História Eu Sou Alice - Capítulo 24


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Categorias Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland), Bangtan Boys (BTS), EXO, Girls' Generation, Zico
Personagens Absolem, a Lagarta, Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Jeon Jungkook (Jungkook), Jessica, Jung Hoseok (J-Hope), Kai, Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Kris Wu, Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais, Taeyeon, Tiffany, Xiumin, Yuri, Zico
Tags 2jin, Alice, Chapeleiro Louco, Coelho Branco, Fantasia, Gato De Cheshire, Hopega, Hoseok, Jeongguk, J-hope, Jimin, Jin, J-suga, Jungkook, Kidoh, Lebre Maluca, Namjin, Namjoon, País Das Maravilhas, Rainha De Copas, Seokjin, Sobi, Sope, Suga, Sugahope, Taegi, Taehyung, Vmin, Wonderland, Yoongi, Yoonmin, Yoonseok
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Palavras 6.423
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Ficção, Lemon, Luta, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


quarta já é fds?
KKKKKK FINALMENTE EH ATUALIZAÇAO E NAO TROLL NEM AVISO, a nossa hora chegou ne

boa leitura

Capítulo 24 - O Livro de Alice Liddell pt. II


A próxima história é a do Coelho Branco.

Em seu retrato, ele sorri como se nada fosse capaz de fazê-lo infeliz. As bochechas levantadas fecham seus olhinhos consideravelmente, fazendo com que  ele pareça um tanto vesguinho com suas íris vermelhas; os dentinhos da frente, grandes, sobrepõem-se aos outros enquanto os lábios rosados estão abertos, a pintinha no inferior ganhando destaque por estar mais à mostra.

Yoongi gostaria de lembrar-se dele assim, para sempre; bloqueando as lembranças da batalha sangrenta em sua mente. Bloqueando as imagens de Jeongguk ferido, de suas roupas brancas manchadas de vermelho carmesim e a expressão de dor no rosto bonito. Quer ter uma recordação boa do garoto, como a daquele último sorriso que ele deu, em agradecimento a Yoongi por libertá-lo. O loiro suspira.

Quando submerge na história do híbrido de coelho, vê uma cena cotidiana de uma família feliz. Sua primeira infância é em meio a uma família normal da classe média, diferentemente de Taehyung. É um dia frio e neva do lado de fora da casa. Todos se reúnem na sala da residência, um cômodo que parece pequeno demais devido à quantidade de híbridos que abriga.

De imediato, Yoongi não percebe que Jeongguk é diferente de todos. Os pais dele tiveram uma prole e tanto; sete meninas e onze meninos, incluindo Jeongguk. Ao que parece, ele tem cerca de quatro anos e é o mais novo: o menorzinho, o mais magrelo, e o que parece atrair mais a atenção de sua mãe, embora a híbrida saiba bem como distribuí-la por entre todos os dezoito filhos.

Ela está sentada próxima à lareira acesa, numa poltrona, tricotando o que parece ser um cachecol de lã escura. A madeira geme e estala consumida gradualmente pelo fogo, e volta e meia a mulher, vestida em roupas simples e confortáveis, supervisiona as crianças em suas atividades. O pai, que ainda usa vestes de frio um tanto quanto úmidas — ele devia estar, até pouco tempo antes, do lado de fora, em meio à neve — joga mais lenha recém cortada no fogo e o cheiro quente da madeira de ébano queimada chega ao olfato de Yoongi em seu quarto, bem como o aroma gostoso de pão sendo assado em outro cômodo.

Cinco das meninas estão reunidas num canto da parede próximo à poltrona da mãe. A mais velha está recostada na parede de tijolos e tem no colo um livro grande e todo ilustrado. As quatro irmãs a seu redor prestam atenção nas figuras, com os olhinhos brilhando interesse, enquanto as orelhinhas negras estão voltadas para a maior lhes conta a história em voz alta. Enquanto isso as outras duas — as menores, que parecem ser gêmeas —, fazem algum tipo de brincadeira batendo as palmas no canto oposto da sala.

O híbrido adulto bate as mãos após alimentar as chamas e senta-se em sua poltrona em frente à esposa, o olhar fixo no fogo. Atrás dele, os garotos são barulhentos. Seis deles correm pela casa, brincando de pega-pega, enquanto os outros quatro estapeiam-se no chão, trocando socos fracos e brincando de lutinha.

Jeongguk é o único isolado, sentadinho atrás da poltrona da mãe. É quando o Min repara: o fato que estranhou desde quando o conheceu, presente desde a infância, é o que o difere de todos os seus irmãos — e talvez tenha algo a mais por trás disto. Jeongguk é o único da prole que tem as orelhas brancas como a primeira neve que chega após o outono para dançar com o vento. Todas as outras crianças, tanto as meninas como os meninos e até mesmo seus pais, possuem as orelhas negras, tal qual os cabelos.

— Jeongguk? — A mãe lhe chama. O pequeno para de brincar com os próprios dedos e engatinha, ajoelhando-se apoiado no braço da poltrona da mãe. — Por que não está brincando com seus irmãos?

— Queria brincar lá fora. — A resposta é um sussurro baixo, e ele franze o nariz, fazendo bico com o lábio inferior.

Sua mãe ri, soltando as agulhas de tricô sob o colo. Ela lhe faz um cafuné, sorrindo para o pequeno híbrido.

— Poderá brincar lá fora na neve quando o vento diminuir.

— Eu gosto da neve. É igual à pelagem das minhas orelhas.

— Sim, querido. Elas são brancas como a primeira neve. E como as nuvens mais fofas. E como o algodão mais puro. — Ela diz numa voz doce, mas o sorriso da mulher diminui à medida em que seu olhar encontra, lenta e pesarosamente, o de seu marido.

Ele andava assistindo à cena com um meio sorriso, contudo apenas desvia os olhos para a fogueira novamente. A mulher suspira.

O irmão mais velho, que parece ser o primogênito a julgar por seu tamanho e já tem na voz a oscilação característica da puberdade, chega à cena puxando a orelha esquerda de Jeongguk, recebendo da mãe um olhar reprovador que ignora com facilidade.

— Por que não está brincando com a gente? Por que gosta de se isolar?

— Eu só queria brincar com a neve. — Jeongguk fala ainda calmo, porém afastando-se do irmão e, consequentemente, da mãe.

— Brincar com a neve? — O primogênito espia por cima do ombro, olhando pela janela em direção ao quintal. Está tudo forrado de branco, e as árvores se curvam com o peso das correntes violentas de ar. — Nesse vento? Você é esquisito.

— Não sou!

Ele se aproxima e cutuca o mais novo na barriga, logo mudando de ideia e lhe dando um beliscão.

— É sim. Sempre foi, desde que nasceu, a começar por essas suas orelhas. Pode ser o queridinho da mamãe agora, mas sabia que no começo ela nem gostava de você?

— Jooheon, pare já com isso! — A mulher se levanta, indo até eles, mas já é tarde demais.

Yoongi sente a revolta em seu próprio peito e aperta as páginas velhas do livro entre os dedos. A essa altura, Jeongguk tem lágrimas brotando dos olhinhos — e só então o Min percebe — negros.

Suas íris não eram vermelhas?

— Você é um irmão mau! Eu queria que você queimasse, igual a lenha da lareira.

— Querido, não diga esse tipo de coisa. As palavras machucam, e você nunca pode retirá-las uma vez que as permite serem ditas. — Sua mãe se aproxima e segura em seu ombro, fitando-lhe com preocupação. Logo, ela lança um olhar feio ao mais velho. — Vá para o seu quarto. E não saia de lá até eu chamá-lo para o jantar.

 

 

Naquela noite, após o jantar, tendo Jooheon se desculpado com Jeongguk e vice-versa na mesa de jantar, a família vai toda dormir. Tudo parece estar em paz e tranquilidade. Todas as crianças dormem num quarto só, que é o maior cômodo da casa: grande o suficiente para acomodar as fileiras de beliches. A noite está calma, até que uma das gêmeas decide ir à cozinha beber água. Ela dorme na cama de cima do beliche que divide com sua irmã gêmea, e como é nova e espevitada, acaba por fazer o maior barulho quando desce, acordando a todos no cômodo. As crianças resmungam, irritadas por terem seu sono interrompido.

Saltitando, a pequena híbrida abre a porta com um ruído — provocando um coro generalizado de grunhidos infelizes e sonolentos — e, sorrindo travessa, sai do quarto.

Dez minutos depois, ela ainda não retornou. Sua gêmea se levanta num salto, acordando novamente os poucos que haviam conseguido voltar a dormir, e anuncia:

— Eu vou lá ver por que Seohyun ainda não voltou.

Decidida, ela veste as pantufas e sai batendo os pezinhos sobre o carpete, os tuf, tuf abafados porém ainda presentes fazendo seus irmãos e irmãs revirarem-se na cama, incluindo Jeongguk.

Ela também não volta.

O próximo a se levantar é Jooheon, o primogênito. Ele calça as pantufas e se espreguiça, soltando um palavrão.

Comandadas por Jooheon — que bem que preferia que as crianças ficassem no quarto mas, visto que já estão todos despertos, acaba por organizá-los todos para uma incursão na cozinha —, as crianças andam pé-ante-pé pelo corredor. Um passinho de coelho atrás do outro, para não acordar o papai e a mamãe, é o que o mais velho lhes diz. Ele caminha à frente pelo corredor, entretanto para de repente. Se vira com um olhar alarmado, o dedo indicador sobre os lábios indicando que as crianças façam silêncio. Jeongguk passa rapidamente por eles até colocar-se ao lado do irmão mais velho, segurando firme nas roupas dele em busca de proteção. Por causa do que seus olhinhos de azeviche vêem, Yoongi entende o motivo de as gêmeas não terem retornado, e o que alarmou o primogênito.

As gêmeas estão encurraladas na porta da cozinha, extremamente quietas, encolhidas juntinhas e observando a movimentação estranha na sala. É a silhueta de um homem, só isso que conseguem ver no breu do cômodo — a sala é o ambiente mais escuro, já que a cozinha está iluminada pelos lampiões que provavelmente Seohyun acendeu. O homem parece ter chegado ali depois dela, e por pura sorte não viu as duas garotinhas na entrada da cozinha, seus corpos pequenos fazendo uma sombra rala sala adentro.

O homem acende um fósforo e deixa cair no chão. Por um milésimo de segundo, Yoongi pensa que a pequena chama na ponta do palito se extinguiu, mas de súbito o carpete pega fogo, assim como as poltronas e as cortinas. As chamas se alastram num piscar de olhos e a sala se acende com o grito agudo das crianças, as gêmeas correm para a proteção do grupo e Jooheon dá alguns passos na tentativa de confrontar o homem, mas devido ao fogo, ele hesita. Não deve ter mais que catorze anos, afinal. O homem pula pela janela da sala e vai embora.

E é aí que a confusão começa.

O primogênito ergue Jeongguk em seu colo e o entrega para a irmã maior, mandando os garotos irem buscar água na dispensa e as meninas acordarem os pais. No entanto, a divisão do plano é quebrada quando o pai chega à cena, provavelmente tendo sido acordado pelos gritos das crianças.

— As janelas dos quartos e da cozinha estão bloqueadas por causa da neve. A direção do vento não foi justa conosco mais cedo e a única saída não bloqueada era a janela da sala. — Ele suspira, tentando evitar que o pânico em seus olhos esteja presente na fala. — Leve seus irmãos para o quarto e tome conta deles. Eu e sua mãe vamos apagar o fogo.

A híbrida logo chega, com os galões na mão. Jooheon leva todos para o quarto, mas ficam espiando na entrada. Assim que ela abre o galão, o pai das crianças tenta avisá-la, mas é tarde demais: ela joga álcool puro nas chamas e estas só fazem aumentar, alimentando-se de suas roupas e da pele de seu braço. Ela grita, e o marido a puxa para trás.

— Aquele homem trocou nossa água por álcool. — Jooheon constata, a voz oscilando. Ele se vira para o quarto, em busca de alguma ideia para saírem daquela situação, até que seu olhar estaciona na janela bloqueada pela neve.

O calor está começando a se tornar insuportável. Ele corre até a janela e abre, uma grande quantidade de neve cai para dentro do quarto.

— Venham cá! — Chama os irmãos. Separa os garotos mais velhos com a mão e os ajuda a carregar a neve, mandando-os para os pais.

Sua ideia é ajudar a apagar o fogo ao mesmo tempo em que tentam abrir uma passagem para saírem pela janela caso não consigam salvar a casa.

O plano dá certo por um tempo e seus pais conseguem conter as chamas. Entretanto, a quantidade de neve cobrindo a saída parece não ter fim, e os pares de mãozinhas desesperadas não são o suficiente para abrir a passagem a tempo. A fumaça começa a intoxicá-los e ouve-se um barulho alto na sala.

As crianças vão até a porta para ver o fogo chegando ao corredor, pois o fogo atingiu a estante de madeira, que estava cheia de livros, e agora ela está no chão, impedindo seus pais de passar.

As crianças choram e tossem sem parar. Em meio à fumaça, cheiro de carne queimada. Jooheon grita, seus pais não respondem. Ele enxuga as lágrimas do rosto e pega Jeongguk, o caçula, no colo.

— A ajuda vai chegar logo, está bem? — Mente para tranquilizá-los. — Acho melhor irmos para a dispensa no final do corredor, é o cômodo mais longe do fogo.

— E a mamãe e o papai? — Seohyun pergunta.

O mais velho pisca com força, o cenho franzido.

— Assim que eles conseguirem sair de lá, vão se esconder na dispensa conosco. Vamos.

Jooheon corre na frente dos outros com Jeongguk no colo, abrindo passagem. O ar quente é rarefeito e incomoda os pulmões e a garganta, o cheiro de queimado forte deixa um gosto amargo na boca. O fogo se alastrou pelas paredes. Faltando pouco para a dispensa, uma parte do teto estala, ameaçando cair. O garoto acelera o passo e consegue passar com Jeongguk no colo, mas quando olham para trás, as tábuas e telhas bloquearam a passagem do resto do grupo.

— Yoona! — Ele grita. — Todos estão bem?

— Por enquanto sim! — Ela responde do outro lado.

— Está bem. — Jooheon corre até a dispensa e abre a porta, colocando Jeongguk para dentro com cuidado. — Fique aqui. Vou buscar os outros.

Ele se vira para correr de volta, mas a mãozinha do garotinho híbrido segura seu pulso.

— Eu menti. Eu não quero que você queime. — Jeongguk responde.

Seu irmão sorri, o rosto iluminado pela luz alaranjada do fogo. O mesmo fogo que os aquecia nas noites frias e agora, está tirando de Jeongguk tudo o que ele mais ama.

— E você não é esquisito. Eu até gosto das suas orelhas, sabia? Só disse aquilo porque estava com ciúmes de você com a mamãe. Tenho que ir.

Aquele é o último vislumbre de seu irmão. O pequeno fecha a porta e se encolhe num cantinho da dispensa, ouvindo os gritos de agonia de seus irmãos e irmãs e tentando se convencer de que vai ficar tudo bem. A fumaça lhe ataca os pulmões de tal modo que ele começa a tossir e não para mais. No quarto, Yoongi tosse também e sua visão começa a ficar estranha, vários pontinhos coloridos iniciando uma dança lenta e dolorosa. A fumaça faz o olho arder.

Jeongguk perde a consciência, e Yoongi — que sequer percebeu que estava tendo tanta dificuldade em respirar — também.

 

 

Há alguns flashes de consciência em meio à escuridão total. O primeiro é de Jeongguk sendo carregado para fora da casa por um homem. Ele estende os braços em direção ao fogo, em direção à casa, em direção à sua família. Yoongi também sente a dor.

Tudo fica preto.

Uma carruagem andando no meio da noite, o som das rodas e dos cascos do cavalo ecoando no silêncio das ruas. Duas silhuetas masculinas no banco oposto. Jeongguk está deitado e tenta abrir os olhos direito para enxergar, mas é em vão.

Depois tudo escurece novamente e, quando as cores e formas retornam, o loiro, de seu quarto, vê que Jeongguk está no colo de um homem loiro num aposento banhado pela escuridão. O homem tem a barba por fazer e seus olhos claros transparecem exaustão, cansaço. Vestido em trajes azuis e brancos, Yoongi sabe quem ele é mesmo antes de uma voz desconhecida dirigir-lhe a palavra:

— Então o que está dizendo é que o incêndio não foi acidente, Alice?

Yoongi não enxerga de onde a voz possa ter vindo no quarto. Aliás, só consegue ver o homem que, sentado numa cadeira, embala o garotinho híbrido nos braços, por causa do lampião na mesa ao lado.

— Sim. Tenho certeza de que o próximo Coelho mandou matá-lo. E, junto, matar toda a família também.

— Mas por quê? Com que propósito?

— Ora, Chapeleiro, não é óbvio? — O homem… Alice dirige o olhar para alguém além da luz. Ele carinhosamente acaricia os cabelos de Jeongguk, semidesperto, pegando com delicadeza nas orelhas brancas que encontram-se sujas. — Veja suas orelhas.

— Um bas…

— Ele acordou.

Jeongguk se levanta, assustado. Uma onda de tontura o atinge e o pequeno põe as mãozinhas na cabeça, tentando fazer com que o mundo pare de girar.

— Vocês não são a mamãe e o papai. — Sua voz sai trêmula e os olhinhos lacrimejam. Ele olha para seus braços, tomando consciência do corpo; estão ardendo, enfaixados.

— Não. — Alice diz com a voz doce. — Mas vamos encontrar um bom lugar para você. Agora, deve voltar a dormir. Precisamos conversar sobre assuntos de adulto. — O homem pressiona um ponto na nuca do garotinho, que apaga novamente. Yoongi retorna ao negrume todavia pode ouvir, desta vez, ao longe…

Crianças são mais fáceis de lidar quando estão dormindo.

Então a outra voz, num tom divertido, nem tão soturno: Felizmente você não tem filhos, Alice.

Vai me dizer que seu Hoseok não dá menos trabalho quando está quietinho em sua cama, a mente no mundo dos sonhos?

 

 

Yoongi puxa o ar de forma desesperada, como se tivesse acabado de ser salvo de um afogamento. Ele abre os olhos, está de volta ao quarto. A julgar pela iluminação que entra da janela, não se passou muito tempo desde que ele começou a ler o livro. Alice Liddell está de pé e parada à sua frente, com o livro nas mãos. Ela tem uma expressão emburrada.

Yoongi tenta se sentar propriamente. Tudo dói, em especial seu pulmão e a cabeça. Seus braços formigam de leve, e ele os analisa sob as vestes. Não há nada de errado. O Min arfa, e quando está pronto para perguntar o que diabos acabou de acontecer, Alice bate na capa do livro com os dedos finos.

— Não pode mergulhar tão fundo, Yoongi. Quase não consegui salvá-lo.

O loiro franze o cenho, tossindo e abraçando os próprios joelhos.

— O quê?

A garota bufa e se senta na cama, encarando-o com seriedade. Ela deixa o livro no colo de Yoongi e aninha-se ao lado dele, levando a mão direita a seu peito e fazendo um carinho ali. O Min não reclama.

— Você foi longe demais. Mais um pouco e não teria volta. Está tudo bem em submergir, mas não deve deixar-se envolver tão profundamente. Ou acabaria sentindo tudo junto com Jeongguk. E, acredite, daqui para frente piora muito. O quanto aquele garoto se machucou…

— Eu não ‘tô entendendo.

Alice apoia a cabeça no ombro do loiro e desce a mão pelo peito dele, chegando ao abdômen. Dali, volta até seu ombro e faz um dedilhado suave até encontrar a mão de Yoongi, entrelaçando seus dedos nos dele.

— Não pode se distanciar tanto da realidade. Não pode viver a história deles tão intensamente. Se eu não tivesse lhe puxado de volta, você ia chegar no final da história de Jeongguk, já carregando os mesmos machucados que ele, e adivinha só? Teria o mesmo fim que o Coelho Branco.

— Por quê? — Ele vira o rosto para encará-la nos olhos.

— Porque meu livro foi feito para ser lido com moderação, Yoongi, mas você é um rapaz ansioso que insiste em devorar tudo de uma vez.

A garota leva os lábios ao pé do ouvido direito de Yoongi, e sussurra baixinho, como se fosse um segredo:

— Mas se quiser, posso ajudá-lo a não afundar tanto, contanto que você me doe os sentimentos depois.

Yoongi arrepia com o hálito dela em seu pescoço, mas não dá sinais de seu incômodo.

— Que história é essa? — Ele se afasta para fitá-la. Alice tem no rosto um sorriso travesso, mas não parece ter má intenção.

— A melhor parte de ter meu livro lido é o final. — Alice gesticula animada, sentando-se nas pernas do Min, um pouco acima de seus joelhos. — É quando a pessoa chega ao fim do livro… ou decide parar por ali, tanto faz. O importante é que, quando não quiser mais ler, terá chegado ao fim… da sua imersão, certo?

— Certo. — O loiro concorda, mas sua voz não transparece tanta certeza.

— E aí você terá acumulado diversos sentimentos durante a imersão. A maioria negativos, pois meu livro tem poucas histórias felizes. Mas o que eu proponho a você é: te ajudo a terminar o que lhe é de interesse ainda hoje, impedindo-o de se envolver tanto, e no final você me doa os sentimentos ruins, ficando apenas com os bons. O que me diz?

— Parece uma proposta boa demais. Como eu sei que não ‘tá me passando a perna?

— Não confia em mim? Achei que já tivéssemos passado dessa fase, Yoongi! — Ela faz um biquinho, decepcionada, e cruza os braços sobre o peito. Revira os olhos. — Os sentimentos da imersão me alimentam mais que a imersão em si. São pura energia. E eu quero isso. Além do mais, você não conseguirá sem a minha ajuda. E então?

Yoongi analisa a proposta. A essência de Alice não parece estar querendo se aproveitar dele. Ela soa inocente e sincera demais para isso. E ele já está cheio de sentimentos ruins e sequer terminou a história do Coelho; como ficaria quando chegasse ao fim? Completamente abalado, na melhor das hipóteses. De repente, dar os sentimentos ruins para Alice não parece uma má ideia, mesmo porque ele não vai querê-los. Isso sem contar o fato de que, seria muito ruim acabar chegando ao fim da história de Jeongguk assim como ele — morto — por estar tão envolvido naquilo.

Por fim, ele suspira e faz um gesto afirmativo com a cabeça.

— ‘Tá bom, vamos fazer do seu jeito.

Alice sorri.

 

 

Quando volta à história de Jeongguk, a dissociação parece menos intensa. As cenas se passam dentro da mente de Yoongi, mas ele não parece mais estar dentro delas, vivendo-as.

Jeongguk é levado por Alice para um orfanato e Yoongi acompanha o dia a dia dele desde o momento de sua chegada. O pequeno híbrido mal come, não interage com as outras crianças e chora constantemente. Os curativos de seus bracinhos são trocados com frequência pelas moças gentis, e sempre que há visitas o escondem e suas orelhas branquíssimas são cobertas por inteiro com graxa. Tudo soa tão injusto que dói no Min. A família, pais e irmãos mortos. Os bracinhos queimados. E ele é tão solitário.

Felizmente, isso muda. E do jeito mais inusitado que Yoongi poderia imaginar. É quando o Min entende certos ressentimentos, mágoas e momentos que presenciou entre a Rainha e o Coelho Branco. Pois o primeiro — e único — amigo de Jeongguk no orfanato é Seokjin.

Seokjin já morava no orfanato havia anos, mas aparentemente, demora para resolver enturmar-se com Jeongguk desde a chegada do pequeno híbrido. Cerca de um mês após Jeongguk ser trazido por Alice, começam a correr boatos pelo orfanato. Alguma criança havia ouvido numa conversa das cuidadoras que ele era um “bastardo" e agora, as outras se juntam para, maldosamente, chamá-lo disso mesmo sem saber o que significa. É numa dessas vezes em que Seokjin interfere.

Jeongguk está sozinho, isolado e sentadinho sobre o balanço e sem a animação necessária para brincar. Quando as crianças começam, ele cobre os ouvidos. E do outro lado do parque, os outros órfãos apontam para ele e gritam bastardo!, bastardo!, bastardo! enquanto o pobrezinho só quer que o deixem em paz. Ter perdido seus pais e toda sua família já é ruim o suficiente. Estar num lugar totalmente diferente de tudo o que conhecia, num sistema ao qual ele custa a se acostumar, já é ruim o suficiente. Ser diferente já é o suficiente. Agora isso que fazem com ele… Yoongi sente doer em seu próprio coração, ainda que bem menos do que Jeongguk sentia, graças a Alice.

É quando Seokjin aparece, abrindo caminho entre as crianças e se posicionando no meio da área de lazer, os pés descalços sobre a grama fofa e os braços cruzados na frente do peito. Yoongi acha graça no fato de que, com aquela idade, o garoto já demonstra altivez, encarando o restante das crianças com ar de superioridade. E fica claro que ele nasceu mesmo para liderar quando, com os cenhos franzidos, ele fala mais baixo que os gritos infantis e mesmo assim todos param para ouvi-lo assim que abre a boca.

— Por que não o deixam em paz? Qual o problema de vocês? Por um acaso não conseguem ver que ele é só uma criança como vocês? Que tudo o que ele quer é ser feliz assim como vocês?

As crianças se entreolham, em parte incertas se deveriam questioná-lo ou apenas concordar. Como não falam nada, Seokjin continua:

— Qual a graça de isolá-lo e deixá-lo triste? Sentem-se superiores fazendo isso?

Nenhuma resposta. As outras crianças, algumas mais velhas e outras mais novas que Seokjin, estão todas envergonhadas e fitam os próprios pés com a culpa pairando sobre o grupo.

— Eu serei amigo dele e não ligo para o que vocês pensam ou deixam de pensar. Mas sugiro que deixem-no em paz, se sabem o que é bom para vocês.

Aquela foi a primeira vez que alguém, além de sua mãe, defendeu-o numa briga.

Seokjin era quatro anos mais velho, mas de alguma forma, foi fácil fazerem amizade. A proximidade veio rápida como um raio, e logo eles já faziam tudo juntos — comiam, brincavam e faziam as atividades do orfanato —, a não ser dormir, pois os quartos eram separados não só por gênero como também por média de idade. Mesmo assim, às vezes Jeongguk quebrava as regras e se aventurava no corredor de madrugada sempre que acordava de algum pesadelo para passar um tempo com o outro antes de voltar para a revista da manhã. As crianças passaram a respeitá-lo porque todos respeitavam Seokjin.

Jeongguk passou a se alimentar melhor e a tornar-se um pouco mais sociável. Entretanto, por mais que agora interagisse com as outras crianças do orfanato, seu único amigo ainda era Seokjin. Era somente com o mais velho que ele se sentia seguro, amado e arriscava sorrir, mesmo com todas as lembranças ruins e a saudade da família morta. Seokjin se tornara sua família.

Juntos, eles faziam planos e planos para quando saíssem de lá, fosse quando atingissem a maioridade — nesse caso, quando Seokjin atingisse a sua, faria de tudo para tirar Jeongguk de lá — ou quando alguém resolvesse adotá-los. De qualquer forma, o objetivo comum era nunca se separarem e, num futuro não tão próximo, até mesmo morarem juntos.

Contudo, a cada visita no orfanato, Jeongguk continuava sendo escondido; e suas orelhinhas, pintadas com graxa para esconder a brancura dos pelos macios. Seokjin não podia ficar com ele nestes momentos, e ele se sentia sozinho. Como se não merecesse ser adotado por ninguém e tivesse mesmo que passar o resto da vida sozinho.

Ao final de mais uma visita — em especial, uma na qual duas crianças haviam sido adotadas —, Jeongguk quase entrou em desespero porque Seokjin estava demorando para chegar. Ele só havia ouvido as cuidadoras conversando sobre isso, mas elas não falavam nomes, então a tristeza e o medo foram crescendo dentro dele. Yoongi sentiu. O medo de perder novamente a única família que tinha. Tristeza por pensar, precipitadamente, que Seokjin poderia ter ido embora sem sequer despedir-se dele.

Quando Seokjin chega, já abraçando Jeongguk apertado como sempre faz nestas ocasiões, o menor chora em seu ombro e a graxa de suas orelhinhas mancham a roupa azul escura do mais velho.

— Achei que você tivesse ido.

— Está tudo bem, pequeno. Levaram Amy e Anna. Eu estou aqui.

Mais tarde naquele dia, Jeongguk faz uma pergunta que Seokjin parece conhecer a resposta, mas não ter permissão de contar-lhe. É a primeira vez que Jeongguk questiona as coisas que lhe acontecem — ele também anda numa idade próxima da que as outras crianças geralmente tornam-se rebeldes.

— Seokjin! Porque você acha que, em todo dia de visita, minhas orelhas são cobertas de graxa?

— Ah, Jeongguk, eu não sei… — Não encara o menor quando diz.

Mas ele sabe. Dá para ver em seus olhos que está mentindo. Jeongguk, como não o olha neste momento, e sim para as folhas de grama que arranca no chão ao lado de seus joelhos, não percebeu que Seokjin mente — ou, talvez, também seja novo demais para reconhecer.

— Tem a ver com o fato de eu ser um… um bastardo? E o que significa isso?

Sua voz é tão baixinha e tímida. Os olhinhos amendoados do híbrido estão caídos, tristes e desesperançosos, mas suas íris negras ainda rogam por uma resposta.

— Me desculpe, Jeongguk. Eu também não sei.

Jeongguk queria saber o porquê de todo aquele tratamento especial. Queria saber por que ele era isolado e não podia ficar junto com as outras crianças nos dias de visita, porque é que ele não podia ser adotado. Seokjin o ajudava como podia, mas não contava o que sabia, e com o tempo Jeongguk começou a desconfiar que o mais velho mentia para ele; contudo, guardava para si mesmo ao invés de tirar satisfações.

E então, chegou o dia em que Seokjin não voltou para abraçá-lo. Seokjin não voltou para dizer que estava tudo bem, para planejar um futuro com ele ou para fazerem tudo juntos. Seokjin não voltou para brincarem no parque, ou acalmá-lo nas madrugadas de pesadelos.

Seokjin não voltou.

Jeongguk ficou sabendo mais tarde que ele tinha ido embora com uma mulher da corte, que de início procurava por uma menina, mas se encantou por ele assim que o viu. Ele não pôde se despedir de Jeongguk, pois ninguém podia saber que escondiam uma das crianças de todos, ou isso acarretaria em curiosidade e perguntas, coisa que ninguém queria que acontecesse.

O coelhinho perdeu sua família novamente. E doeu tanto nele que nem mesmo a ajuda de Alice era capaz de atenuar a dor que Min Yoongi sentiu. Não havia mais Seokjin. E Jeongguk estava sozinho novamente, mais do que nunca.

 

O híbrido, à medida em que crescia, pouco a pouco começava a desenvolver manias, sendo grande parte destas, autodestrutivas. As mais fortes eram as de organização e horário, que em pouco tempo se tornaram obsessões das quais ele não conseguia se livrar. Yoongi não sabia muito sobre psicologia, mas imaginava que fosse algo semelhante ao Transtorno Obsessivo Compulsivo. Ele era tão regulado com horários que qualquer atraso em sua rotina era capaz de deixá-lo de mau humor pelo resto do dia. Sempre estava tarde. Já em sua adolescência, Jeongguk tinha rituais que, se não se obrigasse a praticá-los incansavelmente e durante vários minutos — mesmo as tarefas mais simples que poderiam ser executadas em segundos —, ficava estressado e sentia-se incapaz de continuar seu dia. Repetia atividades — fossem pequenas ou grandes — dezenas de vezes, porque sua mente obsessiva não aceitava nada menos que a perfeição. E ainda assim, quando acabava, não era o suficiente e às vezes ele chorava de raiva por não saber como lidar com a prisão em que sua própria mente o mantinha.

O desgaste emocional e psicológico pesava cada vez mais sobre seus ombros e foi quando ele sentiu que precisava de uma válvula de escape tão ou talvez ainda mais autodestrutiva que esses problemas de seu dia-a-dia.

E Jeongguk passou a se machucar de propósito quase todas as noites, compulsivamente. Ele não parava de se arranhar, sentado na cama, até que conseguisse arrancar sangue de suas costas com as unhas curtas. Às vezes, fazia o mesmo com a pele dos pulsos, ainda avariadas pelas queimaduras de anos atrás. Só de olhá-lo nestes momentos, Yoongi já conseguia sentir a aura pesada que cercava o híbrido, como uma nuvem negra de tristeza.

E o pior era que, além de sentir tudo aquilo, Yoongi ainda se identificava com grande parte. A solidão constante, mesmo com tantas pessoas ao redor. O sentimento de inutilidade no mundo, de que nunca haveria um lugar que pudesse chamar de seu.

A vontade de desaparecer.

Jeongguk perdeu o controle de sua própria vida. Yoongi tem que vê-lo treinando nós em cordas em algumas noites para, em uma delas, quando já dominava vários tipos de nós, ser impedido por uma das cuidadoras de cometer suicídio na árvore do playground. O Min também é obrigado a assistir o garoto se machucando tantas e tantas vezes que se não fosse pela ajuda de Alice, já estaria terrivelmente machucado também, mesmo porque após certo tempo, Jeongguk passou a se cortar.

No dia em que o híbrido de coelho pularia da torre do sino do orfanato, que tinha cerca de quarenta metros de altura, foi impedido pelas mulheres o chamando lá embaixo, dizendo que ele tinha visita.

E pela primeira vez desde a partida de Seokjin, Yoongi o vê animado. Ele desce as escadas da torre correndo, com um sorriso infantil no rosto bonito, que destaca seus dentinhos salientes. Provavelmente, ele acredita que é Seokjin.

De tanto se identificar em certos pontos e se penalizar em outros, o Min quase se esqueceu de que o caso do coelho é diferente. Aquela era sua maldição, e aqueles eram os indícios de que ele seria o Coelho Branco, assim como aconteceu com Taehyung. Ou seja, nunca houve nenhuma forma de evitar aquilo tudo. Não havia o que pudesse ser feito.

Jeongguk tem dezesseis anos quando o Oráculo em pessoa vai buscá-lo no orfanato. O mesmo homem metido em trapos velhos, braços enfaixados e cabelos (mal) presos em um rabo de cavalo que consagrou o Gato de Cheshire. É naquele momento que Jeongguk — e também Yoongi, anos depois, sozinho em seu quarto — entende seu propósito e sua história.

O Oráculo se aproxima do híbrido, pisando sobre a madeira com suas sandálias puídas. Jeongguk cresceu tanto na puberdade que é um pouco maior que o homem. Sua expressão de desânimo é aparente, desceu as escadas correndo esperando poder ver Seokjin novamente e, ao invés disso, topou com aquele senhor esquisito.

— Chegou a hora de contar-lhe a verdade, Jeongguk. — Sua voz é tão rouca que incomoda os tímpanos de quem a ouve.

— Quem é você, velho?

O híbrido cruza os braços, se encolhendo, com medo do que viria a seguir. O senhor não força aproximação, mas crava os olhos nos de Jeongguk de forma tão séria e firme que o mais novo sente calafrios.

— Eu sou o Oráculo do País das Maravilhas, chefe dos sacerdotes da corte, encarregado de prever e anunciar os Títulos do País. Tenho centenas de anos a mais que você, Coelho Branco, e exijo respeito.

— Me chamou do quê?

Jeongguk parece em choque, e se afasta em negação até suas costas encontrarem a parede da sala da zeladora, local onde as cuidadoras arranjaram para que tivessem sua conversa estritamente particular e importante. Ele aprendeu, afinal, nas aulas do orfanato: sabe o que acontece com os Coelhos Brancos.

— É o que você ouviu, é o que é. O último Coelho Branco foi morto e, como sabe, o País tem uma nova Alice há alguns anos….

— Mas eu… como assim? Não tem como! Minha família nunca foi nobre, eu não posso ter grau algum de parentesco com o Coelho Branco original…

— Não? Você, por um acaso, nunca se perguntou por que suas orelhas são diferentes das dos seus pais e irmãos? O único par de orelhas brancas em toda a família!

— É uma coincidência! — Jeongguk grita, mentindo para si mesmo.

Encolhe-se cada vez mais contra o próprio corpo, buscando abrigo em seu próprio calor ao sentar-se no chão e dobrar os joelhos em frente ao peito. O Oráculo estala a língua nos dentes, balançando a cabeça, penalizado com o garoto.

— Você é um bastardo, Jeongguk. Seu verdadeiro pai era o último Coelho. Nasceu de uma violência cometida contra sua mãe, que mesmo assim passou a amá-lo incondicionalmente um tempo depois de seu nascimento.

Não! — Jeongguk lacrimeja e Yoongi sente que o faz também. Apesar do protesto, o Oráculo não se cala:

— Seu pai verdadeiro foi quem causou o incêndio, na esperança de que sua existência nunca fosse descoberta ou notada e um de seus filhos assumidos pudesse ser escolhido como o próximo Coelho. Ele morreu sem saber que você foi o único sobrevivente.

Yoongi também sente o choque e a culpa. Jeongguk está convicto que toda sua família morreu por culpa dele, porque ele nasceu. Porque ele teve a audácia de querer existir. E agora, viveria uma vida vazia desejando unicamente a própria morte até que a próxima Alice viesse para matá-lo.

Que foi o que aconteceu. Foi o que Yoongi fez.

O jovem Jeongguk chora copiosamente, e o Oráculo abaixa-se ao lado dele, com uma expressão acolhedora.

— É seu destino, Jeongguk. O País lhe escolheu para decidir a próxima Alice. E eu vim para levá-lo embora daqui. A partir de agora, irá morar na casa do Coelho Branco e terá direito, até o fim da vida, a tudo o que desejar.

— Poderei ver Seokjin?

Quase tudo.

O senhor se aproxima e coloca a mão na cabeça do híbrido, fazendo um sinal que Yoongi não consegue identificar e passando a recitar palavras estranhas, como num ritual, semelhante ao que Yoongi o viu fazer com Taehyung. Jeongguk fecha os olhos e, quando o Oráculo termina de consagrá-lo, abre-os novamente.

Pela primeira vez, suas íris estão vermelhas como sangue.

 

A partir daí, o psicológico de Jeongguk só piorou. Ele entrou, durante um curto período, em estado de negação. Tentou fugir várias vezes, mas a casa do Coelho Branco era como uma prisão. Ele mandou que fosse construída, então, uma toca somente para si — um lugar que não precisasse dividir com a família assumida do Coelho —, no meio da floresta. A toca que o Min conheceu.

Yoongi vê todo o vazio da existência dele — e sente grande parte. Ele só queria poder viver. Queria um final feliz. Talvez, por isso tenha dito antes de morrer que queria ter podido amar Alice: pela impossibilidade de seu final feliz, e não porque gostava de Yoongi.

Jeongguk frequentemente manda chamar prostitutas à sua casa, principalmente após passar a viver sozinho — sempre acompanhado, é claro,  de parte dos servos da família. Yoongi está prestes a virar a página quando vê Hoseok.

Ele parece mais novo, mas já é Chapeleiro. Hoseok entra na casa do híbrido sem hora marcada e sujando o chão, e Jeongguk quase fica louco. Entretanto, o pior acontece quando o Chapeleiro lhe entrega a carta, vinda da Rainha. Jeongguk surta. E rasga a carta sem lê-la.

Jeongguk é avisado que a última Alice — May Lee, Yoongi deduz — morreu e em breve será sua vez de fazê-lo também, para o “bem do País" e para que seja anunciada uma nova Alice. Jeongguk vive começando a preparar desafios, mas Alice nunca chega até ele. É quando Yoongi vê, pela primeira vez, o Coelho Branco cortando os pulsos no intuito de usar o próprio sangue para escrever. Ele faz as cartas que Yoongi teve de seguir e aguarda pelo Min.

Yoongi vira a página.


Notas Finais


doeu escrever isso, to cansada de matar personagem ;;

espero que a espera tenha valido a pena ;;
dedico o cap pra lin bebê e pra dhezinha por elas serem dois anjos mt meus nenê mas na real isso aqui vai pra todxs vcs, que esperaram todo esse tempo!!! menines do grupo: sem vcs eu acho que nem teria mais ânimo pra escrever isso aqui.

próximo cap sai em no máximo 2 semanas se deus quiser. e obrigada por tudo, obrigada pelos 800 corações ;u;

https://open.spotify.com/user/eq2ve9jqkgrl0kfswzvyau10i/playlist/6njYqCDNe7DEzyyQeLZuhr?si=F5LXjEKoSxGBoF6AT06ekA <- link da playlist lindíssima de ESA

https://chat.whatsapp.com/39cTC0WLYhs4yndO1gLV5f <- link do grupinho

also queria dizer que LOGO LOGO RESPONDO OS COMENTARIOS DE VCS DOS OUTROS CAPS OKAY? AMO VCS BEIJAO
laba e dedeu: nosso 3some ta vivo. ♡


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