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História Eu, ela, e o bebê - Capítulo 5


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Notas do Autor


esqueci completamente de atualizar essa fic aqui no spirit, perdão pra quem lê só aqui
boa leitura!

Capítulo 5 - Dia 4: a cabaninha


Fanfic / Fanfiction Eu, ela, e o bebê - Capítulo 5 - Dia 4: a cabaninha

Sooyoung estava exausta. 

 

No sentido mais literal da palavra, com todas as sílabas e letras, E-X-A-U-S-T-A. Fazia muito tempo desde a última vez que tivera tantas cenas para gravar em um único dia, e passar quase quinze horas em um set estava longe de ser uma atividade agradável. Tudo o que queria era tomar um relaxante banho de banheira e dormir até o próximo milênio, de preferência.

— Parece que você teve um dia cheio — uma voz feminina se fez presente no exato momento em que Joy colocou os pés no apartamento das Kang. — Quer vinho? Comprei uma garrafa na volta do trabalho.

Wendy estava na sala, de costas, apenas com a luz pálida do notebook em seu colo iluminando o cômodo. Os cabelos curtos estavam presos num rabo de cavalo desleixado e toda a casa estava assustadoramente silenciosa. Mesmo que não fosse possível ver seu rosto, sua voz baixa e rouca entregava o cansaço.

— Se eu não acabar dormindo na banheira, volto para tomar uma taça — respondeu enquanto tirava os sapatos e colocava a bolsa sobre a bancada da cozinha. — Yeri dormiu?

— Como um anjinho, para a minha sorte — Wendy suspirou. — Chegou da escolinha contando que ela e os coleguinhas tinham feito uma horta, ou algo assim. Pedi comida chinesa para o jantar, está na geladeira.

Joy sorriu. Mal podia esperar para ouvir aquela história na manhã seguinte, enquanto tomavam café. A voz animada da afilhada certamente era uma injeção de serotonina para começar bem um dia.

— Eu jantei com Jihyo, mas obrigada — e, quando percebeu que a outra mulher não tinha mais nada a dizer, estalou os lábios e foi tomar banho.

Foi um milagre não ter caído no sono, apesar de ter dado algumas cochiladas e só ter saído da banheira quando a água já estava fria. Devidamente vestida com uma camisola e enrolada no roupão felpudo que trouxera do loft no dia anterior, Joy voltou à sala de estar, encontrando Wendy zapeando pelos canais da enorme televisão, com uma taça de vinho pela metade na mão que não segurava o controle remoto. O notebook jazia desligado ao lado dela.

— Dia cheio também? — perguntou, sentando-se ao lado e servindo o vinho na taça vazia sobre a mesa de centro.

— Cheio é pouco… — resmungou, para em seguida dar um gole na própria taça. — Às vezes odeio ser professora universitária. Cobrança demais.

— É, eu sei como se sente… — girou a taça devagar antes de dar um pequeno gole, saboreando a bebida. — Acho que se eu ver uma página de roteiro nos próximos dias, surto de vez.

— Estou do mesmo jeito, mas no meu caso, surto se tiver que planejar mais alguma aula ou lançar alguma nota.

As duas riram, beberam e ficaram em silêncio. Parando para analisar, era um pouco estranho ficar daquele jeito, tão próxima da ex namorada. Por um momento, Joy se sentiu intimidada, e aquilo só fez com que ela enchesse a taça mais uma vez. E mais uma, e mais uma. Não queria sentir-se daquele jeito. Ela estava livre de gravações pelo resto da semana, não havia problema algum.

— Tá, tá, agora presta atenção: — Wendy apontava sua taça vazia e gesticulava com a mão livre — você conhece a piada do pintinho caipira?

O relógio na parede marcava 00:12, e a terceira garrafa de vinho — num certo momento, as duas mulheres resolveram abrir a adega das Kang — estava quase no final. Se Joy não estivesse se sentindo tão elétrica, diria que estava levemente bêbada. O mesmo com Wendy, mas elas não pareciam se importar muito.

— Não, qual é? — disse segurando a risada, já esperando a resposta.

— Pir.

As duas explodiram em risadas, quase derrubando as garrafas vazias no chão. Depois de algumas horas conversando sobre assuntos triviais e servindo-se de pequenas — grandes — porções de vinho, Wendy e Joy estavam sentadas no tapete, lado a lado. O roupão, peça que nunca tiraria perto da ex namorada se estivesse sóbria, estava pendurado em um dos braços do sofá. A televisão, que emitia a única luz daquele cômodo, estava sintonizada num canal de vendas qualquer. Uma mulher loira anunciava algum eletrodoméstico, ou algo do tipo.

— Conta mais uma, vai — pediu, servindo o restante da bebida da última garrafa. — Opa, parece que acabou…

— Vamos ter que comprar garrafas novas pra Joohyun não brigar com a gente, sabia? — Wendy tomou a taça da ex namorada e tomou um gole, devolvendo em seguida, ficando com um olhar sério.. — Mas se pararmos pra pensar, ela vai brigar com a gente de qualquer jeito…

— Por quê?

— Ora, você já conseguiu esconder uma mentira dela? — Joy ponderou por um momento e acabou negando com a cabeça. — Pois é, lembra da vez que tivemos que organizar o pedido de casamento que a Seulgi ia fazer e ela acabou descobrindo?

— Cara, aquele dia foi um desastre…

— Foi mesmo, acho que a Joohyun só não encheu a gente de porrada porque ficou toda chorosa com aquele prato de brownie escrito “quer casar comigo?”, que convenhamos, foi muito brega — disse Wendy, enquanto prendia os cabelos pela milésima vez. De alguma maneira, eles sempre acabavam soltos de novo.

— Eu achei fofinho, vai…

— É porque você gosta de coisas bregas, Sooyoung.

— Tipo o seu pedido de namoro com um anel de compromisso escondido num livro de Shakespeare, Seungwan? — Joy debochou, imediatamente se dando conta do que havia dito.

Oh, não…

Wendy ficou atônita por um momento, olhando sem piscar para a mulher à sua frente. Droga. Não deviam ter começado a falar do passado, era óbvio que um momento constrangedor como aquele surgiria.

— Então… — num milésimo de segundo o olhar de sua ex namorada se transformou. — Você está dizendo que não gostou? Não foi o que eu ouvi horas depois, na sua cama, quando estávamos comemorando o namoro.

— Não começa…

— Eu não comecei nada — ela estava assustadoramente perto. — Você é quem começou dizendo que não tinha gostado do meu pedido de namoro, Sooyoung.

Ela não ousaria olhar para o lado. Não estava em sã consciência e tinha certeza que se olhasse, as duas não terminariam aquela noite naquela sala de estar. E aquela era uma das coisas que mais odiava: mesmo que tivessem terminado há anos, Joy simplesmente não conseguia dividir o mesmo espaço que Wendy por muito tempo. Ela era atraente demais.

Mas era muito, muito difícil resistir à tentação. Sentia vontade de olhar, mesmo que um pouquinho, de soslaio, apenas por alguns segundos. O silêncio surgiu, ainda mais constrangedor do que quando elas estavam sóbrias. Seria o momento de se levantar e ir dormir?

— N-Não foi bem assim… — murmurou, sentindo todos os seus pelos se arrepiarem quando a respiração de Wendy tocou sua pele. — Foi uma comparação besta, eu tô bêbada, dá um tempo.

— Mas dizem que quando estamos embriagados, dizemos coisas que estavam guardadas na mente e não queríamos dizer estando sóbrios, sabia disso? — sussurrou. 

Quer saber? Que se foda.

Ela estava bêbada, de qualquer maneira. Talvez aquela história de dizer o que estava guardado na mente fosse verdade. Se fosse se arrepender, que se arrependesse quando acordasse no dia seguinte, talvez ao lado do corpo nu de Wendy. Tomou impulso e quando se deu conta, estava por cima da ex namorada, a beijando loucamente, no chão da sala de estar das Kang.

Parecia loucura, não, com certeza era loucura. Depois de um término difícil, ela havia jurado nunca mais se envolver com aquela baixinha maldita, e olhe só onde estava: prestes a tirar a camiseta de malha dela. O vinho queimou os últimos dois neurônios que lhe restavam, aquela era a melhor explicação.

Mas convenhamos, quem resistiria àqueles olhares famintos e voz suave? Isso sem contar os cabelos macios, o rosto de porcelana, o corpo escultural e aquela bunda de tirar o fôlego. Quatro dias até que foi um tempo razoável para se segurar.

As mãos de Wendy passeavam pelo corpo de Joy, entrando por debaixo da camisola e ameaçando apertar os seios despidos de um sutiã. Se aquilo acontecesse, o último resquício de autocontrole iria para os ares e nenhuma das duas pararia.

Se acontecesse…

Uma pena que não.

— Dinda Wan…?

A voz infantil e sonolenta invadiu o ambiente, imediatamente fazendo com que as mulheres se assustassem e voltassem a se sentar, lado a lado, em puro caos. Por sorte, elas estavam no chão, e a pequena Yeri não podia vê-las, já que o sofá limitava a visão. Wendy arrumou a camiseta e Joy agarrou o roupão, vestindo-o em segundos. A embriaguez passou tão rápido quanto surgiu.

Elas se entreolharam, a dúvida e o desespero estampados em seus olhos. Quem levantaria e iria até a afilhada? A julgar pela situação, nenhuma das duas estava em condições de se aproximar da garotinha sem que ela questionasse o que estava acontecendo.

— O que a gente faz? — Sooyoung sussurrou, entrando em pânico.

— Você fica aí e veste esse roupão, eu vou ver o que aconteceu e levá-la de novo pro quarto — e então, se levantou. — Quando eu voltar, a gente conversa.

Ela assentiu e viu a ex namorada sumir do seu campo de visão, passando apenas a ouvir a conversa entre ela e a afilhada. Aparentemente, Yeri tivera um pesadelo e não conseguira mais dormir. O relógio agora marcava 01:12 da manhã. 

— O que acha de ouvir uma historinha Yerimie? Aposto que a mamãe coelha deu uns livros bem legais pra você, né? — disse Wendy.

— Não quero…

Pela voz, Yeri estava realmente assustada. E seguindo a linha de raciocínio dos filmes, se uma criança tinha um pesadelo durante a madrugada, era quase certo que não dormiria tão cedo, muito menos sozinha no próprio quarto.

Oh, merda. 

Por um lado, Joy estava grata pela afilhada ter atrapalhado o momento, ela a salvou de um grande constrangimento na manhã seguinte. Por outro, estava frustrada e quente de um jeito que não ficava a muito tempo. Se quisesse dormir, teria que tomar outro banho. Gelado, de preferência.

— O que quer fazer, então? — a voz de Wendy era calma. — Quer um copo de leite quente?

— Também não… — mesmo que não estivesse vendo, a outra madrinha tinha certeza que Yeri estava enrolando uma das mechinhas escuras nos dedos, como se estivesse se preparando para dizer algo que guardava a tempos. — Dinda, podemos brincar de cabaninha?

— Isso vai te fazer dormir?

E então, a seguinte cena surgiu: uma Joy — ainda levemente bêbada — lutando para amarrar um lençol em uma das cadeiras que pegaram da sala de estar. Wendy, por outro lado, trazia várias almofadas que trouxera do quarto de Yeri, e a garotinha arrastava o cesto de brinquedos ao lado da madrinha. Quase duas da madrugada e elas estavam prestes a brincar de casinha.

Ou “cabaninha”, como a afilhada dizia.

Quando a cabaninha — ou o que elas conseguiram construir — estava pronta, as três entraram no espaço entre as duas cadeiras e o sofá, espremendo-se por debaixo do lençol. Yeri puxou algumas almofadas para que se aconchegasse no meio das madrinhas e ficou em silêncio, como se esperasse uma delas tomar alguma iniciativa. A luz da sala estava acesa, e seus olhinhos sonolentos brilhavam em expectativa.

— O que a gente faz agora, Squirtle? — perguntou Joy, com a cabeça apoiada em uma das mãos, deitada de lado.

— Sempre que eu tenho um pesadelo, as mamães constroem uma cabaninha, aí a mamãe coelha conta como ela conheceu a mamãe ursa — ela disse baixinho. — Mas eu sempre acabo acordando na minha cama, é muito estranho.

As madrinhas deram risada, derretendo-se com a fofura da pequena Yeri. Seulgi e Joohyun eram ótimas mães, não havia ninguém que pudesse dizer o contrário.

— Você quer que a gente conte como suas mães se conheceram? — perguntou Wendy, passando as mãos pelos cabelos da afilhada. Não seria muito difícil, afinal, quando as amigas se conheceram, o grupo era quase inseparável.

— Eu já conheço essa história, dinda Wan — Yeri disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. De certo modo, era. — Por que vocês não me contam como se conheceram, dindas?

As duas se entreolharam. Como se não bastasse a cena de alguns minutos atrás, elas teriam que desenterrar um passado que juraram nunca mais relembrar. Mas, pela afilhada, estavam dispostas a passar por aquilo.

É só uma história idiota.

— A dinda Soso e a mamãe ursa eram muito amigas, e estudavam no mesmo prédio: — Wendy começou a contar — Sooyoung fazia artes cênicas e sua mãe fazia artes plásticas, elas eram muito próximas.

— A dinda Wan e a mamãe coelha também estudavam juntas, e também eram próximas, apesar da sua mãe contar que a Wendy era bem chata de vez em quando — a madrinha citada revirou os olhos e deu-lhe um soquinho. — Uma fazia música, e a outra, letras. 

— Então todas vocês eram amigas? — perguntou Yeri, maravilhada.

— Nós quatro, não, pelo menos não ainda — Joy respondeu, percebendo que a afilhada tinha acabado de dar um bocejo. Talvez dormisse em breve. — Um dia, a mamãe coelha teve que apresentar um seminário no prédio de artes, algo sobre algum livro. Mas como ela estudava no prédio de licenciatura, não conhecia ninguém e estava morrendo de medo.

— Ei, mas eu conheço essa história! — a garotinha protestou. — Mamãe coelha encontrou a mamãe ursa em um corredor e elas levaram o maior tombo. Aí as tintas da mamãe ursa caíram no trabalho da mamãe coelha, e ela ficou muito brava.

— É, você conhece mesmo a história de como suas mães se conheceram — Wendy disse enquanto sorria e acariciava a bochecha redondinha da afilhada, que àquela altura estava ainda mais sonolenta. — Mas o que não sabe, é que a dinda Wan estava com a mamãe coelha naquele dia, mas teve que ir ao banheiro e a deixou no corredor. O resto é o que aconteceu mesmo.

— A dinda Soso também estava lá, e encontrou as três um tempo depois, suas mães quase se matando e sua dinda surtando e tentando separar — disse Joy, nostálgica.

— E aí vocês casaram que nem as mamães?

— Si- espera, o quê? — Wendy engasgou com a própria saliva.

— Não, Squirtle, nós não nos casamos — murmurou Joy, constrangida.

— Ah, que pena… — Yeri disse baixinho, com os olhos quase se fechando. — Vocês são bonitas, se conheceram que nem as mamães, e são ótimas dindas, não vejo por que não se casaram…

E dormiu.

Wendy e Joy se entreolharam, ambas com as bochechas extremamente vermelhas, uma parte pelo álcool ingerido mais cedo, e a outra pela vergonha de trazer àquele assunto à tona e receber aquela resposta da afilhada.

— Ahn… — elas disseram em uníssono, e acabaram rindo baixinho, para não acordar a garotinha que dormia no meio delas.

— Sabe, eu estava pensando… — ponderou Wendy. — Vamos estar de folga por todo o fim de semana, o que acha de saírmos?

— N-Nós duas?

— Não, sua boba — ela riu mais uma vez. — Nós três. Sei lá, passar o fim de semana em algum lugar legal.

Joy mordeu um dos lábios, pensando em um lugar agradável. Num piscar de olhos, ela teve uma ideia, arregalando os olhos e dizendo:

— Por que não vamos à praia?

 


Notas Finais


desculpa pela demora, vou prestar mais atenção da próxima vez
obrigada por lerem e até a próxima!


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