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História Eu não queria ser você - Capítulo 2


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Notas do Autor


Por favor não desistam de mim ksksks

Desculpa a demora, me deu um forte desânimo nos últimos meses. Mas cá estou eu com mais um capítulo. Isso não é uma vitória? Espero conseguir ficar assim por mais tempo.

Enjoy! :)

Capítulo 2 - Não faz sentido;


Nas primeiras semanas, emagrecer vinte e cinco quilos parecia uma meta completamente absurda e fora de alcance. Quando as pessoas começam esse tipo de regime, é normal que elas tenham em mente que precisam ir devagar, estabelecendo metas pequenas e sistemas de recompensa mais funcionais. Algo como "se eu comer pão a tarde, não como arroz no jantar", ou "se eu conseguir emagrecer dois quilos esse mês, compro aquele tênis da nova coleção da Vans". Mas comigo isso não ia funcionar.

Pimeiro porque eu não tinha dinheiro para comprar tênis caros, e segundo, porque eu não tinha tempo nenhum a perder. Tinha que colocar uma meta mínima de vinte e cinco quilos e me esforçar para perder todo esse peso antes da formatura, ou então todas as chances que eu tinha de sequer tentar me aproximar de Jeongguk iriam por água abaixo. E eu sei que isso é um pouco dramático, mas em meu raciocínio, era sempre melhor estar preparado para a pior hipótese possível.

Taehyung me ajudou muito desde o começo. Eu e ele passamos dias pesquisando e tentando todo o tipo de atividade que prometia me ajudar a livrar meu corpo dessa inconvenientemente falsa amiga que era a gordura e sua inútil promessa de me ajudar a sobreviver alguns dias a mais no altamente improvável caso de haver uma nova Era Glacial. Aqueles exercícios físicos me deixariam exausto o bastante para derreter toda e qualquer caloria ruim que pudesse existir na culinária da minha mãe, e eu estava disposto a tentar o meu melhor para que tudo desse certo no final.

E taehyung sempre conduzia o circuito com um pequeno cronômetro e um apito entre os lábios, como se fosse um verdadeiro personal trainer. Um personal trainer que o que tinha de gato, também tinha de espartano e demoníaco.

— Agora quarenta segundos de prancha! Rápido, o tempo tá passando!

Por pouco eu não desmaiava fazendo aquela série de exercícios um atrás do outro, além das corridas matinais que, pouco tempo depois, percebi que seriam necessárias pois só aquilo não estava adiantando muito em meu objetivo. Apesar de que o horário livre que eu tinha durante a manhã antes de ir para escola era sempre o mesmo horário em que os encrenqueiros da vizinhança estavam voltando da biqueira, e eles nunca deixavam escapar uma chance de mandar pelo menos uma piadinha sobre o garoto gordo correndo pelo parque.

"Ei, acho que algum caminhão perdeu a roda no meio da estrada!"

"Uau, olha chão tremendo! É a rolha de poço que vem vindo aí!"

"O gordinho caiu! Chamem um guincho!"

Tudo o que eu precisava fazer era ignorar. Não podia deixar que aqueles idiotas me colocassem para baixo, até mesmo porque não estava fazendo isso por eles, mas por mim mesmo. Dizem que se não tratarmos da obesidade o quanto antes, acabamos criando uma pré-disposição crônica a desenvolver todo o tipo de doenças no futuro, e isso também era uma das coisas que me davam força para continuar dando o meu máximo. Aguentar essa barra que era agir de maneira indiferente à chacota que estava me expondo ao pelo menos tentar ter um corpo mais aceitável pelas pessoas era apenas uma parte do processo.

Até mesmo minha mãe e meu irmão começaram a me apoiar, de verdade, tanto que até mesmo ela começou a pesquisar e cozinhar coisas um pouco menos gordurosas, além de preparar marmitas saudáveis e cheias de frutas e verduras fresquinhas para eu comer no intervalo. E mesmo aquilo sendo bem distante do que o que eu estava acostumado a comer no meu dia a dia, ela ainda conseguia fazer de um jeito que continuasse sendo pelo menos um pouquinho próximo do sabor gentil de algo feito por suas mãos carinhosas.

Apesar de todas essas coisas, eu descobri que, com um pouco de prática e rotina, também conseguia correr e me exercitar como os outros adolescentes da minha idade faziam se me esforçasse, e fora a parte das piadinhas estúpidas, eu me sentia bastante confortável e satisfeito.

Aquele era um trauma de infância que eu tinha desde muito cedo em relação à aulas educação física e corridas coletivas do ginásio. Eu sempre era o último a ser escolhido pelos times, e também o último a chegar na linha de partida. Ninguém queria brincar comigo porque eu era um gorducho feio e que tinha a saúde frágil e desmaiava por qualquer coisa. E antes que eu percebesse, isso acabou fazendo com que eu mesmo criasse uma barreira invisível toda vez que se tratava de esportes ou qualquer tipo de atividade física.

Mas agora, eu me sentia bem mais livre e, com a rotina, os exercicios iam ficando cada vez menos dificeis de se realizar. Isso era graças à Jeongguk. Antes mesmo de chegar nele, eu já sentia uma gratidão tão grande que mal cabia em meu peito por aquele garoto de sorriso fofo e com belos dentinhos frontais.

Isso até aquele dia, cerca de seis meses depois de ter iniciado aquele projeto.

— Quer dormir lá em casa hoje? A mamãe vai fazer um jantar especial. Faz bastante tempo que ela não faz por causa do trabalho. — convidei Taehyung, com um sorriso no rosto, enquanto voltávamos para casa. Assim que ouviu a palavra "jantar especial", meu melhor amigo, que vivia mais na Terra do Nunca do que na realidade, voltou à si e me olhou com os olhos cheios de estrelas. Eu não pude evitar de rir um pouco com aquilo, pois Tae sempre adorou a comida da minha mãe, até mais do que a da dele. — Bom, você está convidado.

— Uhuuul! Jiminnie, você é o melhor! — ele me abraçou com força por trás, pulando em minhas costas e me envolvendo suas pernas em minha cintura.

—  Para com isso, seu louco! Quer me matar! — ralhei bravo, sentindo minhas costas doerem com seu peso, e seguindo em direção à ponte. Caramba, ele não tinha mais o mesmo peso que tinha há dez anos atrás pra ficar fazendo isso. — Desce agora, idiota, ou eu vou te atirar dentro de uma vala!

O Jantar Especial era uma espécie de evento que acontecia uma vez no mês lá em casa, no dia de folga prolongada da mamãe no serviço. Sempre na última semana do mês, ela folgava três dias seguidos e isso a inspirava a cozinhar várias coisas deliciosas e fazer um verdadeiro banquete para nós três. Com o tempo, por ser meu melhor amigo e estarmos sempre juntos, Taehyung acabou se tornando um convidado de honra do Jantar Especial. Até porque mamãe fazia tanta comida que sempre acabava sobrando mais do que o normal, e nós não aguentariamos comer tudo sozinhos, nem se quiséssemos.

Mas com Taehyung era fácil, porque ele sempre comia igual uma draga.

Foi só chegarmos em casa que sentimos o cheirinho delicioso de comida sendo preparada na panela, e podíamos ouvir os passos apressados da mamãe andando de um lado para o outro na cozinha.

— Chegueeei. — falei um pouco mais alto, para que ela pudesse escutar. — Trouxe o Tae comigo.

— Ah, que ótimo, assim não vamos precisar nos preocupar com as sobras! — ela disse com uma voz animada, aparecendo rapidamente no corredor e sorrindo de maneira carinhosa. — Taetae, voce gosta de frango xadrez?

— Eu adoro, tia. — ele respondeu com certa timidez em sua voz, e ela riu baixinho. Taehyung ainda tinha um pouco de medo da mamãe, não importava quanto tempo havia passado desde aquele incidente no lago.

— Jiminnie, vá tomar banho e depois venha me ajudar com o creme batido. Eu quero fazer uma sobremesa diferente hoje.

Eu assenti rapidamente, começando a subir as escadas, enquanto ela voltava para a cozinha e continuava a dar suas voltas por lá. Taehyung veio logo atrás de mim, e esperou no meu quarto enquanto eu tomava banho. Ele gostava de poder ficar lendo as revistinhas em quadrinhos que eu ganhara quando era criança e que, sinceramente, fazia anos que nem sequer as folheava. Minha mãe sabia que eu adorava os desenhos e revistinhas do Anpanman entre outras coisas e, como ela trabalhava em uma livraria na época, era fácil me trazer essas coisas. Mamãe adorava aquele trabalho, por mais que o salário não fosse tão bom quanto o que ela recebe atualmente.

Entretanto, já não fazia mais tanta diferença assim. Se Taehyung quisesse, eu poderia dar todas elas para ele sem o menor problema. Sabia que ele cuidaria bem delas, de qualquer forma.

— Ei, Jiminnie. — alguns minutos se passaram, e pouco depois de eu voltar do banho, ele me fez uma pergunta estranha. —Tipo, você... tem raiva de mim?

— Hã? Que isso, do nada? — arqueei uma sobrancelha para ele, enquanto me vestia. Era estranho ouvir esse tipo de pergunta justo dele, a pessoa mais despreocupada que eu conhecia. — Por que eu sentiria raiva de você, Tae? Você é meu único amigo.

— Hmm... sei. — ele disse baixo, balançando os ombros e colocando a revistinha de lado. — Só pra saber.

— ... Seu estranho. — falei com um certo riso em minha voz. Okay, também não era novidade nenhuma Taehyung ser meio doidinho de vez em quando.

Ele também deu risada e, por mais desconfortável que isso possa parecer, nós ficamos totalmente numa boa. Éramos amigos desde o primário, então se eu tivesse qualquer tipo de mágoa ou rancor guardados por ele, com certeza já teria dito muito antes.

Até hoje eu ainda não entendo muito bem por que exatamente ele me fez aquela pergunta do nada. Mas, por mais idiota e escroto que isso possa parecer, de uma coisa eu tenho certeza. O dia que eu iria sentir raiva por ele ainda estava por vir. E na verdade, eu nem precisaria de um motivo para isso.

Depois do jantar, estávamos todos tão cheios que mal conseguíamos nos levantar das cadeiras, mas minha mãe parecia orgulhosa por não ter sobrado nadica de nada dessa vez. Bom, ela até chegou a me dar um olhar um pouco preocupado quando se deu conta de que muitas das coisas que estavam na mesa eram super calóricas, mas eu não iria recusar a comida e deixá-la triste por causa disso. Começar uma dieta havia sido uma decisão só minha, e eu nunca pedi para que ela me ajudasse — ela simplesmente teve a gentil preocupação de me apoiar porque sabia que era importante pra mim.

Ela estava feliz e empolgada com o Jantar Especial que não acontecia há um bom tempo, e eu também estava com saudade da comida de sempre. Todos nós estávamos relaxando e conversando animadamente, não havia motivo algum para deixar de viver aquele momento, certo? Foi o que eu pensei.

Porém, no dia seguinte, seria uma história completamente diferente.

.

.

.

— Puta merda... — soltei um palavrão meio que sem querer, e cobri minha boca rapidamente. olhei ao redor para ter certeza de que minha mãe não havia escutado, e então para a balança à minha frente, incrédulo.  — Não é possível.

Lá estava eu, em cima daquela placa de metal branca que ficara tanto tempo guardada, ao ponto da sujeira deixá-la amarela. Ela me indicava o simples fato a seguir: eu havia engordado.

Haviam se passado vários meses e eu tinha perdido cerca de seis quilos com a dieta e os exercícios. Mas apenas aquele jantar, por conta de um único momento em que eu me permiti relaxar e comer todas as coisas que gostava, eu ganhei 1kg inteiro. E sim, eu sei, é só 1kg, não é nada demais. Mas pra mim, aquele era 1kg que eu havia me esforçado tanto para perder ao ponto de fazer todas aquelas atividades físicas que eu tanto odiava, e ele voltou com tudo pra cima de mim por conta de algumas porções de batatas gratinadas.

Isso fez com que eu me sentisse tão mal que queria poder voltar no tempo e me recusar a comer tudo aquilo. Dane-se meus desejos reprimidos e evitar a desfeita, eu com certeza não iria querer sequer olhar para aquela comida toda. Se eu me concentrasse bem, conseguiria ver facilmente a meia lua da balança se alargar nos cantos e abrir um sorriso enorme de pura maldade, zombando de mim com aqueles números esmagadoramente altos.

Aquilo era a mais clara evidência que eu poderia conseguir de que, enquanto estivesse sozinho, emagrecer era uma coisa totalmente fora do meu alcance. Se eu não pagasse um médico para ele enfiar uma agulha de rechear frango nas minhas banhas e sugar todo o excesso de gordura que havia em meu corpo, eu seria gordo para sempre.

No começo, meus motivos para emagrecer eram tão bobos que chegava a parecer uma piada, um projeto infantil que nunca daria certo. Mas ver os pequenos resultados que aquela rotina espartana me dera serem levados embora tão facilmente foi uma droga. Eu poderia chorar de frustação pelos próximos sete meses.

— Jiminnie, tá tudo bem? — ouvi a voz grave e ao mesmo tempo afável de Taehyung ao me chamar, e isso me deu um susto enorme. Desci da balança e olhei para ele de maneira abrupta, colocando a mão em meu peito e respirando fundo. Ele pareceu ter o deixado confuso, arqueando uma sobrancelha e me encarando de um jeito duvidoso. — Ow, nossa, calma. Eu só achei estranho você parado aí em cima por tanto tempo. Você perdeu mais um quilo?

— Ah... Sim, é. Tipo isso. Por um momento até pensei que a balança tava quebrada. — cocei meu braço e dei licença para ele, que entrou no banheiro também. Então ele mesmo subiu na balança e, enquanto eu ainda tentava me recuperar dos fatos e do puta susto que ele havia acabado de me dar, ouvi uma pequena exclamação escapar de seus lábios. Ao ouvir isso, levantei as sobrancelhas e o olhei confuso, observando curiosamente a maneira que ele encarava a balança em completa surpresa.

— O que foi? — pisquei algumas vezes pra ele e então olhei para os números que o aparelho indicava. Ao ver aquilo, Entreabri os lábios e fiquei parado por alguns segundos. Eu estava totalmente perplexo com aquilo. — Taehyung, você...

— Eu emagreci um quilo. Tipo, quê? Ontem eu comi igual um dragão. — ele falava com genuína surpresa, quase rindo daquilo. Mas, por algum motivo, eu não conseguia rir daquela mesma forma junto com ele. — Isso não faz sentido, né?— É...

Realmente, não faz sentido algum.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, até a próxima!
Não se esqueçam de me dizer o que acharam, okay?

Obs: lavem bem essas mãos aí!!!


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