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História Eu o conheci no banheiro - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo 1


Abri meus olhos com dificuldade despertando de um longo e delicioso cochilo. Fiquei olhando para o teto por longos segundos esperando algum estimulo para fazer pelo menos com que eu me levantasse e comesse algo, nem havia acordado direito e já estava faminto. De primeira só consegui virar meu corpo na intenção de olhar o relógio que estava ao lado da minha cama, apertei meus olhos para que conseguisse ler os números, ainda estava com dificuldade de me acostumar com a claridade que entrava pela minha janela. Eram 18:34 da tarde. Encostei minhas mãos em meus olhos fazendo movimentos circulares como gesto de cansaço.


Me apoiei em meus braços me forçando a me sentar no leito, e em movimentos lentos, consegui sentar na beira de minha cama. O sol que adentrava meu quarto estava finalmente deixando de ser tão doloroso para minha íris e finalmente conseguia olhar diretamente para o lado de fora. Nada de muito interessante, apenas as ruas vazias e algumas árvores, nada mudou. Coloquei meus pés no chão e segui em direção a cozinha, a única coisa que pairava minha mente naquele momento era "café", e apenas isso me motivava no momento. Vivo em um pequeno apartamento, porém muito aconchegante, principalmente para quem mora sozinho, é perfeito.


 Estava vestindo uma camisa preta do Ramones, que era um pouco grande para meu corpo, junto com um shorts. O clima estava esfriando, porém o sol enganava aqueles que vivem aqui. Me apoiei na bancada da cozinha na qual encontrava-se minha máquina de café e senti um pequeno arrepio pelo meu corpo, a sensação gélida que ela transmitia fez meu corpo se aconchegar e aos poucos se acostumar, após alguns segundos meu corpo já havia transmitido calor e feito a sensação sumir. Coloquei uma cápsula de "expresso" para o preparo, era o mais forte que eu conhecia, dessa forma sendo sempre o de minha preferência, e eu até poderia fazer manualmente, mas para mim a preguiça é um grande problema, eu demoraria cerca de cinco minutos apenas para coa-lo, sendo que ele fica pronto em apenas dois minutos nessa máquina maravilhosa. Apertei o botão para que começasse e voltei para o quarto em busca do meu celular, no qual estava cheio de notificações de Sakura, será que ela não cansa de encher meu saco? Sem ao menos dar um tempo de ler suas mensagens, acabo recebendo uma ligação. O nome em minha tela acabou a denunciando.


- Fala Sakura - atendi impaciente


- Oi Sasuquinho, boa tarde para você também. Pelo seu jeito de falar, você deve ter acabado de acordar, estou certa? - acabei bufando como sinal de confirmação.


- Eu ia responder suas mensagens mas você acabou me ligando antes, então me fala o que você quer por que eu ainda nem tomei nada.


- Eu vim aqui confirmar a sua ida hoje na casa da Ino, você vai né? Todo mundo vai, e você sabe que vai ser muito legal - fiquei alguns segundos processando suas palavras em silêncio, e sem ao menos dar tempo de retrucar, ela mesma já se respondeu - Olha eu sei que você não gosta muito desses eventos, mas você deveria dar a chance de conhecer pessoas novas... e eu disse para a Ino que você ia então você vai ter que ir.


 - Eu não acredito que você disse que eu ia, eu deixei bem claro que não queria sair - já estava afobado e não havia acordado não fazia nem dez minutos. Em passos largos, voltei para a cozinha e peguei a caneca que estava cheia e tomei um gole alongado esperando meu corpo esquentar à medida que o líquido descia pela minha garganta, oque me deixou menos amuado. Respirei fundo e a respondi serenamente - Ok eu vou, mas você me deve essa - ela deu um grito ao telefone seguido de um suspiro aliviado.


- Tenho certeza que não vai se arrepender. Você tem o endereço né? - fiz um som afirmando positivamente - Então nos vemos lá. Hoje as 20:00 horas, nem mais, nem menos - ela falou e logo em seguida desligou.


Apoiei meu celular na mesinha de centro e sentei no meu sofá olhando para a paisagem que estava estampada na minha janela a procura de sentir tranquilidade. Acabei tomando meu café amargamente. Segurei a caneca com as duas mãos e esperei meu cérebro processar a minha conversa de um minuto atrás. Olhei no relógio que estava em cima da minha TV e percebi que ainda eram 18:48, e logo comecei a organizar meu cronograma. Tenho bastante tempo para me arrumar, mas primeiro eu quero terminar isso aqui antes que esfrie.


*quebra de tempo*


Já eram 19:57 e eu estava terminando de secar meu cabelo, a Sakura com certeza vai me matar. Havia poucas opções de roupas, então escolhi um traje mais simples. Vesti uma camiseta preta básica junto com uma jaqueta preta e uma blusa xadrez vermelha amarrada na cintura, e para fechar com chave de ouro, minha famosa calça preta rasgada. Meu tênis era o de sempre, um converse de cano baixo preto, ele provavelmente tem muita mais história de que muitas pessoas, apesar de estar quase se desmanchando de tão acabado que ele está. Acabei fazendo de última hora um esfumado preto em baixo dos meus olhos fazendo um sombreado que simulava olheiras, não que eu precise disso para aparentar ter, porém prefiro esconde-las com cores mais escuras. Por fim, peguei minhas chaves e minha carteira e coloquei no bolso, nunca fui chegado a usar bolsas, prefiro a praticidade. Meu celular ainda estava na mesinha de centro, então foi fácil de localiza-lo, ao vira-lo acabei vendo o horário, 20:37, nem estava tão atrasado assim. Apaguei as luzes do meu quarto, seguido das da sala, e fechei as janelas. Iria andando até lá, eram apenas 5 minutos de distância, assim não precisava gastar nenhum combustível nem minha paciência se algum babado decidisse vomitar nele. Abri a porta, e já do lado de fora, a fechei a tranquei, e apesar de não estar muito afim de ir, meus movimentos não pareciam ter algum arrependimento, agora não tinha mais volta.


Lá fora, as ruas que antes estavam iluminadas, pairavam a escuridão iluminadas apenas por postes de luz que desciam a rua. Aquela região sempre foi muito vazia, o que sempre foi bom, me poupa sempre de passar nervoso com vizinhos barulhentos, ou até mesmo festas indesejadas, assim andava tranquilamente com as mãos no bolso. Não estava nem a 20 metros da casa e já conseguia enxergar a movimentação que ela apresentava, eu não sabia que tinha tanta gente assim, logo percebi as ruas preenchidas por carros estacionados, me senti aliviado, soltando um suspiro curto, ainda bem que eu não vim de carro. Eu realmente não queria ir, sempre gostei de ficar em casa no meu conforto,  mas talvez a Sakura tenha razão, eu preciso conhecer pessoas novas. Eu apenas tenho a ela e um ou dois amigos que tenho na faculdade, variar um pouco as opções nem sempre é ruim, vamos lá Sasuke, pensamento positivo. Ergui minha cabeça e segui em frente apressando um pouco o passo.


Logo na entrada reconheci Rock Lee e Tenten, que estavam balançando os braços para algum carro que passava naquela hora, ao me virar me deparei com Neji que agora estava procurando uma vaga, segurei a risada ao ver sua expressão de nervoso. Passei por eles dando apenas um aceno de mão e subi as escadas que davam de cara para a porta na qual segurei a maçaneta a girando na intenção de abri-la, estava começando a ficar frio e não queria ter que ficar muito mais tempo lá fora do que o necessário. Nem tinha precisado abri-la inteiramente quando, no mesmo momento, ela é aberta completamente devido a pessoa que estava do outro lado, fazendo assim com que eu quase caísse para trás devido a intensidade que ele havia utilizado para abri-la.


- Caralho cara toma cuid... - acabei falando a frase descendo o tom conforme ela ia acabando. Sua silhueta acabou deixando meu rosto quente de vergonha, não deixando com que eu terminasse minha frase, ou pelo menos falado em um tom audível.


- Meu Deus me perdoa, eu não tinha te visto entrando, você está bem? Eu bati a porta na sua cara ou algo do tipo? Me desculpa de verd... - o interrompi antes que pudesse terminar sua sentença. 


- Que nada, está tudo bem, eu só levei um susto. Só toma mais cuidado da próxima vez - ao mesmo tempo que falava, acabei o observando mais atentamente. Ele tinha cabelos loiros e bagunçados, tinha a minha estatura e usava uma jaqueta e calça jeans, também usava um converse vermelho de cano alto, o que fez com que fosse o destaque de toda sua vestimenta. Seus olhos eram azuis como água cristalina. Ele parecia ter bom gosto, e também aparentava ser gente boa, além de ter uma beleza um tanto quanto relevante.


- Com certeza, me perdoa de novo - disse colocando sua mão atrás de sua cabeça me olhando de cima para baixo, como se estivesse me analisando, porém sua intenção parecia ser ingênua - É sua primeira vez aqui? Ou a gente já se conhece e eu não lembro?- ele parecia estar calmo, e disse isso com um sorriso no rosto.


- Na verdade não, eu sempre vou mas acabo indo embora uma ou duas horas depois, então acabo nunca conversando com muita gente, mas eu também não lembro de você, então acho que não nos conhecemos - disse isso genuinamente, era verdade, eu nunca tinha o visto. Com certeza teria percebido sua presença se o tivesse visto em alguma festa.


- Então prazer em conhece-lo... - sem terminar a frase, olhou para mim na intenção que eu completasse a informação que ele procurava.


- Sasuke - falei na esperança de que não precisasse expressar mais palavras, sentia meu rosto queimar esperando a sua saída - Meu nome é Sasuke Uchiha.


- Meu nome é Naruto, não precisamos ser tão formais, só Sasuke está bom não? - disse ele ainda com um sorriso estampado em seu rosto, expressava inocência.


- Acho que você tem razão - falei lançando um sorriso de canto


- Bem acho então que a gente se encontra na festa mais tarde, eu preciso ficar um pouco aqui fora, lá dentro está uma confusão - fez um gesto colocando suas mãos em seus ouvidos e riu levando um cigarro em direção a sua boca, fazendo com que soltasse um riso um pouco mais discreto.


- Então a gente se vê por ai, Sasuke Uchiha - falou em uma entonação de deboche porém brincalhão indo em direção as escadas, passando por mim e olhando em meus olhos.


- Sim... - acabei falando por falar, porém no fundo sentia sinceridade. Por que esse sujeito tinha me deixado tão intrigado? Atravessando a porta já me lembrava o porque de tanta relutância da minha parte em participar dessa festa, ele tinha razão, parecia mesmo uma confusão.


*quebra de tempo*


23:58


Já havia se passado mais ou menos três horas desde a minha chegada e meu corpo suplicava para que saíssemos logo de lá. Estava sentado na escada principal da casa observando a todos que passavam, talvez procurando aprovação, ou apenas querendo julgar a vida alheia. A música alta já não perturbava meus ouvidos, porém beber já não estava tendo mais tanta graça. Apesar disso todos pareciam se divertir com aqueles jogos estúpidos para acabarem bêbados e jogados no meio da rua. 


A bebida em minhas mãos parecia sempre estar em falta, e não sabia se era porque o tempo estava passando muito rápido, ou eu realmente estou bebendo-a como água. A sensação da bebida descendo pela minha garganta era muito diferente da do café, era menos aconchegante, parecia oferecer uma sensação mais selvagem e quente. De qualquer modo, a sensação de sentir meu corpo queimando aos poucos aliviou aquela agonia. Parecia ser algo mais convidativo. Gradualmente minhas papilas gustativas pediam por mais, e apesar de saber que naquele momento eu não estava muito distante daqueles que agora a pouco condenava, fui atrás de uma maior quantidade. Talvez o desejo de esquecer a minha presença na festa naquele momento era mais sedutor do que a sobriedade. 


Logo quando cheguei havia levado um sermão de Sakura que reclamou de meu atraso, todavia logo esqueceu quando deu um ou dois goles de sua bebida e logo me levou para onde estavam todos. Estou aqui desde então, vendo eles rirem e se divertirem, enquanto eu tento ao máximo evitar qualquer tipo de conversa muito íntima.  Meu desinteresse foi crescendo ao decorrer da festa, porém eu realmente tentei. Havia perdido a Sakura de vista, então decidi seguir a festa sozinho, apesar de ter permanecido daquela forma por mais tempo do que realmente queria. 


Segui em busca de algum lugar mais tranquilo para que pudesse estar sozinho por um tempo, sem toda aquela poluição sonora, que agora fazia zumbidos em meus ouvidos. Levei uma garrafa quase vazia de Jack Daniels que estava jogada na escada que estava sentado agora a pouco e fui tomando, parecia beber frustrado, no fundo eu sabia que só estava jogando meu desgosto em cima de situações que não tinham nada a ver, afinal eu escolhi vir. Porém acabo sendo egoísta demais para pensar corretamente, então que se dane o mundo.


Fui a caminho do jardim que ficava nos fundos da casa, onde não tinha quase nenhum barulho, e ninguém gostava de ficar lá, então era sempre vazio. Acabei mentindo para o Naruto, porém acho que não valia a pena eu dizer algo tão pessoal para um desconhecido. Eu não acabo indo embora uma ou duas horas depois de chegar, eu acabo ficando nos fundos, sozinho, porque dessa forma pelo menos não preciso ter que lidar com nada que me chateie. E eu não me arrependo de passar a maioria do tempo aqui, afinal, eu consigo refletir muito sobre tudo, além de conseguir olhar as estrelas.


Passei por todos com dificuldade, pois além de todos estarem bêbados, eu também estava, então cambalear para todas as direções já estava se tornando algo que estava me acostumando. Ao chegar na porta que dava para os fundos, percebi que estava entreaberta, o que no momento fez com que minhas mãos e pés esquentassem como protesto, afinal não queria ter que dividir espaço com qualquer um, pelo menos não ali e agora. Coloquei a mão na maçaneta e apenas a empurrei suave e gradativamente, esperando que a pessoa que estivesse lá não percebesse minha presença. Porém ao olhar de canto de olho a silhueta que estava sentada na grama fumando percebi que era muito familiar, Naruto? 


Ao ficar olhando fixamente para aquele contorno que ainda não estava muito familiar, acabei colocando muito o peso do meu corpo sobre a porta, fazendo com que ela abrisse escancaradamente gerando um barulho até que consideravelmente alto para quem estava sossegado fumando seu cigarro. A figura olhou para trás em um pulo, virando seu corpo agressivamente tossindo, mostrando que havia se engasgado com a fumaça que ainda estavam alojadas em seu pulmão, e apesar da fumaça que ele ainda desprendia de sua boca, logo pude reconhecer aqueles olhos azuis, eles eram impossíveis de serem confundidos.


- Sasuke? - disse ele com dificuldade ainda de dialogar


- Oi? - falei lançando um sorriso não muito largo, porém verdadeiro. Na mesma hora escondi a garrafa de uísque atrás de meu corpo, tentando assim ocultar a minha vergonha por faze-lo ter que me ver nessa situação, que deplorável


- O que você faz aqui? - apesar de parecer impaciente, ele ainda estava transtornado devido ao susto que havia levado, é compreensível - O que é isso nas suas mãos? E porque você está tentando esconder isso de mim? - ele disse dando uma risada curta porém esbanjava ao mesmo tempo que confusão, um pouco de divertimento


Mostrei ele o que estava escondendo, e fui indo em direção a ele


- Posso sentar aqui? - apontei para o espaço vazio que estava a seu lado


- Claro, fica a vontade - ele disse virando para frente de volta para o que estava observando e dando mais uma tragada naquilo que ele parecia devorar instintivamente. Ele estava sentado com uma perna dobrada e a outra solta, parecia estar de guarda baixa, talvez apenas despreocupado, deve ser por isso que levou tamanho susto. Ao olhar para ele, seus movimentos eram simples, porém muito sensuais ao ver de fora, talvez fosse apenas o efeito da bebida.



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