitas vezes, me via perseguida por ela na pré-adolescência também... Enfim, mas como você chegou no hospital assim, lembrando, e hoje em dia não lembra mais?

– Eu piorei depois de uns dois dias no hospital, continuava vendo a tal sombra, não dormia, dizia que precisava salvar alguém dessa sombra, que não era só eu que estava em perigo... Também vivia perguntando pelos meus pais, perguntava porque só minha avó ia me visitar. Até que uma enfermeira deixou escapar que eles tinham morrido. Nesse dia, vovó disse que tinha acabado de chegar para a visita e eu simplesmente apaguei. Ela e a enfermeira chamaram a equipe médica e tiveram que usar o desfibrilador para me reanimar. Quando eu voltei e a vovó foi me ver, ela disse que eu estava completamente diferente, que não tinha mais nenhuma expressão de dor pela morte dos meus pais e que eu nunca mais nem perguntei sobre eles ou qualquer outra coisa.

– Você já tinha esquecido tudo aí...

– Isso. Os médicos diagnosticaram como amnésia dissociativa e falaram que podia durar minutos, dias ou décadas. Vovó percebeu que era muito melhor que eu não lembrasse mesmo e, por isso, evitou ao máximo que eu tivesse contato com qualquer coisa que pudesse ser um gatilho pra memória. E até hoje não lembro de nada que aconteceu na minha vida até o dia em que tive alta do hospital.

– Sinto muito, de verdade, Adora... – Por segundos, tentou levar as mãos às da fantasma. Porém, lembrou-se a tempo de que não seria possível e disfarçou.

A vontade de poder tocá-la estava crescendo exponencialmente nesses últimos dias. Tanto que se pegava tentando fazer isso quase automaticamente, como foi o caso agora.

– Tá tudo bem. – Ela abriu um sorriso complacente. – Eu não lembro de nada mesmo. A história me intriga, mas não me magoa, sabe? Pra mim é como se eu só tivesse nascido aos 7 anos de idade.

– Sei bem como é, apesar de meu nascimento ter sido um pouco mais tarde, lá pelos 9 ou 10, talvez. – As duas deram uma breve risada da piada em meio à desgraça. – Mas, será que essa amnésia não foi você usando sua própria mágica para se poupar das lembranças? O Micah realmente acredita que você é mágica e por isso somos ligadas uma à outra.

– Não sei se sou mágica, não me sinto mágica. – A loira apoiou o polegar e o indicador na ponta do queixo reflexivamente e olhou para cima. – Mas também não duvido de mais nada... Tem tanta loucura acontecendo ultimamente, eu... Tenho sentido tantas coisas inexplicáveis.

– É... Eu posso imaginar...

– É...

Adora continuou a encarando por alguns segundos. Parecia querer dizer algo, fazer algo... Ela logo soltou um suspiro levemente frustrado e sorriu para disfarçar.

– Hora de dormir, não é? Você parece bem cansada. – Ela comentou repentinamente.

– Por acaso está insinuando que eu estou com cara de acabada? – Resolveu brincar para descontrair a evidente e inexplicável tensão na fisionomia da mais alta.

– Sim, por acaso estou.

– Ridícula

– É você!

Os insultos falsos renderam algumas almofadas flutuantes na cara de Catra e umas risadas. Não demorou muito para o cansaço da morena realmente derrubá-la na cama.

Foi então que percebeu que era mesmo hora de ajeitar-se para dormir.

Ainda assim, não foi imediatamente que pegou no sono. Ficara bem pensativa com toda a história de Adora. Algo a intrigava nessa parte da sombra que a perseguia. Será que era exatamente a mesma que por anos a atormentou? Mas como ela teria uma memória de sua mãe adotiva? Como seria possível?

Ao mesmo tempo que temia recuperar a memória, Catra nunca quis tanto saber o que realmente aconteceu como queria agora.


Notas Finais


Não se iludam com essa paz aí porque o chororô vem na quarta. Só isso pra dizer mesmo

Bjs <3


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