História Eu Odeio o Amor - Capítulo 3


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Literatura Feminina, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Ela


Fanfic / Fanfiction Eu Odeio o Amor - Capítulo 3 - Ela

POV Jéssica

 

Cheguei cedo ao escritório, algo que acontecia com a mesma frequência que um eclipse solar coincide com a Aurora na Escandinávia acima do Círculo Ártico e com a formação de nuvens madrepérolas em Setembro, ou seja nunca.

Era de admirar a capacidade acima da média que eu inquestionavelmente tinha para não cumprir horários. Tudo bem, esse meu talento natural inegável, não impedia que eu fosse, modéstia à parte, uma óptima jornalista.

Entrei na minha sala, antecipando mentalmente como seria meu dia, as pessoas com quem teria de falar, os emails que teria de enviar e as matérias que teria de escrever.

Tinha tudo bem planeado e nisto aconteceu, o que sempre acontece quando organizo tudo até o mais ínfimo pormenor, surge um imprevisto que põe em causa todo o meu exercício intelectual.

Por esse motivo não perco meu tempo elaborando no papel minha rotina diária, para quê se no final as coisas vão mesmo tomar um rumo completamente diferente daquele que inicialmente imaginei, ou mesmo dar errado?

Por exemplo, o rei de França e Navarra, Luís XVI, no dia da Revolução Francesa apenas tinha escrito em seu diário “Nada de importante hoje”, o que demonstra que não só as coisas seguiram um rumo completamente diferente daquele que ele inicialmente previu, como também deram a um nível catastrófico, totalmente errado.

E ali estava eu, rodando a maçaneta da porta da sala que dividia com Tina sem sequer supor que meu dia estava prestes a mudar.

Mal abri a porta, me deparei com a bela Raquel parada em frente à janela, com a claridade incidindo directamente em seu rosto, acentuando o tom castanho claro dos seus olhos e seu maravilhoso cabelo ruivo.

Ela sorriu ao me ver e me cumprimentou. - Oi… - Foi sem sombra de dúvidas um dos “Ois”, mas maravilhosos que já ouvi, entrou directamente para o Top 5 da minha tabela de “Ois”.

- Oi… - Respondi sorrindo comedidamente. Mulheres como Raquel tem o hábito de desprezar quem mais as deseja. Tudo bem, porque são normalmente assediadas por homens que ficam num estado abanado e subserviente.

- Está procurando a Tina? - Sondei.

- Sim. - Eu estava tal e qual uma leoa faminta quando avista uma gazela. A minha estratégia era simples, me aproximar devagarinho da minha presa, para não a espantar e quando tivesse perto o suficiente, ataca-la sem dó nem piedade.

- Ela deve estar quase chegando. Quer beber um café? - Falei já imaginando onde poderia desvirtuar a inocente Raquel. Em cima da mesa, um clássico. Em cima do móvel da máquina de café, ousado. No chão, arrebatador. Não me conseguia decidir, afinal eram tantas as possibilidades…

Tirei dois cafés na máquina e lhe servi um copo. “Primeiro tenho de trancar a porta. Será que a Raquelzinha é do tipo que grita, ou das que se contraem de prazer em silêncio? Daqui a pouquinho irei descobrir…”

- Vim entregar umas fotos ao Director de Edição. É a primeira vez que vou mostrar meu trabalho, espero que goste… - Notei uma certa ansiedade na sua voz.  Era perfeitamente compreensível que ela se estivesse sentindo algo pressionada. Caso suas fotos não fossem aceites, muitas pessoas veriam suas suspeitas confirmadas de que seu único talento se resumia em abrir as pernas para o Director. Aquele era seu primeiro teste e ela estava temendo que suas competências enquanto fotografa fossem questionadas.

- Posso ver? - Pedi cordialmente. Ela retirou umas amostras de um envelope castanho e colocou em cima da minha mesa. - Observei inexpressivamente seu trabalho, algo que a deixou inquieta.

Inicialmente, ela tentou disfarçar, mas depois começou roendo a unha do dedo polegar cada vez mais impaciente.

- Então, o que é que você achou? - A fitei apreensiva. - Não gostou? Achou que não ficaram boas? - Perguntou nervosa.

- Bem Raquel… - Disse com uma expressão séria. - …Suas fotos não ficaram boas...ficaram óptimas!

Ela abriu um sorriso. Era como se um peso tivesse sido levantado de cima de si.

- Você acha? Você realmente acha que ficaram boas?

- Sim, suas fotos revelam uma grande sensibilidade. É impressionante como você consegue captar as emoções das pessoas com tanta exactidão.

- Acho que acabo sentindo uma grande empatia com elas, por isso consigo transmitir o que estão sentindo no momento.

- Bem, seja lá qual for seu método, resulta! Fez um excelente trabalho, não tem nada com que se preocupar…

- Será?  - Ela suspirou. Comecei massageando seus ombros.

– …Relaxa, você está muito tensa. Sei de uma técnica chinesa maravilhosa que deixa a pessoa levezinha, deixa eu aplicar em você… - “Que pena que não temos aqui um sofá…”

- Nossa Jéssica… - Ela murmurou sentindo o toque dos meus dedos em seus ombros.

- Está mais tranquila?

- Sim… - Fui pressionando suas costas.

- Tão bom…  - Ela sussurrou como se há muito tempo estivesse precisando de um momento de descompressão. Seu corpo ía se libertando de toda a tensão acumulada com a ajuda indispensável do meu toque.

- Você gosta? – Enquanto ela estava de olhos fechados, desfrutando, eu aproveitava para cheirar seu cabelo. Meu olfacto estava em êxtase com a experiência, o perfume de Raquel era inebriante.

- Sim…

- Sim, o quê?

- …Eu gosto… - Raquel estava se soltando cada vez mais.

- Tina disse que você tinha esse efeito nas pessoas…

- Que efeito Raquelzinha...? – Eu tinha conseguido me aproximar com sucesso da minha presa, agora estava esperando o momento certo para atacar e já não demoraria muito.

- Tina disse…

- Sim…

- Tina disse que você tinha o poder de fazer os outros se sentirem bem, pena que…

- Pena o quê?

- Nada não, deixa para lá…

- Pode dizer… - Encorajei.

- Acho melhor não, afinal só conheci você no outro dia, não quero passar o limite… - Passar do limite era exactamente o que eu queria.

- Agora quero mesmo saber, fala, te dou minha permissão…

- É que eu não percebo… - Aquele era o momento.  Parei de massagear suas costas e fiquei frente a frente com Raquel.

- Não percebe o quê? – Meu rosto estava quase colado no seu. Ela só não o percebia porque mantinha os olhos fechados. Eu queria beijá-la, seus lábios carnudos me convidavam a fazê-lo. Queria expandir meu toque por todo o seu corpo. Sentir sua pele alva e macia contra a minha.

-Me diz o que você quer perceber… - Sentia sua respiração no meu pescoço.

- ....Eu queria perceber…Porque você está sempre tão triste… - Ela enfatizou as últimas palavras. Seus olhos se abriram de repente cravando nos meus.

- Não, eu não…Onde foi buscar essa ideia? - Ela não desviou seu olhar, os escassos centímetros a que estávamos uma da outra, não a incomodava.

- Seus olhos…vejo uma imensa dor cada vez que olho para dentro deles… - Ela não pestanejava, não vacilava, nem recuava.  

- Eu não estou sofrendo…

- Não?

- Não, na verdade sou uma pessoa feliz…Estupidamente feliz…de bem com a vida… - Precisava tomar novamente o controlo da situação.

- “…Estupidamente feliz…De bem com a vida…” – Ela começou alisando meu cabelo.

- Já esqueceu que sou empática, sensível, capto emoções…Eu consigo ver você… - Ela realmente parecia estar me vendo por dentro, o que era uma tremenda invasão de privacidade, muito desagradável e perturbador. Sem contar que ela não tinha esse direito. Dei um pulo para trás, me sentindo subitamente transtornada.

 

 Tina entrou nesse preciso momento.

- Bom dia! – Cumprimentou alegremente. – Bastaram dois segundos para que percebesse a tensão que pairava no ar. – O que está acontecendo?

- Nada não. – Respondeu Raquel com um sorriso. – Tenho de ir…bom trabalho! - …Ah… - Ela recuou como se tivesse esquecido algo. – Obrigada pela massagem…

- Espera você não quer tomar café…? –  A pergunta de Tina ficou suspensa no ar, sem resposta, pois Raquel saiu apressadamente da nossa sala. – Ela sempre vem tomar café de manhã comigo…”obrigada pela massagem”. - Tina repetiu estranhando.

Eu estava com cara de tacho olhando ainda para a porta que Raquel acabara de transpor.

 “Que gazela é essa?” – Estava em choque. Tina olhou para mim procurando uma explicação.

Tentei me recompor, fui para o meu lugar, sentei-me e comecei imediatamente teclando no computador.

- Não! - Ela falou em pânico.

- Não? Eu não disse nada… - Falei sem tirar os olhos do ecrã.

- Mas pensou!

- Não estou entendendo. Estou bem quietinha no meu canto…

- … E apesar disso, consigo ouvir de longe sua mente trabalhando igual a uma máquina de engrenagem, fabricando todo o tipo de pensamentos impuros, perversos e imorais…

- …Não sei do que é que você está falando… - Dei de ombros.

- Não, mesmo?

- Hum…Não, por gentileza gostaria de me dar uma pista por favor, para que eu posso sei lá, de repente…Me defender!…

-  Ah, você quer uma pista? Eu te dou uma pista: começa em “Ra” termina em “quel”! - Tina me conhecia muito bem, sabia o meu histórico, ou melhor meu registo criminal.

Mantive-me em silêncio e fingi estar concentradíssima trabalhando.

- Jéssica, sempre te apoiei, mas isto é uma total falta de profissionalismo.

-  Não aconteceu nada. Ninguém pode ser julgado antes de cometer um crime? Pode uma pessoa ser julgada apenas por pensar em fazer algo de errado?

- Não…

- …Então, não estou tendo esta conversa com você…As vagas para grilo falante ainda não abriram…

- …Eu não posso ficar simplesmente observando aquilo que sei ser um desastre iminente à espera de acontecer! – Levou as mãos à cabeça exasperada. – Caramba Jéssica! É como se você tivesse esta tendência natural para se meter em situações complicadas, uma atracção pelo abismo!

- Ei, qual foi a parte de “não aconteceu nada” que você não está percebendo?! Não aconteceu, nem vai acontecer! Te garanto, te juro de pés juntos, aposto a hipoteca da minha casa, em como essa história… Eu e Raquel NUNCA, NUNQUINHA, JAMAIS vai acontecer!

 



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