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História Eu sei - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Realidade.


“A noite acabou, talvez tenhamos que fugir sem você”




— Ele não está relaxado, idiota. Está gravido.

Malia bradou impaciente. Toda aquela situação em que haviam-na arrastado já estava lhe estressando, já estava de saco cheio para lidar com enrolações dos outros.

As palavras da coiote atingiram o rapaz como um acoite. Deixando vergões em sua pele. A incredulidade e o choque. Ele desviou os olhos da amiga e encarou Derek; que acanhado evitava lhe encarar a todo custo, bem diferente do lobo azedo e cheio de si que conheceu na preserve há alguns anos. Stiles abriu e fechou a boca, buscando algo para dizer, mas encontrava-se estranhamente mudo. Estava até sentindo uma tontura, enquanto era engolido pelo silêncio estranho.

Stiles se assustou com a própria risada. E continuou a rir, olhando de Derek para Peter, tentando participar da piada.

— É piada. Não é? — Ele olhou em volta. Fitando os três rostos. A risada se perdendo no furioso silêncio.

— Não. Stiles. — Malia replicou. E a raiva que sentia, por ser ela a explicar, era quase palpável. — E antes que você pergunte quem é o pai ou a mãe, e eu soque sua cara como resposta, é você. O pai.

Ela conclui. Se sentindo bem mais leve. Ignorando completamente o olhar severo de Peter, pelo jeito bruto de ter abordado o assunto. Um assunto tão delicado.

Os olhos de Stiles só não soltaram das órbitas, passaram a quicar pela e sala, e logo retornarem para os locais de origem, pois era impossível mesmo. Sua boca estava escancarada, podia jurar que faltava muito pouco para tocar o chão. Sentiu a tontura mais forte e intensa, a ponto de sua visão escurecer e suas pernas amolecerem. Stiles agradeceu de coração por Malia voltar a espremer seus ombros. Sua mente estava travada, incapaz de pensar em algo que não fosse a impossibilidade.

Ele tornou a ficar seus olhos na barriga saliente de Derek, enquanto era amparado por Malia. Tinha mesmo um bebê se desenvolvendo ali dentro? Um bebê seu e dele? Como-diabos.

Seu cérebro parecia possuir engrenagens de dentes diferentes fazendo força para se encaixarem e tentarem girar. Homens, ele repetia mentalmente, SOMOS HOMENS. O Stilinski estava se controlando para não hiperventilar, era visível. Ele respirou profundamente, guardando um pouco de ar nos pulmões e só então fitou a própria barriga com os olhos arregalados.

— homens podem engravidar, mesmo?! Acho que estou grávido... — o castanho murmurou para si mesmo, alisando a própria barriga por debaixo da camisa. — andei um pouco inchado nesses últimos dias e minha barriga fazia barulhos estranhos. E agora tenho certeza de que algo se mexeu..— Ele murmurou por fim apavorado. Se lembrando de um vídeo que olhou uma vez na internet. Onde um bebê se mexia, empurrando a barriga da mãe, como se fosse rasga-la. Ele não queria aquilo.

Stiles lançou um olhar de pavor para a Tate, por cima dos ombros. Ela que se limitou a revirar os olhos para a idiotice do rapaz.

— São gazes. — Peter sugeriu com um grunhido entredentes. E viu o rosto de Stiles se contorcer numa careta. — você é um humano normal, Stiles. Se bem que normal não se encaixa a você... — o mais velho sorriu ladino.

— o que quer dizer? — Stiles ignorou a provocação do lobo e focou na informação.

— ele engravidou por ser um lobo. E seu corpo foi, de certo modo, modificado para gerar o feto do seu companheiro durante o cio. Você é como a maior parte dos homens, só serviu para doar o sêmen…

A naturalidade com que Peter falou quase assustou o Stilinski, se não fosse uma tentativa para alfineta-lo. E deixara Derek irritado, mal-humorado, eles estavam soltando tudo para Stiles. Passando por cima da sua vontade. Ao menos era ele quem deveria estar contando todas aquelas coisas. Algumas bem íntimas.

— companheiro?! Tipo… C-o-m-p-a-n-h-e-i-r-o-s

Stiles balbuciou pausadamente incrédulo, encarando o moreno. Que pela primeira vez ousou lhe encarar nos olhos. Um olhar culpado.

— Nos sequer éramos namorados, certo Derek? Quem dirá companheiros.

O castanho deu alguns passos a frente, e não se importou nenhum pouco em usar o seu tom ressentido.

— … Eu, desculpe... — Foi o que o moreno conseguiu dizer fitando seus pés descalços.

Não conseguia encarar aqueles olhos cor de âmbar por muito tempo. Não sem sentir uma imensa e sufocante culpa. Sabia que não devia ter sumido sem se despedir do rapaz, não sem dar um bom motivo para ele sequer pensar em segui-lo. Ainda acreditava fielmente que partir era o certo a ser feito no momento. E também queria muito esganar seu tio por mais uma vez fazer uso daquelas palavras. Estava muito desesperado para ter ido buscar abrigo ali, com ele.

— isso não é bom para o filhote, é? Essa irritação do Stiles com o Derek? Ele já estava, hã... Você sabe. — Malia inquiriu encarando o Hale mais velho, ao seu lado, de soslaio. Um tanto nervosa, aqueles dois estavam lhe deixando assim mais uma vez.

— Derek merece uns puxões de orelha. — Peter balbuciou encarando a mais nova de canto dos olhos, tentando não se incomodar tanto com a movimentação repentina. — Ele sabia muito bem que um lobo grávido precisa do parceiro ao seu lado. Mas não. Ele é cabeça dura demais, por isso está com essa aparência de noiva cadáver. E você sabe bem o que ele tinha em mente... — concluiu, com um olhar vago e sombrio.

A coiote assentiu lentamente. Sem se arrepender nenhum pouco de ter estragar o plano de primo, de se manter as escuras.

— É tudo o que tem a dizer? — Stiles ladeou o sofá e se pós ao lado do moreno. Ousou tocar o braço do logo e o balançou, fazendo com o que ele lhe encarasse. — por que me escondeu isso? De mim…

Ele murmurou irritado. A ficha ia lhe caindo aos poucos. Mas a irritação, por ter sido deixado de lado, estava mais presente do que o peso da responsabilidade. Do que a ideia do lobo estar grávido.

— Eu não podia contar, Stiles. — o moreno resmungou. Os olhos estavam inquietos e continuavam com a mesma humidade de minutos atrás, como se a qualquer momento fosse fluir.

— Como assim não podia contar? — o Stilinski esbravejou insatisfeito. — Andou fumando acônito com maconha?? O que te impedia?

Ele insistiu. Controlando-se para não sacudir o homem pelos ombros até ele entender as coisas.

— caramba Stiles. É tão difícil assim de entender? — o Hale resmungou, mal-humorado, irritadiço. Piscando algumas vezes, tão logo sentiu o líquido quente escorrer em suas bochechas. — Você é um adolescente. Não sabe o que é o peso da responsabilidade de uma vida nos ombros. Eu até pensei em ti…

Como um chicote rompendo o ar, um estalo ecoou apartamento adentro, reverberando pelos quatro cantos. Um silêncio se instalou, enraizando-se nos pilares do local. O vento vindo da varanda e as respirações descompassados eram as únicas as coisas audíveis, para um humano normal.

Uma mistura de cheiros empesteou o ar. Uma mistura nociva de ansiedade, decepção, medo, raiva e ressentimento.

Stiles encarava o mais velho com um olhar magoado; sua reação fora imediata, incontrolável e irracional. Não suportaria ouvir a palavra, a ideia personificada, sair da boca de Derek.

Derek o encarava fixamente. Sem reação. A mão colada ao rosto. Que ardia feito brasa.

Peter deixou um longo assovio escapar. Segurava Malia pelo cangote, que tentava se aproximar. Observando o sobrinho massagear o rosto e Stiles por a mão na boca, ao perceber o eu fizera.

— Vamos deixar o casalzinho a sós..

O louro murmurou coçando na nuca. Se virando para a garota, que insistia em se aproximar.

— Malia. Vamos!

— ir? — A coiote perguntou, como se estivesse ofendida. — Nem pensar! Vou assistir essa roupa suja ser lavada, parece que vai ficar animado e…. Peter, desgraça, me solta.

Peter a agarrou pelo braço e a puxou para fora do apartamento, ignorando os tapas que recebia nos braços e os praguejos. Algo que fora ignorado pelos outros dois, que focavam na imagem a sua frente.

— tem noção do que acabou de pensar em dizer? — O Stilinski balbuciou com a mão rente a boca. — Você é muito egoísta Derek Hale….

Stiles pontuou. Seus olhos arderam pois sua mente inquieta concluirá a frase do lobo e repetira e continuava a repetir. E imaginava a cena, perfeitamente detalhada. E não se arrependida do ato. Pelo contrário, deveria ter socado aquele queixo fodidamente quadrado e barbeado, e feito-o morder a língua.

— Stiles... Entenda. — o moreno suspirou, mordendo a parte inferior do lábio. Sua cabeça doía e as pernas também, estava a ponto de ceder. Sua vontade era de se deitar na cama e enfiar-se debaixo de três camadas de edredons, até que tudo passasse. — Você mal terminou o ensino médio. Tem toda uma vida e planos pela frente. Eu não tinha o direito de simplesmente chegar e jogar um bebê no seu colo.

Ele explicou agoniado, levando a mão esquerda ao pulso e o coçando. Vez ou outra trocava o peso do corpo para a outra perna. Os dois corações em seu corpo pareciam estar em ressonância, batendo acelerados.

— Poderia sim. — Stiles afirmou, com uns movimentos exasperados de mão. Para ele, aquela era uma desculpa chula. — Os planos mudam, Derek.

— Pra você é tão fácil falar. — Murmurou o Hale. Sua mão pousou inconscientemente na barriga, acariciando-a de leve. — você fala isso agora. Mas não é assim tão Simples.

— Pode até não ter simples, nada nessa cidade é simples, Derek. Não era uma decisão que você tinha que tomar sozinho. — Stiles afirmou, dando mais um passo a frente. Pondo-se bem a frente do homem. Observando a mão deslizar onde um dia estiveram gomos. Estava tentando a acariciar também. — um filho é algo maravilhoso... Quando não está atentado.

O Stilinski murmurou risonho. Enquanto se agachava bem a frente do moreno, deixando-o atónito.

— tudo é brincadeira para você? Isso é sério! — Derek balbuciou mal-humorado, visando o sorriso largo do mais novo.

— Nem tudo. Eu gosto de você, já deixei claro isso centenas de vezes. Amo-o. — Stiles afirmou com todas as letras, fazendo o homem arfar, tocando-lhe a barriga. Estava levemente dura, a pele quente como ele lembrava. Quando seus dedos roçaram nos do moreno, fora como se eletricidade percorresse seus corpos, ligando-os. — E tenho quase certeza que você ao menos gosta um pouquinho de mim.

— é bem mais que o pouquinho!

O moreno confirmou, umedecendo os lábios. Sentindo seu coração falhar uma ou duas batidas, enquanto via o humano se erguer, o corpo perigosamente perto do seu. Odiava-se por ver que estava a prestes a deixar todo o seu plano escorrer pelo ralo na primeira oportunidade, enquanto fitava aqueles lábios e os olhos cor de âmbar. O rosto pontilhado...

— porque fugiu de mim? Nós podíamos ter dado um jeito. Diálogo em primeiro lugar, seu tapado.

O castanho Indagou. O encanto logo se tornou a mágoa de antes.

— Eu já falei Stiles.

Derek balbuciou, sem querer se aprofundar muito no assunto. Aquilo só deixava o rapaz mais chateado e ele desesperada.

— Você é a droga de um lobo covarde! — Stiles disse-lhe, vendo o moreno abaixar a cabeça. — É a sua cara fazer algo do tipo, fugir, isso não cansa você? Por que tenta estragar tudo, sempre que começa a se sentir bem? Sempre que se vê entrosado e próximo a um grupo, sempre quando está formando algo sólido. Como o bando, uma família. Chega de fugir Derek, acabou.

O castanho soltou numa lufada de ar o que estava preso à um tempo em sua garganta. Quando enfim liberou toda aquela tensão as lágrimas lhe vieram. Em meio ao embaço viu o corpo do lobo tremer em meio a um choro, cujo os soluços eram esganiçados e sentidos, como choro de criança. Stiles viu-o vacilar e o amparou, segurando-o por debaixo dos ombros. Arquejando com o peso. Stiles o abraçou, sentindo o rosto do Hale se encaixar em seu pescoço; depositando os grunhidos ali. Sua camisa absorvia o líquido salpicado que fluía dos olhos do homem, enquanto movia os lábios em sua pele, murmurando pedido de desculpas.

Stiles o puxou lentamente e o fez se sentar no sofá. Fazendo o mesmo, bem ao lado do homem. Já que o Hale estava aninhado em seu braços e o prendendo naquele abraço. E o rapaz não soube de aquilo era bom ou ruim. Se era uma reconciliação. Suspeitava de que a atual condição de Derek fazia emergir aquele lado que ele fazia questão de esconder. Stiles deixou-o assim por um tempo, se mantendo em silêncio, até que o Hale se acalmasse; afinal estava presenciando uma parte do Derek que ele pouco mostrava.

— Derek... — Stiles sussurrou depois um tempo. — Você está bem? — Seus dedos percorriam o dorso amorenada do lobo, que rodopiava por boa parte da pele.

Derek assentiu brevemente. Não queria, mas a contra gosto se moveu em recuo.

— Estou. — Ele fungou, recuando minimamente. Mordendo a parte interna da bochecha.

Stiles olhou a expressão receosa do homem, perdendo-se um pouco naqueles olhos esverdeados.

—Tu quase caiu. — O castanho riu baixinho…

— Você não viu nada. — O moreno tentou ameaça-lo, recuperar um pouquinho do seu orgulho. — Só preciso de um copo d’água. — Ele murmurou sem jeito.

— Ok… — Stiles assentiu. Tendo dificuldade para se desvencilhar dos braços do lobo. Olhando em volta, totalmente perdido naquele apartamento. — onde fica a cozinha desse lugar?

Derek apontou para um corredor ao lado. E viu o jovem caminhar apressado rumo ao cômodo. Em seu peito batidas afoitas eram desferidas em suas costelas. Estava satisfeito e grato, feliz, pela presença do rapaz. Experimentando pela primeira vez, em meses, a sensação de plenitude. Sentindo, mesmo que um pouco, o quão ridículo e egoísta era aquela sua ideia.






Notas Finais


E é isto.


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