História Eu igualzinho a você, só que pior - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Casais Trocados, Drama, Jihope, Namjin, Romance, Vkook, Yoonmin
Visualizações 116
Palavras 11.082
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Slash, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bem-vindos a bordo do avião SOS -Todos os casais possíveis do mundo!

Primeira janela: Yoonmin.

Apertem os cintos por favor, iremos decolar. Prometo que este avião não irá cair e que sua viagem será tranquila e divertida.
Para que não haja nenhum problema durante o voo, aqui vai algumas indicações para tornar o seu, o meu e o de todos os outros, mais harmonioso:

-> Esse capítulo será, provavelmente, o maior e único desse tamanho, uma vez que toda a história do personagem principal até ali precisou ser explicada para que os próximos capítulos ficassem mais claros;

-> Há gírias, satirização por parte do personagem principal na tentativa de deixar suas experiencias menos tensas do que são, violência familiar e palavrões na maior parte da história;

-> Como nas tags da fanfic já diz: terá muitos casais trocando de pares. -Shippo todo mundo, não me culpem por ser estranha-. Além dos shippers que já estão ali, terá menção rápida e superficial de:
- Jikook;
- Vmin;
- JoyRi;
- Jimin e Baek -Nem me perguntem-.

-> Sei que Koomin e Jikook são a mesma coisa e se referem as mesmas pessoas, porém irão entender o porquê tive que colocar os dois como se não fossem;

-> Não terá muitos beijos, nem sexo. E se tiverem, não será muito impactante. A história é mais puxada pelo lado da comédia do que de conteúdo sexual;

-> A fanfic será curta -basicamente 6 capítulos e se quiserem, posso fazer um bônus-;

-> São mais do que bem-vindos comentários, sejam eles incentivadores ou críticos, para saber como devo continuar o andamento da história, mas por favor, não sejam grosseiros. É minha primeira fanfic do BTS e após uns acontecimentos ruins da minha vida, então estou insegura;

-> Informações sobre idade, altura, personalidade, sexualidade e profissões são criadas por mim. Nada aqui é na intenção de difamar ou ofender nenhum dos modelos bases;

-> Não sei se terá dias fixos para postagens, mas tentarei não demorar. Como a fanfic será curta, é provável que seja atualizada rapidamente.

No demais, se sintam a vontade para me chamarem, não somente nos comentários, para que uma explicação melhor possa ser feita. Meu nome é Amanda, mas podem me chamar como quiserem, não me importo com isso.

Espero que gostem do voo e nos encontraremos na aterrissagem.

Capítulo 1 - Desde o principio fazendo confusão


Fanfic / Fanfiction Eu igualzinho a você, só que pior - Capítulo 1 - Desde o principio fazendo confusão

Podia ser só uma quedinha de energia. Ou então uma falha nos motores. Não sei, só queria que qualquer coisa acontecesse para esse avião não chegar ao seu destino. Mesmo me cagando de medo de que essa porra realmente caísse, tinha coisas bem piores do que isso. E estava voando de encontro a elas.

Então, por favor, me matem de uma forma rápida e indolor.

- Senhor, coloque o sinto. O avião já vai pousar. – A educada aeromoça interrompeu meus pensamentos super positivos, me fazendo dar um sorriso forçado em troca.

Parece que, nem que deseje muito, as coisas não acontecem se você não for pessoalmente fazer.

Devia ter trazido uma bomba. Sabia que sim.

Não levou mais do que cinco minutos para aquela sensação do seu estômago estar desgrudando do lugar me acertasse. Minhas mãos rapidamente ficaram geladas de tão forte que segurei os braços da poltrona. O ar não entrava, nem saia dos meus pulmões, e eu fechava tanto os olhos que minha cabeça começou a doer. Mesmo que tivesse ficado totalmente atordoado e com vontade de vomitar, essa foi uma das melhores decidas, já que nem cheguei a desmaiar, como na maioria das vezes acontecia.

 Odiava voar, mas a decolagem e aterrissagem pareciam a pior parte.

Porém, saber que estava em minha cidade natal parecia ainda pior.

Será que ainda da tempo de explodir esse avião?

Esperamos liberarem as portas ao som de algumas conversas aos murmúrios e choros infantis. Estava quase me levantando para bater nos pais daqueles dois garotos, que não faziam nada para que os mesmos parassem de birra, como se só eles quisesse sair daquele lugar, e foi ai que deixaram a gente sair.

Às vezes me imagino em algum daqueles filmes a onde as pessoas ficam em confinamento... Eu com certeza acabaria matando todo mundo... Ou todo mundo se juntaria para me matar.

De qualquer jeito, já fazia mais de meia hora que estava pacientemente plantado, esperando minha carona ou a minha mala ao lado daquela maldita esteira, mas nem sinal de um deles ainda.

- Ah, vai tomar no cú! Já vi essa mala amarela horrorosa três vezes! – Grunhi irritado, batendo as mãos nas cochas. Alô produção, vamos dar um jeito aqui! – Que Inferno, nem pra ser bonita.

- Com licença? Essa mala é minha! – Uma senhora me empurrou para o lado, meio zangada com o meu comentário inofensivo.

- E eu com isso? – Ergui as sobrancelhas, realmente sem entender o fundamento, e isso fez ela bufar indignada.

A desgraça puxou a mala com brutalidade da esteira e a acertou na minha canela de proposito. Gemi de dor enquanto pulava num pé só e rosnei para a velha que saiu marchando para longe de mim, com o nariz empinado.

- Espero que essa estampa horrível te deixe cega! – Gritei, chamando atenção, mas ela apenas ergueu o dedo do meio, continuando a andar. Ri nasalado, mesmo que ainda pulasse num pé só.

- Jimin! - Me virei depressa quando reconheci o timbre do meu irmão.

Ah, então apareceu a bonita.

Ele negava com a cabeça como que alguém que estava decepcionado, mas sorria abertamente como se já esperasse por uma confusão minha e até estivesse ansioso para presenciar de novo.

- Não fode! – Falei surpreso e tremendo de alegria, até mesmo me esquecendo da canela latejando.

Nós deixamos ar sair soprado em um sorriso e corremos um na direção do outro, nos fundindo em um abraço apertado cheio de saudades que durou por minutos.

- Não consigo acreditar. – Ri, nos afastando para que pudéssemos nos olhar. – Como você está lindo!

- Atá. – Ele revirou os olhos. – Por que você não consegue deixar de se elogiar? – Brincou de volta, me olhando fingindo estar indignado, mas a sua felicidade em me ver ao vivo depois de tanto tempo, ainda brilhava em suas iries escuras.

- Eu não tenho culpa se somos as pessoas mais bonitas do mundo. – Ri novamente e olhei para a esteira. – Ai, amém! – Quase empurrei Taemin da minha frente para enfim pegar a porra da minha mala. – Isso sim que é mala de qualidade, meus amigos. – Sorri, a colocando no ombro.

- Vejo que os anos fora te fez muito bem. – Meu irmão foi irônico enquanto negava com a cabeça e começava a andar para fora daquele aeroporto lotado e barulhento.

- Qualquer lugar a pelo menos quinhentos metros da minha família, vai me fazer bem. – Devolvi, sorrindo amplamente. Ele fez uma careta engraçada e eu ri. – Você não vale, somos praticamente a mesma pessoa.

- Tá, cala a boca. – Ele riu e entrou em seu carro. Fiz o mesmo após jogar a mala nos bancos de trás. – Como foi de viagem? – Esperou por alguns segundos para finalmente ter espaço para sair da vaga e entrar no transito.

- Boa, infelizmente. – Murmurei contrariado, fazendo drama, e ele riu de novo, negando com a cabeça.

- Não seja tão pessimista. Conversei com eles, não vão arrumar confusão se você também não a fizer. – Me olhou rapidamente, mas foi o suficiente para reconhecer aquele olhar de “vê se fica na sua, se não eu ataco meu bolo de casamento na tua cara!”.

- Você realmente acha que seus pais vão ficar na boa? – Perguntei rindo.

Acho que foi a coisa mais engraçada que escutei esse mês.

- São seus pais também. – Me repreendeu e eu revirei os olhos, olhando para a vista pela minha janela depois.

Busan estava bonita naquela época do ano. Eu não saberia dizer se estava na primavera ou no verão, pois eu me fodia para isso, mas tinha flores lindas nos quintais dos moradores dali e o sol brilhava num céu limpo e claro. Mesmo passando muito rápido por conta da velocidade que o carro era dirigido, trazia uma sensação boa de admirar.

- Eles não agem como pais para mim, então nãos os tratarei como uns também. – Respondi depois de um tempo, meu tom saindo ácido até demais.

A minha fala pareceu ter deixado ele atordoado e então ficamos o resto do caminho até minha antiga casa em silencio. Não precisávamos colocar conversa em dia, de qualquer jeito.

Taemin estacionou em cima da calçada já que a rua estava repleta de carros, um mais chique que o outro. Fiz uma careta quando consegui escutar o barulho de risadas e conversas altas vindo de dentro da casa, denunciando que os possíveis donos daqueles veículos estavam tudo lá dentro.

- Não faça essa careta. – Ele riu ao vê-la, destrancando as portas e saindo logo em seguida. Fiz o mesmo, ainda com a careta. – Meus amigos são legais e a maioria dai é só os parentes.

- Ah, que legal saber. – Fui irônico, já que a família era a ultima coisa que queria por perto.

- Vai indo na frente, vou levar sua mala. – Pediu, já abrindo a porta de trás para poder pega-la.

Como eu estava bem cansado e era um típico preguiçoso, apenas dei de ombros e caminhei em direção aos portões do Inferno. Bati na porta, já que não sabia se podia chegar entrando, e ela logo foi aberta como se a pessoa quisesse fugir, completamente afobada.

- Ai, que bom que você voltou! Sua família esta me deixando maluco! – Ele riu, olhando para o meu irmão lá trás, ainda lutando contra a minha mala pesada, antes de se inclinar para cima de mim e selar meus lábios.

Opa, perdi meu Bv.

Brincadeira, não sou mais Bv há muito tempo, rs.

Não sei se foi pela minha falta de resposta ou pela minha cara de “WHAT? WTF?”, mas não levou muito tempo para que o loiro arregalasse os olhos e desse um passo para trás, colocando uma das mãos sobre a boca.

- Taemin? – Ele quase choramingou, sabendo que a resposta seria um mais lindo e sonoro “não”.

Eu ri meio desconfortável. Não sabia como agir, já que nunca na minha vida que eu ia imaginar uma cena dessas, então optei por fazer piadas, como um palhaço que sou.

- Tenta de novo. – Brinquei e ele corou, negando com a cabeça enquanto fechava os olhos com força, choramingando por algo que não ouvi.

- Jimin? – Abriu apenas um dos olhos e eu ri soprado, fazendo aqueles sons eletrônicos de quando você consegue pegar um ursinho daquelas maquinas criadas pelo Satanás só pra roubar todo o seu dinheiro em uma pelúcia feia e simples. – Oh merda, então quer dizer que acabei de beijar meu cunhado?

- E olha que nem no Brasil, as pessoas são tão receptivas assim. – Eu ri, apenas deixando ele ainda mais envergonhado.

- Oi, Yoon. Desculpa a demora. Jimin é bem baixinho e demorei para encontra-lo naquela multidão. – Taemin chegou do nosso lado, deixando minha mala no chão enquanto se inclinava para frente, sorrindo cansado e deixando um selinho no noivo.

Olha só, um deja vú.

- Só lembrando que a gente tem a mesma estatura. – Resmunguei, pegando minha mala e entrei, deixando os dois para conversar sobre a estranha traição não intencional que rolou ali.

- O caralho, você demorou muito! – Jungkook falou irritado, já se levantando para vir me abraçar. – Sua família é um saco.

- Primeiro, eu sei. Segundo, se for me dar um beijo também, devo avisar que não sou o Taemin. – Estiquei a mão, empurrando seu peitoral para trás quando ele não parou de avançar para cima de mim.

Ele e os três ainda sentados no sofá riram, provavelmente entendendo o que eu quis dizer, já que o casal ainda conversava, agora sérios, na porta.

- Yoongi te beijou? – Jungkook riu, me puxando para um abraço. Dessa vez eu deixei e o apertei tão forte quanto ele me apertava. – Que belo jeito de conhecer as pessoas. – Debochou, bagunçando totalmente o meu cabelo.

- Olha só, não é só porque agora você é maior do que eu, que você pode ficar fazendo essas coisas! – Falei indignado, o empurrando para longe de mim mais uma vez.

- Bom, você continua o mesmo chato e esquentadinho dos tempos da escola. – Revirou os olhos, se jogando no sofá novamente.

- E você, o mesmo folgado. – Retruquei, mostrando a língua. Ele mostrou também. – Falando em folgado, cadê teu namorado? – Olhei em volta, ansioso para encontra-lo, mas só encontrei rostos de tios e primos, que me encaravam torto de volta.

- No banheiro. – Ele respondeu dando de ombros. Suspirei frustrado.

- Mas o que ele faz tanto lá? Se formos contar, metade da vida dele, ele passou lá e a outra foi fazendo merda. O que da na mesma. – Falei desacreditado e os outros quatro riram novamente.

- Tá bom, piadista. – Jungkook falou, provavelmente sentindo que deveria defender o namorado, mesmo que eu dissesse a verdade. – Me deixa apresentar os amigos do seu irmão. – Ele apontou para os outros três ainda sentados ali e eu me dei conta que nem os conhecia e já estava falando bosta na frente deles. – Esses são: Namjoon, Seokjin e Hoseok. Respectivamente. – Eles acenaram alegres para mim e eu sorri para eles.

- Ele parece mais fofo que o Taemin. – O de cabelos roxo, Namjoon, comentou analisando minhas bochechas gordinhas que quase sumiam com os meus olhos completamente quando sorria.

- Se você o conhecesse, nunca mais diria isso. – Kook sempre me difamava, incrível.

Um garçom passou ao nosso lado com bandeja cheia de copos de cristal com bebidas ate a metade, nos oferecendo. Os quatro rapidamente pegaram, cada um, um copo, e eu neguei com a cabeça, tanto para a oferta quando de indignação. Sério? Um garçom? Mas que merda meus pais ainda eram? Esbanjando dinheiro e o gastando em coisas fúteis apenas para se exibir para o resto da família... Ficava puto com isso.

- Ok, de qualquer jeito, é muito bom te conhecer. – O ruivo, Hoseok, disse animado, sorrindo amplamente para mim.

Lembro-me de ter escutado meu irmão dizer várias e várias vezes que, quando ele sorri, você fica tão encantado que é natural e incontrolável sorrir de volta. Ele tinha razão. Eu só não entendi o porquê dos outros terem soltado risadinhas faceiras.

- Bom, pelo menos vocês estão felizes com a minha presença. – Sorri fraco, olhando para as pessoas que se aproximavam da gente. Eles franziram o cenho.

- O que quer dizer com isso? – O acastanhado, Seokjin, tombou o rosto terrivelmente bonito para o lado e eu comprimi os lábios, notando que era a minha mãe que puxava a multidão familiar que não ficaria surpreso se me lixassem.

- Espera dois segundos. – Murmurei para eles, me virando para que escutassem.

- Ah pronto. – Jungkook também resmungou quando a viu.

- Então você veio. – Ela começou, falando com nojo, quase como se visse uma barata em sua comida.

- Não, mãe. – Fui sarcástico, sorrindo debochado enquanto me virava para ela. – Ainda estou lá no Brasil. – Revirei os olhos para a sua cutucada ridícula.

- Veja como fala com a sua mãe, seu moleque de merda! – Meu pai também decidiu aparecer, falando grosseiro e alto, ficando ao lado da mulher como se a amasse e respeitasse de verdade, e isso fez todas as conversas finalmente pararem e todos olharem para nós e o show que estrelávamos. – Se Taemin não tivesse sido tão persistente em trazer o irmão patético para o casamento, você nunca pisaria nessa casa de novo.

- Você fala como se eu quisesse voltar para esse Inferno novamente. – Bufei, completamente “foda-se” para eles e suas tentativas de me humilhar aquele dia, e isso teria feito meu pai rosnar se fosse um cachorro.

- Ei! O que eu disse sobre não brigarem? – Taemin controlou a situação, se colocando na minha frente, sendo o irmão protetor que ele teve que aprender a ser desde criança.

Agora foco na parte principal de toda essa cena: POR QUE ELE ESTÁ DOIS CENTIMETROS MAIS ALTO DO QUE EU???????

- Caralho, senti falta de ver isso. – Jungkook disse animado, olhando para nós dois como se fossemos uma pessoa e um espelho. – É tão estranho! – Ele riu nostálgico, tomando mais de sua bebida. Eu revirei meus olhos enquanto meu irmão o ignorou, ainda olhando para os pais do ano.

- Pai, mãe, sério! Vocês prometeram que não iam provoca-lo! – Taemin ainda estava serio e me mantinha atrás de seu corpo, como se nossos pais fossem pular na minha cabeça.

Mas é claro que eles não fariam aquilo... Tinha muita gente assistindo.

- Ele estar aqui já é muita provocação para nós! – Minha mãe esperneou feito uma criança.

- Ai, chega. Foi bem legal estar de volta e tals, mas tô indo para um hotel. – Avisei, pegando minha mala em mãos novamente e já me virei, porem Taemin segurou meu pulso.

- Não, Jiminnie. – Ele gemeu frustrado, me puxando para perto dele de novo. – Olha, eu só vou casar uma vez na vida, ok? Não dá pra vocês... Se comportarem? Só essa semana? – Pediu manhoso, sabendo que ninguém é forte o suficiente para resistir a ele desse jeito.

Ele, assim como todo mundo na sala, até mesmo o otário do Jungkook, olharam de mim para os meus progenitores varias vezes. Eles bufaram, dando de ombros, tentando me imitar quando mandei o “foda-se” para as suas atitudes maldosas, como se não estivessem espumando por eu simplesmente estar respirando em sua casa.

Não sei qual dos dois era mais ridículo, puta que me pariu. Opa, hihi.

- Tá, que seja. – Concordei também e ele sorriu contente, o que fez seus olhos brilhantes sumirem em meio a tanta dobrinha. – Porra isso é muito fofo mesmo. – Revirei meus olhos e, as únicas pessoas ali que iam com a minha cara, riram.

- Pode deixar sua mala no meu quarto. – Ele avisou e eu assenti, saindo daquele lugar o mais rápido possível.

Odiava ser o centro das atenções, ainda mais em ambiente familiar. Nunca fui acostumado e espero nunca me acostumar com isso.

Acontece que, desde o início, eu sempre fui um estorvo para os meus pais. Eles não planejaram ter filhos tão cedo, mas sempre quiseram um e bem, Taemin que veio ao mundo primeiro.

Na época que minha mãe estava grávida de nós, não havia tanta tecnologia como temos hoje –sim, ela é quase pré-histórica de tão velha-, então eles não tinham como confirmar com toda a certeza de quantos bebês estavam sendo carregados dentro dela... O que resultou em não arriscarem abortar por não saberem quantos filhos iriam matar.

Acho que eles consideram esse, o maior erro da vida deles.

E não, eu não culpo o meu irmão por absolutamente nada que aconteceu comigo depois dai. E como poderia? Não era como se tivéssemos transformado nossa mãe num ringue para bebês, ele apenas foi puxado para fora da vagina dela antes de mim e fim.

Eu consigo imaginar certinho como foi a reação deles ao verem Taemin pela primeira vez, tudo sujo de sangue, enrolado em um manto –que eles guardam até hoje-, com cara de joelho e berrando tanto que dava vontade de passar fita adesiva em sua boca. Seus olhos brilhavam e seus sorrisos quase rasgavam suas bochechas, de tão bom que era a emoção que preenchia seus peitos.

Sabia que era assim, porque eles ainda olhavam assim para ele.

Tudo que Taemin faz é motivo de orgulho pra todo mundo. Boas notas, bom emprego, boa influencia, bom comportamento, bom irmão, bom filho, bom amigo, boa pessoa, bom, bom, bom.

Ele tinha a mesma aparência que eu, mas era completamente diferente de mim.

Eu interminavelmente ficaria em sua sombra, mas nunca me importei. Ele também era muito bom em te fazer se sentir bem não importa qual situação fodida você esteja condenado a ficar pra sempre.

Para que seja um pouquinho mais fácil de entender o que estou querendo explicar... Taemin já tinha seu nome escolhido dois meses antes de nascer e olha que tinha dois de reserva muito bons. E então, quando saiu mais um filho pela xota da minha mãe, invés de eles tirarem no unidunitê e me darem algum dos outros, só recebi meu nome quando estávamos saindo do hospital e um enfermeiro, apressado para chegar sei-lá-aonde, acabou por esbarrar no ombro do meu progenitor. Meu pai o xingou e o moço se virou rapidamente apenas para pedir desculpas, mas deu tempo de lerem seu crachá para reclamarem na recepção.

Ahá, e essa é a historia do porque de eu me chamar Jimin.

Um verdadeiro conto de fada, não é?

Melhor do que eu contando essa história, só os meus pais mesmo, que após algumas doses de bebida alcoólica, acharam divertido contar isso para uma criança de sete anos.

Acho que nunca os escutei rindo tanto.

De qualquer jeito, Taemin nunca se estragou com todos aqueles mimos que nossos pais faziam questão de dar a ele e eu o admiro muito por isso. Ele tinha tudo para ser aqueles filhinhos de papais filhos da puta ou as meias irmãs da Cinderela para mim, mas, na verdade, meu irmão é a melhor pessoa que qualquer um poderia conhecer.

Sempre fomos muito unidos e um protegia o outro independente do problema. Na infância, éramos muito colados. Fazíamos exatamente tudo juntos, o que fazia as pessoas nos olharem meio estranhas, já que não era muito comum verem gêmeos, ainda mais uma dupla que falava a mesma coisa ao mesmo tempo.

A gente não lê a mente um do outro, ok? Não sei o porquê de tantas pessoas terem nos perguntado isso. Somo gêmeos e não mutantes, qual é?

Fomo apenas eu e ele por muito tempo e teria continuado assim se Jungkook não tivesse sido transferido para a nossa sala na quarta série do ensino fundamental dois.

Não digo que brigamos por ele, mas poderíamos pelo tanto de confusão que rolou por conta de seu sorriso tímido e seu jeito maravilhoso de ser que encantava qualquer um.

Não foi amor à primeira vista, pelo menos, para mim não. Kook era muito quieto e assustado e então eu e Taemin sentimos que deveríamos nos aproximar para que ele não tivesse que passar o resto da vida escolar naquele Inferno sozinho.

No início foi bem complicado. Jeon era realmente muito tímido e quando eu estava por perto, ele se mantinha extremamente calado. Demorou uns bons meses para que ele se sentisse confortável perto de nós e começasse a ser ele mesmo... O que foi horrível, ele era muito travesso.

E logo de cara nos demos bem.

Eu sempre gostei de encrenca. Não aquelas pesadas, credo. Mas não perdia uma oportunidade de fazer a professora gritar comigo e me levar para a diretoria com um puxão de orelha... E Jungkook sempre estava com a orelha na outra mão.

Na sexta série, comecei a me sentir estranho quando estava ao lado dele. Sentia muito mais a sua falta quando chegava no fim de semana e não podíamos sair para brincar, e odiava quando uma garota vinha de frescura para cima dele.

Jungkook sempre foi bonito, desde pequeno chamando atenção sem mesmo querer, e Deus, como eu odiava aquilo.

Fui empurrando esse sentimento com a barriga ate que eu não aguentei mais. Um pouco antes da metade do ano, em uma festa de aniversario com tema “Barbie e as doze bailarinas” –a onde tinha muito mais do que só doze garotas vestidas com roupas de balé-, Jungkook foi jogado em cima da aniversariante e acabou que, acidentalmente, eles deram um selinho.

Foi bem constrangedor. Os dois ficaram completamente vermelhos, ainda mais com todos aqueles capetas –ou crianças, whaterever- gritando que eles se amavam e que agora teriam que casar. (A porra do com-quem-será também foi com ele).

Kook, com todo aquele senso de timidez, rapidamente veio para perto de mim e do meu irmão, querendo que nós o fechássemos como verdadeiros guarda-costas que sempre fomos para ele... Mas eu... Eu estava muito irritado com o que tinha visto.

Um sentimento estranho borbulhava meu estomago e eu só rezava para que fossem gases. Mas infelizmente, sabia o que era, já que meu peito comprimia meu coração. Estava com ciúmes dele.

A gente brigou quando ele veio correndo atrás de mim após eu ter empurrado todo mundo que entrava no meu caminho para a saída. Gritamos coisas que aposto que não nos lembramos mais, mas que nos arrependeríamos para sempre. E lá no meio, enquanto despejava palavras emboladas pela emoção, acabei deixando escapar que gostava dele. E não teria percebido se ele não tivesse me calado com um beijo.

No primeiro segundo, eu me assustei e ate cheguei a cambalear para trás, tentando fugir, mas não demorou muito para que eu correspondesse... E menos ainda para começarmos a namorar.

Dai em diante não éramos mais o trio inseparável, éramos Jikook e Taemin.

Não o excluímos, se é o que parece. Jamais faríamos isso... Mas acho que ele meio que entendia que tinha coisas que não poderia fazer parte, tipo um encontro. Não fazíamos coisas inapropriadas publicamente e nem em quatro paredes, afinal era o nosso primeiro namoro e tínhamos onze anos. Para nós, namorar era ficar um na companhia do outro, andar de mãos dadas e nos beijar uma vez ou outra, como nos filmes que podíamos assistir.

Pausa rapidinha para dizer que quando assistimos Kama Sutra ficamos completamente chocados e perturbados por no mínimo três dias.

Virgens. 

Enfim, não fazíamos nada de mais, mas isso já parecia incomodar muito o meu irmão.

Mesmo com Taemin um pouco desconfortável por ter que ficar de vela, tudo ia bem. Estávamos felizes e mais unidos do que nunca. Eu finalmente começava a ver que as coisas podiam dar certo para mim... Bom, isso ate os pais de Jungkook chegarem mais cedo do trabalho numa tarde qualquer e indesejada.

É obvio que os dois ficaram chocados e, talvez, ate um pouco decepcionados demais, afinal queriam netos e Kook só poderia dar isso a eles se ficasse com uma moça. Era um sonho indo por água a baixo quando perceberam que eu não era uma mulher.

Eles me expulsaram da casa e ligaram para os meus pais no mesmo segundo, contando tudo a eles. Antes mesmo de chegar em casa, já era possível ver vários vizinhos do lado de fora, curiosos pelos barulhos de objetos quebrando e os gritos raivosos do meu progenitor.

Ate pensei em dar meia volta e morar embaixo da ponte –que nem existia-, mas eles eram meus pais e eu ainda tinha aquela esperança boba de que eles me amavam e tudo o que já tinham feito e falado para mim era da boca para fora.

Nem preciso contar que eu era ingênuo para um caralho, não é?

Assim que passei pela porta, meu cabelo foi agarrado com força e eu fui empurrado contra uma das paredes, enquanto escutava o quão desgostoso era me ter como filho; que eu era um insulto para o sobrenome Park; que cada dia eu era um fardo mais pesado para eles carregarem.

Eu tinha doze anos na época, obvio que aquilo me deixou triste o suficiente para me fazer chorar de soluçar... Isso e surra que levei.

Conseguia escutar Taemin gritando para que parassem, que me deixassem em paz. Conseguia o ver tentando empurrar nosso pai para longe de mim, mas nossa mãe logo se meteu, arrastando ele para o nosso quarto e o trancando lá, voltando para ajudar a me dar uma coça.

Foi a primeira surra pesada que levei.

Acabei por parar no pronto-socorro. Meu braço direito estava quebrado e tinha escoriações por todo o meu corpo. Minha cabeça tinha um enorme inchaço, já que meu pai tinha quebrado o vaso de porcelana, que servia como porta-chaves, nela.

Eu nunca tinha visto minha mãe tão arrependida... Ela amava aquele vaso.

Assim que tive alta, Taemin me levou ate a casa do JK, já que o mesmo ficou sabendo o que aconteceu e estava quase subindo pelas paredes de ansiedade em me ver. Seus olhos estavam vermelhos e assim que me analisaram, ficaram marejados novamente e seus soluços escaparam. Seus pais estavam em casa naquela tarde e o choro alto do filho os fez correrem em nossa direção. Senhora Jeon perdeu completamente a cor do rosto e o senhor Jeon quase me levou no colo até o sofá, dizendo o tempo todo que ligaria para a polícia.

Não deixei, não queria apanhar de novo.

Eles me pediram um milhão de desculpas por toda aquela confusão e eu pude ver que aquele menino tímido e inseguro, tinha tido uma conversa de adulto com os dois e os fez entender que, não importando a pessoa que namorasse, nunca deixaria de ser aquele garoto de ouro que sempre foi.

E apesar de qualquer desavença, seus pais o amavam e isso também não mudaria.

Eu queria muito ser filho deles.

Conseguimos namorar escondidos, já que os seus pais e Taemin sempre davam um jeitinho de nos ajudar. Mesmo com os braços ainda doloridos pela surra de alguns meses atrás, eu estava feliz novamente.

Claro, isso até que escutei meu irmão chamando pelo nome do meu namorado enquanto dormia.

Obviamente senti muita raiva. Como podia a pessoa que eu mais confiava desejando algo meu sendo que já tinha tudo? A única coisa que eu sempre tive era ele e Jungkook, e agora meu irmão o queria também.

Não tinha como entender de primeira, nem de segunda, nem de terceira, nem de quarta e nem de quinta, mas eu e Taemin sempre fomos muito unidos e meu maior medo é perdê-lo.

Depois de uma semana fazendo birra, atendi os seus pedidos para conversarmos. Ele me explicou, bem timidamente e com o maior pesar do mundo, que gostava de Jungkook, tanto quanto eu gostava.

O problema era que ele sempre foi apaixonado pelo menor, bem antes de eu ser.

Não tinha reparado e acho que nem o Kook, mas Taemin sempre foi muito carinhoso e atencioso com o mais novo, muito mais do que ele era com qualquer um. Fazia o seu impossível para fazê-lo sorrir e sempre dava um jeitinho de deixa-lo feliz... Isso incluía abrir mão dele para que o mesmo ficasse com quem gostasse.

Para mim não foi amor à primeira vista, mas para Taemin sim.

E mais uma vez, meu irmão era a melhor pessoas que qualquer um poderia conhecer.

Então, achei justo colocar todas as cartas na mesa. Fiz Kook entender que ninguém mudaria com ninguém, independente de qual fosse sua escolha. Expliquei que nós dois estávamos apaixonados por ele e que ele deveria decidir com quem queria ficar, mesmo sabendo que os dois o queriam.

Pareceu extremamente pesado fazer aquela escolha e eu Taemin entendíamos que era muito para ele processar em uma tarde, então o deixamos pensar. No outro dia, lá estava ele, novamente tímido e constrangido perto da gente como se tivéssemos regredido para o primeiro dia da quarta série.

Seria uma mentira muito grande se dissesse que eu e Taemin não estávamos como ele e, talvez com muita certeza no meio, tão ansiosos que nossos estômagos doíam.

E então eu levei um pé na bunda.

Jungkook sempre se sentiu muito confortável na presença de Taemin, o que o fez lincar com gostar mais dele do que gostava de mim e eu, como um verdadeiro trouxa que jamais deixarei de ser, aceitei sem nem questionar.

Agora era minha vez de abrir mãos para eles serem felizes.

Nesse momento, não éramos mais Jikook e Taemin, e sim Kookmin e Jimin.

Obviamente que eu menti quando disse que nada mudaria, ate mesmo porque, não tem um só ser humano na Terra que conseguiria ver seu ex primeiro namorado com o seu irmão gêmeo um dia depois de você ser chutado, sendo que você ainda tinha sentimentos por ele, então eu ficava um pouco afastado deles, com a desculpa que eles precisam de um tempo a sós. E bem, eles pareciam acreditar.

Graças a Deus que tinha alguns outros alunos na turma como o Kai, Baek, Woonzi, Jackson, Nayeon, Wendy e a Joy, que apesar de nunca chegarem a serem considerados meus melhores amigos, eram próximos o suficiente para saberem o motivo da troca dos gêmeos e rirem de mim sem que eu ficasse bravo, ate porque eles me salvavam de algumas situações bem desconfortáveis que o casal sem noção vivia me colocando. Tipo quando resolviam contar detalhadamente como foi bom o amasso do dia passado.

Foi um ano e meio assim, me torturando ao máximo de todas as formas existentes. Ate que, na metade da sétima serie, um garoto foi transferido de Daegu para Busan após colocar tachinhas na cadeira da diretora e ser expulso da ultima escola que tinha em sua cidade. Já dava para imaginar o diabo que ele era.

Como com todas as pessoas, seus olhos focaram em mim e no meu irmão, fazendo aquela expressão surpresa ao ver que éramos gêmeos. Ele se sentou na cadeira atrás da minha -já que a única outra vaga era bem no ninho de garota que já comentavam como o novato de cabelos laranja era bonitinho- e passou a porra do dia inteiro batucando os dedos na mesa, em uma melodia chiclete que ele não parecia se enjoar nunca.

Quando faltavam dez minutos para as seis da tarde, quando finalmente teria todos os alunos daquele lugar comemorando o final da semana letiva, ele me cutucou e eu me virei com a pior cara de poucos amigos que poderia ter. Afinal, além de ter que aguentar Taemin e Jungkook de risinhos e carinhos a aula inteira, ainda tive que aturar aquele hiperativo batucando na minha orelha também.

“Ia perguntar se isso não te incomodava, mas pelo visto sim.” Ele disse tão sem graça, que até cheguei a me sentir mal, sorrindo fraco para amenizar a situação. “Vocês são gêmeos?” E aquela pergunta ridícula me fazendo revirar os olhos mais uma vez na vida.

“Não, ele fez plástica porque eu sou muito bonito e ele tinha inveja.” Minha resposta totalmente irônica o fez rir. Uma risada alta e engraçada que chamou atenção de todos na sala e me fez sorrir enquanto era mandado olhar para frente pela professora chata e rabugenta.

“Acho que vamos ser bons amigos.” Sussurrou no meu ouvido de maneira travessa após se inclinar para perto de mim e eu virei meu rosto para o lado, o olhando de canto e devolvendo o sorriso como se concordasse também.

Taehyung era pior do que eu e Jungkook juntos. Parecia que ele sempre estava aprontando uma e me levando junto, e na verdade estava mesmo. Ele era hiperativo como eu suspeitei desde o principio e isso o fazia levar bronca atrás de bronca por nunca parar quieto.

Acabei me aproximando demais dele, já que ainda queria fugir do casal 2.0. Fazíamos tudo juntos, desde trabalhos em duplas ate dormir um na casa do outro –mais na dele do que na minha- para passarmos a noite jogando vídeo-game e comendo besteiras escondidas dos nossos responsáveis.

Taehy era um cara divertido e muito bonito também, o que resultou em alguns –muitos- amassos aqui e ali, mas nada mais do que isso, pois ambos sabíamos que nunca daríamos certos juntos e que nossa amizade era muito mais importante que hormônios a flor da pele.

Mas ainda sim nos beijávamos de vez em quando.

Nesse momento, finalmente deixamos de ser Kookmin e Jimin, e passamos a ser Kookmin e Vmin.

O porquê que ele se auto titulava como V, nunca iria entender.

Ficamos desse jeito ate a nona série. O ano que finalmente nos formaríamos no ensino fundamental dois e faltaria apenas mais uma fase da escola para terminarmos. Já éramos mais maduros –quer dizer, quase todos de nós- e não aprontávamos como antes. Vez ou outra, eu, Kook e Tae acabávamos na diretoria e Taemin tinha que se dobrar em sete para passarmos sem nenhuma complicação, mas de resto estávamos bem melhor.

Estávamos até que a noticia de meu irmão namorando Jungkook chegou até os ouvidos dos meus pais.

Algum arrombado do colégio achou que era importante os Parks saberem que os dois estavam se comendo no banheiro masculino no horário do lanche e isso resultou em meus progenitores prontos para quebrarem no pau o primeiro que respirasse do lado deles.

E bom, você deve estar pensando: Meu Deus do céu, coitado do Taemin. Deve ter parado no pronto-socorro também, não?

Não.

Na verdade foi na UTI e quem parou lá, foi eu.

Chocado?

Não.

Engraçado como tudo que desanda na vida dos meus pais, sempre vai ser minha culpa.

Sabe qual foi o motivo da pior surra da minha vida? Foi porquê eu tinha estragado Taemin com o meu jeito gay de ser, como se ser gay fosse uma doença contagiosa.

Enquanto recebia socos e chutes dos meus pais, minha mãe gritava que eu tinha corrompido seu filho perfeito e preferido. Que toda a vida dele estava arruinada e a culpa seria eternamente minha.

Após eu ter a pior das minhas cicatrizes nas costas e uma costela fora do lugar, desmaiei de dor e meu irmão foi finalmente solto, me levando as pressas para o hospital. Os enfermeiros de plantão já me conheciam, de tanto que ia parar lá, então, ao verem minha situação, nem pararam para pegar identidade ou plano de saúde, já me guiaram diretamente para a UTI.

Quando acordei, Taemin chorava desesperado no ombro de Jungkook que também estava com os olhos vermelhos e inchados, me encarando perdido em seus próprios pensamentos. Eles se desculparam tantas vezes por seu descuido que minha cabeça latejou mais um pouco. Quase tive que me levantar e dançar alguma musica idiota para que eles entendessem que estava bem e que levaria mais quantas surras precisasse para eles ficarem juntos se, se amassem mesmo.

E foi quando Jungkook resetou.

Na hora, nem eu, nem meu irmão demos bola, mas quando Taehyung entrou com tudo no quarto, totalmente puto, procurando o culpado por ter arrebentado o melhor amigo dele e avisando que cometeria um homicídio aquela noite, pude entender.

Aquele jeito brilhante e apaixonado que ele olhou para mim por um ano e meio, e que olhou para Taemin por quase quatro anos, era o mesmo jeito que ele olhava para Taehyung naquele momento.

Parecia que ele realmente tinha um tipo: eu, meu irmão e meu melhor amigo.

Se fosse algum tipo de perseguição, estava funcionando.

Bom, não queria me envolver daquela vez. Estávamos quase virando adultos, Jungkook deveria aprender a lidar com as confusões que fazia, sendo elas propositais ou não, já que eu não estaria para sempre ao seu lado para ajudar. Porém, após ser ameaçado de morte, achei que poderia dar algumas sugestões.

A) Ele poderia fazer como eu, sentando os outros dois no sofá e colocando todas as cartas na mesa, como foi comigo e com Taemin, ou B) Ele poderia se mudar para o México e mudar seu nome para Juanito.

Obviamente que apanhei, porque ele estava realmente desesperado e eu estava brincando com a sua desgraça, mas ele parou quando comecei a gemer de dor porque ainda estava todo ferrado, com uma tala para ajeitar as costelas, curativos em minhas queimaduras e roxos na maior parte do meu corpo, me transformando em um Smurf estranho –gigante não, infelizmente.

Ele acabou por aceitar uma das minhas ideias e eu tive que “correr” –parecia um boneco de madeira andando rápido, já que minhas pernas eram a única parte que funcionavam corretamente- pelo aeroporto inteiro e o segurar a força antes que entrasse mesmo no avião para ir morar com a sua tia de 45 graus que eu nem sabia se era mesmo real.

Jungkook era um idiota, não dava nem pra brincar.

Então, eu mesmo sentei os três na bosta do sofá.

Os pais de Taehyung era os adultos mais maneiros que já tinha conhecido e nos tratavam como se fossemos seus filhos, entrando num puta contraste com os demônios disfarçados de meus pais. Eles escutaram a minha explicação -já que Kook estava com vergonha de falar com os seus futuros sogros- sobre a merda que havíamos nos metido. Deram seus concelhos sobre cuidarmos com o jeito de dizer isso aos outros dois, porque palavras eram como flechas –uma vez soltas, não conseguimos pega-las de volta antes de acertar o alvo, e o buraco feito com a ponta afiada da pra remendar, mas ficaria deformada pra sempre- e se retiraram, alegando que somente os três eram essenciais ali e eu poderia ajudar caso uma confusão começasse.

Taemin e Taehyung não pareciam entender a minha expressão séria e nem o porquê do JK estar escondido atrás de mim como uma criança com medo do bicho papão de baixo de sua cama, e eu nem poderia julga-los. Estávamos fazendo uma cena bem maior do que deveríamos.

Do meu jeito bem delicado para resolver merdas, empurrei Jungkook para o centro e mandei começar a explicar. O menor pareceu ainda mais nervoso por agora ser 100% da atenção de todo mundo, mas começou a falar.

Eu preferia que ele não tivesse feito.

Os dois se olhavam perdidos e as vezes me lançavam olhares para que eu demonstrasse que toda aquela falação teria algum fundamento, mas ate eu que sabia da história inteira, fiquei confuso com o seu discurso.

Ele se embolava, não terminava nenhuma frase e as vezes falava as palavras errado já que praticamente vomitava tudo em cima deles. Parecia que estava apresentando um trabalho para a turma inteira.

Chegou um momento que minha cabeça começou a latejar e eu o interrompi, explodindo que nem na sexta série, e contando que Jungkook estava apaixonado pelo Taehyung da forma mais bruta que poderia ser.

A sala, depois disso, ficou no mais completo e desconfortável silencio. Taeminie parecia que havia levado um chute no coração e Tae um soco na cara. Os dois estavam surpresos já que nunca esperariam por uma dessas e pareciam indecisos se falavam algo, já que eram amigos, mas não tão próximos como eles eram comigo.

Jungkook começou a chorar. Um choro alto e sofrido que fez os dois ficarem preocupados. Ele enfiou as duas mãos na frente do rosto para se esconder da vergonha por não conseguir se controlar e eu comecei a sentir uma vontade imensa de socar a sua cara.

O puxei em direção ao banheiro que existia no andar de baixo e abri a torneira da pia, enchendo uma das mãos com a água e logo depois joguei na sua cara com brutalidade, fazendo ele se engasgar e parar de chorar para começar a tossir.

“Você quer me matar!?” Ele ainda teve a audácia de gritar comigo, assustado com a minha ação enquanto colocava a mão em volta do pescoço, já que sua garganta parecia doer depois do esforço feito. Eu ri.

“Kook, você precisa se controlar, ok? Foi você e esse seu maldito coração bobo que arrumaram toda essa confusão, então respira fundo e encara de frente a situação!” Joguei mais água na sua cara e ele tossiu mais uma vez. “Eu vou estar lá para você.” Sorri fofo –coisa que nunca vou ser-, dando a toalha de rosto para ele se secar.

“Você esta todo quebrado.” Resmungou, deixando claro que eu não conseguiria defende-lo como estava dizendo que faria.

“E você também vai estar se não for agora conversar com os dois!” Meu ultimato o fez engolir em seco e assentir, saindo do banheiro antes de mim.

Então se passou três horas. As mais entediantes da minha vida. Eles colocaram todas as cartas na mesa –preciso parar de jogar baralho-. Taehyung também deixou claro que gostava de Jungkook, mas não sabia se era nesse sentido e eu somente revirei os olhos, pois estava na cara que era sim, mas eu não podia tomar essa decisão por ele. Não devia nem estar ali.

Sendo assim, quatro meses se passaram. Decidimos não ficarmos em duplas, apenas sendo eu, Taemin, Jungkook e Taehyung, amigos e sem cobrar nada de ninguém.

Algumas pessoas entraram e saíram de nossas vidas, assim como algumas paixãozinhas que eu tive aqui e ali, fazendo os dois mais novos ficarem ainda mais próximos por tentarem me ajudar com elas -obviamente que nenhum conselho foi bom-.

Enfim nos formamos e na viagem com a turma, Tae finalmente se declarou para o Kook no meio do ônibus, fazendo os não homofóbicos começarem uma algazarra com assobios, palmas e qualquer outro barulho alto para tirarmos os monitores do sério.

Por fim, ficou Vkook e os gêmeos.

Nos últimos três anos da escola, o ensino médio, éramos bem populares. Já estávamos mais amadurecidos –mesmo que ainda aprontávamos uma ou outra- e também já havia passado a época aonde éramos virados em espinhas. Nós cuidávamos mais de nós mesmos também. Não tínhamos mais cortes assimétricos e em forma de tijelinha, e usávamos roupas combinando invés de meia calça preta, shorts azul e camisa vermelha.

Chamávamos atenção enquanto andávamos os quatros pelos corredores, abraçados e gargalhando alto, já que nunca nos importamos com olhares. Afinal sempre fomos populares para aqueles que importavam, no caso, nós mesmos.

Porém, quando algum aluno entrava na escola e perguntava sobre a gente, sempre diziam “Ah, aqueles quatro? Então, é a melhor definição de ‘se ajeitar direitinho, todo mundo transa’.” E me incomodava, apesar de fazer os outros três rirem.

Tirando eu com Taemin, todos já tinham ficado com todos, então realmente era verdade, mas não deixava de me incomodar.

Sim, sim. Choque mundial, Taemine e Taehyung ficaram numa festa antes de Vkook se assumir. Segundo eles “estávamos bêbados e queríamos saber o que é que o Jungkook tinha visto um no outro”. Seria estranho se não fosse cômico. Acho que era estranho mesmo assim.

Diria que estava feliz novamente, mas o universo sempre ri de mim.

Quando estávamos terminando o terceiro ano, meus pais souberam que Taehy e Kook estavam namorando e foi por esse motivo que o namoro do meu irmão acabou. Eles não gostavam de Jungkook e também não apoiavam meu irmão com ele, mas não suportavam a ideia do que meu melhor amigo tivesse passado o filho perfeito deles para trás.

E por esse motivo, ou eles sequer precisassem mais de um, eu apanhei de novo.

Revidei, já que estava mais velho, um pouco mais forte e conseguia fazer aquilo. Meu pai pareceu se enfurecer ainda mais com a minha audácia em deixar o canto do seu olho direito sangrando e dessa vez não só parei na UTI, como fiquei internado por duas semanas.

Acabei por perder a entrega dos canudos e a festa da colação, mas Taemin, Jungkook e Taehyung passaram esse momento lá comigo, vestidos em seus ternos caros e bonitos por baixo das túnicas e chapéus azuis que a escola emprestava todos os anos para que os formandos tirassem a foto com a turma toda e seja a ultima colada no álbum. Eles também me forçaram a me vestir igual e depois de muito esforço, tiramos uma foto quase descente, que a diretora fez questão de incluir junto das outras.

Apesar de ela sempre estar zangada com as nossas brincadeiras, sabia que sentiria nossa falta, assim como sentiríamos a dela.

Eu ainda estava irritado com os meus pais, dessa vez bem mais do que já estive algum dia, já que eles me espancaram tanto que corri o risco de morrer. Sempre tive esperança que algum momento eles perceberiam a injustiça que faziam comigo e viriam me pedir desculpas, para que finalmente fossemos a família boa pinta que eles espalhavam aos quatro ventos que éramos, mas isso morreu junto com a tentativa deles de me matar.

Pais que tem pelo menos 0,001% de amor pelos seus filhos, jamais fariam isso.

Não aguentava mais fazer parte desse circo todo e também não aguentava mais morar naquela casa. Tae e seus pais me deixaram ficar com eles por sete meses. Nesse meio tempo, eu me recuperei devidamente e trabalhei em qualquer lugar que me aceitassem, chegando a trabalhar em dois lugares no mesmo dia, arrumando dinheiro o suficiente para comprar uma passagem para o lugar mais longe que consegui pensar e que pudesse manter a grana para alimento por no mínimo nove meses.

Certo, obviamente que não pensei direito. O dois Tae´s ate tentaram me fazer mudar de ideia, me prendendo mais um mês em Busan, mas além de eu já ter atingido a maioridade, não suportava mais meus pais me caçando pela cidade apenas para me fazer se despedido de qualquer buraco que me enfiasse.

Nunca seria feliz naquela cidade e sabia disso.

Então, mandando no meu próprio nariz e com as minhas economias guardadas em uma das três malas, lá estávamos eu e os meninos, após mais de meio ano formados, nos encarando. Pela minha cabeça, passou cada momento com cada um dos três e soube que isso aconteceu com eles também, já que compartilhávamos o mesmo sorriso no rosto.

Nos abraçamos apertado de uma vez só. Tae e Kook choravam e meu irmão e eu tentávamos nos fazer de forte, ate que meu voo foi anunciado e a primeira lagrima escorreu pelo rosto de ambos enquanto nos encarávamos.

Abracei ele com uma força que não reconheci e fui apertado com uma força que não sabia que ele tinha. Permanecemos assim por longos minutos, até que eu tivesse coragem de soltar meu parceiro de desde a infância e disse mais uma vez “muito obrigado por tudo”.

Porque eu realmente agradecia muito.

Peguei meu carrinho com as minhas coisas e comecei a rumar de uma vez para o portão de embarque, já que se não fosse logo, não iria nunca.

Tentei andar sem olhar para trás, mas não deu. Enquanto a moça conferia os meus documentos e passagem, me peguei encarando-os de longe e soube que eles se manteriam fortes, uma vez que se abraçavam como se nunca tivessem tido nenhuma desavença.

Quase três dias depois, entre paradas em cidades para pegar outro avião, cheguei ao meu destino. O clima quente do Brasil fez com que praguejasse a minha escolha no mesmo momento que desci do avião todo agasalhado, já que na minha cidade natal –e em todas as outras que passei- estava realmente frio.

E ai que caiu a ficha... Eu ao menos sabia falar em português?

Não acredito que não tinha parado pra pensar logo nisso! Porra, se tem alguém mais burro e impulsivo que eu, me apresentem para que eu para de me achar um merda.

As casas também pareciam muito mais caras para o dinheiro que trazia comigo e resolvi que seria melhor dormir em bancos de praças e ter o que comer, do que ter aonde dormir e morrer de fome.

Tentei achar emprego, mas era basicamente impossível isso quando você nem ao menos falava o idioma do país e todos te olhavam como se estivesse falando em chinês com eles.

É coreano, porra.

O dinheiro foi acabando e o meu desespero foi aumentando. Não queria contar aos meninos, pois não queria assusta-los, mas eu já estava bem apavorado.

E também porque meu celular foi a primeira coisa que vendi.

Me enturmar com os mendigos foi mais fácil do que esperava e era ate engraçado que, mesmo que eles não entendessem nada do que eu falava, eles ainda sim escutavam com toda atenção possível, compreendiam e as vezes me davam conselhos, esses que eu também não entendia muito bem.

Nós parecíamos uns Neandertais na tentativa de se comunicar: “Eu Jimin, você Nirceu, ele Joaquim.”.

Tinha até esse segundo senhor que me mostrou como tentar achar lugares para passar a noite e conseguir um pouco de comida. Graças a Deus, tinha pessoas como ele.

Mas teve um momento, entre tantos outros em que eu chegava a desmaiar ou até mesmo chorar de pavor, que realmente achei que seria melhor abrir o jogo com os meus amigos. Estava fraco, praticamente esquelético, com olheiras terrivelmente fundas e quase morto pela gripe que parecia não curar nunca. Já tinha vendido todas as minhas coisas e não tinha mais de onde tirar nem um misero centavo... Porém eu era Park Jimin, sinônimo de teimosia e não dava o braço a torcer. Não ainda.

Dei um jeito do dono de um barzinho entender o que precisava, mas como ele não tinha como bancar mais uma pessoa trabalhando para ele, apenas me deixava varrer a calçada no fim do expediente em troca de algumas moedas, que sendo juntadas por duas semanas, sem gastar nada, consegui comprar um remédio mais barato que tinham ali.

A gripe não era mais um problema, mas tinha tantos outros... O senhor quase morria sentado do meu lado e passei a juntar moedas para poder comprar frutas para ele comer. Me sentia bem vendo ele melhorando aos poucos, mesmo que precisasse muito da comida também.

Mesmo sendo a pessoa mais teimosa do mundo, tinha caído na real. Não conseguira sozinho. Precisava de ajuda.

Como um anjo da guarda atendendo minhas preces, um grupo fundado pela própria população brasileira chegou à cidade em que estávamos. O projeto era bem simples: eles iam de cidade em cidade, oferecendo um lugar em um salão comunitário para passar a noite e o mais importante, uma chance para poder se reerguer.

E era só isso que precisava, uma chance. E de um banho também, estava fedendo.

Foi engraçado a cara de espanto da líder daquele projeto quando chegou a minha vez de ser ajudado e ela percebeu que eu era coreano. Mas, mais uma vez sendo ajudado pelos céus, aquilo não era um empecilho já que ela era fluente em seis línguas, sendo uma delas a única que eu compreendia.

Expliquei toda a minha situação fodida e após rirmos um pouco da minha desgraça, ela bondosamente pagou uma refeição para começarmos por em plano uma estratégia para me ajudar.

Nirceu –que na verdade se chamava Jirceu e eu nunca tinha entendido porque ele era banguelo e fala engraçado- ficou brincando que ela só tinha se interessado no meu caso porque eu era bonitinho. A mulher era tão extrovertida e sem vergonha, que traduzia nossa conversa sem se importar de estarmos falando de seu interesse por mim.

Passamos os próximos longos meses tentando me fazer entender como as coisas funcionavam ali; como usar gírias e entender as brincadeiras; não pular assustado quando uma pessoa que eu nunca tinha visto na vida, vinha me cumprimentar com abraços; e o principal: como fazer para poder arrumar e permanecer em um emprego.

Segundo eles, eu tinha potencial, porque meu ensino médio era completo e eu era bem esperto –não tanto pelo jeito-. Só precisava dominar um pouco mais a língua portuguesa, já entrando na onda e aprendendo o inglês também, e pensando nisso, me arrumaram “estágios”, que nada mais era do que trabalhar em bares, para poder treinar minha pronuncia com qualquer bêbado que se sentasse na minha frente, estivesse deprimido e quisesse desabafar.

Apesar de sempre trabalhar ate tarde e não ser tão bem pago para isso, entendi que gostava de falar com pessoas e ajuda-las, mesmo que na maioria das vezes eu fosse um pouco grosso demais e não soubesse o que fazer com os meus próprios problemas.

De qualquer jeito, Jirceu e Ana se tornaram muito importantes para mim por todos esses três anos que fizeram de tudo para me ajudar. O senhor ganhou a vida com uma proposta em Curitiba e foi uma porra ter que me despedir de mais uma pessoa, mas sabia que ele estava indo para um caminho finalmente sem buracos e prometeu que viria me ver quando pudesse.

Ficamos apenas eu e Ana e não foi difícil me apegar ainda mais nela. Ela era incrível, bonita, parceira, engraçada e gostava de mim também, então começamos namorar e ela deu uma pausa no projeto, ficando na cidade comigo enquanto o resto do grupo voltava a viajar, indo ajudar mais pessoas.

Ela me arrumou mais um emprego, dessa vez numa escola. Eu seria aquele cara que conversa com os alunos bagunceiros e os fazem tomar um rumo na vida. Chegava a ser um pouco irônico, mas segundo Ana, não tinha um trabalho mais a minha cara do que aquele.

E eu não entendi ate ter minha primeira reunião em grupo.

Os garotos do Brasil eram definitivamente diferentes dos da Coreia. Se eu acha Taehyung um capeta, é porque ainda não tinha conhecido Tomas, Pedro e Juliano. Nisso comprovei o que sempre soube: crianças são as melhores obras do Satanás.

Foi complicado conseguir a confiança deles e dos outros alunos, mas eu era um bagunceiro afinal. Não tem aquele lance de um gênio entende um gênio? Então, por que não se aplicar com os bagunceiros também?

Logo eu era o “professor” mais querido da escola. Até mesmo os outros professores gostavam de mim, o que isso sim era novidade. Eu não era um típico tutor, não chegava lá e falava “se vocês continuarem assim, não serão ninguém no futuro. Precisam mudar” e todo aquele blá blá blá que ninguém se importa ou daria ouvidos. Apenas me sentava em uma das cadeiras e a cada reunião, contava uma história do meu passado. Eles riam, faziam perguntas, tirava algo delas para levarem para vida e até mesmo se comoviam com alguma coisa ou outra.

Não fazia bem o papel que deveria fazer, mas os alunos melhoravam, os professores e o diretor tinham menos trabalho e os pais se sentiam mais leve. Todo mundo sai ganhando, ainda mais eu que recebia um aumento cada vez mais gordo.

E os alunos não faziam merda para acabarem lá como eu achei que fariam. Eles apenas se autocovidavam e se sentavam lá para ouvir mais uma história. Eles eram mais inteligentes que eu e o Taehyung também, devemos ressaltar.

O assunto de eu ser bom no que fazia meio que ecoou pela cidade e logo depois para as cidades vizinhas, até que um dia, recebi um e-mail de uma das melhores escolas do país, pedindo que fosse trabalhar lá já que tinha sido muito bem recomendado.

Não queria deixar a escola que trabalhava. Querendo ou não, havia me apegado aqueles pestinhas –eu tinha uma péssima mania de me apegar rápido demais-. Mas, Pedro, o mais velho da turma, já estava no terceirão e isso me fez pensar... Eu não os deixaria, mas algum dia eles me deixariam, certo? Ninguém fica na escola para sempre.

Então, após uma festa surpresa de despedida, estava indo para longe de pessoas que gostava mais uma vez e foi ai que meu termino com Ana aconteceu. Ela sentia falta do grupo de apoio e eu estava sendo transferido, era hora de nos separarmos.

Ela estava orgulhosa de mim e eu também. Cresci mais em quatro anos no perrengue que em minha vida toda vivendo à custa do dinheiro dos meus pais, que apesar de não me amarem, haviam leis os obrigando a me sustentar até atingir a maioridade.

Me mudei, acabando por cair dentro de uma casa relativamente boa. Claro que não era a casa da Ana ou a dos meus pais, mas era do tamanho suficiente para que uma pessoa morasse tranquilamente.

Depois de instalado, a verdadeira guerra começou. Se eu achei difícil conseguir o respeito dos alunos de uma cidade pequena, era porque eu não tinha estado em uma cidade grande e muito menos em uma escola privada. Aqueles alunos não faziam merda apenas por acharem divertido se distraírem um pouco e ainda de sobra tirar uma com a cara da professora que não gostavam. Esses, simplesmente faziam porque sabiam que os pais ricos pagariam para que eles não se encrencassem.

Eram as porras de filhinhos de papais.

Mas... Quando consegui... Mano. Não tenho palavras para descrever o quão bem me senti. Sério, ter o respeito dos outros sempre foi o que eu mais almejei a vida toda –principalmente o dos meus pais- e conseguir de tantas pessoas e ainda mais daquelas mais difíceis de lidar... Era sem comparação.

Com o tempo, fui melhorando de vida, meu peso foi voltando ao normal e eu tinha uma saúde quase tão boa quanto antes. Também consegui comprar um celular e finalmente abri o jogo com os meus amigos, que ficaram furiosos por eu ter sumido e escondido tudo o que passei por todos esses anos. Quase levei um soco via Skype de Taehyung e choramos todos juntos quando eles começaram com discursos sobre o quanto me amavam e sentiam orgulho de mim.

Eu também fiquei sabendo tudo o que acontecia com eles, já que sempre dávamos um jeitinho de conversar todos os dias para contar como foi ele. Muitas e muitas vezes, apenas fingia estar escutando a crise existencial do Kook, quando na verdade, já estava dormindo de olhos abertos. Afinal, quando era de tarde para eles aqui, para mim já era madrugada lá.

Passaram-se mais dois anos, cada um vivendo sua vida de adulto. Eu como tutor em uma escola para riquinhos, Taemin gerenciando a empresa dos nossos pais como executivo, Tae como advogado –chega a ser tão irônico quando eu cuidar de alunos problemáticos, porque V sempre quebrou as regras- e Jungkook como professor de lutas maciais.

Todos ganhavam muito bem. Eu era o que menos ganhava, mesmo que Kook também fosse professor. Mas acontece que o filho da puta era nada mais, nada a menos, do que o treinador do filho do presidente da Coreia do Sul.

Pois é, o moleque estava sofrendo bullying na escola para filhos de presidentes e... Brincadeirinha, não sei se realmente existe essa escola, mas seria bem legal, né?

Enfim, ele estava sofrendo bullying na escola dele e o presidente acabou por receber uma recomendação da filha da irmã adotada da tia da empregada da família do secretario deles, que Jungkook era bom no que fazia, e bem, invés de tentar a paz com palavras, era muito melhor ensinar seu filho a bater de volta, não é?

Presidente do ano.

Não poderia mentir, mesmo que fosse melhor uma conversa, também entrava no soco quando algum retardado vinha pegar no pé do Kookie. Acontece que, quando estávamos no ensino médio, Jungkook era o mais novo e o mais baixo de nós, fazendo com que ele fosse o alvo quando alguém queria atacar o nosso grupinho.

Então ele decidiu que não queria mais andar com nós como se fossemos seus guarda-costas e se inscreveu em todas as aulas de luta que pudesse imaginar, resultando em um Capitão América coreano. Sério, não estou brincando dessa vez. De um dia para o outro, ele já não era mais aquele bebê, baixinho, magrelo e fofinho, na verdade, ficou com um físico que, me perdoa Taehyung, meu Deus do céu eim.

Todos nós mudamos, no sentido do físico eu digo. Eu e Tae também frequentávamos a academia sempre que podíamos. As minhas cochas nunca foram tão grandes e era ate engraçado pegar algumas brasileiras babando na minha bunda. Meu irmão até tentou nos acompanhar, mas ele nunca foi realmente dos esportes, então depois de alguns meses, apenas decidiu ter uma alimentação saudável, ficando com um pouco mais de músculos do que já tinha no ensino médio.

 Acho que de todos nós, eu e Jungkook éramos os que mais tínhamos mudado.

Para finalizar, em uma chamada em grupo aonde aqui era de madrugada e lá no Brasil era de tarde, eles me contaram que meu irmão estava atendendo um cliente e acabou que cada um chamou a atenção do outro. Depois de muito cu doce de Taemin, o cara finalmente conseguiu leva-lo para sair e agora a pouco eu estava subindo as escadas da minha antiga casa, após ter passado várias horas desejando que qualquer avião em que estive, caísse, só para que não tivesse que vir no casamento deles.

Não levem a mal, amo Taemin e Yoongi parece ser um cara bacana, estou realmente feliz por eles. Sem contar que estava morrendo de saudade de abraçar meus amigos, mas... Voltar para essa cidade, para essa casa, para os meus pais... Era como se eu voltasse para a sexta série e fosse apanhar a qualquer momento por qualquer motivo que meus pais quisessem usar para me bater.

Não queria voltar a ser aquele garoto, mas só de olhar para eles, era como se eu o fosse, querendo ou não.

Nem ao menos percebi que estava desfazendo minha mala e que já estava quase no final. Acho que entrei em piloto automático desde que pisei no primeiro degrau da escada e comecei a refletir desde que era um feto na barriga da minha mãe.

Acontece. Sério, acontece diariamente.

Escutei batidas na porta e apenas falei um “entre” coma voz mais “foda-se” do mundo. Seja qual parente fosse, não estava com saco para ter que aguentar.

- Não acredito que perdi o show da noite! – A voz divertida de Taehyung me fez parar de dobrar a camisa preta basiquinha e me virar para ele, sorrindo desacreditado ao ver que ele estava mesmo ali, ruivo invés de loiro.

- Mas que porra, falei com você antes de embarcar no ultimo avião e você estava loiro! – Disse indo até o mesmo e passando a mão em seus fios, que não faço ideia de como continuavam macios... Ou na cabeça.

- Vermelho é uma cor que me deixa sexy e eu quero arrasar nas fotos. – Ele comentou exibido, jogando o cabelo para trás, mostrando que usava uma bandana.

Desculpa JK, mas uau! Que filho da puta sexy!

Vkook me quebra as pernas.

- Mas enfim, vai me dar um abraço ou eu vou ter que implorar? – Brincou, abrindo os braços e eu ri antes de me jogar neles e o apertar com força, resmungando contrariado por ter ficado levemente nas pontas dos pés.

Por que todos nessa cidade parecem mais altos do que eu??????

- Como foi a viagem? – Ele se jogou em cima das minhas roupas na cama e eu nem reclamei, já que era uma mania sua e existia ferro de passar roupa para isso.

- Infelizmente não despencamos do céu e agora estou aqui. – Fingi um choro e ele riu.

- Mas pensa pelo lado bom, já chegou beijando. – Ele sorriu maliciosamente para mim e eu arregalei os olhos, atacando uma cueca na sua cara. – Mas que nojo, Jimin! – Atacou ela de volta em mim.

- Não fale mais isso. Sério. – Disse sem mostrar nenhum sorriso dessa vez.

- Mas é realmente nojento! Esse pano ai entrou em contato com o seu pau e a sua bunda! – Mostrou a língua enquanto fazia uma careta e eu revirei os olhos, me sentando ao seu lado e empurrando a mala para o chão para ter mais espaço.

- Sabe do que estou falando. Não quero arrumar confusão. Vim apenas para comemorar com Taemin e rever você e Jungkook. Não quero ser comentado pela família como o irmão desnaturado e filho da puta que roubou o noivo do gêmeo. – Suspirei, jogando a cueca em cima do monte de roupas caídas no chão.

- Relaxa. – Tae riu, passando o braço por cima do meu ombro. – Foi o próprio Taemin que me contou o que aconteceu e ele não parecia chateado nem nada. – Sorriu, me confortando, mas tinha uma pitada de diversão em seus olhos que eu não soube decifrar o motivo. – Mas enfim, de novo, vim te chamar porque a janta está sendo servida. – Se levantou, batendo uma palma.

- Ah, mas nem morto que janto com aquelas pessoas que dizem ser a minha família. Devem até ter colocado veneno no meu prato. – Revirei os olhos e ele sorriu.

- E se a gente fosse ao Topanga’s? – Me olhou animado e eu fiz uma careta indeciso. – Ah, vamoooos! Lembra? Vivíamos indo lá depois da escola. Aquele lugar não mudou nadinha!

- Tudo bem. – Cedi, até mesmo porque queria muito ir lá e não queria nem um pouco descer. – E os outros? – Peguei meu celular e a carteira, os colocando no meu bolso.

- Jungkook vai perceber quando demorarmos para descer, então vai pegar o celular para me mandar uma mensagem. – Disse digitando, logo depois bloqueou a tela e guardou o próprio celular no bolso. – Vai ver meu recado e vai saber que fomos para lá. Ai eles dão um jeito de enrolar seus pais e nos encontram.

- Ok. – Ele sempre tinha tudo muito bem planejado com apenas cinco segundos pensando. Dava até um medinho. – Pela janela? – Perguntei sorrindo, animado por estar indo fazer alguma coisa com os meus amigos após tanto tempo.

- E tem outro jeito? – Ele riu, já indo até a mesma e se preparando para se segurar na calha e tentar descer sem se esborrachar no chão.

Eu sorri nostálgico. Pois é, não era de todo mal voltar a ser aquele garoto.


Notas Finais


Não se esqueçam: Livet er na (a vida é agora).


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