História Eu, ele e o vira-lata - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Cometa um amorzinho


"pelo amor de deus, vai com calma nesse kit kat." chenle arregalou os olhos. não sabia onde estava com a cabeça quando resolveu comprar chocolate naquele calor. o kit kat estava derretendo, grudando na embalagem e nas mãos de jisung, mas mesmo assim ele não parecia querer parar de comer.

depois de certo tempo de convívio, chenle havia começado a notar que park jisung era um pouquinho desajeitado com as mãos na maior parte do tempo. vivia derrubando e quebrando coisas com uma naturalidade assustadora. às vezes era fofo, às vezes era meio desesperador. não diria isso para jisung em momento algum, mas talvez fosse culpa daquela altura toda, certo? tipo aqueles cachorros grandões e atrapalhados.

negou com a cabeça diante daquela cena. jisung devorava o chocolate como se ele e o kit kat estivessem num momento íntimo. no canto da calçada, ao lado dos pés dele, keita observava lambendo os lábios, com inveja. chenle observava com o cenho franzido e um pouquinho de vergonha alheia.

"você vai ficar com dor de barriga."

o mais novo desviou os olhos da embalagem por um momento. encarou chenle com os olhos cerrados.

"você tem 40 anos?" perguntou, com a boca meio cheia. "pois eu vou comer um montão. e você devia também."

sem se importar de fazer mais bagunça, jisung segurou o restante do chocolate e quebrou uma barrinha já meio mole. aproximou-a do rosto do menor, que o fitava com um sorriso incrédulo, perguntando se jisung estava mesmo fazendo aquilo.

sim, jisung estava esperando ele morder o chocolate em suas mãos.

e chenle não sabia muito bem porque mordeu o chocolate nas mãos dele.

os dois riram de boca cheia e embarcaram num semi-silêncio, que só era interrompido pelos sons de mastigação, pelo ruído dos poucos carros da rua e pelos bocejos aleatórios de um keita dorminhoco. dentro de pouco, o cãozinho havia se debruçado sobre o tênis baixo de jisung e desistido de ganhar seu próprio pedaço de kit kat.

chenle estava flutuando. sequer notou que continuava sorrindo, mesmo depois de tantos minutinhos quietos.

estava perdido em jisung. na paisagem que ele sempre carregava junto dele.

não importava onde estivesse — sentado na calçada ou largado no sofá de casa. com os cabelos molhados pós banho ou desidratados depois de uma longa noite de sono. junto de seu cachorrinho favorito ou solitário em sua bicicleta. usando seus óculos de grau ou os substituindo por lentes de contato. ele sempre parecia fazer parte de um cenário bonito, pronto pra ser pintado.

ou apenas emoldurado dentro do coração de chenle. 

suspirou. um calor grande começava nas mãos e terminava em frio na barriga.

ele sentia medo da intensidade daquele sentimento e uma energia absurda formigando os pés.

se fechasse seus olhos, ouviria uma voz distante e desconhecida sussurrar o que precisava fazer.

se entregue, ela diria.

"se entregue." ele disse, baixinho, para si mesmo.

"disse alguma coisa?" jisung piscou algumas vezes.

a embalagem do chocolate estava vazia nas mãos dele. o restante da cobertura derretida estava na ponta de seus dedos, e principalmente, ao redor da boca.

chenle sorriu. 

"tá sujo aqui."

se aproximou mais do garoto sentado ao seu lado. ergueu seu polegar. percorreu trêmulo a linha dos lábios definidos de jisung, de forma leve.

quando afastou-se, apesar de ter conseguido remover o excesso do chocolate, uma manchinha marrom continuava abaixo do lábio inferior, à direita.

era uma pintinha. 

olhou um pouco mais acima. jisung estava de olhos fechados desde o momento onde seu rosto havia sido tocado. 

chenle só conseguiu sorrir mais, antes de fechar seus olhos também. levou seu rosto cada vez mais para frente, até sentir a pontinha do nariz de jisung fazer cócegas em sua bochecha. roçou seus lábios devagar. deu início a um beijo lento e saboroso. degustava jisung com sua língua. doce, no sentido literal.

quando o contato se rompeu, não havia mais chocolate ao redor da boca de jisung. apenas o aspecto úmido e o vermelho vibrante de seus lábios pós beijo, esticados num sorriso tímido. a mão de chenle continuava repousada sob aquelas bochechas quentinhas, enquanto ele o admirava. mas algo roubou sua atenção. 

"olha ali! outro vira-latinha." apontou. um pouco além da fachada do escritório, um cachorro andava perdido pela avenida.

estendeu sua mão em forma de pedido. jisung entendeu no mesmo instante. de dentro de seu moletom, tirou um dos saquinhos de ração que sempre carregava consigo e entregou-o para chenle, que tratou de ir até o local. 

"o que você vai fazer?" jisung gritou, tentando acompanhar seus passos rápidos. puxou keita pela guia de passeio. o mesmo se colocou de pé e apressou-se com a mesma prontidão que os dois.

"o que parece que eu vou fazer?" chenle gritou de volta. abaixou-se próximo ao meio fio e tentou caminhar de modo inofensivo para não assustar o cachorro. "ei, coisa linda! vem aqui!" chacoalhou o saquinho em suas mãos. tirou alguns grãos de dentro dela e estendeu-os em sua mão direita para deixar mais atrativo. no entanto, mas carros se aproximavam e o cachorro permanecia no mesmo lugar. "vem cá, vem cá!"

o olhar assustado fazia o vira-lata cessar os passos sempre que tentava se aproximar do estranho no canto da rua.

jisung já tinha visto aquela cena dezenas de vezes. um cão magro, de pelo sujo, pequenas feridas ao longo do corpo e rabo entre as pernas, não confiaria em alguém desconhecido tão fácil assim.

"ele tá morrendo de medo, le." jisung alertou, mas controlou seu tom de voz. ao seu lado, keita latia esganiçado, tão preocupado quanto ele. precisou segurá-lo no colo para acalmar seus ânimos e não assustar mais o cão perdido. enquanto isso, chenle não deu ouvidos e se aproximou mais. "não vai dar certo." disse, quando tudo que o cachorrinho fez foi se afastar ainda mais do secretário. "le, ele tá no meio da rua!" alertou o óbvio. quando olhou ao redor, viu que a cena era ainda mais caótica do que parecia. "você tá no meio da rua!"

alguns carros notavam o que estava acontecendo e paravam. outros, apressados, desviavam perigosamente em alta velocidade. além disso, haviam as buzinas estridentes manifestando a impaciência de alguns. mesmo no colo de jisung, keita continuava latindo.

"quero só ver quem é o otário que vai atropelar eu e um cachorro de rua!" chenle gritou, como se fosse possível ouvi-lo acima daquela baderna.

jisung negou com a cabeça. num momento, estava de pé na calçada tentando impedir que aquela situação piorasse. no instante seguinte, estava no meio da rua fazendo gestos desesperados com a mão livre, pedindo para que os veículos ao redor esperassem o cãozinho sair dali.

ao som de buzinas e xingamentos, ficaram no meio da rua até o cachorrinho se acalmar e não deixar mais nenhum grão de ração na palma da mão de chenle, que saiu com o vira-lata pesado na mão direita e um belo dedo do meio na mão esquerda.

 

cometa um amorzinho


Notas Finais


boa noite galerita amo vcs!
quero agradecer aos comentários no capítulo anterior pq vcs realmente deram a opinião de vcs sobre esse lance de drabble chapter, e ainda me deram um puta apoio pra postar a fanfic nova. ela já está entre nós, alguns de vcs já conheceram, ela se chama let the kids stay raw, eh super emo e >MEIO< enemies to lovers kkkkk
https://www.spiritfanfiction.com/historia/let-the-kids-stay-raw-18257246

eh isto! obrigado por tudo sempre sempre. ate o prooxxx
https://open.spotify.com/playlist/5C3mwKIP5IUT1PdBjE1PHl?si=C93lGpRaRl2ga00U5PlUPQ


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