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História Eu posso ser essa pessoa para você - johnlock - Capítulo 2


Escrita por: Irene__Adler

Capítulo 2 - Capítulo 2


Sherlock tinha ouvido direito? John tinha mesmo acabado de lhe propor aquilo? 

O detetive ficou em silêncio encarando o médico com os olhos vidrados. Foram apenas alguns segundos, mas para John pareceram horas, de modo que ele ficou com medo de ter quebrado o amigo de alguma forma. Estava prestes a se manifestar, quando Sherlock pestanejou rapidamente e voltou do que pareceu ter sido um transe.

- John, pelo que entendi sua viagem foi um tanto estressante, como pode ter voltado assim tão espirituoso? - Perguntou com um sorriso nervoso.

- Acha que estou brincando com você, Sherlock? 

- Você não pode estar falando sério!

- E por que não?

- Bom, pra começar, você é o primeiro a ficar justificando aos quatro ventos que não é gay sempre que alguém sugere que há algo entre nós!

- Sobre isso, eu estou tentando lidar... A terapia tem me ajudado… E você deve ter observado que não me dou mais ao trabalho de negar essas insinuações há muito tempo.

Sherlock estaria mentindo se dissesse que não notou o exato dia em que, pela primeira vez, John não negou que eles eram um casal, mas mesmo assim, foi o que ele fez.

- Ah, eu não tinha percebido, mas agora que você mencionou… Mas espera! Então quer dizer que você é gay?

- Acho que sou bissexual.

- Você acha?

- Bom, não é de hoje que tenho plena consciência de me sentir atraído por mulheres e… também por homens.

- Se tem plena consciência, então por que ainda tem dúvidas? - O detetive questionou se aproximando de maneira intimidadora.

- Sei que pra você é tudo “preto no branco” e as coisas são simples e pragmáticas, mas pra mim não é. Eu só quero entender algumas coisas antes de me definir com um rótulo tão fixo - John respondeu se sentindo um pouco acuado de repente.

- John, por favor. Você não é mais nenhum adolescente em fase de descobertas e sim um homem de mais de quarenta anos! Não acha que já teve tempo demais para entender isso? - O detetive riu com ironia.

- Ora, pois para mim todas as fases da vida são fases de descoberta. Só paramos de aprender quando morremos e eu me sinto bem disposto, então acho que ainda tenho muito tempo para descobrir e experimentar coisas. Além disso, o fato de eu ter atingido maturidade para questionar minha sexualidade sem auto julgamentos justamente neste momento, é porque tinha que ser agora. Trata-se do acúmulo e resultado das minhas vivências particulares. Coisas que só dizem respeito a mim. Mas é melhor esquecermos essa conversa. 

E ao dizer isso, John se virou e saiu andando em direção às escadas que levavam ao seu quarto. Já tinha se arrependido até o último fio de cabelo de ter dado início a esse assunto e agora se sentia derrotado e patético. Porém, antes que se afastasse muito, ele sentiu a mão fria de Sherlock segurar seu pulso e forçá-lo a estacar no lugar onde estava. 

- Desculpe John, mas não estou a fim de esquecer essa conversa. 

E quando olhou para trás, Watson encontrou os dois olhos azuis do amigo o encarando com grande determinação. Depois disso, ele sequer teve tempo de pensar no que dizer ou em como reagir, pois no segundo seguinte já estava sendo conduzido por Sherlock até sua poltrona na sala.

- Você foi honesto comigo e acho que eu não soube conduzir muito bem, então as coisas acabaram tomando um rumo ruim, mas eu quero recomeçar, se você concordar - O detetive continuou em um tom complacente e, depois de acomodar o médico em seu lugar, tomou seu posto na poltrona da frente, uniu as mãos sob o queixo e o encarou  de volta, como se o desafiasse a falar.

- Ah, o que você quer de mim? - Não era comum que Sherlock pedisse desculpas, admitisse seus erros e, muito menos, soasse tão compreensivo assim e John se sentiu um tanto desconcertado com isso.

- Pode começar dizendo como isso vai funcionar? Acho que precisamos definir algumas regras e alinhar as expectativas, certo? 

- Regras? Do que você está falando?

- Oras John, da sua proposta! Você me propôs algo muito específico há pouco, não pense que me esqueci! - O detetive respondeu com um sorriso maroto.

- Espera, então você desdenha das minhas motivações e agora me diz que está disposto a aceitar? - John quase engasgou com a pergunta.

- Me dá um desconto, John! Você há de concordar que foi uma proposta um tanto inesperada. Eu fiquei sem reação e quando fico na defensiva, acabo humilhando as pessoas para me sentir no controle. Você bem sabe. Mas agora que já tenho esse controle de volta, posso continuar a conversa. Devo dizer que pensei a respeito e, considerando praticidade e logística, acho que sua proposta seria bem conveniente.

- Conveniente - John repetiu num tom ébrio como se analisasse o significado da palavra.

- Sim! Eu disse que preciso de alguém em quem confio e, bem… Não existe ninguém em quem eu confie mais que você. Além disso, você mora aqui, logo é muito mais fácil para te encontrar e eu também não precisaria mais me preocupar em te evitar para receber um acompanhante ou me deslocar para o outro lado da cidade para encontrar um deles. Em suma, somando todas essas facilidades, o resultado é que poderíamos ter sexo com muito mais frequência - E Sherlock disse essa última parte de forma entusiasmada, como se fosse uma criança que acabou de vislumbrar a possibilidade de ganhar mais sorvete.

Minutos atrás John havia encarnado a ousadia em pessoa quando propôs tal experimento ao detetive, mas agora não poderia acreditar na casualidade com que Sherlock defendia os prós daquilo. Ele tentava demonstrar uma postura tão objetiva quanto a dele, mas sabia que estava falhando miseravelmente. Na verdade, ele podia jurar que estava mais vermelho que o forro da poltrona em que estava sentado. Contudo, ele precisava recuperar a calma e responder alguma coisa, caso contrário Sherlock poderia achar que ele estava hesitando. Então ele limpou a garganta e voltou a falar:

- Sim... Quero dizer, é isso. Praticidade, logística, constância. Também foi nesses pontos que pensei - John achou que o melhor a fazer era concordar com o amigo, muito embora ele soubesse que suas intenções com tal projeto não fossem assim tão objetivas quanto as dele. Deus, onde ele estava se metendo?

- Perfeito! Então, regras?

- Regras.

- Bom, acho que a primeira coisa que devemos alinhar é o coeficiente entre necessidade x disponibilidade. Devo lhe dizer que eu não estarei disponível para te ajudar com isso enquanto estivermos em meio a um caso. Não quero me distrair. Porém, no final dos casos eu sempre vou precisar muito, muito de você. Em outros momentos estarei à disposição e também posso te procurar. Acho que não tem porque pouparmos oportunidades quando temos a conveniência de morarmos juntos. 

- De acordo. Eu não poderei te ajudar depois dos plantões, porque fico exausto e inútil e nem nos dias que estarei no King’s trabalhando na minha tese. Tirando isso, em geral estou livre. - John não conseguia acreditar em como tudo estava escalando rápido e cada vez se tornava mais palpável.

- Acho justo. Ah, John, acho importante você saber que estou inclinado a ser o passivo, mas às vezes preciso ser o ativo. Pode lidar com isso? - Questionou com olhar de desafio.

- Perfeitamente! -  E John surpreendeu até a si mesmo com a rapidez e convicção com que havia respondido - Também acho que isso tem de ficar apenas entre nós. Não devemos mencionar para mais ninguém que damos esse tipo de “suporte” um ao outro - O médico riu tímido.

- Compreensível. Envolver outras pessoas costuma levar a dramas e insinuações desnecessárias, o que nos leva a um terceiro ponto que vale reforçar: Não estamos em um relacionamento, então o que acontece durante o sexo, fica lá. Fora deste contexto não serão permitidas aproximações além das que já costumamos ter. Além disso, cobranças e questionamentos típicos de relacionamentos, como cenas de ciúmes, por exemplo, serão totalmente intoleráveis, mas não acredito que isso será um problema.

- De acordo - John teve de olhar para baixo para responder.

- Só quero saber mais uma coisa, John.

- Qual?

- Para mim é natural aderir a isso. Uma rotina de sexo por sexo, apenas para resolver necessidades químicas e biológicas sem o desgaste e as cobranças de uma relação romântica. Mas você não é assim. Você gosta de estar em relacionamentos, então porque me propor isso, ao invés de buscar sexo dentro de um relacionamento como sempre fez? 

Pensa rápido John, pensa rápido!

- É que construir um relacionamento demora e ainda tem a manutenção depois… Com a minha tese, a especialização, meus turnos no Bart’s e os casos, bem… Eu acabo não tendo muito tempo, nem disposição pra isso. Acho que não estou em um bom momento para relacionamentos. Mas ainda preciso de sexo e é isso - Bingo John! Argumento impecável!

- Parece que você me entende afinal.

Um silêncio aparentemente confortável perdurou entre eles por alguns minutos e Sherlock  desviou o olhar de John para focar em uma estreita faixa de sol que atravessava a sala. No meio dela, era possível ver centenas de flocos de poeira dançando na luz. Pareciam planetas e corpos celestes em uma faixa luminosa do universo e o detetive se deixou perder em pensamentos. Desde que John havia implicado com sua falta de conhecimento sobre o Sistema Solar, o mais novo passou a nutrir um secreto interesse por coisas do espaço. Até onde ia a influência do médico sobre si? Que outros aspectos ele poderia fazê-lo mudar de ideia e o quanto isso deveria preocupá-lo?

- Bom, então já está valendo?

- Hum? - Sherlock perguntou voltando de seus devaneios.

- Já está valendo? Acho que só faltou alinharmos isso, quando exatamente podemos começar? 

- O Doutor está com pressa? 

Aquele sabichão desgraçado.

- Se me lembro bem, foi você quem disse que não havia motivos para pouparmos oportunidades quando temos a conveniência de morarmos juntos. - Deus do céu, John Hamish Watson, quem é você?

- Rápido e preciso - Sherlock respondeu com um sorriso afiado -  Ok John, esse ponto você marcou e o seu prêmio é o benefício da decisão. O que você quer fazer agora?

O médico levantou sem desviar os olhos de Sherlock e com apenas um passo já estava em pé na frente dele. Apoiou o Joelho entre as pernas do detetive, pousou as duas mãos sobre ambos os braços da poltrona, inclinou o corpo até estar com a boca na altura de seu ouvido e sussurrou:

- Eu quero te chupar.


Notas Finais


Gente do céu, eu não faço ideia de pra onde essa história está me levando, ela só está saindo. Mas digam, o que vocês estão achando? Até breve =)


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