História Eu, ela e o fim do mundo. - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Apocalipse, Fim Do Mundo, Romance Lésbico, Twd, Zumbi
Visualizações 21
Palavras 5.234
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Capítulo 3 - Conselheiro


Fanfic / Fanfiction Eu, ela e o fim do mundo. - Capítulo 3 - Capítulo 3 - Conselheiro

Pov Ana

Como um pouco do que a dona Marta havia preparado, estava muito bom. Eduarda e os meninos não demoram lá fora,  ela me explica que vão acender algumas tochas na parte da frente da casa pois os zumbis podem facilmente se distrair. E caso alguns deles apareçam, a tocha os manteria ocupado, por alguns instantes, até o fogo se cessar completamente. 

- Mas elas vão ficar acessas até a manhã de manhã? 

- Bom, sim, se uma forte ventania não acontecer por madrugada adentro.

- Entendi.

- Você comeu alguma coisa? - Duda me pergunta.

- Sim. Estava muito bom, você também deveria comer. - Estamos no quarto, sentadas uma ao lado da outra.

- Ah não,  deixa isso pra amanhã cedo. Preciso dormir. - Duda diz já caindo de bruços na cama de casal que tinha no quarto. Ela está toda largada e com muito sono.

- Deita direito Eduarda! Eu também preciso caber aí! - Reclamo mas ela nem responde. Chacoalho ela de um lado para outro até que ela desperta um pouco assustada.

- O que é ?

- Deita direito pra eu poder fazer a massagem em ti, isso se você ainda quiser. - Sorrio.

- Sim eu quero sim.  Pronto. - Ela se ajeita novamente na cama. Me sento em suas costas, perto ao seu quadril, para poder fazer a massagem. 

Começo a movimentar minhas mãos por dentro de sua blusa, massagiando suas costas, ombros, nuca. . 

- Isso é muito bom. - Ela sibila com uma voizinha de sono.

- Sim, agora cala a boca e dorme. - Ela sorri de olhos fechados, tão lindinha. Sua pele é quente e macia. - Obrigada por sempre me salvar. Por sempre ser o meu porto seguro. -  Digo baixinho, assim que ela pega no sono. Passo a mão delicadamente por seus cabelos pretos bagunçados, nada muito diferente, ele era selvagem, assim como ela, e muito bonito.  

Me deito ao seu lado na cama e o sono me pega num piscar de olhos. 
*****
Eu podia jurar que algo de errado estava  acontecendo.  Mas sabe quando parece que tudo é um sonho? Quando na verdade, você apenas está de olhos fechados enquanto o seu sonho, na verdade é real e acontece bem ali próximo à você. Bom, era mais ou menos essa a minha situação naquele momento.  Abro os olhos e vejo Eduarda atrás da porta, como se quisesse saber o que estava acontecendo fora do quarto.  Fico assustada, pois ela segura sua pistola com uma das mãos. Ela fica ali parada por alguns segundos e então eu escuto um barulho vindo da cozinha, o cômodo que ficava logo ao lado do quarto em que estávamos. 

- O que foi isso Eduarda?! - Sussurro desesperada. Será que um zumbi havia entrado na casa?! Impossível! Max e Jonas não seriam tão idiotas a ponto de deixarem as coisas abertas. Ou seriam?

- Fique aí. Eu já volto.

- Não! Me deixa ir com você.  - Falo levantando da cama rapidamente.

- Mas que droga Ana, por que tudo tem que ser do seu jeito?! Será que você nunca vai me ouvir? - Ela grita comigo, e o pior, grita sussurrando.  O barulho na cozinha aumenta, mas é um barulho familiar, vozes na verdade. Eu só não conseguia identificar.  Eduarda fica atenta e até esquece que estava brigando comigo. - Ok, fique atrás de mim.

- Com certeza chefe. - Tá,  eu sabia que isso ia irritar um pouquinho ela. Duda olha pra mim como se dissesse : "nossa, engraçada você. "  - Desculpa, sem querer.


Saímos do quarto devagar, Duda estava com a arma em posição, qualquer movimento de pessoas estranhas, já era. Morria. Eu não pude deixar de reparar no quanto ela fica séria e concentrada segurando uma pistola. Isso com certeza era sexy. Até demais.  

- Não acredito. - Eduarda diz boquiaberta. Eu também queria ver o que estava acontecendo, mas seu corpo me impedia.  Ela com certeza era mais alta e mais forte que eu. Então era como se um poste atrapalhasse a minha visão.  - O que vocês estão fazendo?! Pelo amor de Deus. Se cubram!  - Eu já não entendia mais nada.

- Sai da frente Duda!  Eu quero ver! - Eu empurrava ela e não adiantava em nada.

- Se eu fosse você não ia querer não.  É o Jonas e a ..Julieta . 

- Que horror! Sério?  - Na hora que eu consigo sair de trás do poste eu vejo Jonas e Julieta tentando se cobrir com suas próprias roupas. Uau.  Que músculos. 

- Droga Jonas, se o Rafael te pega ai ele expulsa a gente na hora cara. 

- Não exagera Duda, a filha dele também está ai. E com certeza não está obrigada. - Eduarda me fuzila com os olhos. Eu apenas ignoro. 

- É melhor eu ir para o meu quarto.. - Julieta se pronuncia.

- Não!  Você não vai dormir comigo gatinha?

- Você tá ficando doido cara? - Eduarda se aproxima de Jonas. Ela está furiosa.

- Ah qual foi Eduarda? Se eu te conhecesse bem poderia até dizer que isso é ciúmes... - Hã? Como assim ? Ciúmes? Dele?

- Cara faz o que você quiser.  Mas eu me comprometi com o Rafael a ajudá-los, e se ele não quiser mais a minha ajuda por sua causa, eu juro que te mato.  Eles são pessoas boas Jonas. Ele odiaria ver a filha dele numa pia de cozinha sendo comida por um homem estranho.

- Sim Jonas...Ela tem razão.  - Julieta concorda com ela. 

 - Ciúmes de você?  - Eduarda gargalha sarcástica. - Tá passando bem longe. Vem Ana. 


Eu sigo ela até o quarto novamente. 

- Não confio nele. Não depois de hoje. Ele mal conhecia a menina Ana.

- Calma.. Ele não obrigou ela a nada Duda.

- Você vai defender ele? - Era o que me faltava. Jesus amado.

- Não Eduarda! Só que ela também não foi nenhuma santa. Entende? O seu Rafael não vai colocar a família dele toda em risco por um cara como o Jonas. Ele gosta de você e precisa de ti. Como todos nós.   

- Ok. Eu espero que não.  Vou dormir. 

- Nossa. - Ela foi extremamente grossa. Odeio quando ela me trata assim.

- Desculpa. É melhor voltarmos a dormir.

- Tá. - Fico bastante chateada. Viro para um lado da cama e adormeço.

Eu não devo ter dormido muito, acordo ainda quando o dia está começando a clarear, o sol é preguiçoso. Eduarda dorme feito pedra ao meu lado. São seis e dez da manhã. Sinto sede e vou até a cozinha para tomar uma água.  

Ouço barulhos estranhos vindo da sala. Espero por Deus que não seja Jonas e Julieta novamente.  Me aproximo da sala mas não vejo ninguém. As luzes estão apagadas mas com o pouco de claridade vinda lá de fora eu consigo enxergar bem. Meu coração bate rapidamente quando novamente eu ouço o barulho. É lá de fora. Algo ou alguém estava tentando entrar mas sem êxito. 

Chego perto da janela que estava coberta por cortinas floridas que ajudavam na decoração da casa. A idéia seria abrir uma pequena fresta da cortina para poder olhar lá fora, já que a janela era de vidro em algumas partes. Eu estava morrendo e revivendo a cada passo que dava em direção a janela.  Sim, eu sou medrosa. Tipo como? Tipo muito.  Quando eu finalmente chego perto e consigo ver o lado de fora da casa, milhares de questionamentos passam por minha cabeça. Tipo esses : Por que diabos eu não chamei alguém?! Por que eu simplesmente não fechei a porra dos olhos e dormi?! Por que diabos eu tive sede?! 

Mas, tudo o que saía de mim era isso : 

- Aaaaaaaaaaaaaaaaaah! 


Pov Eduarda


Acordo assustada com gritos vindo do lado de fora do quarto. Olho para o lado e não encontro Ana, mas que droga!  Levanto apressadamente, pego minha arma e corro para saber o que está acontecendo.  Uma cena meio desagradável invade o meu campo de visão assim que piso na sala.  

Jonas está atrás de Ana a segurando e parece tampar a sua boca. Eu não entendo o por que, me aproximo até que eles consigam me ver, e é quando Ana se desprende dele e se agarra a mim. Ela soluça de tanto que chora.

- O que você fez com ela Jonas?! - Pergunto furiosa. 

- Ei! Calma! Eu não fiz nada! Mas você precisar olhar isso.. - Jonas abre uma pequena fresta da cortina e consigo ver a merda que está lá fora. 

Zumbis. Muitos deles tentam invadir a casa.

- Mas que...

- Merda. Sim. - Jonas completa.

- Ei, tá tudo bem...eu tô aqui. Olhe para mim. - Tento acalmar Ana que não para de soluçar em meus braços.  - Não vai acontecer nada a você. Eu não vou deixar. Eu prometo.  - Seguro seu rosto em minhas mãos para que ela possa olhar bem nos meus olhos. É horrível vê - la naquele estado.

- O que vamos fazer Eduarda? - Jonas interrompe. 

- Acorde todos enquanto eu tento acalma - la. Não façam nenhum barulho ou isso pode atraí - los mais. 

- Mais do que a Ana já os atraiu eu acho difícil. - Ele diz e sai. Ignoro apenas. 

 A pequena vai se acalmando aos poucos.  Seu medo é palpável. 

- O que vamos fazer agora Duda? Estamos cercados aqui. Ilhados. 

- Calma, não se preocupe com isso agora. Apenas se acalme. E não faça mais nenhum barulho. Tudo bem?

- Me desculpa por ter gritado, eu só..só..

- Ei não se preocupe.  Vamos dar um jeito.

- Mas que merda está havendo Eduarda? - É Max, todos os outros também se aproximam.

- Lá fora. Há muitos deles Max. Nós devíamos ter partido ontem mesmo, provavelmente não encontraríamos tantos deles. 

- Se espalhou bem mais rápido do que imaginávamos. Todos fiquem longe das janelas e portas.  E por favor, não façam nenhum barulho. Jonas, me ajude colocar esse sofá atrás da porta.

- Ei! O que está acontecendo?! Por que não podemos seguir viagem? - Rafael se pronuncia. Ele não entende nada assim como sua mulher e filhas.

- Eles chegaram até nós rápido demais senhor Rafael. Estão cercando a casa. Não podemos partir. Não até eles derem um espaço para agirmos. 

- Meu Deus.  Será que eu posso ver?

- Pode, mas só você. As meninas não precisam ver agora. No momento precisamos de silêncio. 

- Sim, claro.


Max me chama em um canto para conversarmos reservadamente. Ana se senta com as outras meninas no sofá que não tinha sido usado para bloquear a passagem.

- Precisamos de uma visão mais ampla..

- Espero que essa casa tenha terraço. - Seria perfeito, pois poderíamos olhar todos os lados da casa e ver se temos alguma saída. 

- Max, só certifique - se que todos os cantos dessa casa estejam trancados. Vou conversar com o Rafael e vê o que podemos fazer tudo bem?

- Sim, você quem manda!

- E obrigada. . Por estar sendo meu braço direito. 

- Sabe que não precisa me agradecer. . Você e Ana são minha família, a única aliás.  - Ele dá uma piscadela para mim com todo seu charme e sai, para fazer aquilo que lhe pedi. 

Max era bonito. Muito bonito. Loiro e dos olhos castanhos escuros. Forte, não do tipo cheio de músculos. Mas até que alguns eram bem desenvolvidos nele. Ele era o irmão que eu nunca tive, apesar de não conseguir compartilhar nenhum dos meus medos com ele, ou nenhuma das minhas paixões proibidas ...
  

- Eduarda, são muitos. O que vamos fazer ? - É Rafael, preocupado e aflito. - Eles são horríveis. As minhas meninas vão ficar traumatizadas, meu Deus.

- Sim, por isso não quis que elas vissem, mas você precisa saber que uma hora elas vão ter que passar por isso. Elas vão precisar muito de você. E eu também.

- Sim, o que precisa? 

- Por favor me diga que essa casa tem um terraço, ou alguma coisa parecida.

- Tem, não é muito grande, mas duas ou três pessoas cabem lá. Por que?

- Graças a Deus. Precisamos de uma visão ampla do que está acontecendo lá fora. Pode me mostrar?

- Claro.


Pov Ana

Eu estava horrorizada. Eu não esperava ver um desses monstros tão de perto. Mas a Duda me acalmou, como sempre. Levei um susto quando Jonas me surpreendeu por trás. Mas, não pude deixar de sentir o quanto ele é forte. Acho que Rafael não soube de nada do ocorrido de ontem, por que as coisas estão normais entre ele e Jonas. Ele passou um pouco dos limites confesso, mas a Julieta não é nenhuma criança e o pai dela também sabe disso.

Estou com Julie no quarto. Ela é um amor. Tento distrai - la ao máximo já que eu não sirvo de nenhuma ajuda maior.  Tratando de zumbis eu realmente sou uma inútil. Eu deveria ter escutado a Eduarda e tentado aprender ao menos algumas coisas quando ela resolveu me ensinar. Mas eu não via graça alguma naqueles joguinhos ou naquelas séries. Era assustador. E bom, continua sendo para mim.

- Será que a Duda vai me falar sobre zumbis? Ela prometeu. .

- Claro meu bem. Ela só está um pouquinho ocupada agora. Mas ela sempre cumpre com o que promete está bem? - Tento animar Julie.

- Você conhece muito ela? São grandes amiguinhas? Eu tinha uma amiguinha assim. Ela vive aqui brincando comigo. O papai não gostava muito por que fazíamos um montão de bagunça. Era legal! - Julie sorri e me conta animadamente. 

- Sério?  E do que brincavam? Será que eu posso brincar com você? 

- Sim! Será que a tia Duda também quer brincar ? Ia ser muito legal! Vamos lá chamar ela por favor tia Ana!

- Mas..

- Por favorzinho. - Tudo bem, ela era uma criança fofa, difícil de resistir.

- Vamos. .mas vou dizendo logo que a tia Duda nunca gostou muito de boneca.. 

Criança é fogo. Eu sabia que Eduarda estava ocupada mas o que eu ia fazer? Duda que se vire para dizer não a uma criança.  

- Tia Duda!  Você quer brincar comigo e com a Aninha?  - Ai meu Deus,  me derreti.  

- Aninha? - Duda ri. Ela estava indo para algum lugar com Rafael. 

- Não minha filha. Estamos ocupados agora. Ela brinca depois. Tá bem? Primeiro temos que resolver algumas coisas para podermos ir embora. 

- Prometo que quando estivermos indo embora eu brinco o caminho todo com você. Combinado? 

- Combinado tia Duda! E a Aninha também.  - Julie diz toda contente. Ela gosta mesmo da tia Duda.  Eu não sabia como Eduarda levava jeito para crianças. Isso com certeza era novo para mim.


Pov Eduarda

Subimos até o terraço e era como Rafael disse : pequeno, mas servia muito bem. 

Olhamos ao redor e nossa situação não era tão complicada.  Se conseguíssemos sair por trás,  onde ainda não havia nenhum zumbi pois era protegida por um cercado alto, podíamos entrar na garagem onde estava a caminhonete de Rafael. O cercado era feito somente na parte de trás e pegava uma pequena parte do lado direito da casa, onde estava a porta de saída.  A entrada da garagem ficava a uns cinco ou seis metros de distância.  Seria arriscado demais pois no momento em que estivéssemos na frente da garagem, os zumbis conseguiriam nos ver, e alguns deles perambulavam por ali perto. Mas era nossa única opção. 

-  A sua garagem não tem entrada por trás?  Não me lembro de ter visto ontem a noite.

- Não,  não tem.

- Bom, isso vai dificultar um pouco as coisas. ..Vamos precisar matar alguns deles.

- Mas que droga.

- É nossa única opção. 

- Entendo. Mas só temos duas armas de fogo.

- E facas. Só vamos precisar de alguns cabos de madeira, cordas, fitas e dará para fazer uma boa arma.  - Rafael me olha assustado. 

- Você é doida. 

- As vezes. Agora vamos, precisamos arrumar tudo nas mochilas e partir o quanto antes, já estamos perdendo tempo.


Explico todo o processo para Max e ele sugere que matemos alguns dos zumbis que estão em volta do cercado, sem nos comprometer.  Assim seria menos arriscado quando tivéssemos que sair do cercado. Preparamos duas lanças com os cabos de madeira de algumas vassouras que Marta usava na casa. No terceiro eu usei fita para prender uma faca na ponta do cabo. Parecia bem firme. Deixei esta com Jonas. Pegamos as armas feitas e fomos até a área cercada. Não haviam muitos deles,  mas o silêncio era essencial para que outros não vinhessem para trás. 

- Rafael, fique com as meninas aí e não deixe que nenhuma delas saiam. Ok? Marta, posso contar com você? 

- Sim, claro. Ana e Julieta estão com Julie. 

- Ótimo.


Saímos e os mortos vivos ficaram bastantes agitados. Normal até aí. Fomos cravando as lanças na cabeça de cada um. Havia uma criança entre os mortos vivos que tentavam atravessar a cerca, eu odiava ter que fazer aquilo mas era preciso. Max parecia que havia ganhado na loteria. Jonas ia bem, parecia meio enjoado mas se saiu bem. 

- Tá funcionando Duda. É hora de irmos, enquanto não aparecem mais deles. - Max diz para mim assim que terminar de matar seu último zumbi.

Faço um sinal para que todos venham para fora para tentarmos sair.  Rafael e Marta vem trazendo as malas e as chaves que vamos precisar. Vejo Ana vindo logo atrás com Julie no colo, Julieta acompanha as duas.  Abrimos a porta do cercado e pronto, estávamos fora. Caminhamos apressados até a garagem no maior silêncio possível.  Estava tudo certo. Enquanto Rafael tentava abrir o enorme portão da garagem, eu, Max e Jonas fazíamos um pequeno cercado nas meninas para que tivéssemos visão de todos os lados. 

- Matilda é você?  O que faz ai?  - É Julie, parece que ela conhecia a menina que estava caída ao chão. - Olha tia Ana, é a minha amiguinha que te falei. Vamos lá ver o que ela tem! 

- Não pequena, não podemos,  tem que fazer silêncio.  Rafael anda logo! 

- Mas ela é minha amiguinha!  Quem são eles que tentam entrar na nossa casa tia Ana? São feiosos. Olha mamãe estão sujando a nossa casa. 

- Julie por favor fique quieta! - Marta estava nervosa assim como Rafael. 

- Eu quero ver a minha amiguinha!- Julie gritava e tentava se soltar do colo de Ana. Os zumbis foram atraídos pelos gritos e se dirigiam até nós agora. 

- Rafael! - Marta grita com ele. 

- Consegui!  Consegui! - O portão se abre e entramos todos. Max tranca logo em seguida. 

- Se afastem. Vão para o carro. - Max diz. Rafael e Marta jogam as bolsas na parte traseira da caminhonete e entram no veículo.  Os zumbis chegam à garagem e começam a querer entrar. 

- Estamos presos. - Max diz assustado.

- Não por muito tempo. Vamos. - Me dirijo ao banco do motorista e espero Max se ajeitar ao meu lado. - Certo. Todos com sinto. Rafael, me desculpe.  

- Pelo que ? - Ligo o carro e dou partida. Acelero e jogo o carro contra a parte traseira da garagem. E estamos fora.  Max grita feliz ao meu lado. 

- É por isso que eu te amo garota! - Contorno a casa e estamos na pista novamente. Olho pelo retrovisor e vejo os zumbis tentando entrar na garagem. Ótimo.  Missão cumprida.   

A caminhonete teve alguns amassados mas nada demais. Dava pra chegar até lá.   

- Todos bem? - Pergunto finalmente quando já estamos um pouco longe. 

- Não. Eu queria ver a minha amiguinha. - Julie diz toda triste. É de partir o coração.  

-  A Matilda vai ficar bem filha. - Marta consola a filha. 

- Mas aqueles mostros feios vão pegar ela mamãe. Eles são os zumbis não são tia Duda?  

- São sim pequena.  Mas eles não vão pegar você ok? 

- Promete?  

- Prometo sim. Agora descansa um pouquinho e quando você acordar eu vou cumprir a minha outra promessa. Você lembra qual foi? 

- Brincar de boneca!  

- Hã? Boneca?  - Sério?  Tinha que ser justo boneca? Olho pelo retrovisor e Ana ri da minha cara. É ótimo ver o sorriso no rosto dela. Aquilo me trás paz. - Isso, boneca... 

******* 

- Até que enfim ela dormiu, não é Eduarda?  Desculpe. Ela quase sempre é assim, não tem muitos amigos e quando vê gente diferente ela perturba mesmo. - Marta se desculpa pela filha depois de quase duas horas brincando sem parar com ela no banco de trás.  São três da tarde e estamos correndo para chegarmos a tempo em Nova Jersey, a cidade próxima. Não faltava muito, porém era melhor chegar cedo, não sabíamos a situação ou o desafio que nos aguardava.

- Não se preocupe Marta, ela é uma ótima menina. Nunca me diverti tanto com uma criança. - E não tinha mesmo, eu só tinha o meu pai, eu era filha única. Quanto ao restante da família eu não fazia idéia de onde estavam ou se ainda estavam vivos. Meu pai não me falava muito deles, e não faço idéia do por que, então nunca tive um contato grande assim com uma outra criança, ou se sim, não me recordo.  

- Duda, estamos ficando sem gasolina.  - Max pronuncia. Ele era quem dirigia agora. 

- Procure o posto mais perto. Vamos dar um jeito de conseguir. 

- Pode deixar. - Olho para Ana que está ao meu lado, ela parece não estar bem. 

- Oi, você vem sempre aqui? - Tento fazê-la sorri.

- Não muito... Só quando minha cidade é invadida por zumbis.

- Sabe que eu nunca vou deixar que te machuquem.

- Sim Duda eu sei. Mas é que... Nada disso era pra estar acontecendo. Olha pra essa menina. - Ela aponta pra Julie que dorme ao colo da mãe. - Ela acaba de ver sua única, ou quase única amiga, morta. Você não vai me proteger pra sempre. E pelo que vejo, isso tudo só está começando. Eu preciso aprender, preciso saber me virar sozinha. Se não fosse o meu grito de medo, aquele monte de mortos vivos não iriam se juntar todas na porta de entrada da casa deles. Eu só fiz piorar as coisas.

- Ei, não, eu também tenho medo, não pense que não. E eu também vou gritar que nem uma mulherzinha se algo me assustar mais que o normal. Se você quer aprender, eu te ensino. Te ajudo. Mas eu prometo que vou estar perto de ti, até onde o destino permitir. Tudo bem? 

- Lésbicas não gritam que nem mulherzinha.  - Ela diz e sorri.

- Ah, gritam sim. As vezes é até pior.  - Dou um beijo em sua bochecha encerrando aquele assunto. Ela estava apavorada eu sabia disso. Por isso pensei em fazer algo para deixa-la mais tranquila.  

Max para o carro e me dou conta que estamos perto a um posto de gasolina. 

- Vazio. Pelo menos é o que parece. Todos devem ter se mandado daqui enquanto tinham tempo. 

- Para mais perto pra podermos abastecer.  Rafael, pode fazer isso? Eu e os meninos vamos checar o local. 

- Claro. Meninas fiquem no carro. Já voltamos. 

Descemos os quatro em alerta, estávamos atentos a qualquer barulho ou movimento estranho. - Tô armado. Podem ir lá. - Rafael se referia à lanchonete que ficava perto do posto de gasolina.  

- Jonas, faz companhia a ele. - Max diz.

- Ok.

Fomos em busca de alimentos. Tudo seria bem vindo agora. 



- Tudo trancado. Parece não ter ninguém. 

- Ok Max. - O loiro bate com força o bastão de baseboll no vidro da lanchonete e ele se quebra, no mesmo momento um barulho ensurdecedor ecoa pelo ambiente. O barulho era do alarme de segurança. Mas que merda.

- Mas quem foi o idiota que colocou alarme nisso? Pelo amor de Deus, a pessoa não vai mais nem ver essa lanchonete.  

- Max temos que ser rápidos. Esse barulho vai atrair seja lá o que estiver perto daqui. Não tem como desligar ?

- Não sei, vou verificar isso. 

Enquanto meu amigo vasculhava o local para ver se achava o nosso problema, decido ligar a televisão. Até agora estávamos cegos quanto ao que o presidente estava fazendo para fechar a cidade. Para minha sorte um canal pega e claro que ele tem todo o foco no caos.

- Não cortaram ainda o sinal por aqui .. Que puta sorte tivemos em Duda. 

- Verdade Max. Olha isso. - Fixamos o olhar na telinha. O barulho já tinha passado, Max havia dado um jeito. 

- Um muro? Sério? - Sim, por incrível que pareça o presidente estava tomando as providências.  O canal mostrava um enorme muro sendo feito, um helicóptero fazia cobertura e mostrava a extensão na qual seria montado o grande paredão. Eles destruíam tudo que ficava no caminho do muro, e assim ele ia sendo formado. Milhares de pessoas trabalhavam na sua criação. Exércitos ficavam de guarda esperando pelo pior. 

- É uma boa idéia, só que vai demorar demais até conseguirem levanta - lo numa altura segura. 

- Sim. E será que seguraria os zumbis?

- Espero que sim Max.

- Agora vamos pegar tudo o que precisamos, e vamos sair daqui. 


Rafael já havia enchido o tanque e separado alguns galões para a viagem. 

- Todo seu Rafael.  Pode assumir daqui pra frente. - Digo a ele.  Rafael era quem iria dirigir agora.

- Vamos lá atrás. Precisamos conversar. - Max diz. Eu o sigo até a caçamba da caminhonete.  Nos ajeitamos lá atrás junto com as mochilas e os alimentos que havíamos separado.  Rafael da a partida no carro e seguimos viagem.

- Pode dizer ..

- Não é nada demais. Eu só estou preocupado. Não confio muito nesse Jonas.  - Max diz me olhando sério. 

- Peguei ele olhando demais pra ti. Não tirava os olhos um minuto. Era como se fosse te devorar a qualquer momento.  - Não era ciúmes. Pelo que conheço de Max, ele estava realmente preocupado. E somente isso.  

- O que?  Ele não vai fazer nada Max. Fica tranquilo. . Tudo bem?  Ontem a noite pegamos ele com a filha do Rafael.

- Quê? Mas que filho da mãe! Tá vendo como ele não presta Duda. Se o Rafael pega ele... já era.

- Pois é. ..mas a moça não parecia nenhum pouco indefesa.  

- Você disse "pegamos" .. Você e quem pegou ele com Julieta?

- Ana né. Quem mais seria..

- Ah entendi... - Max sorri maliciosamente para mim.

- O que foi? - Pergunto me fazendo de sonsa.

- Sabe Duda... Você pode se abrir comigo quando quiser... Somos amigos se você bem se lembra disso. ..  A anos.. - Pela primeira vez o vejo interessado em algo do tipo. 

- Sim é claro que lembro. Mas isso é uma coisa que eu não sei definir ao certo ainda.

- É tesão cara. Tá na sua cara meu Deus. Que retardada.  - Max me faz ri. Rir à beça. 

- Tesão Max? Por favor né. .

- Tá, vamos lá. .. Primeiro, você olha pra ela com desejo. Da até pra pegar no ar o desejo, de tão grande e pesado que é.  Segundo, vocês já parecem um casal de tão carinhosas e ciumentas que são uma com a outra. Tenho certeza que não foi somente eu que percebi os olhares do senhor Romeu pra cima de você.   E terceiro... Ah,  caramba  ..- Ele faz uma cara de confuso.

- O que foi? - Pergunto.

- O que vocês estavam fazendo acordadas aquela hora da noite?! - Ele praticamente grita. - Vocês estão transando e não me falaram nada!

- Max, fala baixo cara!  Não é nada disso! Eu bem que queria, mas não era isso. 

- Filha da puta! Você queria! Tá vendo como estou certo?! Você gosta dela!

- É tá bom, tá bom! Eu amo ela. Agora da pra você falar baixo?! - Digo quase tampando a boca dele com a mão.  As vezes ele era pior do que uma mulher. 

- E ela? - Ele pergunta sorrindo, menos histérico.

- Ela não sabe e nem vai saber. Até por que pra ela somos só amigas. E ela não curte mulher. - Falo meio triste. É difícil pra mim. Mas qual lésbica nunca se apaixonou por uma mulher hetero?

- Eu acho que você deveria contar. Só pra saber a reação dela. Sei lá,  depois você fala que estava brincando.  O mundo tá acabando mesmo.  Quem sabe até quando vamos sobreviver né.  E se você morrer sem dar um beijo nela eu juro que boto um zumbi filha da puta pra morder a sua bunda! - Max estava sendo um conselheiro. Aquilo sim era novidade. Acho que o fim do mundo estava afetando seus neurônios. 

- Não sei não Max. . Ela me disse uma vez que não ficaria com mulher.

- Monamur, você é  A mulher. Não é qualquer uma não. 

- É,  sou A amiga ela. A MELHOR AMIGA. - Falo dando ênfase ao "melhor amiga".  

- Qual seu problema? Acha que ela nunca se apaixonaria por ti? 

- Sim. Pra ela não faz sentido isso. Somos quase irmãs.  Ela gosta de homens. Nunca ficou com uma mulher.  Por que ficaria comigo?

- Talvez por você ser linda, carinhosa, gostosa pra caralho.. Não sei, talvez. - Max tinha um jeito de me elogiar que me fazia sorrir bobamente.  - Não tô mandando você assustar ela com essa bomba. Só tô pedindo pra você considerar, sondar ela... observar mais. E talvez você tenha sua resposta. Eu não deveria estar te dizendo nada disso, pois isso era o óbvio a ser feito. Tem que arriscar pequena. Se não você vai morrer com esse sentimento na garganta.  Ou ele mesmo tratará de te matar sufocada.

- Tem razão. .. Isso não vai doer se eu fizer.

- E faça logo. Por que o Romeu ali não perde tempo e atira pra todos os lados. - Max aponta para dentro da caminhonete e vejo Jonas sentado perto de Ana. Os dois parecem estar com bastante assunto.

- Eu é que estou com vontade de atirar nele agora. - Max ri da minha cara.

- Sério, vocês formariam o melhor casal da história! A ogrinha linda e a princesinha mimada. Eu aprovo!

- Ela não é mimada Max. - Falo sorrindo.

- Aham, e eu sou Michael Jackson. - Ele dá uma piscadinha pra mim. Todo charmoso e debochado. - Vem cá. Deixa eu te dar um abraço. - Vou para seus braços fortes e sou esmagada por eles. Me sentia segura ali. Era bom demais tê-lo ao meu lado, me protegendo e cuidando de mim.

- Te amo meu maninho. Obrigada por tudo.

- Te amo ogrinha. Mas não diz pra ninguém que eu falei isso. Podem duvidar da minha masculinidade.  - Pela primeira vez em muito tempo eu o ouço dizer aquilo. Diretamente.  Me sinto forte para enfrentar qualquer coisa.

- É tão bom te ter aqui.









Notas Finais


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