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História Eu, Eu Mesma e Minha Ignorância - Capítulo 28


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Notas do Autor


Espero que gostem! :)

Capítulo 28 - Twenty Eight


Esperei que Luke sumisse do meu campo de visão para voltar para o pátio. Só se ouvia o som do farfalhar da grama em contato com o meu tênis. Minhas mãos estavam tão geladas que tive a impressão de vê-las arroxeadas, e meu nariz começava a escorrer por conta do vento gelado, que não cessava. Passei pelos arbustos, pelo muro de tijolos do refeitório – não vi sinal de Griffin – e cheguei ao pátio, que agora tinha pouquíssimos alunos. Mesmo com o tempo frio e a neve, muita gente saía para festas depois da aula na sexta-feira que antecedia a semana de recesso para o Dia de Ação de Graças.

Era o recesso mais esperado do período letivo, considerando que depois dele, chegariam as férias de inverno, que durariam, nesse ano, da segunda semana de dezembro até a última semana do mês. Confesso que esqueci completamente do Dia de Ação de Graças sem Lucy por perto. Era sempre com ela que eu passava o feriado, e agora que eu estava sozinha, não tinha muito sentido em se animar com a ocasião. Na verdade, não havia parado para pensar com quem eu iria passar as festas de fim de ano, fosse Natal ou Ano Novo, ou seja, mais uma questão para martelar a minha cabeça.

-Pô, Amie! Onde você tava?

Ouvi Miles exclamar, ao longe, perto do bicicletário. Apenas a nossa bicicleta estava parada lá. Ele andou até mim, e eu também fui de encontro a ele, de forma que nos encontramos debaixo da parte coberta da entrada do colégio.

-E aí? – ele insistiu na pergunta, aparentemente sem paciência – Eu tô te esperando aqui faz um século!

-Foi mal, eu tava lá... – apontei meio sem direção para trás, recuperando o fôlego – Nas arquibancadas.

-Fazendo o que lá? Vamos embora, mano. – ele me puxou pela manga do casaco, e logo depois soltou, deixando que eu o seguisse por conta própria.

Voltamos para a casa de Miles debaixo de um céu cinzento, igual a todos os outros dias de inverno. De certa forma, o tempo transparecia como eu estava me sentindo, bem aborrecida, não só pela discussão com Luke, mas também por conta da mesmice dos meus dias. Eu estava cansada daquilo tudo, e infelizmente não havia nada que eu pudesse fazer para mudar a minha situação. Apenas me conformar e seguir em frente. Assim que subíamos a Rosewood Avenue, perto da garagem, Miles voltou a falar, ofegante.

-Feliz com a pausa pro Dia de Ação de Graças? – ele perguntou, freando a bicicleta no meio fio.

-Sim, mas eu tinha até esquecido disso, na realidade. É bom porque os exames finais ficaram todos pra semana que vem.

-Quem esquece de um feriado desses? – Miles me olhou, com um sorriso meio confuso, enquanto guiava a bicicleta até a parte coberta da garagem.

Dei de ombros. Ele pegou as chaves de dentro de um dos bolsos e abriu a porta da sala. Nós nos deparamos com a sala de estar vazia, escura, sem a lareira ligada. Esperei que Cathy estivesse em casa, mas pelo visto, ela havia saído. Entramos, e assim que Miles fechou a porta, me senti aliviada por não sentir mais o vento frio pinicando a minha pele.

-A Cathy saiu? – perguntei, ao me jogar em um dos sofás.

-Saiu, mas não lembro pra onde. Daqui a pouco ela deve voltar. – Miles acendeu o interruptor da cozinha – Vou fazer chá, qual você quer?

-Aí tem chá preto?

-Tem. E pra mim... De limão. – ele disse, com a voz abafada, investigando os sabores dos sachês de chá dentro de um dos armários da cozinha.

-Onde fica o termostato? Eu tô congelando. – perguntei, ao me levantar, varrendo as paredes da sala com o olhar.

-Do lado da lareira. Deixa num vinte e cinco, senão fica muito quente.

Andei até a lareira e ajustei o termostato na temperatura em que Miles pediu. Mesmo assim, continuei com o casaco grosso que eu usava antes de chegar. Não sabia se eu estava sentindo frio em excesso ou se realmente a temperatura estava baixa demais. Ouvi o tilintar de xícaras e me virei, vendo Miles encher uma chaleira com água.

-Vocês passam o feriado sempre aqui? – comecei, ao me aproximar do balcão que dividia a sala da cozinha.

-Na maioria das vezes, sim. Quase sempre meus pais vêm passar com a gente, mas esse ano não sei como vai ser. – Miles ligou o fogão e posicionou a chaleira para que a água fervesse no fogo alto – Por quê?

-Só por curiosidade. Achei que você ia pra Nova York ou algo assim.

-Não, a gente fica por aqui mesmo. Não é muito conveniente viajar de carro com toda essa neve, principalmente do jeito que tá.

Assenti. Sentei em uma das banquetas do balcão e apoiei os braços no mármore gelado. Era estranho perceber o silêncio naquela casa. Geralmente, Cathy deixava a televisão sempre ligada, o que fazia com que a casa parecesse mais cheia de vida. Resolvi conversar com Miles para tentar afastar o clima tedioso que estava se instalando no ambiente.

-Hoje eu tava na saída conversando com o Griffin e ele me contou umas coisas que eu não sabia. – disse, distraída, olhando uns pratos decorativos em cima dos armários da cozinha, os quais ainda não tinha me dado conta.

-Griffin, um ruivo com sotaque esquisito? – Miles respondeu, voltando seu olhar para mim – Não era com ele que você vinha conversando uns tempos atrás?

-É, ele mesmo. Mas o sotaque dele não é esquisito. – franzi as sobrancelhas.

-É, sim. Meio britânico, sei lá.

-É do País de Gales, ele é de lá, mas não é sobre isso que eu quero falar.

-Fale, então. – ele me olhou de relance.

-Como eu dizia, na saída nós vimos você e mais uns caras andando em grupo e o Griffin disse que vocês são insuportáveis.

-O quê? Por quê, o que a gente fez?

-O Brendon tava lá junto, o que você esperava? – perguntei, de forma retórica, e vi Miles revirar os olhos – Ele disse que o grupo de vocês ri dele na aula de ginástica.

-Eu não rio dele, beleza? – Miles me olhou novamente, apoiado no balcão ao lado do fogão – O Brendon zoa ele por causa do jeito que ele corre, e eu fico lá junto, mas não rio. Um dia eu até ajudei ele a organizar a quadra depois da aula, parece um cara legal.

-Você não ri, mas também não faz nada pra eles pararem. – soltei, com um ar de reprovação – E sim, ele é um cara ótimo, bem divertido.

-Não sabia que era esse Griffin que era seu amigo. – Miles continuou, ignorando a minha reclamação.

-Tinha que ser ele, quantos caras chamados Griffin com sotaque europeu estudam naquele colégio? – perguntei, num tom meio irônico, sorrindo de canto.

Miles não disse nada, apenas voltou o olhar para a chaleira, que começava a chiar.

-Foi só isso que ele te disse?

-E mais umas coisas sobre a mudança dele, mas não vou entrar nesse assunto. Na verdade, ele também disse que acha você bonitinho, mas você não ficou sabendo disso por mim. – brinquei, soltando uma risada.

-Bonitinho? – uma expressão engraçadíssima de confusão tomou conta do semblante de Miles – Tá bom, cada um com o seu jeito. Não sabia que ele era... – eu o interrompi antes que ele pudesse dizer algo inconveniente.

-Ele é, mas deixa isso quieto. Ele já sofre demais ficando sozinho pelos cantos. – tamborilei os dedos no balcão, baixando o olhar para eles – O Griffin precisa desesperadamente de amigos, sério. Ele até almoça sozinho do lado de fora do refeitório, pelo menos as vezes que eu vi.

-Se ele tivesse mais iniciativa em puxar conversa, talvez ele já teria virado amigo de alguém. – Miles me olhou novamente.

-Não é tão fácil assim chegar de outro país, num colégio novo e sair puxando assunto. Talvez seja pra você, mas não pra ele. Nem pra mim, inclusive. – disse, apoiando a cabeça em uma das mãos.

-Então ajuda ele com isso, sei lá. Vocês são amigos. – Miles fez uma pausa, e finalizou, sarcástico - Você podia aproveitar e arranjar um encontro com ele pra mim.

Revirei os olhos e sorri, mesmo sem querer dar atenção para a piadinha de Miles. Não sei por que havia começando esse assunto com ele. Achei que ele fosse se compadecer e tentar fazer amizade com Griffin, mas Miles só jogou a questão de volta para mim. Pelo visto, não era bem do interesse dele ajudar o cara novato a se enturmar, e sim fazer parte do grupo dos caras bacanas que já eram bem populares no Junior Year. Era conveniente para ele que as coisas continuassem como estavam. Resolvi encerrar o assunto do Griffin por ali, até que Miles começou um que estava me corroendo por dentro.

-E aquela hora, que você demorou um monte pra chegar? Tava nas arquibancadas fazendo o quê? – ele começou, no mesmo momento em que a chaleira passou a chiar mais alto.

-Ah... Nem me lembre dessa merda. – passei a mão pelo rosto, cansada – Foi o Luke que me chamou lá pra conversar e a gente acabou discutindo.

-Conversar de quê? E outra coisa, precisava ser lá na puta que pariu? Só serviu pra atrasar a nossa volta.

-Também não entendi porquê, mas foi melhor assim. Era sobre uma fofoca que tá rolando e ele quis saber o que tá rolando de verdade.

-E vocês discutiram por causa disso? – ele perguntou, franzindo as sobrancelhas.

-Acho que foi mais porque eu falei a verdade. – prensei meus lábios trincados e pensei em como começar a falar as coisas que me desagradavam sem gritar – Hoje a Hazel chegou pra mim no almoço dizendo umas coisas nada a ver, que tava rolando um boato sobre mim e que eu devia contar pro Luke antes que chegasse nele.

-Rolam muitos boatos pelo colégio todo dia.

-Eu sei. – encarei Miles, sentindo a raiva de antes ferver novamente dentro de mim – Acontece que a bola da vez somos nós. Tá correndo por aí que eu e você faltamos aula ontem de propósito, que a gente viajou pra ficar juntos, essas coisas. Até que a gente transou, pra você ter ideia. Quanta besteira, meu Deus...

-Mas nem tudo isso aí é mentira, você sabe. – ele me encarou de volta, intercalando o olhar entre eu e a chaleira.

-Sei muito bem, mas a questão não é essa.

Nesse momento, a chaleira chiava muito alto, tive a impressão de que ela estivesse a ponto de explodir. Miles desligou o fogo e a fez calar. Quase suspirei de alívio, porque chaleiras me deixavam agoniada. Passei novamente as mãos no rosto, sem perceber.

-O Luke me chamou lá e a gente foi conversar, mas deu tudo errado. Eu disse pra ele o que aconteceu, que a gente foi lá pra Nova York mas não voltou pra casa por conta de tudo aquilo que rolou, você sabe. E ele ficou louco.

-Você disse a verdade, e daí? – Miles encheu duas xícaras decoradas com água e mergulhou os sachês, logo em seguida.

-Eu não tinha dito pra ele que a gente não tinha voltado. Aí ele ficou puto e tal, porque eu menti. Achei que ele fosse ficar enciumado e essas coisas, foi só por isso que eu não disse nada pra ele. E, de qualquer forma, a gente tava bem e tinha voltado pra casa no outro dia.

-É, você mandou mal mesmo. Eu entendo vocês dois, na verdade, e não julgo o Warren porque eu provavelmente ficaria puto, também. – Miles se aproximou do balcão, do outro lado, e me serviu a xícara com o chá preto.

Fiquei quieta. Era meio vergonhoso para mim admitir o erro ali, depois da discussão toda, mas o que estava me fazendo engolir em seco – apesar do chá – era o que eu disse para Luke depois. Tudo aquilo sobre o meu colapso nervoso e o fato de eu ter me sentido atraída por Miles, e até achado que eu poderia gostar dele também. Na verdade, eu ainda não tinha chegado a nenhuma conclusão sobre isso.

-E vocês tão brigados mesmo? – Miles soprou seu chá, esperando que esfriasse.

-Sim. A gente se xingou um monte, ficou fora de si, essas coisas. Me sinto uma bosta.

Ouvi Miles respirar fundo, de forma meio pesada, e esticar uma das mãos por cima da mesa, quase que a estalando. Senti uma angústia terrível preencher meu peito. Até quando eu iria continuar desse jeito? Angustiada, triste, com raiva, sem amparo, sem nada? Tudo parecia muito idiota e sem função. Eu não via muito sentido em continuar meus dias daquela forma. Voltava à minha mente o pensamento amargo e infelizmente verdadeiro de que, em menos de um mês, minha vida tinha se transformado num pesadelo.

-Mas ah... – comecei, novamente - Não é nem com essa briga que eu fico triste. É com o resto da situação. Eu tenho quase certeza que quem inventou essa porra toda foi a Hazel, porque ela ama espalhar uma fofoca, mas o que ela vai ganhar com isso? É ridículo! E tipo, como ela ficou sabendo? Eu não consigo pensar em nada, sinceramente.

-Pode não ter sido ela. – Miles soltou, pousando sua xícara no balcão.

-E quem mais pode ter sido? Ninguém cuida tanto da minha vida quanto ela, aquela enxerida, ridícula. Agora, o Luke provavelmente vai ficar sem falar comigo e me vê como uma traidora mentirosa. – fiz uma pausa, a ponto de contar para Miles a confissão que fiz a Luke, mas ele me interrompeu.

-Sabe... Essas coisas acontecem. A vida funciona desse jeito, mas a gente não pode se deixar levar. Tem que seguir, por mais que seja difícil. – Miles disse, entre goles do chá de limão.

-Eu sei disso. Sei muito bem. Mas é tanta coisa, tanta merda acontecendo de uma vez só... – eu parei, sentindo meu nariz formigar, e percebendo minha visão embaçar por conta de lágrimas inevitáveis – Primeiro, a minha mãe. Depois, tudo aquilo com o meu pai, e a Hazel, e agora o Luke... Parece que as coisas só tão se desvanecendo aos poucos até me restar nada.

Ouvi o som da banqueta de Miles se arrastando e o vi levantar, vindo na minha direção com os braços estendidos, provavelmente para me abraçar, e foi o que ele fez. Miles sempre tentava consertar esses momentos emotivos com um abraço, e na maioria das vezes, dava certo. Meio sem querer, soltei um riso abafado, e sorri, sem graça.

-Eu não devia chorar por causa dessas coisas, mas... – suspirei, com o queixo no ombro de Miles, ainda abraçada junto dele – A gente diz que tá tudo bem, tenta se convencer disso, mas às vezes chega um ponto em que não dá mais pra fingir. As coisas vão se juntando numa bola de neve que só cresce a cada dia, e uma hora, ela fica grande demais pra gente conseguir lidar, entende?

-Eu entendo, entendo sim. – Miles disse, num tom de consolo, e suspirou – Eu sinto muito, muito mesmo. Me desculpe por... Por qualquer coisa.

-Você não precisa se desculpar, não é culpa sua.

E, num piscar de olhos, aquela conversa que parecia estar indo tão bem, foi do céu ao inferno. Miles se afastou devagar do abraço em que estávamos, e pude perceber que ele engolia em seco constantemente. Aquelas desculpas não eram à toa.

-É, sim... – ele desviou o olhar, ainda suspirando, e disse, em voz baixa - Fui eu.

-Você o quê? – perguntei, confusa, tentando entender do que ele estava falando, sentindo meu coração acelerar sem motivo.

-Fui eu que comecei esse boato, mas foi sem querer, eu juro! – ele subiu o tom de voz de repente, e estendeu as mãos na altura do peito, num gesto defensivo involuntário.

-Como assim, sem querer?

-Eu... Eu precisava desabafar sobre você e sobre tudo o que passou pela minha cabeça. E eu conversei com um amigo e falei tudo o que aconteceu em Nova York. Tudo o que aconteceu no hotel, e sobre você chorando, e as coisas que eu pensei... E eu sinto muito. Eu não sabia que ele ia abrir a boca.

Demorei até conseguir processar o que Miles havia confessado. Antes de ele admitir o que tinha feito, eu estava prestes a fazer a minha própria confissão e contar que possivelmente estava gostando dele, mas depois de saber como o boato tinha começado, o meu ponto perdeu totalmente a relevância. Eu levantei da banqueta devagar e me afastei, com as sobrancelhas franzindo tão forte que achei que minha cabeça fosse estourar.

-Você... Não tinha esse direito. Eu disse que era pra deixar tudo aquilo só entre nós. – falei, entredentes, tentando me controlar para não gritar na cara de Miles.

-Eu sei disso, devia ter ficado quieto, mas eu precisava falar com alguém! – Miles tentava se explicar, em vão.

-Você podia ter falado comigo! Ninguém poderia querer saber mais sobre o que você pensou do que eu! – subi a voz, ainda tentando não perder a razão com gritos, por mais irritada que eu estivesse.

Ao contrário do que eu esperava, me baseando na briga de mais cedo com Luke, Miles não disse nada. Só ficou quieto, me olhando, talvez estudando a minha reação para saber o que dizer depois de alguns minutos de silêncio.

-Você não vai dizer nada?! – perguntei, esperando que ele tentasse por que diabos havia feito o que fez.

-Nada que eu disser vai fazer você ficar menos puta. – Miles disse, um pouco mais calmo – Mas, caso você queira saber, foi pro Peter Stallion que eu contei tudo. Acho que isso explica por que a Hazel ficou sabendo.

-Pro Peter Stallion?! – gritei, com raiva por Miles ter compartilhado seus pensamentos íntimos com um garoto carismático, mas de índole questionável, começando a entender como aquilo havia se espalhado tão rápido e com tantos detalhes sórdidos e mentirosos.

Acredito que saber o nome de quem espalhou a fofoca foi a gota d’água para mim. Tudo pareceu ficar em câmera lenta, com um filtro escuro e embaçado que não me permitia ver as coisas com clareza. Num impulso, me vi avançar para cima de Miles, com os punhos cerrados, e o esmurrar nos ombros repetidas vezes, sem hesitar. Quando a raiva sobe à cabeça das pessoas, elas ficam irreconhecíveis. Eu não consegui me reconhecer ali na sala da casa de Miles, gritando e o xingando a plenos pulmões, socando e batendo na única pessoa com quem eu realmente pude contar nos últimos dias. Por que tinha perdido a razão daquela forma eu não sabia ao certo, mas tendo em vista todas as coisas que me aconteceram nas últimas semanas; todas as vezes em que senti ódio e não pude demonstrar, todas as vezes em que tive que engolir minha angústia e a deixei acumular, aquela explosão parecia razoável.

-O que você tá fazendo?! Para com isso, para! – Miles gritou de volta, cambaleando para trás, até conseguir segurar meus pulsos e me fazer parar de o agredir – Você perdeu totalmente a noção, sua histérica!

-Seu filho da puta! – exclamei, sentindo meu rosto arder.

Precisei de muita força para me soltar de Miles. Depois do meu último grito, dei alguns passos para longe da cozinha, passando a mão pela região dos meus pulsos que Miles havia segurado. Respirei fundo antes de começar a falar outra vez, com a voz falhando, consequência dos meus berros de segundos atrás.

-Você é burro, Miles. – disse, me virando para encará-lo outra vez – Burro e inocente. Você achou que seu amigo fosse guardar seus segredos e acabou provocando essa merda toda.  

-Não é como se eu quisesse ter te ferrado, beleza? Como eu ia saber que o Stallion ia abrir a boca?

-Era só você ter ficado calado! Simples assim!

-Você não tá entendendo o que eu tô dizendo? Eu não sabia que ia ser desse jeito, que merda! – Miles exclamou, passando as mãos pelo cabelo, insistentemente.

-Não importa, Miles! Nós dois sabemos que você podia ter simplesmente calado a boca! Minha discussão com o Luke podia não ter acontecido se você tivesse cumprido com a sua palavra e deixado tudo aquilo entre nós! Você me expôs, e você não tinha esse direito!

Seria impossível para mim, naquele momento, conseguir racionalizar aquela coisa toda. Eu só queria – e acima de tudo precisava - ficar sozinha, longe de Miles ou de qualquer um. O céu estava parcialmente escuro quando deixei a casa de Miles com minha mochila nas costas, no fim da tarde. Nem ao menos o meu chá eu tinha terminado de beber, nem terminado oficialmente aquela discussão com Miles. Apenas fechei a porta, deixe ele falando sozinho, e saí. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado!


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