História Eu te darei as estrelas que brilham no céu - Capítulo 14


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - Obrigado por ser você


Thor

No instante em que acordei sentindo braços fortes ao meu redor e a baba exagerada que escorria pela minha boca, soube que não estava em casa.

Pisquei assim que me deparei com o sol fraco que escapava da janela aberta. Empinei o queixo e minhas sobrancelhas se levantaram ao me deparar com Dennis adormecido ao meu lado, apertando-me contra ele como se eu fosse um ursinho de pelúcia.

Ele murmurava enquanto dormia, era possível ver seus lábios se movendo, formando palavras que tive que apurar os ouvidos para compreender.

— Thor — Por um segundo, achei que ele tivesse acordado e me visto, mas sua expressão estava serena demais e ao mesmo tempo extasiada.

Notei que tinha alguma coisa na minha perna, alguma coisa rija em minha coxa. Achei que fosse o controle remoto, só que quando estiquei o pescoço para ver melhor, percebi que eu estava com uma das pernas no interior das de Dennis e a coisa rija e dura que me incomodava nada mais era do que seu pau crescendo devido a algum sonho erótico que ele sem dúvida estava tendo.

— Thor — repetiu, seus braços ao meu redor me causavam certo conforto. Suas mãos eram grandes e quentes, um tanto peludas em alguns pontos, mas acho que gostei disso também.

Dennis estava sonhando comigo? O questionamento soou absurdo, pois ele estava de barraca armada e isso era um tanto constrangedor.  O sangue passou a correr veloz dentro de mim no momento em que a pálpebras dele se abriram e seu rosto se iluminou ao encarar o meu, como se eu fosse a coisa que ele mais queria ver ao acordar e aquilo me assustou ao ponto de eu me afastar, livrar-me de seus braços, de seu toque.

— Você está aqui mesmo? — Ele chegou perto de mim e tocou meu rosto, agindo como se ainda estivesse sonhando. Meu coração socou meu peito com tanta força que fiquei sem ar. — É você de verdade ou ainda estou sonhando?

— Com qual frequência você sonha comigo? — perguntei, percebendo que ele não gaguejava, então realmente achava que nossa conversa não passava de um sonho que sua mente implantou.

— Muita — Minha respiração estava descontrolada e ficou ainda pior quando ele passou o polegar em meus lábios, como se precisasse senti-los.

Fechei os olhos, pensei em Clarice e hesitei. Aquilo estava estranho, muito estranho.

— Que horas são? — eu quis saber, ainda assimilando a ideia de que ele confessou sonhar comigo com frequência.

Perguntei-me se eu ainda queria me aproximar dele depois disso. Eu não queria machucá-lo, que era o que aconteceria caso ele nutrisse algum tipo de sentimento platônico por mim. Só que eu precisava fazer isso pela Clarice, pela viagem que a gente faria, eu prometi.

— Já é dia — Dennis pareceu voltar à realidade quando coçou os olhos e bocejou. Deu uma checada no relógio de pulso e gemeu. — Nove horas da manhã. Ainda bem que é dia ímpar e não temos aula.

— É — Balancei a cabeça, tentando voltar a raciocinar, me dar conta de que passei a noite dormindo agarradinho com um garoto que eu só pude conhecer fragmentos até agora, pedaços que não se encaixavam de forma alguma. Era tudo uma incongruência sem tamanho! — Preciso falar com a Clarice, com meus pais, eles devem tá pirando!

— É melhor falar com eles então. — Dennis alcançou os óculos remendados que estavam na cabeceira. Nunca tinha parado para reparar em como seu rosto ficava mais bonito quando ele os usava. Na cabeceira, eram óculos feios, com lentes grossas e um tanto arranhadas, mas no rosto dele, dava certo charme, isso era inegável.

Alcancei meu celular e liguei primeiro para Clarice, lamentando não ter ido encontrar com ela na lanchonete depois da aula com Dennis. Ela, como sempre, foi muito compreensiva e carinhosa.

— Sabe, eu conversei com o Otto, aquele babaca sem tamanho e achei que seria uma boa ideia a gente pegar um cineminha com ele e o Dennis para fazer com que o Otto perceba que o Dennis é legal e pare de implicar com ele. — começou ela, o tom um tanto arrastado como se tivesse acabado de acordar.

— Não sei se é uma boa ideia — Cocei a cabeça, pirando só de imaginar Otto encostando um dedo sequer no Dennis e eu estar compenetrado demais nos lábios de Clarice ou nos toques dela para protegê-lo de qualquer ameaça.

— Ah, vai que eles se dão bem? Otto concordou contanto que pagassem a pipoca dele. — Revirei os olhos, mal acreditando que minha namorada aceitou algo assim.

— Vou conversar com Dennis aí eu te falo, tá bom? — Ela concordou, a voz um tanto fraca do outro lado da linha.

Pelo ar distraído, ela devia estar fazendo as unhas como todo o dia ímpar. Podia muito bem imaginá-la com os pés apoiados na mesa do computador e equilibrando o celular entre o ombro e o ouvido enquanto as pintava.

— Vamos para a arquibancada hoje ver as estrelas? — questionei, esperançoso. Era o meu passatempo favorito nos dias ímpares, por mais que nem sempre houvessem estrelas para serem contempladas.

— Foi mal, amor — Isso logo me desanimou. Os olhinhos amistosos de Dennis me encaravam com curiosidade quando gemi. — Terei que fazer o cabelo hoje e combinei de sair com a Amanda. Podemos ir no próximo dia ímpar, o que acha?

— Tá — falei de má vontade porque eu realmente queria que ela fosse comigo. — Tchau — desliguei o telefone antes que ela tivesse tempo de se despedir. Ela arruinou meu dia ímpar, mas ainda assim, eu iria até a arquibancada, ver as estrelas e fumar meu último baseado sem ela.

— Vocês brigaram? — Dennis perguntou, parecendo realmente preocupado.

Abri um sorriso que o deixou ruborizado.

— Não, é só que... — Olhei para Dennis, uma ideia começando a se formar em minha mente. — Você tá livre hoje?

— S-s-sim — Ele enfim gaguejou, seu rosto perdendo a cor por alguma razão.

— Ótimo! — Nem tentei esconder minha alegria. — Quer ir até a arquibancada ver as estrelas comigo hoje?  

— Q-q-quero — foi só o que disse e foi o que bastou.

— Perfeito — Se não fosse algo tão idiota, eu teria dado pulinhos de alegria. — Tenho que ir pra casa agora, então mais tarde eu apareço aqui pra gente ir, ok?

— Certo — Dessa vez ele não gaguejou, mas sim puxou meu pulso, preparando-se para dizer algo importante. Meu olhar encontrou o dele e me vi preso a ele, imerso em seus dois olhos azuis. Era como ser levado por uma onda do mar muito potente, como se afogar nela. — Obrigado, Thor.

— Pelo que? Você que está me ensinando matemática, me tirando da lama, da desgraça que será repetir de ano.

Ele umedeceu os lábios e esse mero ato fez meu coração palpitar por algum motivo.

— Obrigado por se interessar em mim quando ninguém mais se interessou, obrigado por ser meu amigo quando ninguém mais quis, obrigado por dizer a coisa certa quando ninguém mais disse. Obrigado por ser tão maravilhoso quanto meus sonhos diziam que você era. Em outras palavras, obrigado por ser você, Thor Byron.

— Dennis — Sem ter qualquer controle sobre meu corpo cambaleante e atordoado, caminhei na direção dele e me coloquei entre suas pernas, segurando seu rosto com afinco e perdendo o fôlego ao perceber como ele era redondo e cabia perfeitamente em minhas mãos como se tivesse sido feito sobmedida.  — Você é muito especial e espero que um dia você se dê conta disso.

Ao puxá-lo para um abraço apertado e me perder nele, soube que não importava meus medos e inseguranças, eu não poderia de forma alguma deixá-lo. 



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