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História Eu estava aqui o tempo todo - Capítulo 1


Escrita por: unaescritoraqualquer

Notas do Autor


hoje acordei com vontade escrever essa continuação, então segue a bichinha.<br />Deixem seus comentários :)

Capítulo 1 - Capítulo Único


 

— De novo? - eu perguntei sem animo vendo o loiro se assentar na cadeira na minha frente, eu estava fugindo dessa conversa o dia inteiro, mas ali estava ele, me encurralando no refeitório quase vazio da faculdade.

O loiro assentiu de novo, balançando a cabeça com os cabelos loiros, também sem ânimo, nem ele aguentava mais isso.

— Eu não sei mais o que fazer Sakura-chan - ele deixou toda a tristeza aparecer naquela frase, ele também sofria com tudo, mas não mais que eu, eu estava despedaçada por dentro, todas as vezes que loiro falava sobre ele eu ficava mal, todas as vezes que isso acontecia parte de mim se destruía.

— Eu não sei também - apoiei minha cabeça em uma das minhas mãos - Eu não posso mais suportar isso - meus olhos ardiam de novo, eu não queria chorar de novo, eu já tinha chorado o bastante na noite anterior.

— Eu não suporto vocês assim - resmungou do outro lado da mesa - Eu sei que ele não te merece, mas... - eu ouvi ele titubear e sabia que ele precisava ver meus olhos, foi então que eu levantei meus olhos, por trás do mar de lágrimas que eu tentava manter dentro deles - Eu sei que você faz bem para ele.

O loiro exigia demais de mim, era difícil suportar a dor do término recente com aquele olhar dele pedindo que eu voltasse para ele ou que desse uma segunda chance a nós, como sempre ele ficava mal e mandava o loiro fazer o meio campo.

Eu suspirei, não queria ele de volta, eu tinha pedido para ele não me procurar, mas não tinha dito nada sobre o loiro parado ali na minha frente. Maldição, como eu podia ser tão boba assim?

Senti meu rosto quente, lá estavam elas, as mesmas lágrimas que eu tinha compartilhado com minha colega de quarto, Ino, ela tinha ouvido meu desabafo a noite inteira, e eu tinha chorado como nunca, mas parece que eu ainda tinha lágrimas para dar ali.

— Deidara - eu disse com a voz trêmula, passei a mão no rosto limpando o rastro que a minha dor deixava sobre minha face - Eu não posso fazer isso - respirei fundo e me levantei - Eu preciso seguir com o que eu decidi - coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha - Eu não quero mais essa dependência dele.

Dei passos firmes até o corredor que eu sabia que levava para o banheiro menos movimentado da faculdade. Passei pela porta e lá estava o lugar vazio, fui até o último box, já sentindo os soluços virem no peito com toda força, fechei a porta do box e sentei-me no vaso, colocando as mãos na minha cabeça eu chorei de novo, deixando a dor que estava no meu peito se rasgasse para fora.

Como era difícil viver isso, esse inferno de idas e vindas estava acabando com a minha saúde emocional, eu não queria isso, mas  eu estava sendo puxada de novo e de novo.

Deixei que minha dor saísse, ele não precisava saber que eu estava assim, ele sequer se importava, pelo que eu bem lembrava do jeito dele, ele não ligava para nada que não fosse o ele sentia e queria.

Ouvi a porta abrindo e fechando, eu tentei segurar o choro um pouco, mas a dor parecia não me obedecer, um soluço escapou de meus lábios e uma onda nova de lágrimas alcançou meu rosto.

— Eu sei que você está aí - pude ouvir a voz que tanto tinha me ajudado esses dias e alguns segundos depois a porta do meu box abriu mostrando Ino com a cara de preocupação que ela sempre tinha quando me encontrava naquele estado.

Eu vi ela se abaixando e senti os braços dela me acolhendo, meu corpo só precisava daquilo para que a dor que eu segurava saísse com toda força, eu não conseguia controlar os soluços.

— Vamos para o alojamento - ela disse depois de um tempo me abraçando.

Eu não sentia mais nada no meu corpo, mas ela me guiou, eu só lembro de passar por alguns corredores e ver as meninas me olharem com cara de pena, eu não queria aquilo e nem imaginava como estava minha aparência, só voltei a ter consciência que eu era eu de novo quando me sentei na cama, vi Ino fechar a porta do nosso quarto.

— Sakura - ela caminhou e sentou-se ao meu lado - Não quero te ver assim, e eu juro que vou matar o loiro megafone - ameaçou brincalhona, por um segundo eu dei um sorriso e de novo voltei a dor que eu estava tentando enterrar no meu peito - Quer conversar? - e lá estava de novo a cara de preocupação da minha amiga.

Balancei a cabeça negativamente e tirei meus tênis, eu só queria ficar quieta, Ino entendia isso, ela deu um sorriso leve e levantou-se, foi na direção da nossa pequena copa, eu ouvi a água sendo aberta e em seguida ela estava de volta, segurava um copo e com água e estendia para mim, eu peguei e ela se sentou de novo na cama.

— Amiga, você não precisa passar pela dor sozinha - ela me fez um afago enquanto eu tomava um gole da água.

— Eu sei - suspirei e voltei a olhar para ela, os olhos azuis sempre me acolheram nos piores momentos, todos os momentos principalmente que ele havia me quebrado - Amiga é que só foram duas semanas - meus olhos vacilaram de novo - Ele estava com outra ontem - e as lágrimas voltaram, eu sentia meu peito comprimido pela dor mais uma vez - São quantos anos Ino? - perguntei retoricamente.

— Seis - ela respondeu com pesar.

— Ele quer me deixar doente - soltei no meio de um soluço.

— E é por isso que ele não te merece - ela suspirou também.

Eu concordei e lembrei de novo da cena que fazia meu coração doer. 

Eu tinha dedicado seis anos da minha vida para ele, quando nos conhecemos ainda éramos adolescentes, eu lembro como o olhar dele me capturou de um jeito que ninguém ainda tinha me capturado.

— Eu posso fazer todas as meninas da escola terem inveja de você — foi a frase que ele me disse ao me pedir em namoro. 

Ele era o galã da sala, talvez da escola, e eu boba e ingênua, achava mesmo que ele estava querendo me deixar fazer parte da vida dele, aceitei o pedido como se ele estivesse me pedindo para caminhar ao pôr do sol com ele, mas eu estava enganada.

A primeira dor foi quando eu soube que ele havia estado numa festa, ao qual eu não pude ir, devido aos meus compromissos com os estudos e com a minha obediência aos meus pais, e nessa festa ele acabou ficando com uma amiga minha.

Amiga, eu sorri amarga, que amiga que faria o coração de outra se despedaçar? Não era minha amiga, mas eu lembro das palavras que ele disse quando eu o questionei sobre isso.

— Você não estava lá, ela deu em cima de mim - e a culpa era minha de novo, eu aceitei essa culpa porque no final a abstinência dele era maior, o olhar dele me prendia e me puxava de novo, não conseguia sair daquela onda de emoções quando eu estava com ele.

A segunda dor foi quando estava numa festa com minhas amigas, eu estava esperando por ele, mas ele estava demorando a chegar no local combinado, dessa vez eu estava lá e quando Ino e Hinata me chamaram para ir no banheiro eu encontrei com ele e um amigo dele, ambos dando em cima de outras meninas, ele me viu.

Eu era inútil, pensava, não conseguia nem sequer fazer ele feliz com o amor que eu tinha, por isso que ele tinha que buscar o amor de outras formas em outras mulheres.

— Nenhuma delas é como você - ele disse a verdade naquela noite, eu chorei na frente dele, nenhuma delas era como eu mesmo, eu estava ali submissa a dor e a humilhação que ele me fazia passar, por migalhas de amor que eu achava que merecia.

Ficamos nessas idas e vindas no ensino médio até o começo da faculdade, ele não estudava o mesmo curso que eu, mas estudava na mesma faculdade, nos víamos quase todos os dias, e os primeiros dois anos geraram tantas feridas em meu coração que eu já não aguentava mais, até que duas semanas atrás eu decidi colocar um ponto final na dor e na tortura que esse amor estava causando em meu coração.

— Você não entende Sakura - ele disse como se eu estivesse louca, afinal quem em sã consciência terminaria um relacionamento perfeito?

— Você não entende - eu tentei não me perder na minha dor, eu não queria fraquejar diante dele de novo, não queria ceder ao olhar dele que me pedia coisas impossíveis - Eu não quero mais viver isso, eu não quero ser um capacho emocional, eu estivesse do seu lado durante tempo demais para ver que seu amor não avança além disso - eu lembro que fui o mais forte que pude, mas a postura dele mexia comigo.

— Não entendo o que você quer de mim - e lá estava o sorriso de novo, sempre rindo dos meus sentimentos, sempre me convidando a me afundar de novo na dor pelo prazer mínimo que ele me causava.

— Você não precisa fazer nada - eu disse firme, sustentei meu olhar, mesmo meu coração doendo por eu estar finalmente dando adeus àquela parte da minha vida que não me deixava viver direito, eu sabia que merecia mais do que aquilo que eu estava bebendo - Eu estou indo embora e não quero mais esse enrolo que estamos - e aí minha voz vacilou, eu lembro que eu senti as mãos dele segurando meu rosto, me puxava de novo para aquela tempestade.

— Mas eu preciso de você - foi a súplica na voz e o brilho nos olhos dele que me fizeram sangrar internamente tantas vezes. 

— Você não precisa - eu disse a verdade, eu não fazia diferença na vida dele e eu sabia disso, no fundo talvez ele soubesse que eu sempre estaria disponível quando ele precisasse, mas a verdade é que eu não queria mais estar disponível, eu queria poder ficar indisponível e eu tinha esse direito, embora me faltasse forças.

— Você não vai ficar longe por mais de uma semana - e aí foi a sentença dele, tão imponente, como sempre era.

Eu lembro de ter balançado a cabeça concordando, com toda a dor atingindo meu coração naquele momento ele só queria usar aquele momento de despedida para mostrar o quão fraca eu era, como eu estava dependente dele, como eu queria ser a única na vida dele.

Passei por ele e estava saindo do quarto dele quando senti a mão dele puxar meu ombro, me virando para ele eu pude ver de novo a raiva que ele sentia por finalmente eu estar dando um ponto final naquele episódio dolorido na minha vida, antes que eu pudesse falar qualquer coisa a porta do quarto dele se abriu, revelando um dos meus colegas de curso que, assim como Ino, sabia como ele me fazia mal, como ele me fazia morrer dia após dia.

— Sakura, estava te procurando— meu amigo disse olhando não para mim, mas para ele.

— Estou indo Suigetsu— eu disse com a força que me restava, eu sabia que as lágrimas estavam chegando e precisava sair dali o mais rápido possível, Suigetsu sabia disso também, ele sabia da minha decisão, Ino havia contado para o nosso grupo o que eu faria e todos me incentivaram a continuar com o plano, eles estavam do meu lado - Pode me soltar?— eu virei de novo para ele, afinal a mão dele ainda segurava meu ombro, os dedos apertavam a minha pele com uma força que eu sabia ser controlada, mas que mesmo assim machucava, assim como machucava o jeito que ele olhava para mim, de cima a baixo e depois para Suigetsu, como se eu fosse um pedaço de cocô que ele havia pisado.

— É por causa dele?— ele disse, como se fosse uma piada. Ele soltou o ar pelo nariz e soltou meu ombro em seguida, com escárnio o sorriso surgia nos lábios bonitos dele.

Eu balancei a cabeça negativamente, Suigetsu sabia o que aconteceria em seguida, por isso senti as mãos dele sobre meus ombros, ele me puxou para mais perto e estava me guiando para fora do quarto, meus olhos ainda estavam sobre ele.

— Você é um grande idiota - Suigetsu disse parado na soleira da porta, olhando para ele.

— Boa sorte com ela, não vale a pena o esforço— as palavras dele foram como veneno em mim, eu queria mesmo ter ido embora antes dele despedaçar mais ainda meu coração - Se conseguir levar ela para a cama me avisa onde que eu errei— tarde demais, lá estava o único fio que segurava meu coração junto indo para o ralo.

Meu peito queimava de dor e eu não conseguia mais juntar os pedaços, as lágrimas escaparam dos meus olhos como se tivessem vida própria, senti Suigetsu atrás de mim pensando no que fazer, se me acolhia ou revidava o que ele tinha dito.

— Sasori — eu finalmente disse o nome que me fizera sofrer um amor iludido e doído durante todos aqueles anos - Não me procure mais - eu sentenciei finalizando aquele diálogo doloroso e vi que o semblante dele voltou para o escárnio.

Suigetsu me guiou para os braços de Ino no meu alojamento, e eu lembro de ter chorado a noite inteira com ela tentando me acalmar, ali estava eu de novo, sentada na cama e chorando por ele, mesmo depois de ter sofrido tanto eu sabia que a ferida estava aberta, mesmo vendo como ele me tratava, mesmo vendo ele com outra na noite anterior.

— Amiga - e Ino me chamou mais uma vez - Eu sei que você ficou tempo demais com esse babaca, mas você precisa ver que ele não te ama, talvez tenha te amado um tempo atrás - e a mão dela me dava mais um carinho no rosto - Mas o que ele fez ontem, o que ele fez com o relacionamento que vocês construíram ao longo desses anos só prova que ele nunca quis você de verdade - as palavras eram reconfortantes de ouvir, eu sabia, mas ainda assim a dor me massacrava.

— Eu fico imaginando se eu sempre vou viver isso - suspirei controlando mais as lágrimas agora - Eu só fui uma peça pra ele?

— Você foi muito bondosa - ela sorriu para mim e eu tentei sorrir de volta - Nós sempre soubemos que ele era uma peça ruim, desde o ensino médio, e o pessoal de medicina confirmou a minha suposição depois que começamos a faculdade - Ino continuava falando, tentando me puxar do poço que eu estava me afundando de novo - Você é linda, amiga, vão ter caras que vão implorar para te fazer feliz - e de novo recebi um carinho.

E eu juntei de novo meus cacos, a verdade era que eu não queria mesmo outra pessoa, não depois do que eu tinha sofrido com Sasori, não depois de tudo que eu tinha jogado ao vento por ele, eu queria mesmo me reconstruir, deixar que as feridas cicatrizarem em meu peito antes que eu pudesse ter outro envolvimento, na verdade naquele momento eu não queria ter nenhum envolvimento, não queria passar pela dor de novo, eu não queria caminhar naquela via dolorosa de novo.

Eu decidi viver minha vida assim, curando a dor dia após dia, não queria voltar nos lugares onde eu sabia que ele estava, não queria ver ele beijando outras mulheres e olhando para mim, como se me convidasse a sentir de novo a dor de ter deixado ele para trás, com toda a nossa história.

Eu estava decidida a não olhar para nada que não fosse eu mesma, até que numa tarde bem quente, na área externa do refeitório eu senti alguém sentar-se perto de mim, eu silenciosamente queria que não fosse ele e ao mesmo tempo eu queria que fosse, mas me surpreendi ao olhar para o lado e não encontrar um rosto conhecido.

— Posso sentar aqui? - o tom de voz era cuidadoso, o olhar era convidativo, embora os olhos fossem negros como ônix eu via um brilho diferente neles, talvez um pouco de vergonha ou timidez, eu não conseguia distinguir ainda. 

— Claro - eu sorri me afastando um pouco para o lado. 

Ele era quieto e num primeiro momento ele só se concentrou em comer o almoço dele mesmo, eu voltei a focar no livro que me acompanhava nas refeições, mas observei ele de canto de olho, os cabelos negros caíam sobre o rosto e era possível notar um pouco de vermelhidão nas bochechas, eu dei uma risada discreta, mas acho que ele percebeu.

— Você cursa medicina? -

— Aham - voltei a olhar para ele e notei realmente que ele estava meio rubro, talvez o sol não ajudasse muito, estava mais quente aquele dia - E você?

— Direito - ele ergueu as sobrancelhas - Eu esqueci, sou Sasuke - e estendeu o braço para que eu apertasse a mão dele.

Desde o término, até o dia que eu tinha visto ele com outra, eu tinha caminhado sozinha por duas semanas, Sasori havia feito o favor de falar sobre mim para todos do curso dele, em como eu estava tentando me aproveitar dele e da situação financeira que ele possuía, eu só conversava com os amigos do meu curso e com Hinata, que era uma amiga do ensino médio, ela não estudava no mesmo lugar que Ino e eu, mas ainda saímos juntas.

Olhei de novo o moreno, lembrando em como ele havia se aproximado para conversar, ele então não me conhecia, nem tinha ouvido falar provavelmente da minha história com Sasori, isso me fez sentir uma segurança em poder continuar a conversa com ele.

— Sakura - estendi a mão e apertei a mão dele, quente e um pouco suada, era verdade que ele estava nervoso então, dei uma risada.

— Desculpe, no calor eu costumo suar mais - ele ficou desconcertado ao notar que a mão estava mais molhada do que o comum, passou a mão na camisa tentando tirar o excesso de água.

— Tudo bem, isso acontece mesmo com nosso corpo no calor - gentilmente ele me olhou de volta.

— Está em qual semestre? - e a pergunta realmente parecia interessante para ele, como se ele tentasse descobrir algo que ainda não tinha entendido sobre o que eu estava fazendo.

— Estou no quarto - respondi pensando um pouco - Isso, no quarto - olhei para ele - Está mais gostoso agora do que no começo, eu não estava entendendo nada no primeiro semestre - ergui o livro que estava lendo - Eu jurava que ia desistir, mas graças as leituras nos intervalos eu ainda tenho chance de continuar - sorri.

— E escolheu medicina por algum motivo?

Eu olhei de volta para ele, lá estava de novo a cara de “responda a minha pergunta, pois ela é muito importante para mim”, eu franzi o cenho, eu não sabia porque ele estava tão interessado por esse assunto, mas ignorei meu receio e continuei respondendo.

— Minha madrinha é médica, conceituada, ela me ajudou na escolha - eu tinha muito orgulho dessa parte da minha decisão e tentava a todo custo ocultar a outra parte, que era a parte que Sasori tinha me feito escolher aquela faculdade especificamente, já que ele estaria lá.

Ele deu um leve sorriso e eu vi que ele gostava de ser o ouvinte, eu já estava contando outra história de como minha mãe também tinha me ensinado sobre a importância da medicina quando meu celular vibrou e eu pude notar que a cara dele franziu, como se ele soubesse que o tempo dele tinha acabado.

— Só um minuto - eu disse pegando o aparelho para ver quem era. Dei uma risada ao ver a mensagem de Ino.

“Ia almoçar com você, mas vi que está com uma companhia melhor, depois venha me contar tudo”

Ino - 12h10

Dei uma risada de novo, Sasuke me observava como se esperasse que eu dispensasse ele logo em seguida, mas meus olhos passaram por ele à procura de Ino na área externa e encontrei ela na mesa dos nossos colegas de curso, um sorriso enorme.

— Desculpe… - voltei minha atenção à Sasuke que ainda aguardava minha deixa dele ir embora ou não - Então, como eu disse, minha mãe…

O rosto dele voltou a ficar curioso e ele ouviu toda a minha história até o tempo de intervalo acabar, nos despedimos e segui minha rotina, não queria cruzar com Sasori e ninguém do curso dele, principalmente as mulheres que ocupavam o meu lugar na vida dele, pelo que Ino me contava, cada dia uma diferente, por isso sempre optava por almoçar na área externa, pouco visitada pelos veteranos e mais frequentada pelos calouros.

Contei meu relato do almoço para Ino, Suigetsu e Karin, eles estavam mais empolgados do que eu mesma.

— Foi só uma conversa - repeti depois que eles continuaram a fazer caras e soltaram risadinhas.

A verdade era que para mim só tinha sido isso mesmo, uma conversa, uma conversa com um rapaz bonito, mas eu não me sentia pronta para nada, na realidade eu ainda estava quebrada, por vezes a dor voltava à noite eu me enfiava nos sentimentos, deixava que eles saíssem e molharem meu rosto, mas eu não deixava mais isso acontecer para outras pessoas verem, principalmente meus amigos, eles não mereciam ver que eu ainda estava quebrada, embora eu soubesse que eles sabiam disso.

Mas o que me surpreendeu mesmo foi que no dia seguinte Sasuke sentou-se ao meu lado de novo.

— Dia puxado? - perguntei observando a cara de cansado dele.

— Um pouco, eu fico parte da noite cuidando de algumas coisas da empresa do meu pai - explicou puxando uma aba do suco que ele havia comprado para finalmente beber - Tive que virar a noite trabalhando e hoje o curso foi um pouco pesado - suspirou me olhou, de novo com a cara de curioso - Como foi seu dia?

A pergunta me pegou de surpresa, eu não esperava que ele fosse perguntar algo tão íntimo, pelo menos para mim, mas eu contei, contei que tinha sido muito puxado também, depois que almoçamos principalmente, as aulas não estavam sendo fáceis e ele sorria em cada afirmação que eu fazia, claro que eu não contei a parte que chorei a noite por causa do meu ex, ele não merecia saber disso e nem precisava.

No terceiro dia eu descobri que ele realmente estava procurando a minha mesa, porque eu estava atrasada em todas as coisas e desci para o almoço bem depois, assim que sentei na mesa ele apareceu, eu pude notar que o prato dele estava comido pelas beiradas, provavelmente a fome dele tinha falado mais alto do que a vontade de me esperar, eu dei uma risada interna, eu não sabia o que ele queria comigo, mas deixaria claro que eu não estava pronta para nada, não estava pronta para recomeçar.

Ele ficou em silêncio no quarto dia, quando ele perguntou como estavam as matérias eu expliquei que estava estudando sobre os tecidos e como nosso organismo trabalha em harmonia para que a cicatrização de alguma parte danificada do corpo voltasse a ser inteira.

— Se você está rompido - peguei a mão dele e fiz um movimento, simulando um corte na palma dele - O seu corpo inteiro vai trabalhar para que a ferida se feche, criando a casquinha para que o sangue pare de sair e depois os tecidos voltam, camada por camada, até que a casquinha suma - fiz um carinho na palma dele e soltei, os olhos dele não desgrudaram de mim durante minha pequena explicação, fiquei com vergonha de repente - Até você voltar a ser inteiro.

— Você vai ser uma ótima médica - ele concluiu com o sorriso de canto - É difícil ver alguém com esse brilho.

E eu senti de novo minhas bochechas queimando. Ele era um bom ouvinte e também muito bom com as palavras. 

Três semanas almoçando com ele me fizeram conhecer um pouco mais dele, o pai era famoso no ramo de advocacia, o irmão trabalhava com captação de informações para a polícia, isso ele me contou com muito sigilo e confessou que isso era segredo, me senti muito inclusa na vida dele, para conhecer esse nível de informação.

Ele também contou sobre como a mãe dele era simples e como se orgulhava dela por isso, afinal eles eram financeiramente bem sucedidos, mas o que segurava eles fora da bolha do egocentrismo era a mãe, ensinando sempre que muito mais vale outras coisas do que a carreira e dinheiro.

Os almoços durante a semana estavam se tornando a parte boa do meu dia, a parte ruim era a noite, estava sempre sonhando com Sasori falando sobre como eu tinha sido uma inútil durante o tempo que ficamos juntos, sempre acordava com meu rosto banhado em lágrimas, da dor que teimava em subir em meu peito.

E aí teve a semana negra, a semana que o tempo mudou e só chovia, isso fez com que a área externa ficasse impossibilitada de ser usada, consequentemente eu tinha que ir para a área interna, a primeira vez que tentei almoçar lá, vi Sasori com uma loira sentada em uma de suas pernas, sorria grandiosamente para ela e quando eu tentei fugir o olhar dele me encontrou, o escárnio pulou nos lábios dele e eu pude ver que o olhar dele me perseguia para onde quer que eu tentasse ir naquele refeitório.

Fiz o que foi mais sensato, fugi. Fugi para almoçar debaixo das escadas que levavam para o vestiário e sala de vôlei. Ino sabia do meu esconderijo e almoçou comigo umas três vezes naquela semana, mas Sasuke não, provavelmente porque ele não me achou e não porque ele não queria, inclusive foi o que confirmei quando a semana chuvosa passou.

Estava acabando de sentar na mesa quando o vi dando passos até mim, com um pequeno sorriso.

— Achei que tinha largado a faculdade - sentou-se ao meu lado com aquele jeito curioso de sempre - Aconteceu alguma coisa? Te procurei a semana inteira, mas não te achei na área interna - ele franziu o cenho, parecia mesmo preocupado.

Eu sorri levemente, a preocupação dele e o cuidado que ele tinha com as palavras, sem deixar transparecer que tinha uma cobrança ali, porque, de fato, não deveria existir essa cobrança, éramos colegas que almoçavam juntos e só isso, mas todo esse cuidado me cativava.

— Me desculpe, essa semana eu não estava me sentindo muito bem - menti, mas no fundo era uma verdade - Aproveitei para tirar a matéria acumulada da frente.

Ele assentiu, mas algo no rosto dele me fez pensar que ele não tinha acreditado na minha desculpa, logo a cara mudou de novo e ele me perguntava como tinha sido a semana, eu contei tudo detalhado, como se contasse um livro complexo para ele e os olhos acompanhava minhas caretas e feições, prestando atenção em cada detalhe, o bom ouvinte ficou me observando até que nosso horário juntos acabou.

No dia seguinte ele não me encontrou no almoço, eu queria dizer que não fiquei esperando, mas eu fiquei, meus olhos sempre levantavam em busca da presença dele e eu voltava a ler meu livro, sabendo que não estava entendendo nada, pois já tinha lido o mesmo parágrafo várias vezes.

Senti alguém sentando do meu lado e para minha surpresa não era ele, era Ino.

— Amiga, como eu vi que seu acompanhante não estava por aqui - ela puxou o sanduíche e deu uma mordida - Eu resolvi te fazer companhia - deu de ombros.

— Ele não é meu acompanhante - franzi o cenho - Somos colegas.

— Sakura - ela deu um gole no suco - Vai me dizer que até hoje ele não te chamou para sair?

Eu mordi o lábio e agradecia por Sasuke ser tão discreto, ele realmente não tinha me chamado para sair até então e embora eu ficasse grata pelo não convite parte de mim ficava decepcionada e uma voz no fundo da minha mente me dizia que eu era pouco para Sasuke notar.

— Não acho que seja isso que ele queira - dei de ombros voltando a minha leitura - E além disso, eu não quero sair com ninguém.

Essa parte era a que eu agradecia, eu não estava bem ainda, e não queria me envolver emocionalmente com ninguém, ainda mais depois de um bom relacionamento amistoso com Sasuke, eu não queria perder a companhia dele durante às tardes.

Ino tentou me convencer de diversas coisas naquele dia, mas eu não estava querendo ouvir e principalmente eu não estava querendo me iludir e nem deixar algo tomar um lugar no meu coração que esse algo não deveria ter.

Passei meu turno da tarde assistindo umas aulas cansativas de uma metodologia de exames novas que não estavam entrando na minha cabeça e quando as aulas acabaram eu agradeci mentalmente, eu só queria descansar um pouco, uma pontinha dos meus pensamentos ora ou outra iam para Sasuke e o motivo dele não ter aparecido no almoço. 

Estava saindo do banho quando dei de cara com Ino sentada na minha cama, ela segurava um pacote do tamanho de uma caixa de sapatos nas mãos e tinha um sorriso sacana no rosto.

— Andou roubando correspondência das calouras de novo? - perguntei secando meu cabelo.

— Na verdade - ela veio até mim e estirou o pacote na minha direção - Um veterano veio entregar esse pacotinho para você.

Minha cara deve ter sido muito engraçada, porque Ino soltou uma gargalhada que há muito tempo eu não ouvia. 

Eu sentei na cama e abri o pacote, um papel seda cobria a parte interna e um pequeno bilhete estava repousado ali, minhas bochechas ficaram quentes de novo.

“Fiquei doente hoje, não consegui almoçar com você, mas acho que podemos compartilhar esse lanche, queria ter te mandado antes, mas você é difícil de achar”

E um pequeno S.U assinado ao lado do bilhete, provavelmente a Ino já tinha aberto e lido o bilhete, pela cara que ela fazia quando eu ergui meus olhos.

— Só um colega, não é? - ria com as sobrancelhas erguidas.

— Você é muito xereta - resmunguei tirando a seda, um pequeno lanche estava enrolado em papel, um suco e uma barrinha de chocolate.

— Você está perdendo tempo amiga, eu soube pelo Suigetsu que ele é muito famoso lá no prédio de Direito, e ele te notou, veja só - Ino caminhou até a porta abrindo ela - Vou deixar você e seu companheiro sozinhos.

Ela saiu e me deixou com a caixa, olhei o bilhete de novo, nós não tínhamos trocado telefone ainda, embora já estivesse almoçando juntos a mais de um mês, eu tinha esquecido dessa parte, mas Sasuke com certeza pulou todas as barreiras para me encontrar, sorri levemente e agradeci mentalmente pelo lanche.

Na semana seguinte ele voltou a se sentar comigo no almoço, me explicou que tinha pegado uma virose pesada e que tinha ficado de cama praticamente a semana inteira.

— Devia ter me chamado, eu poderia ter dado uma olhada em você - comentei sem medir minhas palavras e eu percebi como minha frase soou de um jeito diferente.

Nós dois ficamos corados, ele manteve o sorriso no rosto por um tempo e eu voltei minha atenção para o café que eu tinha comprado. Embora o momento constrangedor tenha acontecido, logo ele foi esquecido, comecei a contar minha semana para ele e lá estava de novo os olhos me observando, como se eu estivesse contando a coisa mais interessante do mundo.

Aos poucos parecia que minha intimidade com ele curava parte do meu coração quebrado, eu queria dizer que eu não me apaixonei pelo sorriso de Sasuke, ou das covinhas que ele fazia quando comentava uma coisa que ele não entendia, ou do olhar fixo que ele sempre me dava quando eu contava sobre meu dia, eu queria poder dizer que eu não passei a sonhar com ele às noites, nos braços dele me envolvendo ou da boca dele na minha, mas foi impossível.

A parte mais feliz do meu dia era ver ele se aproximando, sentando ao meu lado e me perguntando sobre meu dia, eu contava com ânimo e assim foi durante os 5 meses que se seguiu, nosso relacionamento era envolvente, mas não ultrapassava o horário de almoço, Sasuke nunca havia me chamado para sair e eu estava sempre na expectativa que isso acontecesse.

Mas aí eu comecei a achar que talvez ele não me olhasse dessa forma, que talvez eu não fosse suficiente para ele, afinal, ele era rico e era conhecido em praticamente todo o campus, não era difícil ver ele conversando com um ou dois veteranos.

— Você está viajando - Karin estava no meu quarto, junto com Suigetsu e Ino, estávamos fazendo uma reunião de uma matéria e eu resolvi abrir meus temores sobre Sasuke, quando Suigetsu perguntou do avanço do nosso romance.

— Eu não acho que ele investiu todo esse tempo para ficar só na amizade com você - Ino concordava.

— O cara está caidinho por você - Suigetsu disse comendo um pedaço de chocolate que ele tinha levado para a reunião - Eu estava com o pessoal de Química, me disseram que ele é muito conservador, tinha uma namorada, mas está solteiro a mais de um ano e você sabe - deu de ombros - As calouras tentam montar nele e ele simplesmente ignora.

— Suigetsu! - reclamei.

— Você é a única puritana nessa faculdade Sakura - Karin deu uma risada - Mas é verdade, eu estava com as líderes de torcida, disseram que ele está fora da pista, não sabem o motivo.

— Mas eu sei - Ino deu risada - A rosinha amarrou o emo gótico.

Eu corei de novo, não sabia de nada disso, embora soubesse que ele era muito conservado e ele tinha me contado que tinha namorado um tempo, mas que a menina queria coisas que ele não queria. Nesse dia ele deu abertura para que eu falasse sobre meus relacionamentos passados, mas eu não quis abrir, Sasori estava enterrado na minha vida, mas eu não queria ficar remexendo a história, ainda me machucava um pouco.

— Você pode levar ele na festa amanhã - Suigetsu sorria para mim.

— Ah não, sem essa de novo - reclamei - Vocês sabem que eu não gosto das festas que vocês fazem.

— Nossa! - Ino exclamou - Que bela amiga ein.

— Falando assim parece sempre que exageramos - Karin riu e olhou de novo para mim - Vamos amiga, você não sai com a gente desde que o curupira…

— Karin - fiz uma careta, Sasori era um assunto proibido entre nós.

— Tudo bem - ela tentou consertar - Você não sai desde que ficou solteira, vai ser bom sair um pouco e aí você chama ele, assim a gente conhece ele um pouco também, aprovamos e você dá uns beijos na boca.

Eles riram e eu corei de novo, eu não queria uma multidão me olhando e olhando Sasuke comigo, eu gostava de ficar a sós com ele.

— Eu te ajudo com ele - Suigetsu sorriu e mostrou o polegar.

Eu suspirei, Suigetsu era muito sem noção com algumas coisas e eu sabia que ele “cuidar” ou “me ajudar” com o Sasuke ia me arrancar boas risadas.

— Tudo bem - respondi e fui ovacionada por gritos histéricos das meninas e mais um Suigetsu bagunçando meu cabelo.

Nós não tínhamos trocado os telefones, então eu tive que esperar até o dia seguinte para me encontrar com ele de novo, mal consegui dormir de ansiedade, era como se eu estivesse de novo na adolescência, mas no momento em que pensei nisso eu repreendi o pensamento, não gostava de me lembrar de como tinha sido naquela época.

A manhã passou tão rápido que eu mal consegui me preparar para chamar ele, eu tinha acabado de me sentar quando ele apareceu, seu sorriso de lado, o sol estava radiante e ele aproveitou para usar o óculos escuros, mas assim que se sentou ele tirou.

— Muito atarefada? - perguntou olhando meus muitos livros espalhados sob a mesa.

Eu dei uma risadinha, na verdade eu estava tão nervosa que não conseguia me concentrar numa leitura fixa, meu estômago estava cheio de borboletas.

— Mais ou menos - menti e limpei a garganta, não sabia como começar a conversa.

— Trouxe um para você - ele me passou uma caixinha quadrada - Eu estava passando em frente ao Dukin e estavam na promoção.

Eu sorri em troca e quando abri a caixinha encontrei o meu donut favorito, olhei para ele cheia de gratidão, não tinha como negar que ele mexia comigo, de um jeito bom.

— Não precisava Sasuke, mas muito obrigada - fiquei olhando o sorriso dele crescer.

— Eu sei que às sextas as aulas são mais puxadas - pegou a bebida gelada que ele tinha comprado e bebeu um gole.

Ele era muito observador, e eu tinha notado isso depois de um tempo, sempre que eu comentava algo gostoso de ser provado ele aparecia com o algo que eu comentei dois ou três dias depois, ele guardou na memória quase todos os meus gostos, principalmente de comida.

— Ahn - eu chamei a atenção dele e ele me olhou - Suigetsu me chamou para uma festa no campus hoje…

Eu sabia que tinha escolhido a maneira errada de começar a frase no momento em que eu falei, a feição dele mudou de feliz e receptivo para “o que é que você disse?”, misturado com raiva e ciúmes?

— E eu estava pensando se você não queria ir comigo - conclui e vi a cara dele voltar ao normal, o sorriso de lado voltou a aparecer.

— Claro! -

A tensão sumiu no exato momento que ele aceitou e o clima voltou a ficar gostoso com ele, conversei sobre meu dia e contei das novas matérias que entrariam no próximo semestre, as aulas estavam chegando no hiatus também, logo mais uma coisa nos separaria, mas não estava querendo pensar muito nisso.

Combinei com ele o local e onde nos encontraríamos, nos despedimos e eu voltei para o alojamento, eu não estava bem emocionalmente para ir para a aula, eu tinha que contar para Ino e Karin do meu encontro, estava tão feliz que eu podia jurar que meu sorriso era visto por trás.

As meninas fizeram uma festa sem tamanho quando eu contei do encontro, me fizeram vestir minha melhor roupa e quando encontrei com ele na área externa ele também estava lindo, embora parecesse um pouco desconfortável.

Foi engraçado ver ele socializar com os demais, ficamos numa rodinha e eu observava o olhar dele correr de mim para os outros, eu sabia que ele estava ali por mim, porque não me parecia muito o feitio de Sasuke ficar em festas do campus.

Suigetsu estava cumprindo a promessa, estava contando piadas e mais piadas para Sasuke, dando tapas e mais tapas nas costas dele, eu dava risada, pois tudo era muito cômico, até que finalmente resolvi tirar ele daquela tortura, cortei nossa rodinha e fiquei ao lado dele, ia convidar ele para ir para outro lugar e Suigetsu ligou o som, eu sabia que ele estava nervoso, mas o olhar dele procurando o responsável pelo som me fez rir ainda mais.

Eu tentei chamar ele, mas o som estava muito alto, foi então que encostei no ombro dele e o vi se aproximar para tentar me ouvir, sem querer meus lábios roçaram na orelha dele e eu pude também sentir o aroma de Sasuke, ele sempre foi muito cheiroso, mas naquela noite ele estava mais ainda.

— Não me parece que está se divertindo - disse tentando me concentrar.

Eu vi ele balançando a cabeça e responder “estou”, embora eu soubesse que ele não estava, já o conhecia bem para  saber quando ele estava desconfortável em um ambiente, como uma vez que os amigos dele apareceram na mesa que dividimos e ele fez o impossível para que eles fossem embora.

Suigetsu colocou uma música brasileira e começou o show particular, eu vi a cara de Sasuke mudar para uma carranca que eu já tinha visto algumas vezes, dei risada e tentei chamar ele, ia tirar ele dali, mas ele não me ouvia, o funk estava muito alto.

Eu peguei a mão dele e lá estava ela suada de novo, como no primeiro dia, eu corei e ele me olhou se abaixando novamente para ouvir o que eu estava tentando dizer.

— Tem um lugar mais afastado - apontei para o outro lado, onde um murinho cercava parte do campus - Lá é menos barulhento, podemos conversar melhor - expliquei, mas acho que ele não ouviu metade do que eu disse.

Eu o guiei para fora da rodinha e do barulho, Suigetsu deu um grito de “vai cereja” que me deixou constrangida, mas ignorei e continuei andando, com a mão na dele, sentia como se meu braço estivesse queimando, nunca tínhamos andado assim.

Chegando ao murinho eu me virei soltando a mão dele e me sentando no murinho.

— Bem melhor - eu disse vendo a cara dele mudar, estava de novo receptivo, me absorvendo com aquele olhar que eu amava - Desculpe pelo pessoal, é que eu não saio muito com eles e eles ficaram felizes por eu ter vindo - tentei explicar, mas sabia que ele não tinha ligado muito.

— Sem problemas - ele disse me encarando, mas uma sombra de dúvida surgiu na feição dele - Cereja?

— Coisa do Suigetsu - dei de ombros - Por causa do meu nome e do meu cabelo - peguei uns fios com a mão mostrando a cor rosada deles.

Eu vi ele erguendo o braço, minha respiração parou por um momento, lá estava de novo o Sasuke atencioso, paciente, calmo que eu tinha me apaixonado. Ele tocou nos fios e com um sorriso de canto ele disse.

— Eu prefiro rosada.

Depois a mão dele caiu e ambas foram parar nos bolsos, como se ele estivesse se controlando para não fazer alguma coisa.

— É um apelido melhor - tentei descontrair, mas estava tímida com o toque dele.

— Porque nunca saiu com eles? - e lá estava de novo, Sasuke curioso, na verdade ele sabia que tinha algo, desde que conversamos sobre os relacionamentos, ele sabia que tinha alguma coisa, mas nunca invadiu meu espaço.

Mas naquele momento eu não me sentia mal por contar, claro que não contaria tudo, mas contaria parte da história, não fazia mais sentido esconder isso dele.

— Bom… - comecei não sabendo muito bem como explicar - Um relacionamento que não deu muito certo.

Ok, esse foi o pior resumo que eu poderia ter dado sobre o acontecido, Sasuke merecia mais, claro que merecia, ele estava dando tanto para mim e eu não conseguia nem sequer contar essa parte ruim da minha vida.

— Suigetsu?

Eu olhei para ele e lá estava de novo o ciúmes e foi incontrolável minha vontade de rir, balancei as mãos freneticamente.

— Não, Não! - não aguentei e sorri - Suigetsu foi responsável por me tirar da enrascada que era.

E eu vi ele relaxar na minha frente, isso significava que essa informação era importante para ele, meu coração começou a aquecer rapidamente.

— Recente? 

— Um pouco antes de nos conhecermos - embora eu soubesse que a história estava morta ainda me era estranho falar, mas queria explicar tudo para ele, pensei um pouco e coloquei um dos dedos na minha boca - Quanto tempo nos conhecemos Sasuke-kun? - olhei de novo para ele, mas seu olhar já não estava em mim, bom, parecia que estava.

— É - ele respondeu sem nexo, eu dei uma risada.

— Sasuke? - eu vi ele se recompondo - Perguntei a quanto tempo nos conhecemos?

— Um pouco mais de 6 meses? - ele coçou a cabeça, estava desconcertado de novo, eu sabia que essa mania ele fazia quando estava nervoso.

— Então tem mais ou menos 8 meses disso - eu não conseguia ainda falar o “disso” - Fiquei um tempo introspectiva, os meninos na faculdade acabam não querendo conversar muito - isso me fez lembrar de toda a história que Sasori tinha espalhado para o campus e que Sasuke foi diferente - Você foi o primeiro a sentar comigo e conversar Sasuke-kun.

Disse carinhosamente e o sorriso dele voltou para aquele rosto lindo.

— Você é muito interessante para não se conversar.

— Obrigada por ter aceitado meu convite - e lá estava de novo minha timidez, mas eu queria que ele soubesse que eu estava plena ali com ele.

Vi que por um segundo a feição dele mudou, ele estava de novo impaciente, passa o peso do corpo de um pé para o outro.

— Tudo bem? - perguntei mesmo preocupada.

— Na verdade, Sakura - eu via ele falando devagar e foi como se um clipe passasse na minha mente - Tem um tempo que eu queria fazer uma coisa.

E eu vi ele se aproximar, lento, calculado, certeiro, o rosto tão próximo ao meu fez o meu coração dar um solavanco e eu só tive tempo de falar a primeira coisa que meu coração gritava.

— Eu estava esperando você dar o primeiro passo.

Minha voz saiu num sussurro e em seguida eu senti os lábios dele sob os meus. Diferente de todas as coisas que eu já tinha vivido com Sasori, Sasuke me levou a um estado flutuante com aquele beijo.

As mãos dele circularam pela minha cintura e eu pude sentir o corpo dele se encaixando no meu, eu estava sentada no murinho ainda.

Nesse momento eu ouvi os gritos ao fundo dos meus amigos, sabia que eles estavam comemorando e por isso dei uma risada, abri os olhos e encontrei o olhar dele, intenso, me encarando como sempre ele fazia.

— Eles estão vendo.

— Não me importo - e de novo o rosto dele encostou no meu.

Os lábios de Sasuke eram macios, urgentes, a língua dele buscava a minha descontroladamente, mas de uma maneira gostosa, como se ele estivesse tentando correr e andar ao mesmo tempo, correr com o tempo que ele tinha perdido e eu tentei corresponder à altura, mas eu não queria passar do ponto, eu não era assim também, algo em mim ainda gritava que aquele não era o lugar certo.

Com todas as forças que eu tinha eu tive que parar nosso beijo, eu sabia que ele ficaria confuso e quando abri os olhos ofegante eu o encontrei compreensível.

— Me desculpe, eu não costumo ser assim - ele explicava ofegante também e me deu um pouco de espaço, mas ainda segurava minha mão.

Eu me levantei do murinho e fiquei de pé de frente para ele.

— Tudo bem - sorri - Eu…- olhei para o chão.

— Quer ir embora? - minha atenção foi de novo para ele, o rosto estava franzido, talvez ele pensasse que tinha feito alguma coisa errada.

— Eu sei que você não gosta de exposição - comentei olhando para ele e vi um sorriso nascer no rosto preocupado.

— Sakura, eu gosto do que você gostar, não me importo de te beijar aqui - a mão dele me fez um carinho no rosto e ele se aproximava de novo dos meus lábios - Eu estou a muito tempo imaginando como seria - e me deu um selinho que fez meu estômago revirar - Eu só não quero que se sinta pressionada a nada - voltou a se afastar - Eu só quero ficar com você.

E lá estava o sorriso que me derretia, Sasuke conseguia me tirar de órbita com aquele sorriso.

— Podemos ir num outro lugar? - perguntei vendo ele franzir o cenho, mas concordar em seguida.

Segurei firme a mão dele e caminhei para o lado oposto da rodinha com o som, eu sabia que as meninas comentariam sobre meu sumiço o resto da noite, sabia que elas fariam piada, mas eu não estava ligando muito.

Caminhamos um tempo, nossas mãos dadas e Sasuke não falava nada, apenas continuava caminhando, eu não tinha coragem de voltar a olhar ele, porque com certeza ele pensaria que eu era louca.

Chegamos a parte das arquibancadas e comecei a subir, ouvi ele dar uma risada atrás de mim, mas não olhei para ele, chegamos ao último banco e finalmente eu me sentei, um pouco ofegante, ele sentou ao meu lado.

— Você é muito intrigante - ele deu uma risada me olhando, seu braço estava colado ao meu, ele capturou minha mão de novo, mantendo ela presa a dele.

— Eu gosto de vir aqui para ver a lua - apontei para o céu, que estava aberto hoje, mas a lua estava tímida, como eu.

— Achei que você ia me jogar daqui de cima - ele riu de novo chamando minha atenção.

Eu dei risada e vi ele se aproximando de novo de meu rosto, os lábios passaram roçando minha bochecha e eu fechei os olhos, Sasuke era muito carinhoso, como eu tinha imaginado.

A boca dele alcançou a minha, calma dessa vez, mas me levou de novo para as nuvens, minhas mãos foram parar nos cabelos dele.

Cada sensação dele me beijando era nova, como se eu estivesse vivendo isso pela primeira vez, como se eu estivesse sendo querida pela primeira vez. 

Dessa vez ele que parou o beijo e eu devo ter ficado com a dúvida estampada na minha cara do motivo, porque ele estava sorrindo, se afastou um pouco para me olhar nos olhos.

— Eu só quero saber se você está bem - e ele franziu um pouco a testa - Tudo bem?

— Claro - pigarreei dando uma risada - Sasuke - chamei ele - Eu preciso te dizer, meu relacionamento - tentei procurar a melhor forma de contar para ele - O que não deu certo, eu… - os olhos dele estavam presos nas minhas palavras - Eu sofri muito.

A cara que ele fez me pegou de surpresa, era como se ele estivesse decepcionado com a pessoa que tinha me feito sofrer, eu não esperava isso e meus olhos ficaram marejados.

— Eu estava quebrada quando te conheci - sentia as mãos dele envolvendo as minhas - E eu definitivamente não queria me envolver - a primeira lágrima descia no meu rosto e antes que eu pudesse pensar em limpar ela, ele a limpou - Eu não queria mesmo, mas… - meus olhos denunciaram minha fala e antes que eu pudesse falar alguma coisa ele se adiantou.

— Eu gosto de você mesmo Sakura e é algo novo  para mim - disse com um sorriso - Não posso te dizer quantas vezes eu sonhei com isso - seu rosto se aproximou de novo do meu e eu senti os lábios beijando minhas bochechas, fazendo um caminho até minha boca - Eu não vou te machucar.

Foi nessa promessa que me agarrei, Sasuke me beijou de novo e me puxou para um abraço que eu tanto precisava e eu pude chorar de alívio, não mais de dor, mas de finalmente ter achado um porto seguro nos braços dele.

 


Notas Finais


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