1. Spirit Fanfics >
  2. Eu, ele e o vira-lata >
  3. Sem título

História Eu, ele e o vira-lata - Capítulo 13


Escrita por:


Notas do Autor


DESCULPem o horário de novooo essa semana vai ser doida T_T
boa leituraaa

Capítulo 13 - Sem título


aquele não foi só um treino que jisung decidiu não ir.

aquele, na verdade, foi o ponto de partida para um estranho período.

sua falta no basquete foi multiplicada por algumas dezenas. ficar com chenle era simplesmente muito melhor.

jisung também perdeu o aniversário de um ou outro amigo próximo, mas não se sentiu mal. preferia estar com chenle.

sequer soube que seu anime favorito havia começado a ser exibido na tv aberta. tinha outras coisas em mente, afinal.

estava tão ocupado que ficou uma semana inteirinha sem varrer a casa. sua rotina estava muito agitada. não tinha tempo pra isso. 

e esse era só o começo da lista sobre aquele comportamento. coisas que só chenle notava. ao menos, ele era o único entre os dois que enxergava algo de errado naquele hábito.

mas não era como se tivesse coragem o bastante para pedir que ele parasse.

 tinha medo de que fosse obedecido.

por isso, deixou o tempo passar. abria a boca para pedir beijo e para dizer que a voz dele era gostosa. apreciava com todo o coração seus segundos divididos e cada vez mais cotidianos. ao lado dele tudo corria bem.

os fantasmas só alcançavam chenle quando estava sozinho. aí, ele tinha de lutar.

repetia para si mesmo que jisung não era um vilão, tampouco uma criança boba. ele só fazia tudo aquilo porque era seu jeito particular de transbordar o que não cabia no peito.

chenle queria se sentir grato, mas tudo o que via era jisung abrindo mão da própria história para se juntar ao caos dele.

pensou sobre isso, deitado no chão, encarando o teto bege da sala de estar de sua casa. suas mãos dedilhavam acordes soltos em seu violão recém comprado.

sentia arrepios. já havia arriscado algumas notas antes, quando ainda frequentava a igreja com sua mãe. a mulher fazia parte da banda da paróquia e o deixava mexer nos instrumentos após os ensaios. no entanto, ter seu próprio violão era uma sensação tão única que ele ainda estava em fase de se acostumar.

jisung estava ali ao seu lado. também encarava o teto.

desde que havia acompanhado chenle até o centro musical, as conversas largadas dos dois viraram ruídos sobrepostos à notas sem dono. acordes despreocupados, ainda meio desafinados, que não possuíam objetivo ou propósito, eram a trilha sonora de seus diálogos.

"o que você vai fazer quando acabar a escola?" perguntou o mais velho.

sentia os fios grandes do cabelo de jisung fazerem cócegas em suas bochechas. suas cabeças estavam bem próximas, uma ao lado da outra, mas ele estava deitado no sentido oposto ao de seu corpo. seus pés apontavam para a parede, e os de chenle, para a porta.

"não sei. algo com animais." jisung sorriu e afagou a cabeça do cachorrinho resgatado. aliás, não aguentava mais chamá-lo daquele jeito, mas os dois concordaram que não deviam nomeá-lo. aquela seria uma tarefa do futuro dono do cachorro.

"veterinário?"

"de jeito nenhum. ia desmaiar toda vez que visse um bichinho sangrando." jisung justificou, de imediato.

sua voz havia subido demais, arrancando uma risada espontânea de chenle.

"hm, tosador...?"

refletiu por um instante. olhou para o vira-lata. ele já tinha ganho mais peso e seu pelo estava nitidamente mais brilhante.

"pode ser. mas queria cuidar de cães de rua." 

chenle lhe disse o óbvio. nem mesmo sua voz doce ou a canção melódica de seus dedos puderam poupar aquela verdade dolorida.

"mas aí não vai ter ninguém pra te pagar."

jisung abriu um sorrisinho triste. virou-se de bruços, passando a se apoiar em seus cotovelos.

"pois é."

aquela posição era estranha, porque chenle continuava deitado de barriga pra cima, esparramado no chão com o violão nos braços. a diferença era que agora, ao em vez de perder os olhos na pequena imensidão de seu teto bege, jisung estava no seu campo de visão. o encarando.

prosseguiu com o assunto.

"e o basquete?"

jisung não respondeu no momento. ao em vez disso, correu uma das mãos pela lateral da face do mais velho. seu toque deslizava devagar, levando os fios maiores de seu cabelo macio para atrás da orelha. tocá-lo era viciante e relaxante. um sentimento que havia lhe roubado as palavras e a atenção.

sequer lembrava de que parte da conversa estavam. 

"você tem olhos lindos." disse. voz melódica, sorriso bobo.

uma nota grossa ecoou para fora do violão. chenle cerrou os olhos e o fitou de volta, sentindo...

dor.

"é só nisso que você pensa agora?" ergueu as sobrancelhas. "em mim?"

jisung interrompeu o carinho. sabia onde chenle queria chegar com aquilo. e resolveu desafiá-lo, usando sua convicção.

"e se for?"

chenle fechou os olhos. negou com a cabeça.

sentou-se no chão e afastou o violão de seu corpo, encostando-o no pé da cama.

estava de costas para jisung. escondia o rosto entre as mãos.

"não pode ser, idiota. não pode."

sua voz estava amarga. exatamente da mesma maneira que jisung havia passado tanto tempo sem ouvir.

sabia o que ele estava pensando. 

"me deixa adivinhar. eu vou me machucar?"

"é. vai." chenle cuspiu ríspido, visivelmente irritado com o tom cínico daquela fala. "é uma bagunça aqui dentro, eu já te disse."

jisung não acreditava que estava ouvindo aquilo mais uma vez.

era como se houvessem voltado ao início de tudo. retrocedido mil casas num jogo de tabuleiro.

mas não estava bravo. sabia chenle não tinha a intenção de feri-lo. só queria continuar se culpando por coisas das quais não tinha controle.

jisung queria ajudar, não brigar.

engatinhou, até estar perto das costas de chenle. ajoelhou-se atrás do mesmo, sentando sob seus próprios calcanhares.

fechou os olhos, reunindo toda confiança necessária para que conseguisse abraçar a cintura dele, apoiando o queixo em um de seus ombros.

queria mantê-lo ali, entre suas mãos. onde podia cuidar dele e prender-se na ilusão de que o trazia calma.

"eu não ligo." sussurrou. "eu posso regar você. você me rega de volta. a gente floresce junto."

permanecia de olhos fechados. por isso, quando os ombros de chenle vibraram, ele não soube dizer se o rapaz estava chorando ou dando risada.

"na vida real, poesia não basta, park." chenle finalmente deixou de cobrir o rosto. por cima dos ombros dele, jisung pôde ver as palmas molhadas de suas mãos. "mas você ainda não sabe disso."

jisung só conseguiu aguentar até ali.

desfez o enlace. levantou seu corpo e sua voz.

"eu não sei de porra nenhuma, né?" o timbre grave estava quebradiço, irritado. foi tão de repente que o vira-lata botou suas orelhas de pé, e chenle precisou se virar para acompanhá-lo. "você só me vê assim. com inocência e imaturidade." fazia gestos brutos e acusatórios na direção do outro. "minha única utilidade é satisfazer você, te beijar quando você quer. porque além disso, eu sou um idiota, como você mesmo diz."

"do que você tá falan-"

"da verdade!" gritava, como se o tom de suas vozes já fizesse contraste o bastante. "isso não vai dar em lugar nenhum."

chenle se levantou também.

"e qual é o problema?" gritou de volta. "por que a gente precisa saber pra onde tá indo?"

em passos pesados, jisung destruiu a distância entre os dois. sua respiração pesada batia contra a feição dura chenle.

"é assim que funciona pra você. por que não tenta olhar pra mim um pouco?"

o fogo que emanava dos dois havia consumido o quarto inteiro. aquele lugar estava em chamas.

embaixo da cama, o cão resgatado se encolhia no canto da parede.

jisung não acreditava no que aquilo havia se tornado. não conseguia continuar ali.

passou por chenle. recolheu sua mochila pendurada no armário, vestindo-a nos ombros.

"vou pra casa."

segundos estáticos dissiparam o medo nos olhos de chenle.

alguns outros segundos mais, transformaram o temor em riso.

"não acredito que você tá fazendo isso." gargalhava, balançando a cabeça, esmagando o próprio coração.

foi rápido demais. 

"do que você tá rindo, porra?"

as mãos de jisung atingiram o peito dele num impacto certeiro, fazendo chenle perder o ar por alguns instantes, antes de perder o equilíbrio e cair sentado.

os ombros do mais novo subiam e desciam de modo frenético. oxigênio nenhum era capaz de fazer seus pulmões se acalmarem.

intercalava o olhar entre o corpo no chão e suas próprias mãos, responsáveis por aquilo. não sabia o que fazer, ou por onde começar a se acalmar. sua mente estava um breu.

chenle apenas continuava rindo, num tom cada vez mais esganiçado e vazio.

"é que eu não peço pra ninguém ficar." sorriu. "e não vai ser diferente agora." um rio de lágrimas encharcava seu rosto. "sinto muito."

jisung assistiu seus próprios pés caminharem para trás. 

"não, chenle." sua visão estava embaçada pelo choro, mas precisava se ver longe daquilo tudo. "sou eu que sinto."

saiu pela porta. não bateu-a atrás de si. o cachorro o seguiu até a sala de estar.

chenle estava sozinho com um maço de cigarros de novo.
 

 

sem título

 


Notas Finais




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...