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História Eu odeio não poder odiar você - Capítulo 4


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Notas do Autor


Me desculpem por só postar agora :0

Capítulo 4 - Os chifres de mentirinha


1 Semana depois

As coisas se ajeitaram um pouco depois do meu castigo acabar. Mamãe ainda não estava falando muito comigo, mas papai tinha conseguido convencê-la de que eu estava realmente arrependido e que tinha até agido de forma madura depois de tudo.

Infelizmente eu tive que mentir sobre como tinha cortado o lábio e essa foi na verdade uma meia verdade, já que eu realmente uma vez tinha levantado meu colchão e numa tentativa falha de puxá-lo, minha mão escorregou e acabei acertando minha boca.

Ela não perguntou muito e nem juntou as peças quando a mãe de Jimin veio conversar com ela e contou que alguns dias atrás ele tinha chegado todo machucado e se recusava a dizer o que tinha acontecido.

Falando nele, fiquei um pouco preocupado, até porque sua mãe tinha uma boa relação com ele e seu pai até que era tranquilo apesar de não estar muito presente, mas se Jimin não queria contar ou inventar qualquer desculpa e — segundo a minha bisbilhotagem e ouvidos — ele estava sempre de mal humor, se trancando no quarto desde então, aquilo significava que ele realmente estava irritado com a gente. Bom, tecnicamente comigo, já que Taehyung nem imaginava que ele sabia do nosso acordo. Ou ele podia estar bravo com o Yoongi, eu também estaria se ele não tivesse me feito apenas machucar o lábio. 

De qualquer forma eu não deveria me preocupar com isso, já que haviam coisas mais importantes como Taehyung e eu, que terminamos de mentirinha e tínhamos que nos afastar por um tempo justamente durante a viagem da escola para o sítio. Tínhamos que ir separados no ônibus e eu estava pensando em quem poderia ir comigo, já que Taehyung não poderia e eu não tinha outros amigos.

No dia, quando estava tudo pronto para fazermos a viagem, eu vi Seokjin sozinho e pensei: “Por que, não chamá-lo para ir comigo?” Quando nos sentamos lado a lado e ele tirou da bolsa um saco, dizendo que ele ficava enjoado fácil, eu tive que ir correndo procurar outro lugar vago ou alguém que quisesse trocar de lugar comigo, já que toda vez que eu via ou sentia cheiro de vômito eu vomitava também e não queria correr esse risco.

Um garoto de cabelo castanho-avermelhado disse que o lugar ao seu lado estava vazio e eu fui ao lado dele, apesar de sermos da mesma sala nunca tínhamos trocado mais do que duas palavras. Foi meio estranho no começo, mas depois de um tempo a gente esqueceu a presença um do outro e ficou vendo a paisagem em silêncio. Eu tinha visto que Tae e Seokjin acabaram sentando juntos e eu até que entendia o motivo, o Kim mais novo nunca passava mal ou ficava doente — sério, isso era incrível —, ele era perfeito para sentar ao lado de Kim Seokjin.

Eu não queria ter ficado muito tempo procurando o Park também, mas fiquei, porque ele chegou atrasado e teve que ir ao lado do professor. Pelo menos ele não tinha desistido da viagem, isso significava que ele já estava bem para socializar, certo?

 

Quando chegamos ao sítio eu me esqueci que Taehyung e eu não podiamos nos falar e acabei dizendo: “Poxa, você tinha doritos e nem ofereceu, Tae.” Ele me deu um tapa no braço de aviso e riu, porque Seokjin estava nos observando.

— Vocês dois não terminaram? — Ouvi o outro Kim perguntar.

Como sempre um fofoqueiro.

— Sim, mas estamos tentando continuar amigos. — Tae respondeu.

 

— Ah sim… — Kim Seokjin foi se livrar das embalagens que deixou do ladinho da sua bolsa e Taehyung me disse para ficar mais esperto. Agora pronto, não podia nem falar com o meu amigo, com quem eu ia andar?

Esse final de semana seria uma chatisse sem o Kim. Nessas horas eu queria ter outros amigos além dele, mas como o velho antisocial que sou, não sei amigar.

— De quem é essa bolsa? — Ouvi a voz do professor e me dei conta de que podia ser a minha já que tinha descido sem nada.

Olha lá, que lindo, Jeon Jeongguk fazendo merda logo que chega.

— Aqui! — Park Jimin a pegou e o professor ficou fazendo umas piadinhas de que ele ia ter que dormir e acordar com a mesma roupa até domingo à noite se a esquecesse de novo.

A bolsa que estava com ele era minha como eu desconfiava, então fui na sua direção e estiquei a mão.

— O que você quer? — perguntou, olhando da minha mão para os meus olhos.

— Você sabe, Park.

— Hum… um aperto de mão? — Abaixei a minha mão estendida e  a coloquei na minha cintura, sabendo que pelo visto aquilo ia demorar.

— Anda logo — reclamei. — Me devolve minha mochila.

— E o que eu ganho com isso? — Ele empinou o nariz, todo convencido. 

Esse insuportável… e eu me preocupando com ele! Vou negar até a morte que eu pensei na frase anterior..

— Eu não pedi para você pegar!

— Hum… que tal... — Ele se aproximou da minha orelha. — Outro beijo?

— O quê?! — O empurrei e tirei minha bolsa de suas mãos, enquanto ele ria. — Vejo que já melhorou, não é? Sua mãe estava preocupada atoa. — Seu riso diminuiu e ele parecia confuso. — Ou você estava só fazendo um showzinho querendo deixar todo mundo preocupado porque “o Jimin não está comendo e ele só fica trancado no quarto”. — Imitei a voz de sua mãe, apesar de não querer envolvê-la na história. Desculpe senhora Park.

— Às vezes você é tão babaca quanto eu, Jungkook. — Ele passou por mim e foi em direção aos dormitórios, me deixando de boca aberta.

O que eu tinha dito de errado? Só ele pode ficar me zoando agora?!

 

Sentei na minha cama ao invés de ir explorar o sítio ou arrumar minhas coisas como todo mundo. Estava ali pensando em tudo o que eu tinha dito e não conseguia entender bem o que ele quis dizer. Eu precisava do meu melhor amigo, mas no momento ele estava ao lado de Seokjin com uma roupa de banho e toalhas indo em direção a piscina. O professor me pegou olhando para ele, junto com Jimin e os dois ficaram me encarando.

— O que foi? — indaguei, logo me perguntando o que faziam no meu quarto.

— Logo, logo vocês voltam, não se preocupa. — O mais velho tentou me confortar e eu apenas o encarei cético. Como ele já estava sabendo do nosso namoro e término? — Bom, por enquanto cuide do Jimin que vai ser seu colega de quarto. — Ele nos deu as costas e sumiu de vista, sem mais explicações.

— Era só o que me faltava. — reclamei, voltando a pensar na nossa conversa de antes. Eu não ia esquecer aquilo tão cedo.

— Eu também não queria isso. — Ele fechou a porta e foi até a cama vazia, deixando sua bolsa no chão.

— Vamos combinar de fazer o fim de semana do silêncio nesse cômodo, ok? — Tentei um acordo.

— Jungkook eu sei que você está magoado com o seu término, mas não se preocupe, “logo, logo vocês voltam”. — Ele imitou o professor e começou a rir.

— Eu te odeio.

— Falando sério agora… — Ele friccionou os lábios. — Por que estão fingindo ainda? Taehyung está lá na piscina como se nunca nem tivesse tido um namorado e você está dentro deste quarto trancado comigo.

— O que não é grande coisa — completei por ele.

— Não? — Ele apoiou as mãos no colchão e me encarou com malícia.

— Não! — Joguei um travesseiro nele. O meu único, percebi tarde demais. — Devolve aí.

— Nem pensar. Você ainda não respondeu a minha pergunta.

— Estamos fingindo que terminamos nosso relacionamento de mentirinha, feliz? — Estiquei os braços para ele jogar o travesseiro.

— E por que terminaram?

— Por que o Yoongi me bateu? — respondi como se fosse óbvio. — Acho que ele não quer mais nada com o Tae.

— Achei que tivesse sido por minha causa. — Jimin jogou o travesseiro, acertando meu rosto.

— E por que seria? — Coloquei o travesseiro na cama e o encarei.

— Esquece.

— Olha aqui… — Fui até o lado da sua cama e apontei o dedo para ele. — Você me fez várias perguntas então não desvia das minhas. Por que ficou irritado com o que eu disse fora do ônibus?

— Você não me conhece de verdade, Jungkook. Não faz ideia do que eu estava sentindo esses dias. E mesmo assim você veio me dizer que eu estava fingindo para chamar atenção. — Ele engoliu em seco. — Eu sei que sou um babaca com as minhas brincadeiras, mas você agindo assim é ainda pior.

Sentei ao seu lado e fiquei pensando em como me desculpar, porque ao ver da sua perspectiva conseguia entender que eu realmente não tinha o direito de tocar nesse assunto.

— Jimin…

— Esquece. Não quero mais falar disso.

— Está bem — concordei, apesar de ainda querer me desculpar.

Jimin virou o rosto e me analisou com um biquinho. Ah não… já ia começar outra vez.

— Mas você era fofo assim com o seu namorado? — Me provocou enquanto apertava minha bochecha e me obrigava a recuar. — Onw, o Jungkook preocupado comigo.

— Se você não me soltar vou chutar essa coisa pequena que tem entre as pernas. — ameacei.

— Izi, ele está todo irritadinho. — Jimin fez um beicinho que eu até que acharia fofo se não fosse tão... irritante. — Não sei como você pode falar isso dele, quando você já prov…

Joguei o travesseiro que estava na sua cama em seu rosto, antes que ele terminasse aquela frase. Pilantra demais, como eu suspeitava ele só estava esperando a oportunidade de usar isso contra mim.

— Acho que vou dar uma volta. — Antes que Jimin visse meu rosto corado me levantei e fui até a porta colocar meus chinelos.

 

Andei tranquilamente pela grama baixinha e fui em direção as risadas e gritos da turma, estavam todos na piscina, menos Taehyung e Seokjin — que sinceramente estava com uma cara estranha no sentido doente. Enquanto Tae estava sentado em um banco afastado da água, Jin estava com as pernas dentro dela e o short levantado até o alto das coxas. 

Taehyung estava estranho há alguns dias pelo que percebi e desde que “terminamos” parecia mais que nos afastarmos era apenas uma desculpa para ele evitar me contar o que estava acontecendo de verdade dentro da sua cabeça.

Suspirei alto, já que eu não podia fazer muita coisa naquele momento e dei a volta para procurar alguma coisa para comer na cozinha. Lógico que quando cheguei lá o professor não me deixou pegar mais nada além de uma maçã e disse para voltar no horário do almoço. Quando ia saindo esbarrei no Kim e como estávamos a sós achei que aquilo era o momento perfeito para perguntar.

— Está dividindo o quarto com Seokjin, Tae?

— Sim, ele não é tão chato assim. Até gosta de algumas coisas que eu gosto também... 

— Hum, que bom. Errr... — Como perguntar a ele?

— Aish Jungkook, deixa de enrolação! O que foi? — me perguntou franzindo as sobrancelhas.

— Podemos ir para o seu quarto? — Meu amigo assentiu, me olhando meio desconfiado.

Quando chegamos a primeira coisa que perguntei foi:

— Tae você sabe que pode me contar tudo, não é?

— Contar o-o quê? — O loiro parecia nervoso, como se eu tivesse descoberto seu segredo.

— Por que você está me afastando, por exemplo. Eu sei que o nosso término é apenas uma desculpa, você já estava se afastando de mim antes disso.

— Você está exagerando, Jungkook. — Ele forçou um sorriso que obviamente não me convenceu de nada.

— Por que você é tão teimoso, Kim Taehyung? Você sabe que quanto mais você adiar me dizer o que está acontecendo, mais preocupado eu vou ficar.

— Entra. — Falou após abrir a porta de seu quarto. Fiz como ele disse e me deparei com duas situações, uma cama completamente arrumada com a mochila na ponta e a outra cheia de coisas jogadas. Pelo visto Seokjin não era dos mais organizados. Sentei na cama do Kim enquanto ele ia trocar de roupa no banheiro.

— Com quem você está dividindo o quarto? — perguntou de lá de dentro.

— Pode parecer um choque… — Deitei na cama com as mãos abaixo da cabeça e encarei o teto, amaldiçoando o meu destino. — Estou com o Jimin.

Taehyung abriu a porta bem na hora em que respondi sua pergunta e ele ficou imóvel.

— O quê?!

— A gente está dividindo o quarto. — Reformulei a frase porque percebi que era um pouco estranho o que tinha dito anteriormente.

— Você não pode trocar? — Neguei. — Que azar, Jungkook.

— Mas então… me conte e não fique de enrolação. — Ele se deitou do meu lado, me empurrando um pouco, já que era uma cama de solteiro e olhou para o teto.

— Meus pais estão estranhos. — Soltou aquilo e não disse mais nada.

— O que isso quer dizer?

— Eles ficam se evitando depois de uma discussão que tiveram uns dias antes da briga na escola. Sabe, Jeon, eu nunca fui contra o divórcio, principalmente porque vou trabalhar em muitos casos assim no futuro, mas não só por isso. Eu realmente acredito que os sentimentos podem mudar, é algo natural do ser humano, não acho que seja culpa de ninguém.

— Mas…

— Mas eu nunca me imaginei nessa situação, quero dizer, dos meus pais se separarem.

— As coisas estão tão ruins assim? — O cutuquei, enquanto falávamos.

— Sim, acho que pode acontecer a qualquer momento. Hoje de manhã eles sentaram para tomar café comigo e pegaram o pote de geléia de goiaba ao mesmo tempo e ficaram em um cabo de guerra que acabou em mais outra discussão. O meu irmão está tentando ajudar, mas ele já nem vive mais com a gente então é realmente difícil para ele entender o que estou passando.

— Desculpa, eu imagino como deve ser difícil estar nessa situação, mas por que não queria me contar isso, Tae? — Segurei sua mão e ficamos nos encarando.

— Porque eu acho que é mais fácil estar com você porque somos muito parecidos. Entretanto você não precisa passar por isso, seus pais são ótimas pessoas e nunca discutem. Já a minha familia parece que está se afastando cada vez mais e eu só percebi agora.

— Meus pais também brigam as vezes, Tae. Eu não falo sobre isso porque é a vida deles e logo eles se resolvem. E se um dia eles se separarem vai ser um grande choque para mim, mas logo eu iria tentar entendê-los. Você tem todo o direito de ficar assim, mas não se afaste de mim por causa disso. Eu sempre vou estar aqui para te apoiar, então não precisa ter medo de me contar essas coisas.

— Obrigada, Ggukie.

— Imagina, só fiz meu trabalho como seu melhor amigo. — Ele sorriu bem mais honestamente e eu fiz o mesmo.

Se pararem para analisar a situação, dos olhos de Kim Seokjin, que não sabia de nada sobre o acordo, poderiam acabar confundindo as coisas assim como ele.

— Vocês voltaram? — Olhei na direção da porta ao ouvir a voz do colega de quarto do Kim. — Acho melhor eu ir para outro quarto.

Me sentei na cama, assim como Taehyung e encaramos o loiro dando alguns passos para trás.

— Espera, você entendeu errado, Jin! — Olhei na cara de falsiane do meu amigo que já tinha até um apelido para o fofoqueiro da sala. 

Isso porque era difícil ele fazer amigos! Talvez fosse difícil só ‘pra mim, então.

— É a gente não voltou ou coisa assim… só estávamos conversando — expliquei.

— T-tudo bem, não precisam me explicar.

— Eu tenho outro namorado! — Taehyung gritou.

Encarei ele assim como Seokjin. 

Ah pronto, agora ia me botar chifres de mentirinha.



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