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História Eu Ficarei Com Você. - Capítulo 25


Escrita por: TineStrawberry

Capítulo 25 - 24 A verdadeira carta.


Fanfic / Fanfiction Eu Ficarei Com Você. - Capítulo 25 - 24 A verdadeira carta.

#Oliver

Cheguei à casa do meu pai naquela mesma noite, decidido a tirar essa história a limpo. A carta que Samantha recebeu estava no meu bolso. Tudo que diz na carta é absurdo, como é possível a Samantha ser tão ingênua a ponto de acreditar nisso? Tem a minha assinatura, mas eu não escrevi nem muito menos assinei nada. Eu realmente preciso averiguar isso. 

– Bem vindo, Sr. Watson. – a governanta atendeu a porta quando toquei a campainha. Assim que entrei já pude ouvir uma discussão acalorada no andar de cima.

– Boa noite, Florence. Pelo visto as coisas estão animadas hoje. Faz tempo que eles estão discutindo? 

– Desde a tarde, senhor. Deseja alguma coisa, senhor Oliver? 

– Não, Florence, obrigado. – Florence pediu licença e se retirou, me deixando sozinho na sala. Como sempre, os empregados se escondiam quando eles brigavam. 

Fui até o andar de cima e fiquei no corredor, escutando meu pai e a esposa discutindo. Ao que parece haveria um evento e ele não queria ir. Eu não o julgo. A voz dessa mulher é irritante, ela em si é irritante. Meu pai estava claramente desesperado quando se casou com essa coisa.

– Você é um péssimo marido! – ela gritou saindo de um dos cômodos e então me viu. – Oliver, eu não sabia que você estava aqui... Faz tempo que chegou? 

– Na casa, não o suficiente para saber o motivo da briga. Mas na cidade sim. 

– Você não avisou nada que tinha voltado para o país... Eu vou chamar o seu pai. 

– Não! Não quero falar com ele. Vim falar com você. 

– Comigo? 

– Sim, quero falar com você e de preferência que meu pai não saiba. 

– Ele está no escritório bebendo whisky. Não vai sair nem tão cedo. Venha comigo. 

Fomos para o quarto dela. Sim, eles têm quartos separados desde que se casaram. Não entendo como funciona a relação deles, mas também não me interessa saber, o único que me interessa é o motivo da minha vinda até essa casa. 

– Então, o que você quer falar comigo que não possa falar para o seu pai? 

– Não é questão de não poder. Simplesmente não quero vê-lo. 

– Dá pra falar de uma vez?! 

– Não se preocupe, eu não pretendo demorar. 

– Então desembucha! Eu não tenho a noite toda. 

– Eu apenas quero que você me entregue a carta que vocês extraviaram. – seus olhos se arregalaram e ela ficou tensa, mas rapidamente se recompôs. 

– Não sei do que você está falando. 

– A carta que a Samantha me mandou pouco tempo depois que foi para Inglaterra.  

– Seu pai te entregou a carta. Por acaso já esqueceu?

– Eu já sei que aquela carta é falsa. 

– Lamento por você, eu não sei nada a respeito. Será que agora você pode sair da minha casa? 

– Sabe Lisa, eu perdi o respeito por você desde que soube que estava tendo um caso com meu pai. Então não adianta fazer essa pose de patroa pra mim que não cola. 

– Eu sou a patroa desta casa! 

– Você não passa de uma oportunista. Não que eu me importe de verdade. Você para mim não faz diferença. – ela me olhou chocada, dei de ombros enquanto andava pelo seu quarto observando os inúmeros produtos caros distribuídos na sua penteadeira. 

– Você veio me ofender? 

– Na verdade não. – falei voltando minha atenção para ela. – Mas irritar você faz bem para o meu ânimo. 

– Fala de uma vez o que você quer e sai do meu quarto. Da minha vida! 

– Me entregue a verdadeira carta! 

– Eu não sei nada sobre essa carta! 

– Lisa, nós dois sabemos que você sabe muito bem tudo sobre essa carta. 

– Não, eu não sei. É melhor você ir embora porque eu não estou com paciência para os seus joguinhos. 

– Escuta aqui, – segurei-a com força pelos braços. – Alguém escreveu uma carta e falsificou minha assinatura. Eu quero saber porquê. E você vai me explicar tudinho.  

– Pare com isso! – ela se desvencilhou de mim. – Seja lá o que você quer saber, pergunte ao seu pai e não a mim. Eu não sei de nada. 

– Você está mentindo! 

– Não estou! – estava a ponto de perder as estribeiras e ela ainda se recusava a admitir. Mas eu ainda tinha uma última cartada. 

Andei mais uma vez pelo seu quarto até parar na frente do closet, abri as portas e para a minha surpresa, dei de cara com diversas peças íntimas e minúsculas e ao lado tinha as roupas de uma típica senhora casada e séria. Isso vai ser mais fácil do que eu pensava. 

Comecei a avaliar as peças íntimas dela. Lingeries, calcinhas com aberturas estratégicas, peças rendadas… como se eu fosse um daqueles "especialistas" daqueles programas de moda que Eva me obrigava a assistir com ela. 

– Pare de mexer nas minhas roupas! 

– Lisa, você se lembra quando era somente uma secretária do meu pai? Sua única função era servir café, atender as ligações e receber correspondência… 

– Isso é passado! Agora eu sou a dona e senhora desta casa. 

– É verdade, mas naquele tempo as coisas eram difíceis pra você, não é?! Eu posso imaginar. 

– Você não imagina não. Você nasceu em berço de ouro, moleque. Você sempre teve tudo que quis. Nunca sofreu para conseguir pagar as contas. 

– Então por isso você se prostituía? 

– O que? 

– Não se faça de desentendida. Eu conheço seu passado e você sabe disso. – ela bufou e correu para a porta do quarto para conferir se não havia ninguém escutando nossa conversa. Ela trancou a porta e voltou para o centro do quarto. 

– Shhh! Cala a boca! – ela ralhou num sussurro. – Eu sei que você sabe, mas você me deu a sua palavra que isso nunca viria à tona.

– Sim, nós fizemos um acordo e você ficou me devendo. – me pus de pé e ela deu um passo para trás quando fiz menção de me aproximar. – Eu tive que gastar uma boa grana para cobrir os rastros da sua antiga função. Eu só quero a retribuição.

Ela me olhou ultrajada com uma cara de falsa ofensa enquanto eu sorria, satisfeito de que conseguiria exatamente o que queria. Como ela mesma disse. Ela estava encurralada na parede e engoliu em seco antes de falar. 

– Você é nojento. – ela começou a abrir a blusa. 

Percebi no mesmo segundo que ela não era somente uma aproveitadora, mas também era bastante desprovida de inteligência. 

– Espere. – segurei suas mãos para pará-la. – O que você está fazendo? 

– Não era isso que você queria? – ela apontou para o corpo semi exposto. 

– Parece que você não mudou tanto quanto quer aparentar, não é? Sempre querendo pagar os favores com o corpo, que vergonha... – ela abotoou a blusa novamente e seu rosto estava todo vermelho. – Eu não quero transar com você. Deus me livre de transar com a mesma mulher que meu pai. 

– Já chega, não acha? – ela se afastou e ficou de costas para mim. 

– Me entrega a carta que eu vou embora e você pode ficar tranquila que seu segredo morre comigo. 

Ela virou-se e me avaliou como se procurasse qualquer vestígio de mentira ou blefe. Quando se convenceu de que eu estava falando sério sobre não entregá-la, ela finalmente parou de mentir e foi até uma gaveta com chave que havia no criado mudo e tirou um envelope envelhecido de lá.

– Olha, eu não sei muito sobre essa carta falsa, nem da falsificação da sua assinatura. Mas com certeza o Jeremy sabe, se tem alguém que conhece quem faça isso é o Jeremy. 

– Isso não importa agora. – estendi a mão e ela me entregou o envelope com a carta. Rapidamente reconheci o selo do Reino Unido. 

– Como esta carta chegou até você? 

– Essa carta chegou no hotel no dia que seu pai foi falar com você. Mas ele não te entregou. 

– Mas ele me entregou uma carta. 

– Ele bloqueou os e-mails da garota para ela não falar com você. – desviei o olhar do envelope para ela. – Então acho que forjar uma carta e sua assinatura não foi um passo difícil para ele. 

– Meu pai armou tudo isso?! – ela deu de ombros, mas seu olhar dizia que ela sabia que ele fez tudo isso. 

–  Seu pai me deu a carta depois que você foi para a Finlândia. Ele acha que eu destruí essa carta. Mas eu guardei, pensei que um dia pudesse usá-la. 

– Para chantageá-lo? Talvez você não seja tão desinteressante quanto eu pensei. 

Ignorando a carga de informações que faziam meu interior ferver de raiva, abri a carta ali mesmo e comecei a ler. 

Oliver, já escrevi essa carta umas duzentas vezes e ainda não encontrei as palavras certas para dizer. Primeiramente eu quero te dizer que você é a pessoa que eu mais amo nesse mundo. Sim, eu te amo e me perdoa por não ser capaz de dizer isso em voz alta, mas agora eu simplesmente não consigo parar de pensar na gente. Desde que eu cheguei, eu não paro de me sentir mal por ter te deixado, era a última coisa que eu queria. Mas se eu tivesse ficado, talvez me sentiria culpada também por não aproveitar a chance que tive. 

Mas eu estou escrevendo esta carta principalmente para dizer que o que tivemos não acabou naquele dia em que eu entrei no avião e vim pra Inglaterra, pois aqui eu descobri que trouxe um pedaço seu. Oliver, eu acabei de descobrir que estou grávida. Foi um choque para mim também. Eu não estou pedindo que você largue sua vida em Los Angeles, mas você precisa saber que agora nós temos um filho ou uma filha que está a caminho e nada me faria mais feliz do que dividir esse momento com você. 

Há algo errado com os e-mails, todos os que eu mando voltam. Portanto, vou te mandar o endereço do meu dormitório, assim você poderá entrar em contato comigo. 

PS: Eu não quero te obrigar a nada. Mas você tem o direito de saber que isso está acontecendo.  Olie, nós vamos ter um bebê! Eu amo você. 

~Samantha

Quando terminei de ler, minhas mãos tremiam. Lembrei de tudo que Samantha e eu passamos e desses quase cinco anos infernais que passei sem ela. Johnny. Johnny é meu filho… ele tem quase quatro anos… 

– É a letra dela. – balbuciei. – Eu não acredito... Então é tudo verdade. 

– Sinto muito.

– Sinto muito? SINTO MUITO? Eu tenho um filho e por sua causa eu perdi os primeiros anos da vida dele! Eu perdi tudo! Perdi o nascimento dele, as primeiras palavras, os primeiros passos!!! TEM IDEIA DISSO? 

– Não é pra tanto. Olha pra você, acha que seria o homem que é se tivesse uma criança sugando seu tempo e dinheiro? 

– Como você se atreve? É claro, eu não podia esperar nada, além disso, de uma pessoa como você. 

– Escuta aqui. Eu não fiz nada, foi seu pai! 

– Claro, e a carta foi parar na sua gaveta por mágica, não é? Você sabe disso há cinco malditos anos e nunca teve a capacidade de me contar a verdade! 

– Se eu contasse, seu pai se divorciaria de mim! Minhas mãos estavam atadas. 

– Você quer dizer, o seu patrimônio estava em jogo, não é?! – esfreguei as mãos no rosto com desespero. – Não sei porque eu estou surpreso com suas atitudes. 

– Eu não tenho culpa se seu pai cismou que essa garota queria o seu dinheiro. E quem garante que não era isso mesmo? Afinal ela conseguiu que sua mãe tirasse o pai dela da cadeia de graça, não foi? 

– Não se atreva a colocar em dúvida a honra dela! Ela não é um lixo humano como você que só se preocupa em tirar vantagem dos outros. 

– Me respeite! – ela me deu uma bofetada no rosto e eu segurei seu punho com força. 

– Não ouse me tocar outra vez! – larguei ela e fui em direção a porta. 

– Você não pode contar ao seu pai que eu te dei essa carta. 

– Eu não vou mentir para proteger você. Eu sei que o meu pai provavelmente está apagado pela bebida agora, do contrário já teria vindo saber o motivo da nossa discussão. 

– Você prometeu que ele não ia ficar sabendo! – ela apontou o dedo na minha cara. 

– Eu disse que por mim, ele não saberia que você é uma prostituta. Não prometi nada sobre a carta. 

– Mas… 

– Isso aqui afetou a vida de muitas pessoas. Principalmente a vida de um inocente que só tem três anos e meio. É claro que eu vou confrontá-lo. 

– Você não pode fazer isso. Por favor, Oliver, eu não tenho para onde ir se seu pai me deixar… 

– Lisa, você tem o meu pai de quatro por você, não me interessa o que você faz ou o que vai fazer depois disso. Como eu disse, você para mim não faz diferença. Eu não tenho mais razão para ficar aqui, já consegui o que precisava. 

Deixei Lisa sozinha no quarto é fui embora. Passando na frente do escritório do meu pai, o vi debruçado sobre a mesa, bêbado e apagado como eu suspeitava. Minha vontade era abordá-lo e exigir que ele me desse uma explicação, mas isso não era nem de longe a coisa mais importante que eu precisava resolver. 

Mas eu não podia acreditar que por culpa do meu pai eu tinha perdido os primeiros anos da vida do meu filho. Perdi de ficar perto da mulher que amo durante todo esse tempo. Samantha disse que me amava, ela escreveu na carta que me amava, mais uma vez eu não li essas palavras que ela me escreveu. Eu perdi a chance de ouvir isso dos lábios dela... E agora por uma armadilha do meu pai tudo que tínhamos foi esmagado por uma maldita carta falsa. 

Saí dirigindo feito um louco e acabei sendo parado por uma viatura e fui levado para a prisão por direção perigosa. Mas graças ao todo poderoso dinheiro não passei mais que algumas horas ali, apenas foi necessário uma transferência. 

Eu fui pra casa e comecei a beber, lia e relia aquela carta sem acreditar no que eu tinha perdido todo esse tempo. Eu olhei aquele garoto que veio até mim em uma situação tão delicada. Meu Deus, Johnny, meu filho. Meu filho tem leucemia. O que eu vou fazer? Será que Samantha vai me permitir fazer parte da vida dele depois de todo esse tempo? Será que ela vai acreditar que eu não tive culpa do que aconteceu?

——————————————————

#Samantha

– Isso significa que o único que pode doar é o Oliver? 

– Existe a possibilidade de ele não ser compatível, mas em âmbito geral sim. Ele é o pai. 

– Quando vocês vão se encontrar? 

– Daqui a uma hora. Era isso que eu vim falar com você. Será que você podia ficar com o Johnny? 

– Amiga mil desculpas, mas hoje eu estou indo para uma entrevista de emprego. É daqui a meia hora e o Kevin está vendo uns apartamentos para nós. Mas se você quiser pode deixar ele com meus pais... 

– Não, está tudo bem. Eu é que te peço desculpas. Sempre estou te incomodando pedindo que você cuide dele. Eu tenho que aprender a me virar sozinha. 

– Sam, não é incômodo. Eu amo o Johnny de paixão e amo cuidar dele. Infelizmente hoje não posso... Mas amiga... Se o que o Oliver falou é verdade, então você não tem que cuidar do Johnny sozinha. Eu sei que você é capaz, mas, finalmente o Johnny vai ter o pai por perto.

– Eu não sei mais se isso é o que deve ser feito. 

– Não pensa assim, pensa que vai ser bom pra ele.

– Você acha? 

– Eu acho. E acho que você deveria falar com ele e falar com o Johnny sobre ele. 


Uma hora depois. 


– Para onde a gente vai, mamãe? 

– Nós vamos a uma confeitaria e depois vamos a um parque. 

– Eu vou poder correr? 

– É claro que vai, meu amor. 

Chegamos ao café na hora marcada, mas nada de Oliver. Estava começando a achar que ele tinha desistido do encontro. Johnny já estava impaciente, já havia comido um croissant que eu tinha feito para ele e só falava no parque. 

Devido a alergia de Johnny nós raramente comíamos fora, então eu aprendi a preparar diversas guloseimas específicas para ele e assim ele não ficava com vontade, mas a maioria dos restaurantes e lanchonetes que íamos tinha um cardápio especial. 

Quando já havia esperado mais de uma hora, decidi ir embora. Paguei a conta e peguei na mão de Johnny para irmos ao parque e um carro muito familiar parou em frente ao café. Um lindo Porsche azul marinho. 

Oliver saiu do carro e não pude deixar de reparar o quanto ele estava bonito. Vestia uma camisa social azul com um colete azul escuro. Estava de óculos escuros, mas os tirou assim que saiu do carro. 

– Desculpe o atraso. É que… bem, eu tive alguns problemas e como não tenho seu número… 

– Foi por pouco, nós já estávamos indo embora. 

– Você trouxe o Johnny… 

– A gente vai pro parque! Não é mamãe?! – balancei a cabeça que sim e ele estendeu a mão para o Oliver. – Você quer ir? 

– Claro… vamos ao parque. Vamos no meu carro. 

Lembranças invadiram minha mente ao entrar naquele carro. Parecia igual a cinco anos atrás, como se nada tivesse mudado, exceto que mudou. Passou-se cinco anos e nós não somos mais namorados apaixonados. 

Oliver estava tenso, era possível sentir, parecia que algo o inquietava. Ele não parava de olhar para mim e Johnny, especialmente para Johnny. 

Já no parque, Johnny ficou muito entretido com os cachorrinhos de algumas pessoas que estavam no parque e ficou catando folhas para brincar. Oliver e eu sentamos no gramado e eu evitava olhar para ele, mas sentia seu olhar em mim constantemente. 

– Sabe Samantha, eu achei a carta. Quer dizer, eu recuperei a carta. – franzi a testa para ele e ele esclareceu. – A verdadeira carta que você enviou. 

– Então é por isso que você está tão agitado e não para de olhar para o Johnny. 

– Eu sinto muito, Samantha. Mas nada disso aconteceu porque eu quis. Eu trouxe a carta que supostamente você me mandou, que agora eu sei que foi tudo uma armadilha do meu pai para me manipular. 

– Por que ele faria isso? 

– A Lisa me disse que ele achou que você queria o dinheiro dele. 

– Não é nada legal saber que ele mentiu esse tempo todo. – debochei ainda olhando para meu filho que tinha arrumado um amiguinho e agora brincavam juntos.

– Eu sinto muito mesmo, baby.

– Você não tem que sentir. – usei todas as minhas forças para ignorar o fato dele ter usado o apelido do nosso tempo juntos. Ele pareceu não notar que o fez. – Não era sua obrigação saber que seu pai estava sendo um completo babaca.

– Era minha obrigação sim. Eu te levei àqueles eventos, fui eu quem sem querer te expus a mania de perseguição dele de achar que todos querem roubar o que ele tem.

– Agora é tarde pra qualquer arrependimento... Não há mais motivo pra remoer esse assunto.

– Mas eu sei que ele também fez isso para que eu fosse pra Finlândia. Eu descobri que me mandar pra lá foi somente mais um jeito que ele achou de expandir a rede hoteleira dele. 

Oliver me deu a carta que ele recebeu para que eu lesse, eram tantos absurdos, tantos impropérios que me magoava pensar que Oliver realmente acreditou que aquilo partiu de mim.

– Agora sou eu que te pergunto, Oliver. Você se conformou só com isso? Um pedaço de papel que qualquer um pudesse ter escrito, como foi que aconteceu? Você sequer percebeu que isso não é a minha letra. 

– Você não faz ideia de como eu fiquei depois que você foi embora. 

– Posso imaginar… mulheres, bebidas e festas. É o que você faz não é? 

– É, eu me tornei um cafajeste sim. Mas eu estava com raiva, eu achava que você não me queria, que tinha escolhido seguir em frente sem mim. 

– Ótimo jeito de fugir dos seus problemas… – olhei para Johnny brincando. – Afinal Oliver, o que você quer? Qual foi o intuito desse encontro? 

– Eu queria conversar sobre o Johnny. Eu sei que você pensa que eu não tenho direito nenhum sobre ele, mas Sam, tenta entender o meu lado, não foi porque eu quis que eu não estava com vocês. Acha mesmo que eu seria capaz de te deixar sozinha? Acha que eu desistiria da gente? 

– Eu parei de achar qualquer coisa sobre "a gente" há muito tempo, Oliver. Mas depois de saber que você acreditou que eu seria capaz de dizer tamanhos absurdos como o que tem nessa carta... então talvez eu tenha que rever os meus conceitos. Talvez "a gente" nunca tenha realmente existido. 

– Você está sendo injusta. Eu morri naquele dia em que você foi embora, me arrependi de não ter ido atrás de você. Decidi focar na minha formação porque achava que não tinha mais solução para o que tínhamos.

– Eu também. E refiz minha vida, há cinco anos que a minha vida se resume aquela criança. Desde que ele estava no meu ventre, eu passei a viver para ele. 

– E é por isso também que eu quis marcar esse encontro. Eu quero ele. 

– O que? 

– Samantha, o meu pai já me fez perder os primeiros anos da vida dele. Por favor, não me deixe de fora dos próximos. Eu quero salvar a vida dele e eu quero ser o pai dele. 

– Você não sabe o que está dizendo. O meu filho não é um jogo, Oliver. Ele é uma criança, uma criança que está doente e ele nem sabe disso. 

– Samantha, eu sou médico. Mas antes de tudo eu sou o pai dele, você voltou por isso, não foi? Foi isso que quis dizer à noite? Você sabe e eu sei que as chances de eu ser compatível com ele são grandes. Eu quero fazer isso. 

– Mamãe, eu tô cansado. Minhas pernas estão doendo. – Johnny apareceu antes que eu respondesse. Seus olhinhos estavam sem brilho e seu rosto estava muito pálido. 

– Vem cá, meu amor. Deita aqui no colo da mamãe. 

– Você está com fome? 

– Tô não. – Johnny passou a mão no nariz e quando tirou estava sangrando de novo. – Mamãe! 

– Ai meu Deus! – eu me assustei e acabei assustando Johnny também que começou a chorar. – Desculpa meu amor, a mamãe te assustou, mas vai ficar tudo bem. Calma. 

– Fica calma, Samantha. Vai ficar tudo bem. Johnny aperta o narizinho como eu te ensinei. 

Johnny apertou o nariz e inclinou a cabeça. Oliver tirou um lenço do bolso e começou a limpar o rosto do Johnny e o nariz parou de sangrar depois de alguns minutos. Depois que limpou o rosto dele, Oliver pegou uma pequena lanterna que também estava em seu bolso e começou a olhar todo o rosto de Johnny. 

– Por favor, me diga quando isso vai acabar...? – olhei para Oliver enquanto chorava apertando Johnny em meus braços. 

– Vamos para o hospital e vamos fazer os testes. – não foi um pedido. Oliver determinou isso e dessa vez eu não retruquei. 

Levamos Johnny para o hospital e ele foi colocado no soro enquanto Oliver assinava uma enorme papelada para fazer o teste de compatibilidade e à noite já recebemos o resultado. 

Foi muita burocracia para resolver. Oliver desistiu do caso de Johnny, entregando a outro médico, precisamos fazer um teste de DNA para comprovar a paternidade para o seguro saúde e assim ele ser aceito como doador direto. 

Oliver era compatível e estava em perfeita saúde para fazer a doação, a cirurgia foi marcada para a semana seguinte a resolução de toda a papelada. Foi tudo tão exaustivo para todos nós. Meus pais vieram e voltaram para Washington nesse tempo. Tudo ainda parecia um pesadelo terrível e interminável. 

Johnny e eu dormimos no hospital durante esse tempo, mas Oliver poderia vir somente na manhã da cirurgia depois de fazer os exames pré-operatórios. Mas um dia antes, ele apareceu no nosso quarto de hospital. 

– O que está fazendo? – perguntei vendo-o trazer um travesseiro para a poltrona ao lado de Johnny. 

– Pensei em dormir aqui com vocês. 

– Ok. – percebi que ele ficou surpreso por eu aceitar tão facilmente, mas eu estava cansada demais para discordar. 

– Doutor médico, o senhor perdeu de ouvir a mamãe cantando. – Johnny comentou com Oliver e eu senti minhas pernas falharem. 

– É mesmo, Johnny?! – Oliver não se estendeu no assunto, mas seus olhos fixaram-se nos meus. 

– Mamãe, canta para ele ouvir também. 

– Não dá, meu amor. É tarde e amanhã é um dia muito especial para você. Então precisamos dormir. 

– Mamãe, a gente vai morar aqui agora? – Johnny reclamou agarrado a pelúcia de tartaruga emprestada por Jazz. 

– É só um pouco meu amor.

Oliver não falou nada e se enfiou num livro. Queria ter essa capacidade que ele tem de ignorar a situação. Deitei na outra poltrona do outro lado do leito e puxei a cortina que separava a poltrona de Oliver de nós dois. Nem ele nem Johnny reclamaram e meu filho rapidamente dormiu, mas eu me mantive acordada. 

——————————————————

Na manhã da cirurgia de Oliver eu estava uma pilha de nervos. Não deixei que meus pais viessem, o restaurante estava tendo muita clientela e fechar um dia inteiro ou mais, prejudicaria e muito as finanças. 

Johnny não seria submetido a cirurgia propriamente dita. Oliver me explicou que ele iria receber a medula como se fosse uma transfusão de sangue. Isso me deixava mais tranquila, mas não consegui parar de pensar que Oliver sim iria para cirurgia. Ele disse que era um procedimento simples, iam tirar a medula do quadril dele, perfurando o osso… dá agonia só de imaginar. 

Jasmine e Kevin estavam comigo e ficaram responsáveis de atualizar meus pais de tudo já que eu estava uma completa negação em estabelecer uma conversa com sentido. Eu só pensava em Johnny e em Oliver e em tudo que ia mudar a partir daí. 

Deixei Johnny com Jazz e Kevin no quarto. Eu estava muito ansiosa e com o pretexto de ir buscar água, fui até a linha vermelha do corredor e esperei até avistar a maca de Oliver se aproximando para entrar no centro cirúrgico. 

– Oliver… – os enfermeiros pararam o percurso para que eu pudesse falar com ele. 

– Deixe-me fazer isso, Sam. – ele segurou minha mão. – Deixe-me fazer pelo menos uma coisa certa depois de todos esses anos. 

– Eu só queria dizer, obrigada. – ele sorriu e beijou os nós dos meus dedos. 

– Vejo vocês daqui a pouco. – ele piscou e a equipe o levou para além das portas duplas que eu não podia ultrapassar. 


Horas depois. 

Eu estava na poltrona do quarto olhando Johnny e Oliver dormirem em camas lado a lado. A retirada da medula foi um sucesso, Oliver ficaria um tempo sem trabalhar, mas se recuperaria logo. Johnny receberia a medula e em breve voltaríamos para casa. 

Eles dormiam profundamente, era como se suas respirações estivessem sincronizadas. Quanto tempo eu esperei para vê-los assim, quantas vezes eu imaginei vê-los lado a lado. Não imaginava que a primeira vez que veria isso, fosse nessas circunstâncias.

Eu precisava contar para Johnny que Oliver era o pai dele. Expliquei a Oliver que Johnny sabia que o nome do pai era Oliver e por isso eu não o deixava dizer seu nome para ele, queria explicar primeiro para o meu filho antes de dizer que o seu médico é na verdade seu pai. 

– Água… água… – Oliver murmurou abrindo os olhos aos poucos. 

– Aqui. Bebe. – levei um copo com um canudo para ele beber. 

– Você fica linda de azul… 

– Você é daltônico. Isso aqui é roxo e você não está mais sob efeito da anestesia. O médico me disse que não faz delirar não. 

– É verdade. Sobre tudo, principalmente o fato de você estar linda. – rolei os olhos e coloquei o copo em cima da mesinha para não jogar na cara dele. 

– Ei! – ele reclamou. – A minha água. 

– Vai ficar sem. A essa altura do campeonato você ainda acha tempo pra me provocar. 

– Você é uma enfermeira muito cruel. – ele sorriu ainda grogue da anestesia ou do sono. Sorri também voltando a lhe dar água e apertei os olhos antes de sussurrar:

– Você ainda não viu nada. – seu sorriso se alargou, mas antes que ele dissesse algo mais, Johnny acordou. 

– Mamãe… quero água. 

Esses dois parecem estar mesmo sincronizados. 

Me afastei de Oliver e peguei outro copo d'água para Johnny e fui até a outra cama, Johnny se sentou na cama e eu lhe entreguei o copo. Sentia o olhar de Oliver em nós, mas ignorei e me debrucei para alisar os cabelos de Johnny. 

– Como você se sente, pandinha? 

– Tô um pouquinho de sono. 

– Quer dormir mais um pouquinho? 

– Quero não. Quero ir pra casa. 

– A Doutora disse que a gente vai pra casa logo. 

– A gente vai pra casa de verdade? Eu to com saudade da Clarinha. 

– Amor, a Clarinha mora na Inglaterra e a gente mora aqui agora. 

– Mas eu quero morar na Inglaterra. – olhei para Oliver e ele estava com o maxilar cerrado e tenso. 

– Depois a gente conversa sobre isso, tá bom? A mamãe tem uma surpresa pra você quando a gente voltar pra casa. 

– O que é?

– Se a mamãe contar não vai ser mais surpresa.

Johnny olhou para o lado e viu Oliver deitado na outra cama olhando pra gente.

– Você também tá dodói?

– Eu já estou melhor. E você também vai ficar bom logo. – eles sorriram um para o outro e uma enfermeira veio junto ao cirurgião fazer a revisão pós operatória de Oliver. 

O resto dos dias até a nossa alta médica foi assim. Johnny e Oliver conversando como se fossem amigos de longa data. Johnny ainda chamava Oliver de "Doutor médico", já que a meu pedido, ele sempre se esquivava quando Johnny perguntava seu nome. 

Eles se deram bem, tudo que eu precisava agora era falar a verdade. 


Notas Finais


Boa noite, amores. Enfim 🤭 não aguentei de novo. Espero que vocês tenham gostado. Esse será o último de hoje. Um xero e até o próximo. ❤❤


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