História Eu Odeio o Amor - Capítulo 1


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Literatura Feminina, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi estou de volta, como uma nova história, espero sinceramente que gostem e se expressem com os vossos comentários.

Capítulo 1 - A Outra


Fanfic / Fanfiction Eu Odeio o Amor - Capítulo 1 - A Outra

POV Jéssica

 

-“Jéssica, onde você vai? Vamos conversar… - Continuei arrumando as roupas no interior da mala, enquanto Ágata tentava fazer o impossível, me dar uma explicação plausível para o facto de me ter traído.

- Eu não queria que isso acontecesse, mas a garota vivia dando em cima de mim.

Foi um momento de fraqueza, tinha bebido demais e não sabia direito o que estava fazendo… - Respirei fundo tentando refrear minhas emoções e mesmo me custando fazê-lo naquele momento, a encarei.

- Nós acabamos de comprar uma casa, o nosso casamento é daqui a três dias, então me responde só a uma pergunta…Porquê?…Não estava feliz? Faltava alguma coisa na nossa relação? Foi apenas tesão, ou você gosta mesmo dela? ... - Era de facto, apenas e só uma pergunta, mas com diversas alíneas e subalíneas que não pouparia nenhuma letra conhecida do alfabeto e que provavelmente se estenderia para a numeração.

- Eu não queria, foi um erro, não vai voltar a acontecer, prometo. Por favor, me perdoa querida, olha eu me confundi por causa da bebida, pensei que era você… - Soltei uma gargalhada irónica face ao seu ar de comoção enquanto me dizia tamanha besteira.

- Betina e eu não somos minimamente parecidas, não temos nada em comum, excepto graças a você, a probabilidade de termos as mesmas DST!

- Você me deixou sozinha na festa, saiu, não sabia onde estava e…

- Desculpa, não sabia que você não poderia ficar cinco minutos sozinha, sem fornicar com ninguém…

- Querida… - Ela me interrompeu ofendida, ferida na sua suposta dignidade.

- É sério, Ágata. Você me traiu. Eu confiei em você e você demoliu minha confiança até o chão. Seria tão mais fácil se agora fosse simplesmente sincera comigo. Sinto que merecia pelo menos isso. Mas não! Você prefere dizer uma mentira atrás da outra e nem o mínimo de criatividade você tem. No seu lugar teria me esforçado um pouco mais e pesquisado no google uma justificação lógica e coerente que explicasse sua falta de decência.

- Querida, não vamos deixar que Betina estrague a nossa felicidade… - Ela me abraçou por trás e fez mil juras de amor eterno. - …. Vamos esquecer tudo isso, passar uma borracha, foi só um acidente de percurso… - Me libertei dos seus braços e furiosa questionei.

-Você não entende?! “Acidente de percurso”, você ao menos está escutando as palavras que saem da sua boca? - Aquilo era o cúmulo do descaramento.

O nome do que você fez é “Traição” e posso te garantir que não é nenhum sinónimo de “acidente de percurso” … - Era importante esclarecer aquele ponto, no entanto me deixava possessa que o tivesse de fazer. Continuei retirando as roupas do guarda-fato e colocando na mala. Ela tentou me impedir e insistiu novamente.

- Por favor Jéssica, não significou nada, para te falar a verdade nem sei porque fiz isso, nem sequer gosto da Betina, não sinto nada por ela, eu amo você. Ela é falsa, mentirosa, intriguista e acabou conseguindo o que queria que foi se colocar entre nós, entre a nossa felicidade…

- “Não significou nada”, então você me trocou por nada… - Conclui decepcionada, guardando meus pertences.

- Você não compreende o que é estar na minha pele! Ser Ágata Chantel! Uma das 10 tenista nacionais mais promissoras! Capa de revista! As pessoas querem sempre um bocadinho de mim, sou constantemente assediada onde quer que vá…

- Coitadinha… é isso que você quer? Que sinta pena de você? Vítima do seu próprio sucesso?

- Não, só estou tentando explicar! Você também não está facilitando! Jéssica, nós estamos juntas há sete anos, você sacrificou seu sonho de se tornar uma grande jornalista para acompanhar a minha carreira…

- Agora estou pensando se valeu realmente a pena…

- Só não valerá a pena se você sair por aquela porta e abrir mão de sete anos de relação por causa de um pequeno deslize…

- Preciso de pensar… - O que eu queria dizer na verdade é que precisava de encontrar a linha de comboios mais próxima e simplesmente me jogar. A sensação que tinha, é que minha vida tinha acabado.

- Ok, querida… dorme sobre o assunto e me dá uma resposta amanhã.

- Não sei se amanhã terei uma resposta para te dar…

- Jéssica, querida, não quero pressionar você, mas o casamento é daqui a três dias. Não te contei antes porque queria que fosse supressa, mas amanhã teremos uma sessão de fotos para uma revista sensacional que vai fazer uma matéria com a gente… - Disse empolgada, parecendo aquelas crianças que num minuto estão chorando e no minuto seguinte já estão rindo outra vez. - … Querida você não pode ser egoísta e pensar só em você, esta é realmente uma grande oportunidade para dar mais visibilidade à minha carreira, aumentar minha popularidade, conseguir mais patrocínios, conquistar mais fãs… há muita coisa em jogo aqui, então preciso de uma resposta… - No meio daquela autêntica trapalhada, tive um momento de lucidez. Chegou repentinamente, com sete anos de atraso, mas não tarde demais.

A verdade era relativamente simples e embora durante muito tempo tivesse preferido ignorá-la, era inegável que sempre estivera presente, como um gigantesco lustre brilhando no tecto da sala:

- Ágata era uma cabra, egoísta, mentirosa e desleal.

Não adiantava procurar mais explicações elaboradas para a sua infidelidade e desonestidade.

- Não… - Respondi olhando para o vazio.

- Como? - Ágata me olhou confusa.

- Não vai haver casamento nenhum. -  Havia um conformismo e uma resolução muito forte na minha voz.

- Querida que é que você está falando?

- Você queria uma resposta, tem aí sua resposta, não vai haver casamento nenhum… - Agarrei no puxador extensível do meu pequeno trolley de viagem e saí em direcção à porta. Ágata me seguiu.

- Olha aqui, se você sair por aquela porta, não precisa de voltar, NUNCA mais, está ouvindo?! É sério, nunca mais!… - Enfatizou. Eu estava prendendo as lágrimas, não queria que me visse chorando. Parei, ponderando sobre suas palavras, aquela seria uma viagem sem volta. Talvez devesse repensar.

Cabisbaixa, regressei para dentro do apartamento. Ágata segurou meu rosto com as duas mãos.

- Você está tomando a decisão certa. Pensa em tudo o que estaria abdicando se saísse, o conforto, os carros luxuosos, a roupa de grife, as viagens de sonho, as festas exclusivas, tudo o que eu posso te oferecer… você realmente pensa que consegue melhor que isto?! Não há nada à sua espera lá fora! Vamos esquecer tudo isso e ser felizes como sempre fomos… - Retirei gentilmente suas mãos de mim, sem dizer uma única palavra.

Dirigi-me para o nosso quarto e peguei numa mala grande, meio empoeirada que estava em cima do roupeiro.

- O que está fazendo? - Ágata perguntou baralhada. Despejei a mala em cima da cama, corri seus fechos e depois de aberta, comecei enchendo-a com a roupa que restava no roupeiro.

- Jéssica! - Ágata me chamou, mas eu continuei sem lhe responder.

- Jéssica! - Ela gritou. Parei o que estava fazendo e a encarei… - O que você está fazendo? – Ela perguntou furiosa.

- NUNCA é muito tempo, vou precisar de uma mala maior...- Falei como se fosse evidente.

- Você vai-se arrepender! Nunca vai encontrar outro amor! Vai acabar sózinha. - Ágata praguejou antes de eu deixar o apartamento. Ela sentia-se no direito de ficar aborrecida comigo porque a estava deixando depois de ela me traído com uma pessoa do nosso circulo de amigos.

Foi só quando entrei no carro que percebi o quão desolada e emocionalmente desfeita estava. Chorei durante mais de uma hora.

Chorei por Ágata. Chorei pelos nossos sonhos desfeitos. Chorei pelos nossos filhos fictícios que nunca se tornariam crianças de verdade. Chorei pelos anos que investi e insisti numa relação fracassada. Chorei por mim. Chorei pelo Tiaguinho o garoto que me deu um pontapé no joelho, enquanto brincávamos no parquinho, quando tinha 8 anos, doeu como um raio! Chorei pela carta que estava esperando ansiosamente, mas que não recebi na segunda série, no dia de S. Valentim.

Enfim, chorei tanto, até meus olhos caírem e no fim já não sabia exactamente porque estava chorando.

Conduzi sem direcção, chorei durante todo o caminho e acabei naufragando numa cama de hotel qualquer.

Tudo o que eu mais queria era permanecer deitada numa cama qualquer em posição fetal, imersa na minha profunda depressão. Hibernando indefinidamente.

Minha família e meus amigos ficaram doentes de preocupação, exigiram que reagisse, mudasse, aquiesci e dei-lhes de facto uma mudança, mas não a que pretendiam.

Comecei bebendo. Não importava a hora, estava sempre com um copo na mão.

Mas meu vicio continuava a ser o sofrimento que sentia. Eu afogava minhas mágoas em autocomiseração, autocensura e autoaversão.

Demorou uma quantidade de tempo que não consigo precisar a passar do estado zombie em que me encontrava, para um mais funcional.

No entanto, agora considero já estar bem! Não precisei recorrer a um psicólogo, a um centro de reabilitação, nem a um assassino profissional que francamente era o que Ágata merecia.

Esta experiência quase fatal, me ensinou muito. Agora vejo tudo claramente. O amor corrompe. O amor devora. Não é mais que uma ilusão, uma doença, um virús, indesejável que deverá ser evitado a qualquer custo.


Notas Finais


Então, o que acharam do primeiro capitulo?


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