História Eu Odeio o Amor - Capítulo 2


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Literatura Feminina, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Aqui vai já o segundo capitulo...

Capítulo 2 - Eu


Fanfic / Fanfiction Eu Odeio o Amor - Capítulo 2 - Eu

Depois de terminar abruptamente meu relacionamento com Ágata, nunca mais me envolvi seriamente com ninguém. Dois anos se passaram a correr e dia sim, dia não, recordava as suas últimas palavras. A sua maldição, “Não há nada à sua espera lá fora!”.

A dúvida sobre a veracidade dessa afirmação, ecoava na minha mente, minando meus raros momentos de felicidade pessoal e de realização profissional.

Era certo que nunca mais queria ficar vulnerável, bagunçada, exposta a um tipo de dor horrível cujo amor é responsável, mas ao mesmo tempo sentia um vazio enorme na minha vida. Essa lacuna, essa cratera abismal de pura insatisfação, já não podia ser mais ignorada. Eu estava precisando de um substituto para o amor, um genérico, pois jamais tomaria essa droga novamente.

Precisava de alguém que me proporcionasse um pouco de alegria, com quem pudesse assentar, mas em segurança, longe da beirada do precipicio para a qual nos conduz inevitavelmente o malfadado amor.

Confesso que uma paixão ardente que consome até à alma neste momento me aterroriza e está fora de questão.

Eu sei, não existe coerência sentimental na minha vida, Ágata me desagregou em milhões de atómos, mesmo assim dou por mim às vezes imaginando se tomei a decisão certa em não perdoá-la.

Por outro lado, criei todos estes anticorpos em relação ao amor, mas ao mesmo tempo necessito de alguma, não muita, da felicidade que esse sentimento traiçoeiro e desprezível indubitavelmente traz.

O amor novamente na minha vida, só sob os meus termos e condições, controlado, permanentemente sob vigia, bem gerido é claro, tomado em pequenas doses também, se não a cura se transforma no veneno e aí você morre. A palavra certa é equilíbrio.

No período pós Ágata, o meu envolvimento com alguém tem sido como uma decepcionante ida à praia.

Coloco o pé na água, constato que está fria para além do suportável, recuo e volto a me deitar na toalha.

Estou neste impasse, não me quero molhar, pelo menos não acima da barriga.

- Jéssica, em que você está pensando? - Tina perguntou.

- Em nada… - Tina me observou com uma sobrancelha erguida. Ela era a minha melhor amiga e também minha colega de trabalho no jornal Correio Diário.

Parou tudo o que estava fazendo, esperando uma resposta mais honesta da minha parte.

- Tina, estou pensando em muita coisa, mas não quero falar sobre isso, vamos continuar trabalhando…

- a) É esse excesso de actividade cerebral que me preocupa…

b) Eu estou trabalhando, você escreveu meio parágrafo em 2h, acho que isso não entra no conceito de “trabalhar”.

c) Tenho a certeza que você como uma talentosa jornalista, uma escritora distinta, enfim uma comunicadora nata, consegue resumir todos os seus pensamentos em uma frase…

- Ok…Claramente, você não me vai deixar em paz enquanto eu não falar… - Ela meneou afirmativamente a cabeça.

- Então, fazendo uma reflexão profunda sobre minha vida, colocando tudo em perpectiva…

- Jéssica, uma frase… - Falou Tina bocejando.

- …Estou pensando na minha xoxota assombrada… - Abri os braços e dei de ombros.- Resumindo e concluindo…

- Como? – Perguntou Tina confusa. – Como assim, “assombrada”?

- Depois da dita cuja, temo não conseguir me relacionar com mais ninguém, não de forma séria pelo menos…E se bem me lembro, aquela que nós sabemos amaldiçoou minha buceta antes de eu a deixar...

- Não estou entendendo… - Ela fez uma careta.

- Ela disse que eu nunca mais encontraria alguém, que eu perdi a oportunidade de ser feliz quando bati com a porta na cara dela. E agora como um casarão assombrado que não consegue manter seus inquilinos durante muito tempo, minha buceta que a princípio até é acolhedora, convidativa e calorosa devido à presença no passado de um ser maligno, um espírito muito ruim acaba me impossibilitando de manter uma relação…Minha xoxoxta é a mansão de Amityville! – Concluí.

- Não, sua xoxota não tem uma aura que repele os outros, talvez você tenha…

- Eu? Como assim?

-  Jéssica quem quer uma relação séria procura uma pessoa estável, como um barco sólido e confiável para navegar e você é mais instável e imprevisível que uma prancha em maré alta.

A verdade é que você quer uma relação com o mínimo de investimento, mínimo risco, sem se doar totalmente a alguém.

Eu sou casada a 15 anos e posso te dizer que uma relação envolve dar e receber na mesma proporção. Mas você não quer dar, ou quer, mas só um pouquinho, porque não quer se comprometer, ou apegar em demasia e ninguém hoje em dia quer um meio amor. Minha cara amiga, honestamente, o que você está pondo em cima da mesa, o que está disposta a oferecer não é suficiente...

Tem de admitir que ainda não está  totalmente recuperada da Ág…

- …Daquela cujo nome não pode ser pronunciado! - Interpus e ela continuou.

- …O que é perfeitamente normal tendo em conta o longo e conturbado relacionamento que tiveram. Talvez por isso, você não esteja emocionalmente preparada, ou até disponível para se comprometer, ou se envolver com alguém…

- Isso é ridículo! – Trocei.  

- Então, você prefere acreditar que a sua está xoxota assombrada?! - Retirei os óculos e respondi com toda a convicção. - Sim! Eu não estou traumatizada, estou amaldiçoada.

Sou uma pessoa esclarecida por isso minha oferta é inegociável, é pegar, ou largar. Não vou subir a parada, o que ofereço é o razoável. Se não fosse a maldição alguém já teria com certeza aceitado...

- Tudo bem, já vi que não vou convencer você. Então, mudar sua abordagem, porque é que não tenta conhecer alguém? Interiormente, percebe?

- É o que eu faço o tempo todo, tento conhecer as pessoas interiormente… - Levantei uma sobrancelha, assumindo minha cafajestize.

- Sem transar!

- Mas assim não tem graça!

- Se você quer ter realmente um relacionamento sério e duradouro não pode transar logo no primeiro encontro! Tem de esperar até conhecer bem a pessoa…

- Muito honestamente Tina, me abro para você, falo algo de muito sério que se está passando comigo, enfim minha xoxota está assombrada por aquele ser vil e a sua solução é colocar lá uma placa dizendo “Interdita!”, “Perigo, não entrar, xoxota fria, escura e insipida!”…

- Oh, Meu Deus Jéssica, por favor! Eu não vou ficar aqui de luto pela sua xoxota, lamentando o facto de que ninguém te quer, ninguém gosta de você, quando na realidade você é uma mulher linda, uma semideusa, alta, morena, com um corpo esculpido… - Ela abriu o portátil já sem paciência e começou descontando no teclado.

- Tina…?

- Hum? – Ela respondeu mal-humorada.

- Você é lésbica? – Ela parou subitamente de digitar e me fitou.

- Não, eu não sou lésbica!

- Sério? Tem certeza? Cá para nós “semideusa, alta, morena, com um corpo esculpido”, meio que pareceu, assim de repente…Você está apaixonada por mim? – Perguntei, debochando.

- Não! – Vozeirou. - Não Jéssica, eu não estou apaixonada por você!

- É que a gente passa tanto tempo juntas, então seria totalmente normal que você desenvolvesse sentimentos por mim…

- Pára, já disse que não estou apaixonada por você!

- Ok. – Falei conformada.  - …Tina?

- Sim?! – Falou irritada.

- Não sente nem um fraquinho? – Ela nem respondeu, simplesmente me atirou uma caneta que tinha na mão.

- Bom dia…Tudo bem? - Uma moça espreitou pela porta da nossa sala, me salvando da violência de Tina, pelos vistos, era sua conhecida. Continuei escrevendo no meu portátil, pois precisava de terminar aquela matéria até o final do dia.

- Bom dia, tudo óptimo! Você já conhece a Raquel? - Tina questionou.

- Não… -Mal reparei na moça entrando pela sala, afinal ela era visita de Tina e não me cabia a mim entretê-la.

- Tina, chega aqui, preciso de uma opinião…

- Só um momento. Raquel você se importa… - Ela pediu à moça que desse uma vista de olhos na matéria que eu estava escrevendo já que de momento se encontrava ocupada.

Ela aproximou-se e inclinou o corpo para a frente para poder visualizar melhor a tela do computador. Começou lendo, sua voz doce e suave provocou imediatamente minha curiosidade.

Quando me virei, deparei com seu cabelo cor de fogo pendendo sobre mim, como uma cortina chamejante.

Ela sorriu amigavelmente. - Oi, muito prazer, Raquel. Sou a nova fotógrafa do Jornal… – Ela disse estendo a mão. Quase que esquecia as regras da boa educação. Ela ali com a mão estendida e eu sem reacção. Finalmente, caí em mim, fiz uma careta e apertei sua mão. Nessa altura, ela devia pensar que eu era uma débil mental, o que acabei confirmando quando abri a boca.

- Jéssica, nós vamos tomar um café lá em baixo, quer vir com a gente? – Convidou Tina.

- Bem que eu queria, mas o Rumplestilskin exigiu que eu terminasse o artigo hoje, mesmo não saindo na próxima edição do jornal, você acredita nisso?!

- O “Rumplestilskin”? - Questionou Raquel meio confusa.

- É melhor a gente ir andando… - Tina tentou puxá-la, mas ela permaneceu imóvel.

- Você vai conhecê-lo, quando vir um homem prepotente, arrogante, andando como se carregasse um tronco entre as pernas saberá que é ele! - Tina começou pigarreando como se tivesse mil catarros na garganta, mas eu não percebi porquê. - …É verdade, ele não percebe absolutamente nada de jornalismo, vai acabar transformando este jornal que um dia já foi sério, num totalmente sensacionalista. - Tina começou gesticulando como uma louca para que eu parasse de falar, no entanto eu não estava falando nenhuma mentira, então continuei discursando como uma verdadeira revolucionária prestes a iniciar um motim. - …Ele não se coíbe de ficar avaliando, como se fosse algum especialista, o trabalho de quem realmente estudou para exercer a profissão…

- Ok, ele é noivo dela! – Gritou Tina me interrompendo. Porque raio ela não disse nada mais cedo? Ou, não puxou de uma cadeira e me atingiu com ela para que parasse de falar? Tudo seria melhor do que me deixar insultar o noivo dela! Fechei os olhos constrangida durante dois segundos. A moça permaneceu imóvel, ao meu lado com uma expressão indecifrável em seu rosto. Eu premi os lábios e disse. - …Mas tenho a certeza que apesar de tudo ele é uma boa pessoa… - Falei sem graça. A moça não desarmou. Seu olhar se mantinha absolutamente sério e analítico sobre mim. Aqueles segundos de silêncio se perpetuaram. Eu já estava me preparando mentalmente para ser xingada, esnobada, ou pior. Com certeza, Raquel iria querer vingar a honra do noivo prepotente, arrogante e narcisista, mas ainda assim seu noivo!

- Não, na verdade ele péssimo! Só tem uma parte boa…Eu! Obviamente! - Um sorriso irónico brotou em seus lábios e ela me deu uma piscadinha.

Ela me tocou levemente no ombro e saiu da sala acompanhada por Tina.

Eu fiquei simplesmente olhando para a porta com o queixo caído até o chão.



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