História Eu Odeio Esse Time! - Capítulo 3


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Palavras 4.917
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi gente! Mais um capitulo dessa fic. Bom,eu pensei muito e quis colocar a Jessica Chanstain como imagem para a Olivia, mas ela é ruiva e a Olivia loira, to tentando arrumar isso, o que acharam?

Capítulo 3 - Capitulo 3


Fanfic / Fanfiction Eu Odeio Esse Time! - Capítulo 3 - Capitulo 3

POV OLIVIA LOREDO.

     Idiota! Idiota! Definitivamente, ele era um idiota. Força?! Quem era ele pra olhar pra mim e ver força? Dizer que eu fazia parte de um time?!

     Fui para sala, esperando que ele não me seguisse para encher mais o saco. Encontrei San toda animada batendo papo como uns seis jogadores, como sempre, ela era a rainha da festa, um amorzinho, a popular. Ela nem me notou.

     Ótimo, estou sozinha.

     Por sorte, vi que havia uma porta francesa enorme na sala que dava para o jardim da casa de Ramos. Nem pensei duas vezes antes pegar um copo de vodka, de ir até lá, abrir aquela imensa porta e escapar por lá de fininho.

    Sentei-me na grama perto de um balanço infantil e fiquei olhando por céu.

    Eu estava infeliz. E Kroos estava certo, eu não tinha que estar aqui, eu podia ir embora, podia sumir, podia me matar, quem ligaria? Ninguém ligaria para o que quer que aconteça comigo. Eu podia chutar o balde, podia desistir, podia fazer tudo o que eu quisesse.

    Minha saia subiu até o meio das coxas, a falta de comida no meu estomago fazia com que o álcool fizesse minha cabeça girar, senti enjoo, nunca havia estado tão magra e fraca. No fundo, eu estava morrendo aos poucos. E quando isso acontecesse, ninguém ligaria.

     Maldito Zlatan. Como eu me arrependo de ter te conhecido.

     Ouvi a porta atrás de mim abrir, endireitei a saia e coloquei uma expressão dura em meu rosto.

    Morata sentou ao meu lado, não olhou para mim, não sorriu, não falou nada, não tentou ser simpático, apenas ficou lá por algum tempo.

-Eu entendo você- ele disse finalmente depois de um tempo ao meu lado- Eu entendo.

    O fitei. Ele era terno, bonito, calmo, e contrastava com meu corpo turbulento.

-Você é como eu, sem escolha- afirmou.

-Como assim?- perguntei baixinho.

-Eu era tão feliz na Juventus até ter que vir pra cá.

    Entendi o que ele queria dizer, e ele percebeu isso.

    Morata havia sido “chutado” do Real Madrid para a Juventus há alguns anos atrás, ele chegou a final da Champions eliminando o próprio Real com 2 gols. E então, o Real o trouxe de volta.  

-Tinha uma garota lá- ele continuou- Uma jornalista que trabalhava na Juventus TV, o nome dela era Francesca, eu gostava dela, acho que gostava até demais, mas eu nunca tive a chance de dizer a ela, e o que adiantaria? Eu vim pra cá.

-Você está fazendo um bom trabalho aqui Morata- falei a ele, como forma de consolo.

-Podia ter dito isso hoje depois do jogo- ele disse dando de ombros- Mas você escolheu fazer o que todos esperavam de você.

-Você também está me dando bronca?

-Não, eu admiro você. Admiro você por estar em pé depois do que aconteceu, e admiro você pelo seu trabalho. Sei que nem todos aqui vão continuar a te admirar, mas isso é escolha sua Olivia, vai levantar a cabeça e nos tratar com respeito, ou vai ficar relembrando seus problemas e esquenta-los na gente? Você é nossa treinadora Olivia, faz parte do Real.

     Finalmente, ele olhou pra mim. Não era uma bronca, eu não sei o que era. Ele e Toni tinham razão, eu não era obrigada a estar aqui, mas eu estava e tinha que fazer valer o esforço.

     Eu odeio esse time.

-Bom, eu vou pra casa- ele disse se levantando- Você quer carona?

     Pensei em San, que aproveitava a festa com alegria.

-Quero- respondi.

     Levantei do chão e o segui de volta.

     Fiquei vermelha como um pimentão quando ele disse bem alto que iríamos embora. Todos nos olhavam com espanto.

-Vou com você- San disse se levantando do sofá.

-Não precisa- falei a ela- Vou ficar bem.

-Tem certeza?- ela claramente não queria ir.

-Sim.

    Abri a porta da casa de Ramos ouvindo Kroos dizendo abruptamente que iria pegar carona com Morata também. Ótimo, ótimo. Pra alguém que tinha medo que eu grudasse, ele grudava bem.

 

POV TONI KROOS

     Meu sangue esquentou quando vi Morata ir atrás de Olivia no jardim da casa de Ramos com todo o cuidado pra não ser notado. Não deixei barato e me esgueirei pela sala para vê-los.

    Eu não sei qual é o problema de Morata, não sei por que ele quer tanto se aproximar de Olivia, e eu realmente não sei por que estou com tanta raiva dele por isso. Só sei que isso me deixava irritado.

    Não consegui ouvir nada do que eles conversavam, mas observando os dois juntos, percebi o quanto eles são bonitinhos (eca) juntos, tinham o mesmo tamanho, o mesmo jeito reservado e pareciam se dar bem.

    Argh! Morata não se enxerga não?

    Eu não me entendia, não sabia de onde surgia tanto ódio.

    Na verdade, eu sabia. Eu odiava Olivia por ela ter me deixado no hotel daquele jeito depois do aconteceu, eu sentia raiva por que mais ninguém a odiava como eu. E Morata obviamente não parecia odia-la.  

    Quando Morata anunciou que iria para casa e daria carona pra Olivia, vi todo mundo paralisar e pensar a mesma coisa, ele aproveitaria e daria em cima dela na cara dura. Nem hesitei em pedir carona também, não vou deixar esses dois sozinhos nem a pau.

     E Morata precisava saber como Olivia era de verdade.

     Lá estávamos nós três no carro. Eu e Morata íamos na frente e Olivia atrás em silêncio, mal se mexia, eu nem conseguia ouvir sua respiração.

-É melhor deixar a Olivia primeiro- falei

-Mas você mora mais perto daqui- Morata me contestou.

-Não vou pra casa- menti bonito agora.

-Vai pra onde então?- ele quis saber.

-Depois te falo.

-Vai comemorar a vitória na casa de uma dama direita?- ele provocou, me fazendo ter vontade de socar a cara dele.

-Vou- menti descaradamente.

      Prefiro levar um chute no saco a deixar Morata sozinho com Olivia.

      Quando chegamos ao prédio onde aparentemente Olivia morava, franzi o cenho a reconhecer aquele tipo de lugar. Era um conjunto de apartamentos mobiliados para pessoas que buscavam um lugar para morar temporariamente. Estranhei na hora, Olivia morou na Espanha a sua vida toda, por que ela não tinha um lugar mais bonito pra morar em Madri?

-Tchau- ela disse ao descer do carro e entrar pela portaria do prédio sem nem olhar para trás.

-Esquisita- comentei assim que demos a partida no carro.

     Eu não sei o que eu falei de tão mal para ela ficar desse jeito, achei que iremos nos entender depois do que eu falei, pelo visto, nada deixa Olivia feliz.

-Não fala assim dela- Morata me repreendeu

     Soltei um suspiro irritado, nervoso. Morata realmente não se enxergava.

-Aonde você vai agora?- ele perguntou manobrando o carro.

-Pra casa- revelei

-O que?!- berrou- Demos uma volta do caralho, eu vou ter que voltar pra perto da casa do Ramos? Você é retardado?

-Eu não iria deixar vocês dois sozinhos. Qual é o seu problema em Morata? Cara, você não vai dormir com a treinadora.

     Morata engasgou e me fitou irritado.

-Pela milésima vez, eu não quero dormir com ela! Eu quero ser amigo dela!

-Amigo pra que?- perguntei aborrecido com essa vontade insuportável que ele tinha de ficar perto dela.

-Por que ela precisa. Você não entende o que ela esta passando? Obvio que não, você não entende, nenhum daqueles boçais entende.

-E você entende?- perguntei ainda mais incomodando. Era obvio que eu entendia, eu entendia mais do que qualquer um ali.

-Não, eu não entendo, mal posso imaginar o como ela se sente. Mas eu não sou como vocês que não levam a sério o como ela se sente, eu sei que é algo sério. Ser abandonada pelo noivo, sair do time onde ela se criou e vir para o time rival, isso tudo é muito sério.

-Mas nada disso é problema seu.

    Não era problema de ninguém a não ser dela, ela que tinha que lidar com isso e pelo o que eu via ela parecia estar indo muito bem sem a ajuda de Morata.

-Eu sei que não é, mas quero ajudar. Pelo bem de todos.

     Fiquei um tempo analisando aquele idiota. Eu nunca havia visto Morata daquele jeito, na real, ele sempre evitava os problemas dos outros, estava sempre tomando conta da vida dele e agora quer ajudar Olivia a superar seus problemas pelo bem do Real Madrid? Será que era possível que ele realmente estivesse a fim daquela mulher? Era necessário muita autoestima pra pelo menos ficar perto dela.

    Ao mesmo tempo em que eu estava analisando Morata, ele também estava me analisando, por que de repente perguntou:

-Por que você se importa assim? Qual é o seu problema com ela?- perguntou prestando atenção na estrada.

-Eu não tenho nenhum problema com ela- menti de novo, onde eu vou parar?- Nem falo com ela.

-É exatamente disso que eu estou falando- ele me encarou um pouco incomodado quando surgiu um farol vermelho- Você não fala com ela, nem olha nos olhos dela, não fica dando risadinha como os outros, não reclama dela, não entra em uma conversa onde ela é o assunto . Por quê? O que você tem com ela?

    Bom, era obvio o meu problema com ela: ela havia ido embora daquele quarto depois que eu me entreguei pra ela.

     Eu nunca havia contado para alguém sobre aquela noite com Olivia, e isso estava entalado na minha garganta faz tempos. Toda vez que eu olhava para ela, eu pensava naquilo, e o fato dela ter me deixado naquele hotel depois de eu ter enlouquecido era uma ferida aberta. Esse era o problema, eu não seguia com esse problema, eu a odiava e esperava que todos a odiassem como eu.

    Talvez eu devesse contar a Morata, ele era uma pessoa confiável, e isso explicaria um bocado as coisas para ele, talvez ele percebesse que Olivia não era a melhor pessoa do mundo.

    Sem nem pensar direito, soltei:

-O problema é que eu dormi com ela.

     Minha cabeça foi parar no parapeito do carro quando inesperadamente Morata deu uma freada brusca no carro por causa do susto que tomou quando ouviu minhas palavras.

-Ai caralho!- xinguei analisando o galo que já se formava em minha cabeça.

     Morata estacionou o carro no primeiro lugar vazio que encontrou, em seguida se virou pra mim e com os olhos arregalados, indagou:

-Como assim você dormiu com a treinadora Toni?!

     O choque era evidente no rosto dele.

-Ela não era treinadora, foi bem antes disso. É uma historia longa.

-Pode começar a falar- ele ordenou nervoso- Quando foi isso?

    Soltei um suspiro que estava guardado há tempos e contei exausto:

-Foi há mais de um mês. Eu estava andando de moto pelos arredores de Madri quando a encontrei no meio da estrada, vestida de noiva...

     Morata me encarou ainda mais pasmo, seus olhos quase saltaram da órbita e por um minuto pensei que talvez não tivesse sido uma boa ideia falar com ele.

-Você encontrou Olivia no dia do casamento dela?- ele perguntou pra ter certeza.

-Encontrei.

     Eu nunca tive a chance de perguntar a ela por que ela estava no meio da estrada daquele jeito. Talvez tivesse sido um ato desesperado, talvez ela não tivesse raciocinado direito ao sair vestida de noiva, a pé e em um dia frio.

-Ela estava no meio da estrada pedindo carona- completei- E quando eu a vi, sei lá, algo estranho aconteceu.

-O que? O que aconteceu?

-Eu fiquei doido Morata- falei com franqueza- Não sei o que aconteceu, só sei que senti um desejo avassalador por ela. Ela estava linda, era maravilhosa, doce, frágil e encantadora. Eu me descontrolei e aconteceu.

     Morata estava muito mais do que chocada, ele estava assombrado. Sim, a verdade de que eu fiquei louco é algo chocante, e olha que nem foi com ele que aconteceu.

-Você fez sexo com a noiva do Ibrahimovic no dia do casamento que ela fugiu?- ele não desviava os olhos de mim de jeito nenhum.

-Sim, foi algo incrível. Nunca senti nada parecido, nunca havia transado com alguém que eu não conhecesse, com alguém que eu nunca havia conversado direito. Aconteceu e foi uma loucura.

-Ok- ele assentiu- E ai?

-Bom, ai as coisas ficaram um pouco tensas.

-Do jeito como vocês nem se olham na cara, com certeza as coisas não deram certo.

-É que eu menti pra ela- suspirei cansado e encarei a frente do carro- Não sei se você lembra da minha ex-mulher Jessica.

-Lembro- ele respondeu aborrecido.

     Todo mundo que se lembra de Jessica fica desse jeito, aborrecido.

-Bom, quando eu a conheci, Jessica era uma virgem carinhosa e delicada, terna, a suavidade em pessoa. Na época, eu não queria nada com ela, mas ela fez questão em grudar de mim de uma maneira não agradável, mas nem ruim, ela queria por que queria ficar comigo, não media esforços e eu acabei aceitando. Com o tempo, o jeito amável dela me conquistou e eu me apaixonei por ela, até eu descobrir...

-Que ela era uma cobra que só se importava com seu dinheiro?- ele completou

-Exatamente- assenti- Foi então que eu jurei para mim mesma que eu não dormiria com mais nenhuma virgem, por que virgens grudam e eu não queria grudar de jeito nenhum.

-Ok- ele disse impaciente- Mas o que tem a ver com Olivia?

     Hora da verdade mais chocante de todas.

-Ela era virgem Morata.

     Se estivéssemos em movimento, com certeza Morata teria freado o carro bruscamente e com mais força, dessa vez eu teria atravessado e morrido sem sombra de duvida. Tamanha era o espanto e incredulidade que estampava seu rosto.

-Mentira- ele declarou incrédulo- Até parece, ela era noiva do Ibrahimovic!

-Eu sei! Mas não estou mentindo, ela era virgem!

-Mano, isso é impossível!

-Eu sei que parece surreal, mas é a mais pura verdade.

     Morata esfregou o rosto com as mãos, nervoso, confuso.

-Beleza, e ai?- ele disse depois de aceitar aquela informação.

-Foi quando eu menti pra ela. Eu disse a ela que não dormia com virgem e que tinha me arrependido de dormir com ela.

    De confuso e surpreso, Morata passou a furioso.

-Mas que tipo de homem você é Toni Kroos?! Como você pode dizer isso pra ela?! Ela havia acabado de abandonar o casamento por causa do noivo e você ainda diz que se arrependia?!

       Ele estava muito puto comigo. Eu sei que parece algo horrível, algo detestável, mas era uma mentira cabeluda.

-Não é bem assim- comecei a me defender- Eu nunca me arrependi, foi o melhor sexo da minha vida, ela foi espetacular. Mas eu fiquei perdido com o tanto de emoções que eu senti, eu me sentia confuso e atormentado, eu nunca havia feito sexo dessa maneira, sem pensar! Eu queria pensar, por isso falei aquilo e sai do quarto.

-Caralho Toni! Eu não acredito que você falou uma coisa dessas só pra sair do quarto!- ele disse batendo no volante do carro.

-Tudo o que eu mais queria era entender o que havia acontecido Morata, desde que eu me separei, tomei cuidado com as mulheres com quem eu dormia, mas Olivia me fez esquecer até da camisinha! Eu ia voltar pro quarto, eu ia conversar com ela, eu ia tentar entender junto com ela o que tinha acontecido, mas quando voltei, ela não estava lá.

-Mas é óbvio que ela não estaria mais lá!- ele queria me matar se pudesse- Por que ela ficaria lá depois de ouvir que você tinha se arrependido?

-Eu sei! Mas eu não esperava isso! Eu procurei por ela, procurei durante um mês e fiquei furioso por ela sumir e depois aparecer do nada como a minha técnica. Você não tem a noção de como eu a procurei.

-E você tentou falar com ela depois daquilo?

-Sim, e ai que entra a parte pior. Morata, eu me abri com ela naquela noite, eu me expus, eu fiquei enlouquecido por ela e ela foi embora, quando finalmente eu a vejo, ela já não era mais aquela Olivia doce e encantadora, era essa insuportável, bruta e mal-educada, era a Olivia detestável que me odiava!

      Morata me encarou pensativo, parecia buscar respostas para perguntas que eu nem fiz e tive medo.

      O que eu queria mesmo era esquecer que aquela menina existiu, esquecer que aquilo aconteceu. Queria pegar essa lembrança e enfiar em algum lugar onde eu jamais pudesse pegar. Queria esquecer de tudo.

     Mas toda vez que eu olho pra ela, aquela noite volta, aquelas sensações, o jeito com ela dizia meu nome, seu cheiro. Era impossível esquecer.

-Sabe Toni- ele começou dizendo- Eu pensei que se eu fosse amigo dela, talvez ela soltasse todas as emoções conflituosas existentes dentro dela e se tornasse mais leve, achei que ela seria menos fria e mais tolerante com o time. Mas não sou eu que devo fazer isso, é você.

      Agora quem ficou chocado sou eu!

-Eu?!- grunhi

      Eu aqui louco para esquecê-la e ele me dizendo que eu deveria ser amigo dela?! Qual foi a parte do “ela me odeia” que ele não entendeu?  

-Você- ele disse firmemente- Por que a culpa é sua, ela odeia esse time e a você tem culpa nisso, ela tem raiva em viver e você tem culpa nisso. Não percebe? Você feriu ainda mais os sentimentos dela saindo de lá dizendo aquilo, mesmo que não tenha sido de propósito, você a magoou, e ela merece desculpas.

-Eu já tentei pedir desculpas! Ela não quis me escutar.

-Tente de novo, e de novo, por que ela merece isso.

     Eu estava tão cansado que nem retruquei o que ele disse. Apenas suspirei exausto e deixei que ele me levasse pra casa.

 

POV OLIVIA LOREDO

     No outro dia após o jogo, era folga do time. Acordei mais de duas horas da tarde, não por que eu estava cansada, mas sim por que eu não tinha simplesmente nada pra fazer.

     Não havia nada na geladeira para comer, mas não me importei já que eu não sentia fome. Sentei no sofá de couro na sala e comecei a zapear os canais da TV, mas nada me interessava, nada me chamava a atenção. Realmente, eu não tinha nada pra fazer.

     Quando não se tem nada pra fazer e esta morrendo aos poucos, é quase uma obrigação conviver com pensamentos.

     Eu olhava pra janela e via as pessoas com suas vidas normais, seguindo em frente. Eu olhava pra geladeira e pensava quando eu teria vontade de comer algo gostoso. Eu olhava pro espelho, e pensava em quando eu me sentiria bonita de novo.

     Como eu te odeio Zlatan. Odeio você por tudo o que você fez, odeio você por não ter me procurado de verdade e não apenas por mensagens para se desculpar, odeio você Zlatan por que não consigo parar de pensar em você mesmo depois do que você fez, odeio você por ter me permitido sonhar.

     E odeio você, por eu simplesmente não conseguir dar a volta por cima.

     Acima de tudo, eu me odeio exatamente por esse mesmo motivo.

    Talvez, ninguém ligaria se eu desaparecesse. Ninguém ligaria se eu morresse aos pouquinhos. Ninguém ligaria se o tempo não curasse minhas feridas e elas me corroíam. Ninguém ligava de verdade pra mim.

    Voltei a dormir.

    Quando acordei, já era tarde da noite. Levantei-me e fui até o único armário da cozinha que estava sempre cheio, o de bebidas.

    Peguei a garrafa de whisky e comecei a tomar longos goles enquanto deixava a TV ligada como um plano de fundo.

    Como em outras várias vezes, a bebida começou a me deixar tonta e amolecida, aquecida, rapidamente pela falta de comida em meu corpo. Era uma sensação boa, era como eu tivesse perdendo o controle por entre os dedos. Eu dava cada vez mais goles enquanto a bebida deixa meu corpo dormente. Quanto mais eu bebia, mas o meu corpo implorava pelo álcool.

    Até que eu amoleci de vez. De alguma forma a bebida caiu no chão juntamente comigo.

    Meus dedos sangravam, mas não fiquei alarmada. A explosão de morfina que invadiu meu corpo era algo tão incrível, uma sensação colossal de paz.

     Foi mais fácil ainda dormir.

     O despertador tocava loucamente. Abri meus olhos e a claridade da janela me atingiu em cheio, fazendo minhas têmporas explodirem de dor. Havia uma poça vermelha no chão da sala, sangue, meu sangue. Levantei do chão desorientada, com dor.

     Droga, eu fiz merda!

    Meus dedos latejavam, o cheio de whisky me deixava enjoada. Peguei a primeira coisa que achei e enrolei no meu ferimento. Entrei no chuveiro para tirar aquele grude de bebida do corpo e tomei um banho enquanto a ferida ardia.

   Enquanto eu procurava o que vestir, fiquei me lamentando por ser obrigada a ir ao treino. Mas ficar em casa era pior, pensar por que não tinha nada pra fazer era algo angustiante.

   Quando cheguei ao CT do Real Madrid, Naty, minha assistente já me esperava com o seu eterno sorriso no rosto e um copo de expresso duplo na mão.

-Bom dia treinadora Olivia- ela disse- O que houve com a sua mão?

-Um acidente- menti- Onde fica a ala médica?

-Eu a levo até lá.

    Naty andava a passos largos e rápidos e eu me esforçava como louca para segui-la, eu e a minha ressaca. Quando chegamos à ala médica, eu já tinha feito mais exercícios do que os jogadores.

-Olá treinadora Olivia- uma enfermeira baixinha me deu um sorriso simpático, todos eram tão simpáticos- Sou Nicole, muito prazer.

-É um prazer- falei a ela, tentando parecer calma.

-Em que posso ajuda-la?

    Não falei nada, apenas levantei a mão para ela ver o pedaço de pano encharcado de sangue nos meus dedos.

-Minha nossa, o que aconteceu?- ela perguntou parecendo assustada.

-Um acidente- menti outra vez.

-Vou dar uma olhada nisso.

     Enquanto a enfermeira tirava aqueles tecidos sujos e limpava meus dedos cortados profundamente, eu sentia o olhar de reprovação dela, não reprovação a mim, mas era um olhar de reprovação.

-Diga-me Oliva, como você se cortou?- ela perguntou enquanto fazia um o curativo cuidadoso.

-Foi um acidente- disse olhando nos olhos dela.

-Sabe, se você quiser conversar, se quiser ajuda, fale com a gente- ela disse docemente e aquilo mexeu comigo- Beber não vai ajudar.

-Como sabe que eu bebi?- perguntei

-Por que sua mão cheira a álcool.

     Dito isso, ela deu dois tapinhas nas minhas costas e assenti.

     Eu não sabia muito bem o que pensar enquanto caminhava devagar para a sala de reuniões onde os jogadores me esperavam. Agradeci por não ter o que pensar, finalmente eu poderia ter paz.

-Bom dia treinadora Olivia!- meu assistente de técnico Carlos me cumprimentou sorrindo.

-Bom dia- respondi entrando na sala onde todos me esperavam.

-Bom dia Olivia!- Asensio gritou assim que me viu- Você chegou atrasada, dormiu demais né?

-Bom dia Olivia- foi a vez de Varane me cumprimentar- O que houve com a sua mão?

    Mentir de novo? Eu deveria?

-Um acidente- Naty respondeu por mim assim que percebeu que eu estava pensando demais na resposta.

-Que tipo de acidente?- Marcelo perguntou pegando no meu curativo.

    Novamente fiquei pensando no que dizer.

-Ela se cortou fazendo um jantar para uma pessoa especial- Naty foi rápida.

     Olhei pra ela e ela piscou. Vou me dar muito bem com ela, era discreta e uma boa ajudante.

     Dirigi-me a frente da sala e comecei meu trabalho.

     Enquanto eu falava e explicava, eu sentia que os jogadores estavam quietos demais, avoados, como se estivessem prestado atenção em outras coisas do que em mim. Foi então que parei a explicação e perguntei se alguém tinha alguma duvida, tudo o que eu queria era uma reação deles.

-Eu tenho!- Asensio levantou a mão

     Já previ as besteiras que sairiam da boca daquele ridículo, nada de bom saia de lá.

-É algo útil?- indaguei

-Se você estava fazendo um jantar para alguém especial, quer dizer que você superou o Ibra?- ele perguntou sem responder a minha pergunta.

     Quando ele perguntou isso, senti como se tivesse levado um tapa na cara. Fiquei desorientada, nervosa, sem saber o que fazer. Totalmente perdida.

-Que?- foi a única coisa que saiu da minha boca.

-Por que você o largou no casamento?- Ramos perguntou ceticamente

-Alias como foi que você se envolveu com ele hem Olivia?- foi a vez de Carvajal, que nunca sequer havia olhada pra mim, perguntar.

-Que tipo de perguntas são essas?- murmurei desnorteada

     Subitamente, eles começaram a fazer perguntas sobre aquilo. E quanto mais eles falavam, mas confusa eu ficava. Eram bombas caindo em cima de mim, me estourando, me sufocando.

     Até que eu não aguentei.

-Calem a porra da boca de vocês bando de filhos da puta!- berrei a plenos pulmões, furiosa.

    Eles pararam, estáticos.

-Eu não vou responder nada disso! Isso não é da conta de nenhum de vocês anencefálicos! Cuidem da vida de vocês.

    Já estava preparada para pegar minhas coisas e sumir pelo mundo quando Ramos disse cuidadosamente:

-Ontem a noite, um bando de paparazzis invadiram a minha casa. Quebraram uma janela. Eles não paravam de perguntar sobre você Olivia, tudo porque você os ignorou na entrevista coletiva.

     Mirei nele e respondi sem expressão:

-Era só dizer “não sei de nada”, afinal, você não sabia mesmo

-Esse é o problema- Ramos voltou a se pronunciar- Queremos saber.

-Por quê?- perguntei caótica

-Por que somos um time- Marcelo respondeu- E nos importamos com você.

     Se teve alguma vez em que eu senti vontade de chorar igual a um bebê na frente daqueles bruta-montes, aquela vez foi essa. Não chorar por que alguém se importava comigo, mas por que eles me lembraram que eu estava no time dele.

     Enxerguei Kroos no meio dele, ele parecia tão assustado como eu. “Ser um time”, eram exatamente as palavras dele.

    -O que deu em vocês?- sussurrei em meu estado de confusão.

-Essa é a verdade Olivia- Cristiano completou olhando seu celular- Somos um time, você não é mais uma culé, é uma merengue. Se você quer que nós mandemos a imprensa pra puta que pariu, faremos isso, mas queremos motivos.

-Somos um time- Marcelo repetiu- E queremos saber de você.

     Foi nessa hora que Kroos se levantou. Ele não parecia mais assustado, e sim confiante. Sua boca se movimentava, ele dizia “seja firme”. Mas quem era ele pra me desejar força? Quem era ele pra achar que eu precisava dos conselhos dele?

-Ok- entreguei os pontos me sentando na mesa da sala de reuniões- Eu conto o que querem saber.

     Talvez essa seja o primeiro passo para seguir em frente.

-Tudo bem- Ramos assentiu- Uma pergunta simples, como você o conheceu?

     Ah! Aquele dia! Meses atrás, eu achava que tinha sorte por estar naquela hora e naquele lugar. Isso não era uma pergunta muito válida.

-Foi em um jogo, Barcelona X PSG, ele foi fazer um carrinho e...

-Não me diga que você aquela vez em que ele foi dar um carrinho no jogador do Barcelona e acabou deslizando até o banco de reservas e caiu em cima de você- Isco disse parecendo se divertir- Aquilo foi tão engraçado.

-Eu me machuquei- respondi parecendo chateada- E pra compensar, ele me chamou pra um café, depois pra um almoço, um jantar e então...

-Um café da manhã?- Kovacic sugeriu com malicia.

-Cala a porra da sua boca merda!- Ramos xingou feio- Continua.

-Nunca houve um café da manhã- falei pra mim mesma.

     Ninguém entendeu, mas Kroos poderia entender.

-Enfim, depois de um ano, ele me pediu em casamento- soltei amarga.

-E ai, o casamento...- Cristiano, quieto até então, começou a incentivar.

-Eu estava me arrumando em um quarto da chácara onde estávamos...

     Fiz uma pausa, piscando contra as lagrimas, o controle novamente escapando pelas minhas mãos e dessa vez não era algo legal.

-Eu ouvi umas vozes no corredor- continuei com a voz embargada- Era ele e uma mulher, ele dizia que a amava, que nunca a esqueceria e que estava pronto pra desistir dessa loucura que era nosso casamento. Então, sai pela janela do quarto e fui embora.

     Encarei o chão enquanto o silêncio absoluto reinava na sala. Ninguém sequer respirava. Eu sentia seus olhares de pena me corroendo, me analisando.

    Me recompus o máximo que pude e olhei para eles.

-O safado fez isso?- Asensio soltou ultrajado e cerrando os punhos.

-Mas que filho da puta!- Cristiano xingou em português.

     Cada um deles soltou xingamentos, cada um deles começaram a murmurar planos para acabar com o Zlatan e dizendo o quanto ele é pipoqueiro na Champions League.

     Ao ver a reação deles, achei aquilo bem divertido e pela primeira vez em tempos, me permiti rir, gargalhar. E então, eles me enxergaram como louca.

-Ta rindo de que?- Benzema perguntou

-Nada- resolvi ficar séria.

-Pode deixar Olivia, quando vermos ele em campo, vamos acerta-lo na canela, pelo menos cada um aqui vai- Cristiano anunciou batendo as mãos.

-Ele vai matar todos vocês- falei

-Esta defendendo ele?- a voz de Kroos se sobressaiu na multidão.

     Olhei pra ele, e ele sorria. Ele disse a mesma coisa que disse pra mim naquele dia, depois de ter dito que bateria em Zlatan no campo.

-Façam o que quiserem- falei dando de ombros

-Só mais uma pergunta- Ramos cruzou os braços- Se você estava fazendo um jantar para alguém especial ontem, significa que você superou?

     Engoli em seco. Dei uma olhadela para Naty para que ela me ajudasse outra vez, e ela já respondeu prontamente:

-A pessoa especial era eu.

 

 

 

 

 

 

    

  


Notas Finais


e ai pessoa? O que acharam?


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