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História Eu Odeio Esse Time! - Capítulo 29


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Notas do Autor


CHEGUEEEEEEEEEEEI!

Capítulo 29 - Capítulo 29


Fanfic / Fanfiction Eu Odeio Esse Time! - Capítulo 29 - Capítulo 29

POV OLIVIA LOREDO

            Ok. Mãos suando, barriga doendo, cabeça a mil, o nervosismo correndo até a alma. Definitivamente, era um El Clásico.

            Após constatar que havíamos um recorde de público, fui para o vestiário do Real minutos antes de descemos para fazer a fila.

-Bora pessoal!- falei assim que entrei no vestiário a tempo de ver a bundinha do Carvajal e tampar os olhos, nunca me acostumaria com esses flagras- Posso abrir os olhos agora ou vou ter que ver mais uma bunda branca?

            Depois de ouvir suas gargalhadas, fui autorizada a abrir os olhos e disse:

-Vamos ganhar esse jogo, não se esqueçam de suas posições e...- eles me olhavam sem nenhum animo, como se ganhar aquele jogo era impossível- Qual é pessoal, tenham animo! Nada é impossível.

            Um pedaço de mim tinha certeza que ganhar seria um verdadeiro milagre. Era o Barcelona, na casa do Barcelona, com o Messi sendo o artilheiro da temporada.

-Se a gente ganhar, você fica no Real?- Asensio abriu um sorriso enorme e se aproximou de mim.

-Fica quietinho vai- sorri da mesma forma- Na verdade, quero fazer outro combinado com vocês, toda vez que há um El Clásico alguém é expulso, vamos combinar de não ser ninguém do Real?

            Eles se entreolharam.

-Pode deixar- Ramos ironizou- Não vamos machucar nenhum dos seus companheiros de time.

            Coloquei as mãos na cintura e olhei pra ele com cinismo. Era óbvio que o time não se sentia mais confortável comigo depois de eu dizer que não sabia do meu futuro na coletiva de imprensa semana passada.

-Gente...- comecei a dizer mansamente e todos eles olharam pra mim- Não é nada com vocês, eu juro, tem coisas acontecendo comigo e eu não sei o que fazer.

-A gente ta aqui pra te ajudar- Marcelo chegou mais perto e me abraçou de lado.

-São coisas que eu preciso fazer sozinha- sorri.

            Era verdade, havia muita gente que com certeza tomaria minhas dores pra si e que gostariam de me dizer exatamente o que eu devo fazer. Eu não queria nada disso.

            De repente, uma voz corta nosso momento.

-Toni...- Luna entra no vestiário gritando e todo mundo se vira pra ela- Ah desculpe, não sabia que estavam em reunião.

            Revirei os olhos e não freei a língua:

-Não importa de quem você é filha ou quem você namora, não entre aqui gritando, não tem esse direito.

            Ela baixou os olhos e respondeu com um tom de voz que até o ditador espanhol teria pena:

-Sim, treinadora.

            Em seguida, deu as costas e vimos o nome “Kroos” escrito atrás de sua camisa do Real. Primeiro senti raiva, depois... inveja. Eu queria poder assistir algum jogo com a camisa do Toni algum dia.

            Em vez de olhar pra Toni, olhei pra Morata, seu olhar era de puro apoio.

-Caraca Olivia, precisava disso?- Carvajal perguntou.

-Precisava- fui incisiva- Eu nunca vi a Gio ou a Pilar invadirem o vestiário.

-Ela só queria fazer uma surpresa pro Toni- Isco explicou- Eles estão passando por um momento difícil...

            Fiz careta e olhei para Toni dessa vez esperando que ele falasse alguma coisa.

-Nós somos apenas amigos- ele disse calmamente e sem olhar pra mim.

-Pelo visto, ela ta doida pra voltar com você- Isco deu uma risadinha.

            Eu ficava furiosa. Já havia quase um mês que terminamos e mesmo assim eu me sentia ferida. Eu fazia de tudo pra não pensar nele e ele não colaborava.

            Aquela velha vontade de ter algo pra socar voltou com toda a sua glória. Sai sem dizer nenhuma palavra deixando todos confusos e fui em direção ao campo.

            No caminho, enxerguei Pique na escada e ele se aproximou de mim como se estivesse me esperando a tempos. Ele me abraçou fortemente e todo aquele calor só me fez piscar contra as lágrimas, fazia muito tempo que eu não recebia abraços e sentia qualquer carinho. Foi quando ele me afastou e me viu com os olhos cheios de lágrimas que ele se alarmou e pôs suas mãos em meu rosto.

            Eu não precisava dizer nada, ele me conhecia bem. Num segundo depois, ele olhou para a porta do vestiário do Real como um padre olha um demônio e fez menção de ir atrás...

-Não- o segurei firme- Por favor, não faça nenhuma besteira. Por mim.

            Tudo o que eu não precisava era de um barraco de Pique com Toni.

-Olivia... – ele voltou a olhar pra mim- Volta pra Barcelona, por favor, eu me preocupo com você, eu faço qualquer coisa, eu te deixo ser livre, te deixo pegar qualquer cara que você quiser desde que não seja um otário e eu... faço de tudo pra você virar técnica.

            Meu coração virou um grão de feijão. Eu sabia que ele nunca faria nada disso, só do fato dele se preocupar e querer me fazer técnica pra eu voltar pra Barcelona já dizia isso. Também sabia que não era por mal, Pique não era muito consciente em relação a mim.

            Sorri pra ele e o abracei mais forte dessa vez.

-Eu preciso seguir sozinha- sussurrei.

-Ah não!- ouvimos o grito de Ramos e nos assustamos- Você não está tentando convencê-la a voltar pro seu time né?!

            Ramos estava vermelho, quase que endiabrado. Vários jogadores do Real começaram a brotar do nada e me coloquei na frente de Pique.

-Você não sabe de nada- Pique retrucou.

-Já chega!- falei firmemente- Eu não quero brigas entenderam? Todo mundo descendo.

            Olhei para Pique com os olhos semicerrados e mandei:

-Você também.

            Ótimo, vamos ver outro jogo cheio de pancadaria e clima tenso.

            No caminho para o campo, notei San com uma camisa do Messi e provoquei:

-Achei que viria com uma camisa do Morata.

-Não é só porque eu to pegando ele que virei madridista, não sou maluca.

            O jogo começou e pedi a Deus que desse tudo desse certo o máximo possível, se ninguém do Real fosse expulso já seria meio caminho andado.

            Aos 10 minutos do primeiro tempo eu percebi que havia algo muito errado com o Barcelona, eles não estavam bem, totalmente desanimados. Busquetes perdia passes pra caramba e isso nos ajudou a chegar ao gol duas vezes, só não saímos na frente porque Ter Stegen é maravilhoso.

            Quando o Barcelona enfim conseguiu engrenar alguma coisa, Courtois parou sua jogada. Fiquei triste, eu queria ganhar do Barcelona, mas queria que eles perdessem com dignidade, dando trabalho. O belga ainda defendeu o chute super fraco de Messi, aos 29, e logo depois fez grande defesa com a perna esquerda em chuta à queima-roupa de Griezmann, aquele lindo. Aos 37, Messi, que teve atuação apenas discreta no clássico, teve sua melhor chance em lançamento de Arthur pelo meio, mas o chute forte do argentino parou mais uma vez em Courtois.

            Quando achei que íamos para o intervalo sem nenhum acidentes, vi Pique dar um carrinho em Toni na primeira oportunidade que teve de chegar perto dele, não deu outra, ganhou um cartão vermelho. Enquanto o campo virava uma algazarra, com Ramos partindo pra discussão com Vidal, e ambos ganhando cartão amarelo, pensei na proposta de Pique.

            Não, nada daquilo era real. Ele nunca me deixaria seguir com a minha vida, ele nunca me deixaria cair e levantar sem sua intromissão, eu nunca chegaria a ser treinadora sem o apoio dele, eu seria sempre um peso pra ele. Como pude sequer pensar por um minuto que ele havia mudado?

            Cheguei ao vestiário falando:

-Olha, o índice de pelo menos uma expulsão no clássico já foi cumprida, se segurem ok? Não vamos retribuir o favor.

            Dei minhas ultimas ordens e antes de descermos ao campo, segurei o cotovelo de Toni e disse:

-Me desculpe, eu não queria que ele fizesse isso.

-Eu sei- me respondeu, deu-me as costas e voltou pro campo.

            Quando voltamos para campo, estávamos decididos a ganhar aquela taça mesmo que no começo não tivéssemos tão confiantes assim. Não deixamos o Barcelona jogar e passamos a criar seguidas chances.

Aos dez minutos, Isco chutou da entrada da área e Ter Stegen voou para espalmar. Logo depois, o goleiro não segurou a cabeçada de Isco, mas Umtite evitou o gol em cima da linha. A pressão deu resultado aos 25 quando Toni deu ótimo passe para Benzema, que entrou na área pela esquerda e chutou cruzado, contando com desvio de Alba para vencer Ter Stegen e fazer 1 a 0.

Nossa ainda bem, pelo menos um gol! Pelo menos um golzinho!

Com confiança, Cristiano quase fez um golaço aos 38, passando por dois jogadores na área, mas o goleiro do Barça saiu do gol e pegou a bola, Ter Stegen estava fazendo uma ótima partida, Barcelona não seria nada sem ele.

Já estávamos nos acréscimos, cantando a vitória, eu nem estava acreditando que eu estava ganhando a Copa do Rei, logo a competição que o Barcelona ganhava há três anos sem parar.

Pra completar, um minuto após entrar na partida, Asensio avançou pela direita e chutou cruzado, na saída de Ter Stegen, fechando o placar.

Ganhamos! Ganhamos! Ganhamos!

Nunca na minha vida eu imaginaria isso acontecer, eu ganhei um Doublete! Eu ganhei a La liga e a Copa do Rei! Eu, Olivia Loredo! Acho que esse foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Dois dias após nossa vitória, tivemos uma festa no time para comemorar a temporada e encerrá-la. Nossa, eu super animada pra me arrumar e beber champanhe pra afirmar ao mundo meu sucesso porque eu estava muito, mais muito orgulhosa de mim mesma.

            Dessa vez, eu e San contratamos uma equipe pra nos arrumar. Eu havia ganhado da minha mãe um vestido azul claro de tule que me deixava maravilhosa e que com certeza os jogadores odiariam me ver usando, ainda mais com meu cabelo arrumado e a maquiagem bem feita.

            Quando entrei naquele elegante salão e senti todos os olhares em mim, pensei que nunca na minha vida eu poderia imaginar estar nessa situação. Comemorando o bom campeonato que o Real Madrid teve e que minha participação tivesse sido importante pra isso.

            Parecia um sonho.

            Eu nunca que conseguiria sequer pensar que eu pudesse estar nessa posição. Se antes eu já achava que casar com Zlatan seria um erro, agora real, era a concretização. Eu havia seguido e alcançado um sonho que parecia estar adormecido na época em que aceitei me casar com ele.

Antes eu me contentaria em estar casada e manter uma família. E eu ainda queria isso. Queria me apaixonar de novo, um marido pra me chamar de querida e dividir a vida comigo, queria um bebezinho que crescesse e vestiria uma camisa do Barcelona, queria uma casa bonita e confortável onde eu pudesse receber meus amigos e parentes, um cachorro pra fazer companhia para Penny.

Olhei na direção de Toni Kroos instintivamente, ele estava de costas pra mim ao lado de Luna e suspirei. Eu também queria que fosse com ele mas olhando daqui, eles faziam um casal bonito e estável.

Queria sim tudo aquilo, mas eu queria ir além, queria ser lembrada, queria ser um exemplo a ser seguido por outras meninas, quem sabe aquelas com irmãos super protetores. Graças a essa temporada, sentia que havia conseguido e que poderia acontecer mais.

Assim que me sentei á mesa do lado de San e Morata e ficavam se encarando como se fossem dar uma rapidinha a qualquer momento, Isco veio cochichar em meu ouvido:

-Você está ridícula hoje.

            Sorri ao vê-lo se afastando de mim com um sorriso zombeteiro no rosto ao lado de Carvajal.

            O presidente fez um longo discurso para abrir a comemoração, quase dormi. Em seguida Asensio apareceu no palco e alguém gritou:

-Vish, lá vem!

            Todos rimos. A gente sabia que nada de bom vinha de Asensio.

-Olivia- Asensio me chamou e quase pulei da cadeira com o susto- Preparamos uma surpresa pra você.

-Puta que pariu- xinguei pra mim mesma e já comecei a suar de nervosismo.

            Era um vídeo.

Primeiro houve a cena em que eu disse que entre Cristiano Ronaldo e Messi, eu preferia o Ozil e em seguida apareceu eu dizendo no vestiário do jogo que fizemos contra o PSG:

-Ou a gente ganha ou a gente ganha essa porra, não temos opção.

            Tivemos a cena na concentração de Real Madrid X Manchester United em que Ramos anuncia que o Real tinha que ganhar esse jogo por mim. Houve um depoimento de Cristiano Ronaldo dizendo que eu me fazia de durona mas era um coração mole, Ramos agradeceu por eu ter deixado minhas diferenças com ele de lado pelo time, e então Morata apareceu na tela:

-Olivia, desde o começo eu acreditei em você e nos tornamos ótimos amigos, fico extremamente grato por te conhecer tão bem e ser um apoio pra você.

            Olhei para Morata ao meu lado e ele sorriu, comecei a secar minhas lágrimas jogando pragas nesses imbecis por me fazerem borrar a maquiagem.

            Surgiu o momento em que eu entrei no vestiário do time e perguntei:

-Que cheiro de gambá morto é esse?

-Marcelo peidou- Asensio anunciou rindo

-Meu Deus do céu, o que eu fiz pra merecer isso?

            Fizeram um copilado das várias vezes em que eu xinguei na beira do campo, das minhas caretas, das minhas frustações, dos meus cartões amarelos e vermelhos, das minhas tentativas de animar o meu time.

Então, Toni Kroos apareceu na tela com seu cabelo bagunçado e sua boca vermelha. Eu congelei:

-Olivia- ele sorriu- Você é a pessoa mais determinada que eu conheço, sinto que você é capaz de fazer qualquer coisa e se você tiver qualquer sonho ainda guardado por ai, acredito que você irá fazer tudo o que puder para alcança-lo. Apoio você.

            As lágrimas já desciam como cachoeiras.

            O que ele queria dizer com aquilo? Ele estava dizendo que eu deveria ficar no Real? Que tudo bem por ele se eu continuasse a ser treinadora?

            Olhei pra ele de relance mas ele não estava olhando pra mim.

-Olivia- Asensio chamou minha atenção no palco- Quero te agradecer por você ter passado esse ano incrível conosco, você acreditou no meu potencial e hoje eu sou o que sou porque você estava aqui. Se você quiser ficar, vai ser a melhor coisa do mundo. Sei que você vai continuar se esforçando por nós, vai inspirar uma geração inteira, você é uma mulher incrível. Então eu proponho um brinde a essa grande treinadora!

            Nossa, como eu chorei. Quanto mais eu tentava parar de chorar, mas eu chorava.

            Mas eu me diverti muito naquela noite. Dancei com meus amigos, fui muito bajulada por todos os diretores do clube, recebi um quadro do time como presente e bebi. Bebi até um pouquinho além da conta.

            Já estava quase falando bobagens e estava um pouco corada pelo tanto de champanhe que havia bebido quando San e Morata anunciaram que estava na hora de ir pra casa.

-Vocês só estão me usando de desculpas pra irem pra casa transar- falei sendo “guiada” por Morata segurando meus cotovelos até o elevador.

            Assim que avistamos o elevador, também vimos o casal do ano, Toni e Luna, também esperando-o. San me perguntou com o olhar se eu queria esperar mas neguei, levantei a postura e segui firme.

            Toni nem mais olhava pra mim, parecia que eu tinha morrido pra ele e eu não tirava sua razão embora meus sentimentos ficassem todos conflitantes por dentro. Seu “apoio” ainda mexia comigo, e o jeito como ele dirigiu Luna para dentro do elevador indicava claramente que eles iriam embora juntos.

            Aquele silêncio no elevador era constrangedor. Fiquei de costas para os dois a fim de não encará-los, sentindo lágrimas queimando em minha garganta e a sensação de impotência me fazer querer subir pelas paredes. Se eu pelo menos soubesse o que fazer.

-Lindo vestido Olivia- ouvi a voz de Luna preencher o ambiente.

            Cerrei os punhos, aquela menina me irritava mesmo não fazendo nada de ruim diretamente pra mim. Olhei para meu vestido, era a cor...

-Obrigada- falei- É da cor dos olhos do Toni.

            O elevador se abriu e eu sai de lá sem nem olhar pra trás.

-Desgraçada, maldita- praguejei assim que me enfiei na limusine de Morata e comecei a arrancar todos os grampos da minha cabeça para libertar meu cabelo.

-Você tem certeza de que ela não sabe que vocês dois estavam juntos?- San me indagou entrando atrás de mim- Ela parece gostar de te provocar.

-E você cai na dela super bem- Morata também opinou entrando no carro logo em seguida.

-Eu não sei o que ela diaba sabe, mas ela é insuportável- grunhi indo até o frigobar do carro e tirando uma garrafinha de vodka de lá. Morata até tentou me impedir mas o ameacei- Me deixa beber, se não vou até aqueles dois e acabo com essa palhaçada.

-Era o que você devia fazer mesmo, se você quiser pode acabar com essa palhaçada agorinha mesmo- ele debochou- Mas em vez disso, você enche a cara e fica ai com esse ciúmes do Toni.

-Eu não to com ciúmes de ninguém!

            Os dois arquearam as sobrancelhas pra mim com cara de “Conta outra Olívia”.

-Ok, estou morta de ciúmes- admiti- A única coisa que eu consigo fazer é pensar no Toni, ou no Real, mas toda vez que eu fecho os olhos, eu penso naquele infeliz e me sinto infeliz porque eu lembro que não posso fazer nada, ou melhor, nem sei bem o que fazer, que ele deve estar muito melhor sem mim porque eu sou uma ridícula que só consegue magoá-lo mesmo querendo ficar com ele.

            Virei a garrafinha de vodka sentindo descer rasgando. Sequei a boca e notei que os dois me olhavam como se eu tivesse ficado maluca, e com certeza eu deveria estar já que minha maquiagem deveria estar borrada, meu cabelo revirado e eu falava sem parar.

-Olivia, você é burra?- minha amiga me perguntou cortando o silêncio.

-Não, porque?

            Os dois se entreolharam.

-Porque você está apaixonada pelo Toni- Morata me respondeu revirando os olhos- E só está perdendo tempo e espaço pra Luna.

            An? Porque diabos eu não entendia nada do que as pessoas estavam dizendo? Será que eu tinha mesmo ficado burra de uns tempos pra cá?

-Não, eu não estou- afirmei veementemente.

-Claro que está Olivia- San retrucou- Preste atenção, você está com ciúmes...

            Levantei a mão em sinal de basta e ela parou. Eu não queria pensar naquilo, não hoje, não agora e nem sei quando eu gostaria de pensar. Isso era assustador demais, era íntimo demais e muito confuso pra mim, eu não sabia lidar com coisas que eu não conhecia direito.

            Me arrastei até a janela do carro e fiquei olhando as ruas da cidade. Mas não adiantava, a questão já havia invadido cada parte do meu corpo e me deixou com falta de ar. Finalmente eu havia parado de pensar em Toni pra pensar em algo pior.

-Me digam...- comecei sem jeito- Como é esse amor? Como geralmente nos sentimos?

-Péssimos- San falou na lata.

            Uma nova onda de lágrimas pareceu recomeçar e cobri o rosto com as mãos, parecia tortura.

-Mas ás vezes nos sentimos bem- Morata disse com carinho- Muitas vezes, aliás.

-Então quando se ama alguém, a gente pensa nela o tempo todo?

-O tempo inteiro- Morata assentiu.

-Como se achássemos que estamos enlouquecendo?- chequei

-Completamente loucos- San deu risada.

-O amor faz você ficar preocupado se está sendo muito amargo, ou muito cínico? Que de alguma forma você pode atingir o outro?

Espiando os rostos deles através dos meus próprios dedos, senti meu mundo parar enquanto continuava:

-E por causa desse amor, você deseja somente o que é melhor para o outro?

-Sempre- San sorria com orgulho- Mas as vezes o melhor pra ela é nós mesmos darmos o nosso melhor e acreditar que tudo ficará bem.

            Oh droga.

            Entrei em meu apartamento me sentindo destruída. Tirei o vestido com cuidado e entrei no chuveiro quente deixando a agua lavar tudo o que tinha direito, vesti um moletom quentinho e preparei um chá quente, bebi aos goles e me enfiei debaixo do cobertor.

            Esperei... e nada, o sono não vinha e eu me sentia pesada demais pra dormir, como se eu tivesse tanta coisa pra resolver quando na verdade, não havia nada a ser feito.

            Depois de um longo tempo, acendi a luz e parei na frente do espelho observando minhas olheiras, meu cabelo molhado... tive uma ideia. E se eu experimentasse dizer em voz alta?

-Eu amo...

            Não deu.

            Suas palavras sobre ser determinada apareceram me incentivando.

-Eu a... cacete!

            Lambi os lábios. Encostei a cabeça no vidro não querendo ser derrotada. Acabei lembrando de uma vez em que eu não achava nenhuma roupa boa pro treino e Toni resolveu me ajudar, escolheu uma roupa ridícula e disse que assim ninguém olharia pra mim. Dei risada ao lembra.

            Lembrei de quando eu fiquei com cólica e ele preparou uma bolsa de agua quente pra mim e saiu pra comprar sorvete, chocolate e flores. Agora eu estava chorando de novo, eu só sabia chorar?

            Houve uma vez em que estávamos na cama e eu perguntei como eu iria aprender a fazer sexo se ele queria fazer tudo sozinha, ele me respondera dizendo “Nós fazermos amor Olivia”. E tiveram várias vezes em que ele me abraçou enquanto eu chorava por nada, ele estava ali no meu pior momento, na minha pior fase, na minha pior versão.

            Também teve aquela vez em que ele ofereceu o numero do Ozil pra mim, se ele soubesse o quanto aquilo significava pra mim... Ah Ozil, acho que não vou poder casar com você porque...

-Eu amo o Toni.

            Arregalei os olhos. Senti metade do mundo saindo das minhas costas, minha respiração se normalizou.

-Eu amo o Toni- falei outra vez pra confirmar- Eu amo o Toni!

            E então disse mais uma vez pra ter toda a certeza do mundo:

-Eu amo o Toni. Amo muito.

            Puta que pariu? E porque eu não o amaria?

            Ai meu Deus!

            Sentei-me na cama rindo comigo mesma, por algum motivo estava tudo tão colorida, leve e... sei lá, magico! Me joguei no travesseiro notando que todo o meu corpo estava formigando e tremendo de emoção. Agora que eu não ia conseguir dormir mesmo...

            Mas e se eu...?

            Não pensei duas vezes, levantei da cama correndo, calcei o chinelo e peguei as chaves do carro.

            Quando estacionei na porta de Toni, aquele sentimento de estar louca e aliviada estava me dominando, eu não iria desistir nem fodendo, ele merecia saber a verdade e eu estava louca pra contar.

            Apertei a campainha uma, duas, três, quatro vezes esperando que ele me atendesse logo mesmo que já fosse de madrugada.

-Quem está ai?- sua voz soou no interfone.

-Preciso falar com você urgente!-improvisei dando mais drama pra ele atender.

            Assim que ele abriu a porta, corri pelo jardim e assim que atravessei a porta de vidro com o coração batendo forte e torcendo pra que o coração dele ainda estivesse me esperando.

            Toni apareceu com o olhar assustado, descamisado, com aquele cabelo lindo todo revirado, vê-lo com o abdômen definido fez com que minhas pernas tremessem. Cheguei mais perto dele dizendo:

-Eu estava errada- minha voz saiu em um sussurro- Eu fui cega e burra- passeis os dedos por seu rosto que nem parecia acreditar no que estava acontecendo- Eu nunca deveria ter comparado você com Zlatan- suas mãos seguraram meus ombros de maneira incerta- Você é tudo pra mim. Eu amo você.

            Seus olhos quase pularam de seu rosto.

-É verdade- afirmei- Amo muito, eu fui tão idiota de não ter percebido. Eu amo a maneira como você que eu me sinta a pessoa mais importante da sua vida, amo a comida que você faz, amo seu carinho, amo quando você passa o jogo todo sem errar um passe.

            Minhas mãos foram parar em seu cabelo e eu o puxei para um beijo.

            Nossa como eu havia sentido falta de seus beijos, meu coração queria sair pela boca. Suas mãos circularam pela minha cintura fortemente e nossas respirações se tornaram pesadas. Quando paramos para tomar um ar, lá estava ele me olhando, me analisando e eu só queria que ele dissesse alguma coisa.

            Ele abriu a boca mas nenhum som saiu, voltou a fechar e abrir e aquilo me deixou tensa. De novo voltei a beijá-lo e me afastei mais uma vez.

            Foi quando uma movimentação ao lado ocorreu que me fez entender porque ele não dizia nada pois me deparei com a figura de Luna Alonso. Me afastei de Toni rapidamente notando-a com cara de sono, igualmente descabelada e usando as roupas de Toni.

            Ela estava... dormindo com ele. Ele já tinha outra pessoa.

-Olivia?- ela parecia em choque.

-Desculpe, ter vindo aqui foi um erro.

            Com a mente em branco, comecei a me afastar para a porta. De longe ouvia a voz de Toni dizendo algo sobre “controle” e percebi que ele tinha a intenção de trancar o portão e eu ficaria presa ali com eles. Corri o mais rápido que pude e sai um segundo antes de ouvir o barulho da tranca do portão. Entrei no carro e dei partida. 

POV TONI KROOS

-Uau Toni- Luna se pronunciou assim que entramos em meu carro após a festa do Real- O que deu em Olivia pra ela falar dos seus olhos? Ela já havia dito algo assim pra você? Será que ela bebeu demais?

Claro que ela havia bebido demais. Dei de ombros para a pergunta de Luna, a última coisa que eu queria era pensar em Olivia.

Mais cedo naquela noite, eu havia encontrado Morata no banheiro dos homens. Ele sorriu educadamente e antes que eu pudesse raciocinar, havia perguntado de Olivia pra ele.

-Ela diz que está bem- ele respondeu um pouco chocado- Mas nós sabemos que não.

- Ela disse alguma coisa sobre ficar no Real?- perguntei logo em seguida, como se no minuto seguinte eu não tivesse mais coragem de perguntar.

- Ela quer ficar, mas sente que tem algo impedindo e ela não sabe o que é.

-Você não acha que seja eu né?

- Eu não sei- foi sincero.

Quando ele fez menção de sair do banheiro, perguntei abruptamente:

- Ela disse algo sobre mim?

Meu coração bateu forte com a ansiedade. Tentei me preparar para o que vinha a seguir.

-Tudo o que eu sei é que ela tenta não pensar em você- ele torceu a boca e eu senti algo muito estranho- Mas já que estamos falando disso, vou te dizer duas coisas como seu colega de clube. Primeiro, quando você decidir que esse término foi um exagero egoísta, não hesite em ir atrás dela. Segundo, hora de parar de bater perna com Luna Alonso.

Suspirei. A única coisa que eu consegui dizer foi:

-Tô cansado de correr atrás de Olivia, se ela fosse um time de futebol, teria a melhor defesa do mundo, só ataca se tiver a opção de se esconder depois.

Desde que eu conhecera Olivia, sempre fora eu que fazia as coisas prosseguir, Olivia apenas esperava.

Era incrível como eu não tê-la encontrado naquele quarto de hotel depois da nossa primeira vez não passava de uma amostra do que viria a seguir. Olivia nunca lutava, sempre fugia.

Passei tempos a procurando apenas para encontrar uma pessoa que precisava de ajuda pra continuar a viver, e lá estava eu, fazendo de tudo para ajudá-la e não consegui nem sequer seu amor.

Estava farto de esperar algo dela.

-Toni fala a verdade...- Luna sorriu e me trouxe para o presente para que eu desse a partida no carro- Olivia é uma mulher muito bonita, é inteligente, determinada, você nunca sentiu um interesse nela? Nunca sentiu nadinha?

Engoli em seco e me neguei a responder.

Como eu poderia dizer que eu não havia sentido um simples interesse mas que eu sonhava toda noite com ela? Que ela havia me feito amar de novo mesmo sendo uma vaca, ou que meus dedos formigavam toda vez que eu sentia vontade de tocar em sua pele?

Eu não poderia dizer que essas três semanas longe dela haviam sido devastadoras, que eu mal conseguia parar de chorar toda vez que eu pensava nela e que tudo o que eu queria era que ela ficasse comigo pra sempre.

Ou melhor ainda, que Olivia havia partido meu coração em tantos pedaços que eu nunca conseguiria achar todos eles e ter um coração inteiro outra vez. E claro, que toda vez que eu imaginava um Real Madrid sem ela, me sentia culpado e desesperado porque eu não precisava dela apenas como minha esposa, mas como minha treinadora também.

Fora um erro ter colocado Olivia contra a parede. Eu não deveria ter pedido pra ela escolher entre o Real e eu, não era uma escolha justa. Eu não tinha me arrependido de dizer que a queria mas não havia dado nenhuma solução pro nosso problema.

            Entretanto eu tinha razão sobre termos dado um tempo já que eu havia olhado pra trás e percebido várias atitudes erradas minhas como a que eu citei acima. Talvez eu não conseguisse viver sem ela, mas o Real precisava de Olivia tanto quanto Olivia precisava dele, minha única opção era superar.

E cara, como era difícil superar. Não só difícil como doloroso.

Aí é que entrava Luna. Ela estava sendo uma boa amiga, ela me ouvia, me aconselhava, me fazia companhia, fazia com que eu me sentisse especial e não culpado. Ela era uma ótima pessoa.

-Toni- ela chamou minha atenção- Será que eu posso ir pra sua casa? Meu pai... ele vai me encher o saco hoje por causa de umas coisas que eu deixei de fazer e não tô com cabeça pra isso, daria tudo pra fugir.

Um pequeno aperto soou dentro de mim contudo, logo o afastei. Ela era apenas uma amiga. E Luna estava fazendo muito por mim, porque eu não poderia retribuir esse pequeno favor?

-Tudo bem- concordei e tomei o caminho de casa.

Luna deveria ser a segunda mulher que eu trazia pra minha casa. Enquanto ela vasculhava com os olhos meu cantinho, servi para nós dois um pouco se vinho branco e assim que terminamos, fui atrás de uma roupa para ela vestir.

Foi então que ela adentrou meu quarto.

- Que quarto aconchegante Toni- ela disse se aproximando um pouco mais de mim.

Quando ela rodeou meu pescoço com seus braços, fiquei paralisado. Ela estava perto demais, seu cheiro de baunilha invadia minhas narinas e tentei manter a calma. Aos poucos, ela aproximou de levinho sua boca da minha, como se me desse tempo pra dizer não mas...

Talvez fosse o desejo desesperado de me livrar de Olivia de uma vez por todas, ou porque Luna era uma ótima amiga e eu não queria magoá-la, ou porque o cheiro dela era bom. Deixei que ela me beijasse.

Aos poucos fui cedendo. Os lábios dela eram doces e macios, sua cintura era boa de apertar e trazer mais pra perto, a língua dela era aveludada e experiente.

Senti ela enfiar as mãos em meus cabelos, e tornar nosso beijos mais potente. De inocente Luna não tinha nada, ela sabia enrolar a língua e fazer barulhos que podiam deixar qualquer homem maluco.

Então ela começou a nos encaminhar para a cama onde eu me deitei com ela por cima de mim. Enquanto ela me beijava, rebolava no meu membro e tentava desabotoar minha camisa.

Deixei minhas mãos vagarem pelo seu corpo em direção a sua bunda. E no exato momento em que pus minhas mãos lá, senti a sensação mais estranha da minha vida: aquela não era a bunda da Olivia.

Em um impulso, empurrei Luna para o lado e sai da cama com pressa. Passei as mãos pelos cabelos tentando recobrar a razão e evitando olhar para Luna, mas assim que a encarei, vi mágoa em seus olhos.

-Toni, eu gosto de você- Ela disse com os lábios vermelhos e o cabelo revirado- Gosto muito.

-Luna... nós somos amigos.

- Eu não queria!- ela gritou se levantando da cama e vindo até mim.

Dei um passo de distância dela e comecei:

- Eu sempre deixei claro que eu amava minha... ex...

-Mas ela te magoou- ela tentou ponderar.

-Amor não é algo que a gente possa controlar. Eu a amo desesperadamente, eu nunca imaginei que amaria alguém assim e a dor que eu sinto por saber que não posso ficar com ela é a pior coisa do mundo.

Luna limpou uma lágrima de seus olhos e se sentou na cama. Me sentei ao lado dela me sentindo o pior ser humano da fase da terra.

-Me desculpe Luna, eu nunca quis magoar você. Eu te via como uma amiga.

Ela ficou muito tempo quieta.

-Luna, você pode me dar um chute no saco se quiser.

Eu queria que ela falasse algo, que me xingasse ou me batesse, qualquer coisa que não me deixasse sem saber o que fazer. Em vez disso ela disse:

-A culpa é minha. Eu me iludi sozinha mesmo tendo sido avisada.

-Avisada?- perguntei sem entender.

-Sim- ela assentiu- Há algum tempo Olivia disse que eu estava me aproximando demais de você e que deveria tomar cuidado pra não ser iludida. Eu não a ouvi, achei que pudesse te conquistar.

Não sei o que mais me causou choque. Luna não ser uma amiga tão verdadeira assim como eu achava, ou Olivia estar certa sobre Luna. Eu definitivamente era um idiota, um idiota errado e que merecia mesmo um chute no saco, dois aliás, um de Luna e outro de Olivia.

A culpa pegou ainda mais forte.

-Você deveria falar com ela Toni- Luna opinou- Se você a ama tanto assim, nada deveria impedir vocês de ficarem juntos.

O problema era que a própria Olivia impedia isso. Mas eu precisava sim falar com ela, precisava pedir perdão por ser tão cego e tão insensível.

- Vamos dormir Luna.

            Luna seguiu para o quarto de hóspedes e deitei em minha cama sentindo minha cabeça rodar e rodar. Quando finalmente adormeci, a campainha tocou de maneira assustador e a merda toda aconteceu.

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


SÓ ACHO QUE A OLIVIA DEVIA OUVIR MAIS!
Gente, eu já estou terminando o próximo capitulo, e ele está FODA, INCRIVEL, MARAVILHOSO, e ai? O que acham de eu postar logo logo?


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