História Eu te darei as estrelas que brilham no céu - Capítulo 15


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - Medo do mundo


Dennis 


— Não acredito que você tem uma dessas! — exclamou Thor ao se deparar com o carro voador que mais parecia uma capsula gigante. Era um pouco menor do que as que sobrevoavam a Ilha dos Cisnes, mas ainda assim era muito bonita.

— Meu pai me deu no aniversário passado contanto que eu tomasse cuidado ao usar. Aos dezessete anos já podemos pilotar contanto que sejam essas menores.

 Fiz uma careta, fechando os olhos e pensando com muita força em Supernatural para não acabar gaguejando. Podia sentir uma veia saltando em minha testa tamanha força que acabei fazendo para pensar na série. Isso porque pensar em qualquer coisa quando se estava diante de Thor Byron era uma missão quase impossível.

— Isso é muito foda, cara! — Ele parecia mesmo muito animado, rondava o veiculo como se fosse algum objeto divino, como se nunca tivesse visto algo do tipo.

Estava vestindo uma camisa branca de botões que era quase transparente, o que me fazia encará-lo a todo instante, demorando-me em cada pedacinho dele por mais que estivesse um pouco suado, já que seu bairro era um pouco longe do meu e ele teve que andar várias quadras até chegar nele.

Ele trouxe uma caixa de cerveja e seu sobretudo parecido com o do Castiel estava pendurado em seu ombro. Suas trancinhas rebeldes estavam presas num rabo de cavalo bem no alto da cabeça, deixando à mostra seu pescoço, que tive que me conter para não tocar.

— Pode dirigir se quiser — falei, hipnotizado pela sua animação, seu êxtase.

Minha afirmação o deixou radiante.

— Sério mesmo? — Ele estava quase dando pulinhos de tanta alegria. — Isso seria muito foda! — Percebi que ‘‘foda’’ era uma palavra que ele usava com muita frequência.

Toquei a porta do carro, que reconheceu minhas digitais e fez com que todas as portas do veiculo se destrancassem. Os dois bancos da frente eram um pouco mais estreitos do que dos carros comuns. Além disso, possuía uma vista mais ampla, já que metade do carro era composto por vidro blindado, a traseira era de um roxo metálico.

Lembrava um pequeno dirigível, já que não possuía asas, eu só sabia que o dito cujo voava. Se fosse mais alto, poderia dar piruetas no céu e até mesmo escrever o nome de alguém usando uma fumaça especial que mudava de cor conforme você selecionasse no painel.

Não tinha um volante como nos carros comuns. Uma vez dentro do carro, você precisava fazer gestos com uma das mãos para que ele obedecesse. O lado ruim era que você não podia se esquecer disso nem por um segundo, pois se você movimentasse sua mão para frente, o veiculo obedecia sem hesitar.

Entramos no carro e Thor prendeu o pulso numa cordinha de metal, que nada mais era do que o sensor de movimentos. Uma vez com a mão presa, o carro passava a obedecer. O motor logo rugiu e um sorriso de orelha a orelha se alargou em seu rosto, me aquecendo completamente por dentro assim que me acomodei no banco ao lado.

As rodas nos guiaram para fora do estacionamento e Thor movimentava ansioso a mão direita, fazendo gestos suaves. Fomos aos poucos para o céu e aquele friozinho na barriga logo me assolou como sempre acontecia quando me via no ar, literalmente sem chão.

— Isso é incrível! — gritou, olhando pela janela, mas sem se desconcentrar nem por um momento. Entramos em uma nuvem, desviamos de outros carros voadores e fomos para bem alto para dar uma pirueta que fez meu estômago embrulhar um pouco.

Já estava anoitecendo quando finalmente paramos na arquibancada, Thor estava animado demais e eu não queria dizer a ele que estávamos demorando mais do que se tivéssemos ido a pé e em câmera lenta.

— Sabe, eu nunca andei num carro voador antes — disse ele assim que estacionamos um pouco afastado da arquibancada. Ele equilibrava a caixa de cerveja como se não fosse nada. — Eu aprendi a dirigi-lo vendo vídeos no YouTube, mas isso é bem diferente. Foi indescritível, obrigado, Dennis.

— De nada — Estava ficando mais fácil falar com ele sem as palavras engasgarem, o que era ótimo.

Ao invés de irmos para as arquibancadas como era o plano, Thor achou melhor a gente ficar no gramado, já que podíamos deitar nele e contemplar a estrelas como fantasiamos.

O vento frio me golpeou logo de cara e me arrependi de não ter trago um casaco ou algo mais quente para vestir. Ao perceber que eu estava com frio, Thor colocou seu sobretudo em meus ombros e antes que pudesse me ver enrubescendo, abriu a caixa de cerveja e tirou duas latinhas de lá.

— Eu não bebo — falei e logo me arrependi com medo de ele me achar um idiota infantil.

— Só experimente, é bom sair dos trilhos de vez em quando.

Mesmo hesitando, peguei a latinha já aberta e tomei um gole. O gosto era meio ruim, mas ignorei porque Thor parecia gostar e muito, já que bebeu a primeira lata em três longas goladas e logo partiu para outra.

— Ainda não tá no ponto — disse ele, olhando para o céu. — Não tenho certeza se hoje teremos aquele céu estrelado que eu tanto amo. Pelo modo como as nuvens estão, acho que vai chover.

Era gritante o desânimo que o assolou e quase tomei um susto quando seus dedos frios alcançaram o bolso interno do sobretudo e tirou algo que parecia um baseado pronto para ser fumado.

— E aí? — Sacou um isqueiro e o acendeu dando uma tragada que o fez tossir. — Vai querer dar uns tapas?

— Em quem? Você? — A mera hipótese de machucá-lo me deixava atordoado.

— Não — Thor revirou os olhos e me encarou como se eu tivesse alguns parafusos a menos. — Quer dar uma tragada?

— Ah, não, obrigado — Abaixei a cabeça ao sentir o cheiro pungente da droga cercar todo o ambiente. Eu nem estava fumando e mesmo assim fiquei tonto. — Não sou de consumir drogas, sabe? Fazem mal para a saúde.

— Deixa de ser certinho, Dennis — Deu mais uma tragada e uma fumaça espessa saiu de suas narinas. Dessa vez ele não tossiu. — Qual é a graça de ser um adolescente se não pode se rebelar de vez em quando?

— É que...

— Sem mas! Vamos, experimente — Peguei o baseado assim que ele me entregou. Fechei os olhos e traguei, tossi diversas vezes e fiquei ainda mais tonto. Tudo parecia girar e podia sentir meus neurônios morrendo, contorcendo-se em agonia. — É isso aí!

 Ele deu batidinhas leves em minhas costas e me deu mais uma latinha. Ao olhar para baixo, percebi que ele havia bebido mais de nove latinhas em poucos goles e o modo arrastado com o qual falava entregava o fato de que já estava embriagado.

— Você tem que viver mais, Dennis — falava como se soubesse muito bem como era viver de forma intensa, algo que eu não duvidava. — Falo isso para o seu próprio bem.

Minha vida sempre foi monótona, sem muitas novidades e acontecimentos grandiosos. Até mesmo meus aniversários eram compostos apenas pelos meus pais e William quando resolvia aparecer. Solidão sempre me definiu, pois eu tinha medo de me arriscar.

Em outras palavras, eu tinha medo do mundo e do que ele escondia. 



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