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História Eu Odeio o Dia dos Namorados - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Feliz dia de São Valentinho 💕💕💕

Boa leitura~

Capítulo 1 - O presente ideal


Fanfic / Fanfiction Eu Odeio o Dia dos Namorados - Capítulo 1 - O presente ideal

Fazia duas horas que Alice encontrava-se na cozinha de casa, jogando mais uma fornalha de biscoitos de chocolate queimados no lixo. Não era surpresa para ninguém que a jovem inglesa fosse péssima em cozinhar, contudo duas coisas levavam-na a tentar fazê-lo naquela data: ela era teimosa e queria consertar um erro cometido dias atrás. Com os biscoitos jogados fora, levou a forma até a pia, lavando-a junto aos demais utensílios que veio a usar. Ela poderia estar aproveitando do aconchego de sua cama, lendo um bom livro e tomando um chocolate quente — pelo menos isso era capaz de fazer decentemente. Contudo, era como se a cada pensamento que ela tinha sobre os acontecimentos anteriores fosse capaz de queimar um biscoito. Entretanto, tinha de fazê-los; tinha que se redimir pela sua falta de noção e sentimentos.

Isso deve ser praga dele, matutou a jovem inglesa, franzindo as sobrancelhas. Francis deve estar odiando-me agora e falando mal de mim para os amigos. Eu consigo ouvir as gargalhadas daquela tal de Maria de longe, falando que ela estava certa ao dizer que nós nunca nos daríamos bem. Os olhos por detrás da armação rubra brilharam quando as lágrimas tornaram sua visão turva, impedindo-a de ver se estava lavando tudo adequadamente e retirando a sujeira dos objetos. Alice sentia-se burra, a maior das idiotas, assim como também sentia-se decepcionada consigo mesmo.

Havia sido pouco após o seu trabalho como garçonete, em um pequeno restaurante do outro lado da cidade. Conquistou o emprego graças a um conhecido, e nisso conheceu Francis. O convívio entre eles não era muito grande no início — ela atendendo os clientes e ele preparando os pedidos feitos —, contudo vieram a se conhecer quando foi convidada a ir a um bar próximo, após o expediente. Meio ano se passou, e Alice já conhecia bem a cama do colega de trabalho. O francês era um verdadeiro amante e tinha lábios macios, porém jamais chegou a firmar um compromisso e assim eles viviam: trocando beijos ousados e fazendo sexo casual. Entretanto, há poucos dias, descobriu que nada era como estava imaginando. Pela primeira vez, avistou o coração do homem ser despedaçado, e por culpa sua. Quando ela estava prestes a ir para casa, foi abordada por outro cozinheiro do restaurante. A malícia estava mais que escancarada no convite feito por Yao, que pedia para que saíssem juntos. A jovem britânica sabia — ou achava que sabia — que não estava presa a ninguém, então aceitou de imediato.

Ah, se ela soubesse que Francis estava por perto e ouvindo tudo, teria feito as coisas de modo diferente. Teria alegado encontrar-se muito cansada e que poderiam conversar outro dia. Quando avistou o francês caminhando em passos duros até si, automaticamente recuou dois, vindo a se sentir intimidada pelo ato. O mundo parecia ter tornado-se maior. Uma estranha e incômoda sensação apertou seu peito, tornando seu peito miúdo.

— Eu não sabia que você era infiel, Alice — as palavras faltaram em sua boca, diante a alegação feita pelo outro, e sua companhia aproveitou dessa oportunidade para continuar: — Por que não disse a ele que já tem um namorado?

As palavras atingiram-na com força, tornando a sensação de tempo e espaço inexistentes para si.

— Namorado? — ela riu, balançando a cabeça e fazendo seus longos fios loiros balançarem no ar com sutileza. O riso que deixou seus lábios foi uma reação natural, ocorrendo sem que ela percebesse. — Você não é o meu namorado, Bonnefoy!

A noite pareceu tornar-se mais fria quando avistou os olhos azuis a encarando profundamente, impedindo-a de continuar a manter contato visual. A única reação de Francis foi arquear as sobrancelhas loiras e olhar em direções aleatórias, abrindo a boca inúmeras vezes para não conseguir pronunciar-se. As mãos enluvadas foram enfiadas dentro dos bolsos do casaco pesado e ele girou os calcanhares, caminhando silenciosamente em direção oposta a sua, deixando a loira completamente sozinha. Encarando as costas dele, avistou-o retirar a mão direita do bolso e jogar algo dentro na lixeira da rua. Quando Francis afastou-se o suficiente, ela correu até o local, para descobrir que tratavam-se de uma caixa vermelha de chocolates e um cartão de Dia dos Namorados, seu nome escrito no mesmo. O que eu fiz?, pensou Alice no momento, tomando coragem para levar a mão até o lixo e pegar o que ali havia sido jogado. A caixa de chocolates era retangular e continha meia dúzia de pequenos bombons, todos em formato de urso. A inglesa adorava ursos, tendo quase uma coleção inteira no quarto.

Naquela mesma noite, passou a pesquisar inúmeras vezes em sites sobre como era ter um relacionamento com um francês, e em um deles dizia: “O homem francês não é bom de paquera, ele não demonstra quando está a fim de uma pessoa. Então não espere, ataque! O francês também é um pouco mais frio, não demonstrando suas emoções, mas isso não significa que ele não saiba ser carinhoso. Se um francês não te pede em namoro, mas te vê todos os dias, na cabeça dele vocês já estão em um relacionamento. Em alguns casos, um francês pode te dizer “Je t'aime” depois de sair por três dias com você.”

Deixando os objetos limpos no escorredor, a loira retirou o avental que estava amarrado contra o corpo, enfiando-o dentro do cesto de roupas sujas na lavanderia. Por que tinha que ser tradição dar biscoitos ou chocolates no dia de São Valentin? Ela sabia que poderia simplesmente ter ido comprar tudo pronto e ir atrás das suas desculpas, porém algo lhe dizia que doces caseiros poderiam fazer a diferença. A diferença de duas horas a menos no meu dia, constatou enquanto arrumava os óculos sobre o nariz. Ela, definitivamente, não havia sido feita para cozinhar!

Como Alice odiava o Dia dos Namorados e o seu significado.

Vendo que ainda restavam-lhe algumas horas, correu para o quarto e trocou-se rapidamente, saindo de casa com todo o dinheiro que tinha na carteira.

...

Ninguém nunca disse a britânica o quanto era complicado achar um presente de Dia dos Namorados no Dia dos Namorados. Assim que saiu de casa, sua mente a orientou a ir para o centro comercial e não se importar com o preço do presente, pois estava fora de cogitação perder tempo com uma pesquisa de última hora. Ela estava a procura de qualquer coisa que servisse como um bom pedido de desculpas e mostrasse o quanto encontrava-se arrependida. Francis é bem sentimental ás vezes, então não existe a garantia de que ele vá me desculpar. Afinal, eu fui uma insensível. Fechou os punhos dentro dos bolsos de seu casaco rubro, comprimindo os lábios rosados.

A confeitaria foi descartada. Bonnefoy era excelente quando o assunto era referente a comida e depois que ela provou algumas de suas sobremesas, teve certeza de que os doces de qualquer outro lugar nunca seriam capazes de satisfazer o paladar francês. Isso fazia lembrar-se que por inúmeras vezes esteve na casa do loiro, provando de sua comida e que tudo era feito para o seu agrado. Mesmo sendo um grande convencido, Francis sempre se mostrava preocupado com a sua aprovação, ficando feliz quando dizia ter gostado. O que eu fiz? Se aquele francês não agisse tanto como um francês, Alice poderia ter percebido os sinais que lhe eram mandados. Eu achava que era algo puramente casual, que nada demais existia entre a gente. Por que você nunca me disse nada, Francis?! Seus passos pararam, criando suaves sons secos. A loja de chocolates estava cheia de gente, e se estavam ali naquela hora, era porque encontravam-se na mesma situação que a sua. Passar por aquele mar de gente deve ter sido semelhante ao que os soldados britânicos, americanos e canadenses enfrentaram no Dia D, na invasão da Normandia; contudo, o pior de tudo foi ter encontrado as prateleiras quase vazias.

Enquanto vagava o olhar por algo que pudesse salvá-la de ter o pior dia de sua vida, começou a sentir o corpo aquecer demasiadamente, deixando-a ainda mais desesperada. Não havia trajado uma roupa nova e se arrumado inteira para morrer derretida dentro de uma loja de chocolates. Conforme procurava, inutilmente, por uma caixa de chocolates, uma atendente se aproximou, perguntando se Alice procurava por algo específico. Estou em busca de um milagre, foi o que pensara, contudo sua resposta foi tão vaga quanto seu olhar desesperançoso. A jovem moça de cabelos marrons mostrou algumas caixas que ainda não haviam sido vendidas, sendo uma delas de chocolate suíço — e a atendente não parecia muito feliz em noticiar isso. Alice logo constatou que ela pode ter tido uma decepção amorosa com alguém daquele país, mas optou por apenas manter sua atenção nos chocolates. Nada do que ela segurava parecia agradá-la. Isso não será o suficiente para o Francis.

Parando para pensar durante alguns segundos, fitou seus sapatos, que combinavam igualmente com o pesado casaco e possuíam um laço em cada calçado. Erguendo a cabeça, pediu pela caixa que continha os melhores chocolates.

— Melhor, duas caixas dos melhores chocolates. — Corrigiu-se a inglesa, apressadamente.

A atendente sorriu-lhe, fazendo sua pequena pintinha mover-se.

— Seu namorado deve ser um homem de muita sorte. — Dizia a jovem, virando-se um pouco em direção ao caixa. — E muito amado também. — As palavras fizeram-na corar.

As caixas foram separadas em uma sacola escura, que foi lacrada com um pequeno adesivo. Saindo da loja após enfrentar a grande quantidade de pessoas que abarrotavam o seu interior, retirou o celular do bolso, constatando que ainda tinha uma hora até que tudo fechasse. Preocupando-se para não esbarrar nas pessoas e amassar os pequenos chocolates, encontrou uma loja de pelúcias, adentrando nesta rapidamente. Antes mesmo de ser atendida, os olhos verdes fitaram o entorno e Alice abriu um pequeno sorriso, apontando para o alto e pedindo pelo gigantesco urso de pelúcia branco — com exceção do interior das patas, os olhos, o focinho e o coração preso à barriga. O dono do local utilizou de uma escada para poder pegar o produto. Enquanto o enorme urso era levado para o balcão, para que a compra fosse efetuada, a loira caminhou até a prateleira com cartões, pegando um que possuía o desenho da Torre Eiffel. Que coisa mais criativa para se dar a alguém que nasceu na França. Com a compra efetuada, verificou o quanto restava de dinheiro. Talvez eu que tenha que passar o restante do mês economizando nas compras. Apertando a pelúcia contra si, guardou a carteira novamente. Mas, eu acho que ainda dê para comprar algumas flores, o pensamento foi seguido por um sorriso.

Como o esperado, os trocados que restavam foram capazes de comprar um buquê pequeno e modesto. Pelas rosas vermelhas já estarem em falta, comprou um de rosas cor-de-rosa, enfeitado por umas plantinhas de pontas brancas que ela não saberia dizer o que eram. Assim como era péssima em tudo referente à cozinha, também era péssima em tudo referente à jardinagem. O total de sua compra fez sua carteira se tornar vazia, mas Alice nunca sentiu-se tão satisfeita por ter gastado dinheiro. Ajeitou o urso mais para o lado, para poder observar o que havia em seu caminho. O céu acinzentado havia se tornado mais escuro. Seria irracional pegar transporte público com tudo aquilo que tinha em mãos, pois acabaria sujando os presentes e danificando-os. Com certa dificuldade devido ao buquê que segurava, ajeitou a armação rubra com o dedo médio. A inglesa continuou a andar, indiferente ao vento gelado que tocava a pele de seu rosto e tornava a ponta do nariz e as bochechas corados. Em sua caminhada, aproveitaria para aquecer o corpo e pensar nas palavras que diria para Francis.

Um forte suspiro deixou seus lábios.

Eu odeio o Dia dos Namorados.

...

Francis morava em um largo sobrado, com roseiras e arranha gatos subindo pela fachada da construção antiga.

Normalmente, os canteiros estavam decorados pelas belas flores rubras e as plantinhas que agarravam-se à parede estavam em um verde vivo. Entretanto hoje com o frio que atravessava as portas, não havia paisagem bela aos seus olhos. A loira parou de andar, escondendo o rosto e tocando o urso de pelúcia com o nariz. Como a porta dava de frente para a rua, não era necessário abrir nenhum tipo de pequeno portão. Seus pés passaram a andar em direção à residência, subindo os três degraus azulados e parando na soleira, de frente para a porta igualmente azul. Pela primeira vez, Alice sentia-se nervosa em estar ali. A pequena capa de seu casaco pareceu apertar seu pescoço, pinicando a pele, causando-lhe um desconforto que percorria todo o corpo. Não podia desistir agora. Ela negava-se a ter se esforçado para nada.

O dedo ergueu-se, apertando a pequena campainha com dificuldade por conta do buquê que segurava. Começou a sentir as maçãs do rosto começarem a doer, então escondeu a o rosto nas costas do urso branco, afundando-o na região. De repente, o pânico começou a apossar-se de seu corpo. Em segundos, sua mente criou diversos cenários que poderiam ser vividos por ela após este simples ato de apertar a campainha, sendo um mais constrangedor que o outro. E se não for ele a atender a porta? E se ele já estiver acompanhado de alguém? A loira deu um passo para trás. O coração bateu mais forte, parecendo criar uma pressão até mesmo ao fundo de sua garganta com os batimentos descompassados e passou a suar frio. Como eu vou explicar esse “I Love You” presente no coração no peito do urso?! Tal pensamento surgiu quando imaginou-se se deparando com a possível companhia do francês, que certamente riria da sua atitude após ter feito o que fez. Eu não devia ter saído de casa!

Seus pés queriam se mover, correr e se afastar, no entanto, não havia movimento algum em suas pernas. Era como se ela tivesse se fixado no pequeno quadrado em frente à porta de madeira.

— Alice? — A voz soou e rapidamente a loira olhou para frente, avistando que a porta ainda se encontrava fechada. Eu estou ficando louca? — Alice, o que faz aqui? — prestando atenção, reparou que a voz vinha detrás de si.

A respiração tornou-se alta e a inglesa afundou novamente o rosto nas costas do urso branco, ofegando contra o mesmo. A tensão ainda era presente. As mãos apertaram os presentes e Alice fechou os olhos com força. Eu não quero vê-lo com outra pessoa. Apesar de encontrar-se de costas para aquele que chamara pelo seu nome, sua mente conseguia criar perfeitamente a imagem de um Francis acompanhado por uma moça bonita e de peitos grandes. Sequer tentando acalmar seus ânimos, seus pés arrastaram-se pelo pequeno quadrado, virando-a aos poucos para a outra direção. Todavia, foi preciso mais alguns segundos para que ela revelasse seu rosto.

— Alice? — o tom saiu preocupado. Apenas a voz do francês se mostrava presente, gerando a possibilidade de que ele estivesse desacompanhado. Quando a voz chamou-a, a loira afastou a face da pelúcia, erguendo o rosto em direção ao homem.

Quando os olhos verdes alcançaram a figura elegante, o coração deu uma pequena desacelerada. Francis encontrava-se com um cachecol vinho a envolver-lhe o pescoço, combinando perfeitamente com a roupa preta e os sapatos sociais marrons. Ele tem praticamente uma coleção desses sapatos. Francis gosta bastante deles. Os fios dourados estavam soltos, trêmulos devido à brisa gelada. Sua nuca coçou e retornou a direcionar o olhar ao chão.

— Eu vim aqui porque preciso conversar com você. — Comentou a jovem, ainda sem encará-lo.

— Não há nada para conversarmos. — A loira tentou não se abalar com o modo com que as palavras foram direcionadas a si, com seriedade e falta de interesse, porém sabia que merecia esse tipo de tratamento depois do que fizera.

— É claro que há! — Alice retornou a face ao francês, passando a descer os pequenos degraus azuis, juntando as sobrancelhas. — Nós não tivemos tempo para conversar naquela noite. E-e você não pode me dizer uma coisa daquelas e ir embora, Francis!

Mesmo que a poucos passos, conseguiu avistar que o outro também franziu o cenho.

— E por que eu teria ficado? Você já tinha dito o que queria, e eu não tinha a obrigação de continuar lá, ouvindo mais coisas que me magoariam.

O cozinheiro apertou os olhos e cruzou os braços, desviando o rosto para o outro lado.

Passos cautelosos aproximaram-se do homem, mas logo trataram de parar.

— É exatamente por isso que estou aqui — confessou Alice. — Eu quero me desculpar pelo que eu disse... — Ela fez um movimento que chamou a atenção para os presentes comprados. — Você tem razão em estar chateado comigo — continuou a dizer. — Fui insensível em relação aos seus sentimentos, sequer os levando em consideração.

Não obteve resposta. As poucas vezes que deparou-se com Francis magoado foram o suficiente para descobrir que um único erro era capaz de fazê-lo se afastar. Quando queria, aquele homem charmoso e de sotaque encantador conseguia ser cruel, beirando o limite, ao ponto de parecer outra pessoa. Para Francis ser tão frio era porque aquele ocorrido entre eles realmente o chateou. Eu não quero perdê-lo. Não o Francis... Ele foi diferente de tudo...

— Eu não sabia que estávamos namorando, Francis — ajeitou os presentes nos braços. — Você nunca me deu um sinal e nós nunca conversamos sobre o assunto. — Mordeu o lábio inferior, percebendo ao fim da frase que estava a colocar uma parte da responsabilidade de toda a situação no outro. Ele é a vítima. — Sinto muito por não ter levado seus sentimentos em consideração.

Alice encarou as flores que segurava, impossibilitada de mirar o francês mais uma vez. O silêncio voltou a envolver o local em que se encontravam, até que o som do bico do sapato marrom batendo contra o chão fez com que a loira encarasse a companhia. Francis soltou um suspiro, no entanto não olhou para a loira.

— Eu sei que nunca disse nada sobre isso, mas — outro suspiro. — Estava tudo tão óbvio. — O homem parecia estranhamente calmo, como se decidido em melhorar a situação entre eles. — Não achava que seria necessário falar que estávamos namorando, sendo que você era a única com quem eu fazia tudo.

Os olhos de Alice estavam bem abertos, em uma leve surpresa. Vocês franceses são complicados, pensou em dizer, contudo guardou tal frase para si. A loira encarou o grande urso que estava contra seu peito. Em inúmeras ocasiões ela rejeitou e foi rejeitada por amantes, passando por experiências ruins, contudo sempre soube lidar bem com tudo. Todavia, quando avistou Francis dando-lhe as costas naquela noite, pela primeira vez sentiu-se sozinha. Guiando seus olhos ao outro, avistou-o com estranha seriedade, e que não combinava com sua personalidade — alegre e assanhada. Eu quero vê-lo sorrir mais uma vez, apenas para mim. Tomando um pouco de coragem, retornou a dar passos em direção ao outro, relembrando de todo o trajeto que fizera até ali, no frio e pensando em tudo o que diria. Com certa dificuldade, entregou a ele o grande urso branco — que foi segurado com a mão esquerda — e a sacola com os chocolates, retornando a tomar uma pequena distância.

Com a mão destra, segurou a barra de seu casaco rubro, olhando para o chão rapidamente. Determinada, ajoelhou-se no chão, sentindo um leve desconforto no joelho por conta das pedrinhas que havia no solo. Aquele que antes mirava-a com seriedade ganhou uma expressão espantada e surpresa, por conta de sua atitude. Equilibrando-se, passou a segurar o buquê de rosas com ambas as mãos, mexendo o nariz levemente para cima na intenção de ajeitar os óculos sobre ele.

A loira ergueu os olhos, pronta para fazer a pergunta que veio ensaiando desde que terminara a compra dos presentes destinados ao francês.

— Você quer namorar comigo, Francis?

Os lábios finos se entreabriram, mas fecharam pouco depois, por não possuir palavras a serem ditas. Francis ergueu uma das sobrancelhas.

— Não está me perguntando isso para que eu a desculpe ou coisa do tipo, não é, Alice? — Sua voz não saiu irônica e nem cruel, mas receosa.

— Mas é claro que não. Eu estou aqui, ajoelhada no chão frio com a minha meia-calça nova, sendo totalmente sincera. — Reparou que ele tentou disfarçar o sorriso que surgiu brevemente em seu rosto. — Se vamos fazer isso, que façamos da maneira correta e com os dois sabendo disso. — A inglesa sentiu-se estranha ao proferir cada palavra que saia de sua boca. Nunca pedira ninguém em namoro e sempre recusou pedidos.

Um gentil sorriso surgiu, com o arzinho saindo pelas narinas, quando Francis cerrou as pálpebras. Os lábios rosados comprimiram-se novamente, assim como o cenho também foi franzido, ao assistir o loiro aproximando-se de si em passos lentos. O urso branco foi colocado entre o braço e o peito do francês, exatamente do mesmo modo com que Alice segurava-o antes. A mão enluvada foi estendida para sua pessoa, em um convite para que ela o segurasse. A jovem estranhou o silêncio. Imaginava uma reação completamente diferente. Pensara que o loiro riria, gargalhando ao ponto de jogar a cabeça para trás, considerando toda a sua atitude patética e rejeitando-a; pensara também que ele ficaria emocionado ao ponto de chorar e aceitá-la novamente.

Sem saber que outro tipo de reação poderia tomar, repousou sua mão na dele, sendo auxiliada a erguer-se do chão. Sem que tivesse a mão solta, foi guiada em direção a casa, subindo os mesmos degraus azuis e parando de frente para a porta de madeira. Separando as mãos, o loiro procurou pela chave da casa dentro do bolso do casaco, abrindo-a. Quando a porta foi empurrada para dentro, Francis deu dois passos para frente, porém Alice manteve-se parada, chamando a atenção de sua companhia. Os olhos azuis encararam-na.

— Você não respondeu minha pergunta — a loira moveu os olhos devagar. Alice queria ouvir, diretamente daquela boca a resposta que tanto aguardava.

O homem de olhos cerúleos engoliu em seco e pareceu momentaneamente perdido, logo esticando as comissuras labiais.

— Sim, eu aceito ser seu namorado.

Um largo sorriso cortou os lábios da inglesa e seus braços envolveram o pescoço de seu amante, abraçando-o forte. Sentiu a carícia ser retribuída e cerrou os olhos. Alice respirou fundo, deixando que seu nariz avermelhado tocasse entre o pescoço e o cachecol do homem. Ele cheira a lavanda. Afastando-se um pouco para trás, desfez o contato e sorriu por mais uma vez.

— Vamos entrar, eu quero provar esses chocolates. — O polegar enluvado deu uma leve acariciada em sua bochecha corada da jovem. — E você pode me ajudar a preparar o jantar.

A jovem de cabelos loiros assentiu, tendo sua mão novamente segurada pelo outro — agora namorado. Suas bochechas agora tomaram um tom mais avermelhado, e não era pelo frio que fazia. Adentrando na casa do francês, Alice sentiu pela primeira vez ali dentro a sensação de lar. Sua vida estava em ordem novamente.

Porém, ela continuava a odiar o Dia dos Namorados.


Notas Finais


[Ah, a moça que atendeu a Alice era a Anneliese (aka Nyo!Áustria)]

Espero que tenham gostado. Desculpem qualquer erro!

Bijins 💖💖💖😙😘


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